Notas iniciais
nos vemos lá embaixo õ/

Senhores passageiros do voo 768, favor confirmar check-in e dirigir-se ao portão 9

Ajudei Louise com sua mala da Disney.

O dia estava lindo lá fora, o que tranquilizava um pouco meu pavor de voar. Percy, pelo contrário, parecia extremamente relaxado como se não tivesse preocupação no mundo, mesmo quando ele deveria ter pelo menos uma: ir enfrentar os meus pais em NY.

Eu estava nervosa. Muito, pra falar a verdade. Seria a primeira vez que eu os veria em anos e ainda estaria acompanhada do rapaz que eles provavelmente odiavam. Mas, como sempre, tentava parecer calma.

—Vai ficar tudo bem. — Percy falou, enquanto fazíamos o check-in. Uma menina maquiada e de sorriso automático examinava nossos passaportes.

—Você parece bem tranquilo. — observei.

—Já enfrentei monstros piores do que seus pais. — Ele deu de ombros. — sem ofensa.

—Mamãe, eu quero! — Louise apontou para uma loja de doces.

—Daqui a pouco vamos lá, meu bem.

—Obrigada por escolher a nossa companhia e boa viagem! — A menina nos devolveu os documentos. Meia hora depois, estávamos no avião.

—--

Percy colocou os fones de ouvido durante as instruções de segurança. Louise encarou-o feio, dando-lhe uma bronca silenciosa, mas ao vê-la ele simplesmente tirou um dos fones e colocou nela, compartilhando a música. Minutos depois vi seus pezinhos, nas sapatilhas azuis, balançando ao ritmo. Ergui uma sobrancelha pra ele, mas ele apenas falou “É só beatles.”.

Eu estava tensa na poltrona. Na hora da decolagem agarrei o descanso de braço firmemente. Percy me viu fazendo isso e simplesmente colocou sua mão por cima da minha. Isso me deu uma estranha sensação de conforto.

Isto é, até o avião subir e eu sentir que meu estômago era deixado pra trás.

***

Nova York mantinha seu clássico céu ensolarado com um vento gelado, o que equilibrava o clima.

As janelas do táxi estavam embaçadas e Percy puxava conversa com o motorista, enquanto Louise desenhava com os dedos no vidro do carro.

Em breve chegaríamos à casa dos meus pais. Tudo parecia tão real agora. Eu já não sentia mais medo. Andar pelas ruas da cidade me lembravam do que eles tinham feito, e eu me sentia mais ressentida do que qualquer coisa.

Um prédio verde escuro estranhamente familiar chegou à minha vista. Com um sobressalto, percebi o que era.

—Percy!- agarrei seu braço e apontei. — É a Quíron High School.

Vi um sorriso nostálgico se formar em seu rosto. De repente, este desapareceu.

—Tem alguém que preciso ver. — Ele falou. Resolvi perguntar depois, pois estávamos chegando à mansão cor de creme dos Chase e a última coisa que eu precisava agora era de mais uma preocupação.

Pagamos ao motorista sorridente e este foi embora, deixando-nos em frente ao jardim bem-cuidado de Victoire. Atravessamo-os, pelo caminho de pedras brancas, chegando à porta. Encarei a campainha, tentando criar coragem para tocá-la, mas Percy foi mais rápido que eu. Minutos depois, a porta se abriu.

Victoire ainda mantinha o rosto belo e superior, com o nariz alto e as sobrancelhas arqueadas. A única diferença nela, na verdade, eram mais fios grisalhos, e leves rugas de expressão na testa, sempre severa. Ao me ver, seus olhos se arregalaram em surpresa, e depois, ao abrir mais a porta e ver Percy e Louise ao meu lado, parecia que ela ia desmaiar.

—Oi, mãe. — Murmurei. Ela pareceu se recuperar do choque e nos puxou para dentro às pressas, olhando em volta, talvez procurando algum paparazzi dos ricaços.

—O que você está fazendo aqui? Achei que já tínhamos conversado, Annabeth... — Ela murmurou, e então foi para a sala. Sentou-se no sofá, exasperada, pegando uma xícara de chá abandonada em cima da mesa. Sentei-me também, mesmo sem ser convidada. Percy e Louise fizeram o mesmo. — O que esse delinquente está fazendo aqui? — E então, seus olhos encontraram os de Louise. — Querida, porque não vai brincar com Claire? Ela está lá em cima.

