Percabeth - O final está longe de chegar
24 Capítulo 25 - Eu viro uma isca
Notas iniciais
POV ANNABETH
–Sabe – disse Rachel (Dare) – foi por isso que eles taparam a sua boca.
Eu não acho que ela estivesse falando com os ciclopes. Eu redirecionei meu olhar para a outra Rachel, e ela realmente estava com algum tipo de mordaça na boca. Ela estava coberta de cortes, nos braços, pernas e alguns no rosto, ela se remexia, se debatia e eu posso jurar que ela está vermelha, possivelmente de raiva.
–Para de se mexer – Rachel (Dare) disse calma, para falar ela estava calma até demais pra alguém que está pendurada de cabeça para baixo prestes a ser comida por dois ciclopes – Se você continuar a se mexer, a corda vai ceder e nós vamos cair nesse caldeirão extremamente mal cheiroso aqui.
–Mal cheiroso? — o ciclope que estava em pé rosnou. Ele pareceu ofendido – Mal cheiroso não.
–É mal cheiroso sim, assuma. Nem um gambá morto fede tanto – Rachel tinha poucos arranhões pequenos no rosto e mais alguns no braço, mas não parecia se preocupar muito com isso.
–Gambá morto? — o ciclope estava a ponto de chorar.
–É, gamba morto. Sabe, ás vezes aqueles sachezinhos que colocam para a comida ter gosto, pode fazer toda a diferença do mundo – eles estavam tendo uma conversa construtiva, não sei se ela só queria passar o tempo ou se tinha algum propósito com isso.
– Knorr? — ele rosnou.
–É é, Knorr, mas também FullHit, tem o Fix, tem o Ccat – disse ela- Se bem que pra dar um jeito nisso aqui só água sanitária... – ela concluiu pensativa.
–Sanitária cheira mal – disse ele.
–Cheira mal? Mas a... Para de se mexer!! – ela disse para a outra Rachel que não parava de ser contorcer na corda, ela já estava suada – Olha amigo, será que você podia tirar esse pano da boca da minha colega aqui? é que eu acho que ela vai acabar explodindo.
–Explodindo... Boom? — ele perguntou.
–É... Boom, explodindo Boom – ela confirmou. Ele largou alguma coisa de propósito que fez um estrondo que ecoou por todo o ginásio.
–Explodindo Boom – ele murmurava enquanto se aproximava da outra Rachel – Boom, explodindo boom.
–Até que enfim – Rach disse ofegante – Sua voz consegue ser mais irritante de perto, afasta mais pra lá!
–Não tem como eu afastar mais pra, o princípio do “amarrada juntas” é ficar amarradas juntas!
–Ah que ótimo – Ela suspirou e então notou que o ciclope a fitava – Que coisa estranha, HEY para de me olhar! Pede logo para esse seu novo amiguinho desamarrar a gente daqui.
–Edward – disse Rachel – não amiguinho, Edward.
–Ed... você deu um nome pra ele? — ela tentou olhar para a outra Rachel, mas elas estavam amarradas de costas uma pra outra, então ela só olhou para o lado — Você só pode estar de brincadeira.
–Não estou, Edward é legal – ela sorriu – Edward, por favor, você poderia tirar a gente daqui? sabe, desamarrar- Ela apontou para os pés.
–Corda? — ele perguntou. Não acho que ele saiba formular uma frase inteira.
–é é, isso mesmo. Tirar a corda, pra a gente sair daqui – Rachel disse bem explicado.
–O mais rápido possível – Rach murmurou.
–Tirar corda – ele rosnou enquanto se aproximava das meninas. Ele estendeu as mãos, ele de fato ia tirar elas dali.
–O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?- uma voz rosnou. Parece que o ciclope adormecido finalmente acordou, ele era um pouco maior que Edward e um pouco mais assustador – Seu imbecil, você não pode desamarrar elas, sai daqui, anda, sai.
Ele enxotou Edward.
–Ah, que legal. Olha quem voltou – Disse Rach com falsa animação.
–Vocês, garotinhas espertas – ele olhou para Rach – porque você está sem o pano?
–Não sei, pergunta para o seu namoradinho aí.
–Namoradinho? ahn? ele não é o meu namorado, ele é o meu irmão! Agora vamos, ei você me traz o pano pra tapar a boca dessa aqui- ele chamou Edward.
–Não, De novo não! – ela voltou a se debater.
