Notas iniciais
Tá ai galera.

POV: Perseus Heitor Jackson.

Depois de despachar o Charles para enfermaria, para os cuidados dos filhos de Apolo e Asclépio, acho que exagerei, em especial com a força que usei no golpe, provavelmente ele não acordaria mais hoje, o que até foi bom, dessa forma ele não precisa ver a Chiara dando as chicotadas nas costas da sua namorada, por mais que ela merecesse, imagino como deve ser difícil ver quem se ama apanhando, eu ainda nem amava Ligea, e fiquei louco de raiva de vê-la ferida na luta com Nereu. De toda forma as coisas iriam esquentar muito essa noite, Emuna já havia me avisado que tinha capturado o tal do Will Solace e o feito tomar a poção, e ele também confessou ser um espião, mas ele não sabia de muito mais do que a traidora, na verdade, ele era até mais inútil que ela, nem sabia se havia mais espiões, ele nem sabia que a própria filha de Afrodite era uma espiã, mandei que Emuna o mantivesse bem preso, ela confiscou o mesmo aparelho de comunicação com o outro traidor, que era idêntico ao que eu mandei Drew trazer pra mim. Normalmente o conselheiro do chalé é eleito por seus próprios irmãos, e eu quero manter a tradição e não interferir muito nesse processo, mas com a saída da traidora, eu acho que Drew vai ser escolhida para ser a nova conselheira do chalé, e se depende-se de mim, eu também a escolheria, afinal de contas, ela é a mais poderosa filha de Afrodite e a segunda campista mais antiga do chalé de Afrodite, bem já que ou a traidora morre ou é exilada do acampamento, atualmente Drew é a campista mais velha também.

Agora eu tinha que resolver mais uma coisa, o problema da Sra. O'Leary, por mais que Quintus tenha traído o acampamento e a Quíron, eu não podia descontar os erros de seu dono na cadela infernal, ela se mostrou extremamente dócil comigo e com Tyson naquele dia, e por mais que ela seja um monstro, ela ficou inofensiva aqui no acampamento, talvez porque Quintus podia controlar ela, mas ela não fez nada de errado para que eu a destruísse e mandasse para o Tártaro. Talvez ela desapareça nas sombras, indo atrás do seu dono em algum lugar, quando Quintus precisar de ajuda ou provavelmente juntando-se ao exército de Cronos, que um dia, poderia atacar ao Olimpo, o acampamento e aos meus amigos. Ou ainda, o que eu faria com ela exatamente? Prenderia em uma jaula no QG? Ou tentaria domesticar ela, como estou fazendo com a Joia, embora, a joia seja apenas um filhote, ela não aprendeu a temer e odiar os semideuses ainda, ela ainda não consegue decifrar o que é amigo e inimigo, por isso é fácil cuidar dela, domestica-la, já a Sra. O’Leary era um monstro antigo, o maior e mais poderoso cão infernal que já vi, deve ter milhões de anos de vida, enfrentou muitas batalhas contra semideuses, outros monstros e mais uma infinidade de coisas que nem posso imaginar, ela sabe o que é amigo e inimigo, muito embora, um dia ela serviu a Quintus, ele de alguma forma conseguiu domesticar um cão infernal, e pôr mais velho que Quintus seja, ele não chega nem perto da idade da Sra. O’Leary, então, ele a domesticou depois de adulta, o que era incrível, tinha de que admitir, seria incrível se eu pudesse fazer o mesmo.

Um cão infernal do tamanho dela é praticamente uma máquina de guerra poderosa, ela poderia ajudar-me muito em combate, seria uma incrível força extra de combate pro Acampamento Meio-Sangue. Eram tantos e se, que me deixavam irritado. Com a minha cabeça pensando longe, fui andando pelo Acampamento, um ou outro campista me cumprimentava pelo meu caminho, mas ninguém veio me atrapalhar ainda mais. Fui entrando pela arena de combate, lugar em que a Sra. O’Leary sempre ficava. Na mosca, a Sra. O'Leary estava enrolada como um enorme monte preto e peludo no meio do estádio, ela parecia bem mais um mamute sentado de costas, do que um cachorro. Fui me aproximando dela devagar, mais achei melhor fazer algum barulho para não a surpreender, ela estava lá, tranquila, mascando a cabeça de um boneco guerreiro e eu não queria que a minha cabeça fosse a próxima que ela mascava tão alegremente. Quando ela me ouviu, virou-se rapidamente na minha direção, latiu alto e veio saltando na minha direção, por um breve momento achei que fosse virar refeição, mas felizmente, eu estava certo, ela gostava de mim, pelo menos o suficiente para não me ver como seu lanchinho.

