Notas iniciais
Fala fantasminhas.... estamos de volta.

POV: Perseus Heitor Jackson.

Caminhamos rapidamente, mas estava me parecendo que era uma eternidade, ainda mais por estar naquele inferno, naquele lugar deserto e escuro, que chamávamos de Submundo, a todo tempo eu tinha que usar minha magia de luz, para que eu pudesse afastar alguns Ghouls que nos perseguiam, eles não tinham fama de persistentes atoa, eles eram realmente muito persistentes quando famintos, e aqui embaixo, que a comida e escassa e muito difícil de se obter, pois normalmente as almas vinham sem corpo, raras exceções, então eles tinham muita fome. Caminhávamos o mais rápido que conseguíamos, porém com a demora da nossa caminhada, mais três pétalas do cravo murcharam e caíram, o que significava que metade dele estava oficialmente morta, o que encurtava cada vez mais nosso tempo para recuperar a espada. A flor nos conduziu para uma extensão de colinas cinza e irregulares, semelhantes a dentes assustadores. Continuamos naquela direção, por uma planície de rochas vulcânicas um pouco escorregadinhas.

—--Belo dia para ficar à toa no acampamento, curtindo com as meninas da caça, até mesmo seria melhor ficar conversando com a Annabeth, assistindo suas aulas sobre mitologia. ---Incrivel, mesmo com o pouco tempo no Acampamento, ela já dá aula de mitologia aos outros campistas? Afinal de contas eu tinha razão, Annabeth não é uma semideusa comum, mesmo para uma descendente de minha avó. ---Sinceramente, até treinar os campistas em arco e flecha é melhor do que isso. ---Resmungou Thalia irritada, sinceramente, não lembrava que Thalia era tão irritante e resmungona, espera um minuto, lembrava sim, esse era o charme dela afinal de contas. ---Provavelmente, as Caçadoras estão se banqueteando em algum lugar do acampamento, exatamente neste instante.

—--Eu prefiro mil vezes estar aqui, enfrentando Ghouls sedentos, vendo velhos rabugentos que enganam a morte e tentando salvar o mundo e recuperar a espada do meu tio Hades, e não posso me esquecer que tenho que aturar a minha amiga imortal irritante, me enchendo e falando sem parar. ---Disse zombando dela, ela riu de mau gosto e mostrou a língua pra mim, o que me fez rir, ela me acompanhou sorrindo. ---Viu, agora está bem melhor. ---Disse sorrindo.

—--Você é um bobo, Percy. ---Disse ela sorrindo e batendo o seu ombro com o meu. ---Estava com saudades de você e de suas péssimas piadas.

—--Péssimas? Ei... ei... Mentir é muito feio, Lia, você sempre gargalha com as minhas piadas. ---Disse fingindo estar insultado com seu comentário maldoso.

—--Quando isso? --- Perguntou Lia incrédula. ---Bateu a cabeça no mar? Perdeu a memória, ou só está bancando o idiota? ---Perguntou ela rindo, eu a acompanhei. Continuamos caminhando mais alguns metros em silencio, Nico continuava na dele, atento a qualquer movimento dos inimigos e de olho no Semideus ladrão. Thalia apontou para o meu peito, eu olhei para baixo, ela apontava diretamente para a minha pequena concha madrepérola azul turquesa, amarrada ao meu colar de contas, tudo que restou da minha linda Ligea. ---O que essa concha bonitinha faz no seu colar de contas? ---Perguntou Thalia seriamente, eu senti meu peito se apertar. Coloquei a ponta dos dedos carinhosamente na minha concha.

—--Isso é complicado de explicar. ---Disse tristemente. ---Uma longa e triste história que ocorreu quando estive esses últimos meses no mar.

—--Temos tempo, me explique o que aconteceu. ---Incentivou Thalia, eu suspirei e encarei aquela imensidão azul elétrica dos seus olhos, eles demonstravam curiosidade e carinho, se houvesse alguém nesse mundo que eu podia confiar a minha triste história de amor, esse alguém com certeza era Thalia, passamos muita coisa juntos, sabíamos quase tudo um do outro, éramos verdadeiros irmãos.

—--Como você bem sabe, eu fui para Atlântida, reino do meu pai, para ajudar na guerra, lá em baixo eu conheci uma pessoa especial, muito especial, o nome dela era Ligea, uma Ninfa e capitã dos exércitos de meu pai, no começo não nós demos nada bem, ela era sempre irritadinha e mal humorada, pensando bem, ela me lembrava muito você. ---Disse sorrindo, Thalia me olhava atentamente, mas quando fiz a comparação ela deu um breve sorriso, mas permitiu que eu continuasse meu relato. ---A princípio eu não sabia o porquê dela me tratar daquela forma, sempre me maltratando e sendo ignorante comigo, mesmo quando eu não retribuía e tentava ser amigável com ela, até que minha irmã Roda me contou o porquê, ela foi a única namorada que Tritão teve, e como você sabe, eu matei Tritão.

