Percy Jackson o Guerreiro Sem limites
110 Capítulo 110
Notas iniciais
POV: Poseidon.
A batalha estava sendo dura pra mim, Oceano e seu exército não davam trégua, além do fato de eu ter que estar o tempo todo concentrado em conter o impacto da guerra na superfície, evitando que maremotos e terremotos destruíssem os litorais do mundo mortal ou pior. Mas tirando isso, eu ainda não tinha feito nada demais, quem fez muito foi Atena, apesar de estarmos em uma enorme diferença numérica, a guerra estava equilibrada, tudo graças a Atena é claro, aquela mulher era incrível, sim, não posso esquecer do Percy, meu filho, ele tem sido um grande General, sua importância para nossas tropas era incrível, mesmo que tenha sido somente o começo das guerra, ele já conquistou seu espaço, principalmente por conseguir derrotar os espíritos das baleias esqueleto, Roda também vem fazendo um trabalho incrível como sempre, sua equipe de médicos treinados por ela mesma era incrível, graças a eles, eu poderia dizer que basicamente dobramos o número de soldados nosso, isso é o fato de Oceano não ter algo desse tipo no exército dele, ele basicamente não se importava em quantas vidas ele perdia, mas este não é um pensamento de um rei, o mais importante e fazer o máximo de vidas possível serem poupadas, é confesso que venho falhado nesse quesito também, muitas vidas foram perdidas, vidas inocentes, como aqueles Tritões, é o pior de tudo para mim, era ver o Percy sofrer por isso, desde a conversa dele com Cronos e sua luta contra os Tritões Singer e Swirl, ele voltou diferente, sempre distante e pensativo, eu podia ver em seus olhos, que ele estava sofrendo muito, não uma dor corporal, mas sim, em seu coração, ele sentia remorso, medo e raiva, me doía demais vê-lo daquela forma, é o pior de tudo era que eu precisava dele, está guerra era crucial, eu infelizmente não podia vence-la sozinho, precisava do Percy, é eu via que eu estava o levando ao limite da loucura, da sanidade, ele sofreu muito mais do que eu posso imaginar, mas mesmo assim, ele continua a lutar.
—--Poseidon. ---Disse uma voz chamando minha atenção, me virei para encarar Atena, minha rainha, por volta dos seus 22 anos, ela tinha 1.75, pele branca, tinha cabelos negros e lisos, até o meio das costas, mais seus olhos, eram cinzas tempestade, ela estava trajando sua armadura dourada, entalhada no peito, um desenhos de asas de corujas, ela não usava seu capacete. ---Porquê você anda tão distante?
—--Nada, querida, só estava pensando no Percy. ---Disse tristemente, assim que disse isso, sua expressão se entristeceu.
—--Temos o levado ao limite, forçando ele demais. ---Disse ela tristemente. ---Mas, nós precisamos dele... ---De repente eu senti algo ou melhor, deixei de sentir algo, me concentrei mais, tentando acha-lo novamente, mas nada, isso não devia acontecer, devia sentir ele, pelo menos enquanto ele estivesse em contato com a água do mar, se ele tivesse usado seu teletransportei para ir para outro lugar, eu saberia, ele simplesmente não desaparecia desta forma.
—--“Percy?” ---Tentei me comunicar com ele, mas simplesmente não achava, ele havia desaparecido, por completo, nada.
—--Que foi? ---Perguntou Atena preocupada me olhando.
—--O Percy sumiu. ---Disse para ela, ela me olhou confusa.
—--Como sumiu? Ele está em seus aposentos, descansando, por minhas ordens. ---Disse ela confusa.
—--Não, ele não está, ele simplesmente desapareceu. ---Disse preocupado.
—--Isso não é possível. ---Disse Atena incrédula, ela olhou para um dos golfinhos. ---Vá até os aposentos de General Perseus, traga-o aqui, imediatamente. ---Ordenou ela, o Golfinho saiu em disparada, ela correu até o mosaico real, mudando suas coordenadas, para o quarto do Percy, no palácio, mas ele não estava lá, só havia um corpo, desacordado em cima da sua cama, era uma ninfa serviçal do palácio. ---Ele não está, deuses, o que aconteceu? ---Perguntou ela me olhando.
—--Eu não sei, talvez Cronos, ou alguém tenha o sequestrado, enquanto ele dormia, e feito sua presença desaparecer? ---Perguntei para ela, ela ponderou por um segundo.
—--É possível. ---Ponderou ela. ---Não, não foi isso, se fosse isso, por que eles poupariam a vida da ninfa?! ---Disse ela pensativa.
—--Vamos ouvir o que ela tem para falar. ---Disse pensativo, o mais perto da verdade que alguém poderia saber, era aquela Ninfa. Poucos minutos depois, de mais algumas tentativas infrutíferas de me comunicar com o Percy, ele simplesmente havia desaparecido, em poucos minutos, Roda e Tyson ficaram sabendo, e estavam na sala de comando também, assim que Roda conseguiu acordar a Ninfa, ela veio falar conosco.
—--O que aconteceu? ---Perguntou Atena a ela, ela parecia bastante tensa e nervosa, o que visivelmente estava assustando a pobre ninfa.
—--Tudo bem, querida, apenas diga o que aconteceu. ---Disse gentilmente, ela pareceu se acalmar, ela respirou fundo.
—--Eu havia entrado no quarto do General, para levar alguma comida para ele, como me fora ordenado, mas, quando eu entrei, eu o encontrei... encontrei... ---Ela começou a gaguejar, mas então ela respirou fundo, tomando coragem. ---Eu o encontrei no chão, desenhando alguns símbolos no chão, ele usava, usava seu próprio sangue, assim que ele me notou, ele correu na minha direção, colocando a mão na minha cabeça, então eu comecei a sentir sono, muito sono, então eu apaguei. ---Disse ela tristemente. ---Eu sinto muito.
—--Tudo bem. ---Disse confuso.
—--Ele estava desenhando com sangue? porque? ---Perguntou Tyson.
—--Um ritual de sangue. ---Disse Atena pensativa. ---Ritual de ocultação.
—--Aqueles criados por Hécate? ---Perguntou Roda, seus olhos já estavam vermelhos, ela se segurava para não chorar.
—--Por que você está chorando? O Percy está bem? ---Perguntou Tyson chorando, ele estava prestes a entrar em pânico.
—--Não, meu filho, ele está bem, não se preocupe, querido. ---Disse o acalmando, passei meus braços ao redor do pescoço dele, isso fez com que eu consegue-se fazer ele ficar um pouco mais calmo.
—--Mas por que ele faria isso? ---Perguntou Roda confusa, então uma ideia me ocorreu, uma ideia realmente horrível, algo que fez eu me sentir horrível, simplesmente por pensar nessa hipótese, nunca o Percy faria aquilo. Olhei para Atena, ela tinha o mesmo olhar que o meu, ela sabia exatamente o que eu havia pensado. ---Não me digam, isso não, não me digam que acham que o Percy... ---Sua voz falhou por um momento. ---Ele nós traiu? ---Perguntou Roda com a voz chorosa.
—--É uma possibilidade. ---Disse Atena com a voz embargada.
—--NÃO, NÃO. ---Gritou Tyson irritado. ---VOCÊS ESTÃO ERRADOS, PERCY NUNCA TRAIRIA A GENTE, NÃO MEU IRMÃOZÃO, NUNCA. ---Assim que ele disse isso, ele me empurrou para o lado, é saiu correndo de perto de nós.
—--TYSON. ---Gritei o chamando, mas ele não me escutou, ele continuou correndo, chorando.
—--Eu não acredito que ele nós traiu. ---Disse Roda chorando e soluçando.
—--Não, ele não nos traiu. ---Disse firmemente, chamando atenção deles, eu sorri para as duas lindas mulheres da minha vida e falei transmitindo o máximo de confiança que eu podia, toda confiança que eu sabia que o Percy merecia ter, o que ele comprovou merecer por diversas vezes. ---Eu conheço meu filho, ele preferia morrer mil vezes a nos trair, preferia enfrentar a prisão de almas por mais 200 anos, meu filho nunca trairá sua família, tenho plena certeza disso, apostaria meu trono, meu reino e meu posto como deus supremo do mar que ele nunca fará isso.
POV: Perseus Heitor Jackson.
—--“Então, Percy meu neto, você está pronto para seu descanso merecido?” ---Escutei a voz de Cronos em minha mente, perguntando. ---Somente dizer sim, meu garoto, você aceita minha essência e consciência em seu corpo? ---perguntou ele, então eu sabia o que responder, eu sabia o que tinha que ser feito.
—--Não. ---Respondi firmemente.
—--“Como assim? Por que?” ---Perguntou Cronos surpreso em minha mente, sua voz soou um pouco mais perigosa e irritada.
