Perdida Na Tempestade
10 Capítulo 10- Perdendo tempo?
Notas iniciais
Todos os convidados, absolutamente todos, pararam suas conversas paralelas para olhar para a entrada do salão, e contemplar a beleza e a audácia daquelas fêmeas humanas, e principalmente de Shippöu, em trazê-las com ele. Logo anunciaram outros convidados e as conversas voltaram ao normal, embora todos os olhassem enquanto caminhavam até a mesa, acompanhados por um serviçal. As moças mantinham suas posturas inabaláveis, o que provocava ainda mais os youkais presentes. Mas havia alguns que se mantinham atentos e profundamente tensionados com a visão das humanas. No entanto permaneciam em total anonimato. Sesshoumaru, chocado com a beleza de sua protegida que agora se apresentava diante de todos como uma bela e confiante miko. Inuyasha, sentindo o coração bater depois de tantos anos de silêncio. E outro Youkai que se mantinha afastado, sentado em uma mesa, na varanda do Shiro, mas que havia ouvido um nome que ele conhecia bem.
Após se sentarem e serem servidas de algumas refrescantes bebidas, o jovem youkai raposa e suas convidadas finalmente puderam relaxar um pouco. Haviam aproximadamente 150 convidados na festa. O grande salão estava ornamentado com mesas redondas de madeira recobertas por toalhas de linho e algodão, de cor clara. Havia grandes castiçais dourados no centro de cada mesa, bem como um grande lustre com peças de cristal que intensificavam as luzes da vela, que estava posicionado no centro do salão. Muitos serviçais serviam as mesas com eficiência.
—Shippöu onde está o Inuyasha ou o Sesshoumaru, qualquer um?- Perguntou Kikyou curiosa.
—Não se preocupem eles já sabem que vocês estão aqui. Vão esperar a hora mais propícia para virem até vocês. -Shippöu respondeu de modo velado.
—Ou tentar matar você, não é Capitão? – Disse uma bela voz que veio ao encontro deles.
Uma jovem e bela Youkai de longos cabelos lisos negros que iam até a altura dos joelhos, e olhos de um tom de azul claríssimo, chegou para cumprimenta-las.
Shippou imediatamente ficou de pé para retribuir a saudação, e ajuda-la a se sentar com eles.
—Senhorita Yukina, como é bom revê-la. Quero que conheças minhas amigas, se não se importar em sentar-se com humanas. -Perguntou Shippou com um sorriso irônico nos lábios. Ele sabia perfeitamente que Yukina não tinha nenhum tipo de preconceito.
—É um grande prazer conhecer vocês. Seu amigo aqui estava muito empenhado em trazê-las de volta. -Disse ela olhando para Shippou. Em seguida olhou para Igraine com desconfiança.
—Hum, eu já conheço você?
—Acho que não. Eu acabei de chegar a esta era. – Respondeu Igraine sem muito jeito.
—Que estranho eu tenho a nítida impressão que eu já te conheço. Até seu cheiro não me é estranho!
Igraine sorriu discretamente. Não se sentia à vontade para contar sua história para aquela Youkai. Pelo menos, não ainda.
—Senhorita Yukina, a senhorita realmente acha que o general Inuyasha vai ficar muito bravo com o Shippöu? Eu não gostaria que ninguém passasse por problemas por minha causa. -Rin perguntou preocupada.
—Ora Rin, estamos falando do Inuyasha. Se ele ousar machucar o Shippöu eu faço ele se sentar com uma cadeirada... -Kagome foi incisiva arrancando risadas das demais.
—Eu te ajudo Gome... Ele que se atreva a mexer conosco. -Kikyou engrossou o coro de risos.