—--Sim, eu sei, faz sentido ela te odiar, sabe, você matou o amor dela. ---Disse Thalia dando de ombros, aquela frase não foi normal, seus olhos se mantiveram tristes, pensativos e longe, talvez ela dissesse aquilo dela também, ela matou o amor dela, Luke, aposto que ela sente algo, com certeza sente, eu só machuquei Ligea e já me senti devastado e naquela época eu mal tinha começado o nosso relacionamento amoroso, imagina se eu a tivesse matado com as próprias mãos, como Thalia fez. Notando que eu havia percebido o seu comentário com o duplo sentido e seus pensamentos longínquos, ela se adiantou falando. ---Continua, o que aconteceu?

—--Bem, com o passar dos dias, eu e ela fomos nos aproximando, em especial no campo de batalha, ela salvou minha vida algumas vezes e eu a dela, o laço de amizade foi se fortalecendo e acabou se tornando algo mais, amor. ---Disse sorrindo, sendo invadido por lembranças daquela boa época, em que comecei meu relacionamento com Ligea. ---Mas é claro que antes de começarmos a namorar, aconteceu algo meio... acidental. ---Disse tentando encontrar uma palavra certa para descrever aquela enorme burrada que fiz com Ligea, tentando matar Nereu. ---Nereu atacou Ligea, Ligea estava vencendo, mas ela acabou hesitando por ser seu pai seu adversário, Nereu aproveitou e virou o jogo, eu me entrepus na batalha, venci Nereu, mas acabei colocando fogo em Ligea e nele...

—--Que? Como assim? ---Perguntou Thalia me interrompendo.

—--Complicado, ela era filha de Nereu, sabe, lembra dele? O velho fétido do mar? ---Perguntei para Thalia.

—--O velho muito fedido que você pegou no píer em São Francisco? Na missão que estávamos atrás de Lady Ártemis e Annabeth, no verão passado, não é mesmo? ---Perguntou Thalia, eu assenti positivamente.

—--Sim, exatamente, bem, eles tinham uma briga familiar complicada, resumidamente Nereu e um porco imundo que violentou e matou a esposa dele, mãe de Ligea, a Ninfa Dóris. ---Disse de forma resumida.

—--Que barra em, familiazinha complicada a dela, e eu achando a nossa difícil de lidar. ---Concluiu Thalia. ---Espera um segundo, se você estava no fundo do mar, como conseguiu manipular fogo e incendiar eles?

—--Eu usei a Chama Sagrada Héstia, sabe, aquela chama azul que usei na repesa Hoover. ---Disse a olhando, então por um segundo, me concentrei em fazer a chama azul aparecer na minha mão, uma pequena chama do tamanho de uma bola de futebol.

—--Você conseguiu controlar esse poder, incrível. ---Disse Thalia maravilhada olhando as chamas azuis. ---Mas elas são capazes de queimar em baixo da água? Tipo fogo grego?

—--Sim, só que mais poderoso que Fogo Grego, ela queima tudo, inclusive Fogo Grego, eu ainda não controlo o poder por completo, mas estou evoluindo e agora não me machuco com ele. ---Disse fazendo a chama azul se extinguir por completo da minha mão e mostrando minha mão intacta, sem nenhum ferimento para Thalia. ---Então meio que acabei acidentalmente queimando Nereu e Ligea, bem, Ligea foi acidentalmente, Nereu eu queria fazer sofrer, ele merecia.

—--Com certeza, maldito porco imundo, qualquer homem que tenta violentar uma mulher, tem que morrer da forma mais dolorosa possível. ---Disse Thalia entre os dentes, encarei ela seriamente, poucos meses entre as caçadoras e ela já estava falando como uma, incrível. ---Mas continua, estou gostando muito dessa Ligea, ela é das minhas. ---Disse Thalia seriamente, senti meu peito se afundar em ter que contar o final dessa história.

—--Depois da recuperação de Ligea, começamos nosso relacionamento, ela era incrível, amorosa, carinhosa, doce, simpática, forte, guerreira, um tanto mandona, mas ela com certeza me fez uma pessoa melhor, eu levei ela para conhecer minha mãe e os outros deuses, elas se deram super bem, por incrível que parece, apesar de toda a guerra à nossa volta, eu posso dizer que foi um período muito gostoso e feliz o tempo que estive com ela. ---Senti lágrimas escorrerem pelo meu rosto, Thalia percebeu que eu estava chorando, então parou de caminhar e ficou me encarando seriamente.

—--O que aconteceu Percy? ---Perguntou ela gentilmente.

—--Ela... Eu não pude protege-la, não fui forte o suficiente e ela foi morta em batalha, alguns dias atrás. ---Disse não suportando mais segurar as lágrimas, meu peito estava se afundando em dor.

—--Por Zeus, que coisa horrível. ---Disse Thalia docemente me abraçando, eu estava perdendo o controle e chorando alto, Nico já havia percebido e havia parado de caminhar e nós observava em silencio. Eu contive as lágrimas e me recompus. ---Eu sinto muito, Percy. ---Disse Thalia ainda me abraçando, sua voz também saiu chorosa, quando ela se afastou seus olhos estavam vermelhos, algumas lágrimas escorriam pelo seu rosto.

