Notas iniciais
fala ai, meus amigos fantasminhas, como estão???

POV: Gustavo Ookami Matsumoto

Entrei no Acampamento Meio-sangue na surdina, era tarde, madrugada, foi fácil entrar, sendo um meio sangue como eu, a barreira de proteção não impediria minha invasão, embora eu realmente não pretende-se ataca-los agora, estava aqui apenas para uma missão para encontrar um certo alguém, além disso, estando aqui, eu não podia deixar de fazer uma breve missão de reconhecimento da área também, não me entendam mal, velhos hábitos de um lobo velho nunca o deixam, então, desta forma matava dois coelhos em uma cajadada só, eu tinha que ver com meus próprios olhos o Acampamento meio-sangue, eu já ouvirá falar deste lugar a décadas atrás, mas pelo que soube, não era exatamente o melhor lugar para os filhos da morte como eu, isso mesmo, infelizmente sou um filho do maldito Hades, melhor dizendo, Hades é meu progenitor, não meu verdadeiro pai, eu o odeio, com todas as minhas forças, ele ainda me pagará por tudo que fez comigo, guardem minhas palavras.

Essa barreira de proteção era realmente muito poderosa, nem mesmo o meu melhor amigo fantasma poderia passar, olha que ele é bastante poderoso para um fantasma, essa barreira era mesmo forte, porém, isso tornou-se uma faca de dois gumes para os semideuses daqui, eles tornaram-se ingênuos demais, confiantes demais nesse poder que os cerca, depois que conseguiram está força extra, eles não a protegem como deveriam, eu entrei sem me esforçar nada, apenas me escondi nas sombras e entrei afastado daqueles dois dragões que protegiam o Pinheiro, pelo que soube de Luke, aquele pinheiro foi criado por causa da “morte” daquela filha de Zeus, Thalia Grace. Enfim, não era atoa que Cronos e seus servos estão facilmente instalados nesse acampamento, conseguindo informação direta e fácil, tanto dos deuses, quanto do Acampamento, como eles são tão ingênuos eu mal posso acreditar nisso, era como se roubasse doce de crianças, ainda mais para alguém com a sabedoria de Cronos.

Antes de Luke ser morto pela filha de Zeus, Thalia Grace, ele havia contado a mim, que havia uma passagem secreta aqui, no chamado punho de Zeus, uma passagem secreta do infame e pouco conhecido Labirinto de Dédalo, sim, isso mesmo, aquele mesmo labirinto que abrigou o Minotauro, segundo Cronos e meu amigo fantasma, ele ainda existe, embaixo da Terra, como uma espécie de segunda pele, ele cresceu e desenvolveu-se da forma que quis, criando vida própria e se afastando da consciência de Dédalo, Cronos havia me dito que o Labirinto tornou-se tão irreal e enorme, que até mesmo os deuses, Titãs e qualquer outro ser divino, não tem o menor poder ou conhecimento sobre ele, tanto que Dédalo foi capaz de esconder-se até mesmo de Tânato, o verdadeiro deus da morte, servo de meu progenitor maldito.

Pelo que entendi de Cronos, seu plano de atacar o Acampamento era apenas uma parcela do plano total, era difícil acompanhar uma mente daquelas, até mesmo seus menores planos haviam segundas intenções, e estas, ainda continham um “porém”, algo a mais, enfim, pelo que entendi, Dédalo mais do que tudo é o que Cronos deseja, mais do que a destruição deste Acampamento, Cronos deseja que Dédalo torne-se seu servo, pelo menos depois que o filho de Poseidon, Perseus Heitor Jackson, enganou e traiu Cronos, explodindo aquele navio de monstros em um bilhão de pedacinhos, dessa forma, Cronos me enviou para negociar os termos de um acordo com Dédalo e cá estou eu agora.

