Percy Jackson o Guerreiro Sem limites
130 Capítulo 130
Notas iniciais
POV: Perseus Heitor Jackson.
Depois da enorme bronca que eu havia levado da minha mãe, mesmo que tivesse tentando jogar a culpa no Apolo e em Ares, preferia ter eles nervosos comigo, do que minha mãe, mas mesmo usando essa desculpa, não adiantou muito, no final todos os três tiveram a orelha puxada pela minha mãe, cena está, que foi acompanhada por todos os outros presentes, que riam bastante, principalmente Ligea, que parecia totalmente relaxada, tão diferente de quando havia chegado algumas horas atrás. Não sei exatamente o que minha mãe e as outras deusas conversaram com ela, naquele momento que elas ficaram sozinhas na cozinha, mas parece que foi algo realmente bom, pois Ligea estava aparentando estar completamente leve, feliz e relaxada, o que me deixou feliz, sabia que minha mãe adoraria Ligea, sinceramente falando, ambas eram tão parecidas, suas personalidades fortes, seus jeitos mandões, amorosos de ser, eram realmente muito parecidas, tanto que chegava até me assustar um pouco, parece que vou ter mais uma “Dona Hera” na minha vida, mas agora acho que “Dona Ligea” se adequa muito melhor. Depois de toda aquela agitação, o pessoal aos poucos foi indo embora, primeiro foi Apolo, que mal chegou e já foi, depois Zeus e assim por diante, os últimos a irem, foram Afrodite, Hefesto e a Antonieta, está última, que queria ficar aqui, mas por fim, teve que ir embora junto de seus pais, mas isto já era depois do jantar. Depois disso, fomos para nossos quartos, Ligea foi dormir comigo é claro, felizmente minha mãe não encrencou enquanto a isso, eu fui tomar um banho rápido, antes da Ligea, e agora estava aqui na janela do meu quarto, sentado nela, com as pernas para fora da casa, vendo a noite estrelada, ela estava extremamente linda, já que estávamos a milhares de quilômetros de altura do chão do centro de Manhatthan, as estrelas e constelações, pareciam estar tão próximas, haviam tantas e tantas, está era a incrível visão que o topo do Olimpo tinha. Eu havia planejado passar a noite aqui, e ir embora pela manhã, depois do café da manhã, claro, desde que dona Hera não tivesse matado Ligea, felizmente isso não aconteceu e na verdade ambas se deram muito bem. De repente algo chamou minha atenção, uma forma enorme e branca, voando na minha direção, aos poucos ela foi chegando mais perto, e eu reconheci com extrema facilidade, era minha Coruja Gigante das Neves, Pandora, ela estava na sua forma total, uma enorme Coruja de 2 metros de altura, e mais de 7 metros de uma asa na outra, quando ela já estava a poucos metros de distância, ela brilhou fracamente e foi diminuindo, quando ela pousou na minha perna, ela não tinha mais do que 15 cm de altura, acariciei sua cabeça.
—--“Então, como vão as coisas no mar? Conseguiu acalmar a pequena Antonieta?” ---Perguntou ela na minha mente.
—--“Estão bem, na medida do possível, já Antonieta, ela se acalmou, foi apenas uma crise de ciúmes, ela achou que eu trocaria ela pela Ligea.” ---Respondi a sua pergunta. ---“Pandora, como andam as coisas?” ---Perguntei em sua mente.
—--“Vão bem, Percy, calmas sem você por perto.” ---Respondeu ela em minha mente, aproveitando o carinho que fazia na sua cabeça. ---“Estava com saudades de você.” ---Disse Pandora em minha mente, enquanto eu continua a acariciar sua cabeça.
—--Eu também estou com saudades, mas infelizmente ainda não posso voltar e ficar. ---Disse tristemente, de alguma forma, eu pude notar o olhar de tristeza que a pandora me deu, talvez por ser descendente de Atena, eu conseguia decifrar muito mais do que língua das corujas e me comunicar com elas, conseguia entender seus sentimentos e emoções com facilidade. ---Não precisa ficar triste, prometo que quando eu voltar, vou passar mais tempo com você.
—--“Eu vou cobrar.” ---Disse Pandora em minha mente, eu ri da sua resposta.
—--Pode cobrar, eu vou cumprir. ---Disse ainda rindo da sua resposta.
—--Percy, está falando sozinho? ---Perguntou uma voz divertida de trás de mim, sem me virar respondi a pergunta.
