Notas iniciais
Demorei 3 dias para postar, mas quando se está no meio do mato sem sinal não dá pra fazer muita coisa. Principalmente agora que estou terminando de ver Mirai Nikki. Bom, este capítulo é muito romântico, espero que gostem.

Assim como o restante do museu, a sala dos frisos era mal iluminado. Tudo o que conseguíamos ver era por causa das luzes que contornavam o corredor e das lâmpadas presas por pendentes acima das obras.

Annabeth estava quieta, andava por entre os artigos enfileirados com as sobrancelhas franzidas e fazendo bico, como normalmente fazia quando estava pensativa. Ela não disse nada sobre o que estava pensando, tão pouco mostrou interesse em dizer.

Ela avançou em direção aos frisos e passou as mãos nos contornos e concavidades dos desenhos, pouco se importando com a possibilidade de disparar os alarmes.

–Vamos procurar alguma estátua dedicada á Afrodite e fazer o que viemos fazer- chamei, tendo o cuidado de não chateá-la de novo.

–Tudo bem- ela concordou.

Procuramos por algum objeto que pertencera á Afrodite ou alguma escultura da deusa. Não havia muita coisa que fosse especificamente para a deusa do amor, mas em compensação, se fossemos fazer uma oferenda e invocar a presença de Atena, aquele seria o lugar certo.

Haviam cabeças e bustos da deusa, esculturas da deusa segurando diversas armas, além de espadas de duas lâminas, armas frisadas, escudos enormes, lanças com três pontas e outras armas que eu não soube identificar.

Os frisos nada mais eram do que pedaços de paredes cobertas por gesso com desenhos geralmente de pessoas ou objetos como jarros de barro e cestas de frutas. Alguns deles tinham imagem dos deuses, como nos frisos em que observamos, a imagem de Atena e seus súditos espalhados por toda a parede de gesso.

–Estive pensando- disparou Annabeth- Para invocarmos um deus precisamos de algo para oferecer enquanto queimamos.

Não tínhamos nada para oferecer á deusa, muito menos lugar para queimar.

–O que está pensando em fazer?

Ela mordeu os lábios.

–Eletricidade- Ela apontou para os cabos que saiam do teto- Podemos fazer um pequeno incêndio. Mas ainda não sei o que queimar.

Olhamos em volta, procurando por alguma opção. Não tinha nada que pudéssemos queimar que chamasse a atenção de Afrodite. Queimar as cortinas não fariam diferença para ela. Era insignificante.

–Se queimássemos a pintura?- sugeri

– A pintura de Vênus?- Annabeth juntou as sobrancelhas perfeitamente feitas- Bom...

Esperei que ela continuasse.

–Ok. Se não der certo vamos estar com um baita problema. Aliás, não sei se vai funcionar, já que estaremos sacrificando uma obra feita para Vênus, não Afrodite.

– Vamos tentar.

Descemos as escadas as presas e com cuidado para ao ativarmos os alarmes, tiramos a pintura da parede. Annabeth estourou uma lâmpada e com os fios fez faíscas, fazendo com que a barra da cortina tivesse chamas leves. Ela soprou cobrindo as mãos em concha, e em poucos segundos as chamas eram bem maiores.

Tiramos o papel da tela de dentro da moldura e deixamos as chamas subirem em labaredas pelas pernas de Vênus, ate que as cores avermelhadas cobrissem seu corpo.

–Rápido, me dê as mãos.

Annabeth fechou os olhos e apertou fortemente minhas mãos nas dela.

–Afrodite, aceite nossa oferenda e se materialize. Temos algo para oferecer, algo de seu interesse.

Esperamos que algo acontecesse, as chamas corroíam a pintura com rapidez, até que o alarme de incêndio e os extintores de teto foram ativados com a fumaça, nos cobrindo por uma cortina giratória de água.

–Vamos sair daqui- puxei Annabeth para a porta á tempo de ver seguranças correndo até a sala onde estávamos. Nos escondemos atrás das escadas até que eles passassem.

Ouvimos alguns chingos e a movimentação dentro da sala, corremos agachados até as portas de acesso restrito, de lá entramos por outras duas portas, que nos levaram até um corredor que nos levou á uma sala repleta de monitores de computadores onde a imagem das salas de todas as exposições mudavam de posição, mostrando cada ponto, até o mais restrito.

