Notas iniciais
OES, desculpem a demora suhaushas estava sem inspiração p falar a vdd...

~Annabeth~

Eu fiquei me revirando na cama naquela manhã.

Ainda era cedo. Eu acabara de ser completamente abalada emocionalmente e senti vontade de dormir por meses. Assim que terminei a conversa com ele, me tranquei em meu quarto.

No entanto, não consegui dormir de jeito nenhum. Tentei conhecidas táticas de ouvir música, dormir de ponta cabeça na cama, tentar esvaziar a mente. Nada funcionou e por isso estou frustrada. Queria tanto poder apagar por alguns minutos, ter um descanso daquela carga emocional. Agora estou com os olhos arregalados encarando o teto branco do meu quarto fixamente.

Minha mente não se desligou por um minuto até agora. Eu repassava mentalmente cada coisa que tinha dito na cozinha, cada ato, cada expressão. As frases que tinha treinado por um tempo tinham saído ótimas, mas a minha atuação fora digna de um prêmio framboesa de ouro. Eu estava quase desabando na frente dele. Só espero que ele não tenha percebido. Provavelmente não, sendo lento no raciocínio como ele é, mas tenho certeza que ao menos minhas mãos trêmulas me denunciaram.

Levantei-me da cama e destranquei a porta do quarto. Fechei-a inicialmente com medo de ele me procurar de novo e entrar no quarto, me encontrando encolhida num cantinho sem coragem sequer pra chorar.

Na sala, Louise via tevê. Ela tinha saído do quarto e não parecia abalada com a discussão, que eu tinha certeza que ela tinha ouvido. Na verdade ela parecia até animada.

–Onde ele está? — Perguntei à ela. Ela virou a cabeça para mim, um olhar meio hesitante.

–Hã, ele foi embora.

Soltei um suspiro de alívio. Ele tinha acreditado nas minhas palavras ensaiadas de que não queria vê-lo mais e de que tudo aquilo fora um erro. Na verdade, fico feliz que ele não tenha percebido que o que eu queria dizer era exatamente oposto. Mas, é claro, fiz o que meu lado racional mandou, para meu próprio bem.

–Ah. Certo. — Apertei o roupão contra o corpo e fui ao banheiro. Me olhei no espelho e me surpreendi ao me deparar com meu rosto, perfeitamente normal. Se o que eu sentisse por dentro pudesse ser mostrado por fora, tenho certeza que minha filha teria se assustado.

Voltei à sala e me sentei ao lado dela no sofá. Dessa vez ela deveria estar muito entediada, pois via um programa que era realmente pra idade dela.

– Bob esponja? — Perguntei.

–Sim. — Ela respondeu. — Até que os desenhos são legais também.

–Claire adorava Tinker Bell. — Comentei.

–Minha tia? — Louise sorriu. Eu assenti. Era tão estranho pensar em Claire, que agora é adolescente, como tia de Louise. No entanto, fora a aparência, as duas se pareciam muito. A mesma curiosidade insaciável e a mania de querer ser adulta, desde criança.

–Você precisa conhecer a disney. — Falei. — Claire me obrigou a ir lá milhares de vezes com ela, só pra ver a Tinker.

Louise riu.

–Mãe, posso te pedir uma coisa?

–Claro.

–Eu quero ir ao parque de diversões amanhã.

–Ah, claro. Então vamos!- Sorri, abraçando-a.

–Não mamãe... — Ela se afastou e me olhou com seus olhos verdes, muito sérios. — Eu quero ir com o pa... Percy.

Soltei meus braços dela e meus olhos desfocaram, fitando o chão. Mordi o lábio, tendo pouca consciência do barulho do Bob esponja na televisão.

–Ele vai te levar ao parque? — Perguntei, meio atônita.

–Ele me chamou, sim. — Louise falou muito delicadamente. — E eu queria ir.

Meus planos caíram por terra. Depois de todo aquele discurso, afinal, ele não desistiria dela. Eu iria ter de vê-lo, várias vezes. Toda vez que ele quisesse vê-la.

Eu vou suportar isso? Vou. Louise tem todo direito de conhecê-lo. E ele tem todo direito de ser pai.

