Notas iniciais
Eae fantasminhas, tudo certo? Mais um capítulo pra vocês...

POV: Perseus Heitor Jackson.

A festa ocorreu tudo bem, muita diversão, música e comida, conversei com muitos dos meus antigos amigos mais próximos no Acampamento, Luana, Connor, Silena, Charles, entre tantos outros, conversei bastante com as caçadoras, que estavam muito felizes por terém que lidar comigo e não com Dionísio, o que para elas era como ganhar dinheiro na loteria de tamanha felicidade. Eu não consegui ver Grover, ele ainda estava sendo bastante requisitado e até sendo um pouco aclamado pelos espíritos da natureza, não o deixavam em paz, fiquei contente pela fama de Grover, era bom pra ele, Annabeth também veio falar comigo, muito embora era bastante visível que ela tivesse se sentido extremamente desconfortável, principalmente quando Emuna estava perto de mim, coisa que ela ficou toda a festa perto, eu também não me senti exatamente confortável com ambas conversando, muito embora Emuna não tenha parecido ser minha companheira romântica, ela sabia da Annabeth, então ela não ficou com gracinhas e melações, ela respeitou, muito embora eu lembre que não tive nada mais sério com Annabeth.

A festa passou rapidamente, logo já estava tarde, então retornei para meu quarto na casa grande, Emuna não quis brincar, pois disse que tinha que guardar minhas forças para amanhã, na hora do ensaio, não reclamei, estava extremamente cansado, fazia quase dois dias inteiros que não dormia, estava com muito sono, então felizmente não demorei para cair no sono, mais rápido do que isso, foi o sonho que veio junto, eu reconheci o lugar rapidamente, claro, eu cresci aqui, passei a maior parte da minha vida aqui, no Olimpo, mais do que isso, estava nos jardins envolta do Palácio de Atena, onde ela normalmente me leva para treinarmos combate, havia beleza nesse lugar, Atena sempre dizia que acalmava a mente e fazia você pensar melhor, o cheiro das flores, as próprias flores ao redor, o piso de mármore branco, as estátuas de belas corujas de asas abertas, feitas de Bronze, mármore ou ouro, dava um ar de magnificência ao local. De repente, duas formas chamaram minha atenção, elas vinham conversando animadamente, uma delas eu reconheci rapidamente, ela era exatamente a mesma, por volta dos 22 anos, 1.75cm de altura, pele branca, cabelos negros e lisos, até o meio das costas, mais seus olhos, eram cinzas tempestade, poderosos e assustadores, seu corpo escultural, muitas curvas, seios fartos, cintura fina, pernas grossas, bunda grande empinada, ela usava uma túnica branca, com detalhes de ouro, era minha avó, Atena, mas o que realmente me chamou atenção era que ela estava com uma pessoa, provavelmente um mortal, jovem, um adolescente, por volta dos 15 anos de idade, tinha 1,70cm de altura, seu corpo era magro e esguio, ele tinha cabelos lisos e loiros, que desciam até os seus ombros, não tão grandes, mas o que chamou minha atenção eram seus olhos, cinzas tempestades como os de Atena, ele usava uma túnica preta, ele parecia a vontade, sorria e conversava com Atena normalmente, como se eles tivessem muita liberdade um com outro, o que era estranho, nunca vi um filho de Atena se comportar de tal forma perto da mãe, eles normalmente estavam tão eufóricos que quase não conseguiam falar, afinal de contas, estavam perto da deusa da sabedoria em pessoa. Eu sabia que Atena trazia seus filhos ao menos uma vez, para visitar o Olimpo, porém, ela trazia os mais jovens, ainda crianças, normalmente nesta ocasião especial, ela dava um presente para a criança, talvez uma arma mágica, uma companheira de combate, como uma coruja das neves, ou um item mágico, como ela deu a Annabeth, um boné de invisibilidade, algo que ela julgasse que pudesse ajudar seu filho a viver no mundo mortal, enfrentando monstros e vivendo aventuras, era estranho ver uma filho dela tão velho a vir visita-la, além disso, eu já virá fotos ou pinturas, de todos, ou pelo menos de quase todos os filhos de minha avó, normalmente os filhos dela se tornavam pessoas incríveis, famosos, que obtém grandes feitos, nunca virá a foto deste garoto antes.

