Perdas e Ganhos
6 Interesses, Conflitos, Desencontros...
Notas iniciais
Ao encontrar a porta do elevador fechada, Weller proferiu uma série de palavras maldizendo aquele momento. Tudo o que ele queria era poder ter alcançado Remi a tempo. Ela estava visivelmente abalada pela conversa com Roman.
“Droga! Como pude confiar nele? Eu nunca devia tê-la deixado sozinha com esse louco! Jane é seu Coelho e tudo que ele quer é vê-la sangrar. Ofereci ela numa bandeja de prata, mesmo com os médicos me pedindo tanto cuidado...”
Kurt precisou de alguns segundos recostado à parede para se refazer. Era nefasta a possibilidade de Roman deve ter contado toda a verdade para Remi. Mas não iria abandoná-la nem desistir de lutar pela saúde mental dela. A porta do elevador se abriu e ele entrou, apertando o botão de acesso ao SIOC.
Para sua surpresa, Tasha aguardava sua chegada no andar do SIOC:
— Patterson a levou para seu laboratório. Você falou com ele?
— Irônico como sempre. Negou ter dito qualquer coisa a ela. Eu nunca devia ter deixado os dois sozinhos...
— Weller, Remi é muito perspicaz. Você sabe que evitar o encontro com o irmão levantaria suspeitas. Não havia outra possibilidade. _ e bateu no braço do amigo_ Vou descer e tentar descobrir o que aconteceu. Estou emocionalmente mais estável que você pra isso.
— Por favor, faça o que puder...
— Claro.
Na cela de Roman
Roman anda de um lado para o outro segurando o tablet que Patterson havia dado a ele
— Um jogo eletrônico bem interessante. Ah! Patterson, eu nunca sei quando você está dentro ou quando está fora. Se soubesse o tipo de sonho que tenho com você à noite e que me enlouquece...
Então, ele percebe a porta se abrindo e Zapata entra com sua habitual cara de poucos amigos. Ele a cumprimenta:
— Bom dia, Tasha! A que devo a honra de sua visita?
— Não estou aqui para brincar com suas irônias, Roman. Vejo que investiram o seu conforto. Na CIA costumamos fazer o contrário._ e revira os olhos_ Mas, enfim, já que te tratam tão bem, o mínimo a fazer é colaborar. Você sabe o que quero ouvir, é melhor começar a falar.
Roman sorriu com desdém.
— Você é sempre tão doce e tão... qual a palavra? Humana... Mas, me lembro que essas não foram as regras que combinamos, Tash...
— Me chame assim de novo e você vai morrer engasgado com sua própria língua!
— Wow! Parece que você também anda esquecida, AGENTE ZAPATA._ disse enfatizando o formalismo ao se referir a ela. _ Por acaso entrou em contato com uma substância chamada ZIP? Vocês podem me trancar aqui, mas não podem me forçar a falar ou calar.
Zapata se perguntou porque, entre tantos terroristas no mundo, justo Roman acabou ali em contato direto com seu team. Ele conseguia irritá-la como ninguém. Sua estratégia foi básica: permaneceu ali em pé e encarando o irmão de Remi.
— Tsic tsic tsic... Isso é mau, Agente Zapata. Não iremos a lugar algum dessa forma.
— Ok, Roman. Vou tentar ser mais gentil... _ E novamente foi interrompida por ele.
— Vou tentar refrescar sua memória: Caderno de Esportes do New York Times. Conversamos um pouco sobre beisebol e te conto que você quiser saber sobre minha conversa com Remi. Afinal, vocês precisam da minha ajuda, já eu preciso de você pra quê mesmo?
Zapata o fuzilou com o olhar e bufou contendo todos os palavrões que sentia vontade de atirar na cara dele:
— Foi um erro ter trazido você pra cá. É obvio que não quer ajudar ninguém. Ainda é o mesmo egoísta de sempre._ disse virando as costas para sair da sala.
— De fato agente Zapata, essa é a expressiva diferença entre vocês. Acreditar.
Esse comentário a intrigou. “Vocês? De quem está falando?” pensou. Mais uma coisa para descobrir. Deixar a sala agora não resolveria nada.
Então, Tasha levou a mão por baixo do blazer como quem vai sacar a arma do seu coldre, deixando Roman apreensivo. E puxou o caderno do jornal que estava enrolado e encaixado no bolso de trás de sua calça. Séria e sem tirar os olhos dele, ela abriu a caixa de acesso à cela e depositou a publicação que havia prometido.
