Percy Jackson o Guerreiro Sem limites
146 Capítulo 146
Notas iniciais
POV: Perseus Heitor Jackson.
Desci as escadas da minha casa lentamente, Emuna ainda não havia acordado, então deixei-a dormindo na minha cama, sei que ela sabe de tudo que se passa na minha cabeça, mas eu preferia ter esse momento somente entre eu e minha mãe, talvez as coisas poderiam ficar bem tensas. Fui em direção a cozinha, estava cheio de fome, esperaria depois do café para falar com ela, quando estava me aproximando da cozinha ouvi as vozes de duas pessoas conversando animadamente, uma delas era minha mãe e a outra era Héstia, eu reconheceria sua voz suave e infantil em qualquer lugar. Fui entrando pela cozinha e vi minha mãe magnífica como sempre, mesmo que estivesse usando apenas seu pijama, mas pra minha alegria ela estava cozinhando alguma coisa nas panelas, o cheiro estava ótimo. Sentada na cadeira estava minha senhora, minha amada tia Héstia, ela não havia mudado em nada sua aparência desde a última vez que a vi, na verdade ela não havia mudado sua aparência desde o dia que a conheci, a mais de 10 anos atrás, uma garotinha de 1,35cm, aparentava ter 8 anos, bem branca e com cabelos literalmente cor de fogo, sua face sempre bela e angelical, vestido um simples vestido azul claro até um pouco abaixo dos seus joelhos, ela estava descalça, seus pezinhos balançavam no ar.
—--Bom dia. ---Disse chamando a atenção de ambas, Héstia me olhou e eu pude ver aqueles lindos olhos vermelhos flamejantes, sua esclerótica branca comum, mas sua íris era vermelha como fogo e sem pupila, seus olhos que demostravam esperança, o que me dava mais forças para pedir o que tinha que pedir a minha mãe. Minha senhora sorriu e pulou da cadeira pro chão, caminhei até ela e me ajoelhei, ficando apenas um pouco mais alto que ela. ---Minha senhora é muito bom te rever.
—--Digo o mesmo, meu querido campeão. ---Disse ela me abraçando, seus abraços sempre eram tão gostosos, sempre me acalmando, era natural ela transmitir tranquilidade as coisas e pessoas a sua volta. Ela sussurrou no meu ouvido. ---Sinto muito por Ligea, ela era uma boa menina, muito boa.
—--Obrigado. ---Disse me separando dos braços dela, não antes de receber um demorado e quente beijo no rosto. ---Estava com muitas saudades dos seus abraços. ---Disse sorrindo, Héstia sorria feliz com as minhas palavras. Eu odiaria dar essa notícia ruim perto dela também, mas talvez ela possa me apoiar e me ajudar a convencer a mamãe que apesar dos riscos, talvez fosse necessário fazer esse procedimento arriscado. Porém o belo sorriso que Héstia me dava se desfez, então sua expressão se tornou muito séria.
—--Tem algo diferente em você. ---Disse ela seriamente.
—--É o selo do amor, minha senhora. ---Respondi as suas dúvidas, imaginando que ela também poderia sentir o selo, como minha mãe.
—--Não, não é isso, eu não poderia sentir o selo, mas sua mãe já havia me contado sobre Emuna e o selo. ---Disse ela me olhando seriamente. ---Tem algo que você quer pedir a sua mãe, estou sentido o seu... Medo.
—--Medo? ---Perguntou minha mãe entrando na conversa, voltei minha atenção para ela. Eu sabia que Héstia podia sentir meus sentimentos, ela já havia percebido o meu humor antes mesmo de eu tentar pensar em uma forma de pedir aquilo, talvez no momento que eu pensei em falar perto dela própria, para receber sua ajuda, talvez ela tenha percebido minha mudança de humor, ela tinha razão, com certeza eu estava com medo de pedir para quebrar a parede dentro de mim. ---O que você teria medo de me pedir? ---Perguntou minha mãe confusa, desligando as panelas e vindo na minha direção.
—--É algo ruim, eu sei disso, mas não consigo decifrar o que é. ---Concluiu Héstia seriamente me encarando. Respirei fundo, tomando coragem para falar da minha ideia pra elas, sabia que minha mãe não concordaria com facilidade, sinceramente até preferia que ela conseguisse me fazer mudar de ideia, mas sinceramente duvido que consiga além disso Héstia talvez pense como eu.
—--Percy, fala de uma vez, você está me tirando do sério, logo cedo. ---Disse minha mãe levemente irritada.