–Ai, isso doeu – Rachel exclamou quando Rach bateu a cabeça nela.
–Põe o pano na boca dela, AGORA- ele rosnou, Edward abaixou a cabeça com um “sim”, pegou o pano preto e se aproximou de Rach.
–Edward, não – Rachel gritou – não, não faça isso. Não faça o que ele diz.
Edward hesitou por uns segundos, o outro ciclope o fitou incrédulo.
–Sai daqui – ele enxotou mais uma vez Edward e tomou o pano de sua mão – Você, garota esperta – ele apontou para Rachel – Seu charme aqui não vai funcionar.
–Charme? — Rachel perguntou.
–Deve ser uma daquelas filhas de... quem mesmo? ah é, Afrodite – disse ele ignorando completamente Rachel. Rach caiu na gargalhada.
–Filha de Afrodite? Pelo deuses... – Rach tentava falar mas ela estava rindo muito alto –Santa Afrodite, ela deve ter caído do olimpo depois dessa – a risada dela ecoava pelo ginásio.
–Não tente me enganar, eu sei que vocês são semideusas – disse ele.
Rachel parou de rir e respirou fundo, seu olhos cheios de lágrimas de tanto rir.
–É claro que você sabe, depois da sua “mamá” ter dito, não é?- Rach provocou, ele rosnou – Vocês não fazem nada, só seguem ordens. Patéticos.
–Não fale da minha mamá – ele se levantou rapidamente, o que fez a corda em que as garotas estavam amarradas balançar.
–Eu acho melhor não falar da mamá dele – Rachel ressaltou – ótimo, eu acho que vou vomitar.
–Você não se atreva a vomitar em cima de mim – disse Rach.
–Sabe esse não é o tipo de coisa que se controla.
–Se você vomitar em cima de mim, vai ser a ultima coisa que você vai fazer na vida.
–Caladas as duas! – o ciclope resmungou – agora eu me lembro porque você estava com o pano na boca.
–ah cala a boca você seu covarde – Rach gritou – eu já estou ficando sem paciência amarrada aqui.
–Covarde? — ele perguntou.
–É, covarde. Se você me desse meu arco poderíamos lutar, mas você não me dá, até porque você tem medo de mim, você é só um covardezinho de meia tigela.
–Nada de meia tigela! Eu sou a tigela inteira sua semideusa malcriada- ele rosnou, não acho que ele entendeu o que disse. Ele praticamente acabou de se chamar de uma tigela inteira de covardia — Agora eu vou matar você na frente da sua amiguinha.
–Vá em frente – Rachel disse – Sem problemas.
O ciclope se abaixou e pegou um tipo de tronco. Lembrava um pouco um taco de beisebol, só que bem mais grosso, talvez um tronco de uma árvore bem frondosa, porque era escuro e irregular. Eu espero que aquilo preto seja terra.
Ele se aproximou com o taco erguido. Rach sorriu desafiadora.
–O que você está fazendo? — uma voz ecoou do lado oposto ao ginásio. O mesmo lado em que nós entramos. O ciclope logo se afastou de Rach e escondeu o tronco atrás de si, o que é uma coisa fácil de fazer já que ele é bem largo, para não dizer gordo.
–Eu estou vendo o tronco atrás de você seu imprestável – A voz rosnou. Me levantei mais um pouco para poder ver, e o que eu vi não melhorou muito a situação.
Mais três ciclopes estavam em pé, paradinhos bem ali. Todos os três maiores e mais esquisitos do que os que já estavam aqui. Edward estava de cabeça baixa como se estivesse recebendo uma bronca muda. Já o outro, que não tem nome, estava ainda tentando esconder o bastão de árvore atrás de si, o que teria dado certo se ele não tivesse empurrado tão pra cima, agora o bastão passava da cabeça dele.
–Ah ótimo, vocês voltaram – Rach murmurou.
–Shh, cala a boca – Rachel a repreendeu.
–Porque essa daqui está sem o pano? — A voz vinha do ciclope do meio, era uma voz estranha, parecia que tinha mais de uma língua na boca dele. Ele se aproximou das meninas, era o maior de todos com certeza. O mais corpulento e o mais feio. Parecia ser o chefão dali – e porque a amarra delas está folgada? vamos ajeitem isso ora!
–Sim mamá, agora sim mamá – o ciclope que estava antes com o Edward disse, senti um pouco de medo em sua voz. Espera, mamá? ah meus deuses, isso é uma mulher?