—--Claro que não, Ligea. ---Disse rindo. ---Vem cá, quero te apresentar uma amiga especial. ---Disse me virando para olha-la, mas quase tive um infarto com a linda cena que vi, ou melhor dizendo, a incrível mulher que vi, Ligea estava tão linda que chegava me faltar o ar, ela estava levemente inclinada para frente, vestindo um short curto preto, e uma camisa regata curta, que deixava uma boa parte da sua barriga lisinha para fora, além de deixar boa parte dos seus seios amostra, enquanto me olhava com seus lindos olhos azuis turquesas, ela tinha em suas mãos uma toalha branca, com a qual ela enxugava aqueles lindos cabelos vermelhos sangue, sua pele branca se destacava também, seu rosto sorridente e extremamente belo. Enquanto admirava ela em silencio, ela sorriu satisfeita com a minha reação, então ela começou a caminhar na minha direção.
—--Amiga especial? ---Perguntou ela levantando uma sobrancelha, ela veio andando na minha direção, enquanto ainda enxugava seus cabelos.
—--Sim, essa aqui é a Pandora, minha Coruja Gigante das Neves, que ganhei da minha avó, quando tinha uns 4 anos. ---Disse quando Ligea conseguiu ver a pandora pousada na minha coxa.
—--Nossa, que corujinha bonitinha. ---Disse Ligea com voz de dengo. ---Coisa mais fofa, ela é tipo seu animal de estimação? ---Perguntou ela para mim.
—--“Animal de estimação?” ---Disse Pandora indignada e levemente irritada com o que Ligea disse. ---“Ela não é das mais inteligentes.” ---Conclui Pandora em minha mente, o que me fiz rir levemente, mas eu entendo a Pandora, não gostaria de ser chamado de animal de estimação e por isso eu tinha uma boa piadinha para gozar da cara de Pandora.
—--Sim, ela é meu animalzinho de estimação. ---Disse sorrindo para Ligea.
—--“O QUE?” ---Gritou Pandora incrédula na minha cabeça. ---“Ora seu moleque.” ---Sem esperar por uma resposta minha, ela bicou meu dedo com força.
—--AI AI AI... Solta Pandora, foi brincadeirinha. ---Disse tentando tirar o meu dedo do seu bico afiado. ---AIAIAI.. ---Finalmente ela soltou meu dedo. ---Você exagerou, não era para tanto. ---Disse analisando o ferimento no meu dedo, os dois bicos afiadíssimos de Pandora entraram fundo, e sangrava, Pandora não teve piedade. Ligea ria baixinho da minha situação.
—--“Bem feito, me chamar de animalzinho de estimação, por Atena, ficou louco, foi?” ---Disse Pandora irritada na minha mente. ---“Eu sou uma coruja das neves de mais de 300 anos, uma guerreira de elite, uma das mais poderosas da minha espécie, designada pela própria Atena, nossa deusa, para cuidar de você, ser sua parceira em campo de batalha, não um animal de estimação, seu idiota, você precisa respeitar os animais sagrados dos deuses.”
—--Eu disse que foi brincadeira, não precisa dar sermão, eu sei que você tem seu orgulho de coruja guerreira. ---Disse revirando os olhos.
—--Dar sermão? Você fala com ela? ---Perguntou Ligea confusa.
—--Sim, eu consigo conversar com ela, uma das habilidades por ser descendente de Atena. ---Disse para Ligea, ela me olhava atentamente.
—--Incrível, então, ela é uma coruja especial? Uma guerreira? ---Perguntou Ligea curiosa.
—--Sim, ela é uma Coruja Gigante das Neves, elas são bastante resistentes, podendo ficar dias sem água em calores escaldantes, tem uma força incrível, velocidade extrema, além de terem uma longa vida, podendo viver algumas centenas de anos. ---Disse para Ligea, ela arregalou os olhos surpresa, com meu relato. ---Elas são muito poderosas e incríveis em batalha.
—--Mas assim tão pequena? ---Perguntou ela confusa.
—--“Pequena? Posso mostrar para ela minha transformação?” ---Pediu Pandora, eu assenti positivamente a sua pergunta, então ela bateu suas asas, voando, saindo da minha perna para o ar, ela começou a brilhar fracamente, aumentando seu tamanho, quando o brilho cessou, ela era uma enorme Coruja de mais de 2 metros de altura, e mais de 7 metros de uma asa na outra.
—--Exibida. ---Disse rindo, Pandora batia as asas levemente, enquanto continuava no mesmo lugar, porém mesmo que fosse levemente que suas asas batessem, a cada batida o vento que fazia era forte o suficiente para mexer meus cabelos. Olhei para Ligea, seus cabelos balançavam ao vento, dando um ar diferente ao seu rosto, uma coisa meio magica, talvez seja papo de idiota apaixonado, mas os olhos de Ligea brilhavam, enquanto sorria e ela me pareceu mais linda do que nunca. ---“Pandora, tudo bem em dar uma volta comigo e com Ligea em suas costas?” ---Perguntei mentalmente para Pandora.
—--“Sem problemas.” ---Respondeu ela na minha mente, ela começou a se virar, ficando de costas para nós, dando espaço para Ligea e eu subirmos a suas costas. Me levantei ficando em pé no beirão da janela.
—--Percy, o que está fazendo? ---Perguntou Ligea curiosa, antes de responder alguma coisa eu pulei da janela para as costas da Pandora. Me virei para Ligea e ofereci minha mão, enquanto sorria. Mas ela balançou a cabeça negativamente. ---Não mesmo, eu tenho medo de altura. ---Disse ela nervosa, pude ver em seus olhos o medo.
—--Você confia em mim, certo? ---Perguntei firmemente para ela, por um momento ela não me respondeu, porém ela acenou positivamente com a cabeça. ---Então, venha, eu prometo de proteger, não importa o que aconteça.
—--Tudo bem. ---Disse ela sorrindo meio nervosa. ---Desde que eu esteja com você, sei que tudo vai dar certo. ---Então ela colocou o pé na janela, mas quando ela olhou para baixo, seus olhos entraram em pânico e ela recuou de volta. ---Desculpa, mas eu não consigo. ---Disse ela ofegante.
—--“Deuses, quanta frescura.” ---Disse Pandora em minha mente.
—--Presta atenção Ligea, apenas olhe nos meus olhos, não olhe para baixo ainda. ---Disse para ela, ela ponderou por um segundo, então ela assentiu levemente, e voltou a vir para frente, lentamente, ela olhava diretamente para meus olhos, meu verde-mar, naquela imensidão azul turquesa, eu estendi a mão novamente, ela veio andando, colocou de novo o pé no beiral da janela, mas então ela ameaçou olhar para baixo novamente. ---Não, não, olhe só pra mim. ---Disse firmemente, ela respirou fundo, e colocou o outro pé, ela esticou a mão e eu consegui alcança-la, eu trouxe seu corpo para junto do meu, e nos coloquei sentados nas costas da Pandora, Ligea estava na frente, sentada meio de lado, com ambas as pernas de um lado. ---“Pandora, não vá muito rápido.” ---Disse mentalmente para Pandora.
—--“Tudo bem, mas bem que você podia ter arrumado uma namorada um pouco mais corajosa.” ---Zombou Pandora me respondendo, porém ela começou a voar lentamente, a brisa da noite, cortava meu rosto, e eu podia ver o Olimpo inteiro, bem, na verdade boa parte dele. Não demorou para que eu nota-se que Ligea estava de olhos fechados e mau respirava de tanto medo.
—--Ei, ei, abra os olhos, você está perdendo uma vista magnifica. ---Incentivei ela, eu segurei sua mão, tentando transmitir um pouco de coragem e confiança, mas em resposta ela esmagou minha mão, com o tanto de força que ela usou para apertar ela.
—--É fácil dizer, mas é a primeira vez que eu voo, não é algo fácil de se lidar para alguém como eu. ---Disse ela ainda de olhos fechados.
—--Tudo bem, hoje foi o dia das primeiras vezes para você, certo? Você conheceu a maioria dos Olimpianos, foi a primeira vez que comeu uma lasanha de frango, a primeira vez que teve seu amor abençoado pela própria deusa do amor, a primeira vez que arrumou uma arqui-inimiga amorosa de 8 meses de idade, a primeira vez que conheceu minha mãe, se você teve coragem para encarar ela, encarar um pequeno voo nas costas de uma coruja gigante é fichinha pra você, não é mesmo? ---Perguntei docemente, ela riu levemente da minha piada, sua mão começou a diminuir o aperto na minha. ---Qual é, vamos lá, você devia mesmo ver isso, é lindo. ---Disse seriamente, aos poucos ela foi abrindo os olhos, primeiro ela encarou meu rosto e sorriu, depois ela ousou olhar para céu, a noite estrelada acima de nós, haviam poucas nuvens está noite. ---É tão lindo, não é mesmo? ---Perguntei para ela, ela assentiu levemente, sorrindo.
