Percy Jackson e as alianças de Ouro
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Aquela noite não podia ser melhor. Depois de comer pratos muito diferentes de tudo o que eu já tinha comido, sentar no píer de um docas e observar a lua enquanto me preparava para pedir Annabeth em casamento, sentir o frio no pé da espinha, pensando nas palavras certas á serem ditas... Aquilo,mesmo que devesse ser fácil depois de anos juntos, eu ainda ficava sem palavras perto dela. Ela ainda conseguia me fazer me sentir bobo e inseguro. Por isso pensei nas palavras certas, algo que traduzissem tudo o que sentia e senti todos esses anos, cada momento em que estivemos juntos. Cada perfeito e precioso momento.
Agora que tinha feito o pedido e ela aceitado, ficar sentado na madeira dura e envelhecida de um docas não me parecia o melhor programa para a noite. Tínhamos ficados noivos nesta mesma noite, jantado num restaurante italiano na Inglaterra e assistido ao por do sol num docas do Rio Tâmisa, mas ainda assim, depois de fazer coisas tão diferentes, não sentia vontade de ir embora.
Olhei para Annabeth, enérgica, balançando os pés para extravasar a adrenalina. Seus cabelos balançavam suavemente ao vento, e o vestido realçava as curvas de seu corpo.
Queria diverti-la, tira-la da chatice de ver as ondas do rio oscilarem, e acima de tudo, fazer dessa noite inesquecível.
Pensei em todas as coisas que sabia sobre Londres. Era uma cidade famosa pro seu charme e beleza artificial, criada pelo home, além das belas fontes naturais de riqueza que deixavam o país com cara de conto de fadas, como os enormes parques coberto de flores da estação e arvores que se contorciam cobertas de folhas coloridas. Também tinha o BigBang, o castelo da família real e a ponte suspensa Inglesa que fora construída sobre o Rio Tâmisa já encorpado. Os teatros e museus eram bons lugares para leva-la, mas duvido que ainda estejam abertos para visitação há essa hora da madrugada.
A menos que passássemos a noite e o dia seguinte em Londres,não tínhamos como fazer mais passeios sem que estivéssemos infringindo a lei. E ser deportado era a última coisa que queria que acontecesse no dia em que ficamos noivos. Ter fixa criminal não é um projeto de vida.
O subir e descer dos barcos ancorados me deixavam sonolento. As escunas e lanchas, protegidas por capas pretas de lona as praticamente as escondiam na escuridão, mas da mesma forma podia-se notar seu balançar. O cheiro da água não ajudava a me manter acordado, tão pouco Annabeth parecia estar se aguentando.
–Porque não damos um passeio de lancha?- Annabeth estava quase dormindo encostada em meu braço. Ela gemeu protestos mas assentiu.
–Não tem ninguém aqui além de nós, não podemos pegar uma lancha sem permissão.
Me levantei ajeitando a roupa no corpo, puxei para baixo a barra de seu vestido enquanto a ajudava a se levantar, ela pegou minha mão e caminhamos até uma lancha próxima, maior do que as outras.
Mesmo que estivéssemos sozinhos, não queria correr o risco de ter minha esposa como alvo de olhares naga ingênuos.
–Voltaremos rápido- tirei a lona de cima da parte aberta da lancha e a dobrei, guardando-a no mesmo lugar- E como você disse, não tem ninguém aqui além de nós. Não vão notar a diferença nem fará falta.
–Isso é imprudente- Ela pegou minha mão e subiu.
Fomos até a cabine do piloto com todos os comandos no painel. Por sorte- ou idiotice do dono- encontramos as chaves escondidas em baixo do banco. Ligamos o motor, os tanques estavam cheios de combustível, dei partida e as pás que circulavam na água fizeram o barco se mover. Annabeth puxou a corrente que o prendia no docas, o soltando, e dessa forma começamos nosso passeio pelo jovem Rio Tâmisa, até sua forma adulta.
Ela se sentou ao meu lado e tirou os sapatos, deixando seus pés sobre o painel. Passamos em frente á muitos restaurantes na beira do rio, algumas lojas de conveniência que ofereciam ótimos preços por fotografias dos clientes fantasiados de rainha e príncipes da Inglaterra. As mesmas canecas e máscaras de Kate e o príncipe Willian, junto com o bebê.
Passamos por um píer onde podia se ver a London Eye, ou como era conhecida pelos londrinos, a Millennium Wheel, a maior roda gigante do mundo. Suas enormes hastes de ferro conectadas ao gigante arco de metal eram presas no chão por concreto, pedra e cimento, além de pinos de construção civil para sustentar as toneladas de aço e cabines suspensas. As lanternas coloridas estavam desligadas, mas continuavam charmosas. Ao redor da roda Gigante, os prédios antigos com telhados rebaixados davam a impressão de que estávamos num filme antigo. Ao lado dela, beirando o rio Tâmisa, uma pista de gelo fora desativada por alguns dias por motivos técnicos, a baixo dela havia uma ponte com acesso até a areia que margeava o rio Tâmisa.
Imaginei aquela roda gigante em funcionamento com todas aquelas luzes piscando e a musica temática, como seria divertido ver tudo aquilo de cima, ver os castelos ingleses e os telhados achatados e caídos, o transito repleto de ônibus vermelhos de dois andares e os turistas tirando fotos a cada momento.
