Notas iniciais
fala fantasminhas, beleza?

POV: Héracles.

Nesse momento eu estava sozinho, esperando o portão de abrir para que eu pudesse entrar na arena e começasse a minha pequena luta. Apesar de tudo que está envolvido nessa luta, eu sentia-me extremamente animado com a luta com esse pequeno semideus, ele era realmente um herói promissor, um semideus poderoso, alguém que eu realmente poderia dizer que tinha meu respeito, afinal de contas tínhamos muitas coisas em comum, apesar de as diferenças entre nós eram gritantes e impossível de serem relevadas por mim. Especialmente ele ter aceitado ser adotado pela maldita Hera, a deusa que eu mais odiei durante toda a minha vida, desde os primórdios da minha vida.

Embora eu tenha que admitir que eu não sou nem um santo, eu tinha muitos motivos para alimentar meu ódio daquela deusa maldita, ela fez muito mal pra minha vida mortal e para minha imortalidade também. Seus truques sujos para me prejudicar começaram muito cedo, quando ela enviou aqueles malditos escorpiões venenosos para me matar, ainda no meu berço, felizmente meu amado pai, Zeus, mandou as cobras para me salvar, entretanto, eu acabei as matando, embora, eu não soubesse exatamente o que estava fazendo e realmente nem me lembro de nada disso, mas foi me contato por meu pai adotivo e minha mãe.

Já mais velho, eu acabei sem querer, matando meu professor Linus, eu infelizmente não tinha muito entendimento da minha força naquela época, ele estava tentando me ensinar a tocar a lira, mas eu não estava muito interessado em aprender, Linus irritado com a minha falta de concentração, acabou me batendo com a lira na cabeça, o que me irritou, por reflexo, eu devolvi o golpe, mas com a minha força descomunal, acabei abrindo sua cabeça com o golpe e o levando a morte. Meu padrasto, Anfitrião, me mandou para o mestre Centauro Quíron, para que eu pudesse treinar e aprender a controlar minha força, que estava começando a ficar fora de controle, eu ainda tinha meus sete anos. Eu passei sete anos sobre os cuidados de Quíron, ele me ensinou tantas coisas, Arco e Flecha, técnicas com armas, mitologia, um pouco de medicina e alquimia, como combater monstros, ética, música e filosofia, foram muito proveitosos os dias que passei junto do meu velho mestre Centauro.

Conforme eu cheguei aos meus catorze anos, eu recebi certa noite, a visita de duas ninfas, enviadas por meu pai, as ninfas Prazer e Virtude, elas me deram a escolha entre duas vidas, a primeira delas era uma vida pacifica, calma e simples, esposa e filhos, uma vida simples e muito feliz, todavia, por ser uma vida cômoda, eu não alcançaria grandes feitos e meu nome logo seria esquecido. A segunda opção era a vida gloriosa, meu nome seria lembrado para todo o sempre, como o maior e mais poderoso herói que existirá, entretanto, minha vida seria dura e cruel, cheia de espinhos e dor. Com a minha pouca compreensão sobre o mundo, eu acabei escolhendo a segunda opção, a vida gloriosa, eu pensei que poderia suportar a dor, mas eu não sabia que o preço da minha escolha seria tão pesado.

Ao crescer mais um pouco, eu sai da proteção do velho centauro e comecei minha jornada em busca da minha tão sonhada vida gloriosa, retornei para Tebas, onde tive a minha primeira façanha heroica, quando me dirigi à Beócia, região próxima de Tebas, onde persegui e matei apenas com as mãos um enorme leão que devorava os rebanhos de meu pai adotivo, Anfitrião e de Téspio, na região de Citerão. A caçada foi simples e fácil, afinal era apenas um leão, não um monstro, porém, como durou cinquenta dias consecutivos, com a gente tentando rastrear o leão, durante os quais eu fui hóspede de Téspio, que realmente gostava muito de mim, da minha força e ele queria ter netos poderosos, por isso, durante os cinquenta dias que estive em seu castelo, toda noite uma das suas cinquenta filhas se deitava comigo, foi realmente muito divertido, elas me ensinaram muito, em especial a filha mais velha, que foi a primeira a deitar-se comigo, na verdade não consigo me recordar de seu nome, de toda maneira, acabei criando uma aguerrida descendência com as irmãs.

