Perdi Minha Cabeça?
2 Lembrança Feliz?
Notas iniciais
Aqui estávamos, eu e Freddie no Groovy Smoothie em nossa competição de quem consegueria tomar mais milkshakes. Eu ia ganhar, claro, sou Samanta “Saco-Sem-Fundo” Puckett. Estava no meu sexto copo e ele no seu quarto. Terminei todo o copo.
- Já está cheio, Benson?
- Traga mais shakes, Puckett!
- T-BO! MAIS UMA RODADA!
Gritei e lancei um olhar competitivo pra ele, ele sorriu me desafiando.
- Você sabe que não pode ganhar, Benson.
- Eu posso tentar, Puckett.
- Ei, tem certeza que não querem umas roscas?
- NÃO!
- NÃO!
Eu e Freddie gritamos em uníssono pro T-Bo em quanto tomávamos nossos shakes.
- Okay! Okay...
Eu tomava aqueles shakes na velocidade da luz, até que uma coisa me parou. Senti a perna dele encostar na minha. Tive um mini ataque cardíaco, aquilo era golpe baixo! Ele sorriu com o canto da boca vendo que tinha ganhado. Agora era pessoal, liguei a “super potência Puckett” e tomei o milk shake mais rápido da minha vida. Bati na mesa, tinha chegado ao final da aposta: 8 milk shakes. Me levantei e dancei comemorando.
- OH YEAH! OH YEAH!
Ele se levantou sorrindo.
- Ok, ok, admito minha derrota.
- O que foi que eu te disse aquele dia, Freddie? Mama joga pra ganhar!
Então, um flash aconteceu na minha cabeça. Aquele dia. Fiquei em choque por um segundo.
- Sam?
- Ah, é...Vamos...vamos em bora. O perdedor paga tudo.
Sai séria. Porque eu tinha que lembrar daquilo? Às vezes tenho vontade de apagar isso da minha memória, mas outras vezes... Eu só quero revivê-la. Secretamente, é claro. Ando apressada do lado de fora da lanchonete.
- Sam! Sam! Espera!
Ignoro e continuo andando. Ele finalmente me alcança.
“Droga de puberdade.”
Se não fosse ela, ele teria corrido até eu chegar na minha casa.
- O que foi aquilo lá dentro?
- Nada.
- Nada?! Você... Olha pra cá!
Ele puxa meu ombro e me olha nos meus olhos. Fico tão feliz que ele não sabe ler mentes, se ele pudesse com certeza leria o que se passava na minha cabeça. Cada instante, o toque dos lábios dele nos meus... Arg! Porque insistiam em se repetir?
- Você simplesmente parou de uma hora pra outra, como se tivesse visto alguma coisa...ou lembrado.
Desvio o olhar com vergonha.
- Não é nada, você ta se preocupando a toa.
- Eu te conheço bem o bastante pra saber que não. O que aconteceu?
Me virei novamente pronta pra voltar a caminhar no meu ritmo acelerado, mas ele segurou meu braço.
- Me diz o que foi, Sam.
Suspirei. Esse era o único jeito dele me deixar em paz? Tudo bem, então.
- Eu só lembrei... Da-daquele dia, sabe? O nosso... Primeiro beijo.
Falei a última parte em um tom mais baixo do resto da frase. Ele pareceu se chocar com a minha resposta.
- Pensei que a gente não falaria mais disso.
Ele respondeu depois de alguns segundos em silêncio.
- Eu também pensei.
Mesmo dizendo isso a verdade é que sempre quis falar sobre isso com ele de novo. Desde aquele dia o nosso beijo constantemente vem a minha cabeça. Toda santa vez que estamos juntos. E isso simplesmente não é justo! Não é nada justo! Ele ama a Carly e eu...eu confesso que sinto uma atração por ele, algo puramente físico, mas...mesmo assim...é uma atração.
- Eu vou pra minha casa.
Tento me soltar do braço dele, mas a mão dele escorrega pra minha mão. Eu me arrepio.
- Sam...Sua mão está gelada.
- Me solta, idiota.
- Não! Eu vou te levar pra sua casa. Já está ficando escuro.
- Ah é? E quem vai te levar pra casa, Benson?
Ele olha pra mim com raiva.
- Sam...
- Tá, tá bom. Mas você sabe que eu sei me cuidar.
Tento soltar a minha mão da dele mais uma vez, mas ele segura com força. Suspiro e vejo que é um caso perdido. Bom, tanto faz. Sinto a mão dele começar a suar e sorrio sem ele perceber. Ele anda até o meu lado.
- Então, pra que lado fica sua casa, Puckett?
Chegamos em meu apartamento em uns quarenta minutos. Minha mãe não está. ela foi pra um encontro e deixou cup noddles na dispensa. Pelo menos ela se lembrou de deixar dessa vez.
- Ham...Sam...tem uns caras meio estranhos ali em baixo.
Freddie diz isso enquanto aponta pra janela, me aproximo dele e olho pra mesma direção. Quatro homens bem musculosos estão parados lá em baixo. Nem eu tenho certeza de conseguiria dar conta deles e eles parecem perigosos.
- Talvez a gente devesse esperar até eles saírem.
- São – ele faz uma pausa quando olha pro relógio – Dez horas agora. Quando eles saírem já vai ter mais “perigosos” pela rua.
- É, esse bairro não é lá muito seguro.
Penso um pouco no que estou prestes a dizer. Mas qual o pior que pode acontecer? Quero dizer, é claro que nós dois temos 16 e já não somos crianças, mas... Ele não me atacaria. E mesmo se me atacasse, seria nocauteado.
- Hum, Freddie...quer passar a noite
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