—Eu não tenho dúvidas disso, senhorita Kagome. E aprecio que defenda o capitão. Se ele não fizesse o que fez, o general Inuyasha não permitiria que fosse de outro jeito. O capitão sabe que a presença de vocês aqui nesse momento é de suma importância para todos nós. E eu concordo com ele. Nós... Já perdemos tanto. Eu... Já perdi muito... Não quero perder mais ninguém. Por isso estou aqui, para ajudar vocês no que for possível. -Justificou Yukina, baixando os olhos. Kagome amoleceu as feições e sorriu para Shippöu. No fundo ela sabia que ela havia feito o que achava certo.
—Quando você fala de perdas... Você se refere a seu pai, não é?- Perguntou Kikyou a Yukina.
—Como sabe disso? Meu pai já morreu há muitos anos. Você sequer era nascida... – Respondeu Yukina com certo espanto.
—É por minha causa. Por causa do diário que minha mãe escreveu contando a minha história. – Respondeu Igraine olhando para ela. E continuou. _Claire Willhelm, minha mãe. -Yukina arregalou os olhos.
—Mas, Claire se foi há muitos anos! Ela desapareceu no mesmo dia da grande tragédia, que se abateu sobre essas terras...-Yukina, parecia abalada e confusa.
—Ela não se foi, Yukina... De alguma forma, Claire foi enviada para a nossa era futura. Mas apesar da medicina moderna, Claire, que já estava muito ferida não suportou dar a luz a uma hanyo. -Explicou Kikyou, da maneira mais delicada possível.
_Isso... É tão surreal. Mas faz muito sentido... Brunhilde tinha meios de enviar Claire para o futuro, embora isso possa ter sido a razão pela qual ela se enfraqueceu. Meu pai Susanoo se feriu gravemente tentando salva- las. Ele nunca se recuperou daquele ferimento e acabou morrendo algum tempo depois por conta dele. Meu irmão Raijin tem rancor dos humanos por conta disso. Então foi por isso que eu me lembrei do seu cheiro! Você tem o cheiro muito parecido com o do seu pai, mas tem as feições de sua mãe. –Disse Yukina acariciando o rosto de Igraine, se lembrando das feições de Claire.
—O meu irmão, Hikaru, ele está aqui?- Igraine perguntou ansiosa.
—Sim ele está. Ele prefere ficar um pouco recluso, mas não se preocupe. Eu vou acha-lo e trazê-lo até você. Mas aviso logo que será muito doloroso para ele recordar as coisas que passou. Hikaru quase enlouqueceu quando aquela tragédia toda aconteceu. Ele ainda procurou por você e Claire durante muitos anos. Mas nunca teve nenhuma pista. Imagino que para ele, só o fato de estar aqui hoje já deve ser bem doloroso. -Disse Yukina lembrando-se dos anos de horror que sucederam a morte de seus entes e amigos queridos.
—Porque doloroso? O que há com esse shiro?-Perguntou Kagome curiosa.
—Por que esse shiro foi construído em cima das ruínas do shiro de Brunhilde e Kuro Ookami. Foi praticamente uma restauração. -Respondeu Shippou se inteirando na conversa. As jovens humanas ficaram petrificadas. Imaginaram o horror vivido pelos seres que ali viviam. Kikyou só conseguia pensar no desespero que Hikaru sentiu ao chegar ali e saber que a criatura que ele mais amou, se é que um youkai é capaz de amar, estava morta e ele não poderia fazer nada para salvá-la.
O horror na sua face se fez notar por todos na mesa e Yukina no auge de sua frieza Youkai deixou duas lágrimas caírem de seu lindíssimo rosto sem expressão. Shippou amparou-a com um copo de bebida forte.
—Beba Yukina. É para espantar o cheiro das suas lágrimas. –Disse Shippou cuidando para que ninguém notasse o cheiro das lágrimas de Yukina, pois isso, certamente faria com que os outros Youkais zombassem dela. Kagome estava olhando para ela e não conseguiu evitar a surpresa em saber que youkais podem chorar, ainda que sem a mesma comoção tão comum nos humanos.
