POV: Perseus Heitor Jackson

Acordei com uma terrível dor de cabeça, aquilo estava me matando, quando tentei me movimentar, senti o meu corpo inteiro doer, tudo estava doendo demais, com dificuldade sentei-me daquela cama esquisita, nunca estive nela antes, porém, eu reconheci de imediato onde estava, olhando em volta, pois o interior da tenda era familiar, estava quente e confortável, tapetes de seda e almofadas cobriam o chão, no centro, um braseiro de ouro parecia queimar sem combustível ou fumaça, no fundo da tenda, em um aparato de carvalho polido, estava um enorme e lindo arco de prata, esculpido para se assemelhar aos chifres de uma gazela, também penduradas nas paredes estavam peles de animais: Urso preto, Tigre, Antílope Azul, como o próprio nome sugere, ele era azul, achei que um ativista dos direitos dos animais teria um ataque cardíaco ao olhar para todas aquelas peles raras, ao fundo da tenda, perto da cama um veado com pelo brilhante e chifres prateados, descansava, quando ele notou minha presença, ele me olhou animado, se agitando e correndo na minha direção, levando sua cabeça contente para que eu pudesse acariciar sua cabeça, eu fiz um carinho em sua cabeça.

—--Oi Faline, como estão as coisas? Cadê todo mundo? ---Perguntei enquanto continuava a acariciar. Eu precisava falar com Arty, ela deve estar preocupada comigo, afinal de contas ela me achou extremamente ferido. Por um momento, me vi pensando em algo estranho, uma voz, algo que ao mesmo tempo que era familiar, parecia tão distante, mas forçar a me lembrar daquilo fazia minha cabeça doer, então balancei-a afastando aqueles pensamentos. Levantei-me com dificuldades, meio cambaleante, quando olhei para baixo, haviam alguns ferimentos, cortes, em diversas partes do meu corpo, eu vi a água, em um recipiente ao lado da cama, eu fui até ele e tentei me curar com a água, mas por alguma razão, eu não consegui, talvez por estar tão cansado, mas realmente tinha algo diferente em mim. Ao lado da minha cama havia uma camisa preta de mangas compridas. Estava na hora de encarar Ártemis, afinal de contas ela realmente deve estar uma fera comigo, fui caminhando com dificuldades para fora da tenda, Faline havia voltado ao seu cantinho. Assim que sai para fora da tenda, eu realmente percebi que realmente estava escrencado, aquela cena fez subir um calafrio pela minha espinha, um sentimento de quase pânico na verdade, eu realmente estou morto. Meu pai estava abraçado a minha avó Atena, que estava chorando compulsivamente, isso e realmente inédito, mas para minha avó estar chorando dessa forma, as coisas realmente estão ruins pro meu lado, sem contar que minha mãe, Hera e Héstia também estavam chorando, enquanto estavam abraçadas, Apolo e Ártemis chorando também, ela estava com a cabeça no peito do irmão gêmeo que fazia carinhos em seus cabelos, e aquela garota que salvei, tenente de Ártemis, seu nome era Zoë, ela também estava chorando bastante, enquanto estava abraçada em uma outra garota, Loira muito linda, provavelmente filha de Apolo. Era uma cena estranha e confusa, até um tanto divertida, porém, não era pra mim, pois eu sabia muito bem o que veria a seguir, ou seja, um belo e refinado castigo, pensar nisso me deixava em pânico, então eu meio que agi por impulso. ---Quem morreu? ---Perguntei de uma vez, chamando toda atenção para mim, eu mal fechei minha boca, pois no momento seguinte, que eu disse aquela frase, eu já não vi mais nada, apenas senti uma pancada em meu corpo, quando dei conta do que acontecerá, eu já estava no chão com dois corpos sobre mim, com duas deusas chorosas e bastante irritadas.

—--SEU MOLEQUE, IDIOTA, IRRESPONSÁVEL, COMO VOCÊ ME SAI SEM MEU CONSENTIMENTO, EU DEVIA TE MATAR. ---Disse minha mãe gritando e chorando, ela estava em cima de mim e dando consecutivos socos em meu peito, com toda certeza era amor demais, só que estava doendo, ainda mais por estar ainda com muitos ferimentos abertos por baixo daquela camisa. Parada ao meu lado, ajoelhada e assistindo aquela cena complicada, estava minha avó Atena.

