Percy Jackson e o Ciclope (Percabeth)
6 Quíron estraga meu dia
Notas iniciais
Ficamos sentados olhando o mar em silêncio durante uma hora. Então, Annabeth caiu no sono e, inconscientemente, apoiou-se em meu ombro.
Esperei até que ela acordasse, o que não demorou muito. Acho que meu ombro não é muito confortável. Quando viu onde estava deitada, corou e pediu desculpas. Eu apenas sorri.
Ela resolveu deitar-se e eu fiquei de guarda. Não vi nada e resolvi não acordar Annabeth para o próximo turno. Ela precisava descansar, eu ficaria no seu lugar.
Quando amanheceu, peguei algumas barrinhas de cereais. O pão havia acabado.
– Ótimo – resmunguei – Que refeição boa...
– Do que está reclamando, Cabeça de Alga? – perguntou alguém atrás de mim
Era Annabeth. Havia tomado banho e penteado o cabelo. Estava muito bonita.
– Hã...
Ela levantou a sobrancelha.
– Quer dizer – corrigi-me – Estava reclamando de ter que comer barrinhas de novo!
Ela sentou-se ao meu lado.
– Fique tranquilo. Logo vamos chegar ao acampamento — disse
– Se sobrevivermos — observei
– Não seja tão pessimista, Percy. Talvez o ciclope nos escute.
– Não sei, Annabeth. Estou com medo. Acho que não devia ter te colocado nesta missão — confessei
– O quê? Somos uma equipe, lembra?
– Essa frase é minha – eu ri
Ficamos em silêncio por algum tempo.
– Annabeth, posso fazer uma pergunta?
– Sim?
– Você pretendia se juntar às Caçadoras?
Seu rosto assumiu uma expressão séria.
– Sim, Percy. Pretendia – ela concordou
– É por que não se juntou?
– Acho que você sabe a resposta.
– Não, não sei — admiti
Ela me encarou.
– Percy, foi por sua causa. Depois que você me salvou, eu comecei a duvidar se queria mesmo ser uma donzela eterna.
– Hã... – eu não sabia o que dizer – Bom, eu agradeço por não ter feito isso.
Ela colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.
– Só isso que me diz? Eu mereço muito mais por ter recusado a imortalidade por sua causa.
Isso me pegou de surpresa.
– O que você quer que eu faça para demonstrar minha gratidão? — perguntei
– Bom, você não terminou o que ia falar antes de sermos atacados pelos lestrigões. Talvez, se valer a pena o que disser, eu aceite como um bom agradecimento.
Eu estava perdido. Não sabia o que falar.
– Onde eu estava? – perguntei
– Você estava dizendo o que sente por mim.
– Eu...eu... – gaguejei
– Você pode fazer melhor que isso.
– E você não está ajudando! – acusei
– Mas eu já disse o que sinto.
– Se me permite dizer, eu não entendi muito bem o que você sente. Poderia repetir?
Ela sorriu.
– Alguém está ficando muito convencido!
– Acho que não é novidade que eu não entenda o que você diz! É complicado conversar com você, tenho que pensar em cada palavra que falo!
Ela parecia envergonhada.
– Mas vale a pena – completei
Annabeth sorriu e isso compensou tudo.
– Então, vai me dizer explicitamente o que sente ou não? – indaguei
– Eu já disse, Cabeça de Alga! E não me faça repetir.
– Então, sou eu quem fala agora? – perguntei
– Exatamente – ela respondeu.
– Como eu dizia antes de sermos interrompidos, sinto por você o mesmo que disse sentir por mim.
Ela parece gostar disso, pois sorriu.
– Bom, foi uma boa resposta, mas ainda não é suficiente.
– O quê? – indaguei. Saiu um pouco alto demais – O que você quer que eu faça?
Annabeth me olhou de esguelha, analisando-me. Então inclinou-se em minha direção, aproximando-se cada vez mais. Meu coração disparou...
E alguém atrás de mim pigarreou.
Meu único pensamento foi: Ah, cara! Não dá para esperar um pouco...Mas era tarde demais. Annabeth abriu os olhos e afastou-se rapidamente.
Eu me virei e vi uma Mensagem de Íris do Acampamento Meio-Sangue. Era hora do café da manhã e todos os campistas estavam no pavilhão de refeitório. Muitos nos olhavam boquiabertos. Outros seguravam a risada e alguns, como os campistas de Ares, riam alto.
– Interrompemos alguma coisa? – perguntou Clarisse. Todos os campistas de Ares gargalharam.
Annabeth estava muito vermelha.
– Quietos, pestinhas! – gritou o Sr. D – Ou transformo todos vocês em golfinhos!
Todos se silenciaram.
Quíron batia os cascos no chão, pouco à vontade. Um pedido de desculpas expresso em seus olhos.
– Hã – começou – Percy, Annabeth. Desculpe-nos a aparição repentina, mas precisávamos saber da missão.
Annabeth contou tudo. A falta de ataques, a visita de Atena e o plano de Cronos.
– Cronos está fazendo uma jogada arriscada – disse Quíron — Isso significa que vocês devem ter mais cuidado na presença do gigante. Posso lhes dar algumas dicas. Quando o encontrarem, não deixem as armas à vista, pois ele se sentirá desafiado. Porém, mantenham-nas a fácil alcance, caso ele os ataque. Comecem contando o plano de Cronos e digam que ele não precisa se unir ao deuses, pode ficar livre. A única coisa que precisa fazer é não aliar-se a Cronos. Assim, ele não se sente pressionado. Outro item importante: caso ele não aceite, fujam É quase impossível lutar contra Bruce.
Annabeth e Quíron trocaram mais algumas ideias.
– Agora precisamos voltar para nossas atividades– disse o centauro – Mais uma vez, desculpem-nos pela interrupção – Muitos campistas riram – E boa sorte!
Ele agitou a mão e a mensagem sumiu.
– Bom... – falei – Agora sabemos que não poderemos lutar contra o ciclope.
– Mantenha o foco, Cabeça de Alga – disse Annabeth, que ainda estava vermelha.
Vi que ela não queria falar sobre o que estava prestes a fazer...antes de sermos interompidos. Como não queria brigar com Annabeth de novo, me calei.
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