—Me desculpem, mas eu era a discípula de Brunhilde, e assim como Hikaru, estava sempre aqui. Foi ela que me ensinou tudo o que sei. E hoje eu ocupo o lugar dela, mesmo não tendo os mesmos poderes que ela possuía. Hikaru e eu ajudamos a reconstruir esse shiro, Tudo aqui, exceto é claro alguns elementos de decoração, é exatamente como era quando ela, o marido e a filha viviam aqui. O general Inuyasha foi muito gentil em permitir que nós fizéssemos isso. Ele também mantém uma cópia de um retrato da família. Para homenageá-los. – Contou Yukina sob os olhares atentos de todos à mesa.
—Onde fica esse retrato? –Perguntou Kikyou subitamente curiosa.
—No escritório do General. Depois do corredor, terceira porta à esquerda. -Respondeu Shippou, percebendo que Kikyou estava interessada. Diante da informação ela apenas pegou sua taça de vinho e sorveu com delicadeza.
—Senhorita Yukina... Meu irmão... Será que ele ficará feliz me me conhecer? Talvez... Eu devesse ir embora e deixá-lo esquecer tudo isso... -Igraine hesitou.
—Não faça isso... Ele procurou por você por séculos. Você e ele são os únicos vestígios de uma família imensamente feliz que foi destroçada pela traição... Os Gorudën Taiga merecem um recomeço igualmente digno. — Murmurou Yukina com pesar.
—Gorudën Taiga...? -Igraine questionou.
— Sim... É o nome do clã de seu pai. O seu clã. -A youkai sorriu fraternalmente e Igraine sentiu-se imensamente emocionada. A ideia de pertencer a uma família era algo fantasioso para ela. Quase como um sonho. E este sonho agora se tornara palpável e real.
—Rin, meu irmão procurou por mim! Eu sou amada, você tinha razão Rin!–Disse euforicamente Igraine olhando para a amiga humana que sorria e assentia com a cabeça.
—Rin? Você é a Rin, protegida do senhor Sesshoumaru?- Perguntou Yukina com interesse.
—Sim, sou eu mesma, ou pelo menos, eu costumava ser... Muito prazer senhora Yukina. – Respondeu a moça com a mesma alegria de sempre embora seus olhos estivessem nublados por uma melancolia discreta.
— O prazer é todo meu. Mas se me permite a ousadia de perguntar... Porque você acha que não o lorde deixaria de vê-la como uma protegida? Bem se vê que se tornou uma fêmea de modos refinados, além é claro de ter uma grande beleza. Ele vai ficar contente em revê-la. -Disse Yukina, com sinceridade.
—A senhorita é muito gentil. Eu sou uma moça como qualquer outra. É claro que sou infinitamente grata ao lorde Sesshoumaru por tudo o que ele me fez quando criança, mas sou uma mulher adulta agora e tenho plena certeza de que ele não me deve nada. Portanto devo seguir com minha vida sem a perspectiva de ser uma protegida. As terras do oeste já são uma responsabilidade demasiada para o lorde, eu jamais aceitaria ser mais um peso. -Respondeu Rin sorrindo enquanto lutava internamente para não chorar.
— Você é surpreendente. Aliás todas vocês são. Não é a toa que tem tantos amigos youkais, tão empenhados em protegê-las. Eu estou feliz, em conhecê-las. -Yukina declarou sinceramente.
—Kagome, é você? É você mesma? -Disse uma jovem senhora vestida com um lindo quimono azul escuro, que se aproximou da mesa delas.
—Sango! Como você está? – Disse Kagome se levantando para abraçar a amiga.
—Estou bem! Nossa Kagome, como você está linda! E Você também Kikyou. Mas essa é a Rin? Como você está crescida! Está uma linda moça! Senhora Yukina, boa noite.
—Oi Sango! Que bom vê-la! Essa é minha amiga Igraine, ela é uma hanyo.- Disse Rin cumprimentando a e apresentando a amiga.
—Olá é um prazer conhecê-la.- Respondeu Sango.
—O prazer é todo meu senhora, Sango. -Continuou Igraine.
As amigas continuaram conversando por um tempo até que uma voz familiar foi ouvida ao longe.
—Boa noite a todos, sejam bem vindos ao meu Shiro. Eu sou o General Inuyasha, e é uma grande honra tê-los aqui em minha casa. Nós estamos aqui hoje para homenagear o Lorde Sesshoumaru. Por favor, Lorde, gostaríamos que viesse aqui para abrir a pista de dança.
O coração de Kagome estava batendo tão rápido que ela sentia que ia cair se não estivesse sentada. Inuyasha estava muito diferente. Não se parecia mais com o garoto que ela conhecera. Seu rosto estava mais maduro, e seu corpo estava mais alto e mais musculoso. Ele vestia um quimono preto com detalhes em cinza chumbo, preto e prata. Seus cabelos estavam penteados e presos como os de Shippou. Ele estava lindo. E Kagome teve tempo de ver algumas fêmeas youkais se desmanchando na frente dele, enquanto ela sentia o rosto pegando fogo de raiva e ciúme. Olhou para o lado e viu que Kikyou, apesar de estar estranhando a aparência dele, não sentia a mesma coisa que ela. Muito pelo contrário, parecia serena e curiosa.
Ao contrário da paz que Igraine e Kikyou desfrutavam, Rin estava assim como Kagome, sem chão. Sesshoumaru estava a cerca de 20 metros dela, no lado oposto. Ele vestia um quimono branco com um obi preto com detalhes em amarelo. Os cabelos estavam soltos, e Rin achou que ele estava ainda mais lindo do que se recordava. Ele se levantou, calmamente enquanto era aplaudido e foi calmamente até a mesa onde ela se encontrava. Rin sentia que seu coração ia parar. Ele se aproximou da mesa. Rin estava do outro lado da mesa e ele a encarou por alguns segundos e em seguida tirou Yukina que estava ao lado de Rin para dançar e abrir a pista de dança. Yukina se levantou e lançou um olhar para Rin, que parecia dizer, "não é nada demais". Mas Rin ficou petrificada. Ele sequer a cumprimentou.
A jovem miko ficou olhando o casal que começava a dança. As luzes dos grandes lustres foram apagadas. Ficando iluminadas apenas os centros de mesa e o centro da pista de dança. O restante estava coberto pela penumbra. Apesar disso, Shippöu viu que Rin estava abalada.
—Rin, não se ofenda. Como um lorde solteiro o senhor Sesshoumaru é cobiçado. Ele sabe que Yukina não tem nenhum interesse afetivo por ele, e sendo ela a feiticeira do reino, ambos tem uma relação diplomática muito mais fácil de gerir nessas ocasiões. Além disso o senhor Sesshoumaru é sistemático e tradicionalista. Ele deve ter os seus motivos para não lhe cumprimentar da maneira correta. Daqui a pouco ele virá falar com você. Pode ter certeza que sim. – Disse ele sorrindo para ela.
Rin fez um esforço e sorriu de volta. Afinal Shippöu não estava lhe mentindo ou dizendo aquilo apenas para consolá-la. Ela observou atentamente enquanto Sesshoumaru dançava com Yukina. Apesar de estarem dançando juntos, não pareciam ser muito íntimos.
Alguns minutos depois vários casais foram para a pista de dança. logo vários seres dançavam ao som de uma orquestra tradicional. Rin ainda observava as danças até que alguém se aproximou dela.
—A senhorita Rin me daria à honra de dançar comigo? –Disse lhe um belo e jovem rapaz humano. Rin pulou da cadeira ao reconhecê-lo.
—Kohako? Que bom vê-lo! É claro que aceito. -Disse ela levantando-se para dançar com o amigo de longa data. Vendo que a moça estava mais animada, Shippou se animou e convidou Igraine para dançar. A jovem hanyo relutou um pouco, mas acabou por aceitar. Mirok também apareceu na mesa. Viera buscar a esposa para dançar com ele.