Semideus legal esse filho de Poseidon, poderoso, tanto a ponto de levar deuses para a morte, o único dentre todos nós a conseguir tal feito, é admirável, tenho bastante vontade de ver até onde suas habilidades vão e testa-lo em combate. Cronos não me explicou todo o seu plano, mas além de ordenar um ataque para o Acampamento Meio-sangue, o verdadeiro motivo para Cronos querer achar Dédalo é obscuro em minha mente e nos demais aliados dos Titãs, até mesmo para Minos, meu melhor amigo e conselheiro a décadas, embora, fosse um fantasma, ele ganhou minha confiança e respeito, devo minha vida a ele na verdade, afinal de contas, mesmo com todos os ensinamentos do meu verdadeiro pai e mestre, ele era apenas um mortal, não poderia ajudar-me com os monstros e o passado que veio me assombrar depois de sua morte. Por mais que Minos tenha me ajudado durante todos esses anos, eu não pude controlar aquilo, por mais que tivesse me aplicado a controlar aquele poder todo que eu tinha, mas ele acabou me salvando algumas vezes, em momentos críticos demais, de vida ou morte, literalmente.

Memórias ligadas:

Há 63 anos atrás.

Havia passado dois meses que havia enterrado meu pai, meu mestre, Hiroshi Ookami, apesar de não ser meu pai de sangue, eu nem ao menos sabia quem era meu pai ou minha mãe biológicos, nem qualquer sobrenome, tudo que lembrei foi do meu primeiro nome, mais nada, nem uma única memória, desde o dia que acordei na cabana de Hiroshi a mais de 12 anos atrás, desde então, comecei a viver com Hiroshi, aprendendo com ele, ensinando-me os seus costumes e a tradição do Clã Ookami, o famoso clã dos lobos gigantes, conhecidos por serem guerreiros samurais a centenas de anos, Hiroshi era o último descendente deste clã, haviam outros, porém, foram mortos na primeira guerra mundial, irmãos, esposa e filhos de Hiroshi, restando apenas ele, velho e cansado, Hiroshi voltou para o Japão, vivendo em Misakimachi Moroiso, na floresta perto do mar, onde ele me encontrará ferido a beira da morte e sem memórias do meu passado. Hiroshi treinou-me no estilo Samurai de Katanas de duas mãos dos lobos gigantes, além dos estilos de luta corpo a corpo, arco e flecha e tantas outras formas de lutas, porém, ele treinou-me ainda mais nos fundamentos samurais, disciplina, autocontrole, respeito e honra, durante longos anos, ele foi meu amado mestre e pai, ensinou-me tudo que sei, tornou-me um homem muito melhor, porém, no inverno de 1950, ele não resistiu e veio a falecer.

Após esses dois meses de luto, eu finalmente decide o que vou fazer da minha vida, eu era algo diferente, eu não era um humano como Hiroshi meu pai, eu já havia percebido isso, nesses 12 anos de convívio que tive com ele, eu o vi envelhecer, criar mais cabelos brancos, ficar mais devagar, sentir mais dores e perder musculatura, porém, eu não envelheci, tenho a exata aparência de 12 anos atrás, aparentando ter meus 20 anos, isso era confuso demais, eu precisava sair e ir atrás de respostas do meu passado, ir atrás de informações, qualquer coisa sobre mim e sobre o fato de minha aparência não estar mudando. Comecei meu caminho atrás de informações, juntei algum dinheiro que Hiroshi tinha guardado, que infelizmente não era muito, mas eu podia virar-me e conseguir comida caçando ou pescando facilmente, ele me ensinará a se virar na natureza.

