Perdida Na Tempestade
24 Capítulo 24- Perdoada e perdida...
Notas iniciais
Ryotaro voava o mais depressa possível. Com suas enormes asas de fogo, não era difícil para ele, atingir uma velocidade alta. Mesmo assim, ele não conseguia encontrar sequer o rastro de Yuko. Como lorde, sentiu-se orgulhoso, afinal Yuko era pertencente a um clã muito respeitado e temido em todo o mundo. Assim como o próprio Yuko, um guerreiro excepcional, verdadeiro herdeiro dos poderes dos Kitsune. Pessoalmente, Ryotaro o conhecia desde criança. Foram treinados juntos e ele podia afirmar que eram próximos, mais ou menos o que os humanos chamavam de amizade. Yuko o compreendia, muito bem. E Ryotaro aprendeu a ser mais contido e controlado, com ele. De repente uma sombra se moveu e ficou parada bem abaixo de Ryotaro. Yuko o havia reconhecido.
—O que houve, Lorde Ryotaro?- perguntou Yuko, sereno.
—Sabe muito bem que não precisa me tratar assim quando estamos a sós. –Retrucou Ryotaro retirando sua máscara para assumir sua forma normal. Yuko sorriu de lado.
—Eu sei sim Ryo. Mas sabe como eu sou. Você poderia ser alguém tentando me enganar.
—Eu sempre me esqueço dessa sua sagacidade exacerbada. – Riu Ryotaro, mais relaxado.
—Se você está aqui, é por que é algo muito grave. E então, o que houve Ryo? – Continuou o youkai.
—Os soldados estão à procura de Hokuto, o general de meikakunamün que conseguiu se soltar e fugir. Ele conhecia a serva, então eu acredito que ela tenha o ajudado a fugir e ambos tenham ido juntos ao dai San no shiro. Neste momento, vccê precisa ir a outro lugar ainda mais urgente: vá ao shiro de Satori Hime, a mãe de Sesshoumaru. Mizuki quer a pedra da lua que esta sob a posse dela. Se ela for morta, não haverá qualquer chance de paz entre nossos reinos novamente. -Ryotaro explicou rapidamente.
—Eu entendo Ryo. Vou agora mesmo. Mas me responda, por que está com cheiro de Mizuki? – Perguntou o youkai, levantando uma sobrancelha.
—Por que, eu... Eu fiz dela minha fêmea. Agora ela está em minhas mãos. — Respondeu Ryotaro, cabisbaixo. Yuko perdeu a expressão serena e ficou imediatamente surpreso.
—Ficou louco Ryo? Se fizer o que penso que vai fazer, ela vai matá-lo na primeira oportunidade que tiver! Mizuki não é uma fêmea qualquer, ela é uma assassina nata!- Disse o youkai, aproximando-se de Ryotaro, exasperado.
—Eu já fiz, Yuko. E acho que ela me mataria de qualquer jeito. Eu preciso tirar Minara de lá antes da virada da lua. Se não, será tarde demais para todos nós. Mizuki pretende fortalece-la ao máximo para depois absorvê-la. Se não agirmos logo, será tarde demais. – Disse Ryotaro preocupado. Yuko, o encarou novamente com uma sobrancelha erguida.
—Está preocupado com a humana. Mas há algo diferente em você. O que foi que aconteceu, Ryo?-Disse o youkai estreitando os olhos. Ryotaro encarou-o.
—Eu falei com ela. Nessa madrugada. Parece-me que o veneno, não está mais fazendo o mesmo efeito. – Disse ele relutante. Yuko sorriu discretamente.
—E? – Perguntou o youkai raposa, querendo que Ryotaro lhe dissesse tudo.
—E ela, não é nada do que imaginei. – Disse Ryotaro, decepcionado.
—Como assim?
—Ela tem um temperamento forte e decidido. Não tem nada de frágil, ou de delicada!
—Sim e ela é bonita?
—Ela é linda... – Disse o youkai nervoso, passando a mão pelos cabelos, imaginando o rosto de Minara.
—Humm, linda? Linda como? Linda de rosto, linda de personalidade... — Yuko estava curioso.
