Percy Jackson o Guerreiro Sem limites
123 Capítulo 123
Notas iniciais
POV: Perseus Heitor Jackson.
A luz forte do dia ensolarado batia em meu rosto, era uma tarde quente do verão, a brisa da tarde cortava meu rosto, ela era quente, o verde e o azul faziam parte da minha visão, apesar delas serem as cores predominantes, haviam outras, principalmente em enormes árvores, amarelo, vermelho, laranja, entre tantas outras, borboletas e pássaros voavam entre elas, vivendo suas vidas pacificamente, a água estava calma, um grande lago estava logo atrás das árvores, parecia um espelho de tão belo, ainda mais refletindo as cores do pôr do sol, era um lindo pôr do sol, ele ia se pondo ao horizonte, olhei mais para baixo um pouco e avistei alguns prédios, enormes prédios, eu reconheci o lugar, era o Central Park, estava um tanto vazio. Vi um homem parado ao meu lado, sua expressão era irritada, ele parecia bastante nervoso, eu reconheci o homem de imediato, era meu pai, mas eu já havia estado nessa memória antes e não faz muito tempo, parecia exatamente a mesma tarde que vi na última vez que dormi. É eu estava certo, logo no meu campo de visão uma certa mulher muito amada apareceu, minha mãe Sally Jackson, ela estava exatamente com as mesmas roupas do meu outro sono, eu acho que isso era de alguma forma a continuação do meu outro sonho, algo que eu não consegui terminar de ver e eu tinha que ver. Minha mãe veio andando lentamente na direção do meu pai, seus olhos demonstravam grande preocupação, meu pai não notou a aproximação dela, até que ela acariciou o rosto dele.
—--O que foi, meu amor? ---Perguntou minha mãe docemente, em resposta Poseidon forçou um sorriso.
—--Nada, não foi nada, Sally, não precisa se preocupar. ---Disse meu pai rapidamente, tentando não preocupar ela.
—--Não minta pra mim, sei que aconteceu algo, seus olhos não mentem. ---Disse minha mãe emburrada, cruzando os braços sobre o peito e olhando irritada pro meu pai.
—--Não aconteceu nada, apenas bobagens de Zeus, querida, vem, vamos continuar a aproveitar nossa tarde. ---Disse meu pai docemente, tentando puxar minha mãe de volta para o gostoso piquenique.
—--Poseidon, desembucha logo. ---Incentivou Sally irritada, sorri com aquilo, minha mãe era teimosa, descendentes de Atena odeiam não saber das coisas. ---Agora. ---Decretou ela, meu pai suspirou derrotado, ele sabia que não conseguiria convencer ela que tudo estava bem.
—--Tudo bem, tudo bem ---Disse Poseidon erguendo as mãos em sinal de rendição, um leve sorriso brincou nos lábios da minha mãe, mas ela ainda tinha uma expressão muito séria. ---Zeus está descontente com minhas últimas ações, ele acha que de alguma forma estou faltando com meus deveres de deus rei supremo dos mares, isso demonstra fraqueza e isso pode ameaçar o domínio soberano dos Olimpianos, bem, algo nesse sentido, bobagem, não é mesmo?! ---Disse ele sorrindo, tentando sair dessa discussão contado apenas uma parcela do ocorrido, mas minha mãe notou sua intenção de imediato.
—--Continua. ---Incentivou ela.
—--É só isso, eu disse que era bobagem. ---Disse ele docemente, mas isso não adiantou.
—--Por que você fica escondendo as coisas de mim, eu quero saber tudo. ---Brigou ela.
—--Querida, não precisa se estressar, isso não faz bem pra você, minha linda. ---Disse meu pai acariciando o rosto da minha mãe com uma das mãos, ela sorriu com a caricia dele. ---Isso não faz bem ao pequeno Perseus, deixe tudo comigo, eu resolvo. ---Disse ele acariciando a barriga enorme da minha mãe.
—--Poseidon, eu sei que você só quer me proteger, eu amo isso em você, seu enorme coração e seu cuidado sobre mim e nosso pequeno guerreiro. ---Disse minha sorrindo, acariciando a mão que tocava a sua barriga. ---Mas eu preciso saber de tudo, eu quero saber de tudo, se Zeus está com algum problema comigo e com nosso filho, eu tenho que saber.
