Percy Jackson o Guerreiro Sem limites
182 Capítulo 182
Notas iniciais
POV: Perseus Heitor Jackson.
Dias atuais.
Depois da minha gostosa conversa com Chiara, foi divertido contar sobre os três heróis brasileiros, guerreiros formidáveis e incrivelmente corajosos e honrados. Eu retornei ao meu QG, teletransportando-me, precisava resolver mais um assunto antes do grande problema dessa noite, Tyson viu muita coisa triste, sofreu um bocado na sua vida, entretanto, ele ainda tinha uma inocência grande, o que eu queria preservar o máximo possível, queria poupa-lo de umas tristes verdades que aconteceriam está noite, mas do que isso, eu não queria ter que mostrar uma cena tão triste como Silena ser açoitada e depois ele me ver matar Will, mais do que isso, se eu soubesse que ele estava vendo-me executar alguém com tamanho sangue frio aumentava as chances de eu não conseguir, sabendo que o Tyson estivesse lá me vendo, me atrapalharia a cumprir o que tinha que fazer.
Fui até a forja, onde Tyson já estava de volta, continuando com o nosso projeto em conjunto. Lá estava ele trabalhando no pesado, martelando ferragens extremamente quentes, em uma enorme bigorna, bem próximo da forja de barro e metal ao fundo, que queimava com muita intensidade, aqui era extremamente quente, muito mais que semideuses comuns poderiam suportar. Entretanto, aquele enorme calor não incomodava a enorme Sra. O’Leary, que estava deitada e descansava a apenas alguns metros de Tyson, ela parecia estar até cochilando, mesmo com o barulho muito alto de Tyson batendo o metal contra metal, o que era estranho, alguém ou alguma coisa dormir com tanto barulho, não é fácil para alguém ou no caso um monstro, dormir nessa situação, mesmo eu não conseguiria dormir com alguém fazendo tanto barulho como Tyson estava fazendo.
—--Tyson. ---Chamei-o, fazendo com que ele parece de bater e olhasse para cima, seu grande olho castanho esverdeado me encarando com animação.
—--Irmãozão. ---Disse ele feliz, voltando o metal que estava batendo para de volta na forja. ---Veja só como estão as coisas. ---Disse ele animado, mostrando-me a jaula, ela já havia ganhado forma, tinha mais o menos 6 metros de altura, 2 metros de largura e mais 2 metros de comprimento, com medidas perfeitas para manter até mesmo um deus em sua forma divina preso, mas depois que aplicasse magia de expansão, poderíamos tanto variar o tamanho da jaula por fora, quanto o espaço que tinha lá dentro, a jaula ainda tinha um dos lados inacabado, o que era exatamente o da porta.
—--Está mandando muito bem, Tyson. ---Disse sorrindo. ---Preciso conversar contigo um minuto, irmãozinho. ---Acenei para que ele me seguisse, ele acenou positivamente, arrumou a haste de Oricalco ao qual estava trabalhando melhor na forja e começou a vir na minha direção.
—--Então, o que foi? ---Perguntou Tyson quando me alcançou e começou a caminhar ao meu lado.
—--Eu não queria acordar a Sra. O’Leary. ---Expliquei para ele. Ele assentiu brevemente. ---Eu vou ter que ir pro acampamento, irei pousar lá, mas eu preciso de alguém aqui no QG, para cuidar da Sra. O’Leary, Quíron tem medo de deixa-la no acampamento e ela causar algum estrago. ---Embora estivesse arrumando uma desculpa, ainda tinha uma ponta de verdade nisso tudo, afinal de contas, a cadela infernal podia causar um grande estrago se ficasse irritada no acampamento, sem Quintus para conte-la e se talvez deixasse ela sozinha, ela poderia ir atrás de Quintus, desaparecendo nas sombras, agora, com o Tyson aqui, cuidando e brincando com ela, talvez ela pudesse não fugir. Além é claro, de eu ter uma boa desculpa para manter o Tyson aqui, longe do acampamento.
—--Sem problemas, posso cuidar dela. ---Respondeu ele de imediato, aceitando a nova missão. ---Dessa forma eu ainda vou poder continuar com nosso projeto. ---Ele parecia muito animado em continuar com nosso projeto, ele já tinha adiantado bastante as coisas, logo eu teria que começar os “retoques” com magia.
—--Muito bem, só não se esqueça de descansar, dormir é importante, não fique até muito tarde trabalhando. ---Disse sorrindo para ele, que assentiu firmemente. ---Muito bem, estou indo...
—--Espera. ---Disse ele me interrompendo com urgência. Voltei minha atenção para ele, seu rosto estava bastante corado, mesmo que antes, com todo aquele calor, ele não estivesse nada vermelho. ---Enquanto a Laila, ela vai com você, não é? ---Ele parecia sem jeito, muito envergonhado na verdade. Então lembrei que o Tyson está envergonhado, por ter visto Laila nua, era a primeira mulher que ele viu nua, tanto pessoalmente quanto por fotos ou qualquer outro modo indireto de ver.
—--Não, ela vai ficar aqui com você. ---Respondi seriamente, o que o deixou ainda mais corado. ---Tem algum problema?
—--Sim... Não, quer dizer, talvez. ---Respondeu ele de forma atrapalhada, o que me fez rir. ---Ela é muito bonita.
—--Sim, ela é mesmo. ---Concordei com ele.
—--Como falamos com garotas bonitas? ---Perguntou ele curioso.
—--Seja você mesmo, fale do que gosta, respeite ela, mas a melhor forma de não dizer nada errado, é prestar atenção no que elas falam, seja educado, seja verdadeiro. ---Disse seriamente. Eu também não tinha um manual de como conversar com mulheres, exceto aquele que Apolo me ensinou, mas ele não é muito útil com mulheres sóbrias, muito menos com mulheres que não são mulheres humanas, uma mulher Gênio. ---Mais uma coisa, não fique bajulando-a.
—--O que isso quer dizer? ---Perguntou Tyson confuso, o que me fez rir novamente. Claro que ele não saberia o que a palavra bajular significava.
—--Não ficar elogiando demais. ---Expliquei, ele assentiu levemente. ---Como por exemplo, não ficar a chamando de garota bonita, chame-a pelo nome, dessa forma, vocês poderão se aproximar e ter uma conversa amistosa e legal.
—--Como posso começar a conversa com ela? ---Perguntou Tyson.
—--Pedindo desculpas por quase a matá-la, seria um bom começo.
—---------------------------------- Quebra de Tempo. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------
Finalmente havia chego a hora, havia muita coisa em jogo nessa noite, eu não podia fraquejar perante a responsabilidade que caiu sobre meus ombros, por mais pesado que está responsabilidade seja, eu não podia fraquejar, como a história dos três heróis brasileiros, eu não podia me render, não podia deixar de cumprir meu dever. O jantar naquela noite passou muito rápido, muito mesmo, eu não toquei na minha lasanha de frango, nem Quíron tocou na sua comida, o velho centauro também estava muito sério, seu olhar era de praticamente luto, eu não o culpava, Quíron era um curandeiro, muito mais do que ele é um guerreiro, eu podia entender como pra ele é difícil sacrificar uma vida dessa forma, era difícil mesmo pra mim. Odara que também estava sentada na mesa dos diretores do acampamento, parecia pesada, não sorriu e não riu, mau falou com o Quíron, muito embora, o velho centauro também não puxou assunto.
Eu passei os olhos entre as mesas, todo conselheiro estava com o ar pesado, sério, em especial o chalé de Afrodite, por mais que Drew tivesse tomado o assento mais próximo da ponta, finalmente voltado depois de meses desaparecida, o chalé não parecia muito feliz, Drew deixou o lugar de Silena vago, como se ela um dia ainda fosse voltar a sentar naquele lugar, na ponta da mesa, eu nunca deixaria isso acontecer, mas Drew respeitou o lugar do até então, atual conselheiro de chalé, afinal de contas, mesmo que Drew fosse a segunda em comando do chalé, ela ainda não era a conselheira do chalé de Afrodite. Os campistas do chalé estavam inquietos, afinal de contas havia ocorrido uma reunião de conselheiros e simplesmente a conselheira do chalé não havia retornado, mas eles estavam calmos, menos falantes, sentados em seus lugares, o que não era o normal do chalé, por serem filhos da deusa do amor, depois que fazíamos os “rituais” em homenagem aos deuses, jogávamos uma parcela da comida em suas homenagens, depois disso, eles tinham permissão para saírem das suas mesas e ir para outras, e os filhos de Afrodite sempre estavam em outras mesas, paquerando os outros campistas.