—--Tudo que restou dela foi essa pequena concha, quando uma ninfa morre, ela se transforma em algo natural, no caso da minha doce Ligea, foi essa pequena concha que carrego comigo. ---Disse acariciando a concha em meu colar.

—--Sinto muito por você, Percy. ---Disse Nico se aproximando um pouco, ele apertou meu ombro e forçou um sorriso amigável. Eu assenti sorrindo para ele, acho que Nico não era tão doce e amoroso quanto Thalia, meio que até preferia assim, não pegaria bem, dois homens ficarem chorando e abraçados, ainda mais aqui no submundo.

—--Mas eu estou tentando seguir em frente, não quero me afundar em dor e depressão, Ligea nunca iria me querer ver assim, então estou seguindo em frente como posso. ---Disse forçando um sorriso. Voltei a caminhar rapidamente, tentando me recompor o mais rápido que podia, acho que afinal lembrar disso agora não foi a melhor ideia, não podia deixar-me abalar, isso poderia me colocar em risco e aos meus amigos.

—--Então, quem é essa Melione? ---Perguntou Thalia, tentando desviar meu pensamento de Ligea, olhei de relance para ela, ela me deu um breve sorriso.

—--Longa história. ---Respondi seriamente. ---Longa e muito assustadora história, Melinoe, é a deusa dos fantasmas e também das oferendas e cerimônias fúnebres, conforme o mito, todas as noites essa deusa vagava pela terra com uma legião de fantasmas, assustando todos que passassem por seu caminho, este seria umas das razões pelos quais os cães ladram sem motivo algum durante a noite, ela é filha de Zeus, com Perséfone, e isso não é uma bela história. ---Disse olhando de relance para Thalia. ---Para seduzir Perséfone, rainha do mundo dos mortos, Zeus se metamorfoseou no marido de Perséfone, Hades e teve relações com a própria filha.

—--Que coisa horrível. ---Disse Nico surpreso. ---Eu não gosto de Perséfone, mas mesmo eu não queria ver ela sofrer algo assim.

—--Com certeza, nenhuma mulher deve ser violentada, jamais. ---Disse eu para Nico, que concordou com um aceno de cabeça. De repente olhei de relance para Thalia, ela parecia bastante abalada com o que eu acabará de contar a ela, ela olhava para baixo e tinha uma expressão de medo e dúvida no olhar, talvez eu tenha falado um pouco demais, nenhum filho gostaria de saber as coisas horríveis que seus pais fizeram, mesmo que fosse muito antes deles nascerem, eu não me orgulhava das coisas horríveis que minha mãe Hera fez, na verdade há algumas que nem ao menos gosto de lembrar, então sabia como Thalia estava se sentindo. Então resolvi continuar meu relado e não entrar no mérito de Zeus, novamente. ---Melione é a deusa dos fantasmas... uma das servas de Hades. Ela controla os mortos que vagam sem descanso pela Terra, todas as noites ela ascende do Mundo Inferior para aterrorizar os mortais.

—--Ela tem seu próprio caminho para o mundo lá em cima? ---Perguntou Nico surpreso.

—--Tem sim, e infelizmente duvido que possa ter sido bloqueado, normalmente, ninguém nunca pensaria em atravessar sua caverna, ela não é das mais fáceis pelo que eu soube, mas se esse semideus for corajoso e burro o suficiente para fazer um acordo com ela...

—--Ele poderá voltar ao mundo. ---Emendou Thalia, ela já me parecia ter se recomposto. ---E levar a espada a Cronos.

—--Que ele poderia usar até para tirar seus irmãos do Tártaro com mais facilidade, e nós teríamos um grande problema com vários Titãs irados no mundo mortal. ---Concluí. Quando estava prestes a dizer algo, Thalia se ajoelhou e puxou o seu arco das costas.

—--Armas! ---Disse ela seriamente. Quebrei minha magia de luz, e destampei Contracorrente que ainda estava em forma de caneta, a caneta cresceu em minha mão e se tornou uma longa espada de Bronze Celestial. Tenho certeza de que eu parecia aterrorizante, espada em uma mão e na outra com um vaso de cravo na outra mão, então o coloquei-o no chão. Nico desembainhou a espada e ficamos de costas um para o outro, par que não pudéssemos ser surpreendidos. Thalia preparou uma flecha e ficou pronta para atirar, mas eu não ouvia e nem via nenhum monstro ou inimigo próximo de nós, nem ao menos sentia uma presença ameaçadora, tudo estava quieto e mesmo com a minha visão sobre-humana, nada estava por perto.

