Notas iniciais
Fala fantasminhas, beleza?

POV: Gustavo Ookami Matsumoto.

Eu simplesmente não conseguia acreditar no que acabei de assistir, a força dessa pessoa era surreal, como pode haver no mundo um mortal tão poderoso, tão incrível ao ponto de lutar com uma superioridade tão gigantesca em relação a um Imortal, Perseus Heitor Jackson não pode comparar-se com nenhum semi-imortal, nem mesmo comigo, ele lutou contra Héracles com maestria, com dignidade e um poder surreal. Quase não tinha palavras para descrever o que acabei de assistir, com exceção da palavra IMPOSSÍVEL.

Mesmo que os aliados dos Titãs como eu não pudessem entrar no Olimpo, ainda havíamos conseguido “roubar” o sinal da TV Hefesto, para assistir como Hermes chamou, o embate do século, do milênio. Eu pensei no começo que eles simplesmente haviam se irritado com Perseus e o colocado para sofrer uma humilhação, entretanto, quem sofreu a humilhação foi o Imortal, o maior herói dos deuses até então, Héracles. Aquele nível de poder que o Perseus apresentou na luta era totalmente diferente de qualquer semideus que já vi, e olha que nesses muitos anos de vida, eu vi vários.

Nem mesmo os Titãs a minha volta deixaram de ficar surpresos com o que foi mostrado na luta, os Titãs e monstros que assistiram o embate entre eles no começo achavam como eu, que os deuses só queriam destruir a fama de Perseus, talvez estivessem irritados com alguma conduta do mesmo, então todos continuavam apostando em Héracles, até mesmo zombando do filho de Poseidon, mas ao decorrer da luta, todos ficaram completamente mudos, sem ter o que dizer.

Mesmo Cronos assistiu a luta com muita seriedade em seu olhar, sem falar nada, apenas observando o decorrer do embate, mesmo o maldito Crio que no começo da luta estava rindo e zombando de Perseus, muito mais que a maioria, no final ficou em silencio, ele olhava para a projeção da TV Hefesto estático e com uma expressão extremamente seria no olhar. Céos então nem se fala, ele que naturalmente já levava tudo a sério, estava mais sério que jamais vi antes. E eu só podia pensar em que tipo de treinamento insano, Perseus deve ter se submetido para alcançar esse nível de habilidade e poder. Pensar nisso, me fez relembrar acontecimentos de um passado tão distante, dos meus anos com meu pai e dos seus ensinamentos.

Memórias ligadas:

75 anos atrás, meados de 1.938.

Quem sou eu? Era tudo que passava na minha cabeça nesse momento, fazia pouco mais de duas semanas que fui resgatado por Hiroshi, um ser humano que aparentava ser muito bom, bem, ele salvou minha vida, cuidou dos meus ferimentos e me deu de comer e beber, se não fosse por ele, provavelmente já estaria morto naquela praia. Eu não sabia muito sobre Hiroshi, exceto o seu nome e que ele é um Samurai, o que é bem legal. Mas pensando bem, eu não sabia muito sobre nada, nem mesmo sobre mim, minha memória ainda está uma droga, tudo que consegui lembrar até aqui, foi meu primeiro nome Gustavo, entretanto, nem tenho certeza que esse é o meu nome certo, foi apenas o nome que veio a minha cabeça.

Felizmente com a ajuda de Hiroshi, meus ferimentos estão melhorando muito bem, o mais problemático é meu braço direito que está quebrado, em muitos lugares, claro se não formos pensar na minha memória faltando. Mas Hiroshi disse que talvez em poucas semanas eu esteja totalmente recuperado fisicamente. Tentar lembrar mais sobre meu passado e não conseguir era frustrante, eu me sentia um completo lixo, além é claro de todas as vezes que tentei forçar minha mente a lembrar, tudo que consegui foi uma incomoda dor de cabeça. Enquanto ao velho Samurai, Hiroshi, ele sempre me parecia uma pessoa triste, ele não era de falar muito, não era de sorrir ou fazer brincadeiras, mas ele também não era um cara muito fechado, introvertido, na verdade ele era muito bondoso e amável, quando eu perguntei sobre suas cicatrizes, ele não teve problemas de me explicar sobre elas e o que ele era um Samurai.