—--Tudo bem, queria esperar pelo menos até o fim do café da manhã para falar disso, mas se vocês já descobriram, vou dizer. ---Disse me dirigindo até a mesa e me sentando nela, minha mãe e Héstia seguiram meu exemplo. ---O que eu tenho pra te dizer não me agrada, com toda certeza não vai agradar as senhoras, principalmente a senhora mamãe, mas eu estive pensando nisso, bastante, sei que isso vai ajudar a me fazer evoluir, não somente nas minhas habilidades de luta e combate, mas também nos meus sentimentos, vai me trazer um equilíbrio maior...
—--Percy, desembucha logo, para de enrolar e fala. ---Disse minha mãe me interrompendo, suspirei fundo, criando coragem para pedir aquilo.
—--Eu acho que precisamos tirar a parede interna que a senhora fez na minha cabeça... ---assim que disse isso, minha mãe já começou a negar com a cabeça, mas eu continuei falando, tentando passar o máximo de confiança e força na minha voz. ---Sobre os anos que estive na prisão das almas.
—--Não vou fazer isso, de jeito nenhum. ---Disse minha mãe incrédula. ---Isso está totalmente fora de cogitação.
—--Apoio Hera, Percy, aquela parede te mantém bem, sem pesadelos e sem as memórias das dores que você passou naquele maldito lugar. ---Disse Héstia irritada, era muito difícil ver Héstia irritada, agora xingar algo? Só havia visto ela fazer isso quando o assunto era relacionado a prisão de almas, mas com certeza ela não apoiou minha ideia, o que era muito ruim e dificultava as coisas.
—--Eu sei que não é bom, sei que isso vai trazer tudo de volta, talvez ainda pior do que quando sai de lá, mas muita das minhas habilidades estão presas juntos com tudo aquilo, se não fizermos isso, nunca conseguirei realmente superar a prisão de almas...
—--Percy, você não precisa ficar mais forte. ---Disse Héstia docemente.
—--Com certeza, não há necessidade de chegarmos a esse ponto. ---Concordou minha mãe.
—--Mãe a parede em minha mente era somente temporária, era algo para me proteger na época, que era jovem e eu que estava muito fragilizado...
—--Percy você acabou de perder Ligea, está tão fragilizado ou se não ainda mais do que naquela época, está por acaso tentando se punir? Por pensar na ideia idiota que você deixou Ligea morrer? ---Perguntou minha mãe me interrompendo.
—--Não mãe, claro que não, isso não é punição, não estou buscando mais dor, eu só quero buscar meu equilíbrio, isso é evolução. ---Disse firmemente, encarando ela, seus olhos estavam chorosos, tive que me manter muito firme, fazer muita força para não me emocionar junto, era quase automático chorar quando via minha mãe chorando, ainda mais por minha causa. ---Eu preciso passar por isso, preciso ter todo o meu poder de volta, se não nunca vou conseguir dominar a chama sagrada em seu total potencial. ---Disse olhando firmemente para Héstia, seus olhos me olhavam tristemente, havia uma pequena lágrima vermelha como lava no canto dos seus olhos. ---Caso não quebrarmos essa parede, eu nunca vou conseguir seguir em frente com a minha vida, nunca vou conseguir realmente me perdoar e me amar, mamãe.
—--Mas Percy... Se eu fizer o que você me pede, todo aquele inferno vai voltar, toda a dor dos anos que esteve naquele lugar, você vai sofrer, vai sofrer demais, talvez até mesmo enlouqueça. ---Disse minha mãe chorando, ela esfregou as lágrimas do seu rosto com as costas das mãos e começou a negar com a cabeça. ---Definitivamente eu não posso fazer isso, você não pode me pedir algo assim, eu não posso prejudicar meu próprio filho, não posso arriscar te perder...
—--Mãe, você não vai me prejudicar, mesmo que eu não queira fazer isso, no fundo do meu peito eu não quero, mas eu sei que se não fizer eu nunca vou conseguir encontrar equilíbrio, não somente nos meus poderes, mas nos meus sentimentos e emoções, eu sei que posso vencer o mau que está dentro de mim. ---Disse firmemente, tentando soar mais corajoso do que eu me sentia.
—--Percy, meu querido Percy, todas as chances estão contra você, você quase não suportou as memórias, quase morreu ou ficou louco, não podemos arriscar sua sanidade e sua vida dessa forma. ---Disse Héstia docemente, apesar de sua voz ter saído mais imponente que o normal.
—--Mas minha senhora...