Outra mesa de chalé que estava um pouco quieta, era a de Hefesto, pois também estava sem seu conselheiro, Charles ainda estava apagado na enfermaria, depois do golpe que dei nele, ele não acordaria hoje, muito provavelmente, o que era bom pra ele, assim ele não veria outra pessoa surrar seu amor e ele não poder fazer nada, seria terrível, por mais que Silena mereça o pior, Charles não tem culpa por amar ela. Zoë e as caçadoras estavam bastante serias também, em especial Thalia, Bianca e a própria Zoë, elas ficavam me encarando, esperando que eu tomasse a iniciativa e começasse o terror dessa noite.
—--Percy, está na hora. ---Escutei Emuna cochichando no meu ouvido, chamando minha atenção, tirando-me dos meus pensamentos aleatórios.
—--Sim, você tem razão. ---Disse de volta. Já podia ver alguns campistas se despedindo, talvez indo para seus aposentos ou para outro lugar, eu tinha que começar, antes que muitos dispersassem. ---Vai buscar Silena, por favor.
—--Sim. ---Respondeu ela, ela levantou-se e depois desapareceu em chamas. Chamando a atenção de todos pra mim, o que já ajudou um pouco.
—--Muito bem, peço a atenção de todos. ---Disse mais alto, levanto-me da minha cadeira, Quíron e Odara fizeram o mesmo. ---Tenho tristes notícias para dar a vocês essa noite, por mais que finalmente podermos ter Clarisse E Drew de volta ao Acampamento, depois de meses desaparecidas, não vamos poder comemorar essa noite, em homenagem a volta das nossas queridas companheiras. ---Drew e Clarisse continuavam sentadas, muito serias, me observando atentamente. ---Como alguns já notaram, há a ausência de alguns campistas nessa noite, um deles é um filho de Apolo, Will Solace. ---Antes de voltar para o acampamento, eu deixei Will marcando com um selo de invocação, era necessário para invocar algo vivo, mesmo que estivesse dentro do meu QG, diferentemente de objetos inanimados, desde que estejam dentro do meu QG, eu não preciso colocar o selo em cada objeto, o que era ótimo, porque se não levaria anos para colocar o selo em todos os bilhões de objetos que tem lá. Enfim, se o objeto inanimado estivesse dentro do QG eu poderia invocar com magia, pois o selo de invocação já estava colocado no QG, consequentemente em tudo que estava lá dentro. Eu estiquei minha mão pra frente e concentrei-me na minha magia de invocação, meu círculo de magia apareceu, verde limão brilhante, com os escritos da magia de invocação nele, outro círculo idêntico e um pouco maior, apareceu no chão ao meu lado, pouco mais de 1 metro de mim, ele se dividiu em dois símbolos verdes idênticos e um começou a subir rapidamente e o outro ficou parado no chão, enquanto subia, ele foi deixando um corpo entre os dois símbolos, primeiro os pés, depois a canela, que tinham uma algema de bronze celestial prendendo os dois lados, foi subindo, pernas apareceram, depois a cintura, o tronco com os braços, onde os punhos estavam acorrentados em outra algema de Bronze celestial, pescoço, o restante da cabeça, completando a invocação. Era a primeira vez que via uma invocação humana, era incrível de se ver, tinha que admitir. Assim que a invocação foi completa e os símbolos desapareceram, Will desabou sobre os seus joelhos. Murmúrios de incredulidade e confusão começaram entre os campistas, com minhas habilidades de Hera, podia sentir que eles se dividiam entre incredulidade de terem visto magia pela primeira vez e outros confusão pelo fato de Will estar algemado. ---O outro. ---Disse mais alto, chamando a atenção de todos pra mim. ---É a filha e conselheira do chalé de Afrodite, Silena Beauregard. ---Assim que disse o nome, Emuna reapareceu em meio a chamas, ao meu lado, junto dela estava Silena. Mas murmúrios de confusão se deram entre os presentes, pude ouvir alguns gritos. ---Sei que vocês estão confusos. ---Disse alto os silenciando, embora ainda houvesse algumas conversas mais altas, principalmente nos chalés de Apolo e de Afrodite, no último Drew tentava acalmar os irmãos, pedindo silencio, e Luana tentava fazer o mesmo nos seus irmãos. ---Mas a resposta para tudo isso é simples, embora seja realmente muito triste, esses dois aqui são traidores, espiões de Cronos no acampamento. ---Silêncio total, ninguém disse uma única palavra.
—--EU NÃO ACREDITO, COMO VOCÊ PODE TER CERTEZA. ---Gritou alguém do chalé de Apolo, eu não consegui distinguir quem, mas era a voz de homem.