—--Obrigado. ---Disse ela do nada, voltei meus olhos pra baixo, para contemplar aquele lindo rosto, tão lindo quanto está noite estrelada. Ela sorria levemente corada. ---Por tudo, por todas essas coisas maravilhosas que você tem me mostrado, por todos esses momentos incríveis que tive com você, sei que ainda é tudo novo para nós dois, mais fazia tantos e tantos anos, que não me divertia assim, obrigado. ---Eu sorri com suas palavras, meu peito se enchendo de felicidade. Nossos rostos foram se aproximando é nossos lábios se encontraram, foi um beijo doce, lento e incrível, nossas línguas se acariciavam, meu cérebro foi tomado por uma sensação indescritível, tudo estava incrível, mas então. ---AAAhhhh ---Gritou Ligea separando o beijo, após Pandora sacudir um pouco mais forte que o necessário.
—--Pandora, não seja mau educada. ---Disse irritado com ela.
—--“Para com esse namorico ai, ou eu jogo vocês dois daqui de cima.” ---Disse ela levemente irritada na minha mente.
—--Ora sua coruja rabugenta, deixe-nos de namorico aqui, você parece uma velha. ---Reclamei com ela, o que fiz Ligea rir.
—--Não precisa ter ciúmes, minha cara Pandora. ---Disse Ligea gentilmente para Pandora.
—--“Que ciúmes o que? Sua ruiva burra, continua falando essas bobagens que te arremesso das minhas costas.” ---Disse Pandora irritada, suspirei, Pandora estava de péssimo humor hoje e também muito mal educada. ---“E acho bom parar com essa melação, antes que eu perca a paciência.”
—--O que ela disse? ---Perguntou Ligea.
—--Disse que não está com ciúmes, é que se continuarmos com essa melação, ela vai ficar brava. ---Traduzi para Ligea, omitindo o fato da Pandora tê-la xingando e ameaçado jogar daqui de cima, se Ligea ouvisse isso, ficaria muito assustada e também nervosa.
—--Tudo bem, pandora, você manda. ---Disse Ligea docemente.
—--“Ótimo, ainda bem que sabe disso, se não depois iria se arrepender, você até ganhou uns pontinhos comigo.” ---Disse Pandora satisfeita, bem, pelos menos Ligea soube contornar a situação sem mais problemas.
—--Deuses, que jardim mais lindo, que pena que está escuro. ---Disse Ligea apontando para baixo, ela apontou para uma belo jardim, cheio das mais diversas flores e plantas, de todas as cores e tipos, havia um lindo lago também, onde havia dentro do pequeno lago, uma construção belíssima, em branco e dourado, onde se podia tomar um chá ou algo do tipo, também havia árvores, arcos bem feitos, estátuas, árvores onde Ninfas viviam, com ruas feitas de mármore branco, que levava das ruas principais, até o palácio da deusa dona daquele belo lugar, minha tia, Deméter. Como era a noite, somente o Quiosque estava iluminado, mas ainda assim, em volta dele, havia algumas luzes, que mostrava algumas das lindas flores desse jardim. ---Podemos pousar nele? Quero ver mais de perto.
—--Sim, podemos. ---Disse sorrindo para ela. ---“Desça perto do Quiosque Pandora.” ---Disse mentalmente para ela, assim, descemos rapidamente, pousando onde eu ordenará, eu desci das costas da Pandora e ajudei Ligea descer, ela sorriu e começou a admirar o ambiente ao nosso redor, ela foi até uma rosa vermelha, linda, bem vermelha, igual seus cabelos. Ela cheirou a rosa e sorriu.
—--Deuses que cheiro bom. ---Disse ela sorrindo, bem, na verdade todo o jardim cheirava muito bem, apesar de não poder ver ele inteiro, eu até podia vê-lo graças a minha visão de coruja, porém Ligea não, mas ela podia sentir os diversos aromas ao nosso redor.
—--Realmente ele ficou ainda mais bonito depois daquele incidente. ---Disse rindo, lembrando de algo no meu passado.
—--Incidente? ---Perguntou Ligea com uma sobrancelha levantada.
—--“Deuses, ainda morro de vergonha de lembrar daquilo.” ---Lamentou-se Pandora.