—--Estou tão feliz, mamãe, a senhora tens me ensinado tantas coisas, desde que me trouxe para seu palácio. ---Disse ele feliz, eu não entendi isso, Atena sempre fora uma grande mãe para seus filhos, comparado com os outros deuses, lembro que minha mãe Sally disse que viu Atena apenas dez vezes em toda sua vida, o que era bastante em comparação aos outros deuses, que as vezes nunca se mostravam para seus filhos, porém, nunca soube que ela tinha trazido um de seus filhos para que ela pudesse ensinar pessoalmente, ainda mais no Olimpo, sempre pensei que eu fui o único a ter este privilégio, não que eu esteja com ciúmes, mas não entendia porque de minha avó ter escondido isto de mim ou dos livros de sua biblioteca. ---Sua sabedoria deve ser infinita, mamãe. ---Disse o garoto fascinado.

—--Fico feliz com suas palavras, mas mesmo assim há tantas coisas a se aprender, a serem descobertas, mesmo pra uma deusa como eu, ainda há muito para se aprender, Dédalo. ---Disse minha avó, aquilo me pegou de surpresa, o Dédalo que conhecia das histórias antigas, não era filho da minha avó, pelo menos não o inventor Dédalo, pelo que eu sabia dele, ele nasceu em Atenas, cerca de três mil e meio anos atrás, por volta de 1.400 A.C, filho de Erecteu, um dos reis da cidade-estado de Atenas, embora não tenha muito sobre sua mãe, realmente suspeitava algumas dúvidas, enfim, Dédalo era um artesão e engenheiro famoso, todos conheciam a sua arte e ele tinha fama em toda Grécia, os mais poderosos reis queriam adquirir as suas esculturas, pinturas, ver e poder utilizar de suas invenções futuristas, ou viver nos majestosos palácios e edifícios que ele construía, ficando famoso. ---Lembre-se sempre disso, meu filho, não importa o quanto você saiba, a verdadeira sabedoria e lembrar-se sempre, que você ainda é ignorante, existe muito á se aprender. ---Disse Atena sorrindo, seus olhos brilhavam mais escuros, ela estava animada em ensinar.

—--Eu sei, mamãe, continuarei seguindo meu caminho, sempre aprendendo, sempre inventando, este é meu sonho, criar coisas, fazer da vida das pessoas algo melhor. ---Disse o menino animado, Atena sorriu para o garoto e bagunçou seus cabelos.

—--É um bonito sonho, eu espero grandes coisas de você, por isso tu es o primeiro e único de meus filhos, a receber uma atenção especial de mim, embora, seja a hora de você retornar para o mundo mortal, hora de começar aplicar todo o seu conhecimento adquirido para melhorar o mundo, levar sabedoria e beleza ao mortais. ---Disse minha avó sorrindo, Dédalo não pareceu se abater com as palavras de Atena, muito embora eu tenha, porque Atena escondeu isso de mim, porque ela não contou que eu não fui o primeiro descendente dela que esteve estudando com ela, eu não entendia o motivo, talvez, ela não confiasse tanto assim em mim, não tanto quanto eu achava que ela confiava, e isso doeu.

—--Eu entendo, mamãe, espero poder honrar a senhora e o seu esforço em me ensinar. ---Disse Dédalo sorrindo, em resposta, Atena sorriu e acariciou o rosto do menino.

—--Antes de você partir, tenho um último presente pra te dar, sua jornada não vai ser fácil, perigos, monstros aguardam semideuses, mas lembre-se que a sabedoria sempre supera a força bruta, muito embora, as vezes, força bruta seja importante, então, eu também te ensinei a lutar, não foi? ---Perguntou Atena, Dédalo assentiu sorrindo. De repente, um brilho se intensificou no braço de Dédalo, especificamente em seu punho direito, quando o brilho cessou, deixou no lugar algo muito conhecido, uma pulseira de ouro, com um pingente em forma de coruja. ---Pense em uma lança, meu filho. ---Orientou Atena, tirando qualquer dúvida que eu tinha, o garoto em resposta, pareceu se concentrar por alguns segundos, então um brilho se intensificou novamente em seu braço, aumentando de forma e se alongando, assim que o brilho cessou, deixou no lugar uma lança de 2 metros de bronze celestial.

—--Incrível. ---Disse o garoto maravilhado, observando a arma divina.

—--É uma lança especial, feita a meu pedido para Hefesto, ela tem uma magia de ligação com você, não importa aonde a perca, ela retornará a você, sempre, lembre-se, uma espada é boa, mas a lança tem maior alcance e um poder de destruição quase tão grande quando de uma espada, porém, somente os guerreiros mais sábios, mais inteligentes, usam uma lança, é uma verdadeira arma de reis, então, use-a sabiamente, ou não será digno de portar este meu presente. ---De repente, uma vertigem me dominou, fazendo tudo ao meu redor girar, em um instante, estava sentado em minha nova cama, levemente atordoado e com a respiração acelerada, olhei para meu lado e notei que Emuna ainda dormia tranquilamente, olhei para o relógio em meu punho, eram 7 horas da manhã, felizmente estava na hora de acordar, não queria voltar a dormir e ter mais sonhos confusos como este, haviam tantas perguntas em minha cabeça, Dédalo o inventor poderia ser filho de Atena? Houve outro semideus além de mim, que estudou com a própria deusa da sabedoria? Se houve, porque ela escondeu do mundo? Não faz o menor sentido o motivo de Atena ter escondido de todos, inclusive de seus próprios descendentes, um de seus irmãos, um tão especial que foi o primeiro a usar a lança e estudar com a própria deusa, fico me perguntando quem era aquele garoto, será que é o mesmo Dédalo, o inventor? Eu não sei muito sobre ele, porém, quando Minos, rei de Creta, soube da presença do artista, de seus feitos, seus inventos, convidou Dédalo a Creta, onde recebeu-o com honras de Estado e o colocou sob sua proteção, mas exigiu que ele trabalhasse somente para ele, desta forma Dédalo passou a criar muitas obras e estátuas para Minos, mas perdeu sua liberdade criadora, assim suas criações ficaram restritas aos desejos do monarca e sua arte se tornou prisioneira dos caprichos do Rei Minos, sempre à deriva dos caprichos reais. A bela rainha Pasífae, a esposa do rei, tendo se apaixonado por um touro, o que era extremamente estranho, diga-se de passagem, pediu a Dédalo que criasse uma armadura no formato de uma novilha que lhe permitisse atrair o touro, Dédalo esculpiu uma novilha em madeira e desse amor incomum da rainha e o touro, nasceu o maldito Minotauro, uma criatura com corpo de homem e cabeça de touro. Para esconder a vergonha da traição da mulher, Minos ordenou que Dédalo construísse uma prisão para o monstro, um lugar de onde ele jamais pudesse sair. Dédalo construiu um labirinto com becos e caminhos sinuosos, como um enigma indecifrável, o Labirinto tornou-se a maior obra arquitetônica de todo o Mediterrâneo gerando a admiração dos povos, inquietando a curiosidade de outros reinos. Aprisionado, o Minotauro se revelou uma violenta fera e exigia ser alimentado de carne humana, Minos que havia conquistado o reino de Atenas, exigia do rei Egeu, sete rapazes e sete moças para serem sacrificados. Teseu, um filho de Poseidon, revoltado com a maléfica exigência, misturou-se com os jovens que seriam enviados para Creta, em Creta, Teseu seduziu a bela princesa Ariadne, filha de Minos, com sua ajuda, penetrou no Labirinto levando um novelo de lã que foi desenrolado desde a porta de entrada, Teseu venceu o Minotauro e conseguiu sair do labirinto seguindo as linhas do novelo, a bela Ariadne esperava-o na saída e apaixonada fugiu com Teseu, assim eles foram perseguidos pelo rei Minos, o rei Minos culpou Dédalo por toda tragédia e como castigo, encerrou Dédalo e seu filho Ícaro dentro do Labirinto, fazendo-os prisioneiros perpétuos, Dédalo se tornou prisioneiro de sua própria criação e passou a viver com seu sonho de liberdade, até que construiu asas que lhe permitiria fugir voando, juntando penas de aves, Dédalo construiu seu sonho amarrando as penas e colocando uma camada de cera sobre elas, terminado seu projeto, Dédalo recomendou a seu filho os cuidados para o vôo e, movidos de coragem, os dois saltaram para o infinito, dominando o vôo, Dédalo preveniu ao filho que mantivesse uma determinada altura; não tão baixa para não cair no mar e nem tão alta para que não se aproximasse do sol que poderia derreter a cera, o velho inventou e Icaro alcançam os céus da Grécia, mas Icaro se deixou deslumbrar pela sensação de liberdade e pela beleza do céu, voando alto, os raios quentes do sol derreteram a cera das asas e em meio ao seu delírio sonhador, Icaro se precipitou no mar. Dédalo desceu para apanhar o cadáver do filho, partindo em um barco pelo mar, Dédalo aportou na Sicília. Mesmo sendo recebido com honras pelo rei daquele local, a alma de Dédalo vestia um luto perene e nada estimulava sua alma criadora, já se viu perdida sua genialidade, apesar disso, criava o que lhe instruíam, mas ele já não se importava com os aplausos, tornou-se um protegido no reino, mas um dia Minos aportou na Trinácria à procura de Dédalo, a fim de proteger Dédalo, o rei Cócalo fingiu receber com honras o rei Minos, convidando-o para um banho quente e um banquete, para repousar da fatigante viagem, Minos atendeu ao convite. Entrando na banheira, sentiu a água morna e fechou os olhos para repousar, mas Cócaro havia premeditado matar Minos, e de repente a água começou a esquentar e ferver e, apesar dos gritos de Minos, ninguém veio a socorrê-lo, o soberano de Creta morreu sufocado pelos vapores e pelo calor, Dédalo estava livre do seu maior perseguidor, porém, já não tinha mais sentido a sua liberdade, res o mito que Dédalo seguiu solitário ensinando sua arte a muitos discípulos, e já muito velho, quando viu a morte chegar, vendo sua alma sem asas voar até o submundo. Apesar dos erros, não entendo o porquê de minha avó, retirar toda e qualquer ligação com Dédalo, ao meu ver, Dédalo fez mais bondade do que maldade, talvez, o Dédalo do meu sonho, seja outro, não o inventor, porém, o sonho que o garoto disse que tinha, se assemelha a forma como o Dédalo inventor viveu, eu não sei o que pensar, qual motivo desse sonho ter vindo a mim? Eram tantas perguntas.

