Percy Jackson o Guerreiro Sem limites
37 Capítulo 37
Notas iniciais
POV: Perseus Heitor Jackson.
Estávamos nas sombras da Valência Boulevard, olhando para as letras douradas gravadas no mármore negro: ESTÚDIOS DE GRAVAÇÃO M.A.C.
Embaixo, impresso nas portas de vidro, PROIBIDA A ENTRADA DE ADVOGADOS, VAGABUNDOS E VIVENTES. Já era quase meia-noite, mas o saguão estava iluminado e cheio de gente. Atrás do balcão da segurança estava sentado um guarda de aparência agressiva, com óculos escuros e um fone de ouvidos.
–----Bem, aqui e a entrada! ----disse tranquilo, eu tinha que passar tranquilidade aos outros, era a primeira missão deles, a primeira missão que eles carregavam a responsabilidade de salvar o mundo. Clarisse estava eufórica e nervosa, Grover assustado e Luana estava tentando manter a calma, mas eu sentia ela a ponto de ter um infarto. ----vamos ter que subornar Caronte.
–---Você tem certeza que isso vai dar certo? ----Perguntou Luana preocupada.
–---Tenho, quase tudo hoje em dia e corrupto.
–---Legal, você acabou com minhas esperanças de ir para o governo e salvar a natureza. ----Disse Grover tristemente.
–---Sinto muito. Clarisse você esta com os Dracmas que pegamos do Crosta?
–---Estou! ----disse ela balançando uma sacolinha cheia de dracmas.
–---Perfeito, vamos e só vocês manterem a calma. --- fomos entrando, Alto-falantes embutidos tocavam uma música ambiente suave, apenas instrumentos, como uma sinfonia. O carpete e as paredes eram cinza-chumbo que dava um ar de macabro ao lugar ainda mais com a ajuda dos Cactos que cresciam nos cantos como mãos de esqueletos. Os móveis eram de couro preto, e todos os assentos estavam ocupados. Havia gente sentada em sofás, gente em pé, gente olhando pela janela ou aguardando o elevador. Ninguém se mexia, nem falava, não faziam nada. Com o canto do olho, eu podia vê-los muito bem, mas, se me concentrasse em qualquer um em particular, eles começavam a parecer... transparentes. Dava para ver através dos seus corpos, então conclui que eram pessoas mortas esperando Caronte o barqueiro as atravessarem. Atrás do balcão estava Caronte o barqueiro. Ele era alto 1,90 cm e elegante, com pele na cor de chocolate e cabelo tingido de loiro, cortado em estilo militar, usava armação de tartaruga e um terno de seda italiano que combinava com o cabelo. Uma rosa negra estava presa à lapela, embaixo de um crachá de prata.
–---Senhor Caronte! ----chamei-o.
–---Hora, que rapazinho educado.
–----Obrigado Senhor, e queremos ir para o Submundo. ----fui direto ao ponto.
–---Gostei de você. ---disse ele apontando e sorrindo. ---- Sem choro, direto ao ponto, sem "Deve haver algum engano, Sr. Caronte" ou gritos de desespero, odeio os escandalosos. ---disse ele com desdém. ----Mas me digam, como morreram?
–---Eu acidente de carro. ----disse eu.
–---Assassinada. ---disse Clarisse dando de ombros, bem a cara dela.
–---Atropelado por um carro. ----Disse Luana.
–----Afogado... na banheira. ----Olhei para o Grover com uma mensagem tipo “serio? Essa e sua melhor desculpa?” ele deu de ombros.
–---Entendo, Suponho que vocês não têm moedas para passagem. Com adultos, vocês sabem, eu poderia debitar no cartão de crédito, ou acrescentar o preço da travessia na sua última conta de telefone. Mas com adolescentes... Infelizmente, vocês nunca morrem preparadas. Acho que terão de ficar sentados por alguns séculos.
–--- Ah, mas nós temos moedas. –--- Pus três dracmas de ouro sobre o balcão, parte da provisão que eu encontrara na mesa do escritório de Crosta.
–--- Ora vejam... – Caronte umedeceu os lábios. ---– Dracmas de verdade. Não vejo uma dessas faz... ---- Seus dedos pairaram avidamente sobre as moedas. Estávamos muito perto. Então Caronte me olhou. O olhar frio atrás dos óculos pareceu abrir um buraco em meu peito. Ele levantou-se brevemente da cadeira e deu uma cheirada. ---– Você não está morto. Eu devia saber. É um filhote de deus.