–Tudo bem, pode ir. Ele te busca que horas? — As palavras saíram da minha boca quase mecanicamente.

– Na hora que ele aparecer aqui nós vamos.

– Certo. — Levantei-me do sofá, mantendo o equilíbrio. — Eu vou tirar um cochilo tá?

Louise me olhou meio preocupada e então, para minha surpresa, me seguiu. Quando me deitei na cama ela se deitou ao meu lado, aninhando-se em mim e segurando minha mão.

–Você não tem que vê-lo se não quiser, mamãe. Só deixe a chave pra eu poder sair quando ele chegar... — Ela me olhou com as sobrancelhas erguidas.

–Não, tudo bem querida. Eu vou vê-lo. — Respondi, abraçando-a mais forte. Eu tenho que vê-lo. E tenho que bolar um novo plano pra saber lidar com isso.

Porque eu sou o tipo de pessoa que planeja seus próprios sentimentos.

Foi isso que me fez seguir em frente todos esses anos.

***

O despertador tocou e eu rolei na cama, sofrendo pra abrir os olhos.

Louise tinha saído comigo ontem e assim que voltamos à noite, ela se deitou ao meu lado de novo. Ficamos vendo filmes americanos antigos e adormecemos, ela encolhida debaixo do edredom.

Me espreguicei e desliguei o despertador. Me sentia bem melhor. A preguiça e a tristeza que eu tivera ontem pareciam bem amenizadas. Na verdade, era como se tudo tivesse sido um sonho ruim.

Abri as cortinas, numa tentativa frustada de acordar Louise, que não se mexera sequer com o despertador. Paris estava iluminada pela manhã de domingo, as ruas tranquilas às dez da manhã, a torre Eiffel lotada de turistas.

A campainha tocou e eu saí do quarto de camisola, indo atender a porta. Decerto seria a vizinha, reclamando pela enésima vez que as nossas correspondências foram trocadas. No entanto, assim que abri a porta e vi quem era foi que pensei: Não há correspondência de domingo.

Percy estava parado em frente à porta, parecendo imensamente receoso. Meu primeiro instinto me fez bater a porta na cara dele.

Corri para o quarto e vesti um roupão por cima da camisola, só depois parando pra pensar na ironia: tínhamos dormido juntos uma noite atrás. De qualquer modo, abri a porta novamente, respirando fundo e tentando manter uma certa postura decisiva.

O que consegui fazer foi encará-lo, escondida atrás da porta.

–Vim buscar Louise.

–Eu sei. Eu.. — Parei de me esconder e respirei fundo, olhando-o nos olhos. — Eu... Sei. Claro. Louise.

Ficamos em um silêncio constrangedor por um segundo, encarando um ao outro. Não conseguia decifrar muito bem a expressão dele. Parecia determinado.

–Então... você não vai chamá-la? — Perguntou ele, me tirando dos meus pensamentos. Percebi que o estava encarando com os olhos estreitos.

–Hã, claro. Só um minuto. — Bati a porta na cara dele novamente.

Corri para o quarto e tentei acordar Louise. Depois de não ter funcionado, tirei o edredom de cima dela e ela se encolheu, mas ainda assim continuava de olhos fechados. Suspirei.

–Percy está aqui. — Resmunguei. No mesmo instante, seus olhos se abriram e ela foi correndo para o próprio quarto se arrumar.

Fui para a porta novamente e a abri, deparando-me com Percy esperando pacientemente encostado na parede.

–Entre. Ela vai se arrumar. — Falei.

Ele hesitou mas entrou no apartamento e se sentou no sofá da sala. Eu estava prestes a voltar para o quarto quando ele me puxou pela mão, causando-me um choque que percorreu minha espinha.

–Annabeth. — Ele me encarou. — Está tudo bem eu levá-la ao parque?

Respirei fundo.

–Está. Claro. P-por que? Parece que não está?

–Porque eu quero que você sabia que mesmo se não estiver, eu vou continuar a vê-la. -Ele olhou pra mim, muito sério e soltou minha mão. — Não ligo para o que você disse ontem.

Eu o havia ferido. Talvez de um jeito que ele nunca esqueceria. Senti-me murchar, arrependida.