Hiroshi era um senhor por volta dos 60 anos de idade, ele fora treinado como um Samurai desde sua infância, começando com seus três anos de idade. Ele cresceu e tornou-se um homem, líder de seu clã, os Ookami, ele casou-se e teve dois filhos, dois garotos, mas infelizmente, em 1919, sua esposa e filhos acabaram falecendo em decorrência da Gripe Espanhola, devido a pobreza e sujeira que foram ocasionados pelos combates entre as nações da grande guerra que havia recentemente acabado.

Ele não falava muito da família, e eu não forcei, pelo que ele me disse, todo o grande Clã Ookami, hoje se resumia a ele, as outras ramificações da família foram mortas pela grande guerra, ou simplesmente deixaram de existir com o passar dos anos. O que era algo tão triste de se pensar, uma família simplesmente acabar por causa de guerras e do tempo. Bem, falar sobre essas coisas mantinham a pouca sanidade que tinha nesse momento viva, ouvir as histórias de Hiroshi me davam esperanças de um dia me lembrar de algo. Estava nesse momento sentado à beira do riacho que passava ao lado da casa de Hiroshi, poucas centenas de metros acima, havia uma enorme e linda cachoeira, admirar essa paisagem era um deleite e o que fazia no meu tempo livre, o que era praticamente o tempo todo.

—--De novo aqui, menino. ---Escutei a voz de Hiroshi.

—--Sim, esse lugar parece um sonho. ---Disse sorrindo, enquanto continuava admirando a água caindo em grandes quantidades, ouvia o barulho da floresta e os pássaros cantando. Estávamos vivendo em Misakimachi Moroiso, na floresta perto do mar, no Japão, era um lugar tão belo que tirava o fôlego.

—--Realmente tenho que concordar. ---Disse o velho homem, ele trazia consigo alguns tecidos.

—--O que é isso? Onde esteve toda manhã? ---Perguntei curioso. Hiroshi havia desaparecido antes mesmo de eu acordar, eu fiquei tranquilo pois já não era a primeira vez que ele fazia isso, na vez anterior ele havia saído para caçar e trouxe consigo um Serau-japonês, que era uma delícia assado.

—--Fui a cidade, comprar algumas roupas para você....

—--O senhor comprou roupas pra mim? ---Perguntei o interrompendo. ---Não precisava se incomodar, eu nem sei como retribuir toda essa gentileza...

—--Eu não estou pedindo que retribua. ---Disse ele sorrindo levemente. Esse não era o primeiro presente de Hiroshi para mim, ele me deu um colar diferente, basicamente um Canino de um Cachorro, talvez um Lobo, devia ter uns 10cm, bem branco e antigo, segundo Hiroshi, era algo que dava sorte, uma espécie de amuleto, para talvez me trazer sorte e fazer minha memória voltar, desde então eu estou usando, torcendo para que esse amuleto funcione o mais breve possível.

—--O senhor é tão bom comigo. ---Disse com os olhos levemente marejados. ---E se eu for uma espécie de bandido? Talvez um soldado inimigo?

—--Minha intuição é muito boa, sempre tive confiança nela, e ela me diz que eu posso ser bom pra você, que sei que não me fará mal, nunca. ---Disse ele sorrindo amigavelmente. Foi inevitável não me deixar emocionar pelo que ele estava me dizendo, ele estava sendo tão bom pra mim. ---Dito isto, quero te dar um conselho.

—--Claro, ficarei muito feliz em ouvir. ---Disse sorrindo. Quem sou eu para negar ouvir um conselho de alguém tão bom pra mim?! Hiroshi era mais do que bom pra mim.