–--- Temos de chegar ao Mundo Inferior. – insisti. Caronte rosnou no fundo da garganta. No mesmo instante, todas as pessoas na sala de espera se levantaram e começaram a andar de um lado para outro, agitadas, acendendo cigarros, passando as mãos pelos cabelos ou olhando para os relógios de pulso.
–--- Vão embora enquanto podem. – disse-nos Caronte. – Vou ficar com estas moedas e esquecer que os vi, pois estou de bom humor hoje.--- Ele começou a esticar a mão para as moedas, mas eu as puxei de volta.
–--- Sinto muito, mas sem serviço, sem gorjeta. –--- Tentei parecer mais valente do que me sentia. Caronte rosnou de novo, um som profundo, de gelar sangue. Os espíritos dos mortos começaram a bater nas portas do elevador, Luana encontou-se em mim, e apertou minha mão, chega esta na hora de resolver isso. –---- É uma pena –--- suspirei. –---- Tínhamos mais para oferecer. Ergui a sacola inteira com o tesouro de Crosta. Tirei um punhado de dracmas e deixei as moedas escorregarem entre os dedos. O rosnado de Caronte se transformou em algo mais parecido com um ronronar de leão.
–---– Acha que pode me comprar, filhote de deus? Ahn... curiosidade, quanto você tem aí? ---Olhei para Clarisse em uma mensagem silenciosa de “viu, eu disse.” Ela revirou os olhos.
–-– Muito –---falei tristemente. ----– Aposto que Hades não lhe paga o bastante por um trabalho tão duro, e você parece ser um cara de classe.
–--– Ah, você não sabe nem da metade. Iria gostar de ser babá desses espíritos o dia inteiro? Sempre com "Por favor, não me deixe ficar morto" ou "Por favor, deixe-me atravessar de graça”. Não tenho um aumento há três mil anos. Acha que ternos como este custam barato?
–---– Você merece coisa melhor –--- concordei. ---– Algum reconhecimento. Respeito. Bom salário.----A cada palavra, eu empilhava outra moeda de ouro no balcão. Caronte baixou os olhos para o paletó de seda italiana, como se estivesse se imaginando com algo ainda melhor.
–--- Devo dizer, rapaz, que a gente está começando a falar a mesma língua. Um pouco.--- Empilhei mais algumas moedas.
–---– Eu poderia mencionar um aumento de salário quando estiver falando com Hades.---- Ele suspirou. Esse já era, ganhei.
–---– Bem, o barco já está quase cheio mesmo. Poderia muito bem encaixar vocês 4 e zarpar. ---- Ele se pôs de pé, pegou nosso dinheiro e disse ----– Venham comigo. ---- Abrimos caminho entre a multidão de espíritos que aguardavam, eram muitos, muitos mesmo, os quais começaram a puxar nossas roupas, , como o vento, as vozes sussurrando coisas que eu não conseguia distinguir, Luana estava colada comigo, e Clarisse e Grover também estavam lado a lado. ---- Caronte empurrou-os do caminho, resmungando ---Parasitas. --- Ele nos escoltou até o elevador, que já estava apinhado de alguns dos mortos, todos segurando um cartão de embarque verde. Caronte agarrou dois espíritos que tentavam entrar conosco e os empurrou de volta para o saguão.
–---Amor e assustador. ---Escutei Luana cochichando no meu ouvido.
–---Eu sei, estou aqui amor, vai ficar tudo bem. ---disse apertando sua mão e sorrindo pra ela.
–--- Muito bem. Agora, ninguém comece a ter ideias enquanto eu estiver fora –--- anunciou Caronte para a sala de espera. --– E se alguém tirar minha estação de música de sintonia novamente, farei vocês ficarem aqui por outro milênio. Entendido? ----Ele fechou as portas. Enfiou um cartão-chave em uma fenda no painel do elevador e começamos a descer.
–---– O que acontece com os espíritos que ficam esperando no saguão? –--perguntou Clarisse.
–---– Nada –--- disse Caronte.
–---– Por quanto tempo? ---Perguntou Grover.
–--- Para sempre, ou até eu me sentir generoso.
–---– Ah – disse Clarisse. – Isso não é... justo. ----Caronte ergueu uma sobrancelha.
–--- Quem disse que a morte era justa, mocinha? Espere até chegar a sua vez. Você vai morrer em pouco tempo, no lugar que está indo.