—--O que foi? ---Perguntei baixo, sussurrando, mas ela não respondeu, ela parecia estar ouvindo algo, se concentrando muito, eu sabia que as Caçadoras tinham todos os sentidos mais apurados do que semideuses comum, mas eu não conseguia ouvir nada, mas sabia que ela poderia ouvir muito mais que eu, então fiquei em silencio e a deixei ouvir. Então seus olhos se arregalaram, eu também senti uma presença ameaçadora, eram monstros invisíveis e do chão, um círculo de dúzias de daímones, materializou-se em torno de nós, nós cercando rapidamente, elas eram horrendas, tinham o seu corpo parte mulher e parte morcego, mas não eram nem de longe sexys como Emuna, suas caras eram achatadas e raivosas, possuíam caninos gigantescos e olhos vermelhos grandes e salientes, pelo cinza desbotado e uma armadura fragmentada de ferro, ou bronze Celestial, cobriam seus corpos, tinham braços curtos comparados a um corpo humano, mas com garras enormes em vez de mãos, asas de couro com uma envergadura de uns 2 metros cresciam das costas e as pernas eram curtas, grossas e arqueadas. elas não eram nem um pouco engraçadas, aquele brilho assassino nos olhos.

—--Queres. ---afirmou Nico, ele tinha razão, eram as Queres ou kéres, em grego: Κῆρες, singular Κήρ, "fatalidade", na mitologia elas são daemones, espíritos femininos da doença, peste, maldição e da morte violenta, elas são filhas de Nix, só pra variar mais uma vez essa maldita deusa me atrapalhando, Nix as teve sem se unir com nenhuma outra divindade, tal como esta foi gerada diretamente por Caos, conforme os mitos. As queres simbolizam o destino cruel, fatal e impossível de escapar, são quase deusas que trazem a morte violenta aos mortais, as Queres eram deusas responsáveis por levar os mortos do campo de batalha, portanto vem como a morte antes do tempo, a morte cruel. Assim quando Ares partia para grandes guerras convocava as queres, já que faziam parte de seu cortejo, após a batalha devoravam os mortos e levavam as almas ao Submundo. Mesmo sendo servas de Ares, não eram exatamente leais a ele, só sabiam que estar perto do deus da guerra em uma guerra era vantajoso para suas alimentação, afinal de contas Ares é Ares.

—--O que são estás coisas? ---Perguntou Thalia.

—--Queres, espíritos do campo de batalha, elas se alimentam da morte violenta e são muito venenosas, então não as deixem ferir vocês, nem mesmo com as garras. ---Alertei seriamente.

—--Ah, maravilha. ---Disse Thalia irritada.

—--Afastem-se! ---Ordenou Nico as daímones, tentando suar frio e poderoso, ele até tinha um bom jeito para isso. ---O filho de Hades está mandando. ---As Queres sibilaram, as bocas espumavam de pura raiva, elas olharam para as nossas armas, apreensivas, mas senti que não ficaram muito impressionadas com a ordem de Nico.

—--Em breve Hades será derrotado. ---Uma delas rangeu os dentes. ---Nosso novo mestre nos dará um reino livre e nos libertará livremente para comer à vontade na terra. ---Nico piscou confuso.

—--Novo mestre? ---Perguntou ele surpreso. A daímon líder deu o bote, Nico estava tão distraído, que ela poderia tê-lo feito em pedaços, mas Thalia atirou uma flecha à queima roupa, diretamente na cara feia de monstrengo da criatura, e ela se desintegrou em pó dourado. O restante delas avançou rapidamente. Thalia deixou o arco de lado e desembainhou as facas de caças, longas facas de bronze Celestial, mais de meio metro em cada lâmina levemente curvada com apenas um dos lados com fio, extremamente afiadas, elas seriam realmente mais úteis do que a lança nesse momento, para uma luta a curta distância com vários oponentes, armas menores são melhores. Começamos lutar com os monstros, eles não era adversários a altura, mas o que elas não tinham de habilidade de luta, elas compensavam duas vezes com o seu grande número. Com o canto dos olhos, percebi como o Nico lutava de uma forma um tanto estabanada, teve um momento que tive que me esquivar, para não ser acertado atrás de Nico, a espada de Nico zuniu por cima da minha cabeça, cortando uma das criaturas pela metade, apesar de ser estabanado com o terreno e aliados ao seu redor, ele era rápido e forte. Eu cortava e golpeava e sete ou oito delas explodiram à minha volta, quando foram atingidas pelo Bronze Celestial de Contracorrente, mas outras continuavam a aparecer do chão, vindo do nada.

—--Jápeto vai amaldiçoá-los! ---uma voz gritou.

—--Quem? ---perguntou Nico, mas então eu a atravessei a Daímon com a minha espada, fazendo-a explodir em pó dourado. Anote aí: se você acabar com um monstro, ele não poderá responder as suas perguntas, mas nesse momento não tinha como fazer prisioneiros para interrogar, estava ocupado tentando não morrer. Nico também desenhava arcos com a sua espada, golpeando as Queres. A lâmina absorvia a essência delas, como um aspirador a vácuo, e quanto mais ele as destruía, mais frio ficava o ar ao nosso redor, Ferro Estígio era assustador, em especial no submundo. As Queres começaram a visivelmente diminuir, havíamos destruído mais de 30 facilmente. Thalia golpeou as costas de uma daímon, que tentava recuar e fugir, atravessando-a com uma de suas facas e com a outra espetou um segundo monstro que se aproximava de suas costas, sem nem ao menos virar-se para trás. Mas de relance eu vi uma delas escondidas nas sombras da terra, sorrateiramente escondida, pronta para dar um golpe baixo em Thalia.