—Linda de tudo... Ela tem um corpo cheio, com formas arredondadas, um quadril largo e uma cintura fina, e seios redondos e grandes, assim como as coxas roliças e firmes... Os cabelos dela pedem para serem puxados com força e a boca implora para ser invadida por uma língua. E quanto ao rosto... Ahhh Yuko... Ela é teimosa como um demônio, mas tem o rosto de anjo... — Suspirou Ryotaro, lembrando-se dos devaneios que tivera com Minara e Ritorirï.
—Ryo, você acabou de descrever a fêmea que eu pedi aos deuses! – Yuko sorriu de lado com um olhar malicioso. Ryotaro encarou-o tentando adivinhar seus pensamentos. Conhecia bem Yuko e sabia que ele era um conquistador inveterado.
—Nem pense nisso. Eu me precipitei em fazer uma imagem de uma fêmea que eu só conheci quando criança. Mas ela ainda é minha prometida. Mesmo que ela, não seja a fêmea que eu idealizei, eu sou responsável por ela. Quero que ela seja livre para decidir sua vida. Assim como eu fui para decidir a minha. –Respondeu o youkai seriamente.
— Mas, e se ela decidir ficar comigo? Sabe como é, com ela morando no seu shiro, vamos nos ver bastante, e eu não resisto a um belo par de seios... Ainda mais se forem grandes e redondos! — Disse Yuko sorrindo enquanto passava a língua nos lábios, com malícia.
—Yuko, você não tem lá outra coisa para se entreter? Nenhuma fêmea merece ter seu coração partido. Além disso, eu não vou permitir que você a iluda! Se quiser ficar com ela terá de ser com um compromisso e disso eu sei que você não gosta! – Disse Ryotaro seriamente.
Yuko sorriu e voltou a sua expressão calma de sempre.
—Bem, me parece que você está mais impressionado com essa Minara do que gostaria de admitir... Cuide-se Ryo. Mantenha a cabeça fria e o foco, pois Mizuki não está para brincadeiras. – Disse ele calmamente, dando as costas para Ryotaro, e seguindo na direção do shiro de Satori Hime.
O lorde ficou surpreso com a mudança de atitude dele. Por fim sorriu, compreendendo que se tratava de um teste, e pensou consigo mesmo “Eu sempre me esqueço dessa sua sagacidade exacerbada” antes de recolocar sua máscara e voltar para o esconderijo.
No dai san no shiro, Yukina chorava de saudade. Dentro do velho diário que segurava, muitas lembranças. Bilhetes, desenhos, e relatos feitos por ela contando cada detalhe de sua obsessão por Kurö ookami. Perdida em seus devaneios, Yukina ouviu uma voz conhecida.
—Então você estava apaixonada por ele... – A youkai levantou-se em um pulo e pôs se a procurar a voz.
—Quem é? Revele-se! – Ordenou ela, assombrada.
—Não precisa ter medo Yukina, somos nós... – E do interior de uma grande sombra na parede, saíram Kagome, Kikyou, Rin e Igraine.
—O que estão fazendo aqui? Como conseguiram entrar? – Perguntava a youkai, exaltada.
—Estávamos seguindo você. Nós queríamos saber o porquê de você ficar tão incomodada quando falávamos de Minara... –Respondeu Kagome finalmente compreendendo o porquê da Youkai não ficar à vontade sempre que se falava na antiga feiticeira.
Yukina ficou apreensiva. Estava sem saída, seu maior segredo, guardado há tantos anos finalmente revelado àquelas humanas que ela mal conhecia.
—Vocês ouviram? Não... Vocês pensam que ouviram alguma coisa... Mas, posso assegurar a vocês, que não é nada do que estão pensando... Eu... – A youkai tentava se recompor rapidamente e escolhia cuidadosamente as palavras enquanto secava as lágrimas.
—Yukina... Você não precisa ter medo de nós. Conte-nos o que aconteceu e talvez possamos ajuda-la!- Kikyou foi complacente.
A youkai encarou-a por alguns segundos, ponderando a oferta da humana. Suspirou pesadamente e rendeu-se finalmente.
—Vocês não têm ideia... Eu sou uma youkai... Nós não conhecemos sentimentos como amor, compaixão ou culpa... Pelo menos não a maioria de nós... Mas eu sinto... A culpa me corrói por dentro há tantos anos... E eu tenho me mantido firme perante ela. – A youkai segurava as lágrimas e mantinha sua cabeça erguida, contemplando a pouca luz da janela.
Rin aproximou-se dela com doçura.
—Yukina, não imagino o que tenha feito... Mas sei que por pior que seja, a verdade é o único caminho. A verdade pode libertá-la, de sua culpa. – Disse a humana percebendo a dor, nos olhos frios da Youkai.
Yukina abaixou a cabeça e permitiu que as lágrimas descessem pelo seu rosto gélido. Recuperou-se e fez um gesto com as mãos para que elas a seguissem.
—Venham comigo. –Disse ela caminhando em direção a uma saleta que ficava no fim do grande salão. Lá dentro apenas uma poltrona antiga e uma enorme pintura, com as bordas queimadas, mas que mantinha a imagem de suas figuras principais intactas. Ao se encontrarem de frente com a pintura enorme de pelo menos 1,50 de altura, as jovens sentiram o assombro de ver as pessoas que tanto haviam imaginado.
—Estes são Kuro Ookami, Brunhilde e Minara. – Disse Yukina acendendo os dois mais altos candelabros com o uso de magia. Brunhilde estava um vestido azul de um tecido fluído e fosco. O modelo era justo, sem mangas, com um decote na frente em v mais aberto, quase canoa, que terminava em alças grossas franzidas por argolas de ouro. Os cabelos ondulados e cheios, estavam semi-presos por uma tiara dourada. Claire não havia exagerado, Brunhilde era mesmo muito bela. Ao seu lado estava o seu macho, Kuro Ookami. Com seu rosto moreno e sedutor exatamente como Claire o havia descrito. No colo do pai a pequena Minara, sorria. As jovens ficaram impressionadas.
—Eles pareciam ser tão felizes. –Disse Rin com pesar.
—Eles eram sim. Eu não conseguia enxergar, mas eles eram feitos um para o outro... –Respondeu Yukina, resignada.
—Diga-nos o que houve verdadeiramente, Yukina. – Ordenou Kikyou com seu autoritarismo, recém-adquirido. A youkai fitou-a novamente com surpresa, mas concluiu que ela tinha razão.
—Quando vi Kuro Ookami pela primeira vez, eu era muito jovem. Era filha de um dos generais mais influentes de Inu no Taishou, e estava sendo educada para ser uma fêmea de elite. Eu estava sempre presa aos costumes e obrigações de uma jovem fêmea e ele era lindo... E livre... Meu pai e ele ficaram amigos rapidamente e a presença dele em minha casa se tornou constante. Ele era sempre muito educado e respeitoso comigo e minha mãe, mas eu queria mais. Eu queria estar ao lado dele. Eu queria ser possuída por ele! Quando havia alguma festa, as fêmeas youkais se jogavam em cima dele, mesmo ele sendo humano. Não havia sequer uma, que não o desejasse! Mas ele era muito discreto. Era incapaz de iludir qualquer fêmea. Por isso ele sempre me tirava para dançar, pois me considerava uma irmã caçula. Nós dançávamos a noite toda e às vezes ele me levava para casa em sua carruagem. Eu fingia cansaço para me deitar nos braços dele, e fantasiar que ele seria meu macho algum dia. O tempo passou, mas o que eu sentia por ele, só aumentava. Um dia quando estávamos a sós aqui nesse porão, eu criei coragem para contar o que sentia, mas ele me afastou. Disse que eu era jovem e estava confusa. Ele me rejeitou... Depois de alguns anos, ele conheceu Brunhilde. E ele fez dela a fêmea dele. Conseguem imaginar o que eu senti? Aquela maldita hanyou havia me tirado o único macho que eu amei...! Fiquei enlouquecida, de ódio... Destruí meu quarto inteiro e decidi me mudar para uma casa de campo de meu pai quase na fronteira com as terras do shiro de Shigeko, que hoje estão sob os cuidados de Tatsuo. Minha mãe ficou enlouquecida, mas meu pai me permitiu sair. Uma semana depois, à pedido de minha mãe, Brunhilde, se propôs a me