—--Você está muito preocupado em lembrar-se de quem foi, em um passado sem muita importância...

—--Sem importância? ---Perguntei o interrompendo, confesso que estava levemente irritado com as palavras de Hiroshi. ---É quem eu sou, quem eu fui, é tudo pra mim.

—--Não, você está errado. ---Disse Hiroshi calmamente.

—--Sem lembrar disso como posso continuar com a minha vida? Como posso viver? ---Perguntei alarmado.

—--Pelo que eu saiba, você necessita de comida, água e oxigênio para continuar com sua vida, a memória é importante, com certeza, não estou falando que não é, mas você pode continuar com sua vida. ---Disse Hiroshi calmamente. Eu não podia entender aquilo facilmente, não entrava na minha cabeça suas palavras tão tranquilas nesse momento tão difícil pra mim. ---É como diz aquele velho ditado: “O ontem é história, o amanhã é um mistério, mas o hoje é uma dádiva. Por isso se chama presente!”

Um ano depois, meados de 1939.

Já faz um pouco mais de um ano que estou vivendo com Hiroshi, infelizmente não recuperei nada da minha memória, o que é algo muito ruim, as vezes eu fico um pouco confuso e triste. Mas depois dos primeiros três meses aquilo deixou de ser tão importante, não tem porque me preocupar com algo que não posso resolver, então decide que irei continuar com a minha vida da melhor forma possível, sentir e viver mais meu presente, como Hiroshi havia me aconselhado naquele dia.

Infelizmente nem tudo é feliz no dia a dia do mundo em geral, aparentemente o mundo todo está em uma enorme guerra, novamente, o que é extremamente triste, parece que já há muitas mortes e combates em muitos lugares do mundo. Eu não quero me envolver com essa enorme e triste situação, guerra não é uma coisa boa, mesmo que não tenha minha memória, eu sei que isso é ruim. Felizmente meu relacionamento com Hiroshi melhorou muito, ele me ensinou a caçar e pescar, para que eu possa auxilia-lo para trazer comida para nossa mesa.

Recentemente eu pedi para que Hiroshi me ensinasse as técnicas de luta Samurai, antes de começar a ter esse tipo de ensinamento, das técnicas avançadas de combate, do estilo de Katanas de duas mãos dos lobos gigantes, a especialidade do Clã Ookami, o famoso clã dos lobos gigantes, eu tive que começar primeiro com coisas simples, como leitura, caligrafia, matérias gerais e lia os clássicos, crônicas de guerra e estudava poesia e música, mas acima de tudo começava a ter ensinamentos sobre os primeiros princípios de um samurai, honra, lealdade e não temer a morte, o que normalmente é ensinado para as crianças, mas já que estou sem memória, de certo modo eu sou uma criança.

Felizmente, minha habilidade de escrita e leitura não foram afetadas pela minha perca de memória, entretanto, fatos sobre o mundo, literatura, entre outras coisas eu tive que aprender, felizmente, meu corpo já era de um adulto, então Hiroshi desde o começo já começou a passar os ensinamentos de técnicas de luta e espada, embora, mesmo sendo adulto, ele não me deu permissão de usar espadas de verdade, eu ainda tive que começar a treinar com uma espada falsa, uma espada de madeira, conhecida como Bokken. Entretanto, minhas habilidades físicas eram superiores em muito as de Hiroshi, talvez por ele estar velho e cansado, ele já não podia numa luta comigo, embora sua técnica fosse muito superior, eu era muito mais veloz e resistente.

—--Vamos, mantenha o foco. ---Disse Hiroshi calmamente, embora estivesse falando calmamente, sua voz era firme e poderosa.