—--Por que eu prometi para minha mãe que seria um homem forte e eu não vou dar pra trás, mesmo que para manter essa promessa, eu tenha que me tornar um monstro, eu não vou dar para trás. ---Disse firmemente.
—--“Mas, se você continuar lutando, vai sofrer, vai ser infeliz, vai se tornar um monstro.” ---Disse Cronos, tentando me manipular.
—--Você tem razão, isso pode realmente acontecer comigo, se eu continuar assim. ---Concordei com Cronos.
—--“Então, porque resiste, agora que finalmente pode encontrar seu descanso final?” ---Perguntou-me Cronos.
—--Por que eu sei se eu trair minha família, vou sentir uma dor insuportável, uma culpa horrível, qualquer outro tipo de dor que sentir se seguir em diante, desde que eu esteja junto da minha família, vai ser somente uma parcela da dor se eu aceitar sua proposta, não há dor maior do que ver minha família sofrendo por minha causa. ---Disse para Cronos com todo meu coração. ---Eu não vou desistir, eu vou lutar e vou vencer, por que eu prometi ser forte. ---Disse entre os dentes, juntei toda a força que pude e me forcei a abrir os olhos, mas eu podia sentir que Cronos tentava com todas as forças invadir meu corpo. ---ENTÃO SAÍA DA MINHA CABEÇA, SEU MALDITO. ---Abri meus olhos, senti-a a água ao meu redor, senti-la me revitalizar, eu estava no caixão de água, levantei-me em um pulo, olhando diretamente para um Titã idiota, e dois semideuses traidores, eu tinha que arrumar um jeito de fugir daquela maldita cabine de cruzeiro.
—--O que aconteceu? ---Perguntou Travis surpreso, naquele pequeno momento de choque daqueles três, eu comecei a pensar em um plano, não poderia lutar com dois semideuses poderosos e um Titã como Oceano sozinho, com sorte poderia lutar contra aqueles dois, mas contra Oceano, estava totalmente fora de cogitação, sem nem falar o exército de monstro e semideuses que eles tinham aqui dentro desse navio, mas nem tudo estava perdido, eu tinha o ritual de sangue ao meu favor, se eu saísse fora da vista deles, eles não podiam de forma alguma me notar, desde que eu ficasse bem escondido, é não chamasse atenção, claro que eu poderia simplesmente me teletransportar em chamas para longe daqui, mas, eu acho que nenhum semideus ou deus, teria uma chance tão boa de mandar esse navio de cruzeiro demoníaco, para o fundo do mar, chance única, como eu tinha agora.
—--Ele nós traiu? ---Perguntou Alabaster confuso, antes que Oceano pudesse responder, uma imagem de Cronos se formou ao lado de Oceano, mas ele visivelmente parecia mais fraco, sua imagem estava ainda mais translucida que a poucos minutos atrás, acho que forçar uma possessão era difícil demais, para as atuais forças do lorde Titã.
—--Ele me repeliu, não há como controlar este semideus, ele é muito inconstante, matem ele, não o deixe fugir, rápido. ---Disse Cronos com dificuldades.
—--Tarde demais, seu velho idiota. ---Disse sorrindo para ele, me concentrei por um segundo em um dos poderes oriundos de Héstia, chamado de Sufocamento por fumaça, ele cria uma fumaça nos lugares de inalação do inimigo, sufocando-o e deixando fraco por um tempo, se o ambiente ficar fechado, durante poucos minutos, pode matar um semideus, entretanto ao inalar ar puro novamente a sensação de sufocamento irá passar, mas minha intenção era somente sair da sala, eu levantei minha mão é comecei a usar o poder, um fumaça negra e escura, começou a emanar da minha mão em grandes quantidades.
