Notas iniciais
Primeiro capítulo, espero que gostem.

Meu dia teria começado muito bem, se eu não fosse expulso de mais uma escola. A Goode High School me dispensou alegando que eu sou um “garoto problemático”. Paul Blofis – meu padrasto –, bem que tentou conversar com o diretor. Mas, infelizmente, não teve jeito.

Eu estou voltando para o acampamento por um chamado de urgência de Annabeth. Eu fiquei bastante surpreso, mas não imagino que seja algum monstro. O ano foi incrivelmente calmo, talvez porque nós tenhamos derrotado o exército do titã Cronos, no verão passado.

– Percy! Isso é sério. – disse minha mãe. – Desse jeito não teremos mais escolas para matricular você.

Bem, minha mãe é uma pessoa maravilhosa, e ela não consegue ficar com raiva de ninguém, mas o que ela está falando é verdade. Bem, digamos que eu já fui expulso de algumas escolas por alguns acontecimentos estranhos, e talvez no ano que vem não tivesse mais escolas nas quais ela poderia me matricular.

– Desculpe, mamãe. – disse eu. – É só que... você sabe, eu tenho déficit de atenção, hiperatividade e dislexia.

Esses são alguns aspectos que todos os semideuses têm. Grover me falou há cinco anos, quando eu ainda estava conhecendo o acampamento, que TDAH era efeito dos meus reflexos de batalha.

– E o que exatamente a Annabeth quer? – perguntou mamãe. – É algo muito sério?

– Eu não sei, – respondi. – Ela apenas me disse para que chegasse ao Acampamento o mais rápido possível.

– Não gosto disso. – disse ela. – O acampamento nunca o chamou no meio do ano letivo.

– É verdade. – respondi um pouco apreensivo.

Seguimos o resto da viagem em silêncio. Passamos pelos lindos campos de morangos de Long Island e chegamos a beira da colina do acampamento.

– Obrigado mãe. – Agradeci enquanto descia do carro – eu vou falar com Quíron, assim que tudo estiver certo, eu lhe mando uma mensagem de íris, ou quem sabe um telefonema.

– Obrigada, querido. – disse ela. – fique bem!

Então assim, caminhei cerca de um quilômetro até chegar ao topo da colina e atravessar o famoso pinheiro que divide o acampamento do mundo mortal.

Mesmo aqui de cima, pude ver o acampamento igual ao verão passado: a linda Casa Grande com alguns campistas na varanda. Outros campistas jogando vôlei na quadra, e alguns filhos de Ares jogando maldições nos filhos de Apolo. Fiquei feliz por estar de volta.

Fui recebido por Quíron e Annabeth na casa grande, e pude ver a apreensão nos seus olhos. Alguma coisa tinha acontecido.

– Ei Quíron! – disse eu. – Ahn, olá Annabeth. – então dei um beijo caloroso nela, mas logo percebemos que Quíron estava nos olhando e paramos.

– Ahn, desculpe Quíron – disse eu. – Mas então, porque vocês me chamaram aqui?

Quíron estava em sua cadeira de rodas, e se mexia nela desconfortavelmente.

– Percy, temamos que Cronos tenha voltado. – respondeu Quíron. – Ele não morreu por completo lá no Olimpo, apenas o corpo de Luke foi morto. A alma de Cronos está viva e ela pode se hospedar em outro corpo mortal. E Cronos está em busca disso. Precisamos impedir.

– Ótimo, Luke morreu e mesmo assim a alma de Cronos está vagando por aí. Não gostei nem um pouco disso. – respondi.

Pude ver que Annabeth estava com olhos vermelhos de tanto chorar, devia ser por isso, Luke morreu tentando ajudar, e agora parecia que foi em vão.

– Mas mesmo assim Quíron, nós derrotamos quase todo seu exército. – continuei. – Mesmo ele se reerguendo, deverá esperar séculos para os monstros renascerem.

Quíron e Annabeth trocaram olhares como se já tivessem falado sobre esse assunto.

– Percy, nós achamos que Cronos pode estar buscando a Pérola da Renascença. – esclareceu Quíron.

– O que exatamente é isso? – perguntei.

– É uma pérola de tom alaranjado. Ela não aparece nos contos e nas histórias, mas dizem que ela foi feita pelo próprio Hades. E tem o poder de ressuscitar quantas pessoas você quiser, em questão de segundos. – disse Quíron. – Ela está perdida, e não tem ninguém que tenha visto há séculos. Mas o titã acredita na possibilidade de encontrá-la. E se ele encontrar, Cronos poderá reerguer monstros muito mais perversos que empousas e telquines, acredite nisso.

Eu fiquei um pouco confuso, mas depois de tantos anos com Quíron, aprendi a não fazer muitas perguntas. Pela janela da Casa Grande, vi alguns campistas no lago de canoagem, e outros na parede de escalada. Era inverno, e mesmo assim, tinham muitos campistas no Acampamento. E para eles, tudo estava na mais perfeita paz.

– Então, você me chamou para partir em busca da pérola. – perguntei. – Muito bem, creio que eu deva visitar o Oráculo.

– Sim, Percy, mas é claro que você se lembra que nosso Oráculo agora é sua amiga Rachel, não é?

No último verão, minha amiga mortal Rachel Elizabeth Dare, se tornou o oráculo. Ela trocou sua mansão em Manhattan por um gruta aqui no acampamento meio-sangue. Vai entender.

– Ahn, claro que eu lembro Quíron. – A verdade é que eu ainda não me acostumei com a Rachel recitando profecias. – vou até à gruta. Ela está lá?

– Está sim. E, Percy, vá sozinho. – ele disse isso olhando para Annabeth.

Sai da Casa Grande e fui até a gruta em que a Rachel costuma ficar. É um pouco antes do pinheiro que faz fronteira do acampamento. A gruta é um lugar escuro, e possui algumas tochas nas laterais. Não é um lugar muito comprido, mas por conta do escuro, não dá para ver o fundo.

– Muito bem, Rachel, – chamei pelo lado de fora. – Você está aí?

– Sim, Percy. – ela respondeu. – Pode entrar.

Caminhei e cheguei ao fundo da gruta. Rachel estava sentada em uma espécie de banco de tronco e no meio tinha um caldeirão. Preferi não perguntar o que era, algumas coisas são melhores não ditas.

– Imagino que não esteja aqui apenas por visita. – sugeriu Rachel. – Você quer ouvir uma profecia, certo?

– Sim. – respondi. – Rachel, você não deveria estar na academia para moças de Clarion?

– Hum, deveria. – disse ela. – Mas bem, eu fui expulsa. Meu pai não gostou nada disso e me mandou para um internato em San Francisco. Eu fugi, mesmo para o espírito do Oráculo, San Francisco é perigoso.

– Entendo. Minhas visitas lá realmente não foram boas. – disse eu. – Mas então, preciso de uma profecia. É que eu tenho uma missão para buscar uma pérola e...

– Não precisa dizer. – Rachel me interceptou. – Eu sou apenas o Oráculo, Percy. Não quero saber sobre as missões, isso pode afetar a profecia.

– Então, por favor, recite a profe... – eu perdi a voz. Rachel havia ficado perfeitamente parada, como se estivesse ali por séculos, ela abriu a boca e saiu uma fumaça verde, Percy já escutou três profecias. Mas as três foram de uma múmia no sótão, se é que era possível, escutar uma profecia de Rachel era ainda pior. Ela começou a falar:

A busca pela Renascença irá começar

Participantes da caçada não poderão ajudar

Sobre o Olimpo, poder terás

Um dos viajantes ficará pra trás

O olimpo, poderás destruir ou salvar

No fim, faça o que seu coração mandar

Continua...

Notas finais
Se gostaram deixem reviews aqui emabaixo :)))) Vai, não custa nada.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.