Peguei o colar Okami de Hiroshi, este colar era basicamente o item mais importante do Clã, só o principal líder e verdadeiro patriarca da família podia usar, ele era basicamente um Canino de um lobo, devia ter uns 10cm, bem branco e antigo, dizem que ele foi retirado das costas do líder do clã Ookami, depois que ele com as próprias mãos matou um lobo de mais de 100kg, dizem que o colar trás boa sorte a quem o leva, e ao clã, eu precisava de sorte, então achei que seria uma boa levar ele comigo, afinal de contas, infelizmente Hiroshi nunca mais vai poder usá-lo. E naquele momento, eu realmente não sabia de como aquele pequeno colar seria tão importante e poderoso em minha longa vida. Deixei nossa pequena casa na floresta a mais de uma semana, a procura de informações sobre eu e o meu passado, visitei vários lugares, postos médicos, a polícia local, qualquer um que pudesse me ajudar a obter informações sobre mim, porém, eu não consegui nada, nem uma única pista, o que era de se esperar, já que fazem mais de 10 anos que desapareci, a muito devo ter sido considerado morto, e se não fosse, ninguém acreditaria que minha aparência não havia mudado nada, além disso, desenhos e retratos não são muito confiáveis, então as poucas esperanças que eu ainda tinha, foram reduzidas a nenhuma, eu realmente acho que será impossível alguém lembrar de algo sobre mim.

Eu realmente estava me sentindo totalmente sozinho e perdido, Hiroshi havia falecido, nesses últimos anos ele fora minha única família e meu contato com alguém, tentei desesperadamente buscar um elo com o meu passado, para tentar descobrir mais sobre mim, talvez descobrir quem eu fui, talvez voltar a minha vida antiga, a verdade foi que eu hesitei em buscar mais sobre meu passado, tinha medo de quem eu fui no passado, pelo estado que Hiroshi me encontrou, as hipóteses não eram das melhores, tinha receio de ser um soldado, afinal de contas, logo após Hiroshi me achar, a grande guerra voltou ao mundo, por mais que eu não queira tal fardo, acho que tinha envolvimento com a guerra, mas sinceramente, depois da morte de meu pai, eu realmente não tinha mais nada aqui, nem ninguém, então, por mais sombrio e estranho que meu passado possa ser, era tudo que me restava, eu tinha que reencontrar quem eu fui.

—--Sai daqui... ---Escutei uma voz ao longe gritando, ela parecia-me assustada, em pânico, não era pra menos, para estar aqui perto do meu acampamento improvisado, está pessoa entrou fundo na floresta, talvez possa ter dado de cara com algum predador perigoso, talvez um Urso negro ou ainda pior, um urso pardo, que infelizmente é bem maior e mais forte. Peguei minha Katana, um presente de Hiroshi, depois do primeiro ano de treinamento e convívio com ele, era uma Katana extremamente forte e resistente, um metro de Aço Damasco, feito para mim, corta qualquer coisa, pois, uma verdadeira lâmina de Katana é confeccionada com Aço Damasco, desde o tempo do Japão feudal, sendo ela feita a partir da combinação de dois aços de alto carbono dobrados juntos, a parte externa da lâmina é de aço 1095, extremamente resistente e duro, enquanto que o núcleo é feito de aço 1060, que é mais maleável, a combinação destes dois faz com que o aço seja extremamente afiado para cortar e extremamente resistente para absorver os impactos. ---SOCORRO... ---Gritou a voz que provavelmente era masculina, seu dono parecia estar extremamente em pânico. Continuei correndo na direção em que a voz soou da última vez, logo cheguei a uma clareira, realmente não demorou para eu ver o que estava acontecendo, e o que eu vi, fez meu coração falhar uma batida, ou melhor dizendo, quase parar, eu simplesmente não podia acreditar no que estava diante dos meus olhos, era até difícil de descrever aquela aberração colossal, seu corpo era claramente de um Tigre Siberiano, eu já havia visto alguns, sua pelagem era laranja com listras pretas e branco no peitoral, porém, ele era no mínimo umas 5 vezes maior do que qualquer outro tigre deveria ser, suas costas facilmente ficavam a mais de 4 metros do chão, e tinha pelo menos uns 10 metros de comprimento, seu corpo era todo musculoso, devia pesar no mínimo umas duas toneladas, porém, seu tamanho não colossal não era o mais estranho, ao invés de ter o rosto de um tigre, ele na verdade tinha um rosto de um Babuíno negro, com uma juba gigante, olhos vermelhos sangue e dentes ainda maiores, deviam ter pelo menos uns 20cm, sem contar os caninos, quatro dentes ainda maiores, deviam ter pelo menos uns 40cm, mas para piorar, aquilo continuava a ficar mais estranho e assustador, ao invés de ter uma calda comum, em seu lugar, crescia uma calda da grossura de um tronco humano, de escamas negras, mais de 12 metros, e em sua ponta, havia uma cabeça de cobra, triangular, muito grande para uma cabeça de cobra comum, e seus olhos, também eram estranhamente vermelhos e brilhantes demais.

—--Pelos meus antepassados. ---Disse pasmo, aquilo era surreal demais, assustador demais, aquilo não podia existir, eu não fazia a menor ideia do que aquilo era. Então, eu vi algo que chamou minha atenção, havia uma pessoa fugindo da fera, claro que havia uma, afinal de contas eu ouvirá os gritos, era um homem, por volta dos 30 anos de idade, cabelo curto e repicado, olhos com a cor preta, e puxados na forma oriental costumeira da nossa região, 1,75cm de altura, seu corpo era magro e seu quimono estava todo sujo de lama, imagino eu, por conta de estar fugindo de uma fera colossal.

—--SOCORRO! ---Gritou ele novamente, tirando-me do meu devaneio de pensamentos, por mais louco que fosse tentar salvar aquele homem daquela fera, eu era um homem treinado nos ensinamentos de Hiroshi, na honra de um samurai, eu tinha que tentar salva-lo ou morrer tentando, esse era o caminho samurai, nossa honra inabalável. Sai correndo na direção daquela criatura, com minha Katana em mãos, eu não sabia se eu podia ser útil para aquele senhor, mas eu simplesmente não posso deixar um necessitado, um semelhante morrer desta forma tão cruel, sozinho, isto não foi o que meu pai me ensinou, o estilo de vida que ele me ensinou e pelo que nossos antepassados honrosos viveram. Finalmente eu consegui alcançar aquilo, felizmente, ele não havia me percebido, pois vim sorrateiramente pelas costas, sem hesitar, sem demonstrar compaixão, até com um pouco de falta de honra por atacar desta forma, mas parando um pouco para pensar, aquilo merecia honra? Nem humano era. Ataquei a criatura, um corte da direita para esquerda com toda minha força, visando atacar uma das patas daquela coisa, minha espada chocou-se com a pele do animal, fazendo um barulho totalmente estranho, era como se eu tivesse atacado metal puro, mas levemente diferente, porém, o efeito foi o mesmo, minha Katana quebrou, eu simplesmente não podia acreditar nisto, a pele desta coisa não era como nada que vi antes, Katanas são famosas por sua resistência, força de combate, mas mesmo isto, não foi pareô para aquele monstro, nem ao menos chegou feri-lo, mas infelizmente, para meu grande azar, chamou a atenção daquela coisa para mim, ela rosnou na minha direção, exatamente como um babuíno faz, mas o que realmente me atacou, por incrível que possa parecer, foi a cauda de serpente desta criatura bizarra, eu pulei para trás, um segundo antes de ser mordido por aquela coisa, não sabia se continha veneno, nem queria saber disso na verdade.

—--Maldição. ---Disse entre os dentes, enquanto era obrigado a fugir daquela criatura, não tive coragem de virar as costas para aquela criatura, o que foi sábio da minha parte, pois o homem que tentei ajudar, tentou fugir enquanto aquela enorme besta começou a vir na minha direção, andando lentamente, ela não precisava se esforçar muito para me alcançar, com um mero pulo ela conseguia. O homem fugiu, mas não se afastou muito, pois a cauda de serpente que a segundos tentou me atacar, fez o mesmo com ele, mas uma vez que ele não estava olhando para tentar desviar, a criatura facilmente cravou suas presas nas costas do homem, incrivelmente o levantando do chão, aquilo tinha uma força descomunal, ela carregou o homem em suas presas em direção ao seu rosto de babuíno gigantesco.

—--SOCORRO... ---Aquele homem gritava por socorro, mas eu sabia que não podia salva-lo, ele já havia sido pego, infelizmente nada que eu pudesse fazer o salvaria, e acho que nem a mim. A cauda de serpente levou o corpo do homem quase sem vida a outra cabeça, que nem tirou os olhos de mim, quando abocanhou a parte superior do corpo do homem, silenciando-o por completo, o monstro sacudiu levemente sua cabeça, facilmente dividindo aquele corpo em dois, engolindo a parte superior facilmente, com apenas uma engolida.

—--Sinto muito. ---Disse em voz baixa, não consegui salvar este homem da morte, ele no final das costas teve metade do seu corpo devorado por esta criatura grotesca, diante meus olhos, isso com toda certeza, é uma imagem que não poderei esquecer nunca mais em minha vida. Tirando-me dos meus breves momentos de luto, a criatura rugiu na minha direção, enquanto com sua calda/cabeça de cobra, jogava o corpo daquele pobre homem pra trás, pelo menos o que sobrou, inacreditavelmente o mandando por cima das árvores, tirando-o da minha visão, foi tão longe que eu nem pude ver onde caiu. Então finalmente a atenção da criatura havia-se voltado toda para mim, mas ela hesitou, continuou a me encarar, parada. ---Pode vir, criatura grotesca, vamos acabar logo com isso. ---Disse o provocando, estressado por aquela agonia toda, não que eu queira morrer, longe disso, porém, minha conduta samurai, meus ideais, não permitiam que eu desse as costas para um adversário, mesmo que fosse um monstro, se fizesse isso, estaria desonrando o clã Ookami, se tivesse que cair, cairia batendo até o fim, embora acho que eu não poderia ferir essa coisa. Eu precisava mesmo é de uma ajuda, alguém que possa me explicar o que era está coisa, como eu posso me livrar dela, ao menos me defender. O monstro realmente não se importou com meus dilemas pessoais de honra e sabedoria ancestral, ele estava era mesmo querendo fazer um lanchinho de mim, como acabará de fazer com aquele homem, dessa forma ele começou a avançar na minha direção, lentamente. Olhei em volta, tentando de alguma forma pensar em um jeito de achar algo para me ajudar, mas parando para pensar, se mesmo minha arma foi totalmente inofensiva a essa aberração, quem dirá um pedaço de galho ou madeira, o que era o máximo arma, de perigoso que poderia achar aqui neste lugar, tudo estava acabado pra mim. Só restava uma coisa a se fazer, por mais que eu não quisesse fazer isso, era minha última opção, então, da forma mais desonrosa que pode existir, virei-me em meus calcanhares e corri na direção das árvores, mas antes que eu pudesse alcança-las, senti um forte impacto na lateral do meu corpo, me arremessando muito longe, fazendo-me chocar com a árvore mais próxima. Eu mal senti o impacto, mesmo dor, tudo ficou escuro e não pude manter minha consciência.

—------------------------------------------- Quebra de tempo. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------

—--Garoto, acorda. ---Ouvi uma voz me chamar, ela parecia distante. Meu corpo estava doendo, como se estivesse levando uma enorme surra. Aos poucos consegui abrir meus olhos, senti a claridade do dia ofuscar minha vista, podia ver as árvores altas, mas a que mais chamava-me atenção, era uma Sakura, uma árvore de cerejeira, haviam poucas flores ainda nela, mas elas eram lindas como sempre. ---Você fez um estrago e tanto, Gustavo Matsumoto. ---Disse uma voz outra vez, mas eu não via ninguém por perto, mas a voz era alta e clara, sem dúvida. Algo tremeluziu, por um momento eu pensei que fosse apenas a luz, mas então percebi que tinha a forma de um homem, um fiapo de fumaça azul, uma sombra, se você o olhasse de frente, ele não estava lá, mas se olhasse com o canto do olho, podia distinguir a forma.

