Percabeth - I Knew You Were Trouble
22 Capítulo 21
Notas iniciais
Olhei para trás e não vi ninguém, até dirigir meu olhar mais para baixo e ver os cabelos de corte irregular que eu já tanto vira.
–Claire?- Falei, surpresa.
–O que é que você está fazendo aqui? — Ela veio correndo até nós, curiosa. — E quem é o punk?
–Quem é essa pirralha? — Percy cruzou os braços, desconfiado.
–É, Claire. Minha irmã. — Respondi, então me virei para ela novamente. — Você é quem me responde: o que está fazendo aqui?! Isso é uma delegacia.
–Dã. Estou fazendo um trabalho pra escola.- Deu de ombros, como se aquilo explicasse tudo.
–Claire. Você está de férias.- Objetei.
–O conhecimento nunca tira folga...! — Ela juntou as mãos com os olhos brilhando em expectativa.
–E que tipo de trabalho é esse que você tem que fazer numa delegacia?! — Esfreguei a testa, cansada de tentar entendê-la.
–É um trabalho sobre como o sistema penal desse país contribui como uma influência negativa para os jovens delinquentes. — Ela sorriu, orgulhosa.
–Claire, você está na quarta série. — observei, mas ela ignorou meu comentário, e olhou para Percy com uma expressão ansiosa.
– Posso fazer uma entrevista com você? Posso? Posso? Posso?
–Ei! Eu não sou um jovem delinquente, pirralha. — Ele respondeu. Eu e Claire trocamos olhares e o encaramos. — Não me olhem assim! Eu só fui preso duas vezes.
–Duas? — Ergui uma sobrancelha. — Vamos conversar sobre isso depois.
–Annieeee! Sua vez de responder, o que você está fazendo aqui?
–Espera aí, você está aqui sozinha? — Mudei de assunto, tentando me desviar da pergunta dela. Eu realmente preferia não ter que explicar.
–Não né. Eu vim com a Sam. — Ela colocou as mãos na cintura, irritada. — Mas aquela medrosa não teve coragem de entrar.
–Então... — Eu comecei a empurrá-la para fora da delegacia. — Você vai lá encontrá-la e falar sobre as descobertas que fez, e então vocês vão embora, você e sua amiguinha.
–Espera aí! — Ela resistiu ao meu empurrão. — Eu não terminei! Preciso entrevistar seu namorado delinquente.
–Como é? — Parei de empurrá-la, corando violentamente.
–Dã, não é tão difícil de deduzir. Você está com um garoto bonitão na delegacia com um maço de dinheiro na mão e entregando para a guarda. — Ela estreitou os olhos. — Você pagou a fiança dele. E pela quantidade de dinheiro, posso dizer que foi um delito de leve a médio. Ele deve ter assaltado alguma loja.
Eu abri e fechei a boca, sem saber o que dizer. Percy estava atrás de mim, em silêncio com os olhos arregalados.
–Ela é genial. — Murmurou, surpreso.
–É. Infelizmente. — Revirei os olhos.
–Eu vou contar pra mamãe. — Claire sorriu maliciosa.
–Não, você não vai. — Murmurei. — Olha só, se você ficar bem quietinha, eu te levo para ver o museu de Nova York.
–Já vi. — Ela deu de ombros.
–Ok, ok... Então.. — Tentei pensar em algo.- Vou com você para a disney no final do ano.
Os olhos de Claire brilharam. Eu nunca tinha ido com ela pra lá, mas ela sempre quisera me levar para conhecer a Tinkerbell.
–Você vai?
–Vou. Prometo. — Sorri, me agachando em frente à ela.
–Promete de dedinho. — Ela estendeu o dedo mindinho e eu o apertei com o meu.
–Certo. Agora, dá o fora daqui, sininho. — Baguncei seus cabelos. Ela saiu correndo, saltitante, indo ao encontro da amiguinha que a esperava do lado de fora.
Percy ainda estava meio abobado.
–Ela é genial. — Repetiu, ainda surpreso.
–Eu sei. — sorri. Era engraçado como Claire podia ser tão inteligente com aquela idade e ainda ser feliz igual a uma garotinha com suas bonecas de fadas. — Igual a mim.
Percy soltou um risinho.
–Não é não. Se você fosse esperta, não andaria comigo. — Ele segurou minha mão.
–É, acho que é verdade. Afinal, andar com você... Pode ser que sua lerdeza seja contagiosa. — Ergui uma sobrancelha. Ele sorriu, e , juntos, saímos para fora da delegacia. O céu estava azul e o sol brilhava radiante depois de termos saído daquela sala iluminada a lâmpadas frias.
–Que horas são? — Percy perguntou. Eu olhei no meu celular.
–Quase cinco e meia. — Respondi. — Por que?
Ele pareceu pensar em algo e me puxou pela mão, em expectativa.
–Quero te mostrar um lugar. Podemos pagar um táxi?
Peguei um pouco de dinheiro que havia sobrado em meu bolso e chamei um dos táxis amarelos, entrando nele junto com Percy.
Ele falou um endereço que eu não reconheci ao homem e entregou-lhe o dinheiro.
–Onde estamos indo? — Perguntei, curiosa, me aproximando dele.