–-– Vamos sair vivos –-- falei firmemente. Tive de repente uma sensação de vertigem. Não estávamos mais indo para baixo, mas sim para frente. O ar ficou enevoado. Os espíritos à minha volta começaram a mudar de forma. Suas roupas modernas tremiam e se transformavam em mantos cinzentos com capuz. O piso do elevador começou a oscilar. Pisquei com força. Quando abri os olhos, o terno creme italiano de Caronte fora substituído por um longo manto negro. Seus óculos de tartaruga haviam desaparecido. Onde deviam estar os olhos havia órbitas vazias eram totalmente escuros, repletos de noite, trevas e desespero. Ele me viu olhando e disse:
–-– O quê?
–--– Nada –--- consegui dizer. Achei que ele estivesse sorrindo, mas não era isso. A pele de seu rosto estava ficando transparente, deixando que eu visse até o crânio.O chão continuou oscilando.
– Acho que estou ficando enjoado. ---- disse Grover. Quando pisquei de novo, o elevador não era mais um elevador. Estávamos dentro de uma barcaça de madeira. Caronte usava uma vara para nos mover ao longo de um rio escuro, cheio de óleo, com ossos, peixes mortos e outras coisas estranhas girando na superfície... Bonecas de plástico, cravos esmagados, diplomas encharcados com bordas douradas, Escrituras de bens, e varias outras coisas materiais.
–--- O Rio Estige – Murmurei. –-- É tão...
–-– Poluído – disse Caronte. – Há milhares de anos vocês, seres humanos, quando o atravessam, jogam tudo nele... esperanças, sonhos, desejos que jamais se tornam realidade. Um modo irresponsável de tratar seu lixo, se querem mesmo saber. --- A névoa subia em espirais da água imunda. Acima de nós, quase perdido nas sombras, havia um teto de estalactites. A frente, a costa distante brilhava com uma luz esverdeada, a cor do veneno. O pânico obstruiu minha garganta. O que eu estava fazendo ali? Aquelas pessoas ao meu redor... estavam mortas, mas me mative calmo, por causa dos outros. Luana agarrou minha mão eu entendi como ela se sentia. Queria se assegurar de que mais alguém estava vivo naquele barco. Percebi que eu murmurava uma oração, embora não soubesse bem para quem estava rezando. Ali embaixo só um deus importava, e era ele que eu fora confrontar.
A praia do Mundo Inferior surgiu à vista. Rochas escarpadas e areia vulcânica negra se estendiam terra adentro por cerca de cem metros até um muro alto de pedra, que se prolongava para os lados até onde a vista podia alcançar. De algum lugar por perto nas sombras verdes, veio um som, reverberando nas pedras – o uivo de um grande animal. Cérbero.
–-– O velho Três-Caras está com fome –--- disse Caronte. Seu sorriso se tornou esquelético à luz esverdeada. --– Má sorte para vocês, filhotes de deuses.---- O fundo do nosso barco deslizou sobre a areia preta. Os mortos começaram a desembarcar. Uma mulher segurando a mão de uma menininha. Um casal de idosos capengando lentamente, de braços dados. Um menino que não era mais velho que eu arrastava os pés em silêncio em seu manto cinzento. Caronte disse:
–--– Eu lhe desejaria sorte, parceiro, mas isso não existe por aqui. Lembre-se, não deixe de mencionar meu aumento de salário. ---- Ele contou nossas moedas de ouro, e colocou em sua bolsa, depois a vara. Gorjeou algo que parecia uma canção de Barry Manilow enquanto empurrava a barcaça de volta através do rio.
Seguimos os espíritos por um caminho já muito percorrido. Não sei muito bem o que estava esperando, por que apesar de já ter vindo ao Submundo eu não tinha passado por aqui – os Portões do Céu, uma ponte levadiça grande e escura ou coisa assim. Mas a entrada para o Mundo Inferior parecia uma mistura de segurança de aeroporto com a autoestrada de New Jersey. Havia três entradas separadas embaixo de um enorme arco negro que dizia VOCÊ ESTÁ ENTRANDO EM ÉREBO. Em cada entrada havia um detector de metais com câmeras de segurança instaladas no alto. Depois disso, havia cabines de pedágio operadas por espíritos como Caronte. Os uivos de animal faminto eram agora muito altos, mas eu não conseguia ver de onde vinham. O cão de três cabeças, Cérbero, que deveria guardar a porta do Hades, não estava em lugar nenhum. Os mortos formaram três filas, duas identificadas como ATENDENTE DE SERVIÇO e uma como MORTE ESPRESSA. A fila MORTE EXPRESSA estava avançando sem parar. As outras duas se arrastavam.