Afinal, era verdade. Mesmo que eu tivesse pedido, ele não sumiria da minha vida. Talvez só pra atormentar meus pensamentos, ou talvez porque ele realmente se sentisse responsável por minha filha. Depois de anos.

Eu encarei a janela, sem saber o que pensar. Talvez ele finalmente tivesse percebido que eu não presto pra ele e vice versa. Talvez ele estivesse cansado de tentar fazer tudo dar certo. Eu era só um peso nessa relação.

Essa verdade caiu em mim como se fosse a conclusão de tudo. Sempre fora ele, nunca eu. Foi ele quem me procurou no primeiro dia de aula, foi ele que me mostrou seus lugares preferidos, foi ele quem salvou minha vida, foi ele que me deu a menina que eu mais amo no mundo e foi ele que atravessou um oceano, indo a uma cidade grande, só pra me reencontrar.

Eu me sentia uma merda.

–Na verdade... — Comecei. Minha voz soou distante, como se meus pensamentos tivessem me levado à outra época. — Eu queria conversar sobre isso.

–Eu não quero ouvir. — Respondeu, decidido.

–Percy, eu só queria...

–Não importa. — Me cortou.

–Eu só queria perguntar uma coisa, caramba. — Fechei as mãos em punhos e o encarei. Ele revirou os olhos e silenciou por um tempo, então pude continuar.

Respirei fundo e o encarei nos olhos, captando qualquer emoção que passasse ali.

–Aquela aula de filosofia. — Comecei. Ele fez uma expressão confusa mas me deixou continuar. — A professora tinha passado um papel. Tínhamos que escrever nossos sonhos e você ficou com meu papel. -Vi pelos seus olhos que eu tinha reascendido algo que ele não se lembrava. — E eu nunca cheguei a ver o seu. O que estava escrito?

–De que importa?

–Eu quero saber. Antes que nós comecemos a nos tratar como desconhecidos, eu quero saber algo sobre você que ninguém mais sabe. Ou lembra, pelo menos.

Ele revirou os olhos.

–Estava escrito: Eu quero ser uma estrela do rock, milionário e cercado de modelos de lingerie.

Mordi o lábio pra segurar o riso.

–Certo. — Respondi. Levantei-me do sofá e ia para o quarto quando ele me puxou pela mão novamente. — O que?

– O seu era estudar arquitetura em Harvard. — Murmurou. — Você conseguiu?

Realmente tínhamos nos tornado completos estranhos um para o outro.

–Sim. Eu consegui. — Respondi. — E agora meu sonho mudou.

– E qual é?

Eu o encarei por um segundo, incerta.

–Parar de ser uma chata calculista e viver um pouco.

Ele sorriu. O primeiro sorriso que eu o via dar desde o dia anterior.

–Eu sempre te disse isso.

Não lembrava porque tinha começado aquela conversa e nem como chegamos ali mas sabia que não queria mais que fôssemos estranhos um ao outro. Aquilo simplesmente não parecia natural.

Acho que ele percebeu onde eu estava querendo chegar. Seu sorriso desapareceu.

–Onde você esteve todos esses anos e o que te deixou assim? — Perguntou ele, estreitando os olhos.

–Assim?

–Você sabe do que estou falando. — Ele desviou o olhar do meu. É claro. A frieza das coisas que eu dissera ontem. O jeito como eu tinha agido. Cruzei os braços.

–Aconteceu muita coisa. Venha jantar aqui na sexta.- Falei. — Resolveremos tudo.

E voltei para o quarto.

Notas finais
REVIEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEWS? RECOMENDAÇOEEEEEEEEEEEEEEEEES? SDDS RECOMENDAÇÕES Bom, a demora foi por falta de inspiração galero, de vdd Vcs querem um capítulo do Percy com a Lou, ou querem adiantar para o jantar? hein? hein? hein? hein? rexpondam Esse era um capítulo pra expressar tudo que a Annie tava sentindo, e era realmente muita coisa então.... se ficou confuso, desculpeeem! Ah, e não foi só pq o Percy deu um sorriso que ele não está putíssimo com ela (na vdd, está mais que putíssimo) Enfim, beijos *: