Notas iniciais
desculpem a demora, aqui está :D

O despertador novo que meus pais haviam comprado tocou ruidosamente no criado-mudo ao lado de minha cama. Eu o joguei no chão de novo, enquanto me levantava vagarosamente, extremamente cansada.

Ontem tinha passado um bom tempo pensando sobre Percy. O que aquele garoto queria afinal? Aliás, o que ele tinha visto em mim, a loira certinha e rica, que despertasse seu interesse?

Já haviam se passado uma semana desde o incidente da moto e eu ainda pensava nisso.. Obviamente não era um bom sinal. Decidi deixar pra lá e levantar para me arrumar pra aula.

Desci as escadas ruidosamente, quase despencando por elas de tanto sono. Meus pais estavam na mesa, tomando café da manhã calmamente enquanto assistiam o noticiário.

–Outro roubo! Acho isso um absurdo. Esses moleques de hoje em dia, ninguém sabe onde vão parar!

–Acalme-se, Victoire. Foi só uma loja de conveniências, não foi um banco com milhões de dólares.- Meu pai disse enquanto se servia de suco de laranja.

Eu olhei para a tela da tevê, enquanto passavam as imagens das câmeras de segurança da loja. O garoto que estava na filmagem me parecia estranhamente familiar...

–Gente, tô indo. — Peguei uma torrada, dei um beijo nos dois e saí. Chamei o primeiro táxi que apareceu e logo estava a caminho da escola.

***

–Bem, aí estamos, já na segunda semana. Espero que já tenham tirado a cabeça das férias, crianças, pois ainda temos muito trabalho pela frente. — Professora Ártemis falou. Tínhamos ido pro laboratório naquele dia, segundo ela, a fim de fazer uma "coisa diferente".

Na verdade, íamos dissecar sapos. Não era nada de diferente, muito pelo contrário, era a coisa mais clichê que eu já tinha visto. Mas, segundo a professora, "Qual melhor jeito de aprender biologia, senão abrir ela ao meio e xeretar?". Não foi um discurso muito bom.

Assim que tínhamos chegado ao laboratório, nos dividimos em duplas. É claro que eu me senti em apuros, não era próxima a ninguém ali, mas Cally fez par com Zoe, o que deixou Rachel extremamente irritada e a obrigou fazer dupla comigo.

Eu estava sentada na mesa, tentando não olhar o sapo, enquanto Rachel fazia todo o trabalho. Ela era tão boa com aquelas faquinhas quanto era com seus pincéis.

Olhei em volta na sala. As garotas pareciam extremamente enojadas, principalmente Cally, que estava meio verde e parecia prestes a vomitar, enquanto Zoe se encarregava do trabalho. A professora assistia tudo com um sorriso entusiástico, como se a melhor coisa no dia dela fosse ver aqueles alunos malditos passarem mal. Ela era cruel.

Então olhei a mesa dele. Percy fazia dupla com Nico diAngelo, que fazia boa parte do trabalho enquanto Percy assistia tudo entediado. Ele tirou um maço de cigarros no bolso e o acendeu discretamente, no pequeno fogão que tinha nas mesas, para experiências químicas.

Não sei o que me levou a fazer aquilo. Talvez a raiva por ele ser ao mesmo tempo tão esperto, e tão idiota. Talvez a frustração de eu perceber que pensava demais nele. Ou talvez eu só queria ver ele se dar mal, sem ter nenhuma saída dessa vez.

Ergui a mão, e falei:

–Professora, não podemos fumar na sala de aula não é? Principalmente maconha. — Levantei uma sobrancelha. Não sabia se era maconha ou não, mas parecia melhor pra incriminá-lo.

Ele me olhou de olhos arregalados, como se não tivesse acreditado que eu realmente fizera aquilo. Eu retribuí seu olhar, com o mais profundo desprezo.

–Sr. Jackson! — A professora se levantou, afobada. — Apague imediatamente isso aí!

Percy deu de ombros.

–E se eu não quiser?

–Então eu vou ter que pedir que se retire! — Ártemis ficava mais furiosa a cada momento. A sala inteira tinha parado pra assistir a discussão.

–E se eu não quiser também? — Percy a encarou, desafiador.

–Então vou ter que chamar o próprio diretor aqui, Sr. Jackson. — A professora a baixou os óculos, como se dissesse "você vai mesmo querer continuar com isso?".

Percy se levantou da cadeira e apontou pra mim.

–Annabeth estava colando!

Eu olhei a mesa, desorientada. Não tinha nenhum livro lá.

Rachel fez um movimento rápido e jogou alguma coisa do colo dela para o meu. O livro. Era por isso que ela estava se saindo tão bem. E agora ia por a culpa em mim.

–Ora, sua.. — Murmurei. Então gritei: — Professora, é mentira!