—--Rápido, peguem ele. ---Disse Cronos, mas eu fui mais rápido que a reação de Alabaster e Travis, em poucos segundos a visibilidade já era zero, a cabine toda estava coberta por uma fumaça negra e espessa, felizmente eu não era afetado pela fumaça, mas Travis e Alabaster eram, pode ouvir eles engasgarem e tossirem, mas infelizmente, para meu azar, Oceano também não era afetado pela fumaça. ---Abram uma janela, uma porta, rápido. ---Antes de que eles tomassem novamente a situação de volta ao controle, eu sai correndo em direção da porta, mesmo eu, não enxergava direito nessa fumaça, mas o suficiente para correr em direção a porta, passei por ela e a fechei, mas assim que me virei, vê um vulto vindo na direção da minha cabeça, uma espada, abaixei no último momento, a espada se cravou na parede do corredor, olhei para o monstro que me atacara, eu já ouvira falar deles antes, Wulvers, é uma criatura original do folclore escocês, segundo a lenda, seu habitat natural são as ilhas Shetland, situadas ao largo da costa nordeste da Escócia, é o fato deles se juntarem ao exército de Cronos é muito ruim, eles possuem uma aparência humanoide, porém sua cabeça é de um lobo e seu corpo é coberto por pelos castanho-escuro, sua boca é cheia de dentes ou melhor presas salientes e afiadas, por conta de sua aparência, Wulvers são geralmente confundidos com lobisomens, porém a semelhança entre eles fica só na aparência, ao contrário de um verdadeiro lobisomem, o Wulver não é um ser híbrido, ou seja, um misto de homem com lobo, que volta a ser humano, e se transforma em mostro com a lua cheia, e todas essas baboseiras sobre os Lobisomens que você escuta em histórias de terror para crianças, de acordo com a maioria dos contos e lendas, os Wulvers nunca foram um ser humano um dia, os antigos celtas acreditavam que os Wulvers evoluíram dos lobos, e que simbolizavam a fase intermediária entre o lobo e o homem, são seres bondosos e pacíficos e optam por viver reclusos em seu habitat, natural que geralmente são cavernas, eles só costuma sair de suas cavernas para buscar alimentos ou outros itens necessários para sua comunidade, desde que não sejam perturbados, os Wulvers são inofensivos aos seres humanos, algumas histórias contam que eles ajudam pessoas que se perdem na floresta, guiando-as até uma aldeia próxima, há ainda uma história onde eles deixam peixes nas janelas ou varandas das casas de famílias famintas, caso seja atacado, um Wulver é rápido e forte o suficiente para matar um ser humano, ainda mais quando estão armados, Wulvers possuem inteligência semelhante à dos seres humanos e forças e habilidades além deles, era um adversário à altura, ainda mais porque haviam três deles, armados para melhorar minha situação.
—--Nunca é simples. ---Disse tristemente, levei minha mão no bolso, pegando minha caneta esferográfica mortal, Contracorrente, era uma caneta esferográfica simples, com a tinta dourado, eu destampei ela, a caneta cresceu em minhas mãos, até que eu estava segurando uma espada grega de Bronze Celestial, com um 1,55cm de comprimento e punho de duas mãos envolvido em couro, a lâmina brilhava ligeiramente, lançando uma luz dourada. Rápido como o pensamento fiz um corte lateral, cortando o monstro em dois, fácil como se ele fosse feito de manteiga, ele se desfez em pó dourado, os outros dois monstros não se intimidaram, e partiram para cima, um deles estava com uma lança de Bronze Celestial, o outro que estava a poucos passos atrás do primeiro, estava com uma Foice longa na mão, o que estava com a lança veio correndo na minha direção, muito rápido, mesmo que ainda estivesse em duas pernas, ele estocou visando meu rosto, eu desviei usando Contracorrente, impulsionando a lança para cima, no mesmo movimento ataquei rapidamente com a Contracorrente, arrancando a cabeça do monstro, ele se desfez em pó dourado, corre na direção do outro Wulver com a Foice longa, aqui nesse corredor apertado, eu tinha total vantagem, mas ele era rápido, assim que estava próximo, ele girou com a foice, tentando arrancar minha cabeça, mas eu abaixei no último segundo, a foice continuou seu movimento, cravando-se na parede ao nosso lado, eu estoquei na direção do peito da criatura, mas ela desviou, largando sua arma e recuou para trás.
—--Eu vou te matar. ---Rosnou algo atrás de mim, me virei a tempo de ver outro Wulver com uma machadinha em mãos, ele arremessou ela na minha direção, ela vinha na direção do meu rosto, eu estudei seu movimento e a peguei com a mão esquerda, que estava livre, girei e arremessei no Wulver que estava desarmado, ela se cravou em sua cabeça lupina, ele gemeu de dor antes de explodir em pó dourado.