Roman continuava sentado na cela. Ele abre um sorriso vitorioso. "Ela é brava, mas eu gosto disso. Acho que será interessante"
Trinta minutos depois, os dois estavam sentados lado a lado, recostados no vidro, mas a uma distância que permitia se entreolharem.
— Você vai terminar de ler isso hoje? Sei o quanto aprecia a minha companhia, mas eu tenho muito trabalho lá fora._ Zapata tentou acelerar o processo.
— Foi você quem ficou falando pelos cotovelos sobre esse novo rebatedor dos Meets que nem é tão fenomenal assim.
— Como não? Você não entende nada de beisebol... Tá na cara!
— Não. O que está na cara é como seu rosto muda quando deixa de lado a versão de terror da CIA._ ele olhou pelo canto dos olhos para que ela não percebesse que estava sendo observada. Tasha quase deu um leve sorriso. Isso era bom. _ Além disso, SIM, estou gostando da sua companhia e, com um bom taco, eu arrancaria aplausos até de uma especialista em beisebol como você.
Ela gesticulou com o polegar invertido.
— Sem chances. Isso foi horrível! Se está tentando me agradar, deveria ser mais criativo e original.
— É difícil te sondar. Você sempre está pronta pra atacar, mas joga na defesa... de seus amigos. É para protegê-los que você só vê em mim o monstro perigoso, e faz um esforço gigantesco pra ignorar meu lado humano. Tá aí algo que temos em comum: a estratégia do ataque para esconder o verdadeiro eu por trás de tudo isso.
— Não preciso de esforço algum para ignorar a humanidade que você não tem.
— Será que me enganei? Que tal isso como prova de que você está errada? Remi saiu daqui muito brava porque não conseguiu nenhuma das informações que buscava. Fiz o papel de irmão ferido pelos caprichos dela.
— Olha só, nenhuma novidade até aqui...
— Ela queria saber sobre Avery, Tasha. Queria informações sobre a filha. Eu neguei ter qualquer informação porque vocês disseram que a verdade traria consequências ruins pra ela. Mas doeu em mim. Não quero mais mentiras entre eu e Remi. Quando a verdade vier à tona, ela nos odiará. Diga a Weller que é melhor pensar numa forma de reverter tudo isso antes que não reste nada mais a fazer.
Zapata sentiu o coração bater acelerado no seu peito por ver tanta sinceridade e emoção nos olhos de Roman. Verbalizar qualquer palavra naquele momento seria denunciar-se à ele. Então ficou em pé e só assentiu com cabeça num agradecimento mudo e saiu da sala.
Do lado de fora, parou para respirar e refletir: verdade ou manipulação? Roman seria tão perigoso assim?
De volta ao SIOC
Kurt estava decidido a alcançar o laboratório de Patterson o quanto antes, mas outro imprevisto muito delicado o fez mudar de ideia. Avery estava na sala de Reade. Seus passos aceleraram ao ponto de chamar a atenção dos funcionários no local. Ele acabou abrindo a porta com uma força exagerada. A garota, que mantinha a expressão fechada e desafiadora para Reade, torceu o lábio demonstrando não se agradar com sua presença.
As emoções borbulhantes no seu interior eram tão latentes que Kurt se via à beira de gritar com a garota. Talvez, se fizesse isso, pudesse evitar um infarto. Mas ele optou por parar e respirar, tentando controlar sua reação:
— Avery, o que você está fazendo aqui?
— A casa segura estava muito chata. Resolvi vir fazer uma visita aos meus amigos do FBI.
— Nós já conversamos tantas vezes sobre isso... Você não pode se aproximar, Avery. Não ainda, muito menos agora. É um momento péssimo.
— Kurt, é da MINHA VIDA e da MINHA FAMÍLIA que você está falando. Se Remi está de volta, eu tenho o direito de saber por que ela abriu mão de mim!
— Ela não te entregou, Avery. Tiraram você dela. Nós já conversamos tanto sobre isso...
— É diferente, Kurt! Agora eu posso ter certeza. Eu preciso ouvir da boca dela, mesmo que seja horrível o que ela tem a me dizer.
Kurt puxou uma cadeira e se sentou ao lado da enteada, levando sua mão ao braço da garota:
— Eu entendo, Avery. No momento certo, vamos contar tudo a ela e você terá suas respostas. Só peço um pouco de paciência. Se ela sofrer algum tipo de choque, a evolução para um caso grave de esquizofrenia não nos assegurará a verdade. E você perderá sua oportunidade de saber o que aconteceu pra sempre.
