Pequenos contos de um cotidiano corriqueiro
4 Capítulo 4
As crianças estavam todas ansiosa e a sala de aula que era sempre barulhenta, estava tranquila. A qualquer instante aconteceria a apresentação de mais um integrante.
— Poderia se apresentar, por favor? – Pediu a senhora, com boa vontade.
— Meu nome é Virgem, tenho 11 anos. – Falou, cabeça baixa encarando os pés.
A professora prontamente fez perguntas, desejando que o garoto comentasse sobre seus hobbies para assim fazer amigos instantaneamente.
— Gostaria de falar mais alguma coisa? Quem sabe... hum, você gosta de jogar futebol?
— Não senhora. – Disse envergonhado.
— Ah, entendo. E assistir desenhos? Tens um preferido?
— Não senhora.
Ela então desistiu e apenas pediu para que sentasse na cadeira atrás de Câncer.
O braço do Leão foi cutucado pelo amigo do lado, que parecia nervoso e animado. Ele também estava no mesmo estado. A chegada do novo amiguinho tinha sido impactante para ambos.
Logo que ambos saíram da sala se interrogaram: — O que você achou?!
Leão foi o primeiro a responder.
— Finalmente encontrei alguém que tenha tamanha beleza como a minha!
— Né? Aquelas florzinhas no cabelo deixaram ela tão fofa.
— Aqueles olhos verdes são tão lindos e ele era todo envergonhadinho. Nós vamos chamar ele para andar com a gente, né?
— Ótima ideia! Mas antes de mais nada tenho que dizer algo importante... – Fez uma pausa. – Leão, eu realmente acho que estou apaixonado por ela. Foi amor à primeira vista e não quero te enganar, acho que você também se interessou, porém como eu confessei isso primeiro todos os direitos são meus e....
— Sagi, não é “ELA”! É ele!
Passou algum tempo de inquieta constatação mental do fim de um amor impossível em que Sagitário apenas encarou o nada e nada falou. Acabando o choque, balbuciou as primeiras dúvidas.
— Como você pode ter tanta certeza?! Tipo, tinha florzinhas no cabelo e era tão fofo!
— Bom, é simples! Existem dois de cada na sala. Dois Sagitários, dois Touro, dois Cancêr... E nós já temos a Virgem! Então o único que faltava era o ...?
— Nãoooo. – Lágrimas exageradas e um choro da primeira ilusão de amor o afetaram como sempre afetam aqueles que amam.
— Chora cavalinho, pode chorar. – Leão deu tapinhas nas costas do amigo enquanto ele o abraçava, depois de um tempo Sagi teve uma dúvida ainda mais astuta.
— Mas, se você sabia que era um cara, por que você estava babando por ele também?
O outro apenas deu de ombro e ali Sagi percebeu que para Leão o que o atraia primeiramente era a beleza, independente de quem ela seja.
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