—--Porque eles próprios me disseram. ---Respondi de imediato, sem hesitar. ---Eu ministrei em todos os conselheiros, de cada chalé, uma quantidade de poção da verdade, e os perguntei na reunião quem era o espião, Silena confessou, e também confessou que sabia que Will também era, ministramos a poção nele e ele confessou, inclusive, eles estão sobre o efeito da poção nesse momento, eles próprios irão confirmar, então, Silena você é uma traidora, é a espiã que vem prejudicando o acampamento e mandando mensagens ao exército inimigo?
—--Sim, eu sou uma espiã. ---Disse Silena em voz baixa.
—--MAIS ALTO. ---Gritei para ela.
—--SIM, EU SOU A ESPIÃ. ---Gritou ela para que todos pudessem ouvir. Silencio absoluto decaiu-se sobre os presentes novamente. Todos estavam perplexos demais para falar alguma coisa.
—--Como podemos saber que sua poção é verdadeira? ---Perguntou alguém da mesa Íris, uma garota, por volta dos 15 anos, tinha 1.75cm, pesava uns 70kg, sua pele era branca como a neve, cabelo azul, liso e longo, na altura dos ombros, seus olhos eram multicoloridos, verde e azul, ela vestia a camisa laranja do Acampamento e uma calça azul.
—--Como é seu nome? ---Perguntei para ela.
—--Harley Lee. ---Respondeu ela.
—--Senhorita Lee, muito obrigado por sua pergunta. ---Disse seriamente. ---Eu compreendo a dúvida de vocês, eu fui um campista como vocês, não faz muito tempo, entretanto, pode ser estranho para alguns eu estar aqui na posição de diretor do acampamento, mas eu queria lembrar vocês que eu fui colocado aqui pelos deuses, por votação, que inclusive nenhum deles foi contra, isso vale para Afrodite e Apolo, inclusive, Apolo é meu mestre e amigo, e Afrodite me concedeu sua benção, quer mais prova de confiança que isso? ---Perguntei para ela, ela não respondeu. ---Mas eu te darei, todos os conselheiros viram o procedimento, viram que eles próprios não podiam mentir, mesmo eu também tomei a poção, Todos os conselheiros, Quíron, Odara, três caçadoras, que são Zoë representando Ártemis, Thalia representando Zeus e Bianca representando Hades, até mesmo Drew tomou a poção e Emuna. ---Deixei no ar. ---Se ainda não é suficiente, eu já jurei perante o Rio Estige que jamais trairia os Olimpianos, se acusasse um de seus filhos de traidor sem um motivo para tal, eu estaria traindo seus pais, não estaria? ---Não houve argumentos ao contrário. ---Mas se ainda não estão satisfeitos, eu, Perseus Heitor Jackson, juro pelo Rio Estige que a poção ao qual administrei em Silena e Will e nos demais conselheiros, que administrei também em Quíron, Odara, Drew, Thalia, Bianca, Emuna e em mim, é totalmente eficaz, sem truques, uma poção da verdade poderosa e prometo que faremos mais da poção da verdade e aplicarei em todos os campista nesse acampamento, até ter total certeza da fidelidade deles com os deuses, se estiver mentindo sobre qualquer coisa, por favor, pode me matar. ---Um raio violento cortou o céu, selando meu juramento. Se estivesse mentindo, sobre qualquer coisa, Estige me puniria, sendo mortal, seria morte instantânea, na melhor das hipóteses. Depois de alguns segundos que nada aconteceu, eu já havia provado meu valor. Mais eu tinha me comprometido a continuar com o procedimento, de testar todos, eu sei que fazendo isso, praticamente contei o plano e apostaria que nessa noite, qualquer um que também for traidor, fugirá do acampamento, mas tudo bem, essa era minha intenção, eu não queria executar todos como farei com Will essa noite, talvez eu esteja sendo ingênuo? Pode ser, mas eu torcia para que não houvesse mais traidores.
—--Você já provou sua fidelidade, Percy. ---Disse Quíron forçando um sorriso. ---Todos sabemos a punição para traição.
—--É a morte. ---Disse firmemente, nesse momento, as conversas explodiram, a maior parte de concordância, uma pequena parte pedia para perdoar, que eram basicamente o chalé de Apolo e Afrodite, mas mesmo neles, haviam os que concordavam com a sentença. O chalé que me surpreendeu em perceber que concordavam com a sentença era o de Hefesto, mas eu entendia, por mais que eles gostassem do Charles, um de seus irmãos se feriu gravemente, por causa das traições, eles queriam justiça por isso. ---No caso da filha de Afrodite, será uma punição diferente. ---Disse mais alto, silenciando as conversas. ---Devido a uma dívida com a qual eu tenho com Afrodite, não a executarei hoje, deixarei a decisão com Afrodite, morte ou exílio.