Balancei a cabeça afastando aqueles pensamentos, estava com fome, além disso hoje era meu primeiro dia oficialmente como diretor, então como só tinha a manhã para ficar no Acampamento, já que depois tinha que ir almoçar com a minha mãe no Olimpo, depois tinha aquele trabalhinho para fazer. Troquei de roupa, fiz minha higiene matinal, e fui descendo para o pavilhão do refeitório, tomar meu café da manhã, estava com fome, enquanto caminhava, já vi que a maior parte dos campistas já estava acordada, indo tomar café da manhã, ou mesmo voltando e já saindo para suas atividades matinais, parece que a coisa aqui começa bem cedo, bem cedo mesmo. Fui entrando pelo pavilhão do refeitório bem devagar, então eu notei algo, algo que não me deixou nem um pouco feliz, um garoto estava sentado na mesa de Jano, ele tinha por volta dos 15 anos de idade, ele era magro, por volta dos 1,70cm de altura, cabelos castanho claro estilo tigela, olhos castanhos, algumas sardas no rosto, estava vestindo calças Jeans e a camisa do Acampamento, ele estava tentando comer seu café da manhã, mas havia outro garoto o incomodando, esse era bem maior que o primeiro, aparentando seus 17 anos, mais de 1,90 de altura, seu corpo era grande e musculoso, olhos azuis, cabelo loiro e espetado, ele tinha um rosto bruto, usava uma calça camuflada de guerra e uma camisa super apertada do Acampamento, o que deixava seus músculos amostra, ele ficava tirando a comida do prato do garoto menor, enquanto dava pequenos tapas em sua cabeça, eu não gostei da forma que ele estava tratando o outro garoto, mas eu sabia que era melhor não entrar no meio, o garoto menor, tinha que criar coragem e se defender sozinho, senão ele nunca se tornaria um homem, herói de verdade.

—--Senhor diretor. ---Disse uma voz atrás de mim, me virei e encarei uma velha amiga, Bianca Di Angelo, ela sorria pra mim, em suas usais roupas de caçadora.