—--NÃO PERCY, NÃO, JÁ DISSEMOS QUE A DROGA DA RESPOSTA É NÃO, PARA DE INSISTIR. ---Gritou minha mãe irritada, sua voz saiu muito chorosa, ela se levantou e começou a mexer nas panelas. ---CHEGA DESSA CONVERSA, VAMOS COMER EM PAZ. ---Suspirei tristemente, talvez minha mãe tivesse razão, talvez não fosse necessário passar por tudo aquilo, talvez eu realmente não pudesse controlar todo o mau e toda as memórias presas no meu subconsciente, era mais provável que eu sucumbisse a dor e as lembranças ruins que estavam presas lá dentro, era um risco muito alto pra uma pequena chance de êxito, claro que sem a barreira eu voltaria a ter total controle das minhas habilidades e com toda certeza ficaria ainda mais poderoso. Levantei da minha cadeira e fui até minha mãe que mexia nas panelas nervosamente, ela dava pancadas e mexia com força demais. Sem dizer nada eu a abracei por trás e dei um demorado beijo em seu rosto.
—--Desculpa mamãe, você tem razão, talvez seja burrice mexer naquilo, não vou mais pensar nisso, tudo bem? ---Perguntei sorrindo, ela se virou, seus olhos estavam muito vermelhos e chorosos, ela acariciou meu rosto.
—--Percy, não peça essas coisas pra mim, por favor, eu não posso, eu não suportaria ver você ferido ou sofrendo, não pelas minhas próprias mãos, por favor não me peça essas coisas, nunca mais. ---Eu assenti positivamente ao seu pedido, sorrindo, tentando transmitir confiança pra ela.
—--Percy. ---Disse Héstia atrás de mim, me virei e me ajoelhei ficando na sua altura, com a ponta dos dedos sequei as lágrimas vermelhas como lava que desciam pelo seu rosto, elas eram bem quentes.
—--Desculpa minha senhora, por ter pedido está tola ideia pra senhora, te preocupando e entristecendo a senhora dessa forma. ---Disse me desculpando, em resposta ela deu um breve sorriso e me deu um forte abraço.
—--Não precisa se preocupar, só tire essas ideias malucas da sua cabeça, por favor. ---Disse ela se separando do meu abraço, assenti positivamente a seu pedido. ---Enquanto a chama sagrada, ficarei muito contente em te auxiliar novamente, não tivemos tempo de dar um devido treinamento a sua habilidade sagrada, mas agora vamos dar, vamos fazer o fogo sagrado se dobrar a sua vontade.
—--Eu vou me esforçar pra te honrar, vou dominar essa sua incrível habilidade, minha senhora. ---Disse forçando um sorriso para ela. Antes que ela pudesse me responder uma voz atrás de nós foi ouvida, imponente e irritante como sempre.
—--Então, falta muito pro café da manhã ficar pronto? ---Perguntou uma voz atrás de nós, com certeza era a voz de Zeus, me virei e encarei o deus, aparentando ter seus 25 anos, alto e musculoso, seus olhos azuis elétricos brilhando como sempre, ele estava sem camisa e usava um short fino de dormir.
—--Não, meu amor, mais alguns minutos. ---Respondeu minha mãe docemente.
—--Que bom. ---Disse ele distraidamente, indo em direção a cabeceira da mesa, ele voltou sua atenção pra mim. ---Então, Percy, ontem não podemos conversar direito e bom tê-lo de volta.
—--É muito bom estar de volta. ---Disse sorrindo para Héstia, ela sorriu feliz com a minha resposta. Então me virei e caminhei até a cadeira, me sentando ao lado de Zeus. ---Tem alguma notícia da guerra no mar? ---Perguntei para ele.
—--Não, pelo menos desde a sua volta, a última coisa que recebi de notícias que Poseidon e Oceano voltaram a se enfrentar em combate. ---Disse Zeus pensativamente.
—--Quando eu retorno? ---Perguntei para ele.
—--Você não vai mais retornar. ---Disse minha mãe entrando na discussão, eu queria voltar para a guerra no mar, sabia que lá que eu devia estar, até concordo com meu pai ter me mandado de volta pro Olimpo, para curar minhas feridas, ter minha mãe e todos os outros perto de mim, era incrivelmente bom, com certeza me ajudou a ficar um pouco melhor, mas eu era necessário no mar.
—--Como não? Eu sei que meu pai me mandou de volta para eu poder estar perto de você, mas eu sou General do meu pai, tenho que retornar e liderar o exército, mãe. ---Disse firmemente, mas minha mãe negou com a cabeça.
—--Você já fez muito naquela guerra. ---Disse ela sorrindo.
—--Mas...
—--Percy, escute sua mãe, ela tem razão. ---Disse Zeus chamando minha atenção. ---Além disso não precisa se preocupar com a guerra no mar, as coisas estão bem encaminhadas a favor de seu pai, ao nosso favor, Poseidon tem grandes aliados, Roda, Atena e tantos outros, ele com certeza está bem servido.
—--O senhor tem razão, meu pai tem bons aliados, sei que ele vai ganhar a guerra. ---Disse sorrindo.