–Está me chamando de mentiroso, sua... — Percy me encarou.

–JÁ CHEGA! — Ártemis gritou e bateu com um livro na mesa. Todos da sala ficaram em silêncio e se sentaram, de repente extremamente comportados. Ela estava tão estressada que uma mecha havia se soltado do seu coque e ela insistia em colocá-la atrás da orelha.

–Professora, eu.. — Tentei falar, mas ela me cortou.

–Chase, calada! — Ela se recompôs e se sentou novamente. — Vocês dois, pra sala da diretoria. Agora!

Percy se levantou, derrubando todas as coisas em cima da mesa de propósito e andou pesadamente até a porta.

–Eu vou te observar Jackson! Se sair do caminho, eu vou ver! — Ártemis gritou. Então se virou pra mim e ergueu as sobrancelhas como se dissesse: "está esperando o quê?".

Me levantei e saí da sala. Percy estava a longos passos de mim, andando com raiva.

Rachel. Eu já não sabia o que pensar dela. Na primeira oportunidade ela me incriminou, sem medo, na cara-de-pau. Deuses, eu estava com tanta raiva! Era minha primeira semana de aula e eu já tinha me metido em encrenca. Tudo por causa daquele...

–Idiota. — murmurei.

Ele parou de andar e se virou pra mim. Como ele tinha conseguido me ouvir?

–Desculpe, Annabeth, por eu ser tão idiota. Afinal, fui eu que te dedurei primeiro não é? — Ele me lançou um sorriso azedo e continuou a andar.

Eu continuei andando atrás dele, tentando manter a maior distância possível. De repente, ele virou uma esquina que não ia pra diretoria.

–Ei. — Falei. ele não me ouviu. — Ei! Aonde está indo Jackson?

–Eu é que não vou levar uma detenção por uma coisa tão estúpida. — murmurou sem se virar. — Ártemis que se dane.

Eu hesitei. Se fosse pra diretoria agora, meus pais pegariam no meu pé o ano inteiro pela detenção. Mas se eu fosse com ele, o que certamente era o errado a fazer, eu me livraria disso. E ninguém precisava saber.

Corri pra alcançá-lo e caminhei ao seu lado.

–Aonde vamos? — Perguntei. Ele parou e me olhou, cético.

–Annabeth, você é tão cretina. Acabou de me dedurar lá dentro e agora quer vir comigo?

Eu recuei quando ele falou "cretina". Não sei porque, mas eu realmente me senti ofendida. E.. Era estranho quando ele me chamava de "Annabeth". Eu já tinha me acostumado a ser chamada de Annie por ele, por mais tolo que isso pareça.

–Eu... Eu não sei por que eu fiz aquilo. — Admiti. — É que... Não sei, estava irritada com você. Desculpe.

Ele me olhou surpreso.

–Por quê?

–Porque o quê?

–Por quê estava irritada comigo?

–Ah. Não sei... Aquilo que você fez, no dia da carona... Me deixou irritada. — Falei. — Não me pergunte o porquê.

–Será que é porque você não sabia o que eu quis dizer com aquilo? — Ele sorriu presunçoso. — Será que é porque você não fazia ideia do que eu pensava de você?

–Acho que sim. — Respondi, desconfiada.

–Ótimo. Era exatamente esse efeito que eu queria causar. — Ele continuou andando, sorrindo vitorioso. Porque ele não conseguia manter a boca fechada? Me pouparia de muito ódio. Eu bufei, e comecei e andar pra direção oposta, irritada. Preferia a detenção.

Mas ele segurou meu braço.

E então me puxou pra perto. Quando digo perto, quero dizer muito perto.

Ainda sorrindo, ele sussurrou, fazendo todos os pelos do meu corpo se arrepiarem:

–Mas vai dizer que não gosta desse efeito que eu causo em você? — Senti uma sensação estranha no estômago, como se tivesse algo voando lá dentro. Seriam borboletas?

– Eu... Eu não... — Era difícil falar olhando seus olhos verde-mar tão de perto. Eles pareciam conseguir ler minha alma inteira. Mas então, uma voz em minha cabeça me fez dizer enquanto me afastava: — Você tem uma namorada. E ela é a única amiga que eu tenho aqui.

Percy pareceu voltar à realidade. Ele franziu as sobrancelhas.

–Hã? Ah. sim. — Disse, meio perdido. — Cally. É claro.

Eu percebi que eu também tinha um certo efeito sobre ele. Sorri vitoriosa.

–Bem... — Falei. — Refazendo a pergunta: Aonde vamos?

Ele sorriu, como se nada tivesse acontecido.

–Vou te mostrar um lugar legal.

Notas finais
REVIEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEWS? adorei fazer esse capitulo *o* auhsuahushas bezos, até o próximo *: