Perdida Na Tempestade

18 Capítulo 18- Erros Fatais...


Notas iniciais
Olá a todos que acompanham a fic. Estou postando imagens semelhantes aos meus personagens nos caps anteriores. Então não custa dar uma olhadinha, para ter uma ideia melhor sobe cada um deles. (Day Silva Chan, achei uma imagem do Shippou que é uma graça!) No cap de hoje temos mais um Lorde,igualmente encantador... Vamos conferir?

—Sabe? Como você sabe? –Disse Rin, surpresa.

Isamu sorriu interiormente, mas manteve sua aparência externa impassível. Olhou Rin, nos olhos.

—Eu sei dos seus sentimentos humana, mas isso não vem ao caso agora. Você não quer a minha ajuda. Quer?

—Eu não sei como o senhor poderia me ajudar. A menos que o senhor pudesse me transformar em uma youkai! –Disse ela confusa.

Isamu desejou ardentemente ter os poderes telepáticos de Hikaru, para tentar entender o motivo que a levava a querer ser uma youkai. Usou seu rápido raciocínio para dar a ela uma resposta interessante.

—Eu realmente não posso, mas conheço alguém que pode. Mas é claro que a minha ajuda não será de graça. –Disse o youkai, fechando as janelas, depois caminhou em silêncio, até o fundo da sala e acendeu a grandiosa lareira.

Olhou para Rin e fez um sinal com as mãos para que ela se aproximasse. Havia três grandes poltronas em volta da lareira e à frente delas uma mesa baixa e redonda, onde repousava uma taça de vinho. Rin entendeu que ele estava ali há algum tempo, e se recriminou por não ter percebido sua presença. Ele se sentou educadamente e pegou a taça sorvendo o vinho enquanto esperava Rin se acomodar. A humana, no entanto permanecia de pé ao lado da poltrona.

—Há algum problema, humana? –Perguntou ele percebendo que ela estava tensa.

—Senhor Isamu, por favor, eu me chamo Rin, e não “humana”. E, além disso, meu corpo não está à venda e isso não é negociável. –Disse a jovem, de forma altiva. Isamu levantou uma sobrancelha com o atrevimento dela, mas tinha de admitir que a altivez dela, era algo muito excitante.

—Não se preocupe, eu não quero seu corpo... “Rin.” – Respondeu ele dirigindo seu olhar feroz à Rin, que não se intimidou. Encarou-o igualmente e em seguida sentou-se na poltrona ao lado da dele.

—E então do que se trata?- Perguntou ela, objetivamente. Isamu ficou tentado a mentir. Mas Rin parecia tão ingênua, e tão sincera. E, além disso, seria difícil fazê-la ajudá-lo sem dizer a ela do que realmente se tratava. “Isamu, o que está havendo com você? Sabe que os humanos são traiçoeiros...” Pensou ele. Sorveu um pouco mais de vinho, e em seguida pousou a taça de volta na mesa. Virou um pouco sua poltrona na direção de Rin, e encarou-a novamente. “Isamu, não faça isso... Isamu seu idiota!” Gritava seu inconsciente, mas Isamu não ouviu. Seria mais lógico ir direto ao ponto.

—Eu quero que você me ajude. –Disse Isamu, fechando os olhos para aliviar a tensão. Rin ficou sem fala. Nunca lhe passara pela cabeça que um youkai tão altivo quanto Isamu, o mais reservado dos generais das terras do oeste, precisasse de ajuda!Isamu abriu os olhos e viu o rosto surpreso de Rin.

—Você me ouviu? O que você tem, agora? –Perguntou ele estreitando os olhos, desconfiado. Rin respirou fundo e respondeu.

—Desculpe senhor Isamu, mas é que eu nunca imaginei que o senhor precisasse de ajuda para o que quer que fosse! Respondeu ela. Isamu respirou pesadamente.

—Eu não devia ter dito nada. – Disse ele se levantando. Mas foi parado por Rin, que o puxou pelos pulsos.

—Me desculpe senhor Isamu. Eu não quis lhe julgar. É claro que ajudo o senhor. – Disse ela de forma solícita. Isamu que estava quase de costas para ela, virou a cabeça para fitá-la. Depois voltou e se sentou novamente.

—Vai me ajudar, sem sequer saber do que se trata? -Disse ele assim que se acomodou.