—--Meu irmão e Atena afirmaram que você já fez o suficiente na guerra, está na hora de voltar e se preparar pra guerra na superfície, não se esqueça que você pode ser General no mar, mas você também é um dos líderes do Acampamento, não confio em mais ninguém para liderar nossos semideuses. ---Disse Zeus seriamente, eu não entendi muito bem o que ele quis dizer com isso, então eu o indaguei.
—--O que o senhor está dizendo? ---Perguntei confuso.
—--Eu e sua mãe estivemos conversando. ---Começou Zeus calmamente.
—--Está na hora de passarmos o comando do Acampamento a alguém que realmente queira fazer isso. ---Disse minha mãe seriamente.
—--Espera um segundo, vocês estão dizendo que vão passar o comando de Dionisio pra mim? ---Perguntei incrédulo.
—--Exatamente. ---Disse Héstia sorrindo para mim, por mais que tivesse chateado de ter sido mandando embora pelo meu pai e vovó, eu fiquei feliz com as palavras de Zeus e sua oferta, ele tinha razão, o Acampamento e os semideuses são minhas prioridades, daqui pra frente.
—--Você já vem sendo o principal líder daquele acampamento, só vamos oficializar a troca na próxima reunião. ---Disse Zeus seriamente. ---Eu posso arrumar outra forma de punição para Dionisio.
—--Eu aceito com prazer. ---Disse sorrindo para Zeus, que retribuiu o sorriso.
—--Tudo bem, tudo bem, chega desses assuntos irritantes. ---Disse minha mãe chamando nossa atenção, ela vinha trazendo consigo diversas guloseimas, muita comida, Héstia já havia sentado do meu lado e aguardava pacientemente sua comida. ---Vamos tomar nosso café da manhã em paz, chega de assuntos sérios que já estou ficando com dor de cabeça, depois vamos conversar melhor sobre tudo.
—--Quem sabe marcamos uma reunião hoje à tarde, para anunciar a volta do Percy, quem sabe podemos convocar Quíron e Zoë também. ---Disse Héstia pegando um pedaço da torta.
—--Não, eu prefiro que não façamos a reunião hoje. ---Disse pegando também uma fatia da torta, minha mãe me olhou surpresa, com uma de suas sobrancelhas levantadas.
—--Você não quer ver a Zoë? ---Perguntou minha mãe confusa.
—--Claro que eu quero mãe. ---Disse sorrindo, eu sempre estaria desposto a ver Zoë, mas eu sabia que o Acampamento estava indo muito bem, todo mês Quíron mandava alguns relatórios de como a minha ideia estava indo no acampamento, então eu sabia que não tinha urgência de voltar, entretanto havia o problema de Clarisse e Drew, elas estavam desaparecidas a meses, isso estava me preocupando demais, muito mesmo, mas eu sabia que Clarisse e Drew felizmente não estavam mortas, havia algum tempo me comunicado com meu tio Hades, ele me garantiu que ambas nunca entraram em seu reino, então eu pedi um favor a meu tio, que ele ficasse de olho em qualquer coisa relacionada a Clarisse e a Drew. Se elas não estão mortas, onde estão? Aquele sonho que eu tive, elas estavam em apuros, eu preciso achar elas. ---É que antes de voltar ao Acampamento eu preciso encontrar Drew e Clarisse, elas estão desaparecidas a meses, então hoje mesmo eu já vou começar uma busca atrás delas, preciso encontrá-las, por acaso vocês sabem de alguma coisa que possa me ajudar? ---Perguntei esperançoso, mas minha mãe negou a cabeça, Héstia também e Zeus fez o mesmo.
—--Pergunte a Apolo, talvez ele tenha algo. ---Orientou Zeus, eu assenti positivamente, ele tinha razão, se alguém poderia saber de algo, esse alguém era Apolo, deus das profecias.
—--Por favor, já pedi, chega desses assuntos. ---Disse minha mãe levemente irritada, eu assenti rindo. ---Antes que eu me irrite.
—--Desculpe querida. ---Disse Zeus sorrindo pra ela, acho bem nojento quando eles ficam com melação um com o outro, mas Zeus deixa minha mãe feliz, isso por si só, já valia a pena.
—--Vamos falar de coisas boas. ---Disse minha mãe sorrindo, de repente ela voltou sua atenção pra mim. ---Então querido, como foi a noite ontem? Quente? ---Perguntou ela sorrindo pervertida, o que me fez engasgar com o pedaço de torta que estava na minha boca e me fez tossir bastante. Héstia riu e deu alguns tapinhas nas minhas costas, tentando me fazer parar de tossir.
—--Coitado do garoto, Hera. ---Disse Zeus rindo.