ensinar tudo o que ela sabia, para que eu fosse tão útil às terras do Oeste, quanto ela. Meu ódio se avivou ainda mais e eu vi a oportunidade perfeita de lutar pelo que me pertencia por direito: Kuro Ookami... Eu aceitei e durante muitos anos, busquei a oportunidade perfeita. Até que Brunhilde ficou grávida e meu plano foi por água abaixo. Quando Minara nasceu, eu perdi completamente as esperanças. Eu estava finalmente pronta para substituí-la, ela teve uma filha dele... Eu sabia que seria praticamente impossível fazê-lo esquecer, completamente dela. Eu tentei me afastar novamente mas Mizuki me encontrou. Ela me disse que sabia do meu sofrimento e que tinha um plano para que eu tomasse de vez o lugar de Brunhilde e o coração de Kuro Ookami. Ela me deu uma poção que a faria esquecer todas as visões, fazendo com que Brunhilde ficasse desacreditada como vidente. E assim eu fiz. Retornei e fui até ela com o pretexto de ajuda-la. Ela me recebeu de braços abertos. Minara já tinha oito anos, e estava se preparando para ser marcada pelo pai. Eu ajudei Brunhilde com todos os preparativos. Ajudei em todos os segredos... E logo depois que a marca foi feita, nós ficamos a sós e ela teve uma visão. Antes que ela recobrasse a consciência eu lhe dei a poção de Mizuki e ela caiu desacordada. E assim eu fiz, com cada visão que ela tinha. O que eu não sabia, era que a poção, não só a fazia esquecer, mas também a envenenava... Mizuki queria Brunhilde completamente neutralizada, para que Inu no Taishou fosse morto por Shigeko em uma emboscada e ela pudesse ser dada como um presente à Kyuura o senhor das terras do leste, aliado de Mizuki e Shigeko. Embora Kyuura estivesse unido às terras do oeste por conta de um acordo que envolvia Minara, Mizuki e Shigeko o convenceram a atacar o Shiro de Brunhilde. Eu sabia de tudo, mas ela me garantiu que Kuro Ookami não seria atingido. No dia do ataque, no entanto... Eu... Não consegui ficar longe! Acho que recobrei a sanidade à tempo... Eu vim até aqui, para avisá-los, mas cheguei tarde demais. Kuro Ookami estava ferido e Brunhilde estava praticamente morta. Ela apenas gritou-me para pegar Minara e fugir. O shiro estava em chamas, mas eu consegui encontrar Minara no momento em que Shigeko a atacou, acertando-a de raspão. Mesmo assim, a ferida dela não parava de sangrar. Eu estava para ser morta também, mas, meu pai que havia me seguido por desconfiar de jeito estranho como eu me portava nos últimos dias, me salvou, mas acabou sendo ferido fatalmente. Eu fugi com Minara nos braços, e encontrei o filho de Kyuura, aquele a quem Minara era prometida. Assim que ele me viu, disse que sabia de alguém que poderia curá-la. Eu entreguei Minara a ele, e o vi criar asas de fogo, e desaparecer na direção de Meikakumün. Quando retornei ao Dai San, não havia mais nada... Só morte e sofrimento... -A youkai soluçava entre lágrimas frias.
O silêncio tornou-se pesado, quase insuportável. As humanas estavam estarrecidas com a revelação. Tudo se encaixava perfeitamente. Igraine tinha os olhos arregalados enquanto lágrimas desciam por seu rosto. Mas não eram lágrimas comuns. E yukina continuou seu relato.
—Eu nunca revelei nada disso, por que eu nunca soube se ela havia sobrevivido, e tive medo que ela, se estivesse viva, contasse que fui eu quem a entregou nas mãos do filho do assassino de seus pais...
A hanyou loura aproximou-se da Youkai ainda confusa por contas das lembranças que a envolviam e acertou-lhe um tapa que a jogou no chão. Rin correu imediatamente para impedí-la.
—Me solte Rin, ou vou bater em você também!- Disse a Hanyou com seus olhos ficando negros de ódio. Rin a encarou sem ação. Assombrada com o ódio que ela demonstrava.
—Igraine! Não faça isso! -Rin implorou.
—Foi por causa dela que eu cresci sem meus pais! Por causa dela! Essa maldita... – Grunhiu a hanyou fora de si.