—--Morra sofrendo, caçadora! ---Disse o demônio antes de atacar, sem hesitar eu pulei e empurrei a Thalia para afasta-la das garras, mas antes que eu pudesse me recompor ou levantar minha espada para me defender, as garras da daímon entraram fundo no meu ombro. Se eu estivesse usando uma armadura, tudo bem, mas eu estava usando uma camisa comum. As garras da coisa abriram um corte na minha camisa e fincaram fundo na minha pele.

—---AAAHHHHH.... ---Berrei de dor, todo o meu lado esquerdo pareceu explodir de dor, Nico chutou o monstro para longe e o apunhalou.

—--NÃO SUAS MALDITAS. ---Escutei a voz de Thalia estrondar, pude sentir o cheiro de ozônio no ar, muito pesado, minha vista estava embaçada por causa da dor, mas pude ouvir a explosão de eletricidade ao meu redor, Thalia havia lançado uma quantidade assustadora de energia, eu podia sentir. O veneno começou a agir muito rapidamente no meu corpo, não era apenas veneno, era uma maldição junto, a dor era muito intensa, tudo o que pude fazer era continuar no chão, me encolher e tentar resistir a terrível dor. Após ao ataque de Thalia, os monstros restantes devem ter sido completamente destruídos, pois som da batalha se extinguiu, Thalia e Nico correram para o meu lado.

—--Aguente firme, Percy. ---Thalia pediu. ---Você vai ficar bem. ---Mas a falha em sua voz, me dizia que o ferimento era grave, Nico o tocou e eu berrei de dor.

—--Néctar. ---Disse ele rapidamente. ---Estou colocando Néctar sobre a ferida para ajudar. ---Nico tirou a rolha do frasco com a bebida dos deuses e pingou um pouco no meu ombro, isso era perigoso, pois apenas um gole do liquido é quase tudo o que um semideus pode suportar, eu tinha mais resistência e podia tomar mais, porém podia me explodir como qualquer outro semideus. Mas, imediatamente, a dor aliviou um pouco.

—--Precisamos fazer um curativo. ---Disse Thalia olhando para o ferimento.

—--NÃO... não, não temos tempo, vamos indo. ---Disse tentando me levantar, mas minha vista embaçou e quase desmaiei.

—--Calma, Percy, você não pode fazer nada assim... ---Nico começou a dizer. De repente, eu vi uma Quere aparecer sorrateiramente atrás deles, ela vinha rapidamente na direção deles, Contracorrente ainda estava na minha mão e eu empurrei o Nico para o lado e arremessei minha espada como se fosse uma espécie de lança, ela se cravou no peito da Quere que explodiu em pó dourado. Mas assim que arremessei, senti meu ombro inteiro queimar demais e eu urrei de dor.

—--Cuidado, com as costas. ---Disse ofegante, minha visão estava ficando muito turva. ---Eu preciso... retirar o veneno. ---Disse fracamente, então eu senti meus olhos se fechando e cai na inconsciência.

—------------------------------ Quebra de Tempo. -----------------------------------------------------------------------------------------

Eu não podia saber quanto tempo se passara após eu ter apagado, mas a última coisa que eu me lembro é de estar apoiado com as costas em uma rocha. Meu ombro estava enfaixado. Thalia me alimentava com pequeninos pedaços de ambrosia sabor de Lasanha de frango da dona Hera, minha comida predileta.

—--As Queres? ---Murmurei quando comecei a abrir meus olhos, minha vista começando a ganhar cor novamente.

—--Foram embora, por enquanto. ---Respondeu Thalia de prontidão.

—--Na verdade, fugiram assustada, Thalia vaporizou dezenas de uma só vez, duvido que elas voltem a atacar. ---Disse Nico maravilhado.

—--Nossa pequena Lia, incrivelmente assustadora como sempre. ---Brinquei sorrindo, encarando o lindo rosto de Thalia, podia notar que a sujeira havia se realocado em seu rosto, devido as lágrimas.

—--Não fale muito, Percy, tente relaxar um pouco. ---Disse ela me repreendendo. ---Por um instante, você me deixou preocupada, Percy, mas acho que vai resistir. ---Nico se agachou perto de nós, em uma de suas mãos estava sua espada, na outra ele segurava o craveiro. A flor só tinha mais cinco pétalas.

—--As Queres podem voltar. ---Alertou ele seriamente, ele olhava para o meu ombro com preocupação. ---Você vai poder lutar com esse seu ombro?

—--Esse ferimento é um problema. ---Disse irritado. ---Não vou poder ajudar muito nesse estado, eu precisava tentar retirar o veneno, mas não vou conseguir me concentrar nesse estado, as Queres são espíritos da doença e da peste, assim como da violência, eu posso retardar a infecção, mas em algum momento vou precisar de sérios cuidados. ---Disse seriamente, eu omiti que se caso eu não tivesse um tratamento adequado, eu poderia morrer. Pensei na minha mochila e senti ela pesar nas minhas costas, eu a entreguei para Thalia. ---Pegue água na mochila, Thalia e Nico, volte a vigiar, não podemos ser pegos por um ataque surpresa.

—--Sim, entendido. ---Respondeu Nico seriamente, ele se virou e continuou a vigiar. Thalia pegou a mochila e invocou água, ela veio na minha direção e me entregou uma garrafa grande de água, mais de 5 litros. Senti-a a maldição e o veneno na minha corrente sanguínea, estava me sentido muito enjoado e fraco. Comecei a desfazer o curativo, sentido meu ombro se desfazendo em dor a cada bandagem retirada, Thalia me ajudava, ela tinha lágrimas nos olhos.

—--Eu vou ficar bem, Lia, não se preocupe. ---Disse forçando um sorriso para ela.

—--Obrigado... Percy, você tomou esse golpe por mim. ---Disse ela chorando um pouco.

—--É pra isso que amigos servem, pra ajudar, não é mesmo? ---Disse sorrindo, enquanto continuava a tirar as bandagens.

—--Se eu não tivesse me distraído... ---Eu a interrompi.

—--Para com isso, não fale bobagens. ---Disse seriamente, então retirei as últimas bandagens e encarei o ferimento, senti-me enojado de ver o estado que o ferimento estava, quatro furos na carne do meu ombro, havia sangue seco, pus e um liquido negro saindo dos buracos, a pele envolta dos ferimentos estavam horríveis, haviam rodelas negras apodrecidas e elas iam ficando mais claras, indo para roxo e por fim vermelho, haviam veias visíveis que estavam negras.

—--Deuses, está ainda pior do que quando eu fiz o curativo. ---Disse Thalia preocupada.

—--Ei, não se preocupe, vamos dar um jeito nisso. ---Disse seriamente, apesar de minha voz ter tremido um pouco. Devagar e com muita dificuldade, comecei a controlar a água pra fora da garrafa, minha mão tremia muito e eu deixava a água escapar do meu controle e cair no chão. Mas eu consegui fazer ela chegar no meu ombro, assim que a água tocou no meu ombro eu senti ele doer ainda mais. ---AAHhhhh.... ---Gritei de dor, mas me forcei a ficar concentrado no controle, e mais ainda, concentrei-me em curar, aos poucos fui sentido a dor diminuir e a ferida ir melhorando um pouco, a carne que antes estava preta e praticamente morta, começou a ganhar uma cor mais arroxeada, os furos das garras quase fecharam completamente, ficando ainda alguns furos pequenos, envolta dos furos haviam rodelas roxas e vermelhas, e sangrava um pouco, porém o sangue saia com uma cor bem escura, porém as veias continuavam negras, já que eu não conseguiria retirar o veneno e a maldição, e nem curar completamente. Isso não era definitivo, mas me daria tempo para acabar com a missão e depois procurar ajuda. ---É o melhor que consigo. ---Disse deixando a água cair no chão.

—--Melhorou bastante. ---Disse Thalia analisando, ela até parecia menos abalada. ---Vou refazer o curativo. ---Disse Thalia começando um novo curativo. Felizmente não demorou muito, ela era bem rápida com as mãos.

—--Está melhor, agora podemos ir andando. ---Disse começando a me levantar, mesmo que com um pouco de tontura e com vontade de vomitar.

—--Devagar. ---Disse Thalia me auxiliando. ---Você precisa descansar para poder se mexer depois.

—--Não há tempo, temos que ir andando. ---Olhei com receio para o craveiro, que havia perdido mais uma pétala pelas minhas contas. É isso mesmo ou minha memória es, estava começando achar que não iriamos alcançar o garoto caolho, mas isso não é tudo, tem algo realmente preocupante.

—--Uma das daímones mencionou Jápeto, se não estou enganado, ele é um titã? ---Perguntou Nico. Thalia assentiu desconfortável.

—--O irmão de Cronos, pai de Atlas. ---Disse Thalia seriamente. ---Ele era conhecido como o Titã do Oeste, seu nome significa “o Perfurador”, porque é isso que ele gosta de fazer com seus inimigos, foi lançado ao Tártaro com seus irmãos. Ainda deveria estar lá.

—--É o semideus que veio com Jápeto, ele está começando a recrutar alguns aliados de Hades para o seu lado, como as Queres. As daímones acham que, se Cronos vencer a guerra, eles terão caos e maldade além do combinado. ---Disse concluído.

—--Meu pai tenta manter o equilíbrio, ele reina sobre os espíritos mais violentos de todos. Se Cronos escalar um de seus irmãos para ser o senhor do Mundo Inferior as coisas vão ficar mais difíceis. ---Disse Nico seriamente, eu encarei ele, ele estava amadurecendo mesmo.

—--Como esse Jápeto no comando o Mundo Inferior vai ficar bem pior e vai afetar o mundo mortal. ---Continuei o pensamento de Nico. ---As Queres gostariam disso e ao meu ver, Melione também. ---Ambos olharam tristemente para baixo, com medo do que estava por vim se nós falhássemos. ---Me dê a planta. Temos de encontrar a caverna de Melione.