—--Eu nunca vou deixar ele fazer nada com vocês, nunca, isso é uma promessa, haverá guerra se ele encostar em vocês. ---Rosnou meu pai irritado, minha mãe sorriu com a resposta dele.
—--Eu sei, eu sei disso, sei que você nós protegeria com todos os seus poderes e recursos, mas eu só quero que você me conte a verdade. ---Disse minha mãe seriamente, por fim, meu pai suspirou, ela havia conseguido dobrar ele, isso não era nada fácil também.
—--Zeus acha que eu tenho que retornar para o mar, te deixar e deixar nosso filho, ele não concorda com meu divorcio com Anfitrite, agora ele veio até aqui e disse bem na minha cara que a minha superproteção pode trazer consequências a vocês, eu destruirei qualquer um que tente fazer isso com vocês, eu não vou acatar as ordens dele, se ele quer uma briga, ele vai arrumar uma....
—--Não, não haverá brigas. ---Disse minha mãe cortando meu pai, ele olhou confuso para ela. ---Não haverá guerras e mortes sem sentido, se Zeus quer que você retorne ao mar, eu estou de acordo com isso....
—--Como é? ---Perguntou meu pai interrompendo minha mãe, ele parecia incrédulo com a resposta dela, confesso que eu também finquei um pouco, apesar de entender o ponto de vista da minha mãe, ela só não queria trazer problemas pro meu pai, isso era louvável, ela tinha um enorme coração, com certeza. ---Você está me mandando embora? Por causa de Zeus e suas paranoias? Você quer que eu abandone você e nosso filho?
—--Não, não, querido. ---Disse minha mãe acariciando o rosto do meu pai, os olhos da minha mãe estavam levemente marejados. ---Eu sei que você nunca irá nos abandonar, mesmo que eu pedisse para você fazer isso, eu só não quero que isso transforme toda essa paz que temos hoje em dia em guerra, eu não quero causar problemas a todos no mundo com uma guerra tola, eu não quero que nosso filho nasça em meio a batalhas e morte, não quero que ele sofra, não quero que você sofra, eu somente quero o bem para todos nós e se o preço para a paz é desistir do nosso amor, mesmo que me doa demais é um sacrifício que eu estou disposta a fazer, isso não quer dizer que eu não te ama, eu te amo Poseidon, por isso deixo você ir. ---Disse minha mãe com a voz embarcada, lágrimas desciam do seu rosto, também pude ver que meu pai estava com os olhos levemente marejados.
—--Mas eu não quero te deixar. ---Disse meu pai abraçando minha mãe docemente.
—--Eu também não quero, mas as vezes meu amor, sacrifícios são necessários para manter a paz. Levantei em um pulo, olhei para os lados procurando meu pai e minha mãe, mas então eu lembrei que tudo aquilo não passou de uma lembrança, uma lembrança que aconteceu a pelo menos 17 anos atrás, antes mesmo de eu nascer, eu estava um pouco confuso e irritado com o que tinha sonhado, estava irritado pela forma idiota que Zeus agiu com meu pai e seu relacionamento com a minha mãe, ele agiu com um verdadeiro rei tirano, tentando controlar tudo a sua volta com mão ferro, eu até que entendia o ponto de vista de Zeus, apesar de ser um pouco exagerado, o modo como meu pai agiu podia mostrar fraqueza, mas eu não acredito que demonstraria fraqueza a ponto de incentivar uma rebelião contra os Olimpianos, o modo incrível que minha mãe, agiu como ela estava disposta a sacrificar seu amor pelo meu pai, somente para me proteger e proteger os outros a seu redor, também fiquei feliz em ver a forma que meu pai agiu, ele estava desposto a fazer de tudo para proteger a minha mãe e a mim. Tentei afastar aqueles pensamentos que tive do meu sonho, eu estava em um dos quartos da enfermaria, em um dos quartos herméticos, ou seja, água não havia dentro, nem nada, nem um tipo de bactéria ou qualquer coisa que possa deixar Ligea ainda mais doente, já que seu corpo estava tão fragilizado, tivemos que tomar tais medidas, para não deixar nada piorar a situação de Ligea, então para poder entrar e ficar aqui, tive que me lavar e passar por vários processos, mas como estávamos em baixo d’agua, algumas das bactérias comuns no mundo mortal, não entravam, então felizmente não tive que usar aquelas roupas estranhas, eles tinham elas aqui, confesso que