—--Fica a dica, cara de lobo. ---Disse me virando para o Wulver que arremessou a machadinha em mim. ---Não avise seu adversário, quando for fazer um ataque surpresa, sabe, acaba com o elemento surpresa. ---Disse sorrindo, ele me olhou com raiva, eu pude ver alguma diferença no olhar daquela criatura, seus enormes olhos vermelhos eram de pura raiva, é seu pelo era mais escuro que os outros três, era praticamente negro. Antes que ele pudesse responder qualquer coisa, a porta da cabine que eu estivera a poucos minutos, foi aberta, é de dentro dela, saiu muita fumaça negra e um Titã irado, Oceano, ele olhou diretamente para mim, seus enormes olhos azuis, emanavam energia e poder. ---Até mais, cara de caranguejo. ---Disse sorrindo para ele, antes de sair correndo na direção oposta, para seguir com meu plano, pude ver Alabaster e Travis saírem da sala também, tossindo bastante e com olhos muito vermelhos. Sai correndo na direção oposta, eu precisava colocar meu plano em ação, eu havia pensado em um, não era dos melhores, havia grandes chances de eu morrer nele, bem, não era exatamente um plano, até então, enquanto eu corria pelos corredores, eu pensava em como melhora-lo, eu não tinha sessenta por cento de um plano decente, mesmo que fosse sessenta por cento de um plano suicida, ainda sim, era o melhor que eu tinha, o único possível na realidade, por alguns motivos, primeiro, eu sabia que não podia tentar fazer uma onda gigante e afundar esse navio, na verdade, qualquer um dos meus poderes aquáticos, nesse momento eram inúteis, mesmo que agora, eu esteja cercado pelo mar, eu não sou forte o suficiente para ganhar de Oceano, mesmo que eu criasse uma onda digna de um tsunami, eu até tenho esse poder, mas Oceano poderia deter ela, é mesmo que eu tivesse muita sorte e afundasse o navio, ele poderia trazer ele de volta a superfície, rapidamente, ou mesmo que eu explodisse um enorme buraco no casco desse Cruzeiro, Oceano poderia facilmente impedir a água de entrar e afundar o navio, mas nem tudo estava perdido, se eu fizesse uma explosão que danificasse mais da metade do navio, ele poderia até salvar o sarcófago maldito de Cronos, com certeza vai, mas esse não era o objetivo, meu objetivo era afundar esse navio, levando com ele, o máximo de monstros possíveis, isso daria tempo aos deuses. Mas tinha um problema, eu não tinha um ataque assim tão poderoso para destruir esse enorme navio de cruzeiro, mesmo com o Tridente Supremo, meu ataque mais poderoso, no quesito de destruição, eu no máximo abriria uma enorme cratera no casco, é Oceano poderia facilmente impedir a água de entrar, eu poderia invocar o fogo sagrado de Héstia e queimar todo o navio, mas acho que não posso fazer isso, não sou tão forte para invocar este poder conscientemente, não ainda, minha única chance, era achar a sala de maquinas, e lá, explodir um Tridente Supremo, nos motores, meu ataque, mas combustível e todos aquelas outras coisas inflamáveis, com certeza iria fazer um estrago irreversível a este navio, mas este plano tinha quatro problemas, o primeiro era achar a sala de maquinas, não fazia a menor ideia de onde ficava a sala, nunca vê uma planta de cruzeiro na vida, com certeza nunca imaginei precisar explodir um navio de cruzeiro. O segundo problema, era evitar centenas ou talvez mil inimigos, de todos os tipos, de monstros a semideuses, terceiro, eu não queria matar semideuses, mas se fosse necessário, eu faria, eles escolheram o lado errado, mas o quarto problema, com certeza é o mais problemático, simplesmente, eu não sabia se iria sobreviver aquela explosão, estando tão próximo daquela área, dentro da área de maior intensidade da explosão, do seu núcleo, tinha uma chance, graças a não pegar fogo, mas uma explosão não é só fogo, tem estilhaços, metal, muita coisa que pode me ferir gravemente. Enquanto eu corria pelos corredores, me esgueirando e me escondendo da visão dos monstros, um alarme irritante e muito alto soava, chamando a atenção de todos naquele maldito navio de Cruzeiro, então eu ouvi a voz de Oceano, alta é em bom som, ele não parecia nada feliz, o que me deixou muito feliz.
—--Malditos monstros inúteis, o semideus filho de Poseidon, Perseus, está neste navio, encontrem-no é matem-no, sem misericórdia, ele não é um aliado, ele traiu nos traiu, traiu os Titãs. ---Disse Oceano irritado.
