Percy Jackson Na Arena
61 Annabeth
Notas iniciais
P.O.V Percy
As coisas começam a dar errado no momento em que dou o primeiro passo dentro do salão da prefeitura.
Nós roubamos um trem, destruímos um trem, deixamos dezenas de soldados inconscientes e talvez até tenhamos matado alguns, pulamos um muro de três metros de altura com cerca elétrica, desativamos cinco câmeras e arrombamos uma porta, só para sermos detidos por um mero alarme.
Ensurdecedor. Foi tudo o que pensei no momento.
O barulho me incapacitava de pensar, as luzes vermelhas se misturavam à minha mente, fazendo com que tudo ficasse anda mais confuso. Ouço o som de vozes e passos, mas não consigo reagir. Ouço um som de choro perto de mim. De repente, alguém grita. Um grito de dor.
Não demora para que eu faça o mesmo.
Alguém me atinge com algo pesado na cabeça e eu caio de joelhos, lutando para continuar consciente. Eles não podem me levar. Não posso deixar com que nos levem. Ignorando a dor e a confusão, começo a pensar em um jeito de contatar Annabeth, que havia se separado do grupo junto com Thalia, Louis, Johanna e Connor, para procurar por Will e as garotas.
Nada vem à minha mente. Ainda ouço o som de passos e de vozes, tão misturas que não consigo discernir uma palavra. Sinto que há outros no chão comigo, mas minha cabeça dói demais para que eu possa me mexer.
Eu preciso avisar Annabeth.
Fecho os olhos e respiro fundo, acalmando a minha mente. Buscando calmaria em meio à confusão. É como se eu mergulhasse o mais fundo possível no oceano, enquanto acontece uma tempestade na superfície. O som fica longe, e eu me permito pensar. Abro os lhos, tentando analisar minha situação. As luzes vermelhas já foram apagadas. Soldados, estimo mais ou menos quinze, formam um circulo à nossa volta, todos com armas apontadas para nós.
Com minha visão periférica, vejo que Gale, Chris, Lou e Katniss estão completamente desmaiados. Tento não pensar o que aquele sangue ao redor da cabeça de Katniss possa significar. Mesmo tontos, Finnick, Peeta, Paula, Chris e Clarisse estão despertos, assim como eu. Olho fixamente para Clarisse, esperando o momento em que ela se vira para mim. Quando ela finalmente fixa seus olhos nos meus, nós mantemos uma conversa silenciosa pelo olhar, algo que nunca pensei que faria com Clarisse. Mas chegamos a um entendimento mútuo: Não vamos nos entregar.
Não sem lutar.
E vamos lutar com tudo o que temos.
Como em um piscar de olhos, nós interrompemos nosso diálogo mental e atacamos em perfeita sincronia.
Sem sair do chão, dou uma rasteira no soldado mais próximo, pegando sua arma e usando-a para bater em sua cabeça. Tento não pensar no que está acontecendo à minha volta, concentrando-me em minha própria luta. Viro-me para o segundo soldado e, sem pensar, atiro. Ele cai no chão.
Os outros ainda não começaram a atirar, certamente surpresos, não esperando que fossemos loucos o suficiente para atacar quando estamos em clara desvantagem. Felizmente, Peeta e Finnick pensam mais rápido, atacando os soldados mais perto. Peeta tem certa dificuldade para derrubar seu soldado, que finalmente reage e oferece resistência, mas um tiro de Clarisse o derruba. Logo, Paula consegue uma arma e, como se não soubesse o que fazer, atira por todo lado.
Finalmente, os soldados começam a reagir. Os dez que sobraram ao ataque surpresa relembram todo seu treinamento e o utilizam. Atiro na perna do soldado mais próximo, mas ele não cai, atirando em mim. A bala vem diretamente em minha direção, mas, como num passe de mágica, ela desvia. Observo abismado a proteção do Rio Estige. Apesar disso, não posso ficar esperando até que alguém atinja meu ponto fraco.
Atiro no homem paralisado, certamente pensando em como errou naquela distancia, que finalmente cai, gritando de dor.
Ouço mais passos das escadas e me preparo para o que vem a seguir, mirando na base da escada. Porém, antes que eu possa fazer qualquer coisa, ouço alguém gritando meu nome.
— PERCY!
Primeiramente, penso ser Annabeth, mas imediatamente descarto essa ideia. Se ela tivesse sido pega, nunca iria chamar a atenção para mim. É alguém menos experiente. Uma voz mais infantil.
— PERCY!
Finalmente eu reconheço: é Sunny. Sua voz é assustada e eu olho para os lados, tentando encontrá-la. Ela grita novamente, dessa vez como se tivesse sido atingida.
Não posso deixá-la nas mãos deles. Tenho que salvá-la. Quando ela grita novamente, percebo que o som vem de uma das salas no final do corredor, atrás das escadas. Olho para Clarisse.
— Vá. — ela diz com os lábios. “Vou te dar cobertura” complementa com os olhos. Eu assinto, abaixando a cabeça e correndo em linha reta, totalmente à mercê da mira dos soldados.
É surreal.
Som de vozes, passos e tiros se misturam à minha volta, mas eu continuo com meu objetivo. Consigo chegar vivo ao final do corredor, sem saber se não fui atingido ou se as balas desviram do meu corpo. Independentemente da resposta, estou satisfeito.
Fito a porta, pensando no que fazer. Assim que eu entrar, provavelmente terão inúmeras armas apontadas para mim, empunhadas por pessoas que não hesitariam ao apertar o gatilho.
Mas eu me banhei no Rio Estige, penso.
E, apesar de ter uma voz no fundo da minha mente dizendo que isso é loucura, eu abro a porta, com a arma em punho.
A primeira pessoa a aparecer em meu campo de visão é a Presidente Coin. Como pensei, há armas apontadas para mim, mas não é isso o que me paralisa de medo.
Connor, Thalia, Will, Louis, Johanna, Júlia e Annie ajoelhados e amordaçados, todos com armas apontadas para suas cabeças. E Annabeth. A minha Annabeth.
Fito seus olhos desesperados, a iris cinzenta escondida atrás de grossas lágrimas.
E então eu acho a garota da qual o grito me atraiu para esse pesadelo. Sunny, sentada à direita de Coin, claramente perturbada, mas ainda assim longe de qualquer ameaça.
Uma armadilha. Sunny nos traiu e nos atraiu para uma armadilha, indo para o lado inimigo e nos entregando em suas mãos. Ela fica de cabeça abaixada, não fazendo contato visual. Uma raiva imensa me invade.
— Como você pôde? — esbravejo, em voz baixa. Ela continua em silêncio e de cabeça abaixada. — Como você pôde nos trair dessa forma?
Ela não reage.
— OLHE PARA MIM! — finalmente grito, sem me importar com os outros. Nunca, em minha vida, fiquei tão furioso com a traição de alguém, nem mesmo com Nico. Pelo menos, daquela vez, só minha vida estava em jogo. Agora, todos os que eu amo estão nas mãos de Coin.
Ela finalmente levanta a cabeça. Sua expressão é triste, mas nem uma única lágrima cai.
— Como você pôde fazer isso com a gente? — eu abaixo a voz, transtornado — Com Nico?
Ela continua em silêncio e volta a abaixar a cabeça.
— Percy Jackson — Coin finalmente se pronuncia, como que saboreando as palavras. — O famoso herói Percy Jackson, filho de Poseidon, que matou o Minotauro com as próprias mãos, enfrentou o Mar de Monstros, venceu o Titã Atlas, conheceu o próprio Dédalo, salvador do Olimpo e sobrevivente das profundezas do Tártaro, está em minhas mãos.
Eu viro-me para encará-la, tentando esquecer as palavras “sobrevivente das profundezas do Tártaro”, fitando aqueles terríveis olhos que saboreiam a vitória.
— Eu não estou em suas mãos. — retruco. Fito os olhos de Annabeth, que assente, confiando em mim.
E ataco.
Derrubo o cara da direita com um soco e o da esquerda com um chute. Vejo Annabeth dar uma cabeçada no cara que aponta uma arma em sua cabeça. Em vez de pegar a arma, ela puxa sua adaga, correndo em direção à presidente, enquanto corta sua mordaça. Eu corro para os outros soldados que não saem de sua posição, sem saber o que fazer. Se devem atirar em suas miras ou não. Soco o que prende Johanna e atiro em sua perna. Ela rola, rasgando suas amarras e tirando a mordaça da boca. Em questão de segundos, travamos uma batalha irrefreável em busca do controle, até que Annabeth grita.
— CHEGA!
Ela está atrás de Coin, pressionando a adaga em seu pescoço.
— Mande-os abaixarem as armas.
Os soldados olham para a Presidente, buscando uma resposta e ela, com uma voz firme, assente.
— Abaixem.
— Agora você está em minhas mãos e eu vou fazê-la se arrepender do dia em que Afrodite conheceu seu pai.
— Licença? — Coin indaga. — Eu acho que não.
Estou confuso, até que sinto algo gélido na base de minha coluna, meu ponto fraco. Sinto ser uma espada, certamente de bronze celestial. Olho decidido para Annabeth.
— Mate-a.
Coin ri.
— Você vai mesmo se arriscar querida? Eu sabia que algo assim podia acontecer, por isso mantive minha arma secreta pronta para agir. — ela indica a pessoa atrás de mim. Annabeth a encara, e, por um momento é como se ela a reconhecesse, mas logo volta à confusão, descartando essa opção. Seus olhos se desviam para a arma.
— Isso não é bronze celestial. — é tudo o que diz.
Coin ri, novamente.
— Eu às vezes esqueço o quanto vocês estão desatualizados. Não querida, aquilo é ouro imperial.
Annabeth aperta mais ainda o pescoço de Coin.
— Não me chame de querida.
— Solte-me. — Coin finalmente esbraveja, sua voz destituída de qualquer humor.
— Não! — retruco. — Mate-a. É o melhor a se fazer Annabeth. Se você se render, ela vai matar todos nos. Mate-a agora.
Annabeth fixa seus olhos nos meus, o cinza perdido de uma forma que eu nunca vi. Annabeth está dividida.
— Mate-a.
— Você não é capaz disso, não é, Annabeth Chase?
Annabeth não desvia seus olhos dos meus. Sem fazer som, ela mexe os lábios, dizendo: “me perdoe”. Eu assinto, reconfortando-a. Se eu morrer é o preço para que todos fiquem vivos, estou disposto a pagar.
Mas, aparentemente, Annabeth não.
Observo assustado quando Annabeth abaixa a adaga e a derruba no chão, rendendo-se.
— NÃO! — eu grito. — Annabeth...
Ela olha para mim.
— Eu não posso te perder assim. Não posso te perder. — ela diz, com a voz chorosa.
Coin se recompõe, alisando seus cabelos. Então ela tira um comunicador da mesa.
— Podem levá-los. O julgamento será ainda essa noite.
— Julgamento? — Thalia pergunta.
Coin não se dá o trabalho de responder.
— Levante-se. — A pessoa que aperta a espada contra mim esbraveja. A voz é jovem, de um garoto, aproximadamente na minha idade. Mas algo nela me diz que lutar não é minha melhor opção no momento.
Enquanto me levanto, viro-me discretamente para fitar seu rosto. Antes que ele me empurre, consigo detectar algumas características. Cabelo cor de areia, olhos azuis e uma cicatriz.
Luke? Penso, completamente chocado. Não, é impossível. Luke já está morto há muito tempo e, mesmo que fosse possível, ele não iria para o lado inimigo mais uma vez. Iria?
Não. Não é Luke. Decido.
Luk... O cara pressiona ainda mais a espada, me forçando a andar. O salão está silencioso, sem qualquer notícia dos outros. Ele me guia pelos coredores, até chegar à uma escada e começa a descê-la, me empurrando. Lá em baixo é escuro, tanto que quase não consigo ver onde piso. Tropeço algumas vezes, até ser empurrado dentro de uma sala.
— Vista isso. — o cara diz. Agora, tenho certeza de que não é Luke. A voz é mais jovem, mas tão ameaçadora quanto. Ele me joga uma bermuda.
— Por quê?
— Porque seria realmente desnecessário você ter sua espada agora. Vista.
Enquanto troco a bermuda, percebo que a nova não tem bolsos. Eles realmente pensaram em tudo.
— Onde estão os outros? Onde está Annabeth?
O cara faz um som parecido com um riso de escárnio.
— Acho que vão deixá-los ficarem juntos enquanto podem. — e ele sai.
Não demora muito tempo e outros soldados começam a descer as escadas, e, um por um, todos somos jogados dentro daquela sala.
— Annabeth! — procuro-o na escuridão.
— Aqui! — ela diz, me puxando para um abraço. — Me perdoe — ela sussurra — me perdoe, mas eu não posso perder você de novo. Não podia vê-lo morrer.
— Está tudo bem — tranquilizo-a. — nós vamos dar um jeito. Nós sempre damos um jeito, certo?
— Certo. — ela responde, depositando um beijo em meus lábios. — Só me prometa uma coisa.
Eu hesito, com medo do que ela vá dizer.
— Percy!
— Tudo bem. Prometo. — resmungo. Ela sorri.
— Se alguma coisa acontecer...
— Ei ei! — eu a interrompo, colocando um dedo em seus lábios para calá-la. — não vai acontecer.
— Mas, — ela diz, ficando ainda mais perto — se alguma coisa acontecer, nunca se esqueça de que eu te amo. E que você me ama. Independentemente do que aconteça.
— Eu prometo. Nunca me esqueceria disto.
E eu a beijo.
— Argh. Não quero morrer com diabetes — Clarisse resmunga. Nós rimos.
— Ah! Só porque eu estava a fim de fazer algo do tipo. — Chris retruca.
— Não se atreva, Rodriguez.
— Amo você, La Rue. — e ela finalmente cede, beijando-o.
Thalia estremece em um canto.
— Que bom que virei caçadora.
Eu rio, observando-a, sem tirar a mão da cintura de Annabeth. E então, Louis faz algo que pode custar sua vida. Ele pega rapidamente o rosto de Thalia e a beija nos lábios.
Eu e Annabeth começamos a gargalhar com vontade, de uma forma que já havíamos esquecido como era. Thalia se vira para Louis, furiosa.
— Eu vou te matar, garoto. Lenta e dolorosamente.
Louis se levanta do chão, olhando para os lados.
— Não há para onde correr. — Thalia diz.
Eu continuo a rir, e logo todos estão rindo, talvez pela última vez em muito tempo.
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— Cidadãos de Panem! Vocês estão prestes a testemunhar a extinção da última resistência para que haja um novo mundo. Um novo sistema. Uma nova vida em Panem! — Coin abre os braços para a multidão que havia sido convocada. Eu olho para cada rosto à minha frente, todos ajoelhados e com armas apontadas para sua cabeça, prontas para serem disparadas a qualquer movimento.
Thalia e Katniss parecem furiosas, prontas para receberem poderes de raios lasers e matar a todos com os olhos. Paula também não está muito longe disso. Gale e Peeta estão de cabeça baixa, como que já conformados com o destino.
Mas isso não é destino, quero gritar para todos.
Julia chora. Muito.
Annie está apavorada, debatendo-se contra as amarras e Finnick derrama lágrimas, transtornado com a realidade: não pode ajudá-la. Connor olha fixamente para frente, como se não estivesse mais ali. Louis respira fundo rapidamente, certamente apavorado. Lou é a pior. Para que ela não pudesse usar magia, eles a deixaram completamente esgotada, forçando-a gastar tudo o que podia horas antes, enquanto um soldado mantinha uma arma na cabeça de Will.
Will parece confuso. Inconformado que isso vá acabar assim. Clarisse parece pronta para quebrar tudo, mas eles forçaram suas amarras com correntes. Chris parece pensativo, como que tentando arrumar um jeito de sair dessa. Johanna não está aqui. Fora levada para longe, com a promessa de que podia viver se cooperasse, o que duvido que fará. Não vimos mais as outras garotas e talvez nunca saibamos o que aconteceu à elas. Nesse momento, não quero pensar.
E Annabeth. Ela olha diretamente para mim, sem piscar uma vez, aproveitando cada segundo. Eu também não desvio os olhos dela nenhuma vez sequer.
Ouço Clarisse se debater, mas não desvio os olhos. E então ela começa a gritar.
Sem tirar os olhos de Annabeth, forço-me a ouvi-la.
— VOCÊ É UMA COVARDE! COVARDE! NÃO É LÍDER PORRA NENHUMA! VOCÊ VAI NOS MATAR A SANGUE FRIO ASSIM, SÓ PORQUE TEM MEDO DE NÓS! VOCÊ TEM MEDO DO QUE NÓS PODEMOS FAZER! VOCÊ É COVARDE! E VOCÊS... — ela diz, como que se dirigindo a multidão — VOCÊS TAMBÉM SÃO! TODOS SÃO COVARDES.
— Mate-a. — é tudo o que Coin diz. E então um tiro. Meus ombros pulam, mas eu não desvio os olhos de Annabeth, que agora estão arregalados como que perguntando “O que nós vamos fazer?” — Nunca gostei dessa daí. Podem levá-la.
Ouço Chris se debater, resmungar, chorar, protestar. E então, mais um tiro. E os sons cerram.
Isso não pode acabar assim. Tem que haver um jeito! Continuo a fitar os olhos cinzas de Annabeth, nós dois concentrados em arrumar um plano. Já perdemos Clarisse e Chris. Isso não pode continuar.
Annabeth finalmente desvia os olhos dos meus, e nós dois nos viramos para Thalia. Ela entende com apenas um olhar, e começa a se debater.Seus gritos são abafados pela mordaça, mas mesmo assim audíveis. Muito piores que o de Chris. Raios começam a aparecer ao redor dela e o soldado que aponta a arma para sua cabeça não sabe o que fazer.
Enquanto isso, eu rolo para o lado de Annabeth, encontrando alguns olhos na multidão. Felizmente, eles continuam em silêncio.
— Parado aí. — O soldado que aponta a arma para Annabeth diz. Suas mãos tremem. Annabeth dá uma cotovelada na arma e o soldado a solta com um grito. E esse grito atrai os outros.
— É tudo uma distração! — Coin exclama. — Mate essa filha de Zeus.
Eu olho para Thalia, que retribui o olhar. Ela não pisca quando apertam o gatilho e sua cabeça tomba para trás. Seus olhos azuis não saem de minha mente.
— Vocês veem porque eles não podem continuar vivos? Eles são perigosos. São uma ameaça ao novo sistema! Leonard! Detenha Percy Jackson.
O garoto loiro aparece novamente e me levanta com a arma pressionada, colocando-me de frente para Annabeth, que agora estreita os olhos numa expressão furiosa. Thalia morreu. Thalia, que foi como uma irmã mais velha para ela, sua melhor amiga que, junto com Luke, a protegeram quando era apenas uma garotinha. Thalia, que salvou nossas vidas tantas vezes e ficou do nosso lado quando tinha tudo para não o fazer.
— Você verá seu mundo desabar, Percy Jackson. Você verá seu mundo ser destruído, como você destruiu o meu. — Coin anuncia. — Cidadãos de Panem! Para quem ainda está ao lado desses rebeldes, saibam que é culpa deles nós termos vivido sob essa ditadura por esse tempo todo! Foram eles que causaram a guerra que destruiu nosso mundo! Eles destruíram a Europa, as Américas, o mundo! É culpa deles que agora alguns de vocês passam fome! É culpa deles essa miséria em que nós vivemos!
— Como é culpa deles, se eles não têm mais que dezessete anos? — alguém da multidão grita de volta.
— Isso é algo que está além de sua compreensão. Mas isso irá mudar! Nós iremos viver em um mundo melhor!
— E como nós podemos ter certeza disso? — outra pessoa grita.
— Por que nós temos que confiar em você?
— Quem fez de você nossa Presidente?
— É! Quem te deu esse direito?
— EU! — Coin grita, calando-os. — Eu ganhei esse direito quando derrubei o antigo Presidente e agora... Calado! Vamos prosseguir.
Ela pigarreia e começa a falar numa voz monótona, como se estivesse lendo. Eu não desvio os olhos de Annabeth.
— Louis Herthworn! Você foi condenado à morte por simpatizar com o grupo rebelde, participar de uma ação contra a atual Presidente, além de ser acusado de homicídio culposo de um número indefinido de soldados de Panem.
E o tiro. O tombo. As exclamações. O esquecimento.
— Lou Ellen! — Coin continua. Ela continua a falar, mas eu paro de ouvir, e até ignoro o próximo tiro.
Fecho os olhos, respiro fundo. Tento encontrar alguma coisa... Qualquer coisa que possa usar. Infelizmente, o Distrito 1 é longe do litoral. Não há água e não sinto nenhuma caixa d’água por perto. O cara, Leonard, bate algo em minha cabeça, tirando minha concentração.
— Sem poderes aqui.
Eu ignoro, voltando a me concentrar. Mais um tiro soa ao longe, mas eu não sei quem foi embora para sempre dessa vez. Abro os olhos rapidamente, fitando Annabeth, para saber se ela tem alguma ideia. Aparentemente sim. Ela gesticula com a cabeça em direção a Coin.
O que ela quer que eu faça?
Ela continua a gesticular, ignorando os chutes do soldado.
Coin... Água! O corpo humano é feito de água. Eu balanço a cabeça, indicando que entendi. Ela tenta sorrir, mas não dá certo. Eu fecho os olhos novamente. Mais um tiro. Tento me concentrar nas pessoas. Encontrar a certa.
Mas, quando começo a me concentrar na água do corpo, é uma mistura total,há muitas pessoas.
Mais um tiro.
Abro os olhos rapidamente, analisando a situação. Agora, só há Katniss, Gale, Peeta, Paula, Annabeth e eu. Vejo quando o soldado de Paula puxa o gatilho e ela tomba para frente e se debate, como que tentando sobreviver.
Ela seria uma ótima heroína se tivesse a chance.
Ouço uma mulher gritar ao longe. Talvez a mãe de Paula. Fecho os olhos novamente, desesperado. Concentro-me em Coin, e a acho. Esvazio minha mente, sem pensar que esse tiro pode ser sido para Katniss, Gale ou Peeta. Sinto a água, mas estou fraco.
Abro os olhos, e vejo que só sobram Katniss, Peeta e Annabeth, essa que me olha esperançosa. Eu posso fazer isto. Concentro-me, fitando Coin, De longe, sinto a água em seu corpo. Ela se inclina para frente, enjoada, mas se recompõe e começa a falar.
— E agora estamos aqui! Os últimos casais rebeldes que, aparentemente, nem se amam tanto assim. Peeta Melark! Se você tivesse ficado quieto em sua casa, esperando as coisas aconteceram, talvez não estivesse aqui. Mas você é condenado à morte por simpatizar com grupo rebelde, invadir a casa presidencial, roubar um trem público, destruir um trem público, além de culpado por homicídio culposo de um número indefinido de soldados de Panem.
E o soldado atira. Katniss se debate, desesperada. Eu me concentro, mas as palavras de Coin me confundem.
— Katniss Everdeen, intitulada O Tordo. Você poderia ter tido um futuro nesse mundo, mas escolheu ficar do lado dos “vilões”. E a heroína de Panem não pode ser vilã. É essa, cidadãos de Panem, o símbolo da sua revolução? É essa garota patética, que agora se debate por causa de um garoto que nem conhecia direito, a inspiração de vocês? Ela, que é acusada de fugir da polícia, sob ordens espessas de permanecer no Distrito 2, roubar um aerodeslizador e manter o piloto de refém para satisfazer seu desejo, simpatizar com o grupo rebelde, participar de um roubo de um trem público, participar da ação do grupo que destruiu esse mesmo trem, invadir a casa presidencial, anunciar heresias em rede nacional, além de ser acusada de homicídio culposo de um numero indefinido de soldados de Panem? E por isso, Katniss Everdeen, intitulada Tordo, você é condenada a morte.
E atiram.
Em Katniss, que me salvou na arena. Que me ajudou a me adaptar. Que esteve ao meu lado e confiou em mim.
E isso me enche de uma nova força e eu começo a me concentrar e nem as palavras de Coin me atrapalham.
— Annabeth Chase e Percy Jackson o casal preferido de Afrodite, desde Páris e Helena. Infelizmente, para vocês, eu não compartilho o gosto de minha mãe. Os heróis salvadores do Olimpo, agora terão uma morte patética, como todo herói, com exceção de mim, é claro.
Não tenha tanta certeza, penso.
— Vocês são acusados de burlar as regras dos Jogos Vorazes, ameaçar o ex-presidente, burlar as regras do Distrito 13, serem líderes do maior grupo rebelde que já se encontra morto, ameaçar a atual presidente, invadirem dois estabelecimentos comerciais, roubarem um trem, destruírem um trem, invadirem a casa presidencial e a prefeitura do Distrito 1, ameaçarem líderes governamentais, destruírem objetos de patrimônio publico, invadir o sistema de televisão nacional, além de roubo de armas policiais, porte de arma ilegal e agressão e homicídio culposo de um grande número, indefinido é claro, de soldados de Panem. E são condenados à morte.
Eu forço um grito que, mesmo abafado, sai ameaçador. E o corpo da Presidente, atual ex-Presidente, explode em pedaços, em uma morte mais patética que qualquer outra de qualquer herói. O que não é um problema, já que ela não é uma heroína.
Mas então eu me viro para Annabeth e o seu corpo pende no ar e cai na minha frente. O soldado a matou mesmo assim.
Eu tenho vontade de gritar. De chorar. Tenho vontade de me levantar e matar cada pessoa que deixou isso acontecer. Tenho vontade de correr para ela e chorar com ela em meus braços. Mas eu não faço nada disso, pois algo perfura meu calcanhar de Aquiles e tudo se apaga.
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Dor.
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Confusão.
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Dor.
Levanto-me calmamente com a mão na cabeça, tentando localizar onde estou.
Ou melhor, quem sou.
Percy Jackson. Dezesseis anos.
É tudo o que sei.
Levanto-me, tateando as paredes e finalmente noto à mulher a minha frente. Ela usa roupas meio hippies, de pele de leopardo. Seu cabelo é volumoso e emaranhado. Mas irradia poder. Ela me parece familiar, mas não consigo associá-la a nada.
Porque não há nada.
— Acordou finalmente, herói.
— Onde eu estou? — perguntou? — Quem é você? Quem eu sou?
Ela ri.
— Sempre as mesmas perguntas. Do que você se lembra, herói?
Nada.
Mas não é verdade. Eu me lembro de um rosto. De uma voz.
“... nunca se esqueça de que eu te amo. E que você me ama.”
Sua voz é melodiosa, mas ameaçadora. Sua pele é bronzeada. Seus cabelos são cacheados e loiros. E cinza. Seus olhos são cinza.
E eu amo.
— Annabeth. — consigo sussurrar.
A mulher parece irritada com isso, mas eu não em importo.
— Não é possível! Era forte demais... você devia esquecer tudo.
— Mas eu prometi que não ia esquecê-la. — retruco, sem saber exatamente o porquê — e eu a amo. Annabeth.
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NOTAS FINAIS POVO! NOTAS FINAIS!
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