—Sim, bem acho que eu vou ter de saber, não é? – Rin deu lhe um sorriso descontraído. Isamu ainda estava desconfiado. Mas já tinha ido muito longe para desistir.

—Como eu dizia, eu preciso de ajuda, com um assunto um tanto quanto, íntimo... – Disse o youkai tentando encontrar as palavras certas. Rin ouvia com atenção.

—Não se preocupe, senhor Isamu, eu não vou contar a ninguém! Eu prometo! -Rin havia percebido que relutava em dizer.

—A discrição é fundamental. Pois o assunto é referente também à outro youkai. –Isamu tentava explicá-la. Rin assentiu com a cabeça e o youkai respirou fundo antes de prosseguir.

— Eu tenho uma prometida há mais de 150 anos. Nós nos relacionamos muito bem, mas me parece... Que ela não aprecia a ideia de ser marcada por mim. O dia do nossa união já foi remarcado, três vezes. E, não sei por que, mas, me incomoda o fato dela, não desejar ardentemente ser minha fêmea. –Disse o youkai, quase como um desabafo. Rin pôs a mão no queixo e ficou pensativa.

—Como você sabe que ela não aprecia ser sua fêmea?

—Ela nunca toca no assunto. E sempre que eu falo de nosso compromisso, ela fica desconfortável. Hoje mais cedo eu disse a ela, que pretendo que nossa união aconteça assim que essa guerra acabar. Ela concordou, mas assim que saí, ela pôs-se a chorar... – Acho que isso é o bastante, para acreditar que ela não quer isso, não acha? –Disse ele com sarcasmo.

—Qual o nome dela?

—Isso é importante?

—Claro que é!

—Yukina... Ela é a feiticeira, irmã do general Raijin... –Disse Isamu pegando novamente a taça e terminando de beber o vinho.

Rin pensou cuidadosamente e lembrou-se do quanto Yukina parecia alheia a qualquer assunto amoroso. Isamu estava certo. Yukina não estava nem um pouco animada com o compromisso, pelo contrário, parecia querer omití-lo.

—Bem senhor Isamu, talvez ela não esteja apaixonada pelo senhor... – A humana começou sua tentativa embora soubesse, que seria difícil explicar sentimentos a um Youkai.

Isamu apoiou a lateral do rosto na mão esquerda mantendo o polegar no maxilar e o indicador na testa.

—Por favor, não em venha com seu sentimentalismo. Youkais não tem sentimentos. — Disse ele, já visivelmente irritado.

—E como você explica o fato dela estar chorando? Pode até ser que VOCÊ não tenha sentimentos, mas se isso é verdade, como explica o fato de se sentir incomodado com a falta de boa vontade dela? –Respondeu Rin pondo as mãos na cintura.

Isamu ficou com os olhos arregalados. Era óbvio que o que aquela humana dizia, tinha lógica, mas não podia ser verdade.

—O que você está querendo dizer com isso? – Perguntou ele dobrando o corpo para frente para olhar diretamente para ela.

—Que ela está sofrendo por que é OBRIGADA a se casar com você, e você está sofrendo, porque na verdade entende que o que falta à vocês é sentimento! – Respondeu Rin, dobrando o corpo para ficar cara a cara com ele.

Isamu ficou confuso. Quase todas as decisões que tomava eram baseadas na lógica. Mas desta vez a lógica estava ao lado daquela jovem e corajosa humana à sua frente. E ao mesmo tempo, o que ela dizia era absurdo, demais, para o seu orgulho aceitar.

—Você... Não pode estar certa! Eu sou um Youkai! Sou o Karasu no ryōshu (Senhor dos Corvos). Yukina é minha prometida e eu devo prezar pelo seu bem estar. É só isso. – Repetia ele, mais para si mesmo, do que para Rin.

—Bem então eu não posso ajudá-lo. A única maneira de resolver isso seria se, o senhor tentasse conquistar o amor, de sua prometida. Mas se o senhor não tem nenhum interesse nos sentimentos dela, não há nada que eu ou qualquer outra pessoa, possa fazer para ajudá-lo. –Disse Rin se levantando.

—Espere, aonde vai? Não vai querer a minha ajuda? – Disse o youkai ao vê-la caminhar até a porta. Rin parou de frente para a porta e em seguida voltou-se para ele e sorriu.