Perto da máquina de café havia um rapaz de no mínimo vinte anos, ele escondia o rosto da luz dos monitores com seu chapéu de segurança, e apoiado na parede sendo usado como travesseiro, havia um casaco de moletom verde escuro.

Procuramos por outra porta, uma que pudesse nos levar para fora do museu.

–A janela- sussurrou Annabeth. Ela apontou para a janela semi fechada ao lado do rapaz que dormia, engatinhou até ela e subiu vagarosamente a parte de cima, deixando espaço para que passássemos. Annabeth passou primeiro a perna direita, depois a esquerda. Ajudei que ela descesse segurando suas mãos, ela escalou o muro até seus pés baterem no chão, e da mesma forma que ela eu desci, cambaleando para trás quando pulei os três metros de altura entre a janela e o jardim que contornava o British Museum.

–Você está bem?- limpei a fuligem perto de seu queixo.

–Estou... é só que... Teremos que invocar Afrodite em outro lugar.

Olhei para o céu. A noite era muito escura, tão escura que imaginei ser duas ou três horas da madrugada. Peguei as mãos de Annabeth e beijei sua testa mais uma vez. Ela sorriu e suspirou, tirando o mapa de algum lugar que eu nem imaginava onde ela poderia ter guardado.

–O que mais tem ai?- Olhei para seu vestido, enquanto ela puxava o canudo de papel de dentro do decote.

–Não interessa.

Ela desenrolou o papel e o esticou em sua frente, se escondendo atrás dele.

–Muito bem, temos mais seis lugares para visitarmos. São possíveis lugares onde Afrodite gostaria de ir, caso pudesse visitar Londres sem ser incomodada.

–É melhor sairmos daqui- continuou ela- Melhor não ficarmos perto do museu quando a polícia chegar.

Caminhamos pela calçada gelada e vazia procurando algum lugar que pudéssemos ficar até decidirmos o que fazer. Segurei os sapatos de salto de Annabeth para que ela pudesse se concentrar no mapa.

Não muito longe dali com iluminação digna e fazendo jus aos impostos recolhidos pela cidade, um parque semelhante aos de Nova Iorque se estendia á um quarteirão inteiro. Nos sentamos num banco de madeira revestida por verniz, Annabeth continuou olhando para o mapa, e em seguida para o parque ao seu redor. Ela se virou para mim, surpresa, e depois apontou para o pedaço de papel que deixara no colo.

–Qual é o nome deste lugar?- perguntou ela, olhando inquieta para os lados.

– Na entrada tem uma placa- apontei para o ponto iluminado por um poste alguns metros em nossa frente- Ela diz que estamos no Hyde Park, ou como eu prefiro chamar, “Imitação britânica do Central Park”.

Ela deu de ombros.

– Estamos exatamente num dos pontos selecionados- Ela se levantou- Vamos, não podemos desperdiçar nenhum minuto.Temos que encontrar Afrodite.

As luzes das luminárias piscaram, acentuando seu rosto. Annabeth tinha a feição de uma garotinha animada para brincar, e ao mesmo tempo a seriedade de uma mulher responsável que cumpria com seu dever. Fazia tempos que eu não a via assim, podia até sentir a adrenalina formar bolhas dentro do seu sangue. Seus olhos brilhavam da mesma forma de quando empunhava uma espada quando era mais nova. Era quase como se sentisse falta de decapitar monstros e receber ameaças e juras de vingança.

–Está animada?

–Estou me sentindo uma garotinha- ela confessou- Também não gostou de correr perigo? Quebrar algumas regras? Por mais que tenha sido errado e perigoso, foi legal para variar.

–Foi ótimo, mas ultimamente tenho sentido esse frio na barriga dias seguidos.

–Dias seguidos?-ela repetiu. Eu tinha conseguido deixar um ponto de interrogação em sua cabeça. Aquilo me fez sorrir.

–Desde que decidi te pedir em casamento.

Ela corou.

Puxei Annabeth para minhas costas. Ela cruzou as pernas ao meu redor, trançando-os em minha barriga.

–E para onde vamos cavalgar, cavaleira?

–Tem alguma ponte?

–Se tiverem imitado o Central Park como o original, então deve ter uma.

Annabeth riu.

–Então vamos cavalgar para lá- Ela apontou para um amontoado de pequenas luzes que ziguezagueavam sem rumo pela escuridão fúnebre do parque.