—--Eii... calma lá garota. ---Foi a única coisa que tive tempo pra dizer, antes que ela me fizesse rolar e começasse a lamber minha cara, muito feliz que eu tivesse vindo. Normalmente, sendo filho de Poseidon e tal, só fico molhado quando quero, aparentemente meus poderes se estendem a saliva de cachorro, e dessa vez, eu não levei um belo de um banho de babá como antes, afinal de contas, agora eu estava com as minhas energias altas. ---EI, GAROTA! ---Gritei, tentando tira-la de cima de mim. ---Devagar, assim não consigo respirar! Saia de cima! ---Com delicadeza, para não a irritar demais, eu até podia usar toda a minha força e tira-la na marra, mas isso era cruel, e eu gostava de cachorros, até mesmo os do tamanho de um mamute adulto, que poderiam me engolir sem nem ao menos me mastigar. Pensar, mesmo que momentaneamente em entrar uma terceira vez dentro de um monstro, me fez querer vomitar meu café da manhã e o lanche que comi no meu almoço. Em algum momento consegui tirá-la de cima de mim, cocei suas orelhas, dei tapas na lateral do seu corpo, mas aposto que ela mau sentiu com toda aquela força e músculos dela. Com o canto dos olhos, achei um enorme, gigantesco biscoito, ele era quase do tamanho de uma tampa de mesa, poderíamos chamar isso de biscoito canino extra gigante, enquanto a via mastigar seu enorme biscoito, que em poucas mordidas, desapareceu, eu fazia carinhos em sua pelagem fofa.

—--Onde está seu dono? ---Perguntei a ela. ---Como ele pôde simplesmente te deixar aqui, hum? ---Ela choramingou como se quisesse saber disso também, eu estava pronto para acreditar que Quintus era um inimigo, um espião e traidor como os outros traidores, afinal de contas ele desapareceu do acampamento sem mais nem menos, mas ainda não conseguia entender porque ele deixou a Sra. O'Leary para trás, se havia alguma coisa que eu tinha certeza sobre ele, era que ele realmente se importava com o seu megacão. Balancei a cabeça afastando aqueles pensamentos, precisava tirar a Sra. O’Leary do acampamento e coloca-la em um lugar de segurança. ---Então, minha garotona, vamos comigo encontrar o Tyson? ---Ao ouvir o nome dele, a enorme cão infernal ficou ainda mais excitada, levantando-se rapidamente e latindo ainda mais alto que antes, fazendo meus ouvidos doerem. ---Aposto que o Tyson vai ficar animado da mesma forma que você.

Concentrei-me em teletransportar de volta ao QG, levando comigo a Sra. O’Leary, Tyson ficou extremamente feliz em ver a cadela gigantesca e ela ficou duas vezes mais feliz em ver o Tyson, dessa forma, deixei que o Tyson desse uma pausa no nosso projeto nas forjas, para poder brincar com a cadela infernal, os mandei para a área de treinamento, onde haviam mágicas de proteção e barreira que Emuna conjurou, além é claro de ter um material mais resistente, como Oricalco, para evitar que o treinamento dali danificasse outras áreas do QG. O que muito em breve seria ótimo, já que teria que voltar a treinar muito e com força total, para meu embate daqui a 7 dias contra Héracles.

Depois disso, fui até onde Emuna estava com o semideus traidor, em um dos cômodos que destinávamos para manter algumas celas, praticamente um pequeno presidio, talvez poderíamos manter umas cinquenta pessoas presas, até com um pouco de conforto, todas com cama, banheiro e tal, por uma cela de 3 por 3. Entrei porta adentro e avistei Emuna bancando a carcereira, mas ela não estava sozinha, estava conversando com a Laila, ela era uma mulher linda, por volta dos 26 anos de idade, tinha por volta do 1,70cm de altura, seus cabelos pretos e longos, olhos totalmente vermelhos como chamas, sua pele era branca como leite, corpo perfeito, seios grandes, cintura fina, coxas e bunda enormes, calça jeans escura, ela estava vestindo uma blusa fina amarela, calça jeans escura e tênis preto de corrida. Ficava espantando em saber que verdadeiros monstros, como Laila e Emuna eram mulheres tão lindas, deixariam qualquer homem louco de paixão.

—--"Está fantasiando com a Laila e comigo, Percy?” ---Perguntou Emuna em minha mente, ela parecia brava.

—--“Não... claro que não, estava apenas observando a beleza de vocês duas...” ---Respondi mentalmente, de forma atrapalhada, o que fez Emuna rir, então notei que Emuna estava apenas caçoando de mim. ---Laila, se senti melhor? ---Perguntei em voz alta, chamando atenção de Laila pra mim.

—--Muito melhor, Percy. ---Respondeu ela sorrindo. Ela parecia muito mais confortável de estar perto de mim, até começou a chamar-me pelo nome. ---Já estou pronta pra servi-lo.

—--Obrigado, deixarei isso em mente. ---Prometi pra ela, meio sem jeito. ---Mas por enquanto, não preciso de nada, pode ficar descansada. ---Então lembrei-me da última conversa que tivemos, que ela pediu permissão para colocar o meu nome em seu filho e caso fosse menina, colocaria o nome de Emuna. Podia sentir na mente de Emuna que Laila ainda não tinha pedido, mas assim que li isso, Emuna também percebeu que eu li algo na sua mente, também senti que Emuna ficou curiosa, tentando roubar a informação da minha mente. Mas se tivesse bem concentrado, eu podia manter ela longe, escondendo a informação da minha última conversa com a Laila, não queria tirar a surpresa de Emuna, mas isso a fez ficar levemente irritada comigo.