A garota assentiu com visível contragosto diante dos argumentos imbatíveis de Weller. Ela não sentia só raiva, a saudade também a consumia. Mesmo assim resolveu acatar o pedido e se afastar até um momento mais adequado.
Enquanto a conversa se desenrolava na sala, Remi e Patterson vieram às pressas do laboratório e se depararam com a cena. Ver Weller com a mão no braço de Avery fez Remi parar. A loira aproveitou a oportunidade para encontrar uma desculpa para afastá-la da sala em que sua filha estava:
— Bem, parece que Reade e Weller estão ocupados. Vamos voltar para o laboratório...
Remi parecia muito incomodada com o que via, mas não abordou o assunto:
— Pensei que era urgente o que descobrimos.
— E é..._ Patterson lamentou a forma desastrosa como estava conduzindo isso. _ Mas a... essa reunião ali também parece importante. _ levou a mão cuidadosamente as costas da amiga tentando direcioná-la para o outro._ Podemos mandar mensagens para o resto do team de lá.
Infelizmente os esforços de Patterson foram interrompidos pela saída de Reade, Weller e Avery da sala tornando inevitável o encontro de todos no saguão. Weller abaixou a cabeça e levou a mão até o pescoço tentando buscar argumentos diante do embate que estava pela frente.
Surpreendendo a todos, Avery passou por Remi e Patterson com a cabeça baixa, dando apenas um leve aceno como cumprimento e seguiu para o elevador. Reade a acompanhou até a garagem disposto a oferecer algum suporte emocional a garota.
O olhar de Remi seguiu os dois até que as portas do elevador se fechassem. Quando se voltou para Kurt, ele estava apoiado numa mesa, suas pernas se sentiam fracas. A reação da morena foi instantânea: correu até ele e ofereceu ajuda.
— Weller, está tudo bem? _ disse já alcançando seu braço.
— Estou bem, Remi. Obrigado. Deve ter sido apenas... eu sei lá. E você, como está?
— Eu? _ e ela franziu a testa sem disfarçar o breve riso que apareceu nos seus lábios diante da pergunta que pareceu cômica _ Eu estou bem.
— Então, Weller. Eu e Remi estávamos conversando no meu laboratório porque ela estava irritada com Roman que parece ter..._ e a loira gesticulou procurando uma forma de esclarecer e tranquilizar Weller _ ter agido como Roman com ela: irônico, sem respostas diretas...
— Roman está sendo infantil! _ e inspirou irritada _ Faz pra me irritar. Mas agora estou preocupada com você, Weller. Não é melhor fazer uma avaliação médica?
A breve conversa com as duas e o fato de Avery já estar saindo do prédio tiveram um efeito direto sobre Weller que já se sentia revigorado:
— Não, estou bem. Devo ter me levantado rápido demais. Só isso.
Patterson retomou:
— Ótimo, já que todos estão bem, como eu estava dizendo... Remi e eu resolvemos uma tatuagem.
As próximas horas foram tomadas pelas investigações. Em meio à preparação dos equipamentos para irem à campo, Weller se perguntava se havia alguma possibilidade de sobreviver àquele dia tão tenso. A forma como Avery saiu arrasada do SIOC só fazia ele considerar a necessidade de encontrar uma forma de contar toda a verdade a Remi.
Em campo
O ataque aconteceria num prédio comercial o que era atípico. Nada ligado a nenhum alvo político ou que pudesse desencadear repercussões a nível nacional ou mundial. O team não sabia ao certo que iriam encontrar. Um andar inteiro era dedicado à medicina ligada a transplantes de órgão, por isso a suspeita principal era sobre tráfico humano.
A equipe se dividiu em duplas e Weller ficou com Remi. Nem mesmo Reade ousaria propor outra parceria depois do dia difícil que tiveram. Cada dupla ficou responsável por um andar. Pouco a pouco, foram descartando as instalações que vasculhavam. Quanto mais ouviam “limpo” nos comunicadores, mais duvidosa aquela missão parecia.
Remi e Weller foram extremamente profissionais em campo e terminaram de vascular as instalações sob sua responsabilidade antes dos demais. Quando se aproximaram do elevador para se deslocarem em apoio à Tasha e Reade, Remi alfinetou:
— Bonitinha a sua garota de hoje de manhã. Patterson ficou bem embaraçada quando vimos vocês dois na sala.