Ao regressar a Tebas após esta caçada, eu já acabei me deparando com a minha próxima aventura, onde encontrei os enviados do rei Ergino, de Orcômeno, que vinham recolher um tributo que os tebanos lhe pagavam regularmente, a batalha ocorreu em razão disto, liderados por mim, depois de uma batalha feroz, após derrotá-los e insultá-los, eu os obriguei a pagar um tributo duas vezes maior que o que haviam imposto a Tebas. Foi neste momento que a minha fama começou aumentar gradualmente entre os mortais, ao mesmo tempo em que minha fama aumentava, a contraparte da minha vida começou a cobrar seu preço, neste combate, meu pai adotivo e amigo, um dos melhores mortais que já conheci, foi morto em batalha, Anfitrião, que lutou corajosamente ao meu lado para proteger a cidade e os cidadãos de nossa amada Tebas.

Por ter livrado a cidade de Tebas do tributo aos Ergino, o rei Creonte, que era um cara até legal, pelo grande bem que fiz ao seu reino, ele me ofereceu a sua filha mais velha, a bela Mégara, com a qual tive meus amados filhos, meus três pequenos guerreiros Terímaco, Creontíades e Deicoon, deuses, como eles fazem falta. Apesar de ter que admitir que nunca verdadeiramente amei Mégara, afinal de contas, nosso casamento foi arranjado, não foi por carinho e companheirismo, eu não era muito próximo dela, mas ela era uma mãe incrível e uma mulher forte.

Poucos anos depois dos meus amados filhos nascerem, foi o momento em que a minha vida Gloriosa cobrou seu maior preço, o preço mais duro e cruel que qualquer um poderia pagar e tudo isso por causa daquela maldita deusa. Confesso que não me recordo do motivo que fiz para irritar Hera, entretanto, ela me atacou, num acesso de loucura, eu cometi o maior e mais triste pecado que um pai e um marido pode cometer, acabei matando os meus três meninos e Mégara, depois daquela triste e maldita situação, eu fui levado à beira da loucura total, totalmente alucinado de ódio e culpa.

Após recuperar a sanidade, eu tentei me redimir do triste pecado que acabei cometendo, embora houvesse a atenuante do que Hera fez comigo, de toda forma, fui consultar o Oráculo de Delfos sobre o meio de se redimir desse crime e poder continuar com minha vida normal, só não sabia que não importa o que eu fizesse, jamais consegui voltar a ter uma vida normal. De toda forma, o oráculo ordenou que eu servisse, em dez trabalhos, a meu primo Euristeu, rei de Micenas e de Tirinto, um dos seres humanos mais desprezíveis que tive o desprazer de ter contato durante toda minha vida mortal e até mesmo depois dela, aquele maldito rei, simpatizante da escrota da deusa Hera, impôs as tarefas mais difíceis possíveis que ele pode imaginar, com a evidente intenção de me eliminar.

Ao qual foram a maior fama que alcancei e sou lembrado até hoje, os doze perigosíssimos trabalhos, dos quais eu sai vitorioso, por mais que foram doze anos de muito sacrifício, embora também houvesse seus momentos de diversão, nem tudo nessa vida foi tristeza, isso é fato. Tanto que após esses trabalhos, eu acabei tomando gosto pela vida andarilha, era tudo mais simples, cada dia um novo lugar e novas situações, isso amenizava um pouco a saudade que tinha dos meus amados filhos. Por essa razão, acabei por apenas continuar viajando, entregando-me a muitos outros serviços, por minha livre vontade, tentando fazer o melhor para os mortais, combatendo monstros e tentando agir na defesa dos oprimidos.