—Sabe, durante nossa conversa eu percebi que se alguém se apaixonar por mim verdadeiramente, deve me amar, como eu sou. É muito triste para mim, mas eu sou o que sou... Uma "reles fêmea humana"... E eu amo de todo o meu coração e sinto que vou morrer de amor se eu vir quem eu amo, se unir à outra fêmea. Mas nada neste mundo poderá tirar de mim a felicidade que é sentir isso. O amor, não nos destrói, senhor Isamu. Ele salva e liberta e mesmo que eu não possa vivê-lo, eu vou mantê-lo em meu coração, e lutar por ele por toda a minha vida... -Rin falou com coragem, enquanto Isamu sentia o próprio peito se encher e pesar, como se o ar em seus pulmões se tornasse chumbo.

—Rin... Por favor... me diga! O amor... Ele é mesmo assim tão poderoso? -Isamu questionou incrédulo, deixando de lado todo o seu orgulho.

—Posso lhe assegurar que não há sentimento mais poderoso, senhor Isamu. E eu sei que um dia o senhor terá o seu peito cheio dele e como eu, vai lutar por ele e por todos os amores do mundo! -Rin sorriu com seus olhos marejados.

E em seguida fez uma reverência ao senhor dos corvos antes de sair, deixando um youkai surpreso com sua sabedoria e generosidade. Isamu deixou-se cair de volta à poltrona. Seus pensamentos estavam confusos, e sem que ele se desse conta uma lágrima desceu por seus olhos.

O youkai suspirou pesadamente e sorriu com a conclusão a que chegara.

“Ela realmente não é uma reles fêmea humana...”

Pensou ele, enquanto sentia uma crescente curiosidade sobre o amor tomar seus pensamentos.

O vento soprava impetuoso e a chuva chicoteava as ruínas à frente deles. Uma grande tempestade estava sobre eles já algum tempo, tirando a pouca luminosidade que havia no interior daquela enorme montanha. Do shiro Meikakunamūn (Castelo de lua clara) não havia muita coisa. Apenas algumas paredes que teimavam em permanecer de pé. Mas a montanha que se erguia abaixo dele, e que continuava por muitos metros acima dele, ainda permanecia intacta, bem como a grande caverna em seu interior, que abrigava o esconderijo de Mizuki e seus comparsas. Embora fosse esculpido nas antigas ruínas do palácio, o esconderijo era sob certos aspectos um lugar suportável. Havia vários quartos e salas, decoradas com brasões da família de Shigeko e Mizuki, além de várias pinturas do antigo general. No topo da construção, no entanto, apenas dois aposentos. O de Mizuki e o quarto onde trancavam Minara. No quarto da princesa Minara por dentro do cômodo, em todas as paredes havia lacres de magia, para que nenhum poder youkai se manifestasse naquele ambiente, o que a impossibilitava de usar seus poderes para fugir. Atrás da cama da pedra, correntes que eram usadas para mantê-la presa. Não havia janelas, apenas fendas retangulares, nas paredes de pedras, por onde entravam a débil luz da caverna e o vento sempre gélido que vinha do interior da mesma.

Desde que havia sido presa, ela era cuidada por uma igualmente bela serva youkai, que atendia pelo nome de Ritororirï. Uma fêmea de estatura pequena e magra, mas com seios grandes e redondos, pele branca, cabelos longos e róseos, e olhos cor de rosa. Ela se compadecia do sofrimento da princesa, mas nada podia fazer para ajudá-la, além de ficar e servi-la bem.

Mizuki observava enquanto a Jovem serva aplicava-lhe outra dose do soro de obediência. Normalmente Minara, era dopada apenas quando havia algum ataque. Mas depois que havia acontecido com ela no meio do último ataque, e por ser possuidora de um grande poder, Mizuki decidiu que não correria riscos. Minara não poderia mais, ficar sem o soro. E a própria Mizuki se encarregaria de vigiar para que nunca lhe faltasse à dose necessária para mantê-la sob seu controle. Assim que terminou, a serva pôs-se a tirar as roupas sujas de Minara, pois tinha intenção de banhá-la. Mizuki observava o belo e jovem corpo, e seu coração se enchia de inveja de sua beleza. Saiu e fechou a porta do quarto, com os olhos enegrecidos de ódio. Depois se encaminhou até a escada e desceu em busca de notícias.

—E então, ele já voltou? – Perguntou a youkai impaciente.

—Ainda não, minha senhora. -Respondeu o soldado que cuidava do portal de entrada.

