Percy Jackson E O Sequestro Do Deus
7 Perco a cabeça e grito com um deus
Notas iniciais
As horas iam passando e com elas os dias. Até que se completou uma semana no acampamento. Ou se você preferir uma semana no chalé de Hermes, sabendo que seu lugar é no de Poseidon. Estava começando a ficar com raiva. Não, não pense que eu não estava gostando do chalé de Hermes, porque eu estava amando. Tinha me tornado uma grande amiga do Travis e Connor, éramos um trio maravilhoso. Riamos a tarde quase toda e fazíamos baderna no chalé. Era uma zona. Mas eu estava aborrecida, pois meu pai estava me ignorando. E eu odeio ser ignorada. Em uma semana já havia feito muito progresso com a espada, Travis me ajudava junto com Percy. E descobri que sou um desastre com arco e flecha, na primeira aula acabei acertando um campista do chalé de Ares bem nas nádegas, e isso não o deixou muito feliz.
Todos os dias quando eu acordava eu ia à praia e ficava conversando com as ondas, mas elas nunca me davam respostas. Certo dia quando eu estava indo á praia no meu ritual matinal, avistei um garoto no meu lugar de sempre. Fui até, apesar de saber mais ou menos de quem se tratava.
- Oi Connor. – Disse sorrindo e logo sentei bem ao seu lado.
- Oi, Kelly. Espero que não se importe se eu ficar aqui com você hoje. – A voz dele estava mansa como as ondas do dia de hoje.
- Não me importo, mas o que você faz aqui? Não vai furtar nada na loja do acampamento? Nem ri dos novos campistas na aula de arco e flecha? – Estava mesmo curiosa, aliás ele nunca fica quieto.
- Não, não. Rir de você é bem melhor.
- Obrigada, senhor superior. Mas você não me respondeu o porquê está aqui.
- Eu respondo depois que você me responder uma pergunta. – Eita, o que está rolando aqui? Pensei.
- Ok. Ei. você está me deixando assustada.- Era verdade, eu nunca tinha visto o Connor daquele jeito, pensativo. O que será que ele tinha? Não estava rindo do meu cabelo, muito menos fazendo piada com a minha nova cicatriz no braço que eu ganhara depois de acertar o campista de Ares.
- Porque você vem aqui todos os dias? – Ah, é isso. Menos mau. Fiquei assustada que pudesse ser outra coisa.
- Ei, pensei que você nem sabia. – Era verdade, pois normalmente quando eu saio ele ainda está roncando.
- Eu reparo bem nas coisas- ele me disse, o que eu achei uma mentira bem convincente — Vamos responda senhorita, Estrela do mar.
Eu odiava quando ele me chamava assim, eu me sentia a namorada do Patrick.
- Bem eu venho aqui para tentar falar com meu pai. Mas parece que ele não se importa muito comigo. Eu pensei que talvez ele se importasse, mas eu vi que me enganei mais uma vez. Mais uma ilusão na minha vida.
- Não fique com raiva, ele pode nem saber que você está no acampamento.
- Os deuses sabem de tudo. Faz uma semana já. Eu sempre tive a imensa vontade de conhecer meu pai, mas não posso fazer mais nada, pois ele não se importa comigo. Sabe, me sinto como uma daquelas garrafas jogadas ao mar, que não sabem se um dia serão encontradas
- Ei, não fique triste. Somos sua família. Se você quiser eu posso ser seu pai.
É engraçado como o Connor me fazia rir. Ele era o idiota mais idiota da face da terra, ele e o Travis.
- Vocês são meus irmãozinhos de chalé.
- Irmãzinha, vou falar isso pro Percy.-Ele riu e eu acompanhei.
- Mas e porque você está aqui?
- Eu não sei. Na verdade acho que é porque eu estava preocupado com a minha nova irmãzinha.
- Não acredito. Você estava preocupado comigo? Ah eu vou espalhar isso pelo acampamento inteiro- Eu disse sorrindo e comecei a cantar: O Connor está preocupado comigo, O Connor está preocupado comigo ♫
- Psiu, Kelly- Ele disse olhando para trás- É serio, quando você vem pra cá de manha me da nos nervos, porque você fica se remoendo? Kelly, você não precisa ficar triste por causa de seu pai. Ele é um deus, ele não vai ser como os outros.
- Você tem razão, mas me deixa magoada, mesmo assim. Mas obrigada bobão por se preocupar comigo, como forma de agradecimento vou deixar isto em segredo. Ok?
- Ok- A Trombeta soou.
- Temos que ir. Vamos?
- Vamos.- Ele se levantou e me deu a mão para me ajudar a me levantar, e fomos caminhando para nossas atividades.
O dia passou rápido, e logo era a hora do jantar. Eu estava feliz, nada podia tirar minha felicidade hoje, ah, mas como sempre eu estava enganada.
Sentamos a nossa mesa, as comidas foram postam ai em cima, fizemos nossas oferendas. Durante a semana toda, minhas oferendas iam para Hermes, agradecia ele pelo Connor e Travis. Hoje eu fiz para meu pai, uma oferenda silenciosa:
"Obrigada por me mostrar a minha importância, obrigada por você fazer com que todos os campistas duvidem da minha palavras, obrigada por me lembrar que eu sou apenas mais um nada." Sim, eu estava magoada ainda. E quando estava voltando para a mesa, vi que todos estavam olhando para mim, quer dizer para minha cabeça. Ah, olhei também. Quando olhei fiquei admirada e surpresa. Poseidon acabara de me reclamar. Eu não estava feliz, não estava nada feliz. Porque você demorou tanto eu perguntei.
Quiron falou: Ora, Kelly. Acho que agora você pode se sentar com Percy.
Mas em vez disso, voltei para a mesa do Chalé 11, o chalé de Hermes. Agora enfim acreditavam em mim. Mas não me importava mais. Eu ficaria naquele lugar aquela noite. Quiron não me impediu, acho que ele percebeu meu rancor e raiva.
Logo que eu me sentei algo estranho aconteceu. Uma imagem apareceu, uma imagem do cara da praia e um cara de barba grisalha.
Quiron se curvou. Porque eu não sei. O Pavilhão ficou em silêncio. Todos olhavam aquela imagem e eu olhava tambem. Até que enfim o homem da barba grisalha falou.
- Acho que todos me conhecem, menos você garota. Curve-se.
Eu me curvei. Não estava a fim de me meter em uma encrenca.
- Ok, Poseidon você a reclamou, isto significa que depois de uma semana você finalmente decidiu assumi-la como filha. Mas não vou tolerar que ela ache que tem mais direitos que outros neste acampamento. Nem que ela seja igual a ignorância como seu outro filho.
- Perai quem é você?- Eu perguntei- E você eu me lembro, você é o cara da praia. Ou estou ficando louca?
- Sou Zeus. E ele o cara da praia e o seu Pai Poseidon.
- Ah, então você sabia o tempo todo que eu estava no acampamento e não teve a coragem de apontar o dedo pra mim e fazer este trocinho aparecer em cima da minha cabeça?
- Ela é pior do que o seu outro filho, Poseidon.
- Zeus, isso não é necessário. Eu já a assumi. Sei que ela foi um erro. E pronto acabou.
- Eu sou um erro. Que bom papai. Porque você não acaba logo com esse erro? Ei senhor Zeus porque você não me transforma em uma nuvem de cinzas logo? Tenho certeza que seria um imenso favor pra ele. — Apontei para a nevoa onde meu pai estava.
Todos no acampamento estavam me olhando incredulamente. Estava um zumbido no meu ouvido e sabia que era o sussurro dos campistas. Vi pelo canto do olho Percy se levantando, mas Quiron o impediu de vir até mim.
- Minha filha, não é tão simples quanto parece.
-Ah, não é? Então me explique. Ou será que não sou digna do seu precioso tempo?
- Você não está facilitando as coisas, querida.
- Eu fiquei 15 anos esperando você. 15 ANOS. Aposto que você não percebe o quanto é. Mas é um longo tempo. Ai eu conheço meu pai em uma praia, ele sabe do meu destino e não tem a coragem de me reconhecer como filha. Ah, mais é lógico que se precisa pensar primeiro antes de assumir um erro. Mas sabe esse erro tem sentimentos, esse erro esperou tanto por algo e agora se decepcionou, esse erro tem um coração que o tal pai acaba de transformar em cinzas, esse erro chora, grita e ama você. Agora me desculpe, mas se não sou merecedora nem de uma imagem holográfica em cima da cabeça, não sua digna de sua presença.
Atravessei a imagem e ela se desfez. Fui para o meu lugar na praia. Estava chorando e não sabia por que tinha feito aquilo. Lembrei-me de minha mãe, ela sempre falava: As vezes as emoções tomam conta da gente e fala tudo o que precisa ser dito.
No caminho acabei trupicando em um menino. Mas nem olhei para ele. Segui meu caminho e quando percebi estava na praia. O menino me seguiu, mas não se aproximou. Fiquei lá chorando na praia e quando vi o menino estava ao meu lado. Sentou-se ali e me abraçou. Fiquei ali abraçada com um campista que eu nem sabia quem era e deixei que as lagrimas tomassem conta de mim e adormeci enquanto o garoto dizia muitas vezes seguidas:
-Vai ficar tudo bem, você vai se resolver com ele. Shii
Eu não achava minha voz, por isso não falei nada só fiquei ali, chorando nos braços de um garoto que eu nem conseguia ver o rosto. E ali mesmo adormeci. Adormeci na esperança que quando acordasse tudo estaria resolvido.
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