Yukina estava em choque sentindo a força youkai crescendo ameaçadoramente dentro da Hanyou. Estava sentada no chão, encurralada, contra a parede. No momento em que a hanyou se desvencilhou da jovem miko, e se aproximou para golpeá-la novamente, no entanto, foi impedida por uma voz e uma luz que a envolveu completamente.
—Não, você não quer fazer isso... – A grande luz foi se esvaindo e dando lugar à figura de Minara, que abraçara a Igraine com tanto afeto que aos poucos à jovem hanyou, foi voltando à sua aparência normal.
—Minara? – Perguntou Kikyou, reconhecendo vagamente aquela figura.
—Olá Kikyou, não se preocupe, sou eu mesma Minara. – Ela respondeu sem soltar-se do maternal abraço que dera em Igraine.
A hanyou caiu sobre as próprias pernas chorando copiosamente, mas sem se soltar dos braços de Minara.
—Está tudo bem, Igraine. Você nunca mais estará sozinha. -Minara murmurou consolando a jovem hanyou.
—Minara? Mas como você fugiu? – Perguntou Rin confusa.
—Não fugi Rin, eu ainda estou presa, mas posso me deslocar pelo tempo e espaço e ficar em dois lugares ao mesmo tempo. –Disse a humana sorrindo enquanto secava as lágrimas da hanyou.
—Você veio me matar, imagino. Eu aceito meu destino... – Disse Yukina ficando de pé. Minara olhou para ela com uma expressão triste.
—Eu não vim matar você. Vim te dizer que eu a perdoo. Eu sei o que você sentiu todos esses anos, toda a dor do seu arrependimento. Yukina, ninguém sofreu mais do que você. Nem mesmo eu. – Respondeu-lhe a humana, resignada.
—Isso não é verdade! Meu Irmão... Hikaru, o youkai que você dizia que amava, ele sofreu muito mais do ela! EU sofri muito mais do que ela! Ela não merece viver! – Gritou Igraine, ainda sentada no chão.
Minara secou suas lágrimas e sorriu melancolicamente.
—Hikaru sofreu muito sim. Mas ele não se culpava. Já Yukina sofreu duas vezes! Pelo acontecimento em si, e por ser a culpada por tudo isso. E ela foi enganada, Igraine... E pagou, por mais de duzentos anos, com lágrimas de dor e desespero, por seus erros. — Respondeu Minara desconcertando a jovem Hanyou.
Kagome percebeu finalmente de onde conhecia a voz dela.
—Foi você! A voz do nosso sonho, Kikyou! Era você Minara? Mas como você sabia?- questionou a miko.
—Alguns dias depois que fui presa por Mizuki eu fui até vocês, e também a Sesshoumaru.
—Mas espere, esse tal sonho tem quase dez anos! Você ficou todo esse tempo presa? – Questionou Rin.
—Não. Estou presa há alguns meses... Mas como eu disse, eu me desloco pelo espaço e pelo tempo. – Minara respondeu calmamente. Yukina arregalou os olhos.
—Você... Pode voltar no tempo? Nem mesmo Brunhilde conseguiria fazer algo assim. – Disse a youkai surpresa.
—Posso me projetar, eu não conseguiria viajar. Mas tenho de usar meu poder com força total para fazê-lo, já que ainda sou humana. Logo depois que fui presa, tive uma visão com vocês. Então usei todo o meu poder para avisá-las sobre o futuro... Consegui atrasar os planos de Mizuki e garantir o futuro glorioso das terras do oeste. – Respondeu ela.
—Mas por que nos mandou de volta? Você poderia ter evitado tantas coisas com esse poder! Por que não fez isso? -Perguntou Kikyou, encarando-a incrédula. Minara sorriu ao vislumbrar o olhar frio dela.
—A marca de Raijin já está se fazendo presente em você, Kikyou! E você tem razão em me questionar isso. Mas tudo o que eu fiz, foi adiantar a decisão que vocês mesmas tomariam. Eu dei a vocês a direção. Eu não posso mudar o destino de outra pessoa. Ninguém tem esse poder. Tudo o que eu posso fazer é indicar o caminho. -Respondeu ela, caminhando até a estante de livros de onde Yukina havia tirado seu diário.