—--O que vocês estão escondendo de mim? ---Perguntou Emuna curiosa.

—--Como assim escondendo? ---Perguntou Laila confusa.

—--Eu e a Emuna também temos uma ligação, magia de amor das Súcubos, uma espécie de contrato nupcial mágico. ---Expliquei para Laila. ---Ela fez enquanto eu estava desmaiado.

—--Que romântico. ---Disse Laila sorrindo.

—--Nem tanto assim, embora ela tenha salvo minha vida aquele dia, e em vários outros dias. ---Disse rindo. ---Em todo caso, Emuna sempre está em minha mente, como eu com ela e ela está tentando descobrir sobre a nossa última conversa, mas eu a expulsei e não a deixei ver.

—--Sim, ele está sendo muito maldoso. ---Reclamou Emuna fazendo bico. O que fez Laila rir levemente.

—--Acho melhor você pedir logo. ---Disse para Laila, podia sentir Emuna tentando descobrir. ---Não vou poder manter Emuna longe muito tempo.

---Muito bem. ---Disse Laila voltando sua atenção para Emuna. Que finalmente parou de tentar invadir minha mente. ---Hoje pela manhã, Percy visitou-me na enfermaria, conversamos bastante, ele foi muito verdadeiro comigo, muito legal, dessa forma, eu pedi permissão para fazer uma pequena homenagem a ele, caso o meu bebê. ---Disse ela colocando a mão em sua barriga, que na verdade não estava nem um pouco grande. Acho que ainda é começo de gestação. ---Fosse um garoto, eu colocaria o nome de Perseus ou Heitor. ---Disse ela sorrindo pra mim, o que me deixou mais feliz em ouvir novamente. ---Mas caso for uma garota, eu queria pedir permissão para ser Emuna.

—--Sim, sim, ficaria muito feliz, muito honrada. ---Disse Emuna sorrindo largamente. ---Tomara que seja uma linda garotinha.

—--Eu estou torcendo por um garoto. ---Disse sorrindo, entrando na brincadeira. ---Mas estou curioso, por quanto tempo ficará grávida? ---Perguntei curioso, eu sabia que no reino animal, a Salamandra Alpina ("Salamandra atra"), anfíbio que vive no Alpes Suíços, precisa de cerca de 38 meses para que seus filhotes se desenvolvam completamente, ou seja, sua gestação de três anos e dois meses é superior à da elefanta asiática, de 22 meses, comumente citada como a espécie com a maior gestação do mundo animal.

—--Cerca de 3 anos ainda. ---Disse Laila sorrindo. Então é quase o mesmo tempo que a Salamandra, que incrível.

—--Os Gênios como Laila, tem um período de gestação de 48 a 50 meses. ---Completou Emuna, me surpreendendo ainda mais. Nossa, que demora, ela supera de longe a salamandra. ---Laila só vai apresentar o desenvolvimento corporal no último ano da gestação. ---Aquilo me deixou um pouco triste, muito provavelmente não terei tempo de ver o bebê de Laila, afinal de contas, a grande profecia se concretizaria muito antes do fim da gestação. Senti um toque quente em meu rosto, Emuna sorria docemente, enquanto acariciava meu rosto. ---Não pense assim, você vai estar sim aqui, vamos cuidar muito bem da pequena Emuna. ---Eu forcei um sorriso pra ela.

—--Ou do que pequeno Perseus. ---Disse piscando pra ela, sorrindo firmemente, afastando aqueles pensamentos tristes de profecias de morte e o que mais for que estrague meu dia.

—--Falando nisso. ---Disse Emuna seriamente. ---Precisamos cuidar muito bem da Laila e da pequena Emuna. ---Ela piscou em desafio, o que me fez sorrir. ---Ainda mais depois daquele terrível ferimento dela, acho que seria uma boa Emuna se alimentar de energia vital, fresca, direto da fonte. ---Faz sentido, assim como nós semideuses, depois de um ferimento muito grave, quando somos levados ao limite, é ótimo comer um pouco de Ambrosia e beber Néctar, energia pura e divina, em todo caso, Laila é um monstro, a melhor forma pra ela se recuperar é alimentar-se de energia vital, fresca. E eu tinha muito pra dividir com ela, meus estoques de poderes são muito grandes, por causa do meu treinamento e de ser descendente de Poseidon, de toda forma, eu poderia saciar a necessidade de Laila, sem ficar esgotado.

—--Certo, pode vir, Laila, eu te dou permissão pra você comer um pouco da minha energia vital. ---Disse oferecendo pra ela, o que fez Emuna rir.