—--Bem, quando eu era criancinha, eu era meio pestinha as vezes, então, sem querer, acabei colocando fogo nesse jardim. ---Disse coçando a cabeça e rindo, em reposta Ligea caiu na gargalhada.
—--Mentira? Não acredito nisso, você o todo certinho, aprontando uma dessas? Me conta tudo, quero saber. ---Disse ela animada. Me senti nostálgico em tentar lembrar daquilo, e como sempre lembrei de cada detalhe, aos poucos fui enchido de memórias de minha infância no Olimpo.
—--Bem, eu era bastante obediente as regras e focado nos meus treinamentos, então não aprontava muito, porém, aqui no Olimpo, um lugar cheio de regras, onde você tinha que ter uma conduta perfeita e educada, ainda mais eu, sendo filho de Hera a rainha dos deuses, filho de Poseidon e neto de Atena, eu era cobrado ainda mais, postura, modos, entre outras coisas idiotas. ---Disse desanimado, lembrando das minhas aulas de etiqueta, claro que foi a própria dona Hera que me deu essas aulas, então não tive muita escolha a não ser aprender todas. ---Mas as vezes eu, Pandora e Festus, aprontávamos, e por isso fomos apelidados de: “o trio da bagunça”. ---Assim que eu disse nosso apelido, Ligea caiu na risada.
—--Trio da bagunça? Não acredito nisso. ---Disse ela rindo.
—--“Só de lembrar desse apelido, eu tenho vontade de me matar.” ---Lamentou-se Pandora novamente.
—--Bem, em todo caso, poderia dizer que demos muito trabalho para os deuses, principalmente as deusas, já que eu não tinha amigos naquela época, quer dizer, não tinha amigos humanos ou semideuses, eu tinha apenas Pandora e Festus comigo e de vez em quando aprontava um pouco. ---Disse seriamente, Ligea me escutava atentamente, com um pequeno sorriso de canto nos lábios. ---Bem, Festus e eu, éramos bastante imprudentes, mas Pandora tentava nos impedir, mas no fim, ela acabava levando a culpa também. ---Disse rindo.
—--Coitadinha da Pandora, tendo que cuidar desses dois irresponsáveis, sinto muito por você. ---Disse Ligea fazendo carinho na cabeça da Pandora.
—--“AAAAhhhh... Obrigado, você tem um bom coração afinal.” ---Disse Pandora meio chorando em minha mente.
—--Mas nesse caso especifico, uma grande parcela da culpa, foi dela. ---Disse rindo.
—--“Duro que foi verdade.” ---Disse Pandora suspirando em minha mente.
—--Anda, conta como foi, estou ainda mais curiosa agora. ---Incentivou Ligea.
—--Vem, vamos sentar no Quiosque, é uma história um pouco longa. ---Disse rindo, comecei a caminhar em direção ao Quiosque. ---Bem, isso aconteceu a mais o menos uns nove anos atrás.
Memórias Ligadas.
9 anos atrás.
Fazia algumas semanas que havia retornado do acampamento das caçadoras de Ártemis, foi muito divertido lá, com as meninas. Mas estou novamente no Olimpo, trancafiado como sempre, sou apenas uma criança de 8 anos de idade, apesar de tudo, de ser adorado pela maioria dos Olimpianos, eu era uma pessoa solitária, os deuses sempre estavam muito ocupados, então eu era uma criança solitária, as vezes, quando estava no meu horário de descanso, eu sentia vontade de aprontar alguma coisa, me divertir um pouco, mas tenho certeza que se fizesse algo desse tipo, Hera, minha mãe, arrancaria minha cabeça, ou pior, ela arrancaria as cabeças, isso mesmo, no plural. Porém, eu estava entediado demais para ficar mais um dia aqui dentro do meu quarto, jogando videogame ou lendo algum livro, eu queria fazer algo, qualquer coisa. Olhei para os meus dois “amigos”, bem, eu adoro eles, mas não sei de um Dragão de bronze gigante e uma Coruja gigante das neves, podiam ser chamados de amigos, mas eles eram meus únicos amigos na verdade, Pandora estava empoleirada na janela, olhando para mim, enquanto Festus estava em seu modo pequenino, um mini dragão de Bronze Celestial, ele tinha 10cm, e tinha olhos vermelhos com 2 rubis no lugar de olhos, ele estava deitado aos pés, eles apesar de tentarem sempre evitar que eu me metesse em problemas, eles tinham que me obedecer, caso eu coloca-se algo na cabeça, e mandasse-os me ajudar, eles fariam. Então, eu já tinhas meus comparsas para a bagunça, agora eu só precisa pensar em algo para me divertir, talvez se eu fizesse uma encenação de batalha com Festus, o enorme dragão psicótico que tenta me matar, sim, vai ser divertido.