fiquei impressionado com toda a parafernália medica e moderna, mas não esperaria menos de Roda. Eu estava aqui parado a horas, sentado em uma cadeira, ao lado do corpo inconsciente da Ligea, tanto que acabei cochilando e tive aquele sonho estranho. Bem, Ligea dormia tranquilamente, em uma maca, cobertas de algas verdes, um fino lençol cobria seu corpo, seu rosto, estava ainda sem cor, seus lábios estavam rachados, por causa da febre forte, pois seu organismo todo, estava fragilizado, ela fora envenenada por uma das cobras mais venenosas do mundo, depois foi queimada viva, chegando a beira da morte, daquela forma horrorosa. Depois do “incidente”, de eu novamente, ter perdido o controle sobre mim, ter matado Nereu, e quase matado Ligea, teria matado, se Roda não tivesse aparecido a tempo, para apagar o fogo sagrado azul, seu poder sobre a água e incrível, diga-se de passagem, apagar o Fogo Sagrado, era incrível, este fogo simplesmente queima tudo, inclusive a água, mas o controle da Roda e seu poder aquático era forte o suficiente para apagar, acredito que somente ela e meu pai, possam controlar a água em um nível como esse, além disso, o pior de tudo, era ter perdido o controle e a consciência novamente, eu simplesmente fui narcisista e orgulhoso demais, pensando em estar pronto para manipular a chama sagrada, entretanto a verdade era que eu não estava pronto, fui soberbo, no fim das contas perdi a consciência e quando retomei, mau pude controlar as chamas, para apaga-las, se Roda não tivesse chego, eu teria mesmo matado Ligea. Assim que que Roda apagou o fogo, levamos o corpo inconsciente de Ligea para a enfermaria do Palácio, onde ela recebeu um tratamento mais intensivo, com Néctar, diretamente na corrente sanguínea, aquilo seria fatal para qualquer semideus ou mortal, porém para uma Nereida imortal, iria ajudá-la a recobrar as forças com mais facilidade, porém mesmo para ela tinha um limite, então devia ser cuidadosamente analisado e dosado a quantidade diária que ela suportaria.
Analisei o corpo de Ligea, não havia marcas de queimaduras, graças a cura aquática que usamos nela, mas ela havia perdido peso, pelo menos uns dez quilos, ela parecia tão frágil e fraca, mesmo assim olhando-a atentamente para seu rosto, ela era uma das mulheres mais lindas que eu conheci. Sem perceber, senti algo molhar meu rosto, passei a mão era lágrimas, eu simplesmente não podia acreditar que quase matei Ligea, deuses, como eu podia ter perdido o controle dessa forma, machucar meus companheiros, aliados, meus amigos, eu quase a matei, quase a queimei até a morte, eu me sentia uma total aberração, uma pessoa horrível, não tinha nada mais a acrescentar aquela barbaridade que fiz, não só o fato de ter quase matado Ligea, sim, claro que isso foi a pior coisa de longe, mas o fato de eu ter feito o que fiz com Nereu, não que ele não merecesse, isso eu tinha certeza que ele merecia, morrer sofrendo daquela forma, mas o fato do que senti, a raiva, o ódio, eu até ouso dizer que senti o prazer, prazer de ver aquele ser desprezível queimar, sentir muita dor, assim como quando fiz com sua filha, Anfitrite, senti muito prazer em matar ambos, eu simplesmente gostei de mata-los, eu me peguei sorrindo enquanto via o corpo de Nereu queimar, matar eles de formas dolorosas, mas diferente do que fiz com ela, eu matei ele lentamente, eu queria vê-lo sofrer, só a morte não bastava, tinha que ser um morte lenta e dolorosa. Eu estava tão confuso, eu estava alimentando o mal que estava dentro de mim, talvez Cronos tenha razão é eu esteja mesmo me tornando um monstro por completo, toda essa raiva dentro de mim, isso estava machucando as pessoas ao meu redor, as pessoas que eu amava, aconteceu isso com Clarisse e agora Ligea, quando elas não se machucavam pelos meus erros e minha fraqueza, eu as mesmo machucava com as minhas próprias mãos, estava novamente ficando cada vez mais parecido com meu antigo eu, meu eu da Prisão das Almas, aquela ser nojento e desprezível que fui naquela época, frio, impiedoso e maldoso, eu só podia me descrever como uma pessoa horrível, um verdadeiro monstro.