—--Calma, mamãe. ---Disse com dificuldades, automaticamente tentei abraça-la, para quem sabe parar com os socos em meu peito, ---Eu vou ficar bem, está tudo bem. ---Disse firmemente, tentando passar confiança em minha voz.

—--VOCÊ ESTÁ DE CASTIGO, ATÉ MORRER, NUNCA MAIS SAÍRA DE PERTO DE MIM. ---Dizendo isso ela se acalmou um pouco, depois é claro, de dar algumas dezenas de beijos e abraços, e finalmente saiu de cima de mim, tentei levantar, mas fui abraçado e jogado de novo no chão, só que dessa vez era Atena.

—--EU AVISEI PARA VOCÊ NÃO SAIR SEU IDIOTA, VOCE É MEU NETO, NÃO É PARA SER IMPULSIVO. ---Disse Atena chorando e me abraçando. Aquilo me irritou um pouco, afinal de contas eu não fui impulsivo, eu planejei e pedi para sair do Olimpo uma centena de vezes, milhares de vezes, mas elas nunca me deixaram sair, por causa da superproteção, no final das contas, elas estavam certas, e eu cai numa armadilha.

—--Sério vovó, eu não sou um deus como a senhora, que vive milhares de anos, sou apenas humano, e já fazem 5 anos que estou trancado no Olimpo, não á fácil. ---Disse eu sério, mas ela não mudou sua expressão, na verdade, ficou ainda mais irritada, pois me encheu de tapas e socos. ---AI AI AI... PARA AINDA TA DOENDO. ---Reclamo entre os tapas, por fim ela para, me abraça e me beija mais algumas vezes e se levanta. Antes de me levantar pergunto de forma brincalhona. ---Se alguém mais quer me derrubar, me poupe de levantar de novo, e já me abrace antes que eu levante? ---Ninguém disse nada, então me senti seguro em levantar-me, assim que fiz isso, senti uma nova pancada em meu corpo e já estava no chão novamente, só que agora com duas crianças e não mulheres me abraçando, uma era Héstia, que estava chorosa, que só me abraçava e uma Ártemis que me batia do outro lado.---Droga eu perguntei. ---Disse dando risada, embora ainda estivesse sentindo dores dos ferimentos e dos golpes que Ártemis me dava.

—--SEU MOLEQUE, QUASE ME MATOU DE PREOCUPAÇÃO. ---Disse Arty irritada, ela me batia, e beijava e abraçava, era difícil entender essa minha família bipolar. ---E AINDA ME APARECE AQUI, TODO ENSANGUENTADO, JÁ PENSOU SE EU MANDO ZOË TE MATAR, SEU IDIOTA. ---A cada palavra era um soco em meu peito. ---EU DEVIA TE CAPAR, E ARRANCAR ISSO, ANTES QUE VOCE APRENDA A USAR. ---Empalideci, ela nunca brincava com isso, e eu conhecia histórias sobre semideuses que a irritaram a tal ponto e ela cumpriu o prometido.

—--Opa, vamos manter a calma Ártemis, eu vou explicar o que aconteceu quando eu conseguir respirar. ---Disse rindo, dei um beijo no rosto de Ártemis e disse calmamente. ---Calma Arty, eu sempre vou estar aqui.

—--Não me chame assim, você perdeu esse direito, depois que fez essa burrada de fugir sozinho do Olimpo. ---Disse ela ainda me batendo. Eu ri e dei outro beijo nela. Ártemis sempre foi assim, pelo menos comigo, ela até parece uma irmã mais velha, me lembra bastante a forma que Roda me trata também.

—--Ta bom, Lady Ártemis. ---Ela me deu mas alguns tapas e se levantou, olhei para Héstia que estava ajoelhada do meu lado, sorrindo, embora ainda tivesse lágrimas vermelhas como lava em seu rosto, a abracei e ela retribuiu.

—--O importante é você estar bem, nada mais importa, meu campeão. ---Disse ela sorrindo pra mim, assenti e dei um beijo no topo da sua cabeça, e me levantei com um pouco de dificuldades, mas Héstia estava ao meu lado para ajudar.

—--Ninguém mais para me derrubar? ---Perguntei seriamente, já estava me cansando ser derrubado no chão. Meu pai veio até mim e me deu um abraço forte, esmagando tudo e fazendo meus ferimentos ainda não curados doerem um pouco. ---AI... AI ---Ele me largou assustado, eu ri de sua reação e o abracei de novo. ---Calma meu velho, e que você abraçou muito forte. ---Disse rindo, ele riu em reposta, me abraçando um pouco mais fraco.

—--Ainda bem que você sobreviveu, Percy. ---Disse ele separando o abraço e me olhando preocupado. ---Eu não aguentaria perder você também. ---Disse ele tristemente, aquilo me entristeceu também, eu sabia que ele falava de meu meio irmão, Tritão, que o traiu. Eu sorri e ele se afastou, Apolo veio e me deu um tapinha nas costas.

—--É Percy meu discípulo, esse veneno não é brincadeira, e parece que você lutou com ele em seu corpo não? ---Perguntou Apolo seriamente, eu assenti positivamente a sua pergunta.

—--Logo, logo, eu conto. ---Disse virando-me para última pessoa que estava ali próxima de mim, ela estava um pouco mais afastada, observando as comemorações e melações de minha família. ---Espero que não queira me matar agora? ---Ela sorriu envergonhada a minha pergunta de brincadeira, e deu alguns passos pra frente, se aproximando de mim. ---Zoë, eu sei que você não gosta de homens, por isso é uma caçadora, eu estou muito feliz que você não se feriu por minha causa... ---fui interrompido pelo abraço da Caçadora, que me surpreendeu bastante e no primeiro momento eu não retribuiu, ela estava chorando em meu pescoço, por fim, eu retribui o abraço.

—--Obrigado, Percy, você quase se matou por mim. ---Disse ela ainda me abraçando.

—--Qual é Zoë, eu não poderia deixar você morrer por minha culpa, ainda mais por minha irresponsabilidade, se vocês não tivessem vindo me salvar, nunca precisaria ter te salvado pra começo de conversa. ---dizendo isso, ela sorriu mais largamente a minha resposta, e se afastou, me dando um caloroso sorriso, que retribui da mesma forma, eu finalmente parecia ter feito uma nova amiga. Minha mãe e Atena vieram e pararam na minha frente, cada uma de um lado, me puxando pela orelha e me levando para sentar perto da fogueira que estava próxima, onde havia todas as outras caçadoras. ---AI... ---Reclamei, por causa da dor que sentia em minhas orelhas, as caçadoras ficaram rindo da minha situação constrangedora.

—--Agora, Perseus, conte a todos nós o que aconteceu. ---Ordenou minha mãe, com toda aquela soberania que exalava dela, mas felizmente minha mãe havia largando minha orelha, e Atena também. Todos se sentaram envolta da fogueira, inclusive as caçadoras elas me olhavam curiosas, pronta para ouvir minha história. ---conte para nós Percy, agora. ---Disse minha mãe sentando de um lado e Atena do outro, ambas apoiaram a cabeça em meus ombros, era realmente gostosa a sensação de tê-las comigo. Os outros Deuses sentaram e esperavam para escutar a história.

—--Sim Percy, e nos mínimos detalhes.---Disse Atena empolgada, sendo deusa da sabedoria, Atena gosta de ouvir ou ler sobre novas histórias e aventuras, ela ama o conhecimento.

—--Certo. ---Disse passando as mãos nas minhas orelhas, tentando acalmar a dor, alguns riram, inclusive as causadoras da dor. ---Olá caçadoras, meu nome é Perseus, mas me chamem apenas de Percy, se assim preferirem. ---Eu tinha que ser cuidadoso com minhas palavras, ou Ártemis poderia se irritar com minha ousadia em falar com suas meninas e me expulse. ---Sou filho de Poseidon e Hera. ---alguns arfaram em surpresa, então, me adiantei em explicar a situação diferenciada sobre minhas descendências. ---Esperem, sou um filho adotado por Hera, bem, e meio complicado de explicar minha história, entretanto vou contar a vocês, acho que com um pouco de sorte, agora vou poder vir visitá-las, não é Lady Arty.

—--Talvez, Percy. ---Disse ela pensativa, então minha mãe mexeu-se desconfortável do meu lado, então lembrei-me, que depois de hoje, nunca mais deixaria o Olimpo, seria trancafiado por minha mãe.

—--Não mesmo, pode esquecer isso mocinho, depois do que aconteceu hoje, você só sai do Olimpo com supervisão de um deus e com Festus, depois de uma década de castigo. ---Disse minha mãe, eu revirei os olhos.

—--Qual é mãe, já tenho quase 9 anos. ---As caçadoras arfaram surpresas com a minha idade, afinal de contas, eu tinha um desenvolvimento diferenciado de um semideus comum. ---Bem, meu corpo se desenvolve diferente, e que tenho a “benção de Héracles” por assim dizer. ---Assim que disse isso, todas olharam pra Zoë, que não deixou sua expressão mudar, mas eu podia notar que ali tem coisa e vou descobrir. ---Minha história começa, quando meu pai, Poseidon, se apaixonou por uma filha de Atena, minha mãe, Sally Jackson. Minha mãe fora uma semideusa muito poderosa, ela protegeu-me durante toda minha vida, dos monstros, de qualquer risco que eu pudesse correr... ---Assim continuei meu relado durante alguns minutos, contando superficialmente minha história, contei toda minha história, com muitas interrupções, principalmente de Apolo (Que as caçadoras ficavam o mais distante possível dele, não entendi, mas era como se ele fosse tóxico, ou algo do tipo) que ficava dizendo para eu parar de ser humilde, até que finalmente ---bem, e como essas deusas super Protetoras que me amam. ---Mal fechei a boca e já levei tapas de Atena e minha mãe, e algumas olhadas feia de Arty, e Héstia deu de ombros sorrindo, como sempre faz, ela é muito gentil. ---Auuu... qual é? Eu estou falando a verdade. ---Reclamei dos tapas que levei. ---Devido a tal motivos explicados por mim, eu fugi do Olimpo está manhã, fui ao Central Park, visitar o lugar novamente, e bem, eu estava distraído e tomei um golpe forte na cabeça, desmaiei e acordei em um galpão, eu estava amarrado e bem uma das Dracaenaes, disse que estava envenenado, mais não disse pelo que, e falando nisso, você sabe qual era o veneno Apolo?

—--Sei sim, eram das Serpentes do Tártaro, elas só perdem para Píton no quesito de veneno. ---Todos arfaram surpresos, e eu arregalei os olhos, não era expert em venenos e em medicina, mas acho que veneno não é brincadeira.

—--E como eu estou vivo? ---Perguntei surpreso.

—--Eu não faço ideia Percy, elas são capazes de colocarem deuses para dormirem durante alguns anos. ---Disse ele serio, aquilo foi uma surpresa e tanto pra mim, eu estava realmente abalado com aquela informação, como eu sobrevivi a algo desse tipo. ---E não te injetaram pouco, na verdade, injetaram muito.

—--Entendo. ---Disse por fim, claro que não entendia, mas o olhar de reprovação e medo da minha mãe, me fizeram querer mudar de assunto rapidamente. ---Voltando, eu estava naquele lugar amarrado, e estava vendo dobrado e com fraqueza em meu corpo, e tinham 5 cães infernais, 10 Dracaenaes e 10 Ciclopes. ---Disse eu seriamente, todos arregalaram os olhos, inclusive os deuses, mas Atena me interrompeu.

—--Você está aumentando, só pode, Percy, fale sério. ---Disse Atena com os olhos arregalados, me encarando surpresa.

—--Não vovó, você sabe que não minto e juro pelo rio Estige que não estou inventando. ---Em reposta ao meu juramente, um raio cortou o céu e nada aconteceu, provando que eu falei a verdade, todos arregalaram os olhos e eu continuei com meu relato. ----Eu matei alguns ali dentro, e sai correndo para fora do galpão, tentando fugir, corri até a clareira que vocês me acharam, foi quando os 2 últimos cães infernais me alcançaram, me derrubaram, eu os matei, e acho que no final apenas tinham 5 Dracaenaes e 4 ciclopes, eles fugiram, e quando Arty me reconheceu, e começou me abraçar e me xingar, por um momento, aquilo distraiu todos, as caçadoras ficaram para me olhar, eu ergui a cabeça e consegui ver a mesma mulher Dragão Loira, que tinha acabado de me deixar imóvel com um arremesso de faca, e que eu já tinha perdido o movimento do braço direito, e ela fez um corte na ligação do meu ombro esquerdo, e eu estava sem ambos os braços, e elas me salvaram da morte certa. ---Disse apontando para as caçadoras, que sorririam pra mim. ------eu sou eternamente grato a Ártemis e suas meninas, e quando eu vi a faca vindo, eu agi por impulso e entrei na frente, meu corpo fez por conta própria, antes de minha cabeça pensar. ---Tomei um tapa de Atena em minha cocha. ---AI, pare de me bater vovó. ---Disse sério, todos riram. ---Fiquem dando risadas, ela tem a mão pesada e dói bastante. ---Disse fazendo uma careta e massageando o lugar onde ela havia batido. ---Eu entrei na frente da faca e depois disso me lembro de acorda na tenda da Arty e dolorido.