Enquanto caminhávamos tentei pensar em coisas positivas: meus jogadores de basquete favoritos, minha última conversa com Emuna, o que minha mãe faria para o jantar de hoje, tentei pensar na minha querida Joia... qualquer coisa menos a dor. Mesmo assim, eu sentia como se um tigre-dentes-de-sabre estivesse mastigando o meu ombro. Tinha de admitir, eu não ia ser muito útil numa luta. Agora Thalia e Nico teriam que rebocar meu traseiro inútil pelo restante da missão, eu estava me lamentando que não notei o som de água em movimento até Nico dizer:

—--Droga, melhor nem chegarmos mais perto. ---Disse Nico nós parando. Cerca de poucos metros a nossa frente, um rio escuro corria com violência por uma garganta de rocha vulcânica, eu já tinha visto o Rio Estige antes cara a cara, mas este não era o mesmo, eu conhecia este apenas de imagens em velhos livros empoeirados do Olimpo, ele era estreito, a correnteza era muito veloz, a água era negra como nanquim, até a fumaça produzida era negra, a margem oposta mais distante estava apenas a uns treze metros, muito longe para saltarmos, e não havia ponte.

—--O Rio Lete. — Nico amaldiçoou em grego antigo. ---Nunca vamos atravessá-lo. ---A flor apontava para o outro lado: na direção de uma montanha obscura e de um caminho para a caverna, além da montanha, os muros do Mundo Inferior assomavam como um céu de granito negro, eu não imaginara que o Mundo Inferior pudesse ter uma fronteira, mas era o que aqueles muros pareciam ser.

—--Tem de haver um meio de atravessá-lo, é necessário, a flor está apontando para aquele lado. ---Falei seriamente, Thalia se ajoelhou próxima a margem.

—--Cuidado! ---Alertou Nico seriamente. ---Esse é o rio do esquecimento. Se uma gota da água respingar, você começará a se esquecer de quem é. ---Thalia recuou rapidamente.

—--Conheço esse lugar, já ouvi isso da Annabeth, ela me falou dele uma vez, as almas vem aqui quando escolhem renascer, para esquecer totalmente suas vidas anteriores. ---Nico assentiu as palavras de Thalia.

—--Sim, foi Annabeth que me ensinou isso também, nade nessa água e sua mente será apagada, você será um bebê recém-nascido. ---Thalia estudou a margem oposta.

—--Eu poderia atirar uma flecha para o outro lado, talvez, ancorar uma corda em uma daquelas pedra. ---Disse Thalia seriamente.

—--Você quer confiar sua vida e sua memória a essa ideia? Todo seu peso a uma corda que não está amarrada? ---Perguntou Nico incrédulo. Thalia levantou as sobrancelhas.

—--Tem razão, é muito surreal, funciona nos filmes, mas... não. ---Concluiu Thalia seriamente, ela se virou para Nico. ---Você pode evocar alguns mortos para nos ajudarem?

—--Eu poderia, mas eles só apareceriam no meu lado do rio. ---Disse Nico seriamente, nossa, ele já consegue controlar esqueletos? Incrível. ---Água corrente age como uma barreira para os mortos, algo relacionado a Hades e Poseidon, os mortos-vivos não podem atravessá-la, desmontam e viram pó.

—--Que tipo de regra idiota é essa? ---Perguntou Thalia irritada.

—--Ei, eu não inventei isso. ---Retrucou ele irritado.

—--Chega. ---Disse um pouco mais alto, chamando atenção de ambos e intervindo antes que eles começassem a discutir e perdêssemos ainda mais tempo com isso. ---Precisamos nos concentrar e pensar em algo juntos. ---Eu estava ofegante. Nico estudou meu rosto.

—--Você está horrível Percy, deveria se sentar. ---Orientou Nico.

—--Não posso, vocês precisam de mim para isso. ---Disse ofegante.

—--Para quê? ---Perguntou Thalia. ----Você mal consegue ficar em pé.

—--É água, não é? Talvez o Percy possa controlá-la, não sei, talvez ele possa mudar o seu curso tempo suficiente para que a gente consiga atravessar, quem sabe fazer um arco e a gente passe por baixo. ---Disse Nico esperançoso.

—--Nas minhas condições? De jeito nenhum teria essas condições.

—--Verdade, eu me sentiria mais seguro com a ideia da flecha. ---Disse Thalia seriamente.

—--Aprendem, nem sempre se pode ajudar com força bruta e ataque, se você parar para pensar um pouco, as vezes encontrará uma saída mais fácil e mais eficiente, do que por exemplo fazer o rio todo se elevar. ---Disse seriamente, colocando minha cabeça para funcionar, era um pouco difícil por causa da dor, mas eu conhecia muito bem meus dois aliados, principalmente suas habilidades, então não demorei para pensar em algo. ---Nico, você já pode viajar na sombra?

—--Não muito bem, não é preciso e eu com certeza não posso passar os três, mesmo que eu leve um por vez. ---Disse Nico seriamente, então meu primeiro plano tinha acabado de ir por água abaixo, quase literalmente. Então peguei um pedaço de ambrosia e o comi rapidamente, sentindo o gosto da lasanha de Frango da dona Hera. Senti meu corpo se expandir de energia, mas eu sabia que não ia durar muito tempo.