—--General Perseus. ---Disse uma voz, chamando minha atenção, mas ela saiu estranha, chiada, me virei, do outro lado da sala, avistei Depp, o Tritão, ele estava do outro lado da porta, ele ainda parecia o Tritão mais humano que conhecerá, apesar de saber, que os Tritões tinham a habilidade de se transmutarem em verdadeiros humanos, podendo viver na superfície, como uma pessoa comum, a aparência de Depp, ele até tinha um rabo de peixe cinza escuro da cintura para baixo, mais sua parte de cima, era ainda mais humano que os outros, sua pela pele era normal, um pouco bronzeada, quase negra, mas não era azul, seus olhos eram de um verde brilhante, mais comuns, com esclerótica e pupila, diferente dos outros, que tinham os olhos inteiramente verdes e brilhantes, como aquele fluído que se coloca dentro daquelas pulseiras fluorescentes, e seu dente eram normal, como de um humano, não como os de um tubarão, ele até tinha cabelo escuro e curto. ---O rei e a rainha, estão solicitando sua presença, na sala de comando, imediatamente.
—--Sim, estou a caminho. ---Disse para ele, me virei para Ligea, limpei as lágrimas que desciam pelo meu rosto, dei uma última olhada para o corpo de Ligea. ---Me desculpe, isso não vai mais acontecer, eu prometo. ---Disse para ela, baixinho, somente para ela ouvir, mesmo que ela estivesse inconsciente e não pudesse me entender, muito menos responder. Me virei e caminhei até a porta, Depp ainda estava lá, a minha espera? Qual é? Minha vó acha que vou fugir da bronca? Isso pode soar ridículo, mas depois de tantas vezes que a desobedeci, entendia seu lado. ---Você é meu guarda costa? Atena está com medo de eu fugir? ---Perguntei a Depp, quando cheguei perto dele.
—--Não, não senhor, eu que fiquei por conta própria. ---Adiantou-se Depp rapidamente. ---Bem, além disso, como alguém como eu, possa segurar alguém como o senhor, precisaria de um exército de Tritões para isso. ---Disse ele sorrindo simpaticamente.
—--Bondade a sua, não sou tão forte assim. ---Disse distraidamente para ele, enquanto nadávamos em direção a sala de comando.
—--Como não, o senhor é um verdadeiro guerreiro, incrivelmente forte e impressionante, tão impressionante que fez a própria água pegar fogo, cara, se isso não e ser incrível, eu não sei o que é, você destruiu monstros incríveis, colossais, como Hafgufa, só de ver aquela coisa, eu tremi que nem uma alga velha, congelei, o senhor não, foi lá e a destruiu, depois o que você fez com Nereu, um dos principais líderes do exército inimigo, fez parecer ser fácil, esmurrou ele com as mãos nuas, depois o queimou, em baixo d’agua, aquilo foi tão incrível . ---Disse Depp eufórico, mesmo com tudo aquilo, todos os elogios que ele fez, eu não me senti nenhum pouco melhor. ---Bem, o fato e que eu queria agradecer, pelo senhor te salvo minha vida e a dos meus amigos, muito obrigado.
—--Salvado sua vida? Dos seus amigos? ---Perguntei confuso, subimos em um tiro para cima, em um chafariz, deixando-nos no longo corredor, ao fim dele, encontrava-se a sala de comando, onde minha avó e meu pai, estavam.