–Queria ver isso funcionando- disse para Annabeth
–É uma pena que tenhamos que voltar hoje- ela se sentou corretamente, com os pés no chão- Queria poder ficar e ver tudo o que tenho vontade de conhecer... O castelo, o relógio e as lojas de doces ingleses, os monumentais de J.K Rowling. Imagine a maior biblioteca do mundo, os quadros e as outras de arte... Meu pai ficaria louco se conhecesse o museu das guerras.
Deixar Londres sem visitar seus pontos turísticos é a mesma coisa de não visita-la. Quando fomos para Paris visitamos a Torre Eiffel mesmo que não estivesse iluminada e sem visitantes além de nós. Fora um dos lugares mais bonitos que já estive, e tive a sensação de que estaria perdendo as belezas únicas de Londres se não as aproveitasse ainda esta noite.
–Podemos ficar- disse, sem ter certezas de minhas próprias palavras- Podemos encontrar um hotel e irmos embora no dia seguinte, depois de conhecer todos esses lugares.
Annabeth pareceu tentada a aceitar, sua cara de pensativa de bico e sobrancelhas juntas deixavam claro que ela estava pensando em mil motivos para aceitar ou não.
–Amanhã nós trabalhamos, não somos mais crianças, temos que cumprir e respeitar nossas responsabilidades- Ela estava sendo compreensiva com minha vontade de ficar, ela também queria. Mas estava certa, tínhamos que trabalhar no dia seguinte, mas até lá podíamos fazer dessa noite a melhor de todas sem termos que passar por tantos lugares diferentes- Vamos ver a parte de cima da lancha- Ela me pegou pelo braço e me puxou junto com ela.
Coincidentemente ou não estávamos passando por baixo da ponte suspensa de Londres, por fatores óbvios de se tratar de uma rua que ligava uma parte da cidade á outra, assim como Manhattan ao Brooklyn e Broonks, as luzes continuavam acessas por toda sua extensão, até se juntarem as luzes dos postes e outdoors eletrônicos.
Parei a lancha ao lado da ponte, de forma que pudéssemos ver suas luzes e as outras poucas que restaram de uma grande cidade iluminada, agora parada. Subimos a íngreme escada presa á parede até a parte de cima, onde haviam sofás de couro, uma televisão e frigobar.
Enquanto abria uma garrafa de champagne Annabeth observava os detalhes da lancha, declinada sobre o parapeito. Quando a entreguei sua taça, ela apontou para o casal de patos que nadava em frente ao nosso barco, em direção á margem.
–Incrível como a natureza interagem com as mudanças humanas. Veja, os patos ainda nadam neste rio apesar de ter que dividi-lo com barcos. É incrível e triste.
Pensei nos peixes abissais que evidentemente não gostavam de dividir seu espaço com nós, seres humanos.
–Estive pensando...-recomeçou ela, depois de dar um gole em seu champagne- O que você pediria em troca do colar de Afrodite? Claro, se estiver pensando numa outra viagem poderíamos trocar por outra coisa que pudemos aproveitar por mais tempo, como coisas pra casa... Então pense direito no que vai pedir, porque...
–Annabeth- interrompi.
–Que foi.
–Quer mesmo saber o que vou pedir em troca do colar?- Eu não queria contar á ela entes da hora, queria que fosse surpresa, mas esconder as coisas de Annabeth nunca dão certo.
–Conte- ela fez que sim com a cabeça, dando mais um gole em sua taça- Estou me matando de curiosidade desde que saímos de casa.
– Não queria ter que te contar agora- confessei, estudando sua reação- Queria fazer uma surpresa, mas sei que você descobriria e não teria graça depois.- Ela fez cara de desculpas, mas deixou que eu continuasse- Queria pedir que ela organizasse nosso casamento. Imagina como seria uma festa organizada pela deusa do amor... Seria de outro mundo, Annabeth. Mas tenho que trazer Afrodite até aqui se quiser devolver o colar, ou viajar até Nova Iorque e vê-la pessoalmente.
–Viajar até Nova Iorque? Perto das nossas provas finais?
–Isso ou chamar a atenção dela.
Annabeth me observou por alguns instantes, sustentei seu olhar até que ela se voltasse inteiramente para mim, me puxando para mais perto, até que eu estivesse á centímetros de seu rosto.
–Isso é lindo. Bem melhor do que qualquer coisa que poderia pedir- ela passou os braços ao redor do meu pescoço, segurando a taça atrás da minha cabeça- Essa festa será linda, mesmo se Afrodite nos ajudar ou não. De qualquer forma não é a beleza ou quantos dólares foram gastos que importá, o que vale é que você vai estar comigo, dali pra sempre.
–Eu sempre estive.
A apertei contra mim, num abraço apertado, Annabeth deitou a cabeça sobre meu ombro e a prendi com os braços em volta de sua cintura. Ela se afundou, fungando, cheirando minha camisa.
–Não sei como vou trazer Afrodite até aqui, também não sei se vou conseguir fazer isso sozinho. Quero que seja o quanto antes, esperamos tempo suficiente...
Annabeth levantou a cabeça, deixando-a de frente para mim, me encarando nos olhos.
Estava tão linda que tive que me esforçar para prestar atenção no que estava falando.
–Faremos isso juntos, e faremos isso hoje.
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