–mamá? — Percy se abaixou por trás do caixote – Eca! isso é uma ciclopa?
Eu ri de leve.
–Ciclopa não Percy, Ciclope fêmea, e aparentemente sim.
–Eu não estou vendo nada de fêmea nisso aí – disse ele – se brincar, ela é mais macho que os outros.
–Ai! Ei, não exagera não – Escutei Rach resmungar, me levantei mais uma vez e vi o ciclope amarrando mais as cordas em seu tornozelo – eu sou uma pessoa e não um saco de batatas.
–Calada! – a ciclope rosnou – Eu não estou ouvindo sua amiga reclamar.
–Minha amiga? primeiro o filha de Afrodite depois isso... Escute minha senhora,
–Senhora? — a ciclope rosnou alto – SENHORA? eu não sou senhora! Eu...
–Bom, senhorita que você não é – disse Rach – essas coisas na sua cara, se chamam “rugas”, coisa de gente velha.
A ciclope bufou de raiva.
–Você não sabe ficar calada, não? — Rachel perguntou.
–Escute a sua amiga – disse a ciclope, ela aparentou ter gostado da bronca da Rachel – Escute ela, e assim você não morre tão rápido.
–Vocês e essas suas manias de chamar ela de minha amiga.
–Mamá – disse mais um ciclope entrando no ginásio, a ciclope de virou.
–E então? — ela perguntou, o ciclope entendeu as mãos em resposta, na sua mão estava estampada uma grande letra “R” vermelha em sua mão esquerda, e uma outra “R” na direita. Rach gargalhou.
–Curioso – disse ela- Vocês não vão conseguir pegar meu arco.
Um dos ciclopes olhou para ela.
–Você fez isso, foi você.
–Tecnicamente foi meu pai – ela deu de ombros mesmo de cabeça para baixo – mas, eu gosto de levar o crédito ás vezes.
–Ah meus deuses, cala a boca! ela vai acabar matando a gente- disse Rachel.
–Ótimo, mata logo. Nós já estamos bem atrasadas, é melhor ser morta por esses daí do que pela Annabeth.
–Annabeth? — Rachel perguntou, mesmo de costas senti dúvida em sua voz.
–Uhum – Rach falou – Ela só atura os atrasos do Percy mesmo. Nós já estamos atrasadas, ela deve estar caçando a gente por aí para matar mesmo.
Percy me olhou com um sorriso no rosto, eu não pude deixar de sorrir também.
–Annabeth, quem é Annabeth? — um dos ciclopes filhos, bem eu imagino que sejam filhos, perguntou.
–Minha amiga, porque seu curioso? — Rach respondeu, Rachel murmurou um “estamos ferradas”.
–Ela está aqui? — ele perguntou.
–Você está vendo alguma outra menina em algum lugar por aqui seu cego? — disse ela – Aliás, se ela estivesse aqui, você já teria virado pó há muito tempo.
Sorri com a referência, depois pisquei algumas vezes. Fiquei tanto tempo observando eles que me esqueci completamente que elas ainda estão em perigo.
O outro ciclope, que estava com as mãos queimadas, riu com escárnio.
–Deve ser mais uma semideusa como essas daí – ele apontou para elas – fáceis de pegar.
–Fáceis de pegar, eu mereço... Escuta aqui, quando eu sair daqui eu vou fazer você se arrepender de ter falado isso, você vai me pagar caro principalmente por ter tentado pegar meu arco.
Ele se aproximou dela.
–Você vai ser a primeira a ser cozida – ele soou ameaçador, mas Rach só riu.
–Até parece – disse ela.
–Mamá – ele gritou, a mãe ciclope que estava gritando alguma coisa com Edward se virou – O que falta para nós comermos essa aqui? Estou com fome.
–Falta você seu estúpido – ela gritou – você trouxe os ingredientes que eu pedi? Os rabanetes, as cenouras, os brócolis ou ficou só brincando de queimar a mão com aquele arco estúpido?
Ele abaixou a cabeça, ela entendeu como um sim.
–Auto lar, Arco estúpido não! – Rach gritou.
–Primeiro, desde quando ciclopes precisam dessas coisas na sopa de semideus? segundo, quem coloca brócolis em sopa? — Foi a vez de Rachel falar.
–Calada! – disse a mãe – agora vá você pegar as coisas, logo vamos ande ande, eu não tenho a noite toda.