—--“Não, essa cara de novo não.” ---Disse Pandora em minha mente, revirei os olhos para ela.
—--Que cara? Pandora? ---Perguntei incrédulo.
—--“Não me venha com essa, eu te conheço.” ---Esbravejou a pequena coruja em minha mente. ---“Você está planejando algo, pensando em alguma bendita idiotice, alguma pegadinha, brincadeira de mau gosto, qualquer coisa para irritar as deusas.” ---Acusou ela, dei de ombros sorrindo, ela quase estava certa, mas ela percebeu meu olhar e continuou a dizer. ---“Anão, é pior do que eu pensei, na verdade você até já pensou em algo para irritar elas, não é mesmo?” ---Perguntou ela levemente irritada na minha mente.
—--Bem, basicamente você está certa. ---Concordei com ela.
—--O que aconteceu? ---Perguntou Festus confuso.
—--Tive uma ideia para nós tirar desse tédio todo. ---Disse sorrindo para ele.
—--Eu estou dentro. ---Disse Festus alto, ficando de pé.
—--“Como é?” ---Perguntou Pandora incrédula na minha mente, apesar de tudo, Pandora só podia se comunicar com os descendentes de Atena e outras corujas, então Festus não podia entender ela.
—--O que ela disse? ---Perguntou ele para mim, já Festus podia tanto se comunicar mentalmente comigo, quanto externar sua voz para qualquer um ouvir.
—--Ela disse que também está dentro. ---Menti para Festus.
—--“O que?” ---Gritou ela indignada na minha mente, infelizmente ela podia entender o que os outros falavam. ---“Mas é claro que não disse isso” ---Brigou ela comigo, dei de ombros sorrindo.
—--Então, qual é o Plano? ---Perguntou Festus.
—---------------------------------- Quebra de Tempo. -------------------------------------------------------------------------------------------
Depois de sair pela janela do meu quarto, para que minha mãe não percebesse, então comecei a explicar meu plano de diversão, para Festus e Pandora, Pandora ficou muito nervosa, e por fim, acabamos indo direto para o coliseu do Olimpo, lugar onde eu treinava meus poderes e habilidades de luta.
—--“VOCÊ ENLOUQUECEU?” ---Gritou Pandora em minha mente.
—--Não grita assim, dói sabia. ---Disse colocando a mão na cabeça, por causa da pontada que senti, por causa do grito da Pandora.
—--“MAS ESSA ERA A INTEÇÃO.” ---Continuou ela gritando. --- “SÓ PARA COMEÇAR, QUEM SABE SE COMIGO GRITANDO, VOCÊ NÃO ESCUTA, PORQUE QUANDO EU FALO NORMAL, VOCÊ NÃO ME ESCUTA.”
—--O que ela disse? ---Perguntou Festus.
—--Disse que está dentro, pronta para a brincadeira, ela até ficou eufórica, animada para participar. ---Menti novamente para Festus.
—--“PARA DE MENTIR, PERSEUS.” ---Gritou Pandora nervosa em minha mente.
—--Então, pronto para começar Festus? ---Perguntei ao meu dragão, enquanto ignorava a Pandora. Festus em resposta começou a brilhar fracamente, quando esse brilho cessou, ele já não era apenas uma miniatura, mas sim, um enorme Dragão de Bronze, de 10 metros de altura, 20 da calda a cabeça e 50 metros de uma asa a outra, com garras do tamanho de espadas e tão afiadas quanto.
—--“Vocês só podem estar loucos, vocês vão mesmo lutar?” ---Perguntou Pandora incrédula.
—--Preparado Festus? ---Perguntei para ele.
—--“Não, Percy, para com isso, agora.” ---Disse Pandora em minha mente, ela ainda estava em sua pequena forma de coruja de 15cm, voando perto do meu rosto.
—--Pronto, Percy, venha com tudo. ---Disse Festus se colocando em forma de combate.
—--“Meus deuses, não acredito que isso está acontecendo.” ---Choramingou Pandora. Eu me preparei também, olhei para o enorme dragão, senti algo pulsar no meu coração, era ansiedade, euforia, sempre tive vontade de enfrentar um dragão, eu realmente ansiava lutar contra um dragão, mesmo que fosse meu próprio robô dragão, autômato, eu iria lutar para valer e o plano inicial de ser apenas encenação, se tornou algo mais como uma batalha amistosa na minha cabeça. ---“Percy, pelo amor de Atena, não faça isso, pense um pouco.” ---Implorou pandora na minha mente.
—--Pandora, apenas relaxa, nós viemos para o coliseu, de tanto que você incomodou, além disso e apenas um treinamento leve, então apenas assista esta luta. ---Disse a Pandora, antes de controlar as correntes de ar para cima, começando a usar uma técnica de voo da minha benção que tive de Zeus. Festus soltou uma coluna de chamas na minha direção, mas não me dei ao trabalho de desviar, eu era imune a fogo, ainda dentro da cortina de fogo, Festus não tinha diminuído a intensidade das chamas, mas eu me concentrei em formar um Tufão, usando toda minha concentração e força, de dentro da minha mão, impulsionei ela na direção de Festus, um Tufão de tamanho médio se formou, por mais que eu tivesse usado meu poder nele e foi em direção a Festus, que ainda jogava fogo em mim, o Tufão ia separando o fogo, até que atingiu Festus na lateral do seu corpo, o arremessando na coluna do Coliseu, com força, o enorme Dragão colidiu com a parede, a quebrando com seu enorme peso.
—--“Perseus, ficou louco.” ---Gritou Pandora alarmada em minha mente. Comecei a descer do céu, respirando pesadamente, por usar tanta energia, pousei no chão.
—--Então, é para usar tanto poder assim? ---Perguntou Festus rindo alto, se levantando da coluna quebrada, ele sacudiu a poeira do seu enorme corpo de metal, ele ficou de pé, ou melhor dizendo, em quatro patas. ---Então vamos esquentar um pouco as coisas. ---Antes que ele pudesse fazer seu movimento, eu me concentrei nas nuvens a minha volta, eu não queria água, eu queria outra coisa, me concentrei na eletricidade que estava dentro da nuvem e puxei uma corrente elétrica muito forte dela, um raio azul, por causa do tempo frio. Bem, vou explicar, a cor azulada em um raio, indica a presença de partículas de gelo, a cor amarela, por sua vez, indica a presença de poeira, enquanto a cor branca é sinal de um ar muito seco. O raio azul desceu diretamente na cabeça do Festus, fazendo um barulho alto, e deixando o por um momento com o corpo inteiro brilhando em azul, com o impacto do raio Festus foi jogado novamente para o chão, com força, fazendo um pequeno buraco no chão do coliseu, abaixo de seu enorme corpo. Mas em resposta ele lançou uma coluna de chamas de novo, mas Festus sabia que eu era imune a fogo, porém antes de eu poder notar seu plano, eu somente senti o impacto de uma enorme calda de metal, batendo na lateral do meu corpo com força, me arremessando para longe, senti o impacto contra a parede do Coliseu e a parede se quebrando, comigo passando, cai no chão com violência, enquanto rolava na estrada de mármore branco da cidade do Olimpo.
—--“Meu deus, vocês estão loucos? Vocês estão fora de controle.” ---Pude ouvir os gritos de Pandora na minha mente, meu corpo estava tomado de dor, mas mesmo assim, me forcei a ficar de pé, estava eufórico com essa batalha, enfrentar Festus não era brincadeira, melhor dizendo, enfrentar dragões não era brincadeira. Minha visão ainda estava um pouco embaçada, por causa do impacto, parecia que não havia quebrado nem um osso, felizmente. Olhei para meu corpo, apesar de ser imune a fogo, minhas roupas não eram, então elas estavam somente o trapo. Vi uma enorme forma sair para o céu, Festus, ele veio voando desengonçadamente na minha direção, acho que a eletricidade afetava um pouco seus controles, também poderia dizer que eu estava avariado, pois tentei me levantar, mas me desequilibrei e cai de joelhos no chão. Com os cantos dos olhos, eu podia ver alguns dos moradores do Olimpo, entrando em pânico, por causa do nosso combate. Porém Festus não estava ligando para isso, ele não esperou eu mal me levantar, sua enorme calda veio novamente na minha direção, pulei para o lado, rolando em um gramado fofo, olhei para onde eu estava a poucos segundos, havia um enorme buraco, mas por causa do impacto do ataque, Festus desequilibrou e caiu, essa era minha chance, fiquei de pé, coloquei minhas duas mãos para cima, e comecei a me concentrar em criar uma bola de fogo, forte a ponto de poder danificar a dura proteção de Festus, e esquentar seus sistemas para que ele pudesse desligar, eu comecei a juntar aquela enorme quantidade de energia na bola de fogo, ela foi ganhando tamanho e temperatura, Festus tentava levantar, mas a eletricidade havia avariado demais o seus sistemas.
