Notas iniciais
Me desculpem, eu sei que não tenho desculpa para isso, mas mesmo assim me desculpem. Estava preocupado com a Faculdade e estava com um mega bloqueio de criatividade e mesmo agora estou com ele mas mesmo assim consegui postar esse. Vou continuar e não vou abandonar a fic não sem ates terminar então mesmo que demore, eu continuarei.

Pov. Perseus

Ao chegar ao palácio, meu pai se vira para mim e diz:

— Vá para o seu quarto e descanse, Perseus, enquanto há tempo, pois irei chamar Ártemis para lhe informar que o colocarei como guardião da caçada, e veja se me ajuda, que vai ser difícil convencê-la, já que não revelarei a sua identidade, para que você possa sobreviver num primeiro momento, mas será você quem decidirá quando deverá se revelar.

Depois de ouvir isso, curvo-me ao meu pai e vou para o meu quarto, e, ao chegar lá, surpreendo-me ao ver Hestia me esperando. Quando ela me viu, pulou no meu pescoço e me abraçou fortemente, como se temesse que eu pudesse sumir e não voltar. Depois que ela me soltou, sentei-me na minha cama e ela se sentou no meu colo, como sempre fazia, e me perguntou como andava a minha vida depois que saí do Tártaro. Não me surpreendi por ela ser uma das pessoas que sabia que eu tinha voltado, já que tínhamos uma conexão forte um com o outro, e, assim que ela pediu, contei tudo o que aconteceu desde que saí do Tártaro até a minha recente volta, mas, mesmo ela insistindo, não contei o que ocorreu no Tártaro, pois o que aconteceu lá deve permanecer lá, já que até em meus piores pesadelos aquela semana volta para me atormentar. Para mudar de assunto, perguntei-lhe:

— Quem, além de você, titia Hestia, sabe que eu voltei? — Sua mãe, sua tia Deméter e Atena, e elas estão loucas para te ver, mas sabem que isso revelaria que você, além de ter voltado, fugiu do Tártaro, e faria com que Zeus voltasse a te perseguir, já que ele acha que o herói da profecia é outro, e não você. Mas, para dizer a verdade, ele nem está lembrando que você existe — ela respondeu. — E Apolo, Hermes e Ártemis? — pergunto, curioso. — Não falamos nada para Apolo e Hermes por sabermos que eles não se segurariam e falariam da sua volta, e não falamos para Ártemis, pois, como você será o guardião dela, sei que ficará o mais longe possível de suas caçadoras, mesmo que seja a Thalia — disse essa última parte não como afirmação, mas como ordem —, para que elas não te matassem rápido demais, principalmente a Thalia, que te mataria na hora por não teres avisado que tinha voltado, ou pelo menos que tinha saído do Tártaro — ela me respondeu. — Já que é assim, tudo bem, pode deixar, ficarei longe das caçadoras, e principalmente da Thalia, mesmo estando morrendo de saudade dela — terminei de falar, fazendo aquela carinha do gato do Shrek. — E é para ficar longe mesmo, e não adianta fazer essa cara de cachorrinho pidão, que não vai funcionar — disse Hestia, com o seu jeito de mãe.

Eu iria retrucar quando um dos servos do meu pai adentrou no quarto, dizendo:

— Desculpe a interrupção, My Lord e My Lady, mas o senhor Hades pede a presença do seu filho na sala do trono, e pediu que fosse com uma capa cobrindo todo o corpo, e principalmente o rosto. — Obrigado — disse ao servo, e virei-me para Hestia. — Titia, acho que terei que deixá-la a sós, pois meu pai provavelmente já falou com Ártemis, e eu terei que ir. — Sim, eu sei, meu campeão. Terei que ir também, para que ninguém sinta a minha falta, mas nunca se esqueça: sempre terás um lugar à lareira para ti, meu amor — dizendo isso, ela desapareceu de volta para o Olimpo, e eu me preparei para ir à sala do trono do meu pai e, assim, encontrar a deusa da lua e da caçada, aquela que seria a minha senhora dali por diante, mesmo achando que eu iria morrer muito em breve.

Pov. Hades

Depois de Perseus sair para o seu quarto, esperei um pouco e fui falar com Perséfone, contando-lhe que ele tinha voltado, e pedi que mantivesse segredo. Depois disso, esperei mais um pouco antes de chamar Ártemis, para dar tempo ao meu filho de conversar com Hestia, que eu sabia que estava lá esperando por ele, até que não pude mais esperar e mandei uma Íris-Mensagem para a deusa caçadora.

Pov. Ártemis

Estava tranquila no acampamento caçador, descansando um pouco antes da próxima caçada, quando recebo uma Íris-Mensagem e me surpreendo com quem me mandou.

— Tio Hades, a que devo a honra de me chamar? — pergunto gentilmente. — Ártemis, preciso que você venha ao meu reino imediatamente, pois preciso falar com você sobre assuntos urgentes, que não poderiam esperar o conselho olímpico, principalmente porque os meus irmãos iriam encrencar com a ideia. — Mas por que quer conversar comigo, ainda mais sabendo que isso desagradaria meu pai e meu tio? — perguntei, curiosa. — Porque isso diz respeito a você, e meus irmãos iriam implicar por ser eu a dar a ideia, e, se quiser saber mais, terá que vir aqui imediatamente — disse Hades, passando a mão sobre a mensagem e desfazendo a conexão.

Voltei para o acampamento e disse à minha tenente Thalia:

— Thalia, vou ao reino de Hades, pois ele quer conversar comigo pessoalmente, e devo voltar no máximo daqui a duas horas. Fique de olho em tudo para mim. — Sim, minha senhora, mas o que o tio Hades poderia querer com a senhora, que pediu para falar com ele pessoalmente e não no conselho? — respondeu-me minha tenente. — Não me disse — respondi —, mas pretendo descobrir.

Dizendo isso, teletransportei-me para o reino do meu tio e fui direto à sala do trono, onde sabia que ele estaria. Ao chegar lá, perguntei:

— O que desejas falar comigo, tio, que é tão importante que não pode esperar o conselho nem a aprovação do meu pai? — Como você deve ter percebido em suas caçadas, os monstros estão mais difíceis de matar — Hades me disse. — Sim, tio, mas intensifiquei os treinamentos das minhas caçadoras para corrigir esse desleixo meu, que permitiu que as caçadoras ficassem mais fracas — disse, até que meu tio me cortou, dizendo: — Não são suas caçadoras que estão mais fracas, e sim os monstros que estão mais fortes — Hades disse. — Mas como isso é possível? — perguntei, chocada. — Uma nova guerra está prestes a eclodir, e, pelo visto, o Tártaro está contra os olímpicos — respondeu meu tio. — Uma guerra contra a própria personificação do poço? — disse, chocada. — Isso não é possível, mal vencemos Gaia, e agora a personificação do poço vem nos atacar. — Creio que ele não seja o nosso real inimigo — disse meu tio, chocando-me ainda mais. — Receio que haja alguém por trás dele, no comando desta guerra, alguém que seja mais forte. — Impossível — disse ao meu tio. — Alguém mais forte que um primordial? A única pessoa em quem chego a pensar é no próprio Caos, mas ele está desaparecido — olhei-o assustada com o pensamento que me veio à mente, e digo, já temendo o pior: — achas, tio, que Caos pode ter retornado e se voltado contra o Olimpo?

Hades me respondeu na mesma hora, sem nem mesmo pestanejar ou se abalar com a minha teoria:

— Não é Caos que está nos atacando, isso posso lhe garantir, ainda mais porque ele não estava realmente desaparecido, e eu sabia mais ou menos do seu paradeiro, e, além do mais, foi ele próprio que veio avisar sobre essa nova ameaça e sobre a nova profecia que virá a acontecer, e que provavelmente pode ser o fim dos olímpicos, mas ainda temos uma chance de sobreviver, e, para isso, precisamos de suas caçadoras, e por isso irei, sem permissão dos meus irmãos, colocar um guardião na caçada.

Depois de ele dizer isso, fiquei chocada com tudo, ainda mais por ele falar que colocaria um guardião na caçada sem o consentimento do meu pai e do meu tio Poseidon, e, pelo visto, sem o meu consentimento também, mas não deixaria que isso ocorresse, não deixaria que um homem entrasse na caçada, ainda mais porque nem eu nem minhas caçadoras precisávamos de um guardião. Por isso, disse ao meu tio Hades:

— Não vou aceitar um pobre projeto de herói que se acha o todo-poderoso perto das minhas caçadoras, ainda mais porque ele não resistiria nem um minuto no acampamento caçador.

Mas o meu tio me respondeu assim:

— Não te preocupes, pois ele não fará nada às tuas caçadoras, e, além do mais, ele não se acha o todo-poderoso, sem contar que sabes muito bem que as caçadoras não precisam de ninguém para protegê-las, e eu não faria isso se não fosse o próprio Caos quem me pediu, pois foi por esse motivo que conseguimos fazer com que ele viesse nos ajudar, pois, de outro modo, ele nem entraria na guerra, e, se entrasse e fosse do lado dos olímpicos, já seria tarde demais. Só te peço que o vejas e o avalies por ti mesma, não revelarei o seu nome nem a sua origem, para que as tuas caçadoras não o matem quando souberem quem ele é, mas posso te garantir uma coisa: ele as protegerá com toda a sua força e com a sua vida, pois, para meu desespero, o seu defeito fatal é a lealdade.

Fiquei sem palavras com o que Hades me disse, mas resolvi dar a essa criatura, fosse quem fosse, o benefício da dúvida, então disse:

— Traze-o aqui, tio, e deixa-me vê-lo.

Assim que disse isso, ele chamou um dos seus servos e mandou que fosse ao quarto chamá-lo. Assim que ele chegou, fiquei impressionada com o seu porte altivo, como se fosse da realeza, e foi isso que me passou pela cabeça, mas também com a sua aura de poder, que era enorme, tão grande quanto a de um deus olímpico, mas negra como a do meu tio. No entanto, dava para perceber que era um semideus. Meu pensamento foi que eu estava diante do príncipe do submundo, o herdeiro de Hades, e isso se confirmou quando ele se curvou e se ajoelhou perante meu tio, dizendo:

— Mandastes me chamar, pai?

Isso meu tio respondeu:

— Sim, meu filho, como te disse mais cedo, vou colocar-te como guardião das caçadoras de Ártemis, mas ela pediu para poder ver-te, para facilitar a tua chegada ao acampamento caçador. — Nunca disse que facilitaria nada para ele, tio — digo, em resposta à sua fala. — Nem disse que aceitaria ele como guardião.

Nesse instante, o semideus se virou para mim, olhou-me nos olhos (que eram a única coisa que se podia ver, com a capa que cobria a sua cabeça desde que entrou na sala do trono) e me surpreendi ao ver um par de olhos verdes, misturados com preto e raiados de castanho, mas o que mais me surpreendeu foi como eles pareciam familiares, como se eu não os visse há tempos e tivesse sentido a sua falta. Mas esse contato foi breve, pois ele se curvou e se ajoelhou diante de mim, sem levantar o rosto, e perguntou:

— Poderia saber o que vos incomoda, My Lady? Sei que as vossas caçadoras são fortes o suficiente e não dependem de ninguém para se defender, talvez sejam as mais fortes dos grupos que existem aqui na Terra, e, sinceramente, não sei o porquê de meu pai me pedir para proteger um grupo que não precisa de proteção, mas, se me deixardes ser o guardião da vossa caçada, juro sobre o Estige e sobre Caos que as protegerei com a minha vida, e, mesmo depois de morto, continuarei a protegê-las, nem que, para isso, tenha que enfrentar a fúria de Tânatos, do meu pai, ou de qualquer outro ser que tente me impedir.

Não sei dizer quem estava mais chocado com o juramento que aquele garoto fez, se era eu ou Hades, ainda mais quando um trovão trovejou forte, e um barulho, como se fosse de uma bomba de hidrogênio junto com uma atômica explodindo, foi ouvido, encerrando assim o juramento daquele tolo herói, que acabara de assinar a sua tortura eterna caso falhasse no seu juramento. Mas acho que foi isso que me convenceu de que ele não faria mal às minhas caçadoras, e sim as protegeria, por isso lhe dei o benefício da dúvida:

— Muito bem, jovem herói — disse a ele. — Você acabou de selar o seu destino, e, se falhar, sofrerá as consequências. — Não importa o que me aconteça, My Lady, farei o meu trabalho, e nem as piores torturas do Tártaro me impedirão de cumpri-lo — ele me disse, e o que me surpreendeu nessa resposta foi a veracidade dela — não achei nem um pouco de arrogância na sua voz, e ele dizia aquilo como se estivesse realmente disposto a ir ao mais profundo do Tártaro e sofrer as suas piores torturas. Nisso, lembrei-me de Perseus... Perseus, o único homem que eu achava digno de ver a minha caçada, mas que fora punido injustamente pelo meu pai e pelo meu tio Poseidon... Minha tenente Thalia, que era prima dele e sempre fora próxima a ele, sofreu muito quando isso ocorreu, a ponto de nem se considerar mais filha de Zeus, mas, por algum motivo, esse semideus me lembrava ele, e fiquei receosa de que isso realmente acontecesse com ele também, e por isso disse:

— Não digas o que não sabes, semideus, o Tártaro não pode ser subestimado, mas, se achas que podes sobreviver na caçada, eu permito que entres. — Agradeço a vossa compreensão, My Lady, mas apenas disse o que é verdade, pois já passei por mais coisas do que pensais — ele me respondeu, curvando-se. — Como assim? — perguntei. — O que queres dizer com essas palavras? — Isso não importa no momento — disse Hades, cortando a nossa conversa, e percebi que ele estava nervoso, mas conseguiu se controlar. — Agora é melhor irem para o acampamento caçador, e depois podem discutir isso — virando-se para o seu filho, disse: — sei que Hestia te encontrou e te deu algumas recomendações, e só posso dizer para segui-las à risca, e, se ela te tiver dado uma ordem, cumpra-a, e não reveles a tua identidade ou a tua origem por enquanto, mas somente num momento propício, ou se não houver alternativa, e... é bom ter-te de volta, filho, mesmo que seja por pouco tempo. — Digo o mesmo, pai, e não se preocupe, obedecerei às ordens e recomendações de Lady Hestia — disse o semideus.

Não disse nada, pois estava surpresa por ele conhecer Hestia e por ela ter ido até lá para encontrá-lo, e iria indagar sobre isso, mas, ao perceber o olhar do meu tio Hades, deixei para indagá-lo depois, pois iria descobrir quem era aquele semideus custasse o que custasse. Até que percebo que ele não me disse o seu nome, nem como eu deveria chamá-lo, e, por isso, pergunto:

— Está bem, mas como devo chamar-te?

Os dois me olharam em dúvida, até que o semideus me disse:

— Podes chamar-me de κηδεμόνας, ou, se preferires, Guardião. — Que seja — disse. — Mas, se nos dás licença, tio, devemos ir ao acampamento caçador.

Dizendo isso, teletransportei a mim e ao semideus que seria o nosso novo guardião para o acampamento. Pov. Hera

— E foi isso que aconteceu com ele — terminou de contar Hestia. — Eu tentei insistir para que ele me contasse o que aconteceu no Tártaro, mas ele não quis, de jeito nenhum.

Fico ouvindo Hestia me contar o que Perseus passou depois que ela voltou do submundo ao vê-lo, e digo, depois de um tempo:

— Também gostaria de saber o que aconteceu lá, para fazer Zeus pagar — respondo. — Mas creio que seja melhor não sabermos. Pelo menos ele conseguiu se formar e ter uma vida normal — respiro fundo antes de continuar. — Odeio ter que tirá-lo dessa vida perfeita, pois era isso que eu queria para ele, mas ele é a nossa única esperança, e, mesmo que não o envolvêssemos, essa vida perfeita seria desfeita quando caíssemos. E bem, sou obrigada a admitir que odeio isso, mas nem tanto, pois, querendo ou não, ainda sou a mãe dele, e ficar ao lado dele é o que eu quero. Saber que ele está em casa e seguro, ou o mais seguro possível, é o que eu realmente quero, mas não gostei nem um pouco dessa história de ele ser o guardião da caçada. Aquelas meninas odeiam homens e vão querer machucá-lo, além daquela filha de Zeus, Thalia, que, quando descobrir quem ele é, vai querer matá-lo. E eu te afirmo, Hestia, não importa se elas são ou não importantes para a nossa vitória: se elas machucarem o meu bebê, eu vou matar todas elas. — Calma, Hera — disse Hestia, rindo do meu ataque de ciúme. — Ele ficará bem, ele é inteligente o suficiente para ficar na caçada sem se machucar, e aposto que ele vai ficar pensando em você o tempo todo, e no que aconteceria com as caçadoras se ele se machucasse, e tenho certeza de que ele vai se cuidar. — Sim, eu sei que sim — respondo, olhando para a janela, para o pôr do sol e a lua que começava a nascer. — O que eu mais quero agora é poder vê-lo, abraçá-lo, beijá-lo e protegê-lo, mas sei que não é o momento. A única coisa que posso fazer, no momento, é olhá-lo de longe e rezar para que ele fique bem. — Uma deusa rezando — disse-me Hestia. — Mas para quem, Hera? Para Caos? Ou para o início de tudo? — Para o único que pode salvá-lo — respondo. — O único que pode realmente protegê-lo — respiro fundo, tendo Hestia ao meu lado e vendo que ela faria o mesmo que eu. — Vamos então, Hestia, vamos rezar para o início de tudo.

Notas finais
Espero que tenham, gostado mesmo ele pequeno assim e que entendam que estava sem criatividade. Está bem difícil comunicar com a minha imaginação e a pessoa que me ajuda, mas espero que tenha ficado bom e que vocês comentem.