Nesse momento eu estava em uma situação difícil, isso para dizer o mínimo, não sei quanto tempo estava aqui, mas com toda certeza fazia no mínimo umas doze ou treze horas, entrei antes mesmo de amanhecer o dia, e já estava escurecendo. Depois de admirar tanto essa linda e maravilhosa cachoeira, eu estava começando a odiá-la com todas as minhas forças, ainda mais porque estava sendo obrigado a ficar todo esse tempo pelado e nesse frio que estava praticamente nevando, em baixo dessa água gelada, fazendo um Kata e suportando essa dureza.

---Continue, para ser considerado um guerreiro do Clã Ookami você tem que ter força para suportar as dificuldades que a vida lhe impõe, a verdadeira força de um guerreiro se encontra na sua resistência, não na capacidade de seu golpe. ---Disse Hiroshi calmamente. ---Vejamos se você ainda tem força verdadeira, vamos falar sobre o Buxido, o caminho do guerreiro, as sete virtudes do Samurai, preparado?

—--Sempre, mestre!

—--Boa resposta. ---Disse ele sorrindo. ---Muito bem, o que significa GI?

—--GI é justiça e moralidade, atitude direta, razão correta, decidir sem hesitar.

—--Muito bem. ---Disse Hiroshi sorrindo. ---E YUU?

—--YUU é coragem, bravura heroica.

—--Não pare de fazer o Kata. ---Corrigiu-me ele firmemente. Era fácil falar, estava a mais de doze horas repetindo e repetindo os mesmos movimentos, de baixo dessa água fria. ---JIN?

—--JIN é compaixão, benevolência.

—--REI?

—--REI significa polidez e cortesia, amabilidade.

—--Arrume essa postura. ---Corrigiu-me Hiroshi. ---MAKOTO?

—--MAKOTO significa sinceridade, veracidade total.

—--MEIYO?

—--MEIYO é Honra, Glória.

—--E o mais importante, que é? ---Perguntou Hiroshi.

—--CHUU é dever e lealdade.

—--Muito bem, chega por hoje, já pode sair. ---Disse Hiroshi sorrindo. O que me deixou extremamente aliviado, acho que mais alguns minutos eu acabaria desmaiando. Hiroshi me entregou uma toalha, quando nadei até onde ele estava.

—--Essa água estava muito gelada, eu achei que iria morrer. ---Reclamei com ele, que apenas riu levemente das minhas palavras.

—--A vida é limitada em sua essência, entretanto, a honra e o respeito duram para sempre.

Dois anos depois. Meados de 1941.

O tempo foi passando, Hiroshi continuou me orientando, me explicou que apenas velocidade e forças sem propósito são inúteis contra um inimigo poderoso, dessa forma, obedientemente eu continuei o escutando, como um bom discípulo deve fazer com seu mestre. Dessa forma Hiroshi me ensinou centenas de Kata, para que eu pudesse desenvolver minha técnica, meu corpo e em especial minha mente, o que acho que serviu perfeitamente para me tirar a ansiedade da minha perda de memória.

Mas este tipo de treinamento era mais usado para crianças entre os 8 a 11 anos, além das técnicas de luta, Hiroshi também me ensinou a andar a cavalo e a manusear o arco e flecha. A partir desse momento, começamos um treinamento mais forte, deixando de lado a Bokken, e começando a usar a mamorigatana, que era uma espécie de espada de metal leve, parecida com a Katana, onde finalmente receberia os treinamentos mais técnicos.

—--Muito bem, muito bem. ---Disse Hiroshi calmamente.

Nesse momento estávamos fazendo uma luta simulada, Hiroshi estava pegando pesado comigo, embora minha velocidade fosse superior, devido a ter muitos anos a menos que ele, ele superava em muito com técnica, o que me deixava em desvantagem. Em um momento eu tentei acerta-lo com um golpe da direita para esquerda com uma das minhas Mamorigatana, mas ele facilmente empurrou para o lado o golpe, e com a outra Katana ele bateu com a espada no meu rosto, com a lateral da espada.

