Percepção
1 Capítulo Único - Perceber o Amor
Notas iniciais
Boa leitura :3
– Vá... Leve-a daqui... – ele conseguiu dizer roucamente entre as arfadas de sua respiração pesada. Por todo o corpo haviam ferimentos que suas escamas de ferro não conseguiram proteger, suas roupas estavam sujas devido as várias quedas no chão de terra seca e era perceptível, se prestasse atenção, que suas pernas estavam trêmulas, a ponto de fazer o Dragon Slayer cair a qualquer momento. O gato preto, em sua forma de batalha, observou a esses detalhes atentamente, mesmo sabendo que não era hora e nem lugar para isso.
– Gajeel... Tem certeza? – perguntou, um pouco inseguro, enquanto olhava para a pequena garota de cabelos azuis encostada em um canto, inconsciente por causa de um terrível golpe que lhe fora lançado pelo inimigo.
– É claro, eu cuido desse aqui com os olhos fechados. – sorriu sadicamente, os olhos escuros pela ira olhando fixamente naquele que entrara em seu caminho e estava lhe causando danos, não só em seu corpo, mas também em seu coração, que ficava apertado ao ver aquela garota que entrara em sua vida correndo o mínimo de perigo, seja ele qual fosse. – Vá para aquele lugar e me espere até eu acabar por aqui.
Seu companheiro exceed decidiu ouvi-lo e fez o que foi pedido, sem muitas dificuldades colocou a devoradora de livros em suas costas e segurou firmemente suas pernas claras e pequenas.
– Lily... – ele disse, mais calmo, para chamar sua atenção. – Cuida bem... da baixinha. – sua expressão se tornou um pouco mais leve ao se referir a ela.
– Claro. – o exceed negro se virou e começou a andar, se desaproximando cada vez mais do local da batalha.
Sua mente nunca esteve tão confusa e agitada. Estava há pouco tempo em Earthland e seu desejo era de entender e compreender tudo o que havia nesse mundo que o fascinava tanto. Mas para ele era tão difícil, estranho... Era diferente. Em um tempo distante, em sua terra natal, ele não se importava ou se interessava nas relações com e entre as pessoas. Porém ali, agora e desde que chegou, seu desejo de entender tudo isso que ele havia ignorado uma vez era enorme. Compreender e talvez até chegar a sentir o que sempre fazia as pessoas ao seu redor levantar a cabeça e não desistir. E, para ele, isso era mais conhecido como amor.
O exemplo mais próximo que o gato preto conhecia era o próprio companheiro. Achava incrível o jeito como suas forças aumentavam quando um certo alguém precisava, de algum jeito, da sua ajuda. E ele estava com esse alguém em suas costas.
Já havia se passado alguns minutos e com certeza os dois já estavam bem longe do lugar em que antes lutou. Começou a sentir dificuldades em manter a sua forma humanóide por mais tempo. Mesmo disperso em pensamentos e com algumas dores pelo corpo ele pôde sentir com facilidade uma pequena movimentação da maga.
– Gajeel... – ela sussurrou, acordando aos poucos e com os olhos ainda meio sonolentos. Quando se deu conta da situação e se lembrou do que havia acontecido, disse um pouco mais alto e assustada: — Li-Lily! Cadê o Gajeel?! – levantou o rosto preocupada e estranhou um pouco o fato do exceed estar a carregando.
– Levy, fique tranquila. Nós... – procurou palavras para não preocupá-la ainda mais. – Tivemos que nos separar, mas nos encontraremos em breve. – não era de todo uma mentira, mas não achou que se sentiria bem contando toda a verdade.
– Bom... Ele vai ficar bem, não é mesmo? – deu um singelo sorriso. – E-eu não estou te incomodando? – perguntou um pouco sem jeito e com as bochechas em um leve tom de vermelho.
– Tenho certeza que ele vai. E não, não é incômodo algum. – agradeceu mentalmente por ter sua pelagem escura a ponto de dificultar a percepção de um mínimo rubor em suas bochechas.
Porém, em minutos ele já havia mudado sua expressão. Ficou mais rígido e nervoso, e se perguntando porque sempre havia contratempos, situações de risco em relação à sua guilda. Tal atitude do gato preto não passou despercebida pela maga, que refletiu e procurou pelas palavras certas para dizer em uma situação assim.
– Lily... – ele começou a andar mais devagar, demonstrando atenção e interesse no que ela iria dizer. – Sabe... – não seria fácil explicar isso, mas ela sentia que deveria ao menos tentar. – Bem, na vida, as pessoas sempre têm dificuldades e... – espera, melancólico demais. – Ah, o que eu quero dizer é que todos nós passamos e iremos passar por situações um tanto... desagradáveis e perigosas, mas... sempre teremos alguém do nosso lado para nos ajudar e... Kyah! – se assustou ao ser pega de surpresa por uma luz forte bem próxima ao seu corpo.
É... O tempo para Pantherlily usar sua forma original acabou. Ele conseguiu cair em pé, mas ela já não teve tanta sorte e acabou caindo sentada. Ambos estavam com uma expressão fofamente assustada.
– Tudo bem? – olhou para ela. Porém, a preocupação temporária que teve já havia ido embora ao vê-la com um sorriso no rosto, como se estivesse tentando conter o riso. Ele concordou mentalmente, tinha que admitir que a queda deve ter sido bem engraçada.
Uma questão boba que já estava muitos dias em sua cabeça veio a tona e perguntou sem rodeios:
– Levy... como é... ter amigos?
A princípio ela se espantou com tal pergunta sem significado aparente, mas logo tudo foi fazendo sentido em sua cabeça.
– Eu não sei... explicar... – ela disse e o observou abaixar sua cabeça. O pequeno gato estava com um olhar dividido entre vazio e triste, mas sua expressão permanecia séria. – Não se preocupe, em breve você descobrirá por si mesmo. – a garota colocou uma mão delicadamente na cabeça dele, fazendo uma pequena carinho.
– Como assim? – ele a olhou abismado, mas sem recusar aquela mão pequena e quente que sempre o alegrou.
– Você agora é um mago da Fairy Tail. – ela sorriu. – Sempre estará rodeado de idiotas barulhentos causadores de confusão. Pode sempre contar com eles, com o Gajeel... e comigo.
Percebeu com mais atenção a carícia que ela estava fazendo e seu coração acelerou. Só então ele realmente viu algo que estava há tempos em sua frente. Como ele não havia percebido isso antes?
Ele já sabia. Já sabia como era estar feliz por causa de alguém, como era rir verdadeiramente mesmo sem escutar uma ótima piada, como era sentir um desejo de proteger aqueles que... amava. Sim, Pantherlily estava amando. Amando seus amigos e companheiros... a sua família.
Mas só agora percebeu.
– Obrigada... Levy... – inclinou a cabeça com um sorriso. Em seu rosto havia as mesmas feições sérias de sempre, contanto, estava mais sereno.
Tudo iria ficar bem, afinal, ele tinha um cabeça de ferro, a maga mais inteligente que conhecia e todos os membros da Fairy Tail ao seu lado.
Tinha coisa melhor?
Notas finais
O que achou? ^-^
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