O ciclope saiu correndo de cabeça baixa pelo ginásio.
–Quando você fala eles respondem, quando eu falo me mandam ficar calada – resmungou Rachel – discriminação até na hora de virar sopa.
Eu me abaixei atrás do caixote, Percy fez o mesmo.
–E agora? — ele sussurrou.
–Agora nós agimos antes que aquele outro volte com os ingredientes para sopa – sussurrei de volte, ele assentiu.
–Mas como nós vamos fazer? — ele me fitou, eu o olhei expressando dúvida – ah, eu sei que você já deve ter um plano.
Eu sorri.
–Para falar a verdade, tenho sim- eu disse, ele sorriu como se já esperasse por isso – As garotas estão amarradas de cabeça para baixo do lado esquerdo da quadra, então se nós queremos chamar a atenção deles para longe delas, tem que ser para o lado oposto, por tempo suficiente para que elas possam sair e nos ajudem a matar eles.
Ele me fitou com dúvida.
–Isso quer dizer que...
– ah Percy, pelo amor de Zeus, é bem simples, você chama a atenção deles enquanto eu vou com o meu chapéu e solto as meninas – Tirei minha mochila das costas e comecei a procurar meu chapéu.
Ele parou de sorrir.
–Espera, você quer que eu sirva de isca?
–Quem tem a maldição que protege de tudo aqui é você, então você meio que é automaticamente selecionado para o papel de isca...aqui está – disse eu quando achei o chapéu.
Ele bufou, mas sabia que eu tinha razão, então apenas assentiu com a cabeça.
Ele andou agachado por trás dos caixotes até chegar a certa distância e ficar bem do outro lado da quadra mesmo. Eu deixei minha mochila do chão, próxima a de Percy e também andei por trás dos caixotes até o mais próximo que pude das meninas.
–Eu quero saber quanto tempo eu vou ficar pendurada aqui – Rach resmungou.
–Ah deuses, será que você pode calar a boca por pelo menos um minuto? — Rachel perguntou.
–Não – Rach disse simplesmente – é claro que não.
–Caladas as duas! – a mãe ciclope disse demonstrando que estava sem paciência, ela andava para cá e para lá com os outros três ciclopes em seu encalço, seguindo-a, se não fossem as circunstâncias eu poderia até rir daquela cena.
Edward continuava sentado do outro lado da quadra com a cabeça tão baixa que quase afundava no chão, ele deve ter levado uma boa bronca.
–Ah mais que demora do seu irmão – a mãe gritou – garoto estúpido, quão difícil é pegar alguns rabanetes da horta daquela velha caduca?
Um dos ciclopes levantou a mão para responder, mas a mãe o olhou com ferocidade deixando claro que aquela era uma pergunta retórica.
Olhei para Percy e murmurei um “Vai” sem emitir sons, só movimentando a boca, ele assentiu, pegou uma das bolas de tênis e jogou no chão. Eu coloquei meu boné e observei a bola, ela quicou até o outro lado, mas os ciclopes não viram nada. Ele pegou outra bola de tênis e jogou, novamente os ciclopes não perceberam, mas parece que Rach sim, ela acompanhou com o rosto a bola quicar até o lado oposto da quadra, depois seu olhar se voltou para onde a bola tinha vindo e ela abriu um enorme sorriso.
–Vocês estão muito ferrados – ela sorriu para os ciclopes e começou a gargalhar.
–Você disse alguma coisa? — Um dos ciclopes que estava seguindo a “mamá” rosnou impaciente.
Rach nem se deu o trabalho de responder, apenas sorriu presunçosa só que dessa vez olhou para mim. Eu já estava mais perto delas, tentando ao máximo me aproximar sem fazer ruído algum, eu estava invisível com o boné, mas era como se ela soubesse que eu estava ali.
Olhei para Percy, ele não conseguia me ver, mas parecia aborrecido. Então ele se levantou, pegou uma bola de basquete e acertou em cheio na cabeça de um dos ciclopes.
–Ei, o que foi isso? — o ciclope pôs as mãos na cabeça e olhou para trás – sinto cheiro de semideus.
–O que você acha que essas aqui são, seu mané? — o outro ciclope perguntou. O ciclope que foi atingido na cabeça por Percy apenas deu de ombros e continuou a seguir a mãe.