–--– O que você imagina? – Perguntou Clarisse pra mim.
–-– A fila rápida deve ir diretamente para os Campos Asfódelos –-- disse eu. --– Sem contestação. Eles não querem se arriscar ao julgamento do tribunal, porque pode ir contra eles.
–---– Existe um tribunal para gente morta? ---Perguntou Luana.
–-– Sim. Três juízes. Eles se revezam na magistratura. O rei Minos, Thomas Jefferson, Shakespeare... pessoas assim. Às vezes olham para uma vida e concluem que aquela pessoa precisa de uma recompensa especial: os Campos Elísios. Às vezes decidem por um castigo. Mas a maioria das pessoas, bem, elas apenas viveram. Nada de especial, nem bom nem mau. Então vão para os Campos Asfódelos.
–-– E fazem o quê? ---perguntou Clarisse.
– Imagine-se em um campo de trigo no Kansas. Para sempre. ---disse eu. ----e mais o menos isso.
–-- Dureza. – disse Clarisse.
–----Clarisse, você vive no nosso mundo?
–----vivo, mas não sou Nerd como você. ---debochou ela.
–--– Não tanto quanto aquilo, aquilo sim e Dureza –--- Murmurei. –--- Olhe. ----Uma dupla de vultos de mantos negros havia puxado um espírito para o lado e o estava revistando junto à mesa da segurança. O rosto do morto parecia vagamente familiar.
–--– Ele é o pregador que saiu no noticiário, Não e mesmo, Percy? – perguntou Grover.
–--- Ah, sim –--- eu lembrava. Nós o tínhamos visto na tevê uma semana atrás quando Grover foi me visitar no Olimpo. Era um tele-evangelista chato do norte do estado de Nova York que arrecadara milhões de dólares para orfanatos e depois foi pego gastando o dinheiro em artigos para a sua mansão, como assentos de privada folheados a ouro e um campo de minigolfe. Morrera numa perseguição da polícia quando seu "Lamborghini abençoado" despencou de um penhasco.
–-- O que estão fazendo com ele? –--- perguntou Luana.
–-– O castigo especial de Hades ---– disse eu. – As pessoas realmente más recebem atenção particular dele quando chegam. As Fúr... as Benevolentes vão preparar uma tortura para ele.
–---– Mas se ele é um pregador –-- falou Clarisse –-- e acredita em um inferno diferente... ---- encolhi os ombros.
–---– Quem disse que ele está vendo este lugar do mesmo modo que nós? Os seres humanos veem o que querem ver. Nós em geral, somos muito teimosos... ahn, persistentes, nisso. ---- Chegamos mais perto dos portões. Os uivos ali eram tão altos que sacudiam o chão embaixo de meus pés, mas ainda assim eu não conseguia perceber de onde vinham. Então, cerca de quinze metros à nossa frente, a névoa verde tremulou. Exatamente no lugar onde o caminho se dividia em três estava um monstro enorme e indistinto. Eu não o tinha visto antes porque ele era meio transparente, como os mortos. Até se mexer, sua imagem se fundia com o quer que estivesse atrás dele. Somente os olhos e os dentes pareciam sólidos. Ele estava me encarando. Meu queixo caiu. Tudo o que pude pensar em dizer foi. ----- É um Rottweiler.
Sempre imaginara Cérbero como um grande mastim preto. Mas ele era obviamente um Rottweiler de raça pura, a não ser, é claro, por ter duas vezes o tamanho de um mamute, ser quase invisível e ter três cabeças, devia ter uns 5 metros de altura, e umas 10 toneladas. Os mortos andavam na direção dele – sem nenhum medo. As filas das placas ATENDENTE EM SERVIÇO se separavam, cada uma para um lado do monstro. Os espíritos de MORTE EXPRESSA caminhavam direto por entre as patas da frente e por baixo da barriga, o que podiam fazer sem sequer se abaixar.
–--- Estou começando a vê-lo melhor –-- murmurou Clarisse. --– Por que será?
–-- Acho... – eu umedeci os lábios. – Sinto muito, mas acho que é porque estamos mais perto de sermos pessoas mortas. --- A cabeça do meio do cão se esticou em nossa direção. Ele farejou o ar e rosnou.–--- Ele consegue farejar os vivos – Lembrei-me.
–--- Mas está tudo bem – disse Grover, trêmulo ao meu lado. ---- Porque temos um plano.
–--- Certo –--- disse eu. –--- Um plano. --- Avançamos na direção do monstro. A cabeça do meio rosnou para nós, depois latiu tão alto que minhas pupilas chacoalharam.
–--– Você consegue entender? –--- perguntei a Grover.
–--– Ah, sim –--- disse ele. ---– Eu consigo entender.
–---– O que ele está dizendo? ----perguntei.
–---– Não acredito que os seres humanos possuam um palavrão tão grande assim. Peguei um pedaço de madeira que tinha na mochila – um pé de cama que eu tinha arrancado de um modelo em exposição de Crosta, a Safári Deluxe. Segurei-o no alto e tentei canalizar pensamentos caninos felizes para o Cérbero – comerciais de ração, cães engraçadinhos, postes. Tentei sorrir, como se não estivesse prestes a morrer.
–--– Ei, garotão –--- gritei. ----– Aposto que eles não brincam muito com você aqui.
"GRRRRRRRRRAUl"
–---– Bom menino ----– falei, fraquejando. Acenei o bastão. A cabeça do meio do cão acompanhou o movimento. As outras duas fixaram os olhos em mim, ignorando completamente os espíritos. Eu tinha toda a atenção de Cérbero. Não sabia muito bem se isso era bom. ---– Vá buscar! –---- atirei o bastão para as sombras, um lançamento perfeito. Ouvi o tibum! no Estige. Cérbero me olhou, feroz, nada impressionado. Os olhos eram cheios de ódio e frios. Fim do plano. O monstro agora produzia um novo tipo de rosnado, mais profundo nas suas três gargantas.
–--- Ahn ---– disse Grover. ---– Percy?
–--– Sim?
–----– Apenas achei que você gostaria de saber.
–---– Sim?
–---– Cérbero... Ele está dizendo que temos dez segundo rezar para o deus que escolhermos. Depois disso... bem... ele está com fome.
–-–Espere! –-- disse eu. ----burrice. ----Eu tinha a benção de Afrodite, ou seja, o charme na voz.
–--– Cinco segundos – disse Grover. – Corremos agora?
–---Cérbero, Senta. ---Ele me olhou abobado, quase aceitando o comando. ----Senta, agora. ----Disse mais firmemente. Ele me obedeceu. Esmagou umas 20 pessoas com seu traseiro, imenso. ---- Bom menino. ----Concentrei-me em fazer 3 biscoitos caninos gigantes. Taquei os biscoitos, uma pra cada cabeça. ----Agora vocês passem. ---ordenei os outros.
–--Mas.. ----começou Clarisse.
–---Vão, agora. Confie em mim, vão pela Fila da MORTE EXPRESSA, ela anda mais rápido que as outras. ----disse me virando e sorrindo confiantemente para os 3, eles assentiram e começaram a passar para a fila, o Cérbero quis rosnar para eles. Mas eu tomei a frente. ----Ei menino. Seja bonzinho que dou outro biscoitão. ----Ela abanou o rabo feito um cachorrinho comum, fui caminhando até ele, eu entendia um pouco de cães apesar de nunca ter tido nenhum, minha mãe não gosta muito deles, comecei a fazer carinho na cabeça do meio, que era quase do meu tamanho, as outras começaram a brigar por atenção. ----EI EI, sem briga. ---eles pararam eu dava pancadas, tapas, e eles nem sentiam, acho que para eles eram como uma massagem. ----bom, menino.
–---Percy, vem logo. ----disse Luana preocupada, eles estavam parados perto do detector de metais.
–---Até mais amigão, talvez um dia eu volte. ----disse fazendo carinho nas cabeças, ele choramingou como um cãozinho que fica sem o brinquedo ou perde o novo amigo. ----Fica triste não, olha vocês vão ganhar mais biscoitão. -----me concentrei e fiz mais 3 biscoitos, só que um pouco maiores. Joguei pra eles e passei indo de encontro para com os meus amigos.
–---UAU, como você fez isso Percy? ---Perguntou Clarisse impressionada.