—--Por favor, Bianca, apenas Percy. ---Disse sorrindo outra vez, o que a fez rir, porém eu estava observando os dois garotos, agora o garoto estava dando petelecos na orelha do outro. ---Quem são aqueles dois, Bianca? ---Apontei para eles, os dois ainda não haviam me notado aqui, Quíron e nem Quintus estava aqui para ver isso, então acho que já estava na hora de eu fazer alguma coisa.

—--O maior e extremamente brigão, é Jake Mason, conselheiro de chalé de Héracles. ---Disse ela desanimada. ---Ele encrenca com todos, se acha o melhor semideus do mundo, mais poderoso, ele já tomou diversas punições de Quíron, porém ele era puxa-saco de Sr. D, então o Sr. D, aliviava as coisas, porém ele gosta de pegar no pé especialmente daquele garoto, Alex Corvinos, também é conselheiro do chalé de Jano, porém ele é muito pacifista, embora, seja até bem habilidoso lutando, creio que teria boas chances em uma luta com Jake.

—--Era tudo que eu precisava saber. ---Disse seriamente, então comecei a caminhar na direção dos dois, o Jake estava de costas pra mim, literalmente sentado em cima da mesa.

—--O seu frutinha, eu já te disse que não quero você no pavilhão de refeitório, quando eu estiver aqui. ---Disse Jake, pegando um morango do prato de Alex, e jogando em sua cabeça, aquilo me irritou, não vou deixar esse garoto sair apenas com uma punição, eu ia dizer algumas coisas, coisas que ele nunca mais iria esquecer.

—--OOO SEU ÓTARIO. ---Gritei mais alto, chamando a atenção de todos, Jake se levantou e se virou pra mim, e mesmo vendo quem era, ele não pareceu titubear, continuou me encarando. ---Não vou deixar você falar assim com o Alex, e com nenhum outro campistas. ---Em reposta ele sorriu de escarnio e estufou o peito, parando na minha frente.

—--Hora, hora, se não é o novo diretor, o que você vai fazer se eu não parar? Vai me colocar de castigo? Duas semanas sem sobremesa? ---Zombou ele rindo.

—--Sim, só pra começar seu castigo e sabe porquê? Por que eu posso, porque tu não passa de um valentão, mas acredite, tu não é tudo isso que acha que é, lhe falta aprender a ser homem. ---Disse seriamente, mas ele apenas riu de escarnio, em alto e bom som.

—--Você acha que tenho medo de você? Ao contrário de você, eu cresci sozinho, no calor da batalha, enfrentando monstros, não em um berço de ouro no Olimpo, sendo o protegido dos deuses, você que se acha demais, você que não é homem o bastante, só não te arrebento a cara, porque sua mamãe ficaria muito brava e eu seria expulso por Quíron. ---Zombou ele.

—--Tudo bem então, você e eu, na arena, um combate completo, sem regras e sem minha mamãe pra me proteger, bem agora, que tal? ---Ofereci sorrindo, em resposta, ele me empurrou e saiu rindo, em direção da arena de combate.

—--O acampamento todo, irá ver a farsa que você é, seu mimadinho dos deuses. ---Disse ele gargalhando, enquanto se encaminhava para arena, seguido de seus irmãos. ---VENHAM ME VER ARREBENTAR A CARA DO NOVO DIRETOR DO ACAMPAMENTO, APROVEITEM, É DE GRAÇA O INGRESSO.

—--Você não precisava fazer isso. ---Disse Alex me olhando. ---Às vezes a melhor escolha e apenas relevar, eu posso suportar um valentão, eu não quero arrumar mais conflito, meus inimigos não é o Jake, são os monstros e os Titãs.

—--Você tem razão. ---Concordei sorrindo para ele, Alex era mesmo sábio, sereno. ---Mas isso não será um conflito, será uma aprendizagem para Jake, as vezes dor ensina, ele está precisando de um pouco, precisamos abaixar o ego dele, ou isso um dia pode custar sua vida, vem, vamos assistir ao show. ---Disse me encaminhando para arena, ouvindo os gritos dos filhos de Héracles, anunciando o combate. Enquanto eu subia para arena, alguns campistas estavam do meu lado, me oferecendo boa sorte e me dando tapinhas nas costas, mas de repente eu avistei o Quíron, que veio cavalgando rapidamente na minha direção, ele ainda estava com o cabelo desgrenhado, como se tivesse passado a noite toda trabalhando, o que a propósito ele deve mesmo ter passado.

—--Percy, você tem certeza disso? ---Perguntou ele com urgência, embora ele tenha perguntado, eu via a mensagem clara em seus olhos que ele queria mesmo dizer, que isso era uma ideia estúpida e que eu não devia fazer, entretando, agora já era tarde demais, não podia voltar a trás, seria taxado de covarde pelos campistas.

—--Não se preocupe, Quíron, eu vou pegar leve. ---Disse sorrindo para ele.

—--Eu imaginei que sim, todavia, o seu nível de pegar leve, deve ser levado em consideração como bastante pesado, creio eu. ---Disse Quíron seriamente.

—--Prometo que não vou usar nenhuma arma, sem decapitar, sem mutilações, sem matar, só uma luta e uma pequena mensagem. ---Disse seriamente, Quíron pareceu mais calmo.

—--E membros quebrados? ---Perguntou ele seriamente.

—--Isso eu já não prometo. ---Disse dando de ombros.

—--Deuses, vou avisar os filhos de Apolo e Asclépio, para estarem preparados e irem para enfermaria. ---Disse Quíron cansado, ele saiu galopando na direção dos chalés. Continuei meu caminho até a arena, chegando lá, notei que a maioria dos campistas já estavam ali, a Sra’ Oleary felizmente não estava ali pela manhã, talvez tenha saído para dar uma voltinha com Quintus, já que não o vi ainda.

—--Hora, Hora, pensei que já tinha desistido e fugido para o rabo de saia da mamãe. ---Zombou Jake, ele já estava pronto para o combate, ele estava usando uma armadura, mas não era qualquer armadura, era uma habilidade especial de Héracles, conhecida por armadura de Neméia, uma réplica da própria armadura de Héracles, feita de energia pura, ela era dourada, brilhante, nas ombreiras haviam uma cabeça de Leão, assim como nos punhos, joelhos, cintura, o elmo e por fim, até o próprio peito tinha um formato de cabeça de leão, ele também estava armado com uma clava, feita de bronze Celestial, com pontas em forma de espinhos, na parte superior da arma. ---Vamos, se apronte logo, ou só veio dizer que está com medo e não quer lutar.

—--Eu já estou pronto. ---Disse me caminhando para o meio da arena, um círculo de semideuses, foi se fechando a nossa volta. ---Sabe, Jake, eu tenho pena de você, muita pena mesmo.

—--Você nem me conhece. ---Disse ele entre os dentes, então ele apontou sua clava pra mim. ---Para de falar besteiras e se prepare.

—--Eu já disse que estou pronto, pode me atacar. ---Disse abrindo os braços e chegando mais perto. ---E sim, eu te conheço muito bem, bem até demais, você se acha o cara, grande, forte, um verdadeiro herói, não é mesmo? ---Disse parando em sua frente, ele me fulminava com seus olhos, mas não me atacou, o que dizia que ele tinha algum valor e honra, e isso me deixou contente, comecei a dar a volta por ele, ele continuava parado, me ouvindo atentamente. ---Você acha que o Acampamento é seu reino, que você é o mandachuva do pedaço, que você é o cara, deve se achar superior e melhor que todos os outros, não é mesmo? ---Perguntei sorrindo, parando de novo em sua frente, após dá uma volta completa.

—--Se prepare, para a luta. ---Disse ele entre os dentes, me fulminando com o olhar.

—--Mas pessoal. ---Disse me virando para os campistas, dando as costas para o Jake, olhei para os campistas, alguns riam, outros me olhavam incrédulos. ---O Jake é um valentão, alguém sabe me dizer o porquê?

—--Porquê ele é um babaca? ---Disse Alex me surpreendendo, em alto e bom som.

—--Não, não, meu caro Alex, seria fácil demais, dizer que ele faz isso porque é um babaca. ---Disse me virando para Jake, ele encarava Alex com puro ódio, mas então eu apontei para ele, chamando sua atenção de volta a mim. ---Esse cara, é muito mais complicado que isso, de acordo com os psiquiatras famosos, sabem aqueles de renome mundial, existem 3 motivos para ser um valentão, qual deles será que o nosso querido Jake, se enquadra. ---Disse olhando para os Campistas, procurando algum voluntario, mas ninguém disse nada. ---Bem, vou explicar o primeiro motivo, embaixo de toda essa marra, violência, brutalidade, macheza e prepotência, existe uma garotinha insegura, frágil e meiga, querendo desesperadamente sair de dentro... do armário. ---Os campistas gargalharam com a minha resposta.

—--PEGUE SUA ESPADA. ---Gritou Jake, seu rosto apesar de coberto por seu elmo de leão, tinha certeza que devia estar vermelho de pura raiva, porém ignorando as suas palavras.

—--A segunda hipótese, em especial para as garotas saberem, e porque talvez, o brinquedinho dele e desse tamaninho. ---Disse sorrindo e mostrando meu dedo mínimo, os campistas caíram na gargalhada.

—--MALDITO, PEGUE SUA ESPADA. ---Gritou ele, ele até ameaçou vir na minha direção, mas eu ainda estava desarmado, então ele se deteve.

—--Agora a terceira hipótese, a que eu acho até mais provável, claro, ela e a segunda opção. ---Disse sorrindo e escarnio para ele, fazendo os campistas rirem ainda mais. ---É que o cérebro de Jake é mal desenvolvido, sabe, estilo homens da caverna, dessa forma, ele não pensa direito e portanto ele é incapaz de ter auto controle. ---Os campista explodiram em gargalhadas.

—--PEGUE SUA ARMA AGORA, OU VOU TE ATACAR. ---Gritou ele a todos pulmões.

—--Eu estou bem na sua frente, quer que eu também amarre uma mão nas costas para ficar mais fácil? ---Perguntei de forma zombeteira, fazendo os campistas zombarem de Jake, sua carne tremeu, mesmo que com a armadura eu pude ver ele estremecer de puro ódio.

—--EU VOU TE ESMAGAR. ---Ele urrou a todos pulmões, então veio louco e cego de raiva, andando pesadamente na minha direção, mas ele cometeu três erros fatais que acabaram com qualquer chances dele, primeiro, ele estava muito irritado, não pensaria direito, não atacaria direito, muito menos se defenderia direito, e por causa disso, os outros dois erros aconteceram, acabando está luta antes mesmo de começar. O segundo erro de Jake, era que ele estava usando uma armadura grande e pesada, então ele não tinha que atacar, tinha que contra-atacar, se não fizesse dessa forma, cansaria muito rapidamente. E o terceiro e pior erro dele, foi que ele escolheu lutar contra mim. ---FILHO DA PUTA.... ---Ele desceu sua clava, pronto para me esmagar, eu parei e esperei, ele começou a descer a clava, então me precipitei um pouco e segurei a clava parando o golpe, minha mão ficou logo abaixo dos espinhos, tinha que admitir que Jake até tinha um ataque poderoso, mas eu era mais forte. Então com a mão livre eu soquei o rosto de Jake, seu elmo voou longe e ele afrouxou o aperto em sua clava, então eu puxei a clava de suas mãos e chutei Jake no estômago, o jogando de costas na arena, ele saiu deslizando no mármore da arena, sua armadura soltava faíscas em contato com o chão. Arremessei sua clava para longe, tomando cuidado para não acertar nenhum campista, Jake foi se levantando lentamente, havia um corte em seu supercilio, onde sangue banhava seu rosto.

—--Acho que já está bom, não vamos prolongar essa luta inútil. ---Disse seriamente, seu rosto ficou vermelho de novo.

—--SÓ VAI ACABAR QUANDO EU ESTIVER PISANDO EM SUA CABEÇA, SEU BASTARDO. ---Gritou ele a todos pulmões, ele veio correndo na minha direção, com seus punhos cerrados, pronto para me socar com toda sua força, ele estava tão irritado, que nem se deu ao trabalho de fazer um novo elmo para se proteger dos golpes. Ele socou primeiro com o mão direita, desviei para o lado e deslizei para esquerda, poderia ter enchido seu franco direito de socos, mas não fiz, ele tentou me acertar com seu cotovelo, mas abaixei, desviando do seu golpe, ele era lento, abriu sua guarda, então dei um gancho em seu queixo, com força, mandando voando de costas na arena, a uns três metros de mim, fui me aproximando dele, sua armadura foi desaparecendo, uma vez que ela estava ligada a sua energia divina e sua concentração, o que me levava a crer que ele estava desacordado, os filhos de Apolo correram na direção de Jake, prontos para prestar os primeiros socorros ao filho de Héracles.

—--Droga, exagerei um pouco.