Notas iniciais
Capítulo triplo hoje em....

POV: Perseus Heitor Jackson.

Depois das estranhas revelações que tive, estava meio aturdido com a quantidade de informações que havia recebido, essa era a verdade, primeiro aquele estranho sonho que tive com Ligea, até agora não sei se foi fruto da minha imaginação ou de algum lugar, Ligea estava olhando por mim, rezando por minha felicidade, ver ela naquele sonho me fez sentir-me muito melhor, imaginar, não, mais que isso, eu queria acreditar que existia um lugar, não apenas o esquecimento para espíritos da natureza, tinha que existir algo a mais, não era justo não existir, mas a vida nunca é justa, sou o maior exemplo disso, porém eu tinha fé, queria ter fé nisso, enfim, é claro que ainda não havia superado sua morte, longe disso, mas eu me sentia melhor, mais calmo, sentindo menos dor. Mas mesmo estando mais calmo, estava ainda mais confuso, Emuna era Deep ou Deep era Emuna? Durante todo o tempo que conheci ele, aquilo era estranho, conviver com alguém que realmente nunca foi ele, mas fazia sentido, todos os Tritões me odiavam, qual seria o motivo, razão dele gostar de mim, mas nem era a parte mais confusa de tudo que está acontecendo comigo, Emuna havia feito uma espécie de ligação entre nós, eu não tinha a menor noção do que era essa ligação e não conhecer as coisas me assusta, ainda mais sendo neto de quem sou, mas pela descrição de Emuna, isso me deixou mais tranquilo, algo que se ela quebrasse poderia custar sua vida, sua imortalidade de monstro, além disso ela tinha o benefício da dúvida, já que salvou minha vida, porém a contraponto, não fazia muito tempo, ela mesma tentou tirar a minha, não entendia muito bem porque ela fez aquilo, mas eu não estava correndo perigo como ela, pelo que ela me explicou, eu era o senhor dela, uma espécie de comandante supremo e se ela saísse apenas um pouquinho do que eu fala-se e ordena-se, isso faria ela sentir dores, nas melhores das hipóteses, então isso quer dizer que ela estava disposta a me servir? Bem, ter uma aliada como ela não era nada ruim, ela pode se transformar em qualquer um, pelo que eu sabia das Súcubos até mesmo animais, além disso ela é totalmente submissa as minhas ordens, apesar de achar aquilo completamente estranho, isso era inegavelmente muito útil pra mim. Depois de toda nossa conversa, eu levei Emuna para minha casa em Montauk, arrumamos toda aquela bagunça que eu havia feito, enquanto eu varria alguns cacos de vidro, me ocorreu uma coisa, Emuna havia ligado para uma loja de construção e tinha pedido tudo aquilo que eu havia quebrado, banheira, vaso, Tv, sofá e ela nem ao menos falou em nada que eu precisava pagar, bem, eu tinha algumas centenas de dólares na minha conta e mais alguns investidos, eu havia levado vários anos para reformar essa casa e acabei destruindo tudo em poucos minutos, havia reformado essa casa com meu dinheiro, dinheiro que consegui trabalhando pesado, normalmente como mecânico, fazia alguns trabalhos para motoristas, cobrava barato e era bastante requisitado, pelo menos nos meses do meu exilio ou antes, quando comecei o novo projeto de construção desta casa, não aceitei o dinheiro do meu pai, dei aulas particulares na internet, cobrando alguns dólares por hora, aos poucos construí tudo, mas eu não tinha grande reservas para bancar tudo que havia comprado aqui.

—--Emuna. ---Chamei ela, ela estava entrando de novo no meu chalé, ela tinha acabado de carregar os restos dos sofás quebrado para fora. ---Você tem dinheiro pra pagar as coisas que pediu? ---Perguntei confuso, ela deu de ombros. ---Eu não tenho.

—--Tenho, não precisa se preocupar. ---Disse ela sorrindo.

—--Muito obrigado pela ajuda, mas como você tem dinheiro? ---Perguntei confuso.

—--No mundo mortal, eu tenho uma identidade falsa, onde vivo como uma mera humana, tenho meu trabalho e tenho meu dinheiro. ---Disse ela vindo na minha direção, ela tirou da sua bolsa um documento e trouxe pra mim, eu peguei o documento e olhei pra ele. ---Ester Winston, é meu atual nome no mundo mortal. ---A identidade tinha esse nome, mas na foto havia outra mulher, uma mulher por volta dos 35 anos, mais madura, com o cabelo negro com mechas brancas, seu rosto também era muito bonito, não dava pra ver o resto do corpo.