—--Muito afobado, não ataque de forma displicente. ---Orientou ele seriamente. Eu sentia a lateral do meu rosto ardendo, entretanto estava feliz que isso era um combate simulado, pois se Hiroshi quisesse, ele poderia ter atacado meu pescoço, facilmente me decapitando.

—--Sim, mestre.

—--O segredo do estilo de Katanas de duas mãos, está no Contra-ataque e em um ataque inteligente. ---Explicou-me Hiroshi, de repente ele apoiou seus dois pés em uma árvore próxima e se jogou na minha direção, foi muito rápido, tão rápido que eu não pude fazer nada para me defender. Felizmente ele apenas se contentou em bater com base da espada em meu estômago, me jogando de costas no chão. ---Usar o terreno a seu favor é muito importante.

—--Vou lembrar disso. ---Disse do chão, enquanto me contorcia com dor, estávamos próximos de um bambuzal novo, pequeno.

—--O adversário também não vai ter dó. ---Dizendo isso ele avançou na minha direção, comigo ainda no chão, ele me atacou com suas Katanas, eu me virei ainda deitado de costas no chão para bloquear seus ataques, eu girei e finalmente consegui ficar de pé. ---Não se esqueça do terreno. ---Alertou-me Hiroshi, não entendi muito bem, mas senti o que ele quis dizer, uma pancada na minha cabeça, na parte de trás, bem na nuca, que me jogou de cara no chão. Hiroshi chutou ambas minhas Mamorigatana das minhas mãos, me deixando totalmente fora de combate e muito tonto pelo golpe que havia recebido na nuca.

—--Como me acertou? ---Perguntei alarmado. Ele estava na minha frente, não tinha como me acertar atrás. Então ela apenas riu e me mostrou o bambuzal ao nosso lado. Com uma das Katanas ele puxou um dos bambus, usando a lateral da lâmina para não cortar o bambu, depois ele soltou, o bambu girou na minha direção e passou por cima da minha cabeça.

—--Usar o terreno e ter ciência de onde está é extremamente importante, usar o terreno e faze-lo lutar por você é muito mais fácil, faz parte da evolução do homem como espécie, uma das grandes evoluções foi aprender a caçar com armadilhas, maximizando o alimento e minimizando o trabalho. ---Disse Hiroshi calmamente. ---Assim nossos antepassados superaram a adversidade e prosperaram.

7 anos depois, meados de 1948.

—--Hoje completa mais de dez anos que eu te conheci e que começamos seu treinamento. ---Disse Hiroshi sorrindo para mim. Hiroshi, estava elegante em seu quimono de seda preta, em contraste com seus cabelos brancos e longos, barba grande, o que dava um ar de divino ao velho samurai. ---A prova disso é esta arma, que agora te entrego, isso não é um presente, isso é a prova da sua dignidade e força como Samurai, você mereceu empunhar está arma. ---Ele me entregou a arma, peguei minha primeira Katana, um metro de Aço Damasco, feito para mim, para esse momento.

Estava tão feliz, finalmente havia completado o duro e diário treinamento ao qual Hiroshi me submeteu, seja fazendo Kata, pelado embaixo de uma cachoeira muito gelada, ou combates com armas perigosas, corridas ou qualquer tipo de treinamento físico e mental do qual Hiroshi me submeteu, eu finalmente tinha superado todo o processo e hoje estava acontecendo uma espécie de cerimônia de Genpuku, embora este seja normalmente, o ritual de passagem para a fase adulta, o que normalmente é feito entre os 12 e 16 anos, mas para mim, seria um ritual do fim do meu treinamento, que de certa forma, eu havia voltado a ser uma criança por perder minha memória, mas agora, depois do treinamento, eu recomecei a minha vida como um adulto, mais que isso, eu recomecei como um Samurai.

