Perdi Minha Cabeça?
10 Prioridade
Notas iniciais
Ferrou! Agora eu não só ia brigar com o Freddie de novo por causa da mãe dele, como ia ficar sem lugar pra dormir.
- Mãe? O que você ta fazendo aqui?
- Eu estou indo pro plantão e fico feliz que tenha me atrasado um pouco! Porque você trousse essa delinquente pra nossa casa, Freddie?
Eu já estava dando meia volta pra sair da casa deles quando escutei:
- O nome dela é Sam, e ela não é uma delinquente!
Eu me virei completamente surpresa que ele tivesse desafiado a mãe dele. Me lembro de poucas vezes que ele tenha feito isso mas em nenhuma dessas vezes lembro dele ter enfrentado ela por mim.
- Freddie...Já pro seu quarto! E você, saia já daqui!
- Eu não fiz nada!
Respondi pra ela, mas é sério, eu não fiz nada. Pelo menos não hoje.
- Mãe, ela não vai sair!
- Ela tem que sair daqui, Freddie!
- Não tem não! E se ela sair, eu vou com ela, mãe!
Ela olhou em choque pra ele. A boca dela se tornou um perfeito “O”, eu segurei a risada, seria bem inconveniente sorrir em um momento tenso desses.
- Freddie...!
- E então? A Sam vai sair?
-... Ta bem! Mas eu não quero ela aqui amanhã de manhã, ouviu?
E ela saiu batendo a porta. Freddie olhou pra porta satisfeito com a vitória e depois olhou pra mim. Mas eu ainda estava em dúvida.
- Porque fez isso?
- A minha mãe exagera às vezes.
- Eu sei, mas você nunca tinha gritado com ela assim – abaixei a cabeça e corei com o pensamento – não por mim.
- É que não brigar com você essa noite é minha prioridade.
- Ah...
E de repente aquele silêncio constrangedor caiu sobre a sala, até que Freddie me perguntou onde eu queria dormir. Respondi que na sala estava ótimo, a não ser que ele estivesse disposto a me dar a cama. Ele riu e respondeu:
- Nem em um milhão de anos.
Então ele entrou e foi pegar o travesseiro, junto com a minha coberta pra que eu pudesse me sentir confortável em quanto dormia. Vi que alguém estava me ligando, olhei no visor e vi o nome “Will” junto com uma foto. Achei melhor não atender, as coisas estavam indo tão bem com o Freddie que se eu atendesse essa ligação poderia estragar tudo.
- Então, trouxe pijama?
Freddie voltou segurando o travesseiro e a coberta nas mãos. Balancei a cabeça negativamente.
- Pensei que a Carly ia me emprestar alguma coisa.
Ele suspirou.
- Não se importa de usar alguma camisa minha, né? É isso ou você vai dormir de calça jeans.
- Não, mas suas camisas não vão ficar todas super largas em mim?
Ele deu de ombros.
- Pelo menos é confortável.
- É.
Nós dois entramos no quarto dele e começamos a procurar camisetas no guarda-roupa dele, até que eu vi alguma coisa que não era tecido em baixo das camisas, quando peguei vi que era um envelope.
- O que é isso?
- Sam, não! Sam, não abre isso!
Mas eu abri mesmo assim, quando vi o que tinha dentro não sei como descrever o que senti. Acho que era um misto de vergonha por ele com tristeza. Uma tristeza que vinha e eu não sei o motivo.
- São fotos da Carly. Muitas fotos da Carly.
Ele olhou pro chão envergonhado, e eu senti uma necessidade urgente de perguntar.
- Freddie...você ainda gosta da Carly?
Olhei pra ele esperando resposta, ele pareceu pensar por um pouco e olhou nos meus olhos.
- Eu não sei. Talvez eu ainda goste, mas não com a mesma intensidade de antigamente.
Silêncio constrangedor de novo. Nenhum de nós tinha coragem de quebrar aquele silêncio. A tensão do momento era quase palpável, até que eu percebi que se não falasse nada poderíamos continuar assim a noite toda.
- Então, acho que qualquer camisa sua vai servir.
- É, mas eu só tenho calças masculinas.
- Não tem problema, eu vou ter me trocado e saído daqui antes de você acordar.
- Ok então. Mas só se troque depois que eu for dormir, certo?
Eu vi ele corando e só depois de refletir sobre o que ele tinha dito eu percebi o motivo.
Óbvio que ele não iria querer ver a cor da minha calcinha.
Então corei também, mas não fiquei tão vermelha quanto ele. Olhei no meu relógio: Ainda eram umas 8 horas da noite, cedo pra dormir.
- Então, quer ver se ta passando alguma coisa boa antes de ir dormir?
Ele fez que sim com a cabeça e viemos pra sala, quando eu ligo a televisão vejo que acabou de começar Beastly. Freddie resmunga alguma coisa como “não vou ver esse filme de mulherzinha!” mas eu olho pra ele com raiva e ele logo se cala.
- É prioridade sua não brigar comigo, né? Então você vai ver sim!