—Assim que ele chegar, diga que eu o espero, em meus aposentos. –Disse ela voltando para seu quarto.

O soldado assentiu com a cabeça e rumou para o portão principal para esperar por Hayato, conhecido por eles como “O Príncipe”. Depois de quase uma hora, enxergou uma sombra se esgueirando na chuva e imediatamente mandou que abrissem os portões.

—Príncipe Hayato, sua mãe lhe espera em seus aposentos. –Disse o soldado assim que ele entrou.

Hayato sorriu de lado, mas ao invés de seguir para o quarto de Mizuki foi direto ao seu. Entrou, despiu-se e procurou se banhar. Em seguida aprontou-se e só depois disso, foi ao encontro de sua mãe. Entrou sem bater e trancou a porta atrás de si. Sua mãe se encontrava deitada na cama aparentemente adormecida. Aproximou-se dela, com cuidado e contemplou-a. Ela estava vestida com um quimono fino, próprio para dormir, preto, e seus longos cabelos soltos, dançavam pelos travesseiros.

—O que você está olhando, Hayato?- Disse ela virando-se vagarosamente para olhá-lo.

—Estou apenas admirando a sua beleza mãe. – Respondeu ele carinhosamente. Mizuki sorriu e sentou-se na cama. Em seguida encarou Hayato e deu-lhe um grande, tapa no rosto. O jovem Youkai virou o rosto para o lado, com o impacto.

—Isso é para que aprenda que quando eu ordeno que você, deve vir direto aos meus aposentos, VOCÊ DEVE VIR ANTES DE QUALQUER COISA! Entendeu?- Vociferou ela.

—Me desculpe minha mãe, eu só quis me aprontar para você antes de vê-la. Não queria achegar aqui, sujo e cheio de lama! –Respondeu ele igualmente irritado. Mizuki pôs a mão direita sobre a boca, surpresa.

—Oh meu filho... Perdoe-me! Eu estou nervosa com essa maldita situação... Me perdoe, filho querido! – Disse ela se levantando para abraçá-lo. Em seguida beijou-lhe o rosto e depois a boca. Não um simples beijo de mãe e filho, mas um beijo profundo. As duas línguas dançavam roçando uma na outra. Hayato apertou o corpo da youkai contra o seu para que ela sentisse seu membro ereto cheio de desejo por ela.

—Oh meu filho, tão delicioso... Estava com saudades da mamãe?- Disse ela tirando a Hakama de Hayato e manipulando o membro do jovem youkai. Em seguida abocanhou o membro com sofreguidão. Após alguns minutos Hayato puxou a mãe pelos cabelos e beijou-a com selvageria.

—Venha aqui, mamãe vai compensá-lo por tudo... – e dizendo isso ela o pegou pela mão e o puxou até a cama. Onde fizeram sexo da maneira mais imunda possível.

Enquanto isso, a jovem serva acabava de vestir e pentear Minara.

—Pronto, olha como você está linda! Agora está na hora de descansar um pouco. Você se cansou muito ontem, não foi? –Dizia a jovem youkai com carinho, mas sem esperar resposta já que estando sob o efeito do soro, Minara ficava apática, olhando para o nada, muito diferente da Minara, que tentava fugir a todo custo, e que era capaz de ficar dias sem comer apenas para não ter forças para atacar mais ninguém.

Ritororirï sentia muita pena do triste destino da princesa. Ela era tão gentil, e estava condenada a servir aqueles youkais sujos e sem quaisquer escrúpulos, contra a sua vontade, exatamente como ela, que por ser pertencente ao clã usagi no ie ( coelhos domésticos), conhecidos por serem grandes servos e enfermeiros, havia sido entregue a Mizuki, como presente, muito jovem. Ela, nada mais era do que uma escrava, assim como Minara, e talvez fosse por isso que ela se sentia tão próxima à princesa.

—Você devia estar mais cansada, afinal me disseram que aplicaram uma dose extra de soro ontem. O que foi que te deixou tão agitada, hein? – Ritororirï terminava de pôr as coisas em ordem, enquanto falava. Mas qual não foi seu susto quando ouviu algo inacreditável.

—Hikaru... Ele vai me salvar... Rin... Ela está chamando por nós... Kagome e Kikyou vão me salvar... -Balbuciou ela.