—--Um fantasma. ---Disse apavorado, levanto-me rapidamente.

—--Claro que sou um fantasma. ---Riu a coisa, como se aquilo fosse uma espécie de piada. ---Esperava que fosse o que? Filho de Hades.

Memórias desligadas.

—--Então tu que é o negociador? ---Disse uma voz, tirando-me das memórias do meu passado. Então olhei para quem chamará minha atenção, era um homem, ele andava lentamente na minha direção, ele estava com seus 50 anos de idade, cabelo grisalho curto e barba grisalha feita, seus olhos eram pretos, vestia uma calça jeans azul e trazia uma armadura de bronze por cima de uma camiseta laranja, ele trazia uma espada junto do teu corpo, não sabia que tipo de lâmina era, pois a arma estava guardada em sua bainha.

—--E eu imagino que tu és Dédalo, o famoso inventor. ---Disse seriamente, o homem continuou se aproximando, até que estava parado em minha frente, poucos metros de mim.

—--Sim, já fui chamado por este nome, já faz muito tempo. ---Disse ele de forma sombria.

—--Entendo, e por qual atende hoje? ---Perguntei seriamente.

—--Quintus. ---Disse Dédalo, sua expressão era firme e rígida, ele parecia um homem realmente muito inteligente, podia-se notar, mesmo com uma mera olhada. ---Qual é a oferta que o lorde Titã tem pra mim?

—--Depende. ---Disse seriamente, enquanto encarava o inventor seriamente.

—--Depende de que? ---Perguntou Dédalo seriamente.

—--Do que você quer. ---Disse seriamente, quando me afastava das rochas, da qual era chamado de punho de Zeus, mesmo que pra mim, aparente ser um monte de rochas empalhadas, que mais parecia um monte de estrume, mas lá estava o símbolo de Dédalo, entre as rochas e bem escondido, um antigo delta grego, que brilhava levemente em azul, Luke havia me dito, que se um meio-sangue quisesse entrar no labirinto, basta tocar levemente no símbolo, então é enviado para o inferno confuso de paredes sem fim, logo abaixo da terra.

—--Não faça joguinhos, meu jovem, eu não estou aqui para brincadeiras, pensei que tínhamos que falar seriamente. ---Disse Dédalo seriamente.

—--Muito menos eu, quando eu disse que depende, quero dizer que lorde Cronos, está disposto a te dar o que quiser, poder, dinheiro, imortalidade, segurança dos deuses e da morte, vingança contra sua mãe, a deusa da sabedoria, ou... ---Dei uma pausa dramática, Dédalo me olhava atentamente, Cronos conhecia Dédalo, conhecia sua história, ele sabia qual era o preço para ter o velho inventor. ---Ícaro. ---Assim que disse o nome do seu filho morto, pode sentir a inquietação do inventor aumentar.

—--Me explique melhor sobre o Ícaro. ---Pediu ele seriamente.

—--Quando Cronos voltar a dominar o mundo, ele precisará de alguém para comandar o submundo, uma vez sendo senhor do submundo, tendo controle sobre a morte, não apenas continuar se escondendo dela, mas sim, tendo controle sobre Tânatos, você pode fazer o que quiser, ter a alma que quiser, inclusive a do Ícaro, teu filho, já pensou nisto, ter todo aquele domínio, todo aquele poder, afinal de contas, tudo que vive, está fadado a morte, não é mesmo? ---Perguntei sorrindo ao inventor, embora ele estivesse sorrindo com a minha proposta. ---Embora eu e você, sejamos realmente uma exceção a está regra.