–---Charme. ---disse, eles me olharam confusos. ---Alguns filhos de Afrodite assim como ela tem o charme, ela faz com que os outro façam o que elas querem apenas com comando de voz, e bem eu tenho a benção dela. Mas aquele Cérbero estava carente, foi fácil. ----Escutei o rosnado do Cérbero do outro lado. ----ou não. ---disse dando de ombros.
–---Muito legal. ---disse Clarisse.
–----Vai me dizer que usou isso para me conquistar? ---perguntou Luana.
–---Não amor, eu que sou lindo demais, todas se apaixonam por mim.. AI brincadeirinha. ----Disse rindo.
–---Exibido. ---Disse Grover.
–---Chega de brincadeiras. Vamos prosseguir. ----disse eu. Imagine a maior aglomeração de gente que você já viu em um show, um campo de futebol lotado com um milhão de fãs. Agora imagine um campo um milhão de vezes maior do que esse, lotado, e imagine que a energia elétrica falhou e não há barulho, não há luz, nem aquelas bolas gigantes quicando por cima da multidão. Algo de trágico aconteceu nos bastidores. Uma massa sussurrante de gente fica simplesmente vagando nas sombras sem direção, esperando um show que nunca vai começar. Se é capaz de imaginar isso, tem uma boa ideia de como são os Campos de Asfódelos. A grama preta tinha sido pisoteada por eras de pés mortos. Um vento morno e úmido soprava como o hálito de um pântano. Árvores negras que eram choupos cresciam em grupos aqui e ali. O teto da caverna era tão alto acima de nós que poderia passar por uma massa de nuvens de tempestade, a não ser pelas estalactites, que brilhavam em um cinza pálido e pareciam malvadamente pontudas. Tentei não imaginar que poderiam cair sobre nós a qualquer momento, mas havia várias delas salpicadas ao redor, que caíram e empalaram a si mesmas na grama preta.
Acho que os mortos não precisavam se preocupar com pequenos riscos como ser espetados por estalactites do tamanho de foguetes. Clarisse, Luana, Grover e eu tentamos nos misturar com a multidão permanecendo de olho nos espíritos da segurança. Não pude deixar de procurar rostos familiares entre os espíritos de Asfódelos, mas as pessoas que eu conheci na minha vida estavam vivas ainda, e minha mãe, mas esta nos Elíseos, mas é difícil olhar para os mortos. Seus rostos tremulam. Todos parecem ligeiramente zangados ou confusos. Eles até nos veem e falam, mas a voz soa como trepidações, como o chiado de morcegos. Depois que eles percebem que você não consegue entendê-los, fecham a cara e se afastam. Os mortos não são assustadores. São apenas tristes. Arrastamo-nos, seguindo a fila de recém-chegados que serpenteava desde os portões principais em direção a uma grande tenda, negra com uma faixa que dizia: JULGAMENTOS PARA O ELÍSIO E PARA A DANAÇÃO ETERNA Bem-vindos, Recém-Falecidos! Do fundo da tenda saíam duas filas muito menores. À esquerda, espíritos flanqueados por espíritos maligno de segurança marchavam por um caminho pedregoso rumo aos Campos de Punição, que incandesciam e fumegavam a distância, uma vastidão desértica e rachada com rios de lava e campos minados, e quilômetros de arame farpado separando as diferentes áreas de tortura. Mesmo de longe, pude ver pessoas sendo perseguidas por cães infernais, queimadas na fogueira, forçadas a correr nuas por plantações de cactos ou ouvir música de ópera. Pude apenas distinguir uma colina minúscula com o vulto do tamanho de uma formiga de Sísifo lutando para empurrar sua pedra até o topo. E vi também torturas piores, coisas que nem quero descrever, mas já a muito senti na pele. A fila que vinha do lado direito do pavilhão dos julgamentos era muito melhor. Dava num pequeno vale cercado de muros, uma comunidade com portões, que parecia ser a única parte feliz do Mundo Inferior. Além do portão de segurança havia belas casas de todos os períodos da história, vilas romanas, castelos medievais e mansões vitorianas. Flores de prata e ouro floresciam nos campos. A grama ondulava nas cores do arco-íris. Dava para ouvir os risos e sentir o cheiro de churrasco. Elísio, espero que minha mãe esteja feliz ali. No meio daquele vale havia um brilhante lago azul, com três pequenas ilhas como um hotel de lazer nas Bahamas. As Ilhas dos Abençoados, para pessoas que escolheram renascer três vezes, e três vezes conquistaram o Elísio.