—--Sim, claro, se o senhor não tivesse derrotado Nereu, queimando a própria água, assustando os Tritões que nos atacavam, seria uma questão de tempo, mas eles por fim, acabariam por nos derrotar. ---Disse ele sorrindo para mim, confesso que aquilo me fez, sentir-me melhor, mesmo que fosse um pouco, porém mesmo aquilo, não me fez mudar de ideia sobre a minha escolha. Paramos em frente a dupla de Golfinhos segurança, que guardavam a porta da entrada, eles eram enormes, braço e cinza, estavam de “pé”, segurando lanças em suas nadadeiras. ---De qualquer forma, sua vitória, fez o exército inimigo recuar, assustado.
—--Ao menos, uma boa notícia. ---Disse para ele, forçando um sorriso.
—--Não se preocupe, enquanto a Ligea, ela é forte, aquilo não foi nada, senhor. ---Disse ele sorrindo, eu assenti, tentei retribuir o sorriso, mas não estava com humor para sorrir de verdade. Ele se virou e nadou de volta.
—--Depp. ---Chamei-o, ele se virou e sorriu para mim, seus olhos verdes brilhantes, me olhando atentamente. ---Não me chame de senhor, me sinto um velho.
—--Entendo, deixe comigo. ---Disse ele sorrindo, ele se virou para partir. ---Tenha um bom dia, senhor. ---Disse ele rindo e nadando mais rapidamente.
—--Idiota. ---Disse divertido, me virei para entrar para sala de comando, respirei fundo, eu tinha certeza da minha decisão. Respirei fundo e assenti para os dois golfinhos, eles abriram as portas, eu nadei para dentro. Eu avistei meu pai, minha avó e Roda, eles falavam entre si, eles estavam sérios, meu pai estava elegante, trajando sua armadura, feita de Oricalco, era verde-mar, brilhosa, com um enorme desenho de tridente negro em seu peito, ele estava sem o capacete, o que deixava seu rosto amostra, seus cabelos rebeldes e negros, como sempre, seus olhos verde-mar, mas do que nunca, irradiavam força, e pareciam conter todo o poder do mar, dentro deles e era exatamente isso que tinha ali, ainda mais naquele momento de guerra, ele se apoiava em uma cajado dourado, eu sabia que aquele cajado, era o Tridente Supremo dele, sai arma mais poderosa. Meu pai foi o primeiro a notar minha presença, assim que me notou, sua expressão séria de sempre, bem, pelo menos desde o começo dessa guerra, se tornou sorridente.
—--Percy, meu filho. ---Disse ele sorrindo, minha avó se virou pra mim, Atena, ela trajava sua armadura dourada, entalhada no peito da armadura, um desenhos de asas de corujas, ela não usava seu capacete, o que deixava seu lindo e serio rosto amostra, sua pele branca realçava com o dourado da armadura, seus cabelos negros e lisos, até o meio das costas, balançavam com as correntes marinhas, ela não se molhava em baixo D’água, sendo rainha do mar, porém, seus olhos, estavam mais calmos, mas ainda eram aquela imensidão, cinza tempestade, quando ela me notou, sorriu largamente, o que sinceramente, me fez sentir pior. Sem esperar por qualquer outro palavra, eu me ajoelhei perante eles, colocando o joelho da minha perna direita apoiado no mármore, olhando para baixo.
—--Levante-se, Percy, meu querido. ---Disse minha avó docemente, eu a obedeci, porém não tive coragem de olhar em seus olhos, eu havia a desobedecido novamente, eu simplesmente, não dava uma dentro, de certo modo, eu sempre decepcionava as pessoas mais importantes pra mim é aquilo estava me cansando, magoar estas pessoas, desaponta-las com meus erros, estava me doendo cada vez mais. ---Bem... o exército de Oceano, recuou, quando soube da derrota do Nereu, então, mesmo que você tenha me desobedecido, novamente, foi por uma boa causa, você matou um dos líderes do exército inimigo, fez ele recuar para se agrupar, além disso, para coroar sua ação, salvou a vida da Ligea. ---Aquele final, fez meu estômago revirar e meu peito se afundar, pensando melhor eu não tinha feito nada daquilo.
—--Foi incrível. ---Disse Roda entusiasmada, ela trajava sua armadura, feita de Oricalco, branca com desenhos de tridentes verdes, nos ombros e no peito, ela não usava seu capacete, o que deixava seu lindo rosto amostra, seus cabelos negros esverdeados, que iam até a metade das suas costas, seus olhos eram de um verde claro, seu sorriso era largo. ---Você evoluiu tanto com nosso treinamento, controlar o veneno para fora daquela forma incrível, sobre tanta pressão, eu levei anos para aprender está habilidade, você retirou o veneno com uma maestria incrível, estou tão orgulhosa de você. ---Escutar aquelas palavras, foram como se ela estivesse me gozando, como ela poderia dizer aquilo, a única coisa que passava na minha cabeça, era o rosto de Ligea desfigurado de tanta dor, seu corpo queimando.
—--Sabia que você não iria me decepcionar, meu filho, você foi incrível. ---Disse meu pai feliz, eu não tive coragem de olha-los nem por um instante.
—--Claro, depois de tudo isso, estou reconsiderando minha decisão, eu fui equivocada enquanto aquilo, eu errei, você devia ser parabenizado por tudo que tem feito, todas as suas vitorias. ---Minha avó começou a dizer. Eu não suportava ser elogiado, não depois de tudo que fiz, eu esperava ser rechaçado, ser preso novamente, talvez ser fulminado até a morte, eu merecia aquilo, mas eu não sabia o por que dela estar me elogiando daquela forma, eu quase matei a Ligea, quase a fiz queimar até a morte. Eu não entendia, como alguém como eu, possa ter feito aquilo, ter machucado um próprio companheiro de exército e ser elogiado por aquilo, então eu tomei a minha decisão, eu ainda não estava pronto para guerra, eu não sei se um dia estaria. ---Então, General Perseus, tenho muito prazer em devolver todos as suas responsabilidades, você não está mais preso, por seus atos na batalha de hoje mais cedo, você vai receber um banquete essa noite, em sua homenagem...
—--Para. ---Cochichei a interrompendo.
—--Desculpe, meu querido, você disse algo? ---Perguntou minha avó.
—--Para de dizer essas bobagens sobre mim. ---Disse mais alto, olhando para os olhos da minha avó, ela recuou com o tom de voz que usei.
—--Percy, o que foi? Por que está tão nervoso? Meu filho. ---Perguntou meu pai confuso.
—--Você enlouqueceu, Percy? ---Perguntou Roda confusa.
—--Não, não enlouqueci, vocês sim, enlouqueceram. ---Disparei para eles.
—--Como assim querido? ---Perguntou minha avó.
—--Como posso comemorar, como posso receber prêmios e banquetes de comemoração, depois de tudo que fiz hoje. ---Disse segurando o choro.
—--Percy, você está brincado? ---Perguntou Roda confusa, forçando uma risada.
—--Não, vocês que só podem estar brincando, eu quase matei a Ligea lá, vocês se esqueceram? ---Perguntei para eles.
—--Percy, aquilo foi um pequeno erro, um infeliz acidente. ---Disse meu pai docemente.
—--Além disso, Ligea vai ficar bem, ela logo acordará. ---Disse Roda sorrindo pra mim.
—--E daí? Isso não muda nada, o fato horrível e imutável e que eu quase a matei, teria matado, se Roda não chegasse a tempo, para apagar o fogo, eu fui soberbo e narcisista, confiante demais, no final, não pude controlar meus poderes, nem apagar a chama sagrada de Héstia. ---Disse com lágrimas nos olhos.
—--Percy, por que você dá mais valor aos seus erros do que os seus sucessos? ---Perguntou meu pai nervoso.
—--Por que os sucessos só duram até alguém os destruírem, supera-los ou caírem no esquecimento, já as falhas são para sempre e as consequências são ainda piores. ---Disse para ele.
—--Percy, você não é um deus, e apenas um semideus, até mesmo deuses erram, ninguém é perfeito, todo o tempo. ---Disse meu pai irritado. ---Você errou sim, agora e só seguir em frente, superar seu erro, tentar melhorar e pedir desculpas.