—--Sorte sua eu não deixar você morrer mocinho. ----Disse minha mãe seriamente, embora, eu soubesse que ela não poderia deixar-me morrer, exceto se for pelas mãos dela. ---Você nunca mais irá sair de perto de mim. ---Disse ela me abraçando e apertando.

—--AI... AI... ---Disse choramingando pelo aperto em meus ferimentos, ela arregalou os olhos. ---Cuidado mãe, ainda estou com muitos ferimentos.

—--Percy, arranque essa camisa e deixe-me ver. ---Ordenou ela, eu realmente não queria desobedecer a ela, ainda mais agora que a preocupei e irritei tanto, mas tirar a camisa perto de tantas meninas, ainda mais caçadoras, era demais. Inconscientemente eu corei muito e ela entendeu. ---Assim entendo, Ártemis eu vou com o Percy ali na sua tenda, está bom. ---ela assentiu seriamente, levantando-se. ---Vem comigo, Apolo e Poseidon. ---Fomos andando até a tenda e entramos Atena veio junto. ---Agora arranque essa camisa. ---Ordenou ela novamente. Eu tirei a camiseta, que era de manga comprida para disfarçar os ferimentos, minha mãe arregalou os olhos e eu pensei, certamente, que ouviria mais sermão, muito mais sermão. ---Seu irresponsável, seu idiota, e pior que seu pai, por que fui escolher o semideus mais IDIOTA E IMPRUDENTE DE TODOS.

—--Por que eu sou irresistível? ---Perguntei brincando, sem pensar direito, ela começou a me dar tapas e chorar alto. ---AIAIAIAIAI.. pare mãe, chega está doendo.

—--Acalme-se, Hera, desse jeito você vai matar nosso filho. ---Disse meu pai abraçando a irmã que enterrou a cabeça no peito do meu pai, e chorou, ele me olhou mais seriamente do que nunca antes. ---Você foi muito irresponsável Perseus, e se você tivesse morrido? ---Perguntou ele seriamente. O que aconteceria? Eu ia conhecer meu tio Hades mais cedo do que imaginei. Por mais que eu tenha pensando isso, seria melhor não dizer em voz alta, os ânimos de todos estavam muito exaltados, achei melhor ficar quieto. Apolo veio até mim e analisou os ferimentos, estalou os dedos e um cantil de Néctar apareceu nele.

—--Beba vai te fortalecer um pouco, e vai te ajudar a se recuperar. ---Mandou Apolo, eu assenti e tomei um gole do recipiente, senti o gostoso sabor do chocolate quente da minha mãe Hera, era minha bebida favorita, me senti mais forte, mas os ferimentos ainda continuavam ali. ---Bem acho que você vai ficar com algumas cicatrizes.

—--Sério? ---Perguntei entusiasmado, por mais que fosse maduro, eu ainda era fã de heróis e de guerreiros de fantasias, e os personagens mais legais e fodões, sempre tinham várias cicatrizes, mas lembrei de que minha mãe estava uma fera comigo, nem quero ver Afrodite, quando souber das cicatrizes. ---O importante e que estou vivo e estou bem mãe. ---Disse indo perto dela e a abraçando com cautela.

—--Você vai comigo, agora mesmo para casa. ---Disse ela seriamente, eu ia reclamar, mas quando vi o olhar quase assassino que ela me dava, achei melhor ficar quieto. ---E sem um PIU, se não eu mesma vou te deixar preso em um quarto até ficar velho.

—--Está bom, mamãe. ---Disse derrotado, eu sabia que tinha passado dos limites, desobedecido ela, e ainda por cima, tinha quase morrido, agora, ela teria um argumento infalível em uma discussão comigo, na primeira e única vez que sai do Olimpo, eu quase morri, e ainda por cima, foi escondido dela. Nunca mais irei sair, por mais que tente. ---Por favor, deixe-me despedir da Arty e as caçadoras, elas me salvaram. ---Pedi implorando, ela ponderou por um segundo.