—--A partir de hoje, você se tornou um Samurai completo, pronto para seguir o Bushido, o caminho do guerreiro. ---Disse Hiroshi sorrindo, enquanto, eu estava ajoelhado na sua frente. ---Essa Katana é o símbolo que você se tornou um homem, símbolo que você se tornou um verdadeiro guerreiro do Clã Ookami, um poderoso e habilidoso mestre, versado no estilo de Katanas de duas mãos dos Lobos Gigantes. ---Ele fez uma pausa e me deu um largo sorriso. ---E o mais importante, se tornou um verdadeiro filho pra mim.

—--Filho? ---Perguntei sorrindo largamente, enquanto inconscientemente sentia meus olhos marejando, mas não de tristeza, mas sim, de felicidade.

—--Sim, um filho. ---Disse Hiroshi sorrindo, seus olhos também estavam levemente marejados. Ele apontou para o Colar de presa de lobo em meu pescoço. ---Prova disso é você carregar este colar, somente um verdadeiro Ookami pode carregar este colar. ---Olhei para o colar em meu peito, sem ter a menor ideia do que ele estava me falando, pelo menos até agora. ---A muitos séculos atrás. O primeiro patriarca da família, foi atacado por um gigantesco Lobo, diziam que ele tinha mais de 100kg, e o patriarca o matou com as mãos nuas, mas este dente foi retirado de suas costas, por causa da mordida do Lobo, desde então, esse colar se transformou no símbolo da força do Clã, só o principal líder e verdadeiro patriarca da família poderia usar.

—--Eu.. eu... ---Gaguejei surpreso. Faz anos que utilizo esse colar, e eu nem sabia que havia uma história tão grandiosa por trás desse pequeno dente de animal. ---Mas é uma grande honra, eu não sou digno. ---Eu ameacei tirar o colar para devolve-lo a Hiroshi, porém ele me impediu.

—--Ele é seu, você cuidou muito bem dele nesses últimos anos. ---Disse ele sorrindo.

—--Mas eu nem faço parte do Clã...

—--Claro que faz. ---Disse ele me interrompendo. Ele se ajoelhou na minha frente, ficando na minha altura. ---Na verdade você é a esperança do clã Ookami não acabar.

—--Como assim? ---Perguntei confuso.

—--Eu estou velho, não me resta muitos anos de vida, não tenho mais tempo de recomeçar uma nova família, para poder dar continuidade aos ensinamentos do nosso clã. ---Disse Hiroshi cansado. ---No dia em que minha família faleceu, por causa daquela doença, pensei que o Clã dos lobos acabaria comigo, com minha morte, eu orei para os ancestrais para me mostrarem um caminho, uma solução, então naquele dia maravilhoso, enquanto fazia uma caminhada, escutei seu pedido de socorro, só não sabia que naquele momento, você que estaria me salvando, salvando nosso clã.

—--Pai. ---Disse sorrindo, ele me abriu um largo sorriso. ---Eu que sou eternamente grato por ter salvado minha vida.

—--Não é verdade, os ancestrais colocaram você no meu caminho, mesmo que você estivesse sem sua memória, perdido, triste, eu podia notar que você era um jovem forte, bondoso e incrível. ---Disse ele sorrindo. ---Por isso te entreguei o colar, o símbolo do nosso clã, rezando para nossos ancestrais que você fosse aquele que salvaria o clã, aquele jovem destinado a ser a esperança do clã. ---Ele segurou minhas mãos e me olhando com os olhos cheio de esperança. ---Por favor, eu lhe peço, por tudo que é sagrado, não deixe o clã morrer, depois da minha morte, procure uma boa mulher, ame-a, tenha muitos filhos e ensine para eles o que é ser um Ookami, como eu te ensinei.

—--Eu te prometo, meu pai. ---Disse firmemente, mesmo assim não conseguia parar de sorrir para ele. ---Eu vou salvar o clã Ookami, irei cumprir com seu desejo.

Memórias desligadas.