—--Coisa poderosa essas “desculpas”, toda a dor que eu a fiz sofrer, eu quase a matei, então uma simples palavra, simples desculpas, resolvem tudo? ---Perguntei sarcástico. ---Isso não me parece justo.
—--Justiça? ---Perguntou minha avó irritada. ---Então esse é o ponto, você acha que a justiça é o problema? Você causou a dor da Ligea, fez ela sofrer, então o mesmo que você fez a Ligea sofrer, você tem que sofrer? Isso seria o justo? ---Perguntou ela, eu travei, eu não sabia o que responder, eu por muito tempo, pensei que eu tinha que sofrer o mesmo tanto que fiz as pessoas sofrerem, para equilibrar as coisas, como quando minha mãe, Sally morreu, e eu achava, que tinha que morrer e ir para os campos de punição, sofrer por toda eternidade, por deixar sua mãe morrer, então aconteceu comigo, eu paguei tudo em dobro, em triplo, toda a dor que senti, eu fui para a Prisão da Almas, fui torturado pelo maldito do Kraken, então depois de toda aquela dor, eu percebi, que nada mudou, minha mãe continuou morta, o fato dela ter morrido não mudou, eu continuei sem ela, só mais ferrado do que já estava. Com meus pensamentos longes, não percebi a aproximação da minha avó, só quando senti uma mão tocar meu rosto, seu toque era macio e quente, ela ergueu meu rosto, fazendo encarar aquela imensidão cinza tempestade, ela tinha os olhos vermelhos. ---Percy, meu amor, você sofreu tanto, tanta dor, você sabe melhor que ninguém, que ficar se culpando não ajuda em nada, além disso, Ligea está bem, vai ficar bem. ---Disse ela docemente, eu respirei fundo, segurando as lágrimas, afastei sua mão docemente.
—--Não seria o justo eu sofrer o que ela sofreu, até por que não seria nada comparado com o que já sofre, eu sei disso, mas eu sei de uma coisa, toda a dor dela, não terá sentido, se eu não fizer algo, algo além de desculpas para amenizar. ---Disse para Atena, ela me olhou confusa, me virei para meu pai. ---Não sou um deus, não sou perfeito, nunca serei, mas eu já cometi o mesmo erro duas vezes, machuquei uma amiga, com minhas próprias mãos, novamente, isso não vai mais acontecer. ---Disse firmemente.
—--O que você quer dizer com isso, Percy? ---Perguntou Roda, me virei para ela.
—--Eu não sei ainda, não de tudo, mas sei de duas coisas, a primeira e que eu sou instável, eu não tenho o controle total sobre os meus poderes, sou perigoso aos meus aliados, irei prejudicar vocês nessa guerra, meu pai. ---Disse firmemente, ele tentou argumentar, mas eu já estava embalado. ---Em segundo, preciso treinar, melhorar minhas habilidades, para poder ser útil na guerra que se aproxima na superfície, então até eu tiver total controle sobre mim, meus poderes e meus sentimentos, eu não posso estar em batalha, não com aliados que necessitam de mim, resumindo, eu estou abandonando meu posto, estou de partida, eu não estou pronto para uma guerra nessas dimensões, ainda mais ser um General. ---Disse firmemente.
—--Como assim? Eu preciso de você, o exército precisa de você. ---Disse minha avó nervosa.
—--Isso é o de menos, pra onde você vai? Vai desaparecer novamente? ---Perguntou meu pai preocupado.
—--Por hora, vou voltar ao Olimpo, treinar bastante, para não perder novamente o controle e pensar melhor no que estou errando. ---Disse calmamente.
—--Percy, você não está errando em nada. ---Disse meu pai firmemente, sorrindo, aquilo fez meu sangue ferver.