— Remi, ela não é minha garota...
— Você não precisa me dar conta da sua vida, Weller. Mas entenda de uma vez por todas que sou treinada pra reconhecer padrões de comportamento e você estava sendo muito carinhoso com a garota, então não tente me dizer que era profissional.
Kurt não conseguia equalizar toda a fala de Remi porque sua razão e emoções estavam sintonizadas numa forma de abordar o assunto Avery sem mentir ou derrapar em verdades para as quais ela ainda não estava preparada.
— Eu tenho realmente um carinho grande por ela, mas não da forma como você está imaginando. Ela fez parte de um caso importante que não consegui resolver. Acabou sozinha, sem mais ninguém. Estou tentando ajudá-la, mas é um trabalho minucioso. Não posso arriscar correr riscos desnecessários e capazes de magoá-la ainda mais.
A expressão de Remi foi do desprezo à dúvida, mas ela não cedeu.
— Então, você está sendo tipo um pai pra garota? Tão tipicamente você...
Kurt respirou e ponderou não responder para não entrar no jogo de Remi, mas de repente, a palavras o tomaram sem que pudesse controlá-las:
— Podemos jantar com ela para que vocês se conheçam melhor. Na verdade, Jane já a conhecia e estava buscando uma aproximação. Isso seria bom.
A resposta não veio e eles entraram no elevador. Antes que as portas se abrissem no andar inferior, Patterson informou sobre a troca de tiros que Reade e Zapata estavam enfrentando. Juntaram-se aos amigos e logo cercaram o local. As vítimas estavam reunidas e sob a mira de três atiradores que ainda resistiam. Era um grupo pequeno, não mais que dez pessoas. Tinham idades e nacionalidades diferentes, mas compartilhavam o medo no olhar.
Reade cedeu a negociação à Weller que costumava se sair melhor nessas situações. Logo, Remi se juntou a ele colaborando com possibilidades capazes de dobrar os atiradores. O casal atuou em perfeita sintonia, pareciam compreender o caminho que o outro estava percorrendo nas suas propostas apenas com um olhar. Impossível para Kurt diferenciar Remi de Jane naquela missão. Era sua esposa com ele em campo, em cada olhar, em cada palavras, em cada tiro.
Tudo indicava que contornariam a situação até que uma das vítimas, um menino de no máximo 12 anos, tomado pelo nervosismo, teve uma crise de vômito. Os atiradores ficaram instáveis. Remi pediu autorização para se aproximar do menino desarmanda e ajudá-lo.
Antes que Weller ou Reade pudesse se contrapor à proposta de Remi, ela deixou a arma no chão e, aos poucos, caminhou até o garoto com as mãos para o alto. Junto à ele, tentou identificar seu idioma natal para tranquiliza-lo em sua língua materna. Surtiu efeito. Tanto sobre o garoto quanto sobre Weller que cada vez via mais semelhanças entre Remi e Jane.
Momentaneamente o problema parecia resolvido, mas Remi agora estava sob a mira dos atiradores com o restante dos reféns. Mais alguns minutos de negociação se seguiram.
Remi permanecia com os braços ao redor do garoto e isso irritou um dos atiradores que exigiu que ela o soltasse. Lentamente, ela levantou os braços. A separação trouxe de volta a crise de vômito. O atirador irritado se aproximou gritando e chutou o garoto. Remi imediatamente lançou um olhar que Weller decifrou e gesticulou para que o resto do team se preparesse.
Tão rápido quanto um raio, ela avançou para cima do atirador numa sequencia de golpes que nem mesmo a arma conseguiu dar a ele qualquer vantagem. A sintonia do ataque de Reade, Zapata e Weller garantiu que um dos atiradores fosse morto e o outro rendido e desarmado. Mesmo ainda com a adrenalina a mil e com alguns ferimentos, Remi voltou para o lado do menino envolvendo-o nos seus braços.
Com a situação sob controle, Weller se aproximou dos dois:
— Excelente trabalho, Jane. _ disse eufórico.
Ela sorriu discretamente e o corrigiu:
— Remi! E obrigada.
Os paramédicos se aproximaram e levaram o garoto. O casal continuou ajoelhados no chão após a partida. Os olhos de Kurt transmitiam uma admiração profunda e seu sorriso estava encantador:
— O que você fez por ele foi incrível.