—--Nossa, que mal-humorado, Oceaninho. ---Sussurrei zombeteiro, enquanto corria mais afundo, para baixo do navio, eu tinha a vantagem de ter o ritual de sangue ao meu favor, eu não tinha presença nenhuma, nem cheiro, então eu passava despercebido dos monstros, alguns eu matava rapidamente, sem eles notarem o ataque e corria direção abaixo, tenho certeza de que o corredor acarpetado um dia deve ter sido muito bonito, mas com os últimos anos de ocupação de monstros, o papel de parede, carpete, e as portas duplas haviam sido estragadas e arrebentadas, parecia agora mais como a garganta de um dragão, eu alcancei a área externa, um grande shopping aberto que ocupava todo o meio do navio, ele estava escuro, somente o brilho da noite, eu congelei, no meio do pátio havia uma fonte, e a fonte estava ocupada por um caranguejo gigante, eu não estou falando “gigante” como uma oferta especial na Lanchonete Rei dos Caranguejos, eu estou falando gigante porque era maior que a fonte, o monstro erguia-se 5 metros fora d’água, sua carapaça estava manchada de azul e verde e suas pinças eram maiores do que meu corpo, talvez duas vezes maior, se você já viu a boca de um caranguejo, toda espumosa e nojenta com bigodes, você pode imaginar que este não parecia muito melhor expandido para o tamanho de um outdoor, seus olhos negros me encararam, e eu pude ver inteligência neles, além disso, havia muito ódio, o fato de eu ser filho do deus do mar, não iria me fazer ganhar pontos com o Sr. Caranguejo, eu simplesmente tinha que chegar na porta do outro lado para continuar descendo, eu tinha que passar por ele, e mesmo com minha velocidade máxima, não seria possível passar sem uma luta.
—--FFFFfffffff ---Ele sibilou, a espuma marítima gotejando de sua boca, o cheiro que emanava dele era o de uma lata de lixo cheia de peixe que tinha sido deixada ao sol por uma semana. Eu tentei me lembrar alguma coisa das histórias antigas que pudessem me ajudar com essa coisa, após ser derrotado por Héracles na segunda tarefa dos Doze Trabalhos, mas posteriormente revivido por Gaia, o caranguejo gigante fora conduzido aos céus e transformado por minha mãe, Hera na constelação de Câncer, mas eu sabia que este, não era o original, um dos seus filhos, odeio quando monstros se reproduzem em mais monstros terríveis, ele possui uma carapaça extremamente resistente, e sua única fraqueza é uma fenda em seu cefalotórax, que uma vez atingida por bronze celestial, põe fim ao monstro, o único problema era chegar à barriga feia, eu precisava tirara-lo da fonte, e mata-lo o mais rápido possível, antes que ele chamasse atenção de mais monstros. Eu parti correndo na direção dele, o caranguejo se moveu com uma velocidade absurda, ele saiu da fonte e veio direto para mim, com as pinças estalando, o crustáceo demoníaco me atacou, eu o cortei com Contracorrente, arrancando a ponta de sua garra, ele se remexeu e espumou, mas não pareceu muito machucado.
—--Droga, preciso ser rápido. ---Disse frustrado, eu olhei para a fonte, depois para o chão de mármore, já escorregadio por causa do rastro do caranguejo, então me ocorreu uma ideia doida, eu estendi minha mão, me concentrando na água, e a fonte explodiu, água foi borrifada para todos os lugares, até três andares acima, encharcando os balcões, os elevadores e as janelas das lojas, o caranguejo não se importou, ele amava a água, ele veio de lado até mim, espumando e sibilando, e eu corri direto para ele, gritando. ---AHHHHHHHH! ---Logo antes de colidirmos, eu me joguei no chão ao estilo dos jogadores baseball e escorreguei no chão molhado direto para debaixo da criatura, foi tipo escorregar sob um veículo armado de oito toneladas, tudo que o caranguejo tinha que fazer era sentar e me esmagar, mas antes que ele entendesse o que estava acontecendo, eu estoquei com Contracorrente, a fissura, só então notando um tipo de proteção na fenda, Contracorrente bateu inutilmente no metal de proteção abaixo da barriga da fera, era um metal branco, Oricalco, semelhante a cor da barriga do caranguejo, nessa escuridão, era difícil de distinguir. ----Mais que merda. ---Praguejei irritado, antes que eu pudesse sair de baixo da criatura, ela desceu todo seu peso em cima de mim, minha reação foi largar Contracorrente e erguer minhas mãos para cima. ---AAAAAHHHHHH... ---Urrei de dor, assim que as toneladas, daquele enorme monstro, se puseram sobre mim, eu deitei de imediato, ficando de costas para o chão, era tão pesado quanto segurar o céu, acredite, eu sei do que estou falando, com certeza aquilo era um novo recorde de supino monstruoso, mas era demais para mim, mesmo com a minha força monstruosa, apoiei com as pernas, afastando um pouco o corpo pesado da criatura de me esmagar, mas mesmo assim não era o suficiente, um estralo chamou minha atenção, o peso e a força emitida pelo monstro naquele momento, era tanta que estava rachando o chão a baixo de nós, eu precisava de um plano, logo eu seria esmagado por completo, mas a dor era tanta que meu cérebro não raciocinava direito.