—--ENTÃO POR QUE AS PESSOAS QUE AMO, CONTINUAM A MORRER DIANTE DOS MEUS OLHOS? ---Gritei chorando, meu pai recuou, todos se calaram, respirei fundo, tentando me acalmar, eles não tinham culpa dos meus problemas, eles já estavam com muitos problemas, problemas muito maiores que os meus, então eu não poderia dar mais problemas para eles, se ficasse aqui, só daria mais problemas. ---Vou ficar aqui mais um pouco, ajudarei nas forjas e no que mais puder, ajudando com meu poder de cura, mas não vou voltar para as batalhas, até Ligea acordar, preciso pedir desculpas pra ela, depois partirei de volta para o Olimpo. ---Disse tristemente, então me ocorreu minha promessa, a promessa que havia feito a minha avó, eu havia falhado novamente com ela, primeiro, minha falha quando deixei minha mãe, sua filha Sally morrer, depois deixei a Yeasmin morrer, outra de suas filhas, eu olhei para a pulseira em meu pulso, lembrei da história dela, ela já fora a pulseira da mais poderosa filha de Atena que já existiu, Sally Jackson, minha mãe, como ela era incrível e poderosa, sábia, como ela se sacrificou pelo bem de todos, deixando de lado o amor que ela sentia pelo meu pai e se sacrificando para evitar o conflito. Eu retirei a pulseira do meu pulso, eu olhei para minha avó, ela tinha lágrimas nos olhos. ---Me perdoe, vovó, eu falhei novamente com você, não consegui cumprir a promessa que fiz a você, te decepcionei, acho que nunca vou fazer nada direito. ---Sorri tristemente.
—--Percy, isso não é verdade, meu querido. ---Disse ela chorando, eu caminhei até ela, coloquei a pulseira dentro da sua mão. ---Percy, o que está fazendo? –Perguntou ela confusa, olhando para a pulseira em suas mãos.
—--Eu estou devolvendo o seu presente, eu não sou digno de usar isto, eu só decepcionei a senhora, no fim das contas. ---Disse com lágrimas nos olhos. ---Dê para a Annabeth, ela vai ser poderosa, eu sei disso. ---Eu me virei e comecei a caminhar de volta. ---Você está errada vovó, minha mãe não teria orgulho de mim. ---Disse tristemente, lembrando do meu momento de fraqueza, quando quase me juntei ao lado dos Titãs.
—--Como assim, Percy? ---Perguntou minha avó.
—--Eu sei que vocês não sabe disso, sei que nenhum de vocês sabem, mas a verdade, é que eu ia mesmo me juntar a Cronos. ---Disse com lágrimas nos olhos.
—--O que? Por que? ---Perguntou meu pai incrédulo.
—--Por que eu não suportava mais lutar, matar, continuar nessa batalha sem fim, eu só queria que tudo parasse e as palavra de Cronos, eram tão tentadoras, sem luta, sem motes, só o descanso. ---Disse olhando tristemente para longe, lembrando da noite que estive no princesa Andrômeda, os meus sonhos e conversas com Cronos, as promessas que quase me tornaram um traidor. ---Mas eu fiz uma promessa pra mamãe. ---Disse olhando para minha avó, ela me olhava assustada. ---Prometi que seria um homem forte, que protegeria o máximo de pessoas possível, eu vou cumprir essa promessa, essa promessa não me deixa desistir, ela me dá forças para prosseguir na luta, mesmo que a dor seja demais, essa promessa me manteve vivo durante e depois da prisão de almas, mas para isso, para proteger as pessoas, eu preciso treinar mais, não posso fazer o que prometi para a minha mãe, machucando meus aliados, as pessoas que devia proteger, então eu não posso ficar, todo o esforço da mamãe, da Yeasmin, da Phoebe, seriam em vão, seus sacrifícios de nada valeriam, se eu continuar a errar assim, então eu tenho que voltar para o Olimpo, treinar bastante até estar forte o bastante para me controlar por completo.
—--Percy, você está desistindo? Mas você nunca desisti, de nada, esse não e você. ---Afirmou meu pai. ---Você não vai desistir, isso não existe no seu vocabulário, estou certo, não é? ---Perguntou ele esperançoso.
—--Dessa vez eu vou desistir. ---Realmente nunca pensei que diria isso em voz alta. ---É o melhor para todos. ---Disse com lágrimas nos olhos, eu olhei para minha avó, ela me olhava atentamente. ---Alguma coisa eu aprendi com a minha avó, papai, quando você mais atrapalha do que ajuda, está na hora de sair do campo de batalha, recomeçar, melhorar, quando eu voltar, vou estar melhor.
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