* * * Narração em terceira pessoa * * *

Ah, bem. Ele não estava surpreso.

Depois que ela saiu correndo do apartamento dele, tudo que Percy pode pensar foi que ele já imaginava que isso aconteceria. Ele sempre era o monstro da situação.

Annabeth resolveu ignorar o fato de que Luke tê-la sequestrado na verdade, não tinha sido culpa de Percy. Ele não tivera nada a ver com aquilo, muito pelo contrário, mal imaginara que aquilo pudesse acontecer. Para ele aquela era só mais uma simples tarde assistindo ao pôr-do-sol com a namorada.

Cara, como ela ficava linda à luz do sol. Sentados naquele prédio eles tinham toda a paisagem de Nova York à frente deles, e tudo que ele conseguia fazer era olhar pra ela. Pro jeito que o cabelo loiro dela balançava ao vento, ou como suas mãos delicadas seguravam firmemente o chão, inseguras. Ele as segurou e ela sorriu, o rosto corado. Estava tudo simplesmente perfeito.

Era a ocasião perfeita para fazer aquele pedido. Percy guardara aquele anel com o maior cuidado com medo de alguém o encontrar mas estava ali, e quando ele mostrou à ela tinha certeza que guardaria aquele sorriso surpreso para sempre.

E então é claro, algo tinha que dar errado.

Quando ele a viu sendo arrastada pra dentro do carro, ficou em choque. Aquilo não podia estar acontecendo. Era como se o universo caçoasse dele, dizendo: "Parabéns, você finalmente conseguiu uma garota que realmente gosta de você. Agora vamos traumatizá-la pelo resto da vida por causa do seu passado idiota com dois amigos que te traíram desde o início."

Ele estava com tanta raiva que deu um soco no garoto armado, Ethan. Teve consciência de que algum tiro havia sido disparado contra o chão mas ele só conseguia olhar o carro indo embora à toda velocidade, imaginando Annabeth lá dentro, indefesa e assustada.

E como se não pudesse piorar, a noite acaba com um assassinato. Bom, tecnicamente, não foi um assassinato. Ele apenas deixara o pai pra morrer depois de ter dado um tiro certeiro em uma veia na perna esquerda. O velho sangrou até não aguentar mais.

Claro que não era intenção dele. Muito pelo contrário, se arrependia. Mas o que ele podia fazer agora? Só restava fugir e fazer de conta que nada tinha acontecido. Afinal, esse era o lema de Percy : "Não se pode lamentar o passado, esqueça-o". Já que, com um passado daqueles, ele preferia nunca mais ter que relembrá-lo.

Mas não era o mesmo com seus amigos. Não deixaria que aquela noite se fixasse na mente deles como uma maldição. Não contou nada ao Nico e permitiu que Cally fosse embora e nunca mais falasse com ele, se isso a ajudasse a esquecer. Tudo que estava acontecendo naquele momento era única e exclusivamente problema de Percy e eles não tinham nada a ver com isso.

Dirigiu pelas ruas de nova york até descobrir aonde Luke e Reyna estariam. Eles não tinham dito localização alguma, mas era óbvio. Era naquele maldito apartamento no centro, onde eles tinham passado os melhores momentos com as "estrelas do sangue". Era assim que chamavam a droga, desde a primeira vez que usaram. Parecia mais divertido e menos errado.

Quando entrou naquele lugar, sentiu todas as lembranças voltando à sua mente mas ignorou-as e olhou em volta procurando por Annabeth. Quando a encontrou naquele quarto, teve vontade de chorar.

Ela estava machucada. Muito machucada. Tinha hematomas nas pernas e braços. Seu tornozelo estava virado num ângulo estranho e seu cabelo emaranhado. A boca estava seca, os olhos quase fechados, com olheiras debaixo deles. Ela mal parecia perceber que ele estava ali.

Antes de ter qualquer reação, Reyna apareceu ao seu lado, provocando-o. Pra ser honesto, ele sentia vontade de jogá-la pela janela do prédio, mas se controlou. A empurrou para longe e saiu, carregando Annabeth nos braços.

Quando passou por Luke, sentia tanta vontade de pegar aquela arma no bolso de trás da calça. Queria acabar com ele, assim como ele tinha acabado com a garota que ele amava.

Mas assim que olhou para Annabeth, percebeu que tinha mais coisas com que se preocupar. Ela tinha adormecido, um peso leve nos seus braços, como um passarinho ferido. Aliás, sempre fora assim que ele pensava nela: Um pássaro raro, trancado numa gaiola de ouro. Desde o início, tudo que ele queria fazer era soltá-la, e agora, olhe onde ela tinha vindo parar...