Percy pegou outra bola, só que dessa vez ele acertou na mãe. Ela se virou furiosa, antes que Percy pudesse se abaixar.
–Droga – ele murmurou e começou a correr pelo ginásio
–O que vocês estão esperando seus patifes? venham, peguem ele! – a ciclope mãe começou a correr, os outros quatro ciclopes a seguiram – você fica aí e vigia elas.
Um dos ciclopes assentiu e voltou, os outros seguiram a mamá atrás de Percy, que por um terrível erro correu para os vestiários. Eu corri para as garotas, não poderia perder tempo. Me aproximei delas, subi em alguma coisa ali e manejei a adaga, o ciclope nem percebeu minha presença. Mas, para tirar as duas dali sem que elas caíssem no caldeirão de água quente, precisava que Rach me visse. Então, tirei o boné ficando assim visível.
–Até que enfim né, faz quantos anos que vocês estavam parados assistindo show aqui? — Rach esboçou um enorme sorriso, muito diferente da expressão do ciclope quando me viu.
Ele passou alguns segundos me fitando como se perguntasse pra si mesmo se eu sou real, depois que piscou alguma vezes ele avançou e me empurrou seja lá de onde eu estava em pé.
Eu caí de costas no chão, ele veio correndo até mim.
–Minha vez – disse e então avancei com a adaga. Ele pegou minha mão esquerda, mas com a direita fiz um belo de um corte em sua nuca, ele se afastou um pouco com a mão segurando o corte, eu não esperei e avancei. Continuei desferindo golpes, agora mais rápidos, ele tentava me parar com o braço, mas só piorava a situação, até que depois de vários cortes e finalmente consegui acertar onde deveria estar seu coração, e ele se desfez em pó dourado.
–Annabeth, lutando cada vez melhor – Rach disse, eu sorri e corri até ela.
–Eu perco toda a diversão, só porque estou de costas droga – Rachel murmurou sorridente quando me viu.
–Preciso da sua ajuda Rach, pra tirar as duas sem cair no caldeirão, já sabe o que fazer não é? — perguntei.
–Só desamarre minhas mãos – disse ela, eu assenti. Comecei a cortar a corda, estava tomando um tempo que eu realmente não tinha. A corda era mais grossa do que parecia, eu continuei a cortar até que ouço um estrondo que vinha do outro lado do ginásio.
Levantei minha vista em ponto de ver um Percy sendo lançado próximo a onde estávamos, e mais três ciclopes vieram correndo, dois estavam com algum cortes sérios, mas o outro só estava extremamente enraivecido, ou melhor enraivecida. A mãe ciclope estava correndo até nós murmurando algo como “você o matou”.
Eu me apressei para cortar a corda o mais rápido possível, minha vista se alternando entre a ciclope mãe, Percy no chão e a corda. Eu não fazia ideia de pra quem olhar.
Então eu finalmente cortei a corda e soltei as mãos de Rach.
–Pega a Rachel, logo vamos – gritei enquanto Rachel me pedia para não deixar a vida nela na mão de Rach.
Tomei a dianteira e me aproximei preocupada de Percy.
–Está tudo bem – ele murmurou e eu ofereci a mão para ele se levantar. Estranho a mãe ciclope ainda não ter chegado até onde estávamos, me virei e a vi paralisada. Ela olhava para o quatro cantos do ginásio pasma.
–Onde está... – sua voz saiu fraca, e eu percebi de quem ela estava falando – Você matou o meu filho!
Ela gritou, dessa vez sua voz saiu bem mais forte, e avançou. Nós nos separamos, eu rapidamente golpeei o ciclope da direita e nós começamos a lutar. Eu o acertei no rosto, mas ele não se importou muito parecia que não sabia muito bem o que fazer, então ele levantou sua mão e a desceu pesadamente em mim, eu consegui segurar. Eu não estava suportando, ele estava colocando muita força, olhei para trás e vi o outro ciclope vir em minha direção. Ele corria rápido, mas antes que chegasse até mim alguém o atingiu.
–Engole essa, seu gordo! — Era Rach, ela estava lutando com uma raquete de tênis, e não parava de jogar freneticamente bolas na cara do ciclope, ele correu até ela.
Então eu olhei para o ciclope que estava na minha frente, eu ainda estava segurando sua mão, eu me abaixei e acertei seu joelho, ele caiu para trás, eu subi em cima dele pronta para finalizar, até que alguém me segura.