—--Que foi? Foi uma pergunta valida, aquela deusa de mulher no mesmo quarto que ele e ele não fez nada? Que eu saiba fiz filhos muito machos. ---Disse ela seriamente, o que me fez ficar completamente corado.
—--MÃEEE, ESTAMOS COMENDO, NÃO É HORA PRA ESSE TIPO DE PERGUNTA, POR FAVOR. ---Gritei indignado, minha mãe encolheu os ombros, sorrindo com a minha reação.
—--A noite foi bem quente, dona Hera. ---Disse Emuna entrando pela porta, me fazendo ficar ainda mais vermelho do que já estava. ---É coloca quente nisso. ---Fiquei ainda mais envergonhado com a resposta de Emuna. Então disse cobrindo meu rosto.
—--Um dia ainda morro de vergonha.
—------------------------------------- Quebra de Tempo. --------------------------------------------------------------------------------------------------
Depois do meu vergonhoso café da manhã em família, Emuna, minha mãe, Zeus e por incrível que parece Héstia, me deixaram muito envergonhados, minha mãe toda hora fazia perguntas sobre a nossa noite, me deixando completamente vermelho e envergonhado, Emuna fazia questão de responder tudo de prontidão, Zeus colocava mais lenha na fogueira e Héstia ria a todo tempo do meu rosto completamente vermelho, ela até disse enquanto ria bastante: “O Percy está mais vermelho que meus cabelos.”, não é pra menos quem não estaria? Ouvindo piadinhas pervertidas feitas pela sua própria mãe, de você, felizmente Emuna não contou sobre o meu momento de explosão e de choradeira, ela sabia que aquilo era muito delicado e não contou. Depois do café da manhã, comecei minha busca atrás de Clarisse e de Drew, pra começar minhas buscas resolvi seguir o conselho de Zeus e fui atrás de Apolo, mas infelizmente ninguém sabia onde ele havia se metido, provavelmente em alguma boate atrás de um rabo de saia, então não consegui falar com ele, então resolvi ir para as ruas, ver o que eu podia juntar de informação das meninas, felizmente tinha algumas fotos delas, Emuna foi comigo, ela se transformou em sua aparência no mundo mortal, Ester Winston, ela mantinha o mesmo corpo, lindo e repleto de curvas, mas seu rosto mudava, uma mulher por volta dos 45 anos, mais madura, com o cabelo negro com mechas brancas, seu rosto também era muito bonito. Passamos o dia todo indo em delegacias, Hospitais, prontos-socorros, fui até as escolas que ambas estudaram, mas não tinham notícias delas a meses, procurei informações em jornais, casa de abrigo de mendigos, caso elas estejam com problemas ou sem memória, fomos até a casa de tratamentos para drogados em um último ato de desespero, mas nada, nenhum sinal das garotas, elas haviam sido abduzidas por Óvnis? Estava começando a achar que era possível, tentei lembrar do meu sonho e buscar alguma informação de onde elas poderiam estar, mais nada, já havia esgotado todos os possíveis meios de buscas no mundo mortal, agora restava procurar no nosso mundo, o que não me animava em nada e que infelizmente não tinha muitas opções, acho que o melhor a se fazer era retornar para casa e tentar ir atrás de Apolo amanhã. Depois da minha longa procura parei a beira do rio Harlem, admirando-o um pouco, tentando ver se a água acalmava meus nervos e me relaxava um pouco.
—--Percy, fizemos tudo que podíamos fazer por hoje, está tarde, vamos retornar para o Olimpo, sua mãe disse pra voltarmos pro jantar. ---Lembrou-me Emuna, já estava quase anoitecendo.