—--Entendi, então qual o ramo que você trabalha? ---Perguntei curioso devolvendo a identidade pra ela.

—--Cinematográfico, sou uma produtora de filmes com renome mundial. ---Disse ela distraidamente.

—--Incrível, qual seu gênero de filme favorito pra trabalhar? ---Perguntei animado em saber.

—--Produtora de filmes pornô. ---Respondeu ela com simplicidade, eu engasguei com a saliva, o que a fez rir. ---O que foi? Tem algum problema com isso? Se você quer saber dá muito dinheiro, dinheiro honesto.

—--Problema nenhum. ---Disse rapidamente sem graça, corado, sem saber o que dizer naquela situação constrangedora. ---Acho que não poderia esperar outra coisa de uma Súcubo.

—--Então você acha que somos vadias, vulgares e demoníacas? ---Perguntou Emuna irritada.

—--Não, não, claro que não. ---Disse rapidamente, corando bastante e sem graça, agora eu estava em um sinuca de bico. ---Cada um faz o que bem entender com sua vida, só nunca conheci uma produtora de filmes adultos... bem, acho que é normal, eu acho, se tem demanda, tem que produzir... ---Emuna riu da minha reação.

—--Relaxa, estou apenas brincando, além disso, se você quer mesmo saber é igual a qualquer outro filme. ---Disse ela se virando e indo em direção a outra pilha de entulho.

—--Você tem razão, tirando o fato de todos estarem sem roupa e transando é igual a qualquer outro filme. ---Disse distraidamente, enquanto varria.

—--Sou conhecida pelo pessoal como a rainha do pornô, fiz dezenas de filmes de sucesso e ganhei diversos prêmios, inclusive indicação ao Oscar, mas naquele filme deixei um pouco de lado o pornô e foquei mais na história, no enredo e no drama, ficou legal. ---Disse Emuna distraidamente, ela falava daquilo com uma simplicidade tremenda, bem, acho que pra ela era algo simples, do seu dia a dia.

—--Legal, depois quero assistir algum dos seus filmes. ---Disse distraidamente, então senti um tapa na minha bunda, me virei encarando Emuna, ela sorria pervertida.

—--Porque não fazemos um com você? Aposto que as garotas vão te adorar sendo o ator. ---Disse ela sorrindo pervertida, eu ri alto e disse:

—--Nem pensar.

—------------------------------------ Quebra de Tempo. ---------------------------------------------------------------------------------------------

Me teletransportei para o Olimpo, precisava resolver algumas coisas, estava nervoso, triste, mas eu tinha que ser homem e enfrentar a minha realidade, resolver meus problemas, apesar de saber que a maioria desses problemas foram feitos por minha imaturidade, meu orgulho e minha fraqueza, por isso toda a culpa e todas as consequências deviam decair-se sobre mim, eu tinha plena consciência disso. Eu deixei Emuna na minha casa em Montauk, acho que agora ela vai viver comigo, pelo menos ela deixou bem claro que vai viver comigo, usou exatamente estás palavras, disse que fazia parte do selo ficar perto de seu amo, um fortalecendo o outro, então eu pedi para ela me dar um tempo, até eu saber como vou explicar pra minha mãe, que arrumei um monstro escravo e sexy, acho que ela vai ficar muito brava, mas eu não tive muita escolha, eu estava inconsciente quando Emuna fez o selo de submissão, além disso, não tem como ser desfeito, pelo que Emuna me explicou por cima, então tenho que conviver com isso, bem, não me pareceu tão ruim ter um monstro milionário e que faz tudo que eu mando, tudo mesmo, não pense besteira, eu ainda não fiz aquilo, sexo, ainda não estou pronto para seguir em frente dessa forma. Enquanto caminhava pelo Olimpo, alguns dos moradores me viam e me saldavam, como o príncipe e herói do Olimpo, aquela bajulação irritante de sempre, se eles soubessem a quantidade de erros e fraquezas que eu tenho, eles nunca me tratariam dessa forma. Me encaminhei direto para o Palácio de Hefesto, sabia que Afrodite provavelmente estaria ali, foi ela a quem mais magoei, falando aquelas coisas horríveis, por ela que tinha que começar a resolver as coisas, tentar amenizar o problema. Avistei o palácio do meu irmão, ele era lindo, quatro andares da mais requintada e moderna tecnologia, feito de alvenaria e metal por fora, pintado de Cinza chumbo e preto, era bonito ao meu ver é com toda certeza mais moderno que os outros, com certeza era o palácio mais moderno dentre todos os outros, haviam autômatos fazendo limpeza envolta do palácio, porém não havia jardins, Hefesto não gostava muito de plantas, afinal, ele era o deus do fogo, ele gostava mesmo é de queimar as plantas, mas se fizesse isso, Deméter ficaria bastante irritada com ele. Eu sabia que Afrodite ia estar aqui, desde que eles voltaram com seu relacionamento, ela veio viver com Hefesto, deixando o seu belo palácio um pouco de lado. Cheguei em frente a porta de entrada, haviam algumas câmeras e outros sensores para captar os visitantes, então não me dei ao trabalho de tocar a campainha ou bater na enorme porta de metal da entrada. A porta foi se abrindo no meio, indo para os lados, bem ao estilo dos jogos modernos futuristas, Hefesto gostava disso, mas quem não gostaria? É incrivelmente legal, diga-se de passagem. Respirei fundo e fui caminhando pra dentro, estava com meu coração apertado, cheio de culpa é raiva de mim, logo avistei meu irmão, ele estava sozinho, me olhava seriamente, ele não parecia irritado, bem, eu nunca o vi irritado de verdade, exceto quando ele socou Ares a tantos anos atrás, fui me aproximando dele, estava tremendo levemente, minhas pernas estavam bambas, e com uma enorme vontade de desistir, não que eu tivesse medo do meu irmão, até preferiria que ele me espanca-se até a morte, do que ter que pedir desculpas, bem, eu até merecia ser espancado.

—--Hefesto, eu precisava me desculpar com Afrodite, ela está aqui? ---Perguntei parando em sua frente. Eu olhava para baixo, prós meus pés, não tinha coragem de encarar meu irmão nos olhos, sentia uma vergonha tão grande, mas tão grande que parecia que meu mundo iria desabar ou qualquer coisa do tipo.

—--Olhe na minha cara, irmão. ---Disse Hefesto seriamente, com dificuldades eu o obedeci, ele ainda estava totalmente sério, seus olhos vermelhos como fogo estavam sérios e tristes.

—--Eu sei que venho agido como um idiota e até merecia ser punido por isso, então se você quiser me punir, eu não vou questionar....

—--Percy, você não merece ser punido. ---Disse Hefesto sorrindo brevemente, seus olhos demonstravam compaixão, sinceridade, carinho. Senti meus olhos se encherem de lágrimas. ---Nunca mereceu ser punido, mesmo dizendo aquelas coisas horríveis pra Afrodite, confesso que fiquei um pouco irritado com você no princípio, mas mamãe me disse tudo que aconteceu.

—--Eu não mereço ser tratado assim, eu errei tanto, mais tanto, magoei pessoas que não mereciam ser magoados. ---Disse chorando, Hefesto em resposta me deu um abraço apertado, tentei retribuir o abraço da melhor forma, Hefesto era muito grande e forte.

—--Percy, não diga estás coisas, você é o mais magoado aqui, você perdeu Ligea, eu via em seus olhos o quanto você amava aquela garota...

—--Mas isso não é desculpa, não é desculpa para agir feito um animal. ---Disse tristemente, Hefesto separou o abraço e me encarou seriamente, apoiando sua enorme mão em meus ombros.

—--Percy, sei muito bem que isso não é desculpa, mas é compreensível, eu tento entender a raiva que você está sentido dentro de você, raiva por ter perdido o amor de sua vida. ---Disse ele seriamente. ---O amor é assim, faz você pensar que o em cima é em baixo, e o que é em baixo e em cima, e que o certo é errado, e o errado é certo, então, não diga que toda a culpa é sua, não é só sua, são também das coisas horríveis que aconteceram com você, então apenas conserte os seus erros da melhor forma que você puder.

—--Estou cansado de consertar os meus erros, parece que só faço isso da minha vida, conserta os erros, estou começando a achar que o erro está em mim, que eu sou um mau caráter, um monstro...