Em seguida pegou um livro no fundo da estante, e abriu-o bem no final, retirando dele uma pequena carta, que ela entregou a entregou a Rin e pediu para ela a lê-se em voz alta.
“E quando a dor for forte e a morte presente, o passado e o futuro, em corpos diferentes se tocam e dão seu sangue, para reviver a vidente. A filha da lua e do sol e aquela renascida duas vezes trazida pela luz e força, temida e amada pelo maior assassino dão as mãos em união perene. E caída em humano corpo renasce para a forma Celeste imortal e inabalável.
Em força constante e luta perene, cai a chuva da vida sob o campo inerte da morte, em vão se desdobra a temida serpente, jaz sem vida sob o jugo da Celestial renascida, absorta e perdida na tempestade...”
—O que é isso...? Essas palavras... parece algo tão profundo!- Perguntou Rin, tocada intimamente pelo que foi dito.
— Essa foi última carta de minha avó para minha mãe. Porém, minha mãe nunca a viu. Ela profetizou isso pouco antes da tragédia... Entretanto, essa profecia se refere ao nosso tempo atual. De alguma forma, essa profecia vai se realizar. Mesmo que eu ainda não saiba como, nem quando, tudo o que eu sei, é que vocês estão ligadas a mim e a essa profecia de alguma forma... — Minara respondeu melancolicamente.
—Como você pode ter tanta certeza? Isso me parece tão misterioso... -Kagome questionou incerta.
—Porque minha avó me disse. Ela me mostrou vocês em meus sonhos. Quando eu finalmente despertei curada, eu soube imediatamente que ela havia morrido, para me salvar. Apesar de sofrer muito com essa partida, eu senti que ela, de alguma forma, ainda estava comigo. E eu ainda sinto. Mesmo em meio à todo esse caos. Eu ainda sinto a alma dela comigo... Não importa o que aconteça, vocês serão o ínicio de uma nova era. -Minara respondeu convicta antes de voltar -se novamente para Yukina.
A jovem se aproximou da youkai e pegou as frias mãos dela entre as suas antes de continuar falando.
—Eu lamento muito te dizer isso, Yukina. Mas antes que você possa recomeçar a sua vida, você terá que perder tudo aquilo que você acredita pertencer a você. Ninguém pode nascer sem dor... Quando nascemos naturalmente, as nossas mães, sentem as dores por nós... Por isso, o vínculo de mãe e filho é algo tão poderoso. Mas quando alguém renasce, essa dor só pode ser sentida por si mesma. E para que você renasça Yukina, será necessário que você perca tudo... Até mesmo a sua vida... -Minara falou enquanto seus olhos se tornavam brancos e seus cabelos começavam a voar sob um vento invisível.
—Minara? O que está havendo com ela? -Kikyou questionou, se aproximando surpresa.
—Ela está tendo uma visão... O destino a está usando para proferir sua sentença... -Yukina disse trêmula quase em choque.
—Sim... E posso deixar ainda mais claro que batalhas maiores do que essa chegarão... E lutaremos por vidas ainda mais preciosas do que as nossas. As chaves do destino devem libertar a imortalidade de uma vez por todas e fazer justiça à todas as almas perdidas. — Proferiu ainda Minara antes de começar a voltar ao normal, caindo de joelhos por fim. Kagome e as demais, correram para ajuda-la a se levantar.
—Minara? Você está bem? –Perguntou Kikyou, segurando os braços dela.
—Não se preocupem eu estou bem... Só um pouco fraca... Mas por favor, prometa-me que vocês vão perdoar Yukina, e ajuda-la a me salvar... Prometam-me! -Disse ela permitindo que seu corpo fosse lentamente caindo ao chão.
Yukina permanecia na mesma posição, segurando as lágrimas e o pavor que sentia com as palavras ditas anteriormente para ela.
— Nós prometemos... -Igraine se adiantou. E foi seguida pelas demais.
—Eu conto com isso. Não deixe esses youkais medrosos e machistas afetarem vocês. Todo o destino das terras do oeste estão em suas mãos e somente nelas! -Minara concluiu antes de desaparecer completamente em meio à uma forte luz.
Yuko, General das terras do Leste.
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