—--Não seja idiota, Percy. ---Brigou ela. ---Você precisa de toda energia que puder reter para o combate daqui 7 dias, não pode dar ao luxo de dividi-lo agora. ---Ela tinha razão, quanto mais tivesse, maiores seriam minhas chances de vencer Héracles. ---Temos o traidor pra isso. ---Disse ela apontando para as celas atrás delas. Ela tinha razão, tínhamos o traidor, eu poderia usar sua energia divina para alimentar Laila. ---Podemos fazer Laila se alimentar muito, e ainda o deixaremos vivos para você dar a sua lição no acampamento. ---Eu sabia que Emuna notou minha ideia, ela sempre pode ler meus pensamentos no fim das contas, era difícil mantê-la longe, tinha que me controlar e focar bastante. Em todo caso, eu queria dar um susto no restante do acampamento, fazer os traidores fugirem assustados, quando eu executasse o plano de hoje à noite, que era basicamente eu executar o traidor, logo depois do jantar, antes da cerimônia do Anfiteatro, depois de mata-lo, iria revelar o meu plano de fazer todos os campistas beberem a poção da verdade, os traidores assustados fugiriam, dessa forma, eu sabia que podia poupar alguma vidas, não precisaria executar todos os traidores, quantos mais traidores Cronos tem no acampamento? Mais cinco semideuses? Mais dez? o fato é que eu não fazia ideia, e eu realmente não queria matar todos. Então eu pensei nessa ideia, executar o traidor cruelmente, dessa forma eu não precisaria matar todos os outros traidores. Talvez eu esteja mesmo sendo um pouco ingênuo, pois estaria correndo o risco de deixar esses que escapassem prejudicar o acampamento. ---Relaxa, é um bom plano, pense positivo, acho mais provável não haver mais traidores. ---Disse Emuna sorrindo, eu podia sentir que ela estava apenas sendo gentil, ela também pensava que eu estava cometendo um erro, mas não quis comentar e também não pode me impedir de ver.

—--Tudo bem, antes de deixar você se alimentar dele, deixe-me falar com ele por um segundo. ---Pedi para Laila, que apenas assentiu positivamente ao meu pedido. Me encaminhei para uma das celas, lá estava ele, sentado e preso com algemas de bronze celestial, nas mãos e nos pés, o semideus conhecido por Will Solace, ele aparentava ter 18 anos, por volta de 1.76cm de altura, tinha uma pele clara, ele não era tão magricelo, era um pouco musculoso, ele tinha cabelos louros desgrenhados, olhos azul-claros, ele se vestia casualmente, um calção de surfista presto e a laranjada camiseta do acampamento meio-sangue, olhei melhor pra ele, seus olhos estavam em pânico, seus punhos estavam roxos dele tentar soltar-se da algema, tirando isso, ele estava perfeitamente bem. Eu sabia que ele ainda estava sofrendo a influência da poção da verdade, ele me diria a verdade. Emuna já havia perguntado tudo, infelizmente ele não tinha nenhuma informação útil do lado de Cronos, mas eu não queria saber isso, eu só queria saber qual foi motivo dele ter traído os deuses, ter traído o seu pai, ter traído os seus amigos no acampamento. ---Porque você traiu o acampamento? Porque juntou-se ao Cronos?

—--No começo foi por amor. ---Começou o traidor a falar. ---Eu amava Luke, ele era bom comigo, me tratava bem, éramos um par perfeito, ele me dava amor e carinho e nos amávamos muito. ---Por essa eu não esperava, Luke era homossexual? Eu não sabia disso, pensei que ele era hétero, por causa do beijo com Thalia, mas parece que não era. ---Quando ele se irritou com você e tentou te matar, ele teve que fugir do acampamento, mas ele não desistiu da sua vingança, contra você e contra os deuses, ele rastejou pelo submundo, pelo tártaro, até conseguir encontrar o caixão dourado, eu era sua mão no acampamento, seus olhos e ouvidos, eu também não morria de amor por Apolo, mas eu amava Luke. ---Seus olhos estavam marejados. ---ATÉ A MALDITA DA THALIA MATAR ELE. ---gritou ele irado. ---Era tão difícil ver aquela maldita no acampamento e não fazer nada, não vingar-me, não vingar meu amado Luke, mas eu continuei a servir lorde Cronos, pois eu queria ver Thalia morta, eu queria ver você morto, vocês tiraram o Luke de mim, e eu ajudarei Cronos tirar tudo de vocês...

—--Entendo seus motivos. ---Disse o interrompendo. Eu entendi seus motivos, mas não sei se podia respeita-los, ele seguiu cegamente Luke, porque disse que o amava, e vice-versa, eu tinha minhas dúvidas se Luke realmente sentia algo por ele, acho que ele simplesmente usava o rapaz, ele era corroído por seu ódio, quando se odeia tanto assim é impossível pensar em amor. De toda forma, nunca o traidor aceitaria se eu falasse que outro traidor somente o usou, eu sabia que Luke amava Thalia, ou um dia pelo menos amou, mas ele acabou sendo corroído pelo ódio e o amor deles foi apagado pela chama do ódio. ---Laila, pode vir, está na hora da sua refeição.