—Sango, você e o Mirok? Quem diria hein?- Disse Kagome com sarcasmo. Sango ficou imediatamente vermelha.
—Senhorita Kagome e senhorita Kikyou, como é bom revê-las. Eu conheço alguém que vai ficar muito nervosinho hoje... – Disse Mirok sorrindo.
—Vamos linda esposa? -Perguntou o monge lisonjeiro.
—Sim, meu marido. — respondeu Sango ainda mais encabulada. Kikyou e Kagome riram. Achavam a situação engraçada, mas ficaram contentes por ela e Mirok.
Como ambas estavam sozinhas na mesa, Kikyou achou por bem fazer o que estava planejando há alguns minutos.
— Kagome, venha comigo, precisamos ver uma coisa. –Disse Kikyou, falando baixo. Enquanto chamava um serviçal, para avisar lhe que estariam na pista de dança e ele deveria ficar ali á espera de alguns de seus amigos para avisá-los que elas já retornariam. Dada as ordens Kikyou levantou-se e puxou Kagome pela mão. Ambas saíram discretamente pelo corredor no fim do salão.
—Onde vamos Kikyou? – Perguntou Kagome quase murmurando.
—Ver o tal retrato, algo me diz que ele pode nos dizer muita coisa. Agora vejamos depois do corredor terceira porta à esquerda –Respondeu Kikyou, falando igualmente baixo.
—É ali.
—Shiiiiiiiiiiiii.... Fale baixo Kagome! -Murmurou Kikyou. _Agora esconda seu cheiro com uma barreira de ar. E depressa!- E as duas esconderam seus cheiros e suas presenças. Caminharam até a porta, mas ouviram sons lá dentro, havia pessoas conversando lá, e pelo som estavam saindo.
Kikyou puxou Kagome e fez um sinal com a mão e ambas levitaram e foram parar no teto logo acima de um lustre que estava com suas velas acesas. Kagome fez menção em apaga-las, mas Kikyou lhe impediu, pois o cheiro poderia chamar a atenção dos Youkais. E estar no escuro não significava estar segura, pois elas sabiam que youkais enxergam bem no escuro.
Alguns segundos depois dois youkais saíram. Ambos dai youkais belíssimos e imponentemente vestidos. Assim que saíram do corredor, Kikyou e Kagome desceram e se puseram a ouvir atrás da porta. Mas parecia que realmente não havia ninguém lá. Então com cuidado Kikyou girou a maçaneta e ao abrir a porta percebeu que o escritório estava mergulhado na escuridão. O Escritório em si era espaçoso e tinha dois ambientes o primeiro mais exposto e rústico e outro ao fundo mais confortável, reservado por uma grande estante que em partes era vasada.
—Ufa...conseguimos. Kikyou pode fazer as honras? Não consigo enxergar nada.- Kagome suspirou aliviada.
—É pra já... -Kikyou usou seu poder para acender um castiçal que se encontrava em cima da mesa.
O ambiente se iluminou debilmente e elas vislumbraram a pintura na parede, bem acima da lareira no fundo do escritório. Kikyou acendeu também o grande candelabro que estava no meio do cômodo iluminando totalmente o primeiro ambiente do escritório e tornando a pintura bastante nítida.
A obra de arte retratava Brunhilde em sua majestosa figura com sua menininha nos braços, e tendo ao seu lado Kurö Ookami. O casal se olhava apaixonadamente enquanto a pequenina sorria.
—Brunhilde... Claire não exagerou, ela era mesmo lindíssima. -Kagome.
—Ela foi a primeira hanyo que as terras do oeste prestigiaram. -Respondeu uma voz masculina que ambas conheciam bem.
Ambas as moças se assustaram com as palavras e a presença que se encontrava sentado em uma poltrona no segundo ambiente do escritório.
—Inuyasha... -Murmurou Kagome ao ver o hanyo se levantar e vir na direção delas, com um copo cheio de uma bebida alcoólica de cheiro forte.