—--Você tem 10min, nem um segundo a mais, entendido? ---Perguntou ela, eu assenti, por que eu tinha que ter a mãe mais protetora do mundo, que saco. Coloquei de volta a camisa e sai pra fora, as meninas estavam conversando em volta da fogueira, fui andando até lá, elas me perceberam e me olharam, as conversar morreram rapidamente e todos os olhos voltaram-se para mim.

—--Certo, e que eu queria agradecer por vocês terem me salvado, e dizer que vou ter que ir embora, minha mãe está uma fera comigo, acho que não nos veremos nos próximos 20 anos, talvez mais. ---Disse seriamente, embora, algumas riram, menos Zoë, ela era toda seria e tinha uma pose de líder natural e guerreira. ---Bem nós vemos por ai, talvez um dia se Arty deixar, eu venho passar um dia com vocês, se vocês quiserem também é claro. ---Disse seriamente, algumas sorriram com minhas palavras, outras ficaram imparciais, mas nenhuma censurou a ideia, então acho que foi bom. Zoë levantou-se e veio até mim e me deu um abraço, agora eu retribuo de imediato, ela era um pouco mais alta que eu, um pouco mais de 1.50cm, ela estava com os olhos cheio de lágrimas. ---Bem, eu espero que possamos ser amigos.

—--Mais é claro, você me salvou, você é meu único amigo homem. ---Disse ela sorrindo pra mim.

—--Bem, eu poderia dizer o mesmo, que você é minha única amiga, mas não sei se dragões de bronze e corujas divinas contam como amigos. ----Disse rindo, ela me acompanhou. ---Ei, sorria mais, seu sorriso é lindo. ---Ela riu e me deu um tapa no braço, eu ri junto com ela. ---Até logo, Zoë, vou fazer de tudo para vir passar um tempo com vocês, até logo meninas ---Disse eu acenando as outras caçadoras, elas acenaram de volta, eu fui até Arty e disse fazendo uma reverencia e dizendo saudosamente. ---Lady Ártemis. ---Eu sei que ela odeia isso, e como esperado, ela me responde com uma tapa na cabeça. ---Ai.

—--Vem aqui, seu idiota irresponsável. ---Disse ela me abraçando, e dando um beijo na minha bochecha. ---Não apronte mais, seu idiota, que eu tento te trazer, para passar um tempo aqui comigo e com as meninas.

—--Obrigado Arty, estou cansado de viver no Olimpo, não vejo a hora de poder sair para as missões e essas coisas. ---Disse sério, ela sorriu e me deu um último beijo em minha testa, como uma espécie de bênção.

—--Vai logo, pequeno Herói, antes que você apanhe mais da sua mãe e de sua avó. ---Disse ela por fim, eu assenti rindo e fui para perto da minha mãe que conversava com meu pai. Apolo me deu um sorriso e disse.

—--Nós vemos amanhã no treino, Percy. ---Disse o deus do sol, eu assenti positivamente e ele se foi em um brilho, muito brilhante, tive que desviar meu rosto da claridade.

—--Exibido. ---Disse caminhando até minha mãe, ela ainda estava emburrada, com os braços cruzados frente aos seus peitos. ---Desculpe mãe, prometo que só saio, com o seu consentimento.

—--É o mínimo a se fazer, seu irresponsável, insensato, aloucado, delirante... ---Ela começou a me dar vários adjetivos sobre meus atos.

—--Ele já entendeu Hera, não precisa ditar um alfa... ---Começou meu pai dizer, enquanto estava revirando os olhos, mas se calou com um tapa em seu peito.