—--Como assim? ---Perguntou o filho de Apolo apavorado. ---Você vai deixar esse monstro me devorar? Até a minha morte?

—--Não. ---Respondi, o que fez ele sorrir brevemente, aliviado. ---Laila apenas irá devora-lo, se alimentar da sua energia vital, mas te deixará com vida. ---Nesse momento, Laila abriu a porta da jaula. O filho de Apolo olhava em pânico para Laila, apavorado. ---Eu vou te matar depois, no acampamento essa noite.

—--NÃO, SOCORRO. ---Gritou o traidor apavorado, mas eu realmente não me senti nenhum pouco mau em ver Laila roubar a energia vital daquele traidor imundo. ---SE AFASTA. ---Ele tentou desesperadamente soltar-se das algemas.

—--Laila, sem ilusões boas para ele, na verdade, sem nenhuma ilusão. ---Disse para ela, ela apenas assentiu positivamente. Laila agarrou o rosto do traidor com ambas as mãos e segurou firme, obrigando-o olhar para cima, diretamente para o rosto de Laila.

—--ME SOLTA. ---Gritou o filho de Apolo apavorado. Laila abriu sua boca, seus olhos brilhavam inteiramente vermelhos, fazendo a esclerótica desaparecer. Ele parou de tentar se debater, parou de gritar, mas sua boca continuava aberta, de repente, senti a energia fluir de dentro do seu corpo e pude ver quando uma essência amarela, brilhante como a luz do sol, começou a sair pela boca do traidor, aquilo era energia pura, era quase como uma serpente de energia pura, ela deslizou e foi direto para a boca de Laila, ela engoliu a energia e continuou puxando, engolindo a energia amarela. Era um pouco assustador de se ver, tinha que admitir. Ao decorrer dos minutos, aos poucos pude ver o rosto do traidor perder a cor, seus lábios ficarem acinzentados, literalmente pude ver seu próprio corpo ir perdendo os músculos, seu corpo pegando energia da musculatura, seus olhos ficarem mais opacos, diante meus olhos, pude ver a vida sendo roubada dele, aos poucos fortalecendo Laila.

—--Laila. ---Chamei-a meio sem jeito. ---Não esquece que preciso dele vivo e de preferência consciente. ---Lembrei-a.

—--Não se preocupe, ele ainda tem muita energia. ---Me acalmou Emuna. ---Ele ainda nem desmaiou, é um semideus poderoso também, afinal de contas é filho de Apolo. ---Lembrou-me Emuna, ela tinha razão, Apolo e seus descendentes são mesmo poderosos. Mais alguns minutos observando aquela energia amarela saindo do traidor e indo para Laila, então, Laila fechou a boca, interrompendo o fluxo de energia vital, essa escorregou lentamente de volta para dentro dele, mas esse já não estava consciente, desmaiou imediatamente com o fim da ligação, o que até foi bom, estava me irritando aquela gritaria dele de antes.

—--Delicioso. ---Murmurou Laila, ela voltou sua atenção pra mim, ela sorriu pra mim. ---Obrigado, estou muito melhor agora.

—--De nada. ---Respondi sorrindo ao seu agradecimento. ---Que bom que se senti melhor.

—--Ele é um semideus muito poderoso, tinha muita energia divina, me encheu completamente e ainda tem energia suficiente para encher outro Gênio antes de morrer. ---Explicou ela. ---Em algumas horas ele vai recobrar a consciência, no máximo 3 horas.

—--Ótimo, bem a tempo. ---Disse olhando para meu relógio/escudo, ainda eram quatro horas da tarde, embora o jantar seja servido cedo no acampamento, normalmente todos ficavam acordados até as nove horas da noite, no mínimo. ---Quando vai precisar de energia vital novamente?

—--Se não utilizar minha energia em combate, estarei com os estoques cheios por pelo menos três meses, mas suportaria um ano inteiro antes de morrer de fome. ---Me explicou Laila, isso era bom, ela suportava bastante tempo, muito mais que um semideus como eu suportaria sem comida, mortais normais suportariam 4 dias antes de ter efeitos severos de falta de força, já um semideus suportaria ao menos o triplo disso, e morreríamos ainda mais lentamente, depende muito dos estoques de energia divina. Mas apesar de tudo, se estivéssemos bem alimentados, nós mesmo produzíamos nossa energia vital, por exemplo eu, se for levado ao meu limite, a ponto de desmaiar sem energia, em dois dias no máximo estaria reabilitado, talvez menos, já Clarisse e Drew levariam uma semana no máximo para recuperar o peso perdido. ---Estou pronta para o que precisar de mim.

—--Por hora, apenas preciso que fique aqui, de olho no traidor.