Assim que chegou no carro, colocou-a deitada no banco de trás e foi dirigindo calmamente pelas ruas, novamente sozinho com seus pensamentos.

Naquela hora, ele tomou uma decisão. Iria contar tudo à ela, todo o seu passado, tudo o que tinha feito aquela noite. Não ia mais esconder nada.

E assim que terminasse de contar, iria ver se ela era realmente louca a ponto de ficar com ele, a ponto de ter alguma esperança. Se assim fosse, dariam o fora de Nova York para sempre, deixando tudo pra trás.

E se não fosse... Bem, de uma coisa ele tinha certeza: Jamais a esqueceria.

Tirou o celular do bolso e olhou para uma foto, tirada por ele há muito tempo atrás. Era Annabeth de perfil, concentrada assistindo "Procurando o Nemo" com ele, os dois deitados na cama dela. Ela usava uma regata azul e o cabelo ainda estava meio molhado do banho. A boca estava entreaberta e ele se surpreendeu ao ver o quanto uma pessoa poderia ficar distraída com um filme a ponto de não vê-lo ao seu lado, com a câmera do celular quase na sua bochecha.

Ele sorriu e guardou o celular no bolso. Olhou para o banco de trás e ela ainda estava desmaiada, respirando pesadamente. O sorriso dele virou uma careta de dor.

Tudo que ele conseguia pensar era: Olhe só o que você fez com ela.

* * *

Naquela manhã ela tomou o café debaixo das cobertas com uma aparência muito melhor. Ainda dava pra ver alguns ferimentos mas outros já tinha se reduzido à simples manchas roxas. Ele tinha enfaixado o tornozelo dela com a ajuda de Bianca, que já tinha trabalhado de voluntária em um hospital. Annabeth estava quase novinha em folha.

Em comparação, Percy estava devastado. Tinha certeza de que seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar. Na noite anterior, logo depois de tê-la colocado pra dormir, tudo simplesmente veio a tona. Tudo que ele estivera resistindo o dia inteiro desabou sobre seus ombros e ele sentou no chão, soluçando, pelo menos até as 5 da manhã.

E então, quando ela abriu aqueles olhos cinzas, ele se lembrou da promessa que fizera a si mesmo na noite anterior. Assim que ela terminou o café, Percy contou tudo. Ela ouviu tudo atentamente, mas ele percebeu pelos seus olhos que ela desmoronava por dentro.

Assim que ela foi embora ele andou até a janela, vendo-a aparecer na rua chamando um táxi.

Ele parou pra pensar naquela comparação do pássaro de novo, mas dessa vez de uma forma diferente. E se fosse ele a gaiola que a prendesse? Annabeth tinha tudo para ser feliz: uma família normal, dinheiro, felicidade e inteligência. Ela teria tantas possibilidades se não ficasse atrás dele, um cara drogado que se metia a saber da vida, mas que na verdade era vazio por dentro.

Talvez ela até arranjasse uma nova pessoa. Alguém normal, que passeasse com ela pelos parques, que agradasse seus pais e que pudesse levá-la para conhecer o mundo. Talvez ela quisesse isso, só uma entediante vida normal.

Percy sorriu, olhando-a ir embora. Ele a conhecia mais do que ninguém, e sabia que não era isso que ela queria. Ela queria viver uma aventura, queria viver um romance que tivesse tudo pra dar errado.

Mesmo assim, ele tinha que dar à ela uma chance de escolher. E o melhor jeito de fazer isso era se afastar por um tempo e assisti-la seguir em frente sem ele.

Ou talvez ela voltasse, ele não sabia.

Quando deu por si, estava pegando o celular e discando o número da polícia. Quando atenderam, ele contou tudo. E assim que terminou de falar, já pensava na abstinência que sentiria na prisão.

Abstinência dela.

Annabeth.

Notas finais
OOOOOOOOOOOOOOI GENTEEE desculpem a demora galera. Fiquei de recuperação em química (sabem como é, sou SUPER nerd) e tive que estudar muuuuito, senão eu acabava reprovando suahsuahsuh Enfim, aqui está, eu tava louca pra fazer um capítulo esclarecendo os sentimentos do percy. Desculpem se ficou confuso, eu sempre misturo um pouco as coisas quando faço esse tipo de capítulo e.e enfimm... REVIEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEWS? OU RECOMENDAÇÕES? NAO? OK :C kkkkk beijinhos :*