Participei de parte da expedição dos Argonautas, em busca do Velocino de ouro, mas somente fui até a Mísia, então tive que interromper minha participação na viagem. É que Hilas, meu grande amigo, foi encarregado de buscar água numa fonte, porém, foi capturado pelas ninfas que o arrastaram para as profundezas dos rios. Eu havia acabado de voltar do bosque onde tinha ido buscar madeira para refazer meu remo partido, quando tomei conhecimento de seu desaparecimento através de Polifemo, que tinha ouvido seus gritos de socorro. Eu e Polifemo partimos atrás do nosso amigo, deixando avisado para o Argos partisse sem nós, caso não voltássemos até o dia seguinte, embora conseguimos salvar meu amigo, acabou que não voltamos no horário combinado, então, Argo partiu com menos três tripulantes a bordo.

Quando eu fui para o Egito, acabei encontrando o tirano Busíris e o matando, aquele maldito sacrificava todos os estrangeiros que aportavam ao seu estado. Depois disso, acabei encontrando, o Titã Prometeu acorrentado, em seu castigo impetrado por meu pai, Zeus no cume do Cáucaso, entregue a um abutre que devorava o seu fígado, eu conhecia o mito dele, embora não soubesse exatamente quais motivos levou o Prometeus a ajudar a humanidade, ele havia roubado o fogo sagrado de Héstia para nós, por essa razão estava ali, com isso em mente, acabei o libertando-o de sua punição.

Posteriormente, me envolvi com o gigante Anteu que, em luta, recuperava a força sempre que conseguia tocar, com os pés, o solo, um adversário formidável e muito forte, entretanto, era um maldito, ele obrigava os que passavam pelo deserto da Líbia a lutarem com ele, de modo que tais combates invariavelmente terminavam com a morte do seu adversário, um dos seus objetivos era utilizar os esqueletos dos viajantes que matava para edificar um templo em honra do deus Poseidon, felizmente, depois de sofrer na luta, acabei descobrindo sua fraqueza e consegui derrotá-lo, elevando-o do chão, ele perdia sua força e regeneração.

Enfrentei também outras batalhas muitos difíceis, certa vez, quando estava perto de Delfos, me deparei com Kyknos, um filho de Ares, que roubava os viajantes que iam para os Delfos, ele não era muito forte, facilmente derrotei ele, entretanto, Ares não gostou nada disso, e desceu do Olimpo para me cobrar. Por fim nos envolvemos em uma batalha complicada, com a ajuda de Atena, me mostrando os pontos fracos do deus, acabei conseguindo o ferir e fazê-lo recuar paro o Olimpo.

Outra vez, quando passava pelo reino de Feras, no sudeste da Tessália, conheci o rei Admeto e sua esposa Alceste, que estava adoecida e a beira da morte, conforme andei pela cidade, ouvi o lamento dos servos que não queriam perder uma querida senhora e tão dedicada esposa, aquilo me comoveu, em ver uma mulher tão amada pelos servos, então resolvi ajudar aquele jovem casal, eu esperei que Thanatos, deus da morte, chegasse para leva-la, quando notei aquela figura assustadora, tive que juntar toda minha coragem, porém investi em uma luta com ela, consegui vencer a morte, obrigando-a a devolver a vida de Alceste.

Por fim, antes de voltar e ter uma vida mais calma, afinal de contas já estava ficando mais velho, por volta dos meus quarenta anos, acabei disputando com Aqueloo a posse de Dejanira, filha de Eneu, rei da Etólia, uma beleza surreal que me fascinou e como ela me preferiu, Aqueloo, ficou furioso, transformou-se em serpente, e investiu contra mim, mas ele foi facilmente repelido, transformou-se em touro, e de novo eu o mandei longe, na próxima eu consegui agarra-lo e acabei quebrando-lhe os chifres, assim ele fugiu com medinho. Deixando-me com o prêmio, a linda Dejanira, que me serviu muito bem, tanto que acabei a desposando, só não sabia que ali, naquele momento eu estava assinando minha sentença de morte.

Em seguida, precisávamos atravessar o rio Eveno, dessa forma eu pedi ao centauro Nesso que conduzisse Dejanira ao ombro, enquanto faria a travessia a nado. No meio do caminho, tendo Nesso se recordado de uma injúria que outrora eu havia lhe dirigido, resolveu, por vingança, raptar Dejanira, passando com esse intuito, a galopar rio acima. Eu percebi suas intenções, felizmente sou um excelente arqueiro, então, aguardei que ele alcançasse terra firme, e então atravessei-lhe o coração com uma das minhas flechas envenenadas. Nesso tombou, e, ao expirar, deu a Dejanira a sua túnica manchada do sangue envenenado, convencendo-a de que seria, para ela, um precioso talismã, com a virtude de que um dia eu viesse em qualquer tempo, a abandoná-la, o talismã me prenderia.

Infelizmente eu não ouvi essa conversa, nem vi onde aquela idiota possessiva havia escondido a manta com sangue de centauro. Passados alguns anos, acabei me apaixonando pela sedutora Iole, ao qual queria desposá-la, Dejanira ficou louca de raiva de mim, mas não podia fazer nada, pelo menos eu pensava isso. No dia do meu casamento, eu recebi de Dejanira, como presente de núpcias, a túnica ensanguentada, e, ao vesti-la, o veneno infiltrou-se em meu corpo. Era muito, muito doloroso, eu fiquei louco de dores, fiz de tudo ao meu alcance para tentar arrancá-la, mas o tecido achava-se de tal forma aderido às minhas carnes que quando eu tentava puxar, acabava arrancando minha própria pele e carnes juntos.

Eu não sabia exatamente o que estava fazendo, sentindo tanta dor, por fim acabei me jogando na grande fogueira, finalmente colocando fim a minha vida mortal. Apiedado pelo meu fim, meu amado pai, lorde Zeus, me arrebatou para o Olimpo, onde eu ganhei a imortalidade e seduzi Hebe. Hera não gostou nada disso, o que me deixou ainda mais motivado em continuar querendo me casar com Hebe, eu não consegui casar-me com ela, pois necessitávamos da benção de Hera, mas a garota estupida não ouviu sua mãe, preferiu a mim. Apesar de não termos sidos proibidos de morar no Olimpo, ficamos em uma pequena Ilha, mas sinceramente, tirando o fato de que Hebe me era útil para me fazer torturar Hera, ela não me tinha nenhuma outra serventia. Tanto que nunca tivemos filhos, nem correspondi muito seus carinhos.

A luta logo iria começar, e eu podia ouvir muito bem a arena gritando meu nome, com toda certeza, ouvir tantos gritando meu nome animadamente era legal, mas depois de mais de um milhão de lutas, aos poucos foi perdendo um pouco a graça. Mas não estou aqui hoje pelos gritos da arena, estou aqui para acabar com o filhote da Hera, esmagá-lo como a formiga que ele é. Mas inevitavelmente vou acabar dando ao público o que eles querem, afinal eu que estarei lutando, sempre dou show e a luta de hoje não é nada além de um show onde eu massacro aquele bostinha.

—--Héracles. ---Escutei uma voz que a muito tempo não ouvia, com toda certeza era Atena, mas ouvir sua voz não me animou muito, não estava afim de falar com ela nesse momento.

—--Olá Atena. ---Respondi para ela, quando me virei eu a encontrei com aquela sua expressão de desaprovação que muitas vezes vi, quando ela não gostava das coisas que eu fazia. ---O que veio fazer aqui? ---Perguntei educadamente, embora já soubesse da resposta. Ela continuou seria como sempre, me encarando com aqueles olhos intimidadores.

—--Héracles porque está fazendo essa idiotice? ---Perguntou ela seriamente. Confesso que tive que segurar o riso, ela era sempre tão racional e simples, ela dificilmente usava seus sentimentos, então eu sabia que não podia explicar para ela.

—--Hora, hora, Atena. ---Disse rindo levemente, tentando manter um clima amistoso. ---Isso não é óbvio? Por minha vingança, eu quero vingança pelos meus filhos, quero vingança por ter tido uma vida de bosta, quero vingança contra a Hera. ---Por mais que quisesse manter a calma, lembrar disso fez meu peito se enfurecer rapidamente. ---E o que seria melhor do que acabar com o filho dela, mais um filho dela. ---Eu havia humilhado Ares, depois tomei Hebe, sua filha mais próxima. ---Que bem sabemos que não é tão filho assim, afinal a verdadeira mãe ele deixou morrer.

—--Cuidado, Hércules. ---Disse Atena com a voz calma, muito embora eu pude sentir uma energia não tão amigável emanando de sua aura. ---A mãe dele era minha filha querida, tenha respeito. ---Seus olhos brilhavam, aqueles cinzas tempestades estavam sérios e irritados. ---E Hera é mãe dele sim, ela o criou e o transformou em seu filho. ---Não aguentei, nesse momento até a deusa da sabedoria em pessoa perdeu a racionalidade.

—--Nossa que maravilhoso ser filho da Hera. ---Zombei rindo levemente, da forma que eu sabia que era muito sarcástica. ---Ser jogado do monte Olimpo, apenas por ser feio deve ser realmente maravilhoso, que grande mãe ela foi para Hefesto. ---Eu falei batendo palmas. Claro, essas condutas com toda certeza eram dignas de serem ovacionados, como a mãe do século.

—--Eu não estou falando que Hera não cometeu erros. ---Disse Atena firmemente. ---Mas inegavelmente ela se tornou uma excelente mãe para o meu amado Percy, ela mudou e cresceu, melhorou, buscou evoluir. ---Eu não aguentei aquela irracionalidade de Atena, não pude deixar de rir. ---Pode rir, o que eu disse é um fato, Hera esqueceu o passado e está fazendo do presente algo melhor e buscando um futuro melhor, um exemplo que você deveria seguir também. ---Aquilo estava deixando-me ainda mais irado, seguir um exemplo daquela escrota? Atena estava ficando louca. ---Você está preso ao passado e não consegue esquecer a sua raiva, não consegue esquecer essa vingança tola.

—--Então os traga de volta, Atena. ---Disse entre os dentes. ---Traga meus filhos de volta, traga meus amados meninos de volta. ---Mas eu sabia que isso é impossível, eles já escolheram reviver a muitos milênios, quando eu ainda era um semideus.

—--Eu sei que dói...

—--Não fale besteira, você não tem sentimentos, você não ama ninguém, tudo que se passa em sua cabeça é lógica, não existe espaço para sentimentos. ---Disse a interrompendo. ---Você não entende nada, nunca teve filhos de verdade, você não sabe o que é ser mãe.

—--Eu sou mãe...

—--Não, você não é. ---Disse a interrompendo, novamente. ---Ser mãe é criar, estar perto, ensinar e dar amor. Você apenas criou alguns semideuses, depois os abandonou, os jogou na casa de algum mortal otário, para que ele criasse um bebê, que ele nem sabia da existência até então, então não me venha com discurso sobre esquecer dos meus filhos, você assim como os outros olimpianos não passam de hipócritas. ---Falei a encarando nos olhos, coisa perigosa para quem sabe o nível de poder dela, mas eu estava muito irritado com aquela enorme hipocrisia que ela estava me falando.

—--Porque toda essa raiva de mim? ---Perguntou ela magoada. Ela não me deu tempo para responder. ---Você diz que eu não tenho sentimentos, que eu não amo ninguém, você sempre foi meu irmão preferido desde sempre, te ajudei em tantas ocasiões, então porque esse ódio de mim? ---Eu não podia dizer que ela estava mentindo, ela realmente me ajudou tantas vezes, jamais poderia dizer que tinha ódio dela. ---Agora me diga, eu não te amei?

—--Atena você se diz minha irmã, que me amou mais do que qualquer outro irmão, mas o que fez quando me viu fazendo aquilo, permitiu que ela entrasse na minha cabeça burlasse os meus pensamentos, o que tu fez quando me viu matar a minha própria família, porque não desceu lá e me impediu?

—--Você sabe que eu não sabia, você sabe que eu não sei de tudo, certas coisas são impossíveis de serem evitadas. ---Disse Atena irritada. ---Eu sou a deusa da sabedoria, não a deusa da adivinhação.

—--Então você é uma péssima deusa da sabedoria, por não ter conseguido prever aquilo. ---Disse irritado, os olhos de Atena ferveram de raiva, tomando um brilho totalmente cinza, deixando a pupila e esclerótica sumir. ---Quando seu amado e preferido irmão mais precisou de você, você não estava lá, então, não me faça rir.