Eu peço pra ele apagar as luzes, fica melhor assim pra ver.Passamos o filme sem falar nada, até porque odeio quando as pessoas ficam conversando comigo e eu estou vendo um filme que eu gosto. Até que chega na parte em que a personagem principal dorme no colo dele, a fera. Não consigo evitar um suspiro.
- Quer dizer que você é uma romântica, senhorita Puckett?
Eu olho pra ele sem graça, mas não deixo ele perceber. Eu dou um tapa no ombro dele fazendo ele soltar um gemido de dor.
- Cala boca, Benson.
Mesmo doendo, ele ainda solta um sorriso. Provavelmente rindo de mim. Sinto minhas bochechas esquentando.
- Não conte pra ninguém.
- Tá. Vai ser nosso segredo.
Eu rolo os olhos e quando dou por mim solto a belíssima pérola:
- Não é o único.
Eu tapo minha boca quando percebo o que falei, ele também sabe do que eu estou falando e mantém os olhos firmes na cena, tentando ignorar o que eu falei. Mesmo assim não deixo de notar o tom de vermelho vivo que cobre sua face. O filme passa sem mais discussões, até que chega ao final. Não consigo me segurar e logo percebo que estou em lágrimas por causa do final. O modo que eles falam as últimas frases:
“Você pode imaginar esse amor?”
“Sim.”
O modo que eles se beijam, é tudo tão lindo. Eu odeio isso, sou super fraca com filmes românticos. Até hoje, Carly era a única que sabia da minha fraqueza.
- Sam, você ta chorando?
Freddie olha pra mim surpreso, aposto que ele não sabia que a durona Samantha Puckett sempre chora como um bebê com qualquer coisa romântica: Filmes, poemas, casamentos e até músicas.
- Nã-não to não!
Falo entre soluços, Freddie sorri deboxando de mim. As lágrimas descem pela minha bochecha, impossíveis de serem seguradas. Eu abraço ele em um gesto repentino.
- Ah, Freddie! É tão lindo!
Ele ri da minha atitude mas logo retribui o abraço.
- Calma Sam, é só um filme.
- Mas eles se amam tanto...!
Ele ri de novo, aposto que isso deve estar sendo muito divertido pra ele.
- É sim – ele para com o abraço e me encara – mas é só...um filme, Samantha.
Ele olha nos meus olhos, eu sinto que estou ficando arrepiada. Tudo isso só por causa do modo que ele falou meu nome. Samantha. Pareceu um nome com muitas sílabas quando ele falou. Até que percebo que ele está se aproximando cada vez mais, até que eu consigo sentir sua respiração. Se eu não fizer nada, o inevitável vai acabar acontecendo.
Mas quem disse que eu quero fazer alguma coisa?
Me afasto bruscamente assustada com o pensamento. Não sei o que podia acontecer se eu não tivesse feito isso. Principalmente porque uma coisa leva a outra e nós estamos sozinhos em casa e talvez...Ah Meu Deus, no que estou pensando? Que ótimo, agora minha cara deve tá toda vermelha. Não muito diferente da dele, é claro.
- É...eu vou...hum...Boa noite, Sam.
- Boa noite.
Ele se levanta e vai pro quarto dele, eu acendo a luz e coloco a camisa dele. Tem um cheiro tão bom. Balanço a cabeça pra tentar afastar esse pensamento. Não é um cheiro bom, é só o cheiro do Freddie, aquele cheiro de nerd que eu conheço a muito tempo. Faço minha “cama” e tento dormir, o problema é que eu vou acabar ficando toda dolorida se dormir aqui. Tento me virar até achar uma posição confortável, mas não consigo.
Até que eu penso no Freddie...ele deve estar tão confortável naquela cama grande...e se eu notei bem era uma cama de casal. Mas não, não posso ir lá e me enfiar de baixo das cobertas, seria muito constrangedor.
Eu tento dormir naquele sofá, até que umas 500 reviradas no sofá pequeno e desisto. Eu só quero dormir, não é nada constrangedor, certo? Certo. Caminho até a porta dele e penso em voltar, mas ai lembro que eu nunca vou conseguir dormir no sofá.
- Freddie?
Eu chamo por ele ao entrar no quarto, sem gritar pra não assustar a “Bela Adormecida”. Quando me aproximo da cama vejo que ele dorme como se tivessem dado sonífero pra ele.
- Freddie?
- O quê...?
Ele abre os olhos lentamente, depois vira sua cabeça pro outro lado no travesseiro. Acho que essa foi minha deixa. Coloco meu travesseiro do lado dele e me infiltro de baixo das cobertas. Percebo que eu estava certa: A cama está bastante quentinha.
Repentinamente sinto dois braços me puxando e me abraçando por trás, estremeço com o contato da pele dele, principalmente porque não estou usando uma calça. Sinto a respiração dele fazendo cócegas no meu pescoço, arrepiando todos os meus pelos.
Não faço nenhum esforço pra me soltar, e sinto um sorriso se formando no meu rosto. Durmo com uma sensação de tranquilidade, Afinal, estou no braço de uma das únicas pessoas que me passam essa sensação, apesar de não gostar de admitir.
- Boa noite, Freddie.
Então tudo se torna escuro.
Fale com o autor