—---------------------------------------- Quebra de Tempo. ---------------------------------------------------------------------------------------------

Teletransportei-me de volta ao acampamento, diretamente para a minha sala, na verdade, era a sala do Sr. D., já haviam retirado todos os seus pertences, deixando apenas uma mesa de madeira escura em forma de L, onde estava completamente vazia, não havia pego nenhuma papelada de Quíron ainda, eu estava sentado em uma confortável cadeira de couro preto, pensando na noite de hoje. Eu estava ansioso sobre o que tinha que fazer hoje, ansioso pra dizer o mínimo, na verdade, estava mais é assustado com o que tinha que fazer essa noite.

Não é a primeira vez que mato, muito menos a primeira vez que mato um semideus, um alguém como eu, já havia matado Cris Rodrigues, naquela vez no navio de cruzeiros demoníaco de Cronos, além de ter matado alguns semideuses quando eu explodi o próprio navio a um tempo atrás, por mais terrível que todas essas mortes foram, elas foram efeitos colaterais, nunca tive a verdadeira intenção de matar eles, Cris eu matei por reflexo, achando que era um monstro, os outros, foram acidentais, eu nem ao menos sabia quantos e quais foram os semideuses que morreram na explosão do princesa Andrômeda. Entretanto, dessa vez era diferente, eu olharia na cara do traidor e enfiaria Contracorrente em seu peito, veria a luz deixando seus olhos. Por mais que ele fosse um traidor, quisesse destruir a Thalia, ao meu acampamento, os deuses e a mim, eu simplesmente não podia dizer que o odiava, não a aponto de mata-lo, como fiz com Anfitrite e Tritão, Tritão eu matei no calor da batalha, Anfitrite estava cego de raiva, por sede de vingança. Eu matar o filho de Apolo essa noite é diferente, era premeditado, era até um tanto cruel, ele não poderia defender-se, acho que depois que deixei Laila o sugar, ele nem ao menos conseguiria ficar de pé, era até mesmo covardia matar alguém nesse estado.

—--Senhor diretor. ---Disse uma voz chamando minha atenção. Virei-me em direção a porta, parada abaixo da soleira da porta estava Chiara. ---O senhor tem um minuto pra conversar?

—--Sim, por favor, entre e sente-se. ---Disse forçando um sorriso, apontando para a cadeira a minha frente. Chiara sorriu brevemente e sentou-se no lugar que indiquei. ---Perdoe a falta de modos, não tenho nada pra oferecer pra você. ---Olhei para a mesa vazia, não tinha nem ao menos um café pra oferecer a ela. ---Acabei de assumir a sala, ainda não completei os preparativos, estou cheio de coisas pra fazer.

—--Não se preocupe, senhor. ---Disse Chiara sorrindo. ---Eu só queria te agradecer, por ser justo e deixar-me aplicar a punição na traidora.

—--Não precisa agradecer, tinha que tomar atitudes, já que não posso matá-la, devido a uma dívida com Afrodite.

—--Compreendo, não é bom ficar devendo coisa aos deuses. ---Disse ela seriamente. Ela parecia-me satisfeita com as medidas que tomei, embora, ela realmente quisesse a cabeça da traidora em uma bandeja. ---Eu não gosto de comentar, mas na verdade eu sou Brasileira, minha mãe conheceu meu pai aqui, em uma viagem dele, mas vivi meus primeiros anos de vida no brasil.

—--E que mal há em ser brasileiro? ---Perguntei confuso, não via razões para se envergonhar disso, muito pelo contrário na verdade.

—--É que não somos bem vistos pelos americanos. ---Disse ela tristemente.

—--Compreendo. ---Eu entendia isso, o Brasil apesar de ser a terra mais abundante em riquezas naturais do mundo todo, ter um os povos mais mistos e bondosos de todo planeta é um lugar que foi muito usurpado e criou má fama devido a muitos fatores. ---Mas quer saber de uma coisa, o feito heroico que mais admiro, veio de três brasileiros.

—--Sério? ---Perguntou ela surpresa. Então fui tomado por lembranças, sobre esse acontecimento, que levantou grande interesse meu sobre o assunto, afinal de contas foi a própria Atena e depois Ares que me contaram a história.

—--Já ouviu falar dos Cobras fumantes? ---Ela negou com a cabeça a minha pergunta. ---Eles foram as Força Expedicionária Brasileira que atuaram na segunda grande guerra, junto dos países Aliados, eles adotaram esse nome quando Adolf Hitler, um semideus filho de Hades, gozou da coragem dos brasileiros, dizendo que: “Era mais fácil a cobra fumar, do que o Brasil ter coragem de participar da grande guerra efetivamente.” Então eles foram para guerra, e ajudaram muito na conquista da Itália. ---Chiara me olhava atentamente, mas quando falei dessa parte, ela sorriu. ---Embora que no começo, enquanto a Europa, e boa parte do mundo, estava em guerra, o Brasil buscava manter uma neutralidade que interessava ao Eixo formado por Alemanha, Itália e Japão, mas o Brasil era corriqueiramente cortejado pelos Aliados, que eram a Inglaterra, França e Estados Unidos, para ingressar no conflito global. Longe de toda a confusão, o País seguia com sua política de não se posicionar ao lado de ninguém vislumbrando boas perspectivas comerciais no pós-guerra, de toda forma, não quero te dar uma aula de história completa...

—--Não, por favor. ---Disse ela me interrompendo. ---Continua, eu quero saber mais, e também quero saber do feito dos três brasileiros que você admira tanto. ---Pediu ela seriamente.

—--Muito bem. ---Disse animado, em contar essa história de guerra, que a muito me foi contado por Atena em pessoa, era a minha história de guerra favorita, afinal de contas. ---O assédio por parte dos Aliados seguia e os Estados Unidos seduziam o Brasil, tentando faze-los posicionar-se, o governo de Getúlio Vargas, no entanto, dizia que o País de forma nenhuma entraria na Segunda Guerra Mundial. Assim surgia a célebre frase “é mais fácil uma cobrar fumar do que o Brasil entrar na Guerra”, que foi dita pelo próprio Hitler em pessoa, contudo, a neutralidade do Brasil começou a ser quebrada em 1942 quando o País cedeu bases aéreas em Fernando de Noronha e ao longo da costa brasileira para que os EUA instalassem suas bases militares. ---Chiara me ouvia atentamente. ---Isso irritou Hitler, que então, no início de 1942, uma série de ataques organizados pelo regime nazista a navios mercantes brasileiros que abasteciam o Reino Unido com suprimentos afundou seis embarcações em cinco dias de ofensivas, a ação de Adolf Hitler era, além de desabastecer uma potência aliada, uma forma de pressionar ao Brasil manter sua neutralidade, a ação do Reich causou a morte de mais de 600 brasileiros.

—--Que cara horrível. ---Concluiu Chiara, o que ela não deixava de ter razão.

—--Sim, Hitler era impiedoso. ---Concordei. ---A opinião pública exigiu que o Brasil tivesse uma postura vigorosa por conta do ataque alemão, os jornais deram voz ao clamor popular com inúmeras reportagens sobre o ataque, além de trazer fotos de mortos e feridos, e histórias das vítimas que foram atacadas por tubarões na costa do Nordeste, pressionado, Getúlio Vargas declarou guerra à Alemanha e Itália no dia 22 de agosto de 1942. A declaração de guerra do foi recebida com regozijo pelo meu irmão, presidente americano Franklin Delano Roosevelt, o governante enviou um telegrama para Getúlio Vargas agradecendo o posicionamento do País a mensagem era simples: “Em nome do governo e do povo dos Estados Unidos, manifesto a V. exa. a profunda emoção com que esta ação foi recebida neste país. O Brasil acrescenta poder e força material aos exércitos da liberdade.” Por sua vez, a Alemanha nazista mostrou-se indiferente. O Ministério de Relações Exteriores do Reich disse que a postura do Brasil se juntando aos Aliados não era nenhuma surpresa visto os movimentos recentes do Brasil, como a cessão das bases aéreas aos EUA. Antes de serem enviados para o front de batalha, a participação dos soldados brasileiros na guerra era em ações de retaguarda. E uma delas muito importante: a extração de borracha na Amazônia. Com a ocupação japonesa do Sudoeste Asiático em dezembro de 1941 os EUA perderam sua maior fonte de borracha e a falta dessa matéria-prima poderia paralisar a máquina de guerra Aliada.

—--Interessante. ---Disse Chiara me olhando, ela parecia ainda mais animada.

—--Sim, mas agora começa ficar melhor. ---Disse seriamente, estava chegando à parte que eu queria contar a Chiara, a bravura dos 3 heróis brasileiros. ---Em 1943 as Forças Armadas criaram a Força Expedicionária Brasileira, conhecida como FEB, para lutar na guerra. Sob o lema “A cobra está fumando!” ---Uma alusão irônica à frase “é mais fácil uma cobrar fumar do que o Brasil entrar na Guerra” dita por Adolf. ---O brasão da companhia trazia uma imagem de uma cobra, com um cigarro na boca, fumando.

—--Muito legal. ---Disse ela animada.

—--Sim, e apesar de não ser uma unidade muito grande em números, eles eram corajosos, composta por pouco mais de 25 mil homens e mulheres, a FEB só foi enviada ao front em 1944 para combater juntos aos Aliados na Campanha da Itália, o primeiro contingente de soldados da FEB chegou à Europa em julho de 1944 sob o comando do general Zenóbio da Costa. Com a tropa completa, o comando foi passado para o general Mascarenhas de Morais. Os primeiros movimentos dos brasileiros na Itália foram de aclimatação, recebimento de equipamentos e treinamentos de guerra sob supervisão dos Estados Unidos. A Força Expedicionária tinha três divisões: infantaria, esquadrilha de reconhecimento e esquadrão de caças. Dessa forma chegava o momento em que o Brasil participou efetivamente das duas últimas ações na Campanha da Itália, o rompimento da Linha Gótica e a Ofensiva Aliada Final, a partir de setembro de 1944. Mesmo com toda adversidade o saldo da participação dos soldados brasileiros na guerra foi positivo, sendo a 1º Divisão Brasileira a única tropa a capturar uma divisão completa alemã durante as batalhas na Itália. Além, claro, do êxito total na missão junto com os Aliados no país do ditador fascista Benito Mussolini.

—--Muito legal, o brasil realmente fez bonito, não é mesmo? ---Perguntou Chiara sorrindo.

—--Sim, fizeram, mas o melhor ainda está por vir. ---Disse seriamente, fazendo Chiara ficar ainda mais na expectativa. Entre os 450 brasileiros mortos na Campanha da Itália estão três soldados que entraram para a história pelo seu ato de coragem e bravura. ---lembra que te disse que três brasileiros, que considero o feito o que mais admiro? ---Ela assentiu positivamente, ansiosa por mais. ---E se eu falar que o feito desses três heróis, vieram de meros mortais.

—--Mentira, meros mortais? ---Perguntou ela incrédula.

—--Sim, meros mortais, seus nomes eram, Geraldo Rodrigues de Souza, Arlindo Lúcio da Silva e Geraldo Baeta da Cruz, durante a Campanha da Itália. ---Essa história como sempre, tem controvérsias pelos mortais, mas a verdadeira história me foi contada por Atena, ela também admirou o heroísmo desses três. Que colocaram seu dever e amor pelos companheiros, acima do seu bem-estar, acima da sua vida. ---Havia uma pequena tropa brasileira, composta por cerca de vinte membros, esses soldados deram de cara com uma tropa alemã, composta por mais de 150 combatentes, fortemente armados, no primeiro momento eles não viram o pequeno contingente, eles se esconderam, mas sabiam que seriam encurralados, e para que não fossem completamente cercados e mortos pelos Nazistas, três deles se voluntariaram para proteger a fuga do restante, que deixando suas armas com eles, fugiram o mais rápido que puderam, em direção ao exército aliado, logo, o contingente fascistas encontrou os três, e lhes ordenou a rendição, ao contrário do esperado, Geraldo Rodrigues, Arlindo Lúcio e Geraldo Baeta não obedeceram a ordem dos Nazistas e abriram fogo contra os italianos, eles eram tão insanos, que os soldados do Reich acreditaram estar em uma luta contra outra tropa de número equivalente, mas não estavam. Durante um bom tempo, os três conseguiram ganhar tempo, matando cerca de cinquenta homens do outro lado, mas os brasileiros ficaram sem munição após a imensa troca de tiros, mas mesmo assim negavam a ordem de rendição. Sem armas de fogo, os Pracinhas pegaram suas baionetas e partiram tenazmente para o confronto, o ato de valentia dos Pracinhas, porém, custou-lhes a vida, em desvantagem e sem armas, os bravos Pracinhas caíram em solo italiano. Após o confronto os alemães vasculharam a área atrás do restante da tropa e nada encontraram, apenas os três corpos, para a surpresa de todos, os 3 brasileiros haviam lutado aquela batalha somente os três, mas notaram os rastros da fuga do restante da tropa.

—--Eles eram loucos. ---Disse Chiara, embora eu pudesse ver que ela também admirou a história.

—--Pode até serem, loucos ou corajosos? Eu realmente não sei. ---Chiara me olhava atentamente. ---Para honrar aqueles que lutaram com tanta bravura, os soldados alemães enterram os três brasileiros na beira de uma estrada e, nas cruzes, escreveram “Drei Brasilianischen Helden” o que traduzido para o português é: “Três heróis brasileiros”.

—--Três heróis brasileiros, isso soa bem. ---Repetiu Chiara sorrindo, podia ver o orgulho em suas palavras. Eu sei que eles fizeram o que tinha que fazer, por seu dever e por amor aos seus amigos. Só espero que eu possa ter a mesma coragem ou mesmo a loucura deles, para cumprir meu dever e matar o outro traidor, para assim poder proteger meu acampamento, meus amigos, assim como eles fizeram contra os nazistas, em nome da minha honra, do meu dever.

—--Mesmo longe de casa, em desvantagem, em solo estrangeiro, longe do conhecido, eles foram aqueles que se recusaram a render-se, por suas honras, por seu dever, mas acima de tudo, por amor aos seus amigos, eles foram heróis do último século, tanto que conquistaram o respeito até mesmo dos deuses da guerra, de Atena e Ares. ---Ela me olhou sorrindo de orelha a orelha, por saber disso. ---Então te digo, Chiara, nunca mais me diga que tem vergonha de ser brasileira, nunca mais diga a ninguém, erga-se do sangue dos seus heróis do passado, tenha orgulho de ser brasileira.

—--Nunca mais direi isso. ---Disse Chiara estufando o peito, então ela levantou-se da sua cadeira e me encarou firmemente nos olhos. ---Eu tenho orgulho de ser brasileira.