–--– É isso mesmo – disse á Luana como se estivesse lendo seus pensamentos. ---– Este é o lugar para onde os heróis vão. Mas percebi como havia poucas pessoas no Elísio, como era minúsculo em comparação com os Campos de Asfódelos ou até os Campos da Punição. Portanto, poucas pessoas se davam bem em suas vidas. E eu com o meu passado dificilmente iria para um lugar como aquele. Deixamos o pavilhão dos julgamentos e nos aprofundamos mais nos Campos de Asfódelos, ficou mais escuro, as cores se esvaíram das nossas roupas. As multidões de espíritos tagarelas começaram a rarear. Depois de alguns quilômetros de caminhada, passamos a ouvir guinchos familiares à distância. Agigantando-se longe estava um palácio de obsidiana negra, brilhante o palácio do meu tio. Acima dos baluartes rodopiavam três criaturas escuras semelhantes a morcegos: as Fúrias. Tive a sensação de que nos aguardavam.
–-– Talvez seja tarde demais para voltar atrás – disse Grover com tristeza.
–--– Vai dar tudo certo. ---– Tentei parecer confiante.
–--– Talvez devêssemos procurar em alguns dos outros lugares primeiro – sugeriu Grover. ---– Como o EIísio, por exemplo...
–---– Venha, menino-bode. –--- Clari agarrou-lhe o braço. As Fúrias rodeavam os baluartes, lá no alto, nas trevas. As muralhas externas da fortaleza brilhavam em negro e os portões de bronze com dois andares de altura estavam escancarados. De perto, vi que as gravações nos portões eram cenas de morte. Algumas de tempos modernos, uma bomba atômica explodindo sobre uma cidade, uma trincheira cheia de soldados usando máscaras de gás, uma fila de africanos vítimas da fome aguardando com tigelas vazias, mas todas pareciam ter sido gravadas no bronze havia milhares de anos. Fiquei pensando se estava olhando para profecias que se tornaram realidade.
Dentro do pátio havia o jardim mais estranho que já vi. Cogumelos multicoloridos, arbustos venenosos e plantas luminosas fantasmagóricas cresciam sem a luz do sol. Gemas preciosas supriam a falta de flores, pilhas de rubis grandes como meu punho, aglomerados de diamantes brutos. Aqui e ali, como convidados de uma festa que foram congelados, havia estátuas de jardim da Medusa, crianças, sátiros e centauros petrificados, todos sorrindo grotescamente. No centro do jardim havia um pomar de romãzeiras, suas flores alaranjadas brilhando como néon no escuro.
–---– O jardim de Perséfone – disse eu. –-- Continue andando. O cheiro ácido daquelas romãs era quase irresistível. Tive um súbito desejo de comê-las, mas então me lembrei da história de Perséfone. Uma mordida de um alimento do Mundo Inferior e nunca mais poderíamos sair. Puxei Grover para longe, para impedi-lo de colher uma delas, grande e suculenta. Subimos os degraus do palácio, entre colunas negras, passando por um pórtico de mármore negro, para dentro da casa de Hades. O vestíbulo tinha um piso de bronze polido que parecia ferver à luz refletida das tochas. Não havia teto, apenas o teto da caverna muito acima. Acho que eles nunca precisaram se preocupar com chuva aqui embaixo. Todas as portas laterais eram guardadas por um esqueleto com trajes militares. Alguns usavam armaduras gregas, outros, uniformes ingleses de casacas vermelhas, e havia ainda os que vestiam roupas camufladas com bandeiras americanas esfarrapadas nos ombros. Carregavam lanças, mosquetes ou fuzis. Nenhum deles nos incomodou, mas suas órbitas ocas nos seguiram enquanto andávamos pelo vestíbulo em direção ao grande conjunto de portas no extremo oposto. Dois esqueletos de fuzileiros navais americanos guardavam as portas. Eles sorriram para nós, com lançadores de granadas atravessadas no peito.
–--– Sabem de uma coisa –-- murmurou Grover –--- aposto que Hades não tem problemas para despachar vendedores de porta a porta.
–---– Bem, gente –--- disse. –--- Acho que devemos... bater? ----Um vento quente soprou pelo corredor e as portas se abriram. Os guardas deram um passo para o lado.