Remi ainda olhava na direção da porta por onde tinham levado o garoto. Então se virou para Weller e disse:
— Era o mínimo que eu podia fazer. _ e baixou o olhar sem coragem para de encará-lo nas palavras que se seguiram_ É horrível ser criança e sentir tanto medo...
Instantaneamente, Weller levou sua mão até o braço dela se mostrando presente. Logo em seguida, ele se questionou se deveria ter feito isso. Sem saber o que era certo, manteve o toque. Ele não a deixaria sozinha e refém dos fantasmas do seu passado.
O olhar de Remi foi direto para sua mão. Depois o encarou e disse num tom de voz seguro, mas carregado de tristeza:
— Quer saber, Kurt, cuide da sua garota. Ninguém merece se sentir sozinho com tão pouca idade.
Como se não bastasse a complexidade da situação real que Weller enfrentava com Remi, agora ele também teria que lidar com suas suposições. Dessa vez, as palavras não o traíram. Ele manteve a firmeza no olhar e na voz enquanto seu polegar descrevia movimentos suaves pelo braço dela:
— Ela não é minha garota, Remi. Mas concordo que ninguém merece se sentir sozinho seja qual for a idade.
Remi fechou os olhos por um momento. Droga! Como ele consegue ser tão humano em cada palavras? Mas ela estava acostumada a ditar as regras, então tentou redirigir o jogo abrindo um sorriso malicioso:
— Cuidado com as palavras, agente especial Kurt Weller! Você não conhece os efeitos que uma troca de tiros e luta mão a mão tem sobre mim._ então o rosto dela mudou e suas palavras saíram com uma verdade e intensidade tão raras quanto nas falas de Jane_ Tudo isso com você me deixa muito excitada. Não posso responder por meu atos._ e tentou sorrir mas sua respiração descompassada não permitiu.
Kurt não foi capaz de resistir. Ele sabia sim o quanto tudo aquilo mexia com ela assim como também sabia o quanto ela precisava dele naquele momento pra dispersar as lembranças difíceis. E sim, ele também precisava senti-la viva junto a ele. Sem relutar, ele se aproximou e uniu seus lábios aos dela.
A saudade e o calor das emoções daquele dia pediam um beijo devorador, mas ele conteve seus impulsos. Relembrando o primeiro beijo com Jane, tentou seguir os passos daquele momento que foi tão especial para os dois deixando seu amor mais evidente do que seu desejo por ela. Para sua surpresa, ela correspondeu exatamente como Jane teria feito, desfrutando daquele contato e passeando pela boca dele como quem quer descobrir cada detalhe sem ir além do permitido.
O sabor dele e a forma como se conectaram a tirou da realidade. Quando a mão de Kurt alcançou seu rosto e percorrendo o caminho entre seus cabelos estreitando ainda mais a distancia entre eles, ela sentiu algo novo que desconhecia e, ao mesmo tempo, lhe parecia tão familiar. Ele era capaz de arrancar dela aquela inquietação de viver cada dia como se fosse o último e a preenchia com uma paz entrelaçada ao um desejo pleno e compassivo. Era como viver um sonho que há muito tempo ela deixara de sonhar. Então, sua mão foi até o peito dele procurando mais contanto entre seus corpos.
O beijo se prolongou mais do que previam. Foi tão difícil não se deixar levar pelo desejo de percorrer todo o corpo dela como ele fazia antes. Quando finalmente se afastaram contrariados pela necessidade de ar, compartilhavam um sorriso que misturava timidez e euforia. Após alguns segundos se entreolhando, com a emoção mais sob controle, Remi assumiu uma postura mais defensiva e disse aumentando o espaço entre eles:
— Viu? Eu não mordo.
O sorriso brotou no rosto dele não só pelas palavras em si, mas por compreender que aquele momento tinha tido tanto impacto sobre ela quanto sobre ele. E entrou na brincadeira:
— Eu me sinto mais seguro agora..._ e após um curta pausa_ Então, jantar na minha casa hoje?
— Acho que sim. Não tenho nada melhor pra fazer...
Kurt sacudiu a cabeça sorrindo.
— Bom, então vou avisar aquela que não é minha garota._ disse ainda tentando evitar o nome de Avery.
Remi imediatamente se pôs de pé e revirou os olhos:
— Eu tinha me esquecido que esse jantar seria a três._ aquele balde de água fria a fez levantar e dar as costas pra ele caminhando em direção à saída._ Juro que se você ousar transformar isso num ménage, chuto sua bunda mais forte do que acabei com o cara hoje.
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