—--Ali! ---Disse uma voz ao longe, acima de mim, se eu quisesse criar uma distração, teria sido bem sucedido, mas não era aquilo que eu queria, se eu fosse apanhado no centro do navio, eu viraria comida de caranguejo, se eu não arrumasse um jeito de tirar está besta de cima de mim, morrerei esmagado de qualquer forma.
—--O intruso! Perto da fonte. ---Disse outra voz, então uma ideia me ocorreu, olhei de relance para fonte, ela era minha salvação, minha última chance, usando toda minha concentração, controlei a água da fonte para fora dela, ela explodiu na minha direção, assim que a água tocou meu corpo, eu senti ela me revitalizar de força, de poder, eu forcei minhas pernas é meus braços, usando toda minha força.
—--AAAAHHHHH.... ---Gritando a todos pulmões, eu joguei a criatura para o lado, direto na fonte. Respirando com dificuldades e sentido meus braços pesados como nunca, eu olhei para o lado e para minha surpresa, pela primeira vez, para minha sorte, o caranguejo demoníaco, caiu de ponta cabeça e encaixou na fonte seca, ficando preso, ele balançava suas oito pernas, tentando desesperadamente desvirar, mas ele havia encaixado perfeitamente, era seu fim. Me levantei com dificuldade, saltei em cima do monstro, fui direto na “armadura” que ele usava, peguei com a mão e a arranquei, ela se quebrou, deixando amostra sua barriga, olhei para o pedaço de metal quebrado nas minhas mãos, havia uma ponta perfeitamente mortal.
—--Esse é seu fim, monstro azarado. ---Disse para a criatura, antes de descer aquele pedaço de metal na fenda do peito da criatura, o mais fundo que pude, eu pulei para longe, de volta ao chão rachado do shopping, o monstro estremeceu e sibilou, seus olhos se dissolveram, sua concha se tornou vermelho vivo, enquanto seu interior se evaporava e se transformava em pó dourado, logo havia apenas uma concha vazia no fundo da fonte, eu não tive tempo para admirar meu trabalho, podia ouvir os monstros vindo correndo na minha direção, logo eles estariam aqui. Olhei para o corredor, forcei minha vista, então eu vi o que estive procurando todo esse tempo, uma placa, mas não uma placa comum, corre na direção dela, demorou um pouco para eu conseguir decifrar, graças a minha dislexia e TDAH, ler em inglês não era exatamente fácil e os monstros fazendo barulho enquanto se aproximavam também não, mas eu consegui e nela estava escrito, “Casa de Maquinas, Quatro andares abaixo, somente funcionários”, era aquilo que estive procurando todo esse tempo, a sala de maquinas, sai correndo pelo corredor, antes que mais monstros chegassem para tentar me matar, eu desci o mais silenciosamente possível, quatro andares abaixo, finalmente eu cheguei a uma escotilha de metal, em cima da escotilha em vermelho, estava escrito “Casa de Maquinas”. Eu forcei, tentando abrir, mas estava trancada. ---Que merda. ---Eu podia ouvir os monstros nos andares superiores loucos me procurando, caçando, eu tinha que ser mais rápido, então resolvi deixar a sutileza e surdina de lado, eu chutei a escotilha de metal, arrancando-a das dobradiças, fazendo-a voar longe, entrei correndo para dentro, umas filas de turbinas amarelas do tamanho de silos se agitavam e zuniam, manômetros de pressão e terminais de computadores revestiam a parede oposta, um Gemini estava debruçado sobre o console, mas quando a escotilha foi quebrada, ele se levantou assustado, ele era grande, se erguia a mais de 2 metros do chão, sua parte que não era de serpente, era de um homem musculoso sem camisa, ele não estava armado, mas ele não precisava de arma para me matar, em suas mãos haviam garras tão grandes e afiadas quanto uma faca, ou melhor, dez facas, ele partiu para cima de mim, sem se intimidar.
—--Eu vou te matar, sssemideusss. ---Sibilou ele, vindo na minha direção, a sala estava quente e úmida, ele começou a me atacar, eu desviava como podia, ele era rápido, qualquer deslize meu, e aquelas garras fariam um enorme estrago, além disso meu corpo estava pesado e cansado, graças aquele caranguejo irritadinho. Ele cortou visando meu rosto, eu me afastei no último segundo, senti o vento de suas garras passando rente ao meus olhos, mas eu aproveitei do movimento dele, para chuta-lo para longe, ele saiu voando, colidindo-se com a parede oposta, eu peguei Contracorrente do meu bolso, e a destampei, minha caneta, se transformou em uma longa espada, estava na hora de acabar com isso, antes que chamasse muita atenção, o Gemini levantou cambaleante, mas ele estava sorrindo, sua língua bifurcada umedeceu seus lábios sorridentes, eu não entendi porque ele estava tão feliz, se estava prestes a ser mandado de volta para o Tártaro. ---Você perdeu, ssseu idiota. ---Disse ele, eu não entendi de imediato, mas antes que eu pudesse ter qualquer reação, ele se esgueirou rapidamente para o lado, indo para parede oposta, quando notei sua intenção, era tarde demais, ele apertou um botão vermelho, escrito “emergência”, assim que ele fez isso, sirenes e alarmes começaram soar novamente, sua intenção nunca foi me matar, foi conseguir chegar até aquele alarme, e eu cai na armadilha dele.
—--Droga. ---Resmunguei irritado, parti com Contracorrente em punho, dando uma estocada no peito da criatura, então rapidamente, havia somente uma pilha de pó dourado no chão da sala, larguei Contracorrente no chão, precisava ser rápido, logo esta sala estaria enfestada de monstros e tudo iria por água abaixo. Me concentrei ao máximo, sentindo um forte puxão nas minhas entranhas, então algo pesou na minha mão direita, então projetei uma réplica idêntica do Tridente original do meu pai, o Tridente, tinha uns 2 metros de comprimento, ele era dourado, imitando a lâmina de ouro do mar e emitia um forte brilho verde mar, pois era feito de pura energia, eu mirei nas turbinas, a explosão que ela causaria seria enorme, mas quando estava prestes a atacar, escutei uma voz.
—--Espere. ---Disse uma voz atrás de mim, me virei para encarar Oceano, um homem jovem, por volta dos 25 anos, pele clara, uma longa barba negra, seus cabelos negros e lisos, desciam pelas costas, no topo da sua cabeça, havia chifres que mais pareciam duas pinças de caranguejo, seu peito estava nu, ele era musculoso, já sua parte de baixo, era como de uma serpente negra. ---Perseus, não faça isso, Cronos está disposto a renegociar, fingir que você não nos traiu.
—--Não há negociações, eu já disse, muitas pessoas confiam cegamente em mim, pessoas que eu amo, Tyson, minhas mães, minha avó, meu pai. ---Disse firmemente. ---Eu não vou trair eles, nunca, nunca mais vocês vão me tentar.
—--Tudo bem, tudo bem, mas, vamos negociar outra coisa. ---Disse Oceano desesperadamente. ---Você não faz este ataque, nós deixamos você ir, assim, todos ganham, você sabe que não pode sobreviver a uma explosão como essa, o que acha? Você tem medo de morrer, certo? ---Perguntou Oceano, eu fraquejei por um momento, eu realmente não sabia se podia sobreviver a está explosão, mas, se Oceano e Cronos estavam dispostos a barganhar desta forma, eu realmente tinha chance de causar um dano a Cronos, agora minhas esperanças de destruir ele na explosão era maior, ou simplesmente, Cronos queira eu vivo, meu corpo vivo, para servi-lo de casca. Pensando bem, qualquer um dos resultados, eram bons para mim, matar Cronos ou destruir meu corpo, fazendo Cronos não me ter como sua marionete, então se isso custasse minha vida, eu daria ela de bom grado. Eu sorri para Oceano, seus olhos brilharam assustados.
—-- O medo da morte é mais cruel do que a própria morte. ---Disse sorrindo, antes que ele pudesse ter qualquer reação me virei e arremessei meu ataque nas turbinas, antes de tudo explodir, eu ainda pude ouvir:
—--MALDITO.
Fale com o autor