—--Cale a boca, Poseidon, senão você vai apanhar no lugar dele, você quer isso? ---Ameaçou minha mãe, fazendo eu e meu pai empalidecermos, e negando rapidamente. ---Ótimo, você mocinho, vai direto pro seu quarto e vai ficar lá nos próximos meses, entendido. ---Eu assenti, ela colocou a mão no meu ombro e Teletransportamos para o seu palácio. ---Vai lá e tome um banho, eu já vou levar seu jantar. ---Disse ela seriamente, tristemente, acho que dessa vez, ela se magoou comigo, mas eu iria consertar as coisas, iria recompensá-la por minhas loucuras. Eu subi correndo para meu quarto, tomei um banho demorado, ele me fortaleceu, e curou alguns dos ferimentos, mas ainda sobraram alguns, e eles doíam um pouco, eu sai do banheiro apenas de chinelos e calça moletom, sentei-me na cama, esperando minha mãe trazer meu jantar, já eram quase 21h00min, mas já faziam 2 dias que eu estava fora de casa. Logo minha mãe entrou no meu quarto com uma cara de brava, mas seus olhos mostravam felicidade, e eu soube que ela só estava bancando a brava, eu realmente nunca a vi brava, dizem que ela era realmente muito cruel, eu conheço alguns mitos. Mas quando olhei o que ela trouxe, lasanha de frango, meu prato favorito, eu ri internamente, ela me entregou a bandeja, e trouxe o cálice mágico, era só pensar na bebida que enchia automaticamente, e a temperatura de acordo como você gosta, a minha era sempre trincando de gelado. Eu pensei em Fanta Laranja, e o copo se encheu, minha mãe veio até mim e disse:

—--Por que você me desobedeceu, Percy? ---Perguntou ela seriamente.

—--Desculpe, mãe. ---Disse abaixando a cabeça.

—--Mas é claro que eu te desculpo, meu amor. ---Disse ela dando um beijo na minha cabeça. ---Eu te amo tanto, mas me responda, por que você me desobedeceu?

—--Eu também te amo mãe, mas eu fico preso aqui no Olimpo, não tenho amigos mãe, amigos da minha idade, não deuses de milhares de anos, eu só queria fazer amigos da minha idade, e me divertir um pouco mãe. ---Esse era realmente minha vontade, pelo menos em tese, mas quando estive lá, naquele parquinho, vendo as crianças brincando, eu hesitei, não fui brincar com elas.

—--Desculpe-me se às vezes eu fico muito em cima, fico no seu pé, meu filho, mas eu te amo demais, se você morrer, uma parte minha morre com você, uma parte que eu nunca quero deixar morrer. ---Disse ela me abraçando.

—--Prometo nunca deixar essa parte morrer, mãe. ---Disse seriamente, ela sorriu docemente com minhas palavras. ---Mãe, eu estava enganado.

—--Como assim?

—--Eu tive a chance de ir brincar com outras crianças no parquinho, mas eu não fui, me parecia tão longe, mais longe do que em meus pensamentos e fantasias, era como se eu não pertencesse ao mundo delas, eu não sei explicar, só sei que não consegui brincar com as outras crianças, o que isso quer dizer? ---Perguntei confuso, minha mãe hesitou em responder, então, depois de alguns segundos, ela me deu um largo sorriso e disse.

—--Não quer dizer nada, só que você não foi com a cara daquelas crianças, nada demais. ---Disse ela sorrindo, aquela resposta pareceu-me estranha, mas era minha mãe, ela sabia das coisas. ---Agora, come meu bem, você precisa recobrar as forças. ---Assenti e dei um beijo na sua bochecha e comecei comer.

—--Está uma delícia, mãe. ---Disse com a boca cheia de comida.

—--Olhe os modos, Perseus. ---Disse ela me dando um tapa de brincadeira no braço. Mas me olhando repreendendo. ---Mastigue antes de falar, quantas vezes vou ter que te falar isso? ---Disse ela indignada, eu ri.

—--Sempre mamãe, sempre. ---Disse sorrindo, ela sorriu e ficou me olhando terminar de comer. Quando eu terminei, ela pegou a bandeja e colocou em cima do criado mudo, e sentou na cama, eu deitei em suas pernas, ela ficou fazendo carinho em meus cabelos, e de vez enquanto me dava beijos na bochecha e na testa, eu estava começando a ficar com sono. ---Mamãe, dorme comigo aqui hoje? ---Pedi a ela, fazendo carinha de cachorrinho pidão.

—--Não é você que já é velho demais para ficar preso em casa, quer sair e conquistar o mundo, não é você que tem quase 9 anos? ---Perguntou ela com desdém. Eu apenas ri em reposta. ---E quer dormir com a mamãe, não está muito velho pra isso?

—--Nunca vou estar velho o bastante, para parar de dormir agarradinho com a minha mãe. ---Ela riu e estalou os dedos e estava vestida com uma camisola branca, ela se deitou e me abraçou por trás, eu me aconcheguei em seus braços e murmurei antes de dormir. ---Te amo muito, mamãe.

—--Também te amo, meu pequeno Herói.

Notas finais
espero que gostem.