Louise me lançou um olhar interrogativo e eu confirmei com a cabeça. Ela subiu, tentando segurar sua animação em ver a tia.

— Mãe, você não chegou a conhecê-lo formalmente. — Expliquei, tentando ser o mais diplomática possível. — Este é Percy. Ele é o pai de Louise.

Ele estendeu a mão para cumprimentá-la mas ela o ignorou, pegando um maço de cigarros no bolso e acendendo um. Da última vez que a vi, ela não fumava.

—Então você é o pirralho que foi preso por dar um tiro no próprio pai. — Victoire soltou. Percy parecia ter levado um soco no estômago.

—Bem, parece que temos muito o que conversar. — Suspirou, olhando para o tapete. Eu assistia a tudo sem saber exatamente como reagir.

—Na verdade, — Minha mãe se levantou. Ajeitou a saia com classe, segurando o cigarro com a ponta dos dedos. — Não, não temos. Eu não gosto de você e quero-o fora da minha casa. Tenho todas as razões pra isso. -Victoire encarou-o de cima a baixo. — Você se veste como um punk, não tem ambição alguma, engravidou a minha filha e foi preso por um crime terrível. — Ela respirou fundo, e então gritou:- Fora!

Houve um breve momento de silêncio, tenso. Então, Percy levantou-se e eu senti que uma explosão estava por vir. Tentei segurar a mão dele, como um jeito de pedir apenas que não a respondesse, que a deixasse falando sozinha, mas ele fez pior.

Ele acendeu um cigarro, soprou a fumaça no rosto de Victoire e o apagou no tapete chinês caríssimo, com uma expressão de puro desprezo. Murmurou um “te encontro no hotel.” pra mim, e saiu, batendo a porta da frente.

Eu ia matá-lo por isso, depois.

Victoire ficou em silêncio, tentando com todas as suas forças manter a calma. Ajeitou os óculos na ponta do nariz e passou a mão na saia, respirando fundo para se acalmar.

—Annabeth, o que você está fazendo com esse…- Ela segurou um palavrão. — traste, ainda?

—Ele foi me procurar em Paris. Então, descobriu sobre Louise. — Eu não ia me desculpar pelo que Percy fizera. Ele não precisava ter feito aquele show, agindo que nem uma criança e eu com certeza não ia me responsabilizar pela sua infantilidade. — Ele vai me ajudar a criá-la. É direito dele como pai.

—Eu sei que nada do que eu disser vai adiantar. — Minha mãe passou a mão na testa. — Então por que veio aqui?

—Eu quero que vocês parem de me isolar. — Respondi. Não tinha ensaiado discurso algum, apenas deixei as palavras surgirem. — Vocês sumiram da minha vida. Sumiram da vida de Louise. O que eu vou responder à ela, quando ela perguntar por que seus avós desligam na cara dela? Ou então, quando ela pergunta onde está o resto de sua família?

Victoire respirou fundo.

—Você sabe que eu não posso me dar ao luxo de..

—Você pode sim! — Me levantei. — Meu deus, sua neta está crescendo perguntando por você. E você não consegue dar um telefonema pra dizer à ela que está tudo bem? Pelo menos, com Claire, vocês me deixavam interagir uma vez ao ano. Já Louise está achando que vocês a abandonaram por que não gostam dela. Sabe como isso deve ser para uma criança?

Victoire encarava seu cigarro.

—É a primeira vez que ela vê a Claire, desde seus quatro anos. — Continuei. — Você viu como ela estava feliz? Como subiu saltitando a escada? Como vou explicar a ela que ela provavelmente não vai vê-la por muito tempo? Olhe.. — Suspirei. — Eu já não faço mais questão, mas Louise quer ter uma família. Você poderia, pelo menos, fazer o papel de uma avó e ligar pra nós uma vez ao mês?

Victoire levantou-se, subitamente.

—Voltem para Nova York. Nós arrumamos um apartamento pra vocês aqui. Você está certa.

