Percabeth - I Knew You Were Trouble
18 Capítulo 17
Notas iniciais
Beep. Beep. Beep.
Mph?
Meus olhos se abriram devagar. Meu rímel estava borrado, meus cílios grudaram e eu tinha babado no travesseiro. Que visão linda.
Olhei para o relógio em meu criado mudo. Eram cinco da tarde. E eu ainda estava de ressaca.
Mal tinha saído da casa do Percy, cheguei em casa e tive que ouvir meus pais brigando comigo. Aparentemente, Tiffany tinha esquecido de telefonar e falar sobre o T.N. Depois eu daria uma bronca nela.
Enfim, meus pai brigaram. E brigaram. E brigaram mais um pouco. E isso realmente não fez bem para a minha dor de cabeça.
Sem conseguir comer mais nada e quase desmaiando de sono, cansaço e tristeza, apaguei na cama. Mas pelo visto minha mãe queria que eu acordasse àquela hora, não sei porquê.
Me virei no travesseiro e me enfiei embaixo do edredom, decidida a dormir mais um pouco.
E foi aí que minha mãe entrou, trazendo companhia.
–Annabeth. — Ela disse, num tom um tanto frio. Acho que ela ainda estava brava comigo.
–Quê?– Resmunguei, colocando as mãos nos ouvidos. Nunca tinha percebido que aquele quarto dava um eco irritante e agudo.
–Dê oi pra sua irmã. Ela acabou de chegar da casa dos seus avós.
Eu arregalei os olhos.
Ah, não.
Meu dia podia ficar pior?
–AAANNIIIIEEEEE!! — A garotinha magricela veio pra cima de mim e começou a pular na cama, falando absurdamente alto, animada. Senti minha cabeça rodar. — MANINHAAAA!
–Oi, Claire. — Sussurrei, dando um tchauzinho com a mão e me escondendo debaixo do edredom, esperando que ela abaixasse sua voz aguda, para o bem dos meus ouvidos.
–AH, QUAL É? Não vai me cumprimentar direito não? — Ela resmungou, colocando as mãos na cintura. — Olha que a bola de canhão vem aí.
Ah, bola de canhão não.
Me levantei do edredom e a cumprimentei direito.
– Tarde demais. — Ela riu, e então pulou em cima de mim com toda a força — Bola de canhãaaaao!
–Mãe, socorro! — Supliquei. Minha mãe me olhou da porta do tipo "você merece, meu bem.". -Sai de cima, Claire!
–Annabeth, seja gentil com a sua irmã, faz tempo que vocês não se vêem. — Minha mãe falou e desapareceu do quarto, me deixando sozinha com aquela capeta em forma de criança.
–É verdade. — Claire se sentou na cama. — Faz tanto tempo.... Estou com saudades de você, Annie. — Ela me deu um abraço de urso, me enforcando. — qual a primeira coisa que vamos fazer?
–Mmmph... Porque você não me conta as novidades de Washington? — murmurei, me enfiando debaixo do cobertor de novo. Claire se empolgou e começou a tagarelar sem parar com sua voz aguda.
Ah, sim. Eu tenho uma irmã.
Sei que não mencionei isso, mas não é que eu a tenha esquecido, muito pelo contrário, eu amo demais essa pestinha. É só que, grande parte desse ano ela passou na casa dos avós em Washington, num internato caro, mas que com certeza a levaria a Harvard. Um plano de vida bem humilde e tal.
Segundo meus pais, era melhor que ela não passasse muito tempo comigo. Eu era a má influência.
Eu teria ficado irritada, se Claire não tivesse adorado a ideia de morar na capital. Ela era simples assim, curiosa, queria sempre conhecer lugares e pessoas novas. Estudava muito, e se dedicava aos amigos e à família, e ao gato de estimação, Larry. Ela era completamente o oposto de mim.
E fazia muito tempo que não a via.
Enquanto ela falava, eu a puxei para um abraço e baguncei seus cabelos castanhos espetados e repicados pra todos os lados. Lembro que, curiosa como ela era, uma vez ela tentou aprender a cortar o próprio cabelo. Não deu muito certo.
–Como está a vovó? — Perguntei.
–Ah... Ela está... Mal. — Claire baixou os olhos para o lençol, com uma cara triste. Minha avó lutava contra o câncer havia alguns anos. Sempre que Claire vinha pra casa, eu torcia para que ela trouxesse apenas boas notícias dela.
–Ah... Tenho certeza que ela vai melhorar, sininho. — Sorri, chamando-a pelo apelido. Ela adorava a fada do Peter Pan, então começamos a chamá-la assim. Ela sorriu.
–E você, annie, como está? — Ela me olhou com expectativa. — A escola está tão ruim como você dizia que seria? As pessoas são chatas? Tem meninos bonitos?
–Claire! — Murmurei. Ela corou e deu um risinho envergonhado.
–Ora... Só queria saber.
Pensei no que tinha acontecido pela manhã. Eu saíra do apartamento do Percy, depois de uma briga feia e eu achava que tudo tinha acabado entre nós. Lembrar disso me deu um nó no estômago, mas eu apenas sorri para Claire e disse:
–Está tudo bem. A escola é legal.
–Que bom! Ah, annie, eu trouxe uma surpresa pra você! — Ela sorriu, e levantou da cama, correndo com energia até a bolsa rosa que tinha abandonado perto da porta. Tirou alguma coisa de lá e voltou correndo. — Olha só! Vovô comprou pra mim!
Era uma boneca da Tinker bell. Típico dela. Sorri e lhe disse que a boneca era linda. Ela se empolgou e começou a contar da viagem pra disney que ela tinha feito, e como consegui tirar a foto com a fada. Ela aprecia tão feliz que juro que tentei prestar atenção, mas meus pensamentos se voltaram para meu celular.
Ele ainda não tinha me ligado.
E já era quase noite.
Enquanto ela falava, toquei discretamente meu telefone e o desbloqueei, em busca de alguma mensagem, alguma coisa. Nada. Absolutamente nada.
Certo, pensei, Isso quer dizer que ele acha que é melhor assim. E talvez seja. Nunca pensei que daríamos certo, de qualquer maneira.
Mas mesmo assim, minha expressão ficou azeda. Claire percebeu.
–Você está bem?
–Estou, sininho. Só estou com fome. Vamos comer algo?
Ela se levantou e foi correndo na frente para a cozinha. Eu, ainda deitada na cama, esfreguei a testa, desanimada. Bem. Parece que tudo acaba aqui mesmo.
Então me lembrei do jeito doce que ele tinha me tocado, como ele ficou ao meu lado na festa o tempo inteiro, me protegendo, e como soava meu nome na sua voz.
Me levantei da cama e então abracei meu corpo, com frio, pensando em como seria se ele me abraçasse agora para me aquecer.
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