Percy Jackson E A Filha De Hades
6 Capítulo 6
- Fizeram uma aliança temporária com Atena. Esta noite, tiraremos a bandeira de Ares. – Disse Percy.
- Idiotas! Aliança com Atena? É impossível isso dar certo, os filhos de Atena não vão nos ajudar em nada, vão tirar proveito de nós para ganhar. São filhos da Deusa da sabedoria e estratégia de batalha está óbvio que vão ganhar.
As equipes foram anunciadas. Atena tinha feito uma aliança com Apolo e Hermes, os dois chalés maiores. Aparentemente, haviam sido trocados privilégios – horários de chuveiro, escala de deveres, as melhores posições nas atividades – a fim de ganhar apoio. Ares tinha se aliado a todos os outros: Dioniso, Deméter, Afrodite e Hefesto.
Quíron bateu o casco no mármore.
- Heróis! – Anunciou. – Vocês conhecem as regras. O riacho é o limite. A floresta inteira está valendo. Todos os itens mágicos são permitidos. A bandeira deve ser ostentada de modo destacado e não deve ter mais de dois guardas. Os prisioneiros podem ser desarmados, mas não podem ser amarrados ou amordaçados. Não é permitido matar nem aleijar. Servirei como juiz e médico de campo de batalha. Armem-se!
Ele estendeu as mãos e as mesas subitamente se cobriram de equipamentos: capacetes, espadas de bronze, lanças, escudos de couro de boi recobertos de metal. Eu realmente odiava aquilo, fui armada com um escudo gigante e pesado demais para mim, meu capacete como todos do lado de Atena e seus aliados, tinha um penacho de crina azul no topo. Ares e seus aliados tinham penachos vermelhos.
Annabeth gritou:
- Equipe azul, para frente!
Todos aplaudiram e agitaram suas espadas, seguimos Annabeth para baixo pelo caminho para os bosques do sul. A equipe vermelha gritou nos provocando enquanto seguia em direção ao norte. Eu iria ajudar Percy na patrulha de fronteira, segui-o até perto do riacho, acho que não é uma boa ideia ficar por ali. Ele se ajeitou em um canto qualquer e eu subi em uma árvore onde poderia vigiar sem ser vista.
Percy ainda não tinha me visto, provavelmente acho que está sozinho. Eu observava cautelosamente cada centímetro daquele lugar. Longe, uma trombeta de caramujo soou. Ouvi brados e gritos nos bosques, metais chocando-se, gente lutando. Um aliado de Apolo de penacho azul passou por Percy correndo como um cervo, pulou o regato e desapareceu em território inimigo.
Ouvi um rosnado canino grave em algum lugar por perto. Preparei-me para pular caso alguma coisa acontecesse. Do outro lado do regato, a vegetação rasteira explodiu. Cinco guerreiros de Ares saíram gritando e berrando da escuridão.
- Acabem com o mané! – berrou Clarisse.
Ela brandiu uma lança quase da minha altura, a ponta de metal farpado lançando chispas de luz vermelha. Seus irmãos só tinham espadas de bronze comum. Eles atacaram cruzando o regato. Percy conseguiu se esquivar do golpe do primeiro garoto. Eles o cercaram, e Clarisse investiu contra Percy com sua lança. Seu escudo desviou a ponta, mas era visível que não foi suficiente. A lança lançava raios vermelhos para cima de Percy. Eletricidade. Aquela lança era elétrica. Percy recuou.
Outro garoto de Ares golpeou seu peito com a parte mais grossa da espada e ele caiu. Pensei por um momento em pular para ajuda-lo, mas era muito arriscado, poderia acabar atrapalhando Percy. Os filhos de Ares poderiam acabar com ele, mas estavam ocupados demais rindo.
- Façam um corte no cabelo dele. – Disse Clarisse. – Agarrem o cabelo dele.
Percy se pôs de pé e ergueu a espada, mas Clarisse a jogou com brutalidade para o lado com sua lança, e fagulhas voaram.
- Ah, uau! – Disse Clarisse. – Estou com medo desse cara. Realmente apavorada.
-A bandeira está para lá – disse Percy.
- É. – Disse um dos irmãos dela. – Mas, veja bem, nós não nos importamos com a bandeira. A gente se importa com um cara que fez o pessoal do nosso chalé de idiota.
- Vocês não precisam de mim para isso. – Respondeu Percy, o que acho que não foi muito inteligente de sua parte.
Dois deles foram para cima de Percy que recuou em direção ao regato e tentou erguer o escuro, mas Clarisse foi mais rápida e sua lança o atingiu bem nas costelas. Um de seus colegas de chalé desferiu a espada contra seu braço, fazendo um bom talho.
- Sem aleijar. – conseguiu dizer.
- Oops – Disse o cara. – Acho que perdi meu direito à sobremesa.
Ele empurrou Percy para o regato e ele caiu espalhando água. Todos riram. Foi aí que vi, eles estavam indo para cima de Percy, não deixaria. Pulei da árvore, mas continuei escondida, se eles fossem para cima de Percy eu iria para cima deles. Clarice e seus companheiros entraram no regato para pegá-lo, mas ele se pôs de pé e desferiu a parte chata de sua espada contra a cabeça do primeiro cara e arrancou seu capacete.
Atingiu-o com tanta força que o fez desmoronar na água. Outros dois foram pra cima dele, que golpeou um no rosto com o escudo e usou a espada para decepar o penacho da crina do outro. Os dois recuaram depressa.
Cheguei por trás do quarto brutamonte e o acertei na nuca com cabo da espada fazendo-o desabar, quando vi Percy ele estava partindo a lança de Clarisse do meio com sua espada, juro que na hora minha boca formou um perfeito “o”.
- Ah! – berrou ela. – Seu idiota! Seu verme com bafo de cadáver!
Ela provavelmente teria dito mais coisa, mas ele a golpeou entre os olhos com a base da espada e a jogou cambaleando de costas para fora do regato. Foi quando vi o que estava acontecendo. Gritos exultantes e Luke correndo em direção à linha limite com o estandarte da equipe vermelha erguido alto.
Vinha flanqueado por alguns garotos de Hermes, cobrindo sua retirada, e alguns Apolos atrás deles, combatendo os garotos de Hefesto. O pessoal de Ares se levantou e Clarisse resmungou uma praga estupefata.
- Uma armadilha! – berrou. – Foi uma armadilha.
Eles saíram cambaleando atrás de Luke, mas era tarde demais. Todo mundo convergiu para o regato enquanto Luke atravessava território amigo. Nosso lado explodiu em vivas. O estandarte vermelho tremulou e ficou prateado. Todos da equipe azul ergueram Luke nos ombros e começaram a carrega-lo. Quíron saiu a meio galope do bosque e soprou a trombeta de caramujo.
- Nada mau, herói. – Disse Annabeth. – Onde diabo aprendeu a lutar assim?
- Você armou isso pra mim – Disse Percy. – Você me pôs aqui porque sabia que Clarisse viria atrás de mim, enquanto você mandava Luke dar a volta pelos flancos. Já tinha tudo preparado.
- Eu disse para você. Atena sempre, sempre tem um plano.
- E eu avisei que alguém do chalé de Atena iria tirar proveito para ganhar. – Falei a ele.
- Um plano para que eu fosse reduzido a pó.
- Eu vim o mais rápido que pude. Estava pronta para entrar na briga, mas... Você não precisava de ajuda. E Nicole estava aqui o tempo todo. – Terminou e depois reparou em uma cicatriz no braço dele. – Como arranjou isso?
- Corte de espada. O que você acha?
- Não. Era um corte de espada. Olhe só.
- Eu... eu não entendo.
- Saia da água Percy. – Disse eu.
- O que...
- Apenas saia. – repeti.
Ele saiu do regato e quase caiu em cima de Annabeth por franqueza.
- Oh, Estige – praguejou ela e um sorriso se abriu em meu rosto, ela havia percebido. – Isso não é bom. Eu não queria... eu pensei que podia ser Zeus...
- Eu avisei – cantarolei, e antes que Percy perguntasse algo o rosnado canino voltou, porém muito mais perto. Um uivo cortou a floresta. A comemoração dos campistas cessou imediatamente. Quíron bradou alguma coisa em grego antigo que eu entendi depois como um:
- Preparem-se! Meu arco!
Annabeth sacou a espada e eu fiz o mesmo.
Sobre as pedras, logo acima de nós, havia um cão preto do tamanho de um rinoceronte, com os olhos vermelhos como lava e presas que pareciam punhais.
Olhava diretamente para Percy. Ninguém se moveu exceto Annabeth e eu que gritamos ao mesmo tempo:
- Percy, corra!
Annabeth se pôs em frente á Percy e o bicho saltão por cima dela, avançando nele. Mas antes que pudesse fazer algo uma chuva de flechas brotou no pescoço do cão e ele caiu morto no chão.
- Di Immortales! – disse Annabeth. – Aquilo é um cão infernal dos campos de punição. Eles não... eles não deveriam...
- Alguém o convocou – disse Quíron. – Alguém dentro do acampamento.
Luke se aproximou, o estandarte esquecido em sua mão, o momento de glória acabado. Clarisse berrou:
- É tudo culpa do Percy! Percy o convocou!
- Fique quieta, criança – ordenou-lhe Quíron.
Nós assistimos enquanto o cão infernal se dissolvia em sombras e era absorvido pela terra até desaparecer.
- Você está ferido – Disse Annabeth à Percy. – Rápido, Percy, entre na água.
— Eu estou bem...
- Não, você não está – disse ela. – Quíron, veja isso.
Percy entrou na água, e pequenos trechos subiram sobre seus ferimentos, cicatrizando-os. Alguns campistas sufocaram um grito, eu apenas sorri por estar certa todo esse tempo.
- Percy – Disse Annabeth. – Ahn...
Sobre a cabeça de Percy havia um sinal, um tipo de holograma de luz verde, girando e cintilando. Uma lança de três pontas: Um tridente.
- Seu pai – murmurou Annabeth. – Isso realmente não é bom.
-Está determinado. – anunciou Quíron.
Ao meu lado todos os campistas começaram a se ajoelhar, até mesmo o chalé de Ares, embora não parecessem muito felizes com isso. Imitei o gesto.
- Meu pai?
- Poseidon – Disse Quíron – Senhor dos Terremotos. Portador das Tempestades. Pai dos Cavalos. Salve, Perseu Jackson, filho do Deus no Mar.
Cutuquei Annabeth e sussurrei, — É, eu estava certa. – Ainda sorridente.
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