– Relaxe. É uma surpresa. — Ele segurou a ponta do meu queixo e me puxou para perto, me beijando suavemente. — Cara, eu senti muita falta disso.
–Eu também. — Sussurrei, sem perceber que eu tinha dito isso em voz alta. Ele sorriu e me abraçou, roçando o nariz levemente em meu pescoço. Sua respiração quente e ritmada batia no meu ombro, me causando cócegas.
Permanecemos assim por um tempo, um silêncio confortável preenchendo o táxi. O motorista estava alheio à nossa cena, no banco da frente, felizmente.
–Eu acho que... — Percy começou a falar. — Acho que agora estamos presos.
– Como assim? — Franzi o cenho, confusa.
–Enquanto eu estava naquela cela horrível, eu percebi que não podia viver sem você. — Ele segurou minha mão, entrelaçando seus dedos nos meus. — Eu estou preso a você, Annie. Você está presa a mim?
Embora eu não gostasse muito dessa comparação, eu tinha que concordar: não havia definição melhor.
–Sim. Eu estou presa a você, Percy. — Senti uma pontada de decepção involuntária em minha voz.
* * *
Eu nem havia percebido que havia cochilado, mas acordei com a voz rouca do motorista.
–Hã... Senhorita? chegamos.
–Hmm? — Abri os olhos. A única coisa que sentia era o cheiro de Percy, aquela mistura de colônia masculina, menta e cigarro.
–Obrigado. — Percy respondeu por mim. Percebi que o homem ficara meio receoso desde que o deixara entrar no carro. — Annie? vamos?
Ainda abraçada com ele, me apoiei nos seus braços e saí do carro. Assim que fechamos a porta, o motorista pisou no acelerador e deu o fora dali.
–Acho que assustamos ele. — Sorri, me espreguiçando. — Agora, vai me dizer onde estamos?
–Ainda não. Vem, por aqui. — Ele pegou minha mão e me guiou por uma rua.
Agora que estava acordada, comecei a reparar mais na vizinhança. Os prédios eram um tanto abandonados, com janelas fechadas e paredes pichadas. Haviam vários becos escuros, os quais eu me recusei a olhar, com medo. Apertei a mão de Percy com força.
–O que foi? -Ele riu.
–Eu não gosto desse lugar. — Respondi.
–Annie, relaxa, estamos numa parte Queens. Já estive aqui milhares de vezes, não é tão ruim quanto parece.
–Hum. — Resmunguei. Percy parou em frente a um daqueles prédios altos que servem de estacionamento.
–É aqui.
–O que viemos fazer aqui? — Segurei seu braço, amedrontada. Lá estava escuro e vazio, e parecia abandonado à tempos
–Annie, acalme-se. Não há ninguém aí há décadas. Vem, vamos subir.
–Subir até onde?
–Até o último andar. Você vai ver como é incrível.
* * *
Eu olhava minhas sapatilhas, balançando a 200 metros de altura.
Lá embaixo, os prédios menores pareciam pequenas casas, e as casas pareciam maquetes. Mas era difícil ver, já que as sombras do por do sol escondiam as construções. Comecei a balançar as pernas, mas fiquei com medo de meus sapatos caírem dos meus pés até lá embaixo.
À frente, o sol se punha, refletindo na água na baía que se abria para o Queens. O céu era rodeado por nuvens de várias cores e um vento morno soprava, balançando meus cabelos e arrepiando os pelos dos meus braços.
Estávamos sentados na beira do último andar do prédio de estacionamento Parking square.
–Eu disse que era demais. Você tem que começar a me escutar, Sabidinha. — Percy pegou na minha mão. Eu sorri e o beijei, como um agradecimento por aquele passeio incrível. Mal sabia eu o que viria depois.
–É tudo tão... Bonito. — Suspirei, extasiada. — Só você me traz a esse tipo de lugar, Percy. Obrigada.
–Não há de quê. — Ele sorriu.- Eu tenho que agradecer também. Esse lugar fica ainda mais incrível com você aqui.
Eu sorri, envergonhada. Não era bem uma pessoa que sabia como reagir a elogios.
Ficamos mais algum tempo assim, apenas nos beijando, sentindo o vento morno e observando a paisagem enquanto o sol se punha. Conforme ia ficando escuro, as estrelas iam aparecendo e nos deitamos um pouco para observá-las também.
–Está vendo aquela constelação ali? A que se parece um arco e flecha. — Ela apontou. — Então, eu não faço a mínima ideia de qual é.
–Nem eu. — Eu ri, pela primeira vez no dia. Então, me virei para encará-lo. — Eu não queria acabar com tudo isso, mas... Você não acha que está ficando tarde?
Ele se apoiou nos cotovelos e me encarou.
–Tem certeza que quer ir? Podíamos passar a noite aqui.
–Percy, se eu passar mais uma noite fora de casa, acho que meus pais vão ter um infarto.
Ele soltou uma risada e então me ajudou a me levantar. Eu sacudi a poeira do shorts e dei uma última vislumbrada naquela paisagem de Nova York ao céu estrelado.
–Certo. Vamos pra casa. — Ele segurou minha mão e começamos a caminhar para voltar.
Mal sabíamos que ainda havia muito coisa para acontecer naquela noite.
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