—--Eu só estou ficando irritado, estou ficando sem ideias, como vou achar elas? ---Perguntei confuso, estava me sentido bem frustrado no momento. Antes que Emuna pudesse dizer alguma coisa, escutei um alto barulho de Trovão ecoar e um brilho azul forte chamar minha atenção, era um raio e não foi muito longe daqui, olhei em volta, havia alguns mortais perto de nós, mas nenhum pareceu notar o barulho ou os raios, isso só queria dizer que isso não era natural, a Nevoa estava influenciado os mortais. Olhei de relance para Emuna e ela também havia percebido, ela assentiu positivamente, então saímos correndo na direção que havíamos ouvido o barulho e visto o raio, pulei o parapeito e corri na areia dura da beira do rio, indo na direção do mesmo. Não demoro muito para que eu visse quem era que tinha feito o barulho, era um animal magnifico, tinha que admitir, um enorme pássaro, devia ser quase do mesmo tamanho da Feliz azul ou maior, ele era amarelo vivo, tinha 6 asas saindo de suas costas, duas enormes de pelo menos 3 ou 4 metros, que ficavam mais alta no seu longo corpo, uma menor de um metro e pouco, que ficava um pouco abaixo das duas primeiras e outra mais pra baixo com menos de 50 cm, sua calda dupla era longa, tão longa quanto seu corpo, sua cabeça era enorme, sem falar no seu bico negro, suas pernas eram grandes e as garras eram ainda maiores, era um Thunderbird, eu já havia lido sobre eles, o Pássaro do Trovão, é uma criatura lendária muito conhecida nas lendas de povos indígenas da América do Norte, onde é muito citado na arte, música e histórias contadas oralmente e passadas de geração a geração entre as tribos. O Thunderbird é supostamente baseado numa espécie de pássaros chamada águia careca ou águia americana, que é muito comum na região, é muito provável que você já tenha visto alguma imagem mostrando uma dessas águias junto com uma bandeira dos Estados Unidos. O nome Thunderbird, que traduzido significa literalmente “Pássaro do Trovão” se deve ao fato de que as lendas descrevem a criatura como um grande pássaro, capaz de criar tempestades e trovões enquanto voa. Ele pode partir as nuvens ao voar por entre elas, e o bater de suas asas gera o som poderoso como de um trovão. Seus olhos e garras emitem um brilho pulsante como o de um relâmpago. As lendas de algumas culturas citam o Thunderbird como sendo um único ser, mas há outras que consideram o Thunderbird uma espécie e não um ser individual. Existem ainda algumas histórias sobre Thunderbirds que podiam ganhar a forma humana, por retirar seus bicos e suas penas. Algumas lendas até mesmo dizem que alguns desses chegaram a formar famílias com humanos há muito tempo atrás, e que se alguém dessas tribos traçasse sua árvore genealógica, chegaria até seus ancestrais Thunderbirds. Alguns criptozoologistas (pesquisadores dedicados a estudar animais lendários ou desconhecidos) acreditam que as lendas sobre o Thunderbird surgiram quando povos antigos viram um animal real, mas que entrou em extinção com o passar do tempo. Mas na realidade e que o Thunderbird era uma criatura real, que tinha poderes e controles sobre a eletricidade, ela não era ligada a Zeus, era um animal antigo que provavelmente antecede a era dos deuses, era uma espécie muito rara e poderosa, elas tinham um grande laço de ódio com os Mishipesus, uma espécie de pantera aquática, apesar de ser um animal antigo eles não atacavam os humanos, pelo menos não para se alimentar deles, ao invés disso buscavam se alimentar de animais comuns, não se tinha muito conhecimento por esses belos seres magníficos, eles não eram muito sociáveis e eles não são animais para se brincar, apesar de não comerem carne humana, eles podem muito bem matar humanos se sentirem ameaçados. Este Thunderbird estava atacando alguma coisa, ele tentava acerta-la com seu bico, mas não estava conseguindo, então quando estava a algumas dezenas de metros, pude ver que ela estava atacando algum animal de quatro patas, talvez seja um cachorro pequeno, pelo seu tamanho, mas a criatura era pequena e estava escondida entre as pedras.
—--Ele está atacando aquele animal? Vamos ajudar? ---Perguntou Emuna confusa.
—--Ele deu azar, eu adoro cachorros. ---Disse sorrindo para Emuna, ela riu da minha resposta. ---Mas vamos apenas afugentar, não é pra matar.
—--Entendi. ---Disse ela seriamente, de repente ela começou a mudar sua forma, seu rosto voltou a ser a Emuna de sempre, uma linda garota de cabelos brancos, dentro dos seus fios brancos, dois pequenos chifres cilíndricos apareceram e asas de morcego negras apareceram em suas costas, de uma ponta na outra tinha mais de 4 metros, além de uma calda negra e pontuda como uma flecha, com mais o menos um metro, ela alçou voo. Concentrei-me um pouco e usando a água do Rio Harlem joguei uma quantidade de água na direção do Thunderbird, não era muito, não queria machuca-la, só queria chamar sua atenção, uma bola voou na direção do pássaro atingindo suas costas, ele balançou para frente com o impacto, ele se virou na minha direção e gorjeou irritado, de seu bico um estranho brilho azul se formou, era eletricidade.
—--Droga. ---Resmunguei, mas já era tarde demais, ele lançou o raio na minha direção, mas eu fui rápido no raciocínio, controlei um tentáculo de água do rio Harlem e deixei ele na minha frente, como esperado a eletricidade atingiu o tentáculo de água e ele conduziu o ataque do Thunderbird pra água, como esperado, água é um condutor natural de energia, então se eu fizesse da maneira correta, podia desviar os ataques elétricos sem me machucar.
—--Incrível, pensou muito rápido. ---Disse Emuna voando sobre mim, indo na direção do Thunderbird, ela balançou sua mão novamente, mas sua mão não estava comum, havia um brilho verde e símbolos nela, como o nosso selo, era magia, não era especialista nisto, mas com certeza era magia. Em resposta a seu movimento a água do Rio Harlem saiu do rio e disparou na direção do Thunderbird, atingindo seu peito e o derrubando na areia. Aquilo era magia Elemental, Emuna era uma feiticeira e tanto, ela dominou uma boa quantidade água, até um pouco mais do que eu havia usado antes no ataque. O Thunderbird se levantou rapidamente, ele gorjeou irritado para Emuna, se virou rapidamente e saiu voando na direção oposta, ele era bem rápido, apesar de estar molhado, em poucos segundo ele sumiu do campo de visão. Emuna voou pousando do meu lado, sua asa desapareceu, junto do seu chifre e da sua calda. ---Um pouco de emoção é bom.
—--Belo controle elemental de magia. ---Disse a elogiando.
—--Pois é, magia é muito útil, talvez eu possa te ensinar alguns truques. ---Disse ela sorrindo pervertida, eu ri da sua resposta.
—--Estou ansioso em aprender. ---Disse sorrindo, me virei para a rocha e caminhei até a rocha para pode ver o amiguinho que tínhamos acabado de salvar de virar lanche de Thunderbird. ---Bem, vamos dar uma olhada nessa pequena fofurinha. ---Disse me ajoelhando para olhar embaixo da pedra, quando dei uma boa olhada no “pequeno cachorrinho” levei um baita susto e cambaleei para trás, assustando Emuna com a minha reação. ---Puta merda.
—--Que foi? ---Perguntou Emuna surpresa, então ela se ajoelhou e viu também aquela pequena criatura escondida entre as pedras. ---Aiii, que fofurinha. ---Disse Emuna com a voz dengosa.
—--Toma cuida, isso ai é um Mishipeshu, eles são perigosos. ---Disse a avisando, mas ela não me deu ouvidos, ela se esticou embaixo da pedra e trouxe consigo a pequena criatura. Não havia mais dúvidas, olhando para sua aparência, era um tipo de felino negro, do tamanho de um Beagle, ele tinha uma calda quase tão longa quando seu corpo, com uma espécie de nadadeira na ponta, sua armadura natural grossa ainda não tinha se desenvolvido, então havia apenas uma pele com poucos pelos curtos, seus olhos eram amarelos chamativos e brilhantes, no seu pescoço havia guelras e entre os dedos de sua pata havia uma membrana que auxiliaria ele a nadar muito rapidamente, agora ele ainda era desse tamanho minúsculo, mas quando estivesse em sua forma adulta teria pelo menos umas quatro vezes um tamanho de um Leão adulto e pesando mais de uma tonelada de puros músculos e força.
—--Perigosos nada, olha só pra essa fofura, não me parece nem um pouco perigoso. ---Disse Emuna acariciando a cabeça do pequeno Mishipeshu, ele ronronava feliz, aproveitando a carícia, eu não colocava muita fé nele, hoje poderia ser apenas um filhote, pequeno e fraco, mas suas lendas não me deixam abaixar a guarda tão facilmente, Mishipeshu também conhecida como Mishibijiw em Ojibwe é um dos mais importantes de vários seres mitológicos da água entre muitos povos indígenas da região das florestas do Nordeste e dos Grandes Lagos, particularmente entre os Anishinaabe, Mishipeshu traduz-se em "o grande lince", é uma criatura poderosa nas tradições mitológicas de algumas tribos nativas americanas, particularmente tribos anishinaabe, Odawa, Ojibwe e Potawatomi, da região dos Grandes Lagos do Canadá e dos Estados Unidos. Além dos Anishinaabeg, os Innu também têm histórias sobre essa rara criatura lendária, para os Algonquins, a pantera subaquática era o mundo subterrâneo mais poderoso. O Ojibwe tradicionalmente os manteve como mestres de todas as criaturas da água, incluindo cobras. Algumas versões da lenda da criação de Nanabozho referem-se a comunidades inteiras de lince de água. Nas mitologias dos povos indígenas dos Grandes Lagos, as panteras subaquáticas são descritas como monstros de água que vivem em oposição aos Thunderbirds, mestres dos poderes do ar, talvez seja por isso que aquele enorme Thunderbird estava atacando, aproveitando que a pantera era apenas um filhote, não deixando ele se desenvolver até sua forma adulta. As panteras subaquáticas são vistas como uma força oposta, mas complementar aos Thunderbirds, e estão envolvidas no conflito eterno. As criaturas são pensadas para rugir ou sibilar nos sons de tempestades ou corridas rápidas. Mishipizheu dizia que viviam nas partes mais profundas de lagos e rios, onde eles podem causar tempestades. Algumas tradições acreditavam que as panteras subaquáticas eram úteis, criaturas protetoras, mas mais frequentemente eram vistas como bestas malévolas que trouxeram a morte e infortúnio. Muitas vezes eles precisam ser aplacados para uma passagem segura em um lago. Até a década de 1950, os índios da Prairie Band of Potawatomi realizaram uma cerimônia tradicional para aplacar a Pantera do Submundo e manter o equilíbrio com o Thunderbird. Mas tudo isso não passava de uma mera mitologia criada por homens mortais, ela não trazia tempestades, nem ao menos doenças e morte, bem, morte elas até traziam quando encontravam alguns humanos apetitosos para devorar, a verdade era que ele era um monstro aquático, que vivem solitários, mas de tempos em tempos se juntam pra reproduzir, já disse como odeio quando monstros fazem isso? Se reproduzem? É mais dor de cabeça, aqueles filhotinhos fracos, que um dia se tornaram feras devoradoras de gente. Eles não tinham grandes habilidades mágicas, na verdade, eles eram monstros fortes, aquela armadura de escamas de dragão eram bastante resistentes, eles eram velozes dentro d'água, mortíferos quando colocavam suas presas em algo com vida, era um monstro complicado de se lidar pelo tamanho, força, velocidade e resistência. ---A deixa de ser mocinha, olha só essa fofura, ele é inofensivo. ---Disse Emuna chamando minha atenção, ela estava muito próxima de mim, quase esfregando a criatura em mim, recuei dois passos assustados.
—--Pode até ser fofo e inofensivo agora, mas um dia será uma criatura poderosa e mortal. ---Disse levemente irritado.
—--Tudo bem, se você tem tanto medo dele, fica à vontade e elimine essa pobre criatura. ---Disse Emuna levemente irritada, colocando a criaturinha no chão. ---Eu não vou fazer isso.
—--Tudo bem, eu faço. ---Disse entre os dentes, me concentrei em fazer uma espada de gelo, em resposta as águas do Rio Harlem vieram até minha mão e se solidificando e se transformando em espada. Olhei para a pequena criaturinha, ela estava sentada, me olhando com aqueles grandes olhos amarelos, tudo bem, tenho que admitir que ele era uma criatura fofinha. A pequena criaturinha veio na minha direção, ela ergueu sua patinha e tentou bater na minha perna, dei um passo para trás, ela errou seu ataque, mas ela não se abateu, voltou a tentar atacar. ---Desculpa, amiguinho. ---Disse pesarosamente, me preparei para atacar, o pequeno Mishipeshu conseguiu alcançar meus sapatos e agarrou eles, tentando morder, sorri com a brincadeira da pequena criatura.
—--Você não vai matar? ---Perguntou Emuna contentando o riso. ---Faça de uma vez.
—--Vou fazer. ---Disse seriamente, olhei de novo para a criaturinha, ela ainda brincava com a barra da minha calça, teve um momento que ela escorregou e caiu de costas, ela mexeu suas patinhas freneticamente no ar, tendo dificuldade de se virar. Sorri com aquela cena, era muito fofa.
—--Você não vai conseguir, assumi. ---Disse Emuna rindo, ela veio até a criatura e a pegou novamente no colo. ---Larga essa espada.
—--Você tem razão, não vou conseguir. ---Disse largando a espada, deixando-a se tornar água de novo e escorrer de volta ao Rio Harlem, acariciei a cabeça da pequena criatura, ela ronronou feliz, igual a um gatinho. ---O que faremos com ele?
—--Que tal adotarmos ele? ---Perguntou Emuna, olhei para ela incrédula.
—--Eu não posso simplesmente adotar um animal místico, sou um semideus, normalmente tentamos nos matar, não fazer a amizade. ---Disse eufórico.
—--E daí? Porque as coisas não podem ser diferentes? ---Perguntou Emuna levemente irritada. ---Porque você não adota ele, cuida dele, ama ele, ensina ele que semideuses não são apenas comida, até mesmo eu depois de milhares de anos, pude aprender isso, todos merecemos uma segunda chance.
—--Você tem razão, vamos cuidar dessa pequena coisinha, ele será um bom aliado. ---Disse sorrindo, então eu peguei a pantera de seus braços, ela se aconchegou em meus braços, aproveitando o calor.
—--Que nome vamos dar pra ela? ---Perguntou Emuna sorrindo. Pensei por um segundo, desde a minha infância eu quis ter um animal de estimação comum, algo que não fosse a Pandora, que era provavelmente mais inteligente que eu, ou Festus que é um dragão de bronze, e sempre teve um nome que sempre quis colocar em um animal que não tivesse um nome e agora estava tendo essa chance.
—--Que tal Joia?!
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