—O.. Quê? — Encarei-a, sem entender.

—Tudo isso que fizemos, de afastar você… Achamos que estávamos fazendo isso para seu próprio bem, e de Louise. A imprensa iria atormentar vocês, mais do que a nós. — Suspirou. — Foi um exagero, e eu e seu pai sentimos muito, mas já tinha se passado tanto tempo e não sabíamos se você ainda iria nos querer como família. Mas queríamos ver nossa neta crescer…

—Então? — Cruzei os braços, defensiva. Aquilo parecia fácil demais.

—Voltem para cá. Morem aqui. Fiquem perto de nós. Mas..

—Mas?

—Tenho uma condição. — Ela me encarou com seus olhos cinzas muito sérios. — Não quero mais esse rapaz perto de vocês.

***

Percy andou pesadamente pelas ruas, seus coturnos fazendo barulho na calçada do bairro chique.

Se veste como um punk… Tsc. Ele só tinha aquelas roupas. Não tinha dinheiro para comprar aquelas camisas sociais da Polo ou um terno da Aramis. Já tentara roubar uma, aliás, mas fora só pra colocar numa estátua de um cara rico no parque da cidade e pichar um bigode no rosto de pedra. Aquelas roupas eram pra mauricinhos que nada mais tinham a fazer da vida do que escolher se usariam salmão ou verde-musgo no dia.

Não tem ambição alguma… Ele tinha muitas, na verdade, só não tinha condições de realizá-las. Até queria ter um emprego pra ganhar uma grana e comprar suas coisas, mas quem iria contratá-lo? Já até tentara algumas vezes…

Quanto a engravidar Annabeth… Bem, nem ele sabia como isso tinha acontecido. Quer dizer, sabia, mas… Foi uma surpresa.

O crime. Aquela noite ia assombrá-lo pelo resto da vida. Ele cometeu um grande erro que causou a morte de alguém. Claro, não era alguém nobre, muito menos de utilidade para a humanidade, mas ainda assim. Deixar ele lá, depois de ter atirado em sua perna… Percy daria qualquer coisa pra voltar no tempo e não ter dado aquele piti estúpido. Devia ter ajudado o homem, mesmo com todas as coisas terríveis que ele dissera. E, principalmente, não deveria ter envolvido mais ninguém nisso.

Ele tinha chegado. Era naquela rua que Cally morava.

Resolveu visitá-la depois de sair da casa de Victoire. Além de Cally ser uma ótima pessoa para distraí-lo da raiva, precisava ver como ela estava depois de tanto tempo e, principalmente, se alguém tinha ligado ela àquela noite. Se ela tivesse sequer sido interrogada ele já iria se sentir culpado.

Parou em frente a casa dela. Era uma residência humilde com um jardim mal cuidado e brinquedos infantis jogados pela garagem sem carro, apenas com uma moto enferrujada. As janelas tinham grade e a porta estava fechada mas Percy tocou a campainha e Cally veio pelo jardim ver quem era.

—Ah meu deus! — Ela arregalou os olhos. Pouca coisa tinha mudado nela. Estava mais magra, com o cabelo bagunçado num coque e chinelos nos pés rosados. Usava short e uma camiseta larga, e continuava com as bochechas coradas e os olhos iluminados. Seu sorriso com dentes charmosamente tortos e as bochechas cheias de sardas se abriu. -Olha só quem está aqui. E ainda teve coragem de tocar a campainha.

—Eu vi que seu pai não está. — Ele apontou pra garagem vazia. Ela destrancou o portão e ele entrou, o coturno afundando na grama. — E aí, como você está?

—Bem, aqui em casa continua a mesma coisa. — Ela sentou-se num balanço de corda no jardim, sem encostar os pés no chão. — Jonah está na cozinha, tomando um lanche. Papai está… Bem, não sei, e não quero perguntar. Já eu… Bem, passou muito tempo não? Me fale primeiro de você.

—Bom, eu passei alguns anos encarando a mesma parede todos os dias com um colega de cela semi-psicótico. A comida era péssima, mas não tanto quanto os banheiros.

—Você ficou pouco tempo lá. — Ela soltou, e então corou. — Quero dizer, pro que aconteceu.

