Percy Jackson Na Arena
38 Uma Filha de Atena furiosa
Notas iniciais
P.O.V Annabeth
Isso tudo está muito vago. Como Hera simplesmente nos manda para o futuro com apenas uma instrução: se voluntariar para os Jogos Vorazes? Eu ainda me lembro da minha angústia quando Percy sumiu naquelas três semanas. Eu fiquei devastada, acabada. Não tinha força nem animo para nada. Thalia tentava me animar. Tentava. Agora a deusa nos manda para cá? Fala sério! E ainda estou preocupada com o que Percy havia dito:
—Eu não vou lutar contra nenhum deles!
Pelo seu relato, assim que voltara, Percy havia dito que os jovens eram jogados na arena para se matarem, e só um poderia vencer. Como Hera manda DOZE semideuses para se matarem, e só um sobreviver? E os deuses estavam cientes disso! Já que foram eles que escolheram os semideuses. Isto está muito estranho. Já ia protestar quando percebo que não estou mais na arena do acampamento, mas sim em uma rua deserta de nenhum lugar que eu conheça. A minha frente há uma grande praça, onde uma multidão conversa animada. Vou me aproximando devagar, com a mão sobre a adaga, para o caso de qualquer imprevisto, mas felizmente não há nenhum.
Lembro-me claramente do que Percy havia dito, então me posicionei na terceira fileira, onde outras garotas de dezesseis anos conversavam animadas. Mas algo está errado. Percy havia dito que as pessoas ficavam apreensivas, porque não queriam ser escolhidas. Essas garotas conversavam como se estivessem esperando um show começar. Mas havia uma garota quieta no meio disso tudo. Ela estava duas fileiras á minha frente e parecia uma típica filha de ares: alta, cabelos repicados curtos, corpulenta e muito musculosa para uma garota. Apesar de não poder ver seu rosto, já que ela estava de costas para mim, eu tinha certeza de que sua expressão era sombria, já que a garota não se mexia, nem mesmo olhava para os lados.
Voltei minha atenção para o palco que estava á minha frente. Parecia ter sido construído temporariamente, mas eu não podia deixar de admirar os detalhes e a tela enorme que se projetava no fundo. Nos cantos do palco haviam cadeiras ocupadas por pessoas que pareciam importantes. Todas usavam roupas formais, por mais que parecia ser apenas o começo da tarde. Depois de mais um tempo observando o lugar, uma mulher usando um altíssimo salto sobe no palco atraindo a atenção de todos, que ficam em completo silêncio. Ela se posiciona atrás de um microfone cuidadosamente arrumado na sua altura e com um sorriso nos lábios e uma voz irritantemente estridente começa a falar:
—Boa tarde Distrito 2! É com grande prazer que vos anuncio a septuagésima quinta edição dos Jogos Vorazes. Este é o 3º Massacre Quartenário, e como já devem saber, o presidente anunciou que aqueles que já venceram os Jogos poderão enfrenta-lo novamente. Sei que este Distrito tem maravilhosos jovens dispostos a honrá-lo, então agora os conheceremos! E como sempre: Primeiro as damas! —A multidão observa em silêncio ela se dirigir a uma mesinha do lado direito do palco, onde uma bola de vidro com vários papeizinhos pousa sobre ela. A mulher afunda a mão na bola e mexe nos papeis. Depois de um tempo assim, retira a mão levando um papel consigo. Anda novamente até o microfone, onde lê em voz alta: —Mary Thelmys! — Nesse momento uma voz fala na minha cabeça, reconheço como a de Hera: “Vá filha de Atena, se voluntarie.”.
—Eu me voluntario como tributo. —Digo em voz alta. A mulher olha excitada para mim.
—Suba querida! —Faço o que ela me pede, e lá em cima ela me pergunta. —E então, qual é o seu nome?
—Annabeth Chase. —A mulher sorri e se vira para o público.
—Tenho o prazer de vos anunciar o tributo feminino do Distrito 2: Annab...
—NÃO! —Uma voz grita. É a garota que estava duas filas a minha frente. Ela começa a andar pesadamente e sobe no palco. —Não. Você não é o tributo feminino do Distrito 2. Eu sou. Fui eu que treinei a vida inteira para me voluntariar esse ano, e sou eu que vou. Quem você pensa que é? —Ela levanta as mãos, começando um movimento que certamente terminaria em um soco no meu rosto. Terminaria, se eu não a tivesse impedido. Instintivamente chutei seu peito, o que a fez cambalear para trás e me dar tempo para sacar a adaga e posiciona-la na sua garganta.
—Nunca desafie Annabeth Chase. — Rosnei. A garota recuou, mas logo se recuperou e ia dar um chute em mim. Previ o ataque, e assim que a sua perna levantou, eu a segurei no ar e girei. Fazendo com que a garota estatelasse no chão. A garota se levantou e olhou para mim como se eu fosse um monstro. Mas de repente sua expressão mudou. Ela ficou meio confusa, e então recuou um pouco mais.
—Se... Seu nome é Annabeth? —Ela gaguejou.
—Sim. Por quê? —Olhei desconfiada.
—Você é a garota que Percy Jackson ama... Amava. Como? —Ela parecia estar falando consigo mesmo. —Como um garoto do 12 conheceu uma garota do 2? —Ela se virou novamente para mim. —Vingança. É isso o que você quer não? Você quer vingar a morte dele, por isso quer ir para os jogos. —Eu estreitei os olhos. Lembrei de que Percy havia dito que as pessoas acham que ele está morto, mas como ela sabe sobre mim?
—E se for? —Perguntei. A multidão que até então estava silenciosa soltou gritos de horror. A garota se endireitou.
—Eu te entendo. —Ela me surpreendeu ao dizer isto. Até momentos atrás ela queria me matar.
—Me entende? —Repeti.
—Sim. Você pode ir. Por mais que eu acredite que não vai conseguir o que quer. Eu já tentei, e não consegui. —A garota virou as costas e desceu do palco. Eu ainda olhava boquiaberta para o local onde a garota estava a poucos instantes quando uma voz me fez retornar a realidade.
—Agora aos cavalheiros! —A mulher andou até a outra mesinha que estava no palco, mas não prestei atenção no que dizia. As palavras da garota ainda rondavam a minha mente. Ela acha que quero ir por vingança. Não é isso em incomodava, o que me incomodava era o que ela disse no final. Como assim ela já tentou? Tentou o quê? Fui tirada dos meus devaneios por pacificadores que começaram a me empurrar em direção ao prédio que ficava em frente à praça. Hora das visitas segundo Percy. Sentei-me no sofá de veludo que ocupava o centro do lindo cômodo, à minha frente havia uma televisão em uma estante, com um pequeno aparelho em baixo. Vagava em pensamentos quando a porta foi aberta. Instintivamente minha mão parou sobre a adaga. Um cheiro enjoativo preencheu o lugar, dando espaço para um homem entrar. Ele parecia ter uns 60 anos, pequeno, cabelos brancos e uma expressão curiosa que me fitava. Ele entrou em silêncio e fechou a porta atrás de si.
—Finalmente te encontrei Annabeth. Você me deu muito trabalho. —Ele disse. Minha adaga deslizava na minha mão. Como essas pessoas me conhecem?
—Como você me conhece? —Rosnei. Ele esboçou um sorriso.
—Como assim? Seu namorado... ops, ex-namorado, se é que chegaram a namorar. —Ele aumentou seu sorriso cínico. —Fez questão de anunciar a Panem inteira.
—Como assim? —Perguntou. Ele olhou para mim confuso.
—Você não viu? Que ótimo! Será um prazer te mostrar. —Não entendia o que ele falava, mas o homem simplesmente me virou as costas e saiu do cômodo. Não muito tempo depois ele volta com um objeto pequeno na mão. Um pen drive, que encaixa no aparelho da estante e liga a televisão. As imagens aparecem na tela. Percy entrando em um palco com um terno azul que ficava lindo nele. Reconheci como o Percy de dois anos atrás. Ele acenou para a multidão, que gritava histericamente, como se ele fosse um tipo de estrela, e se sentou na poltrona ao lado de um homem de cabelo azul, certamente um entrevistador.
—Finalmente! —O entrevistador exclama! — Achei que nunca iria conhecê-lo! Deixaram você por último! Todos querem conhecer Percy Jackson, não é? — pergunta para a plateia que grita mais alto e aplaude.
—Olá Kaeser. Gostei muito do seu cabelo! — Ele fala. Kaeser ri.
—é, combina com o seu terno, não?
—Azul é minha cor preferida!
—Serio? Então fiz a escolha certa! E então, temos pouco tempo e muitas perguntas, mas antes, preciso fazer uma coisa. Você espera?
—Claro. —Percy pareia confuso.
—Ótimo. Parem o tempo, por favor! —Ele pede e um cronômetro que ficava atrás do palco zera. —Isso. —Ele exclama satisfeito. —Agora me de licença só um pouco. —Percy assente. O homem se levanta e se dirige a um grupo de homens na extremidade do palco. Eles conversam silenciosamente e o homem volta com uma expressão satisfeita e um sorriso no rosto.
—Peço que me desculpe, mas eu tinha que pedir uma coisa. —Diz se sentando. Alguém na plateia, até então silenciosa, grita:
—Anda logo Kaeser, queremos saber! —Kaeser ri.
—Tudo bem, podem voltar o cronometro. E então Percy, o que quero saber é como conseguiu sua nota 12. E não se preocupe: você tem autorização para dizer. —A plateia vibra, mas silencia assim que Percy começa a falar.
—Eu não gosto muito de falar o que fiz.
—Por favor. Todos querem saber. E não se preocupe com o tempo, dei um jeito de alongarem ele. —Percy se dá por vencido.
—Tudo bem. Acho que diria que usei bem a espada, mas o que acho que garantiu minha nota foi a coisa que matei lá.
—Uau! Que coisa?
—Me disseram que o nome é Calx. —A plateia solta um grito surpreso juntamente com Kaeser.
—Um Calx? E como você sobreviveu, e está tão bem. Não se machucou nada!
—Eu acho que sou bom com espadas.
—Você acha? Para derrotar um Calx sem muitos machucados tem de ser incrível! Acho que não poderiam de dar outra nota depois do que fez. Infelizmente você tem um pouco a mais de tempo, mas não podemos ficar aqui para sempre, não é? Então vamos à próxima pergunta: o que levou você a se voluntariar?
—Sinceramente? Eu não sei. Havia conhecido Katniss um dia antes do Dia da Colheita e já sentia um grande desejo de protegê-la. Ela havia me ajudado e vi seu desespero quando o nome de Prim foi chamado. Confesso que também fiquei desesperado, eu havia conhecido uma Prim doce e calma, e simplesmente não conseguia imaginar ela na arena. —Devo admitir que fiquei com uma pontada de ciúmes com essa resposta.
—Você sente algo forte por Katniss? —Me inclinei sobre os joelhos, já trincando os dentes e esperando a resposta dele.
—Sim, eu sinto algo forte. —Meus punhos se fecharam. Eu sabia! Tinha que ter alguma coisa. É claro, por que Percy iria me querer? Ele só ficou comigo por ser a única opção, já que a Rachel virou oráculo e essa daí era do futuro. Sou apenas um premio de consolação. Com o canto dos Olhos pude ver o homenzinho dando um sorriso cínico. —Mas como ela disse é um amor fraternal, a considero como minha irmã. —Ufa! Relaxei os meus ombros. Você escapou de uma morte lenta e dolorosa Perceu Jackson.
—Então tem outra garota? Acho que um garoto forte, habilidoso e bonito deve ter alguma pretendente. —Foi engraçado ver Percy corar. Ele ficou tão vermelho que parecia prestes a explodir.
—Eu não sei. Conheço muitas garotas. Antes de vim para cá minha melhor amiga me beijou, fiquei estático por alguns minutos. —Nesse momento eu congelei. Ele se lembrava disso tanto quanto eu? Naquela época eu já sentia algo forte, mas não tinha certeza se ele também. Eu só o beijei porque fiquei com medo de que fosse a ultima vez que o visse. E quase foi — Eu a amo. —Se era possível eu congelar mais do que antes eu consegui. Ele declarou isso pra um mundo inteiro e não teve coragem de falar para mim?
—Eu sabia que tinha alguém! Escute aqui Percy: Você vai sair da arena e vai voltar para ela ok, vai dizer o quanto sentiu a falta dela. Espero que ela esteja vendo isso. —Percy provavelmente achava que eu nunca veria isso. — Posso saber o nome da sortuda?
—Annabeth. —Own, que fofo! Eu amo meu namorado! Ok, já passou o momento filha de Afrodite.
—Lindo nome. Quero saber mais. Conte-me alguma coisa que quase ninguém sabe sobre você. —Percy parecia aliviado por ter mudado de assunto.
—Meu nome é Perceu Jackson.
—Perceu? Como o herói da mitologia! Muito legal — a campainha soou. — parece que extrapolamos do tempo. Foi bom conversar com você.
—Igualmente! — Kaeser se virou para a plateia.
—Esse é Perceu Jackson! O Destruidor de Calx! —E televisão escureceu novamente.
—Viu? Estranho você não ter visto. Depois que ele falou isso te procurei em toda a Panem, mas não havia ninguém com o nome Annabeth. —Eu ainda estava parada no lugar, pensando no que acabei de ouvir. Percy me amava desde antes! —E eu tenho que te avisar uma coisa: —O homenzinho continuou. Virei-me para ele. —Se você quer vingança, desista—Arqueei as sobrancelhas.
—E por quê?
—Por que você não vai conseguir. Você viu o que aconteceu a ele? Se tentar me desafiar vai acontecer o mesmo com você. —Eu ri.
—Eu suponho que você seja o presidente, certo? —Ele assentiu, o que só me fez rir mais. —Ainda não acredito como você se deixou ser enganado dessa forma. —Ele me fuzilou com o olhar.
—O que quer dizer? —parei de rir e fiquei séria.
—Meu namorado está vivo. Bem vivo para sua informação.
—Impossível! Eu o vi morrer!
—Pobre mortal ignorante. —Murmurei. —Quer comprovar? Vá agora mesmo até o Distrito 12. Vai encontra-lo bem vivo. —Me levantei e me aproximei dele com a adaga. —Mas toque um dedo nele que você vai querer que o teu pai nunca tivesse conhecido sua mãe. —O homem recuou, mas o seu sorriso cínico ainda estampava seu rosto branco.
—Acho que a morte dele te afetou demais. Você vai se arrepender de ter me desafiado.
—Digo o mesmo. E Percy não morreu.
—Eu matei Percy Jackson. —Ele disse em alto e bom som, querendo que isso me afetasse. Eu simplesmente sorri e guardei minha adaga.
—Pense o que quiser. —De repente a porta é aberta com violência e vários pacificadores entram. O que parecia ser o líder do grupo fala de um jeito assustado e urgente.
—Per... Percy... Percy Jackson está vivo. —Ele diz fazendo o presidente ficar mais branco do que antes. Eu simplesmente gargalhei da expressão furiosa que começou a projetar no seu rosto.
—Como? Onde ele está? —Ele rosnou tentando ficar calmo.
—No Distrito 12. Acaba de se voluntariar como tributo. —Eu ri mais alto.
—CALADA! —Ele gritou e se aproximou de mim para que fitasse os meus olhos. —Você sabia.
—Eu tentei te avisar.
—Isso não vai ficar assim. Vocês pensam que estão ganhando? Pois não estou. Eu mando em Panem, eu controlo Panem. Não tente me desafiar, por que não será só você que sofrerá as consequências. Eu posso matar a sua mãe.
—Boa sorte. —Retruquei. —Quando você descobrir como matar uma deusa me avise.
—Chega disso! Você é igual ele! Sabe alguns truques e se acha super-herói! Esses deuses não existem, e é melhor pararem com isso, se tiver outros iguais a vocês.
—Está se sentindo ameaçado? —Ele ficou mais furioso.
—Cuidado Annabeth Chase. Sua mãe é uma deusa? Então não posso mata-la. Mas e quanto ao seu querido namorado? —Eu avancei sobre ele, mas pacificadores seguraram meus braços e me puxaram para trás.
—NÃO OUSE TOCAR UM DEDO NELE! —Eu me descontrolei. Eu nunca havia me descontrolado. Mas dessa vez não consegui suportar. Percy já havia sido tirado de mim, não suportaria passar por tudo outra vez. Eu chutava o ar, e tentava me desvencilhar dos pacificadores, mas eram muitos me segurando. Por fim tentei me acalmar. —Se você fizer alguma coisa sequer no meu namorado, qualquer coisa, você vai saber o que é uma filha de Atena furiosa. Ela pode ser pior do que a própria Nêmesis para se vingar e pior do que o próprio Hades para torturar. —A última coisa que vi antes de ser levada para fora, foi o sorriso cínico do Presidente sumir, e aparecer um olhar assustado em seu rosto.
Notas finais
ACCIO LEITORES FANTASMAS!!!!!!!
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