—--Eu vou ganhar. ---Disse quando estava prestes a jogar a bola em Festus.
—--“Não faça isso.” ---Pandora disse na minha mente, então com os cantos dos olhos vi um vulto branco vir na minha direção, e algo bater na lateral do meu corpo, me desequilibrando, então eu errei o alvo do meu ataque e acabei arremessando a bola de fogo para algum lugar, mas não dei muita importância para isso, voltei minha atenção para a enorme coruja voando perto de mim.
—--Pandora, por que fez isso. ---Esbravejei com a coruja, mas ela não me respondeu.
—--“Meu deuses, o que você fez.” ---Disse ela preocupada na minha mente, ela olhava para algo atrás de mim, quando virei na direção que ela olhava, meu coração falhou uma batida, um Jardim, repleto da mais bela vegetação de todo o Olimpo, estava ardendo em chamas, para piorar, não era apenas qualquer jardim, era o jardim preferido da minha tia Deméter, o jardim da entrada do seu palácio.
—--Caramba. ---Disse me levantando rapidamente, o fogo já havia pego diversas árvores, muitas das plantas, estátuas, tudo estava ardendo em chamas, o vento estava forte, e o fogo ia se propagando rapidamente, eu havia usado muita energia naquele ataque. ---Eu preciso apagar o fogo. ---Disse nervoso, quando Deméter visse aquilo, eu perderia minha cabeça, minhas cabeças. Corri para mais perto, e tentei começar a me concentrar na chama, para tentar fazê-la apagar.
—--“Percy, faça alguma coisa.” ---Disse Pandora desesperada na minha mente. Eu precisava manter a calma, se não conseguisse me acalmar, não poderia apagar o fogo, na verdade eu iria fazê-lo se alastrar mais ainda. ---“FAÇA ALGUMA COISA.” ---Gritou pandora na minha mente, deuses, ela não está ajudando. Continuei tentando fazer o fogo cessar, mas meus poderes não me respondiam, não sei se estava esgotado demais, ou nervoso demais, mas eles simplesmente não respondiam. ---“NÃO FIQUE AI PARADO, PERSEUS.” ---Gritou ela novamente na minha mente, me deixando ainda mais nervoso. As chamas continuavam a engolir as árvores com uma velocidade incrível, para ajudar o vento havia aumentado, agora nesse fim de tarde. ---“PERSEUS, ESTÁ QUEIMANDO.”
—--EU TO VENDO PANDORA, NÃO SOU CEGO, PARE DE GRITAR, PRECISO ME CONCENTRAR. ---Gritei irritado, tentei novamente controlar as chamas, mas elas não me respondiam e começavam a queimar ainda mais, agora, o fogo já havia engolfado boa parte do lindo jardim.
—--“USE A ÁGUA, DO LAGO, DO LAGO, RÁPIDO.” ---Gritou Pandora, eu assenti, comecei a correr na direção do lago, as chamas não demorariam a chegar aqui nesse ritmo. Tentei controlar a água do lago, mas eu apenas consegui pegar um parcela insignificante. ---“QUE MERDA É ESSA? ---Gritou Pandora novamente na minha mente, tirando minha concentração, fazendo-me perder novamente o controle a água, que voltou para o lago.
—--CALA A BOCA, GRITAR NÃO AJUDA. ---Gritei para ela, eu estava cansado, sem forças e irritado, o fogo estava destruindo totalmente aquele belo jardim, eu não conseguia usar meus poderes com toda essa pressão na minha cabeça.
—--“ESSA É A HORA PERFEITA PARA ENTRAR EM PÂNICO.” ---Gritou Pandora em minha mente.
—--Com toda certeza é. ---Disse colocando a mão na cabeça, olhando o fogo destruindo todo aquele belo jardim. Então de repente, uma voz fez todo o Olimpo tremer, essa voz fez meu coração falhar e minhas pernas bambearem de medo.
—--PERSEEEUSSSSSS....
Memórias Desligadas.
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