—Como chegaram aqui? Ou melhor perguntando, porque vocês estão aqui? -Ele perguntou incisivamente enquanto colocava o copo sobre a escrivaninha de madeira.
—Como assim, porque estamos aqui? Essa é a nossa casa, e o nosso mundo. Nós escolhemos viver aqui. Saímos daqui com um propósito e agora estamos de volta para cumpri-lo. -Kagome respondeu rispidamente.
—Kagome, esse não é o melhor momento. Sei que devo uma resposta à vocês duas, mas existem prioridades maiores neste momento. Portanto eu vou pedir a vocês que retornem à sua era, até que eu possa finalmente resolver tudo isso... -O hanyo tentou explicar ainda de costas paras as duas.
—Como é? Como você ousa? Passamos quase oito anos longe de nossas vidas aqui e quando retornamos descobrimos que você já estava de volta há pelo menos quatro anos! E você nunca foi atrás de nós. Nunca mandou sequer uma carta! E agora quer que nós partamos novamente porque você está "muito ocupado"? Deixe me te lembrar de uma coisa muito importante "general Inuyasha"... Você NÃO é NOSSO DONO! Nossas vidas NÃO lhe pertencem. E eu não vou permitir que a Kagome fique presa a você por sabe Deus quantos anos mais! -Kikyou vociferou irritada.
—Sim, eu sou um general agora. E eu tenho meios de obrigar vocês a partir e não duvidem que eu o farei. Eu farei qualquer coisa para proteger vocês duas! -Inuyasha as encarou finalmente.
—Pois tente... Vejamos do que você é capaz para proteger a SUA COVARDIA. -Kikyou continuou ainda mais impetuosa enquanto formava uma barreira de fogo ao seu redor.
—Já chega disso. Eu mesmo vou levá-las até aquele maldito poço! -O hanyo deu o primeiro passo na direção das duas mikos.
Kagome estava bem em seu caminho, ao encará-la no entanto o hanyo percebeu que ela chorava. Sentiu-se despedaçado pelas lágrimas dela, mas não recuou.
—Gome... Tente me entender, por favor, eu preciso proteger vocês duas. Não sabemos o quão perigoso é esse inimigo. Eu só quero que você... -O hanyo foi interrompido por um sonoro tapa no rosto dado por Kagome.
—Como você ousa dizer que aquele poço é maldito? Não foi você quem mandou construir um jardim em volta dele? O "Jardim da esperança" construído para um poço maldito? -Kagome disse em meio às lagrimas.
—Não Gome... Eu o construí para você... Vocês duas não percebem o que está acontecendo? Eu sou responsável por vocês, não posso deixar que vocês corram perigo! — Inuyasha sentiu o desespero lhe invadir.
—É exatamente isso o que você não entende Inuyasha. Não somos sua responsabilidade. Na verdade nenhuma de nós não tem nenhum compromisso com você e nem você conosco. Depois de todos esses anos e você não tem coragem de admitir que você ama a Kagome. Que é ela quem você quer ao seu lado como sua fêmea! Que o que você sentiu por mim nunca foi amor e sim, essa merda de responsabilidade! Você se sentia responsável por mim, e ainda sente! -Kikyou vomitou as palavras sem nenhum remorso. Estava exausta de ser um fardo para eles.
—EU AMO VOCÊS DUAS... EU AMEI VOCÊ DESDE O PRINCÍPIO, KIKYOU. VOCÊ ME DEU UM PROPÓSITO, FOI MINHA AMIGA, QUANDO NINGUÉM MAIS FOI. E VOCÊ MORREU POR MINHA CAUSA! E agora que está viva eu NÃO VOU DEIXAR QUE ACONTEÇA NOVAMENTE! E EU AMO a Kagome... E eu cheguei a pensar que eu a amava porque ela me lembrava de você. Mas não é isso. NUNCA FOI. EU AMO KAGOME, POR QUEM EU SOU QUANDO ESTOU COM ELA... E eu sou o que sou, por causa dela... E eu quero que você seja feliz Kikyou. QUERO QUE VOCÊ POSSA VIVER A SUA VIDA! E sei que eu estarei feliz se você estiver bem. E espero um dia poder ter a Kagome comigo... COMO MINHA FÊMEA, a minha mulher... E esses são alguns dos motivos pelos quais, eu não posso permitir que vocês se machuquem... -O hanyo abriu o coração aos berros, diante das duas moças perplexas.