—--Bem, nesse caso. ---Disse me virando para Thalia. ---Você não vai gostar nenhum pouco do plano B.

—--Plano B? ---Perguntou ela confusa, enquanto ela falava eu colocava o craveiro no chão. ---Mas que plano B....Percy o que você taaaaa.... ---Então sem esperar por uma resposta dela, eu a peguei pelo braço e pela perna e a arremessei com toda a minha força para o outro lado. ----AAAHHHHH... ---Gritou ela em pânico, voando por cima do rio a uns bons 10 metros de altura dele.

—--VOCÊ PODE VOAR, SE CONCENTRE. ---Gritei para ela, ainda cambaleando pela fraqueza. Apesar do medo de Thalia de altura ela era filha de Zeus, então ela podia voar, então eu arrisquei, além disso ela era caçadora, então normalmente seus músculos são mais poderosos e mais resistentes, além disso os semideus agem bem estando sobre pressão, normalmente são dessa forma que eles aprendem novos poderes. Não se podia dizer que a Thalia voou, mas ela conseguiu parar de gritar em desespero e controlou sua queda, descendo mais suavemente, felizmente eu tive a força de arremessa-la do outro lado do rio. Assim que ela pousou do outro lado ela se virou na minha direção.

—--PERSEUS, QUANDO EU COLOCAR MINHAS MÃOS EM VOCÊ, EU VOU TE MATAR, VOU TE ELETROCUTAR MUITO, VOU FAZER CHURRASQUINHO DE VOCÊ... ---Começou ela gritar, seu rosto queimando em vermelho rubro. Mas eu ignorei e me virei para Nico, que estava me encarando de olhos arregalados.

—--Você também precisa de um empurrãozinho? ---Perguntei para ele, ele negou rapidamente com a cabeça, então ele começou a se concentrar um pouco, então ele foi engolfado por sombras e desapareceu junto dela. Encarei o outro lado, mas nenhum sinal dele.

—--CADÊ O NICO? ---Gritou Thalia do outro lado.

—--ESTOU AQUI. ---Disse ele aparecendo andando por trás das pedras. ---Não saiu como eu queria, apareci lá longe. ---Disse ele chegando perto da Thalia. Ótimo, pelo menos os dois passaram.

—--Venha Percy. ---Chamou ela do outro lado. ---Ande! ---Eu já me sentia muito fraco, e não tinha mais ideias para me ajudar a atravessar, eu tinha muitos poderes para fazer isso com facilidade, desde elevar a água, andar sobre ela, até usar minhas asas de fogo azul, apesar de não saber se poderia controlar, mesmo que estivesse 100 por cento, mas eu acho que posso tentar ir andando sobre a água, era forma que gastaria menos energia e eu tinha mais chances de conseguir chegar lá.

—---Isso não vai ser fácil. ---Murmurei. Comecei a caminhar lentamente na direção da água, consegui alcançar o leito do rio, a água era violenta, então eu tinha que tentar acalmar ela, para que nenhuma gosta respingue em mim, comecei a caminhar na água, bancando Jesus cristo, um passo depois outro, eu controlava a água para evitar que ela respingasse em mim, então eu tentava acalmar ela um metro quadrado, mesmo assim era difícil, pontos amarelos dançavam em frente aos meus olhos, meu ombro ferido quase gritava de dor e isso estava me desconcentrando bastante, de repente senti minhas pernas bambearem e quase toda força do meu corpo sumir, eu apoiei um joelho na água.

—--NÃO... ---Gritou Thalia assustada. ---VAMOS PERCY, VOCÊ CONSEGUE.

—--NÃO POSSO! ---Gritei de volta.

—--Sim, você pode ---Retrucou ela. ---Nós precisamos de você! ---Disse ela, eu respirei fundo, então tentei me forçar a levantar, mas então eu me desequilibrei e fui em direção a água, antes de mergulhar no Rio Lete, tive tempo para um último e desesperado pensamento.

—--“Seco.” ---Então mergulhei na água, me afundando rapidamente e sendo arrastado pela correnteza. Mas... Abri os olhos, eu estava envolto em escuridão, mas continuava completamente seco, sentia minha memória perfeitamente intacta, eu sabia quem era, sabia tudo. Uma camada de ar me cobria, como uma segunda pele, protegendo-me da água, era a minha habilidade natural de me manter seco, conhecida por Manto de Oxigênio, porém mesmo esse pequeno esforço para ficar seco, algo que já fiz muitas vezes em águas normais, foi quase mais do que eu podia aguentar. Avancei com dificuldade pela correnteza negra, nadando lentamente, cego e duas vezes mais dolorido, demorei um pouco mais finalmente consegui chegar aonde tinha pé, então comecei a caminhar lentamente, então eu subi na margem do Lete, surpreendendo Thalia e Nico, que pularam um bom metro para trás, cambaleei para frente, saindo finalmente da água e cai diante de meus amigos, sendo dominado pela escuridão novamente.