Pouco tempo depois Hiroshi, meu amado pai, adoeceu, ficando de cama, cuidei dele da melhor forma que pude, mas no começo de 1950 ele faleceu, naturalmente, enquanto estava descansando em sua cadeira e contemplando as estrelas, uma das coisas que ele mais gostava de fazer, todos as noites em que estive ao seu lado, ele ficava boa parte de suas noites observando as estrelas. Eu o cremei e joguei suas cinzas na praia, a mesma praia que ele me encontrou e me salvou da morte certa. Infelizmente, eu ainda não pude cumprir minha promessa, de conhecer uma boa mulher e construir uma família com ela, mas essa é minha meta final, com toda certeza irei cumprir esse desejo do meu pai, por isso carrego o colar do Clã, para que um dia, eu possa passar para o meu filho, porém, antes disso, irei destruir meu progenitor e cobrar o débito que ele tem comigo.

—--Gustavo. ---Escutei uma voz me chamando, me virei e encarei uma linda mulher, realmente era incrivelmente linda, aparentava ter 25 anos, 1,60cm, sua pele era branca como a neve, seus cabelos eram prateados como a lua, assim como seus olhos, lindos olhos prateados, seu corpo era incrível, seios fartos e redondos, bunda grande empinada, pernas grossas, ela estava vestida em roupas clássicas, uma túnica branca com detalhes em ouro.

—--Lady Febe. ---Disse me curvando para ela.

—--Venha comigo, trago uma mensagem de lorde Cronos pra ti. ---Disse ela andando, eu a acompanhei de perto, enquanto andávamos nos afastado de qualquer monstro que estivesse por perto. Talvez ela tenha uma missão especial de Cronos para mim. Eu odiava os Titãs, odiava ter que servir a eles, mas infelizmente com minha atual força, eu era muito pouco para ir atrás de Hades sozinho, então por hora, precisava da proteção e da força deles, no momento certo eu teria minha vingança e quem sabe quantos mais Titãs irritantes eu mataria junto de meu progenitor. ---Cronos ordenou para que você fosse até o Rancho triplo G, para comprar algumas cabeças de gados e mais comida para o exército. ---Ela me entregou um papel, eu peguei e olhei, era uma lista com a quantidade que era para gastar com cada tipo de animal que eu compraria no Rancho.

—--Cronos me pediu isso? ---Perguntei levemente confuso. Isso era tão fácil que chegava a ser ridículo, ele poderia mandar qualquer um cumprir essa droga de missão ridícula, sinceramente pensei que Cronos me mandaria para coisas mais grandiosas, afinal de contas eu era Gustavo, o Lobo Negro do Submundo. ---Pelo menos não me dará dor de cabeça, partirei de imediato. ---Disse me curvando para Febe, mas ela parecia apreensiva, ela olhou de um lado para o outro.

—--Me escute com atenção, não direi duas vezes. ---Disse Febe muito baixinho, enquanto vinha se aproximando de mim, seu corpo estava muito próximo, praticamente colado no meu, o que me deixou sem jeito, afinal de contas, Febe era uma beleza de tirar o fôlego de qualquer homem, ela sussurrou no meu ouvido, muito baixo, quase inaudível, mesmo com a minha audição apurada. ---No rancho, você encontrará com o Perseus, se quiser saber a verdade sobre o seu passado, escute o que ele terá a te dizer.

—--O que? ---Perguntei confuso.

—--Muito bem, tenha uma boa viagem, Gustavo. ---Disse Febe sorrindo docemente como sempre fazia com todos os outros, ela era um doce até mesmo com os monstros, juntando com sua beleza estonteante, ela com certeza era a preferida de todos no exército. O que me deixou ainda mais atordoado do que já estava antes. ---Lorde Cronos está contanto com seus serviços. ---Então ela simplesmente virou em seus calcanhares e saiu rebolando para dentro do Palácio novamente, me deixando ainda mais confuso que já estava.

—--O que será que ela quis dizer?