–--– Acho que isso significa entrez-vous – disse Luana com a voz falhando. Entramos porta adentro, e encontramos Hades, ele estava com a mesma aparência do dia em que o conheci, 1.83 de altura, era muito branco, seus cabelos negros preto-azeviche e cumpridos até os ombros, sua expressão era vazia que demonstrava ele sendo um cara solitário. Ele era musculoso, mais o menos igual a Zeus, na verdade eles se pareciam bastante e usava mantos de seda preta e uma coroa de ouro trançado. Mas hoje ele irradiava força. Reclinava-se em seu trono de ossos humanos fundidos parecendo flexível, elegante e perigoso como uma pantera. O Senhor dos Mortos lembrava retratos que eu tinha visto de Adolf Hitler, ou Napoleão, ou dos líderes terroristas que controlam os homens-bomba. Hades tinha o mesmo olhar intenso, o mesmo tipo de carisma hipnotizador e maligno.
POV: 3 Pessoa.
–---Olá tio. ---Disse Percy curvando-se.
–---Não precisa fazer isso ladrão. ---disse ele irritado.
–---Eu não roubei nada. ----defendeu-se Percy calmamente.
–----Como ousa ----disse ele calmamente. ----vir aqui em baixo, e me confrontar, me chantagear em nome do cabeça de pônei do seu pai, depois de ter roubado meu Elmo das trevas. ----Gritou ele a ultima frase, fazendo o chão inteiro tremer, tenho certeza que a cidade lá em cima sentiu o tremor.
–----Eu não roubei nada, e já disse ao senhor que não vou apoiar guerra nenhuma entre olimpianos.
–---MENTIROSO. ----Gritou ele eufórico. Os esqueletos ficaram mais agitados a nossa volta.
–---Senhor Hades, por que não informou ao Olimpo que também foi roubado? ---Perguntou Luana calmamente.
–---- Não falei nada do desaparecimento do elmo – rosnou Hades – porque não tenho ilusões de que alguém no Olimpo me faça justiça, que me dê alguma ajuda. Não posso permitir que vaze a notícia de que minha arma mais poderosa está desaparecida. Portanto procurei por você eu mesmo, e quando ficou claro que você vinha a mim para fazer sua ameaça, não tentei detê-lo.
–----Eu já disse que não apoio guerra entre os Olimpianos. ----rosnei.
–---Não se finja de inocente. ----disse Hades, A fúria do Percy aumentava dentro dele. ----Seu MENTIROSO, HIPÓCLITA.
–----Eu não roubei nada ----Rosnei. ----Se eu fosse mesmo querer ver vocês se destruírem, por que salvaria vocês do Kraken. ---Escutei meus amigos arfarem. ---Por que passei 20 anos sofrendo torturas inimagináveis por vocês. Em seu velho idiota, me responda? ----ele já não se controlava, seu corpo irradiava força, ele sentia a eletricidade crepitando a sua volta, sua mão estava pegando fogo, a terra começou a tremer, seu corpo começou a sair do chão, ele criou água do nada, fazendo lanças de gelo e eletricidade. Hades estava de olhos arregalados, e sentou novamente, pois as lufadas de ventos que estavam saindo, o empurrava de volta para o trono.
–---Percy, acalme-se. Amor por favor. ---Disse Luana, tentando acalmar o namorado.
–---ME RESPONDA! ----Gritou Percy. Hades se levantou e falou.
–---Você acha que vai me assustar! ---- Disse Hades com desdém. ---Ladrão .... ----Hades não conseguiu continuar a frase, em um milésimo de segundo, Percy Voou pra cima do Tio, que pego de surpresa não teve tempo para se defender do ataque repentino do sobrinho, com o primeiro soco que recebeu Hades voou em seu trono o destruindo, Percy Lançou as lanças em Hades o empalando no chão, o grito do senhor dos mortos foi ouvido por todo o submundo, Percy correu pra cima do tio e começou socar seu tio, com todas as forças, Icor manchava a camisa do semideus que continuava socando incansavelmente, logo Hades já estava inconsciente, Clarisse pulou no amigo, tentando o segurar, ela pulou e o abraçou, não se importando com as queimaduras que ela ficaria, por abraçar Percy em chamas. Mas Percy era muito forte e logo escapou do aperto de Clarisse, que saiu voando pela sala, chocando-se com a parede, Percy foi correndo em direção a amiga, seco pela fúria homicida, ele pegou a Clarisse pela gola da camisa, e ergueu o braço para dar o golpe de misericórdia...
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