O primeiro impulso da jovem serva foi avisar a Mizuki. Mas subitamente, parou e pensou um pouco.

“Talvez, de tanto ser usado, o soro, não está mais fazendo o mesmo efeito.” Pensou a tímida serva, percebendo que havia esperança para salvá-las daquela situação.

No momento certo, elas poderiam tentar fugir. Lembrou-se do nome que ela havia pronunciado. Hikaru, Rin, Kagome e Kikyou. Ritororirï sabia que a ação dos bandidos no dia anterior fora atrapalhada. Mas não tinha ideia de quem havia feito isso.

Deitou, pois a princesa na cama e ficou até ter certeza que ela estava dormindo profundamente. Se aquelas pessoas que frustraram o ataque, fossem as mesmas que a princesa chamou em seus delírios, talvez Ritorirï pudesse entrar em contato com eles e pedir ajuda.

Enchendo-se de coragem, a serva caminhou até a cozinha. Sabia que àquela hora muitos soldados estariam lá esperando o jantar, e soldados famintos SEMPRE contam tudo. Entrou na cozinha rapidamente e pôs-se a ajudar a preparar a comida. As outras servas olhavam desconfiadas, mas, foram logo desbaratadas.

—O que estão olhando? Vamos logo com isso! Eu tenho de servir a princesa, ela precisa comer, pois está exausta! Vamos parem de me olhar e trabalhem! -As servas então voltaram à normalidade, já que todos sabiam que Ritororirï faria qualquer coisa por sua princesa, inclusive ajudar no jantar dos soldados.

Ela ocupou-se de preparar uma sopa. Pegou os legumes e cortou-os com desenvoltura. Em seguida preparou o tempero e pôs os legumes para refogar. Seu esmero, em preparar a comida, era conhecido, mas ela quase nunca ajudava na cozinha, com exceção das refeições de Minara que eram todas preparadas apenas por ela. O cheiro delicioso invadiu não só a cozinha como também o refeitório dos soldados que ficava separado da cozinha apenas por um balcão alto de madeira. Do outro lado os soldados youkais, conversavam e bebiam, mas o cheiro da comida chamou a atenção deles que salivavam esperando pela refeição. Um deles levantou-se, e caminhou até o balcão. Encostou-se de modo grosseiro e cuspiu no chão, uma gosma juntamente com o palito que mastigava.

—Essa porcaria de comida sai ou não sai? Ora, mas olha só que coisa boa, a coelhinha está fazendo o nosso jantar! – Disse o Youkai escarnecendo de Ritororirï.

A youkai se esforçou e sorriu para o soldado que passou a língua nos lábios enquanto olhava a de cima à baixo, fazendo questão de ficar alguns segundos admirando os seios e genitais dela.

“Que nojo...” pensou ela. Mas ela teria de suportar aquilo se quisesse ajudar Minara e a si própria. Olhou de volta para ele, mas todos voltavam suas atenções para o misterioso macho que acabara de adentrar no local. Ele possuía olhos e cabelos vermelhos como o sangue, e marcas vermelhas aos lados dos olhos. Trajava uma armadura igualmente vermelha que cobria parcialmente seu rosto, impossibilitando afirmar se seu rosto era realmente humano. Absolutamente todos os seres daquele lugar, tinham medo dele, até mesmo Mizuki, Hayato e Yuu o temiam, não só pelo incrível poder que possuía, mas também pela herança que ele recebera de seu pai, Kyuura o demônio de fogo, o título de senhor das longínquas terras do leste. Ele era alto, e forte, e tinha cheiro de fogo, de fumaça e ferro derretido. Ele quase nunca falava, mas todos conheciam seu nome.

—Lorde Ryotaro. – Gemeu o soldado outrora altivo que desdenhava de Ritororirï.

O Dai youkai apenas o encarou e ele saiu logo dali dando seu lugar para que ele se sentasse. Em seguida lançou seu olhar congelante, na direção das servas e prontamente uma delas serviu-lhe um pouco de saquê, e viraram-se costas, pois Ryotaro detestava que vissem seu rosto. “que droga, hoje ele veio mais cedo!” Pensou Ritororirï.