—--INJUSTO... MATA ELA TAMBÉM. ---Gritos como estes tomaram conta do acampamento, todos incentivando a morte de Silena, morte da traidora, porém, por mais que concordasse com eles, não podia executa-la sem falar com Afrodite antes. Para chamar atenção de todos e cala-los, tinha que fazer mais do que apenas gritar, e eu sabia exatamente o que fazer pra chamar atenção deles. Concentrei-me em uma das habilidades de meu pai, chamada de abalo sísmico, como o próprio nome sugere, com essa habilidade, eu poderia causar abalos sísmicos, tremores de terra, tudo começará a vibrar, mas sem causar destruição, só pra chamar atenção, eu poderia causar a destruição de muita coisa se usasse essa habilidade muito forte. Levemente controlei a habilidade, senti um leve puxão em meu estômago, então senti a terra tremer abaixo dos meus pés.
—--SILÊNCIO. ---Gritei alto, bem ao estilo que dona Hera faz, mesmo que tivesse pego leve, foi o suficiente pra fazer alguns campistas caírem sentados novamente, ou derrubar muitas taças em cima da mesa ou no chão. Mas eu consegui o efeito que eu queria, todos ficaram em silêncio. ---Eu disse que não a matarei hoje, não que ela ficaria sem punição, muito pelo contrário, Chiara, por favor, venha aqui. ---Chiara veio andando rapidamente na minha direção, ela tinha um sorriso sinistro em seu rosto. Emuna invocou um açoite do QG, claro que sua magia de invocação era bem mais poderosa que a minha magia, o açoite de couro, tinha dez tiras de couro, com as pontas com pequenas lâminas de 3cm de bronze celestial, isso simplesmente apareceu em sua mão, sem necessidade de invocar disco de mana e símbolos, só os mestres mais avançados podem invocar assim tão rápido e sem sinais. ---Chiara sentiu-se particularmente ofendida, em razão de seu irmão Paulo Montes ter se ferido por uma informação dita a Cronos, por essa razão, Chiara aplicará a punição em Silena, cinquenta açoitadas nas costas dela.
—--Com muito prazer. ---Disse Chiara sorrindo, enquanto pegava o açoite da mão de Emuna. Eu podia sentir que os campistas em sua maioria absoluta aprovavam a situação, poucos filhos de Afrodite ainda estavam contra, mas não a ponto de tentar defender Silena, eles sabiam que ela merecia, mas a maioria estava a favor, mesmo entre seus irmãos, os amigos mais próximos de Silena estavam em dúvida também, como Luana, Clarisse, Drew, Harley, Thalia e mesmo Annabeth, eu podia sentir. Silena não discutiu, nem tentou fugir ou defender-se, apenas virou-se e ajoelhou-se no chão, abaixando sua cabeça e esperando a punição. ---Isso é por meu irmão. ---Disse Chiara irritada, então ela bateu a primeira vez.
—--AAAA... ---Gritou Silena, no primeiro golpe, já havia cortado bastante a camiseta que ela usava, sangue manchando a roupa e as pequenas lâminas do açoite.
—--Um. ---Contou Chiara. Então ela deu mais uma.
—--AAAAA... ---Gritou Silena alto, dessa vez ela não pode mais suportar a dor e tentou levantar e fugir. Mas Emuna foi rápida, ela invocou novamente a magia de tentáculos de sombras e impediu que ela fugisse. ---POR FAVOR, PARE! ---Gritou ela para mim, chorando.
—--Dois. ---Eu disse para Chiara. ---Faltam 48.
—--Sim, senhor. ---Disse Chiará seriamente. Então ela açoitou novamente.
—--AAAHHHH... ---Berrou Silena. ---Por favor, Percy, para com isso. ---Implorou ela pra mim.
—--CONTINUA. ---Disse mais alto para Chiara. Dessa forma o tempo foi passando, entre as açoitadas, sangue, gritos e pedidos de misericórdia, Silena suportou 20 açoitadas antes de desmaiar, ficando inconsciente, mas na posição de continuar a punição, já que Emuna havia controlado as sombras pra não deixar que ela movesse e continua-se na posição correta.