—--Não diga isso, Percy. ---Disse Hefesto me interrompendo, sua voz saiu um pouco mais irritada que o normal. ---Você não é um mau caráter, muito menos um monstro, erros acontecem com todos, todos comentemos erros, não somos máquinas perfeitas, nem os deuses são perfeitos. ---Disse ele seriamente, lembrei-me das palavras de meu pai, quando estava no mar. ---Mas o que realmente dita o caráter, não é o fato de você não cometer erros, mas sim o que você faz para consertar estes erros, meu irmão. ---Aquelas palavras do meu irmão me fizeram me sentir um pouco mais forte, mais calmo e preparados para as coisas que tinha que fazer a seguir, sorri para ele, ele tinha razão, eu podia cometer vários erros, mas eu podia conserta-los da melhor forma possível.

—--Eu vou consertar meus erros, vou resolver tudo. ---Prometi para Hefesto, ele assentiu sorrindo, ele estava prestes a me dizer algo.

—--PERCY. ---Ouvi uma grito feliz e infantil do outro lado, me virei e avistei minha pequena afilhada, Antonieta, ela veio correndo na minha direção rapidamente, sorrindo, aquela imagem fez meu coração ser preenchido de felicidade, por mais que a poucos instantes ele estivesse escurecido de tristeza e dor. Ela pulou no meu colo e abraçou meu pescoço com força, me dando um demorado beijo no rosto, senti meus olhos se encherem de lágrimas, mas não somente lágrimas de tristeza, mas também de felicidade, felicidade de ver o quanto eu era amado e querido pelos meus familiares e triste pela mesma razão, pois eu não era digno de ser amado dessa forma. ---Que bom que você está bem, estava tão preocupada.

—--O meu amor, você estava preocupada comigo? ---Perguntei sorrindo, ela assentiu sorrindo. Dei um beijo em seu rosto. ---Você não está brava comigo? Triste?

—--Não, seu bobinho, eu nunca vou ficar brava com você, você é meu padrinho, sempre vou te amar. ---Disse ela sorrindo, aquela resposta foi como um tapa no meu rosto, mas mesmo que aquilo fosse um tapa, eu não conseguia parar de sorrir, era impossível não sorrir sentindo o carrinho e o amor que a Antonieta demonstrava por mim. ---Eu vou sempre te amar, Ligea se foi, sei que você está triste. ---Disse ela sorrindo tristemente. ---Mas eu vou respeitar e honrar minha rival, vou cuidar de você e te dar o amor dobrado, para não te ver mais triste. ---Ouvir aquelas palavras de Antonieta me deixaram sem palavras, eu só conseguia chorar, chorar de felicidade.

—--Obrigado, obrigado, meu amor. ---Disse chorando e abraçando com força, ela abraçava meu pescoço. ---Ligea ficaria feliz em saber que sua eterna rival, amadureceu tanto assim.

—--Eu só quero ver você feliz, faço qualquer coisa pra te ver sorrindo. ---Antonieta repetiu as mesmas palavras que eu a disse, no dia que ela estava triste, achando que eu ia abandona-la pela Ligea. Antonieta era tão pura, tão bela, tanto por dentro, quanto por fora. De repente Antonieta beliscou meu rosto com força, encarei ela confuso, ela me olhou irritado. ---Da próxima vez que você gritar com a minha mamãe, dizer aquelas coisas feias pra ela, eu vou bater em você. ---Brigou ela comigo.

—--Antonieta, não seja malvada com o Percy, ele está com problemas....

—--Mas isso não é desculpa pra ele brigar com a mamãe. ---Disse Antonieta irritada, interrompendo seu pai. ---Mamãe está chorando, triste, ela também gosta muito do Percy, ela não merecia ouvir aquilo.

—--Antonieta, você não entende, isso é coisa de adultos...

—--Não, irmão, Antonieta entende melhor do que você acha. ---Disse interrompendo Hefesto, Antonieta era tão boa e sábia pra sua pouca idade, apesar dela ser extremamente parecida com a minha mãe, as vezes. ---Ela tem razão, nenhuma desculpa é suficiente pra amenizar o que fiz a Afrodite, eu tenho que resolver as coisas da maneira certa, onde Afrodite está? Quero conversar com ela.

—--Ela está no nosso quarto, no último andar. ---Disse Hefesto se aproximando, ele pegou Antonieta do meu colo e assentiu seriamente pra mim, comecei a caminhar na direção das escadas.

—--Percy. ---Chamou Antonieta, me virei e encarei ela, ela estava sorrindo pra mim. ---Depois que você se desculpar com a mamãe, você precisa falar com a vovó Hera, ela está tão tristonha também.

—--Eu vou, eu vou resolver tudo, não se preocupa, Antonieta. ---Prometi para ela. ---Confie no seu padrinho, no seu tolo padrinho, dessa vez eu vou fazer tudo certo. ---Disse forçando um sorriso pra ela, ela assentiu sorrindo.

—--Eu sei. ---Disse Antonieta sorrindo. ---Eu sempre confio em você.

Comecei a subir as escadas sozinho, indo em direção a Afrodite, a cada passo mais próximo, eu sentia um aperto no coração, era muito mais fácil você cobrar algo errado de alguém, do que assumir seus erros e pedir perdão por eles. Passei pelas escadas até chegar ao último andar, o quarto andar era literalmente o quarto do meu irmão, era enorme, havia de tudo aqui, desde algumas invenções inacabadas a obras de artes, esculturas, Autômatos, eram tantas coisas que você ficava até um pouco atordoado. Mas então eu escutei um choro vindo na direção da cama ao fundo, escutar aquilo cortou meu coração, eu fiz Afrodite chorar, por minha culpa, por essa raiva em meu peito, todas aquelas coisas horríveis que eu disse, só de pensar em que elas estivessem sido ditas pra mim, eu me sentia tão mau. Respirei fundo algumas vezes, criando coragem para encarar aquilo, quando estava apenas alguns passos da cama, eu pude ver Afrodite, ela estava chorando compulsivamente, com sua cabeça enterrada nos travesseiros, ela estava vestida totalmente maltrapilha, o que com certeza não era comum pra ela.

—--Afrodite. ---Chamei em voz alta, ela se levantou em um pulo, seus cabelos estravam desarrumados, seus olhos inchados e vermelhos e seu rosto estava amassado por ela ter passado várias horas com o rosto enterrado nos travesseiros chorando. Seus olhos me encaravam espantados, eles até me pareciam estar amedrontados. ---Eu... Eu vim aqui para...

—--Você veio aqui pra me insultar mais? ---Perguntou ela levemente irritada, sua voz saiu chiada e rouca. ---O maldito amor que represento é somente dor e desespero, não é mesmo? ---Perguntou ela chorando, aquilo acabou comigo, teria sido muito melhor ela ter me espancado do que dizer aquilo. Eu tentei responder, mas ela já emendou. ---É assim que eu te agradeci, por me trazer Hefesto de volta, matando a pobre da Ligea, tudo isso porque sou uma maldita, vagabunda. ---Disse ela com a voz chorosa, aquilo cortava meu coração e fazia as lágrimas escorrerem por minha face livremente. ---Eu quero ver a dor e o desespero de todo aquele que ama, esse é o verdadeiro amor que eu represento? ---Perguntou ela chorando, eu não sabia responder aquilo, eu não conseguia dizer nada. ---Eu sei que sou desprezível, uma deusa inútil e fútil, eu estou tentando mudar por eles, pelo meu amor por ambos, mas dizer aquilo na frente da minha pequena Antonieta, ela não merecia saber que sua mãe não passa de uma vagabunda e traidora....

—--Não diga isso, por favor, não diga isso. ---Disse a interrompendo, eu me ajoelhei em frente a Afrodite. ---Você nunca foi assim, nunca, eu que sou desprezível, eu que sou ridículo, eu que cometo tantos erros, você é uma ótima deusa, uma ótima mãe e uma esposa maravilhosa pro meu irmão, você não merecia ouvir aquilo, Antonieta não merecia ver aquela cena, eu nunca, nunca vou me perdoar por ter dito aquilo, eu sei que você sempre me ajudou, sempre gostou muito de mim, você sempre me mimou, você sempre me apoiou da melhor forma que podia, nunca eu poderia ter dito aquelas coisas horríveis, eu nem ao menos devia ter pensado daquela forma, não importa como, não importa por quanto tempo, eu vou consertar as coisas, vou honrar você e vou me redimir... ---Afrodite tentou levar a mão até meu rosto, mas eu me afastei.

—--Percy...

—--Não, não, por favor, não encoste em mim, eu não mereço seu perdão, sua compaixão, muito menos seu amor. ---Disse de cabeça baixa, chorando. ---Por favor me odeie, me bata, me mate se isso te fazer sentir-se melhor, só não pense no que eu disse, nem que seja apenas por um segundo que você merecia ter ouvido aquilo, que você é aquilo, eu que estou totalmente errado...

—--Percy, para de dizer isso. ---Brigou Afrodite irritada, eu levantei meus olhos e a encarei, ela parecia estar levemente irritada, mas a tristeza em seus olhos havia desaparecido. ---Percy, entenda uma coisa, para você amar outra pessoa, para perdoar outra pessoa, você antes disso precisa se amar, antes disso você precisa se perdoar. ---Disse Afrodite se ajoelhando na minha frente, ela sorriu e me abraçou, demorei um tempo para retribuir o abraço, ela era quente e reconfortante. ---Como você pode amar outra pessoa, se não consegue nem ao menos se amar, esse é o segredo para buscar a felicidade, amar a si próprio, Percy.

—--------------------------------- Quebra de Tempo. ------------------------------------------------------------------------------------------------

Enquanto caminhava pelo Olimpo, indo em direção da casa da minha mãe, minha cabeça estava dispersa nos mais diferentes pensamentos e estavam a todo vapor. Afrodite e Antonieta me trataram tão bem, mas tão bem, elas nunca estiveram com raiva de mim, nem por um único momento, elas me perdoaram antes mesmo de eu mesmo fazer isso, sinceramente até agora, eu não havia me perdoado por completo, ainda sentia um pouco de raiva do que fiz, porém eu havia entendido o que Afrodite havia dito pra mim, amar a si mesmo, perdoar a si mesmo, esse era o segredo para seguir em frente, buscar a felicidade, eu sinceramente não conseguia compreender o que aquelas palavras representavam, quem não se ama? Eu me amo, claro que quero ser feliz, mas de alguma forma, que eu mesmo não entendo, eu não consigo ser feliz, eu apenas não consigo. Cheguei ao enorme portão da minha casa, melhor dizendo, da casa da minha mãe, fui entrando e entrei pela porta, tudo estava em silencio.

—--Mãe. ---Chamei alto, não houve nenhuma resposta, talvez ela não esteja em casa? É uma possibilidade, acho melhor voltar uma outra hora, para conversar com ela. Espera Percy, deixa de ser mole, você precisa fazer isso, sei que a vergonha e tristeza está grande, mas eu tenho que me desculpar com a minha mãe. Fui entrando pra dentro. ---Mãe, sou eu o Percy. ---Chamei mais alto, então eu escutei a resposta.

—--Percy? ---Chamou ela de algum lugar lá encima, respirei fundo.

—--Sim, sou eu mãe. ---Disse alto, então escutei ela vir correndo, logo ela apareceu na escada, ela já estava vestida com roupas de dormir, uma camisola longa e azul, bem já era tarde, eu enrolei o dia todo e fiquei um bom tempo com Afrodite, Hefesto e Antonieta, assim que minha mãe me viu, seus olhos que pareciam preocupados se acalmaram.

—--Ai, que bom. ---Disse ela sorrindo feliz, ela veio descendo a escada rapidamente. ---Estava tão preocupada. ---Disse ela me dando um abraço de urso, retribui o abraço com a mesma intensidade, não importa o quanto eu estivesse ruim, abraçar minha mãe sempre me fazia sentir-me melhor. Ficamos durante um grande tempo abraçados, curtindo a presença um do outro.

—--Mãe, me desculpe, eu venho agido como um retardado...

—--Não, meu bebê, não se preocupe. ---Disse ela me interrompendo, ela separou o abraço e beijou meu rosto docemente. ---Eu sei, eu sei de tudo, não precisa se desculpar, você perdeu Ligea, você só está com raiva e dor, não precisa se preocupar, eu sempre vou estar aqui por você, pra você, sempre vou cuidar de você, meu amor. ---Disse ela beijando meu rosto novamente, senti as lágrimas molharem meu rosto, minha mãe sempre conseguia me emocionar. ---Não importa o quanto você esteja triste, quebrado, eu vou te ajudar, vou te dar carinho e amor. ---Disse ela beijando meu rosto novamente, confesso que quase toda a dor que sentia se foi, junto com o desespero.

—--Mãe, eu me desculpei com Afrodite e a Antonieta. ---Disse sorrindo, os ombros da minha mãe pareceram relaxar ainda mais.

—--Deuses, que ótima notícia, você havia sido bem....