—Muito bem... Nós também amamos você, meu amigo. Nós não vamos a lugar algum, porque amigos de verdade, não abandonam uns aos outros. Essa é nossa era, você é meu amigo e o futuro marido da minha irmãzinha de alma... E para o seu azar, eu tenho uma espada de fogo sagrado que eu estou louca pra usar! -Kikyou sorriu com ironia.
A miko apagou as chamas azuis ao redor de si enquanto subitamente Kagome se atirava nos braços do hanyo, beijando-o com tanta urgência que fez com que Kikyou ficasse vermelha de vergonha.
—Kagome... -Ele gemeu confuso, buscando o ar, mas não permitindo que ela se afastasse.
—Calado! Eu amo você. E não vou a lugar nenhum. Não sem você. Escute bem Inuyasha, eu NÃO VOU TE ESPERAR POR MAIS OITO ANOS! -Kagome gritou mas foi calada por outro beijo do hanyo.
—Nunca mais... Nunca mais vou te deixar ir para longe de mim.-Ele murmurou ofegante mantendo sua testa colada a dela. E por um instante Kikyou pensou ter visto um fio cintilante enrolado nas mãos deles.
A jovem miko apertou os olhos, mas logo se convenceu de que não havia nada alí.
—AHAM... Então... Eu vou sair daqui. Divirtam-se e se cuidem e... -Kikyou estava prestes a sair do aposento, mas foi puxada por Kagome para um abraço apertado.
Os três permaneceram assim abraçados por um tempo. Até que Inuyasha se pronunciou.
—Obrigado por tudo, Kikyou. -O hanyo disse deixando algumas lágrimas rolarem.
—De nada, general. Para que servem os amigos afinal? Você me salvou duas vezes... Me deu uma vida totalmente nova e amigos como eu nunca havia sonhado possuir. Estamos mais do que quites. -A miko disse ainda abraçada a eles.
—Ainda temos muito o que conversar. Muitas coisas precisam ser ditas. -Inuyasha afastou-se mas manteve seus dedos entrelaçados aos de Kagome.
—Correção, vocês dois precisam conversar e colocar todos os assuntos em pauta. Eu tenho que nos preparar para a reunião sobre o ataque amanhã. E como eu presumo que esse seja um lugar seguro, prefiro fazer isso aqui, se você não se importar Inuyasha. Você e a Kagome tem assuntos pendentes, que podem ser resolvidos em outros lugares.-Kikyou foi lógica e metódica e o hanyo concordou a contra gosto.
—Tenha cuidado com o que diz. Não sabemos quem pode estar ouvindo. Nenhum lugar é seguro enquanto não soubermos quem ou o quê está causando tanta devastação. Então, tenha cuidado com qualquer coisa suspeita. E não saia do shiro sob nenhuma hipótese. Eu vou avisar ao Shippöu para trazer suas coisas, já que imagino que vocês ficariam hospedadas lá. Vou acomodá-las aqui no Shiro até que possamos resolver tudo isso. -O hanyo foi incisivo e Kikyou apenas revirou os olhos e consentiu.
Kagome e Inuyasha deixaram o escritório de mãos dadas e foram até o jardins para conversarem sobre os oito ano de dolorosa saudade.
Kikyou sentou-se na poltrona confortável que estava à frente escrivaninha. Encontrou Cartas antigas, documentos e pergaminhos que pareciam ser de Inuyasha. Depois de alguns minutos no entanto, ouviu passos que pareciam vir do corredor.
Yukina, a Youkai feiticeira das terras do Oeste.

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