—--Você é um ser tão maldoso e cruel quando quer ser...

—--Foi Hera que me transformou nisso. ---Disse a interrompendo. ---Foi minha vida cruel e gloriosa que me transformou no deus da força, título este que consegui a base de muito sacrifício e dor, por mérito, não por ter nascido em um berço de ouro no Olimpo. ---Atena continuou me encarando com pena em seus olhos, o que me deixou ainda mais irado.

—--E você continua se provando indigno de ser um dos Olimpianos. ---Disse Atena com desdém. ---Já que continua tentando se aproveitar dos outros.

---Todos vocês meus irmãos, que se tornaram Olimpianos são hipócritas, até mesmo você, que se diz a sabedoria em pessoa, mas agiu como tola com a medusa, você a transformou em um monstro quando na verdade sua raiva era de Poseidon.

—--Não ouse continuar falando assim. ---Rosnou Atena, ela deu alguns passos na minha direção, instintivamente eu fui para trás. ---Medusa teve o que mereceu, ela envenenou o Poseidon dando uma droga afrodisíaca.

—--Não faz diferença, você não sabia disso na época, simplesmente atacou Medusa ao invés de Poseidon, só porque ele era mais forte que você e você perderia. ---Disse firmemente, embora ainda estivesse me encurralando próximo da parede. ---Vocês todos são hipócritas, então não me venha julgar-me por essa luta, diferente de vocês eu encaro meus inimigos de frente, não sou covarde.

—--Não é covarde e encara seus inimigos de frente?! ---Riu Atena. ---Então porque não ataca Hera? Continua atacando-a indiretamente, como o que você faz com a Hebe?

—--Sejam muito bem-vindos. ---Escutei a voz de Hermes tirando-me da discussão brevemente. Mesmo daqui sua voz saiu mais alta do que a multidão, que fazia muito barulho já. Hermes estava começando. ele iria ser o apresentador do combate. ---Estamos todos reunidos essa noite para um grande espetáculo, uma batalha entre os dois heróis mais famosos que já existiram entre os semi-imortais, um embate digno de parar guerras para ser assistido, digno de juntar tantos deuses no coliseu do glorioso Olimpo.

—--Não importa o que tu me falares, você é meu irmão preferido, no meu coração isso não mudou. ---Disse Atena sorrindo pra mim. Eu ia responder quando ela deu um beijo em minha testa, como deu em mim uma vez quando era pequeno. Aquilo fez minha raiva diminuir dentro de mim. ---Tenha cuidado, sei que você está com ódio, querendo humilhar Hera, mas saiba que não vai ser tão fácil assim, Percy assim como você é muito forte. ---Falando isso, ela se virou e saiu andando de volta a arquibancada.

—--Não disfarce, sei que você torce pelo seu neto e não por mim. ---Disse a provocando novamente, para ver o que ela responderia. Ela soltou um pequeno riso, se virando e me encarando com aqueles olhos cinzas tempestade.

—--Eu torço para que essa luta não aconteça, mas como sei que vai, felizmente você disse que não lutaria até a morte, o que me fez ver que você ainda tem um pouco do antigo Héracles, aquela criança feliz e amorosa que conheci, seu coração ainda não está tão longe na escuridão em busca de vingança. ---Ela me deu um lindo sorriso. ---Só espero que você volte a ser completamente aquele herói que sempre foi, aquele que lutou contra Tânatos só para proteger a esposa do homem que te deu comida. ---Senti um aperto no peito com aquelas palavras. ---Mas é verdade que eu amo meu neto, acima de qualquer coisa nesse mundo, ele tem o coração mais lindo que existe, ele é o melhor ser que eu conheci, ele é a minha grande esperança. ---Não esperava por isso, que Atena coloca-se tanto crédito nesse rapaz.

—--Você sabe que eu não terei piedade daquele moleque, vou arrebentar ele até que ele desista. ---Disse firmemente, o que a fez rir levemente.