–Não – Rachel disse me segurando – Não, por favor não.
Sua voz soava quase como uma súplica, e olhei para o ciclope ele estava amedrontado, era Edward. Eu desci de cima dele.
–Edward, corre, corre logo rápido – Ela gritou, ele não entendeu primeiro o que ela disse, mas depois arregalou os olhos e saiu tropeçando pelo ginásio.
Eu me virei, ela me fitava agradecida. Então eu me lembrei que ainda tinham mais dois ciclopes para vencer, Rach lutava com um e Percy como sempre pega o pior, ele estava com a mãe.
–Ajuda a Rachel, eu ajudo o Percy – gritei e me dirigi para perto de onde estavam. Percy estava no chão, e mãe estava pronta para esmagá-lo, até que eu cheguei a suas costas e encravei minha adaga. Ela parou por um momento, eu tirei a adaga, e a acertei de novo em suas costas, agora ela se virou rapidamente e me empurrou para trás, caí de rosto no chão.
Fiz força para levantar, essa luta ainda não acabou. Me virei rapidamente, ela corria até mim, eu me abaixei quando ela pulou e acertei sua barriga, mas mesmo assim ela não parecia que estava morrendo. Fiquei parada, vendo-a levantar
–Vamos? — Percy chegou em mim com um sorriso no rosto e contracorrente na mão, ele estendeu a mão e eu a segurei.
–Só se for agora – eu disse e me virei bem na hora para acertar um golpe da adaga no rosto dela. Percy sorriu e atacou também.
Eu ataquei por trás, e Percy atacou pela frente.
–O que você está fazendo? Saia daí! – ela urrou enquanto eu subia em seu pescoço, é ela não pareceu gostar muito disso, forcei a adaga contra sua garganta, mas parecia que ela era feita de borracha.
–Seu nojento! – ouvi Rach gritar virei de leve meu rosto e vi uma Rach zangada com mais um corte no braço, ela se virou, pegou a adaga da mão de Rach e atingiu ele– Tente tocar em mim de novo.
Mas quando a mãe viu mais um de seus filhos virar pó, ela arranjou uma força do além e se debateu.
–MEUS FILHOS! – ela gritou. Vi Rach, ela sorriu para mim e saiu do ginásio. Ela tentou empurrar Percy, mas ele foi rápido, desviou da mão dela e a acertou no cotovelo, ela urrou.
Percy a acertou novamente, agora na barriga, eu tirei a adaga de seu pescoço e a acertei nas costas. Ela urrou novamente, mas não parecia vencida, bem não parecia vencida até uma flecha ser acertada em seu olho . Ela gritou e se virou para ver quem tinha feito aquilo.
–Quer mais? — Rach estava em cima de um caixote, posicionada e com um sorriso travesso, ela disparou outra flecha esta acertou em seu ombro.
–Demorou, ein? — disse eu enquando Rach sorria, mas a ciclope mãe não parecia nada feliz. Ela começou a andar pesadamente até Rach, ela sorriu como se já esperasse por isso então bateu o pé em cima do caixote que estava e uma das paredes dele caiu, liberando várias bolinhas de gude pequenas, entendi minha deixa, pulei de cima de seu pescoço e caí de joelho no chão. A mãe ciclope estava desequilibrada com as bolinhas, bem, nós todos estávamos, mas por ela ser maior foi a mais atingida.
–AGORA! –gritei e acertei seu braço esquerdo, Percy acertou sua barriga, Rachel também correu e acertou seu joelho. Rach lançou várias flechas, a mãe caiu de joelhos no chão vencida, foi a vez de Percy, ele sorriu e finalizou com um golpe cortando parte de seu tronco, foi o suficiente para transformá-la em uma nuvem de pó dourado.
Rach correu até onde estávamos, nós meio que involuntariamente formamos um meio círculo onde a ciclope mãe estava, mas que agora era apenas um montinho de pó dourado que se esvaia aos poucos com o vento. Percy me abraçou de lado, ele estava ofegante, todos nós estávamos ofegantes, com a respiração pesada, com as armas em mãos, cobertos de arranhões (menos Percy é claro) e roupas rasgadas.
Rachel respirou fundo e ficou na nossa frente.
–Então, vencemos?
Para minha surpresa, Rach não disse nada, nenhuma piada ou provocação, apenas sorriu, Percy também. Eu não pude deixar de sorrir.
–É, eu acho que vencemos.
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