—--Eu aceito. ---Disse o inventor sem rodeios, isto realmente foi fácil demais, Cronos tinha razão, Dédalo não resistiria a está ótima proposta de finalmente ter seu amado filho de volta. ---Serei o servo de Cronos, desde que ele cumpra com sua parte da barganha, farei o que for preciso e tudo que ele precisar.

—--Ótimo, ótimo, foi bem mais rápido que pensei que seria. ---Disse sorrindo para o velho inventor. ---Então, sua primeira tarefa é ir até Cronos, imediatamente, o próprio lorde Titã passará mais detalhes e vocês poderão acertar todos os termos do acordo, ele explicará exatamente qual será sua função e o que terá que fazer a nossa causa.

—--Certo, partirei imediatamente. ---Disse o inventor seriamente. Nesse exato momento, escutei passos vindo na floresta, passos humanos, próximos, bem leves, mais para minha audição sobre-humana, era fácil ouvir.

—--Melhor ser agora, logo não estaremos sozinhos. ---Disse apontando para a entrada do labirinto atrás de mim. ---Há alguém se aproximando.

—--Interessante. ---Dédalo me olhou curioso. ---Tu és um semideus incomum.

—--Anda logo, não temos muito tempo, vou fazer uma distração para cobrir sua fuga. ---Disse animado, enquanto dava passagem para Dédalo entrar de volta ao seu labirinto.

—--Certo. ---Disse ele vindo na minha direção, indo diretamente ao símbolo. Sem hesitar ele tocou o sino com sua mão, mas na verdade ela emitia uma luz oliva, não entendi muito bem o porquê, porém, o Delta brilhou em azul, e uma luz azulada brilhou em toda a extensão do corpo de Dédalo, fazendo o corpo dele desaparecer, restando apenas o antigo símbolo brilhando, aos poucos diminuindo de intensidade e se apagando.

—--Então é assim que funciona. ---Disse impressionado, era realmente uma tecnologia incrível, parecia que estava ligado com a força divina do semideus, bem impressionante. Agora eu já podia ouvir os passos bem próximos, dei mais uma olhada para o símbolo, ele já havia apagado completamente, então para evitar levantar quaisquer suspeitas sobre aquela passagem, eu comecei a correr na direção oposta, não estava realmente tentando fugir do campista, estava mesmo é tirando-o de perto da passagem, então corri entre as árvores, fazendo o máximo de barulho que podia, para que ele continuasse a me perseguir. Como planejado, o campista continuou a me seguir, agora com mais velocidade, logo cheguei a uma clareira, me dando satisfeito pelo caminho que havia afastado os Campistas da passagem, eu parei de correr e fiquei parado no meio da clareira, esperando que o meu perseguidor me alcançasse. Então entre as árvores, uma garota apareceu correndo, sua pele era bem branca, cabelos negros e repicados, batendo no ombro, tinha um corpo bonito, sua bunda era media, mais redonda, ela estava vestida quase toda em couro negro, calça e coturno com uma jaqueta prata, bem diferente, não era muito alta, devia ter 1,65, olhando o seu belo rosto, ela devia ter por volta dos 18 anos, olhos azuis elétricos, bem diferentes, que me olhavam profundamente. ---Uma garota, mas que pena.

—--Quem é você? ---Perguntou a garota seriamente, ela me parecia irritada, ela tinha um semblante bastante irritado.

—--Sou Gustavo Ookami, e qual seria seu nome, minha linda? ---Perguntei sorrindo, ela era realmente muito bela, olhando para seu corpo naquelas roupas de couro apertada, minha imaginação aflorava em pensamentos inadequados.