—--Só te digo que não vai ser tão fácil, não o subestime, será o seu maior erro. ---Disse Atena seriamente. ---E no fundo, espero que ele consiga nessa luta te trazer de volta da sua escuridão, assim como ele fez com a própria. ---Antes que eu dissesse mais alguma coisa, eu ouvi a voz de Hermes me anunciando.

—--Héracles, deus da força. ---O público estava me ovacionava, o coliseu inteiro tremia e o barulho aqui debaixo era incrível, quase ensurdecedor. O portão a minha frente foi se abrindo.

—--É hora do show. ---Falei me virando para Atena, mas a deusa já não estava mais ali, o que me fez rir, isso era mesmo nostálgico, Atena sempre fazia esse tipo de coisa, vinha falar comigo, me aconselhava e depois me deixava falando sozinho. Comecei a me dirigir para a arena, caminhando em direção ao centro, eu notei alguns dos Autômatos voadores de Hefesto, dos quais ele criou para gravar para a TV Hefesto, havia umas duas dúzia deles voando em todas as direções, mas parecia que haviam oito deles focado diretamente para dentro da arena, para não perder nada do combate, realmente era uma tecnologia avançada, que eu não entendia nada. ---ROAR! GRRAURR! BRRRUM! ---Rugi igual a um leão, alto e imponente, afinal eu era um leão, era meu animal símbolo e sagrado. ---EU VOU ARREBENTAR CABEÇAS HOJE. ---Gritei alto para o público que ficou louco com os meus insultos, enquanto rodava pela arena, escutando-os me ovacionando. ---IREI ARREBENTAR O PEQUENO SEMIDEUS. ---Continuei o provocando, sabia que a esse som, ele ouviria facilmente meus insultos. Aos poucos eu me acalmei, para que Hermes pudesse dar continuidade e a luta começasse logo.

—--Agora o adversário de Héracles, que tem uma fama quase tão grande quanto o primeiro. ---Começou Hermes a anunciar o garoto. ---Ele é descendente direto de três deuses Olimpianos, filho de Poseidon e Hera, neto de Atena e campeão de Héstia, teve treinamento de muitos dos meus companheiros Olimpianos, Apolo, Ártemis, Hefesto, Afrodite, Atena, Ares, Hera, Héstia, Poseidon e o rei dos deuses, Zeus. ---Esse garoto não era diferente dos outros Olimpianos mais jovens, ele foi criado no Olimpo, em berço de ouro, uma vida mansa e pacifica. ---Famoso por ser o assassino de Imortais, terror do Kraken e salvador da era dos Deuses, ele venceu nomes como Tritão, Anfitrite, Nereu e Fórcis. O General dos Exércitos de Atlântida, Perseus Heitor Jackson.

Houve alguma agitação da multidão, claramente muito inferior à minha, visivelmente o público apostava suas fichas na minha vitória. Esses títulos que ele leva, na verdade são um pouco forçados, assassino de Imortais? Ele matou Tritão, Anfitrite, Nereu e Fórcis, eles nem eram assim tão poderosos e famosos, mal poderiam ser considerados Imortais, diferente de mim, que enfrentou Hades, Ares, Tânatos, deuses incrivelmente poderosos e antigos e os derrotei, os dois últimos eu não os matei por detalhe. Nesse momento o garoto apareceu no meu campo de visão, ele veio andando calmamente, olhando em volta, para a multidão e para os Automantos de Hefesto.

Ele também não estava usando armadura e não tinha nenhuma arma em mãos. Usava roupas casuais, calça jeans azul escura e uma camiseta preta lisa e coturnos pretos do exército. O público estava agitado conosco na Arena. Mas confesso que ele vir sem armadura, me animou e me deixou irritado também, animado por parecer que posso levar a luta para pancadaria pura e simples, o que eu mais gostava de fazer e irritado por ele ousar vir e lutar de igual pra igual comigo. Levantei minha mão, silenciando o pouco público que estava do lado dele.

—--Sabe porque estou de terno? ---Perguntei sorrindo em provocação, mas ele não ousou responder. ---Porque essa luta vai ser tão rápida, que eu nem vou amarrotar ele e depois quero sair e comemorar em uma festa de gala.