–Até os vaga-lumes?

–Isso. Mas aquilo não são vaga-lumes, Cabeça de Alga. São baratas Sul americanas.

***

O Hyde Park não era exatamente como o Central Park como eu imaginava. O parque londrino era uma versão melhorada de uma coisa já melhorada, ou seja, era quase de faz de conta.

As flores mesmo no escuro eram vívidas, as folhas refletiam a luz da lua num perfeito verde esmeralda. As lojinhas fechadas pareciam vender coisas de qualidade, não as lembrancinhas e suvenires feitos no porão da casa de quem vendia como os de Nova Iorque. Até os sorvetes tinham a aparência de ter sido importados, a água da fonte era tão limpa que fazendo-a de espelho era possível ver os poros do rosto.

–Baratas da América do Sul?-retomei o assunto.

–Sim. De alguma forma foram trazidas até a Europa. O que me surpreende é o fato de terem sobrevivido a longa viagem de um continente inteiro e se acostumarem ao frio da Inglaterra. Na América do Sul faz tanto calor que até mesmo o verão londrino teria as matado de frio.

– Então quer dizer que vamos entrar no meio da nuvem de baratas? Não acho que Afrodite vai gostar de ser invocada num lugar como este.

–As baratas não vão ficar quando chegarmos.... Ei- Annabeth me cutucou- O biólogo é você!

–No dia em que essas baratas criarem nadadeiras ai sim vou saber sobre elas.

Chegamos á ponte. Como Annabeth dissera, ao chegarmos, a nuvem cintilante de baratas latinas se dissipou. Continuei andando com Annabeth em minhas costas, seus braços ao redor do meu pescoço. As nuvens cobriam a lua, e a brisa da madrugada faziam as copas das arvores e os cabelos de Annabeth balançarem. A água turbilhoava, fazendo círculos.

–Muito bem- Annabeth pulou para o chão- Agora precisamos de algo para queimar.

Annabeth devia ter me chamado uma dezena de vezes até que eu desse atenção á ela. O parque estava tão bonito que era impossível não parar para olha-lo.

–Podemos esperar um pouco- peguei sua mão e a trouxe para meu lado- Olhe para os peixes subindo para a superfície, pulando. Feche os olhos e escute o silêncio.

Ela obedeceu, deixou os ombros caírem e respirou fundo, fazendo o ar fresco preencher seus pulmões.

–Ainda é cedo- disse, perto de seu ouvido- E como você disse antes, para invocar a deusa do amor, só precisamos de amor.

Dei um beijo em seu rosto, ela estremeceu. Ainda de olhos fechados relaxou o corpo e deixou as mãos sobre o guarda corpos que cercava a ponte.

– Só precisamos de amor- ela repetiu- E isso nós temos de sobra.

Annabeth se virou, seus olhos fechados tremiam de ansiedade, a lua, agora livre do empecilho das nuvens, iluminavam seus cabelos loiros, claros como areia. Ela suspirava bastante, parecia uma adolescente prestes a dar o primeiro beijo.

E eu seria o cara que tocaria seus lábios pela primeira vez.

–Não vai me beijar?- suas sobrancelhas loiras se franziram.

–Desculpe.

Nosso beijo foi lento mas cheio de ternura. Seus lábios estavam frios por causa do vento, mas o resto de seu corpo estava em chamas. Ela pousou os braços ao meu redor, como sempre fazia, apertei os meus em sua cintura e nos aprofundamos mais no beijo, demorando um pouco para recuperarmos o ar.

Por viver tanto tempo com Annabeth e ter a chance de beija-la quando quisesse, não era sempre que me sentia assim. Geralmente os calafrios aconteciam bastante no incio de nosso namoro, mas agora as borboletas no estomago votaram a aparecer. Notei que ela se sentia da mesma forma, me beijando ardentemente como se nunca mais fossemos nos ver. Parecia até que estávamos sob uma força, ou até mesmo uma aura. Aquilo mexia com meu estomago, fazendo-o dar voltas.

–Tão romântico!- alguém em nossas costas estava rindo. Sua voz era aguda e fina, quase eletrônica- Tão Romântico que me dá náuseas!

Notas finais
Comentem! Estou ansiosa para escrever o próximo capítulo! Estou cheia de ideias C: