Percy Jackson E O Sequestro Do Deus
14 Caixinha de confusão
Notas iniciais
Se você nunca foi em um deserto não sabe o que é desespero. Bem, andamos 15 minutos e já me sentia perdida se não fosse pelo Nico acho que eu estaria perdida, literalmente.
Estávamos um pouco receosos, pois sabíamos que algo muito maior do que esperaríamos estava ali. Parece que ali nossas novas companheiras, garrafas com água, pensavam agora uma tonelada. Leo viu meu esforço com a bolsa e perguntou se eu estava precisando de ajuda.
-Não, obrigada eu consigo. — Dois segundos depois ele pegou a mochila, pois sabia que eu estava mentindo. Estávamos mais atrás, os outros estavam um 5 metros a nossa frente, Leo estava com uma expressão divertida no rosto, resolvi perguntar o por que:
-Leo, qual é a graça?
-Você não vai ficar muito amigável. – Ele disse rindo ainda mais.
- Qual é a graça Leo? – Repeti a pergunta.
- Não sei se você percebeu, mas o Nico e a Barbara bem acham que está rolando algo ali...
Oras, o Nico e eu não tínhamos nada. Porque Leo disse que eu não ficaria muito amigável? Apesar de que o Nico não era de se jogar fora e já havia me passado pela cabeça certas coisas no dia em que ele estava na proa comigo e estava tão perto de mim e... E confesso que fiquei com um pouco de ciúmes do Nico. Mas porquê? Leo interpretou meu silêncio de outra forma e disse:
— Me desculpe, não sabia que você... — A expressão em seu rosto passou de diversão para arrependimento absoluto.
- Por que está se desculpando?- eu perguntei.
- Você gosta do Nico. – Ele afirmou, como se aquilo fosse a verdade mais verdadeira da história da humanidade.
- Gosto, mas não do jeito que você está pensando. – Tinha um pouco de verdade no que eu disse. Afinal, eu não estava GOSTANDO do Nico. Só me sentia atraída por ele.
- Sua cara diz que sim. – E a cara de Leo me dizia uma outra coisa...
- Não diz nada. – Fiquei aborrecida por que ele me indagar.
Comecei a andar mais rápido e ele me alcançou.
- Sabe, você pode me contar. – Ele disse calmamente.
Parei e ele parou também, o encarei e olhando em seus olhos disse:
- Não tem nada para te contar.
-Serio? E certa noite que vi você e ele na proa dormindo... – Disse e abaixou o olhar
- Ei, você estava me espionado? – Recomecei a andar, pois estávamos ficando muito atrás.
- Você gosta dele. – Ele repetiu, sem emoção na voz.
- Leo. – Falei o mais neutra possível.
- Kelly – Ele retrucou.
- Que tal se a gente mudar de assunto? – Ofereci.
- Já que você não quer assumir que gosta dele então... – Revirei os olhos.
De repente assim do nada uma loja de conveniência surgiu ali ao nosso lado. O susto foi to grande que fez com que eu caísse na areia fina e chata.
- Meus deuses, o que é isso?- Barbara perguntou.
- Loja de conveniência no deserto? E surgindo do nada? – Nico disse e acrescentou: -Isso não pode ser bom.
Foi quando a porta explodiu. Sorte nossa que os fragmentos da porta não nos acertaram.
- Lestrigão — Barbara gritou. – Kelly e Leo saiam daí agora.
Corremos para mais perto de Percy, Barbara e Nico.
Não foi bem uma luta. Bem o ‘gigante’ era bobo e foi desintegrado 2 segundos depois.
- Nossa, que sorte.- Percy disse.
- Sorte mesmo. Cara parabéns Percy, você foi muito rápido- Disse Barbara.
Percy e Barbara começaram a falar sobre um monte de tipos diferentes de defesas e ataques e eu não estava entendendo nada e diminui o meu passo. Leo estava do lado deles com um objeto pequeno nas mãos. Ele estava com uma expressão triste. Engraçado, pouco tempo atrás ele estava tão alegre. Deve ter sido por que não foi ele quem matou nosso primeiro monstro na missão. Restava eu e Nico andando um pouco atrás, não disse uma palavra a ele. Na verdade estava ignorando ele.
- Bem, acho que não temos muito sobre o que falar — Disse Nico rompendo o silêncio.
- É. Realmente. Acho que você esgotou sua cota de assuntos, com a Barbara. – Disse normalmente.
- E você com o Leo. – Nico retrucou.
- Talvez seja por isso que ele não queira conversar comigo agora. – Falei tristemente.
- Por quê? Vocês brigaram? – Perguntou ele, curioso.
- Não exatamente. – Falei e suspirei.
- Ok, entendi. Não quer conversar. Porque eu estou sentindo que você esteja um pouco, sei lá, distante? – Olhei para ele e ele estava com uma expressão confusa no rosto.
- Talvez seja porque eu esteja. – Olhei para o chão e chutei um pouco de areia.
- Ok. – Falou, depois entramos em um momento de silêncio mortal.
Estávamos cansados, resolvemos parar e comer alguma coisa, eu não estava com fome, Avistei uma pedra um pouco longe dali e fui em direção á ela. Disse-a Percy e fui. Sentei na pedra e percebi que tinha sido seguida.
- O que está havendo, Purpurina? – Nico me perguntou.
- Uai, nada. – Respondi imediatamente.
- Será que vou precisar te torturar para te fazer falar? – Ele falou em tom de brincadeira, quer dizer, eu achava que era em tom de brincadeira. Olhei para a espada negra que ele carregava e suspirei.
- Não é nada. Só estou preocupada com a missão. E to com ciúmes de você com a Barbara. E agora o Leo está estranho comigo.
Ele riu.
- Eu derramo toda a complexidade do meu ser em cima de você. E você ri. Nico. Eu vou te matar. – Falei com cara de brava.
- Como você é idiota ein, primeiramente, você é a boba, e ainda por cima dramática. – Ele falou sorrindo escandalosamente.
- Sou mesma Nico. E daí.
- Vem cá. Deixa eu te dar um abraço. Já que você me ama tanto que não suporta vê que eu converse com outra garota. – Ele estava debochando de mim na cara de pau. Nico mau.
- Prefiro morrer. – Falei ainda com raiva.
-Ok. Você quer que eu te ajude nisso? – Perguntou sério.
- Eu tava brincando seu bobo — levantei e dei um abraço naquele magrelo chato.
- Sabia que você não resistiria a mim. – Disse afagando meu cabelo.
- Ah como você se acha. – Me afastei de seu abraço e encarei-o.
- É sabe aprendi com o Leo. – Nico sorriu e eu o acompanhei.
- É o Leo é o rei do sou, mas que tal voltarmos pra lá?
- Vamos sim.
Voltamos sorrindo e eles nos olharam com uma expressão maliciosa no rosto. Principalmente Leo.
- Que foi? – Perguntei nervosa.
- Fugidinha no deserto. – Leo disse rindo.
- Ai como você é idiota Leo. – Nico falou rindo também
-Nico esperto você ein... Quer as duas da missão. – Leo disse dessa vez mais tranquilo.
Com essa o Nico corou e a Barbara também.
- Cala a boca Leo.- Percy disse segurando o riso.
- Er, vamos seguir nosso rumo?- Eu perguntei.
- Vamos sim. Temos que arranjar um lugar para passarmos a noite. Já é quase noite... Amanha chegaremos ao nosso destino. — Nico disse com uma expressão seria no rosto.
Fomos andando, no mesmo esquema Percy, Nico e Barbara um pouco na frente e Leo auxiliando a pobre coitada eu a levar a mochila pesada.
- Você está salvando a pátria, Leo. – Disse agradecida.
- Não, não, apenas descobri que a mulher maravilha, no caso você, não é tão forte quanto eu pensava.
Nós começamos a rir, como sempre Leo e Kelly os bobos da missão.
Achamos um lugar perfeito para acampar. Tinha uma 3 rochas grandes formando uma espécie de cômodo, armamos nossa barraca ali. Ficou estabelecido que eu e Barbara montássemos a primeira guarda, pois os meninos ficariam a madrugada.
Nesse meio tempo ficamos conversando e olhando as estrelas, belas estrelas.
- Ei Kelly, o que você acha do Nico? – Ela perguntou. Bem assunto delicado esse, ein.
- Ah ele é muito legal, por quê? – Disse dando de ombros.
- Vou te contar porque confio muito em você. – Ela disse com um brilho no olhar.
- Contar.. Hm.. O que vem por ai? – Eu já imaginava o que seria. Provavelmente ela estaria apaixonada por Nico.
- Bem eu já conheço ele do acampamento, cheguei lá faz umas 3 semanas, e bem a gente meio que se tornou uma dupla incrível, e grandes amigos. Ele sempre me ajudou, quando podia, e quando não estava no mundo inferior. E ai eu comecei a gostar dele. O primeiro dia no navio, conversamos pouco mais, e ontem enquanto você dormia, bem, conversamos mais e ele disse que... – Ela parou bruscamente, como se estivesse se recordando do que aconteceu.
- Que? – Perguntei para a tirar do devaneio.
- Ai eu estou tão feliz, acho que vou desmaiar de tanta felicidade. – Ela disse sorrindo.
- O que houve? – Perguntei ansiosa.
- Ele me beijou. Mas por favor, não conte para o Leo nem para o Percy, te contei porque você é minha amiga, e nem fale pro Nico que eu te contei. Bem, era pra ser segredo. – Ela ficou esplêndida por um momento.
-Ah, nossa que maravilha. — O desânimo na minha voz era mais que evidente.
- Você não gostou? – Ela parou de sorrir.
- Mas é claro que gostei e que sabe hm, sono. Já estamos aqui faz horas eu acho. – Tentei desviar a atenção dela do assunto.
- É verdade. Na verdade passaram-se 4 horas, que estamos conversando e rindo.
- Rir é com a gente mesmo ein, Barby?
- Somos as melhores das melhores do mundo em rir. – Barbara falou sorrindo.
Ela riu e eu também. E fomos acordar os meninos.
- Hm.. Já? Kelly? Sabia que eu fico uma gracinha dormindo? Porque você não apenas ficou olhando a gracinha dormir?- Leo disse. Fiz uma nota mental para que eu nunca mais elogiasse Leo Valdez.
- Ah desculpe super fofo, é que a mulher maravilha aqui está com sono. – Fiz beicinho.
- Ah, tá sendo assim eu posso deixar um lugar aqui pra tu do meu lado. – Ele deu palmadinhas do lado dele.
- Mas você não vai ficar de vigia? – Barbara perguntou.
- Não não, Percy e Nico disseram que eu podia ficar dormindo, porque eles tinham que conversar sobre algo maior que o meu entendimento. – Ele deu de ombros e se reencostou no travesseiro improvisado.
- Ah okay. Então chega pra lá. — Deitei o mais longe possível dele, apesar de que o mais longe era 3 centímetros de distância. E puxei a coberta dele só por implicância.
- Ah Kelly eu sei que você me ama e pode ficar com a coberta sabe, não preciso dela pra ficar quente. – Ele disse com os olhos fechados.
Barbara estava deitada ao meu lado, começou a rir.
- Leo, você é idiota- Ela disse.
- Juraaa? – Eu disse.
Percy apareceu na “porta” da barraca e perguntou:
-Qual é a graça?
- Leo...- Barbara disse
Ele saiu rindo junto com o Nico.
E eu me pus a fechar os olhos sem estar com um pingo de sono e com medo de...
-E ah Kelly, sabe sobre noite passada, eu menti, você não fala enquanto dorme. — Leo disse.
- É seu imbecil, eu não falo. – Concordei.
- Mas aposto que se falasse, diria meu nome. — Ele virou para o outro lado e me deixou olhando atônita pra ele.
Não sabia o que pensar sobre esse comentário, por isso resolvi deixar para lá. Bem queria dormir em paz, sem nada para me incomodar, então me concentrei no som da respiração de Leo e de Barbara e logo dormi. Dormi e me arrependi muito por isso. Eu tive o pior pesadelo de toda a minha vida. Eu estava em um lugar escuro e tinha um vento frio que fazia com que tudo ficasse arrepiante, eu estava sozinha a não ser por aquele cara, um cara que parecia ser novo o bastante para ser meu namorado e ao mesmo tempo tinha uma velhice aparente a ponto de ser meu bisavô. Cara ele era sinistro e tinha uma voz embargante que deixava tudo mais sinistro ainda. E ele dizia que eu deveria ficar calma, ai eu pergunto como eu posso ficar calma com um cara estranho e eu amarrada em uma cadeira? Ele dizia também que minha hora chegaria, que eu iria ajudar a fazer deste mundo outro mundo. Ele precisava do meu poder. E eu precisava dele para salvar meu pai e minha mãe. Ele dizia que logo logo iríamos ter que fazer um acordo, só que estaríamos cara a cara. E ele saiu e me deixou sozinha presa na cadeira, só que de repente ao meu lado apareceu outras duas cadeiras, uma do lado direito e outra do esquerdo. Meu pai e minha mãe, e eles estavam imóveis e pálidos. E assim meio do nada as cordas desaparecem e no lugar delas um tridente apareceu. E era a arma que podia salvar minha família, eu só tinha que prometer me doar a aquele homem. Mas eu não conseguia me mover, nem gritar. Até que o homem cansou de esperar e de minhas mãos o tridente pegou e com uma ultima luz que vinha em minha direção meu pesadelo acabou.
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