—Bem, Nico conseguiu pra mim um advogado incrível que conseguia distorcer tudo que eu confessava em algo bom. — ele deu um sorriso sarcástico. — O bom comportamento também ajudou. Você sabe que eu não gosto de encrenca. — Cally riu alto. — E… Eu descobri que sou pai. Acho que isso é novidade, não?

—O quê? — Ela colocou as mãos na boca. — Que… Surpresa.

—O nome dela é Louise. Ela tem os meus olhos. É a garotinha mais linda do mundo. — Ele sorriu, orgulhoso.

—Foi Annabeth..?

—É claro que sim, Cally. — Ele revirou os olhos.

—Não me venha com essa. Lembro que sua fama não era de “fiel”. — Ela cruzou os braços.

—Nah.. É diferente. Tudo com ela é diferente. — Ele sorriu. Resumiu pra ela toda a história dos últimos meses.

—Victoire... Acho que essa mulher já foi dar uma palestra na minha faculdade. Só me lembro que ela parecia um robô e que ela estava na lista do Top10 mulheres mais bem sucedidas da América.

—Ainda tenho dúvidas se ela não é um robô. — Ele riu. Encarou-a nos olhos. — Cally… Depois daquela noite…?

—Tudo deu certo. — Ela deu de ombros. — Eu consegui um bom álibi. Me livrei de tudo, embora eles ainda estejam procurando seu cúmplice.

Percy encarou o chão, tenso. Resolveu mudar de assunto.

—Então... Quais as novidades na Quíron High?

Cally sorriu.

—Bem, Rachel entrou pro departamento de artes de Harvad, não antes sem pisar em algumas pessoas; Zoe foi fazer um intercâmbio no Canadá e nunca mais voltou; Hazel acabou de passar pra Geologia… Leo abriu uma oficina, Frank entrou para veterinária. Connor e Travis… Bem, já foram fichados algumas vezes e agora estão brincando de pega-pega com a polícia.. E eu… Bem, estou fazendo biologia e cuidando de Jonah nas férias. Sentia falta do meu irmãozinho. — Ela sorriu, orgulhosa.

—Luke e Reyna…

—Sumiram do mapa. Dizem que saíram do país, foram trabalhar pra chefões maiores lá fora. Talvez na Europa.

—Hum.. — Percy apoiou-se no muro, pensativo, então a encarou reparando nas pequenas diferenças. — Senti sua falta, Cally-see.

Ela riu.

—Melhor apelido. — Colocou uma mexa castanha atrás da orelha. — Bem, eu nunca pensei que fosse ver sua cara feia de novo, mas senti também. Estou aliviada de você ainda estar vivo, na verdade.

Alguém abriu o portão enferrujado e Calypso se alarmou.

—É meu pai. Você vai ter que dar o fora daqui. — Ela levantou do balanço e apontou para o muro que dava pra rua. — Pule ali.

Percy subiu pela arvore, não sem antes dar uma piscadela pra morena. Alcançou o muro e então pulou, indo embora de volta pro hotel.

***

Assim que abriu a porta do quarto, sabia que tinha algo errado.

—Cadê a Louise? — Perguntou. Annabeth estava deitada na cama, e então virou-se pra ele.

—Ela está com Claire. — Respirou fundo. — A gente precisa conversar.

Notas finais
OI GALERA como vocês estão? Bem, espero que não tenha ficado muito auê, principalmente a reação da Victoire.... Não queria que fosse muito "ata, pode voltar", se tiver ficado assim, me avisem que eu dou uma ajeitada uhsuahsuahs Bem, o que será que vai rolar agora? tcham tcham tchaaaaaam Gente, eu to apx na Cally, até mais que na Annie. ahushashaush comofaz Mas enfim, não percam o próximo capítuloooo he REVIEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEWWWWWWWSSSSS? RECOMENDAÇÕEEEEEEEEEEEEEEESSSSS? um bejao p vcs BC PS: VCS QUEREM UM DESTAQUE PRA CALLY? ELA É UMA PERSONAGEM TÃO ESPECIAL NA HISTORIA, TAVA PENSANDO EM FALAR UM POUCO SOBRE ELA ISHAOSHASH respondam bjus