—--Minha linda? Vai se foder. ---Disse ela entre os dentes, então sem hesitar, ela sacou duas facas, mais de meio metro de Bronze Celestial, uma típica arma das caçadoras de Artêmis. Então tudo fechou em minha cabeça, eu sabia quem era está caçadora, era Thalia Grace, filha de Zeus, já havia ouvido Cronos falar algo sobre ela, em como ela se tornou uma caçadora, virgem eternamente, o que se diga de passagem, era realmente uma pena.

—--Vendo seus olhos azuis, suas roupas e seu temperamento esquentadinho, presumo que seja Thalia Grace, filha de Zeus. ---Enquanto falava, ia me aproximando dela, sem medo que ela já estivesse com suas armas em mãos, ela não poderia me ferir tão facilmente. Ela me olhou de olhos arregalados sobre a minha afirmação, respondendo que havia acertado sua identidade, confirmando que ela era Thalia. ---Agora entendo o porquê Luke gostar tanto de você, realmente é uma bela mulher... ---Não terminei de falar minha frase, pois, os olhos elétricos de Thalia faiscaram de raiva, e ela me atacou com suas facas, eu tive que me afastar, para não ser cortado pelos seus movimentos.

—--QUEM É VOCÊ? COMO SABE DE LUKE? ---Disse ela bastante irritada, enquanto me encarava com puro ódio em seus olhos.

—--Hora, hora, você realmente é nervosinha. ---Disse rindo, mas dessa vez, não me aproximei mais. ---Sou um dos aliados de Cronos é claro, por isso, tive uma pequena amizade com o filho de Hermes, pelo menos até você ter matado ele... ---Eu não conseguir dizer mais nada, pois Thalia avançou novamente.

—--Seu maldito. ---Rosnou ela, enquanto começava a atacar-me com suas facas, tive dificuldades de desviar-me de todos seus movimentos, me abaixei, esquivei e pulei para trás, ela era rápida. De repente, de suas lâminas, eu senti algo diferente, havia energia nelas, então, ela fez um corte com uma delas, mesmo que estivesse muito afastado e o alcance da faca não pudesse me atingir, eu senti algo diferente, então achei melhor pular para o lado. Pude ouvir o vento assobiar, como se ele mesmo estivesse sendo cortado, então pude ver com o canto dos olhos, quando a rajada de vento cortante, atingiu algumas árvores atrás de mim, fazendo-as serem cortadas, pelo menos cinco delas, cada uma delas tão grossas quanto meu próprio corpo.

—--Mas que ataque mais poderoso. ---Disse seriamente, eu estive brincando muito com ela, o que não era uma coisa sabia a se fazer, afinal de contas ela era filha de um dos deuses antigos, uma semideusa poderosa, bela e poderosa, realmente uma combinação que chama minha atenção em mulheres. ---Você é uma mulher interessante, filha de Zeus. ---Disse sorrindo para ela, muito embora, ela me olhasse com puro ódio em seus olhos, acho que falar do seu antigo amante Luke, não fora uma ideia muito inteligente da minha parte. ---Acho que já está na hora de partir, meu trabalho aqui já está feito.

—--Você acha que pode vir ao meu acampamento, falar essas bobagens, depois sair impune, você está redondamente enganado, garoto. ---Disse ela entre os dentes. ---Agora pegue sua arma, ou te atacarei sem me conter.

—--Você ainda estava se contendo? ---Perguntei curioso, enquanto ajeitava minha postura. Thalia Grace, semideusa interessante. ---Você realmente é uma pessoa encantadora. ---Disse rindo, muito embora em resposta a meu elogio, Thalia apenas me fulminou com seu olhar. Então, antes de desaparecer em sombras, e retornar ao Monte Ótris, onde se encontrava o palácio dos Titãs, eu ainda disse para Thalia, embora, dessa vez, não fosse uma mensagem de Cronos, ou mesmo uma mensagem para Thalia, era uma mensagem minha para o Perseus. ---Diga ao novo diretor do acampamento, que ele precisa cuidar melhor dos seus.