—--Maldoso? Idiota? Rancoroso? Estúpido? ---Perguntei a interrompendo, ela me olhou levemente irritada, por ter sido interrompida.

—--Inconveniente. ---Disse ela seriamente, eu sorri, só minha mãe pra me defender dessa forma, ela sorriu com meu sorriso. ---Então, me conta como foi as coisas com as meninas?

—--Foram até tranquilas demais, achei que elas estivessem magoadas e irritadas comigo, mas não estavam, Antonieta me tratou tão bem, disse coisas tão maravilhosas, estou tão impressionado com o grande coração que ela tem.

—--Sim, Antonieta é muito pura, muito mesmo, ela me lembra tanto você quando era mais novo. ---Disse minha mãe sorrindo, acariciando meu rosto, sorri com as palavras dela, mesmo que soubesse que não merecia ser comparado com Antonieta. ---Enquanto Afrodite?

—--Ela me perdoou, aceitou minhas desculpas. ---Disse sorrindo tristemente, claro que estava feliz por ter resolvido uma parte do problema, mas eu ainda estava triste pelo modo que agi. ---Mãe, ela me disse uma coisa, eu não consegui entender muito bem.

—--O que ela disse? ---Perguntou minha mãe seriamente.

—--Ela disse que pra eu poder ser perdoado, eu tinha que me perdoar, para eu amar, eu tinha que me amar antes disso, eu não consegui compreender isso.

—--Entendo, Afrodite tem razão, o auto amor é necessário para poder criar um relacionamento amoroso forte e duradouro, você se amar, se perdoar, se gostar, é o primeiro passo para poder amar outra pessoa. ---Disse minha mãe seriamente. ---Mas talvez para você, com seu defeito mortal, sua lealdade extrema, isso será a coisa mais difícil que você poderia fazer, se perdoar, se amar, ser feliz, buscar sua própria felicidade acima das demais.

—--Você está me dizendo que não consigo ser feliz? Que você não me quer ver feliz? ---Perguntei confuso, ela negou com a cabeça de imediato.

—--Não, filho, claro que você pode ser feliz, claro que eu quero que você seja feliz, você vai ser feliz. ---Disse minha mãe sorrindo acolhedoramente, mas sua expressão voltou a se tornar seria. ---O que eu quero dizer é que para qualquer outra pessoa, é muito mais fácil colocar a sua felicidade acima das demais, colocar seu bem estar acima das demais, ser um pouco mais egoísta, mas pra você não é tão fácil.

—--Eu entendo agora. ---Disse seriamente, eu realmente conseguia entender o que minha mãe e Afrodite estavam tentando me dizer, parando para analisar, elas tinham razão, eu sempre fui uma espécie de idiota bondoso, sempre tentei colocar a felicidade das pessoas ao meu redor acima da minha, sempre, era meio que automático fazer aquilo, eu era realmente assim, sempre me culpei demais, sempre me esforcei demais pelos outros, era o meu modo de ser, era inconsciente. Mas eu estava tão cansado de ser assim, ser o maldito herói imbecil que se arrisca, se arrisca pra salvar todo mundo, e no final acaba só se dando mau, estava tão quebrado e fudido, essa era a verdade. ---Eu não quero ser assim, mãe, eu quero ser feliz, quero buscar minha felicidade, eu quero ser feliz.

—--Percy, eu vou te ajudar, nós vamos conseguir, juntos vamos buscar sua felicidade, eu prometo. ---Disse ela me abraçando novamente, com força, ficamos durante mais um tempo assim, curtindo a presença um do outro. De repente ela se afastou e me analisou com calma, ela me olhava tão firmemente que parecia estar lendo minha alma. ---Tem alguma coisa muito diferente contigo.

—--Diferente? Diferente como? ---Perguntei confuso, estava tão perdido nos meus sentimentos confusos, pensando em Ligea, pensando em Afrodite e Antonieta, pensando nos meus erros, na minha tristeza, que demorei a entender o que seria esse algo diferente em mim. Espera, não é possível que minha mãe possa sentir o meu pacto? Ou seria? Em resposta as minhas dúvidas, minha mãe balançou a mão na minha frente, seus olhos brilhando um pouco mais castanhos, senti novamente a leve pressão no meu dedo, então vi que o selo de submissão ficou amostra, ela pegou minha mão e olhou atentamente ao símbolo.

—--Selo do amor.