Ela evitava estar na cozinha no horário do jantar de Ryotaro, pois tinha muito medo dele. Principalmente por que ele a olhava de forma estranha. Por um momento pensou em desistir, mas, sabia que se fizesse isso, poderia não ter outra chance. A noite estava propícia para fazer o que ela se propunha. Estava escuro demais até mesmo para os olhos Youkais e a chuva camuflaria qualquer barulho ou pista deixada por ela. Respirou fundo e mexeu mais uma vez o grande caldeirão que já levantava fervura. Olhou de soslaio para trás, na tentativa de encontrar o soldado mal educado e prosseguir com seu plano. E encontrou os olhos vermelhos de Ryotaro, olhando para ela ferozmente. Ritororirï sentiu que todos os pelos de seu corpo se arrepiaram. Virou-se imediatamente e continuou a mexer a sopa. Alguns minutos depois, a sopa finalmente estava pronta. Aprontou algumas generosas porções em tigelas, e um pouco de pão em outra e arrumou tudo em uma grande badeja de madeira. Depois tomou coragem e olhou na direção do dai Youkai.

—O senhor quer um pouco, meu Lorde, ou prefere que eu lhe prepare algo mais sofisticado? Perguntou ela apontando para a sopa.

O youkai encarou a, por alguns segundos, até finalmente assentir com a cabeça. Ritorirï serviu a tigela de porcelana fina com todo o cuidado. Arrumou os acompanhamentos em uma pequena travessa e pôs tudo em uma bandeja de prata. Em seguida, preparou-se para servir o youkai, mas ele subitamente ficou de pé. Virou de costas para ela e fez um sinal com a mão para que ela o seguisse. Ritorirï ficou arrepiada com o gesto. O youkai continuou andando à sua frente e pelo caminho que tomava estava indo na direção de seu quarto. A jovem serva estava apavorada, mas nada podia fazer além de segui-lo e rezar por um milagre que a salvasse. O youkai entrou em seus aposentos e manteve a porta aberta para que ela entrasse. Ela o fez, tremendo. Assim que entrou contemplou o quarto de paredes escuras e a cama de lençóis vermelhos e pretos, mergulhado em escuridão.

A única luz vinha de um castiçal prateado que estava e cima de uma mesa bem na frente de uma janela cerrada por grossas cortinas. O Lorde youkai, fechou a porta atrás da serva, e rumou em direção á outra porta, próxima à parede lateral direita do cômodo, semicoberta por um biombo de madeira negra, entalhada. A jovem youkai pôs a bandeja sobre a mesa e tratou de servir a comida. Embora o quarto tivesse uma atmosfera pesada, era muito limpo e organizado. Havia esculturas bizarras e livros ainda mais obscuros, milimetricamente arrumados em seus respectivos lugares. Mesmo após terminar de servir, Ritorirï correu até a porta, mas ao virar a maçaneta percebeu que estava trancada. Ela tinha de esperá-lo e a espera a deixava ainda mais assustada. Não conseguia ouvir nenhum barulho que pudesse dar uma pista do que ele estaria fazendo. Minutos intermináveis se passaram até que a porta finalmente se abriu. Por trás do Biombo, o Dai youkai terminava de se vestir. Ritorirï aspirou o perfume deliciosamente quente, que ele exalava. “Ele estava se banhando!” Pensou ela, surpresa.

Mas foi quando o youkai saiu de trás do biombo que Ritorirï ficou realmente chocada. Ele estava vestido com um quimono masculino fino de cor clara, sem máscara. E sua beleza era surpreendente. Os olhos vermelhos sangue deram lugar a um par de olhos azuis, quase violetas, e as marcas ao redor dos olhos também haviam sumido. Um rosto masculino, porém delicado e uma boca convidativa, mão grandes, e um olhar embriagador completavam a aparência dele. No pescoço, uma grande pedra vermelha, reluzia na luz débil da vela. Os cabelos vermelhos estavam penteados e presos somente nas mechas de cima da cabeça. Seu corpo era realmente forte e ainda mais atraente do que parecia antes. Ele caminhou até ela e um sorriso se formou em seus lábios ao ver o espanto na face da youkai.

Ryotaro, senhor das terras do Leste

Notas finais
Eu quero agradecer as pessoas que estão acompanhando e favorecendo a fic e convidar a todos para comentarem um pouco do que estão pensando sobre ela. Vai ser um grande prazer para mim saber a opinião de cada um. Quanto as imagens elas não me pertencem (Lógico)mas escolhi apenas as melhores. Portanto, quero agradecer aos artistas que as fizeram e as disponibilizaram na net, ok? Até a próxima!