—--Eu acho que já é o suficiente. ---Disse Quíron preocupado, quando Silena desmaiou. Olhei para Chiara, podia sentir que ela estava satisfeita, sentia que seu irmão já havia sido vingado. Pra mim, era suficiente, era o meio termo que tinha procurado, ainda não havia causado raiva dos campistas que ainda tinham dúvidas sobre Silena e que mais gostavam dela, e tinha acalmado o coração daquela que tinha mais raiva.
—--Eu acho que tem que ter mais, eu disse que seriam cinquenta, ainda faltam 30. ---Disse firmemente, para mostrar para Chiara, que se ela quisesse continuar, eu a apoiaria. ---Mas cabe a Chiara dizer, se está satisfeita.
—--Ela merece a morte. ---Respondeu Chiara. ---Mas já sofreu dor suficiente.
—--Ótimo, que assim seja, a punição do acampamento está dada, agora falta a punição divina de Afrodite para Silena. ---Declarei para todos. Felizmente ninguém quis discordar, mas Luana e alguns dos outros curandeiros do chalé de Asclépio e Apolo levantaram-se de suas mesas e correram para socorrer Silena. ---Voltem, eu não disse que ela receberá cuidados.
—--Mas se não fizermos nada, ela morrerá. ---Argumentou Luana.
—--Se isso acontecer, quer dizer que foi feito a vontade dos deuses e eu não precisarei ir perguntar pessoalmente. ---Disse para Luana, os outros voltaram para seus lugares, mesmo a segunda em comando da enfermaria, a Laura Ellen, conselheira de Asclépio, mas Luana hesitou. ---Sente-se, agora, ou receberá o restante das açoitadas.
—--Tudo bem. ---Disse ela por fim, voltando para a mesa de Apolo.
—--Muito bem. ---Disse seriamente, então voltei minha atenção para Will, porém, ele não parecia em pânico, ele apenas me encarava, com um sorriso de canto.
—--Você não vai me ver implorar. ---Disse ele sorrindo de escarnio.
—--Chegou sua hora. ---Disse seriamente, pensei na água mais próxima, uma poça de água a poucos metros. Controlei-a, trazendo-a para minha mão, mandando-a solidificar-se em uma espada curta, de menos de um metro, porém, bem afiada, perfeita para um golpe rápido e limpo.
—--VAMOS LÁ, ESTÁ NA HORA. ---Gritou Will animado, o que era muito estranho. ---VAMOS, QUE EU QUERO REVER O MEU LUKE.
—--Espero que Hades deixem vocês bem afastados um do outro, nos campos de punição. ---Parei atrás dele, sentia lâmina tremendo em minha mão, novamente, a mesma sensação de antes, quando ia matar Silena e não tive coragem, eu estava errado antes, não foi por causa de Afrodite, Charles ou mesmo Antonieta que eu parei, era por minha covardia, por eu não ser forte como os três heróis brasileiros, eu não ter coragem de cumprir meu dever, honrar e proteger meus amigos, eu não tinha coragem para tirar uma vida de um semideus, por mais que eu não gostasse de Will, não tinha realmente nada a favor dele, apenas não tinha coragem de tirar uma vida dessa forma, mesmo sabendo que eu precisava fazer isso, pra defender meu acampamento, pra defender a vida dos campistas. Mas mesmo pensando nisso tudo, minha mão não parava de tremer.
—--VAMOS, SEU MEDROSO, VAMOS. ---Gritava Will alto, rindo muito. ---VOCÊ É UM COVARDE, CRONOS ME DISSE, VOCÊ É FRACO, BONDOSO DEMAIS. ---Gritava Will rindo muito. Eu sentia raiva dele, muita raiva mesmo, mas eu simplesmente não tinha forças para fazer o movimento e arrancar a cabeça dele. Senti uma mão no meu ombro, era Emuna, olhei para ela, em seus olhos, eu pude ver aquela mensagem silenciosa, mesmo que não tivesse lendo sua mente, eu sabia o que ela queria dizer: “Tudo bem, deixa que eu faço”. ---Vamos logo, semideus mais poderoso que já existiu. ---Desdenhou Will. A mão de Emuna escorregou pra minha, até onde estava minha espada, ela tirou docemente a espada da minha mão. Will não viu, afinal estávamos atrás dele, ele continuava rindo como um louco. ---Sim, eu traí vocês, foi tudo pelo Luke, tudo por Cronos, ele vai matar cada um de vocês e eu não estou nem aí. ---Emuna se posicionou em meu lugar. ---Eu quero ver todos mortos, em especial você, Thalia, filha de Zeus. ---Ela ergueu a espada. ---Vai chegar sua hora, por tudo que você fez...
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