As crianças estavam todas ansiosa e a sala de aula que era sempre barulhenta, estava tranquila. A qualquer instante aconteceria a apresentação de mais um integrante.

— Poderia se apresentar, por favor? – Pediu a senhora, com boa vontade.

— Meu nome é Virgem, tenho 11 anos. – Falou, cabeça baixa encarando os pés.

A professora prontamente fez perguntas, desejando que o garoto comentasse sobre seus hobbies para assim fazer amigos instantaneamente.

— Gostaria de falar mais alguma coisa? Quem sabe... hum, você gosta de jogar futebol?

— Não senhora. – Disse envergonhado.

— Ah, entendo. E assistir desenhos? Tens um preferido?

— Não senhora.

Ela então desistiu e apenas pediu para que sentasse na cadeira atrás de Câncer.

O braço do Leão foi cutucado pelo amigo do lado, que parecia nervoso e animado. Ele também estava no mesmo estado. A chegada do novo amiguinho tinha sido impactante para ambos.

Logo que ambos saíram da sala se interrogaram: — O que você achou?!

Leão foi o primeiro a responder.

— Finalmente encontrei alguém que tenha tamanha beleza como a minha!

— Né? Aquelas florzinhas no cabelo deixaram ela tão fofa.

— Aqueles olhos verdes são tão lindos e ele era todo envergonhadinho. Nós vamos chamar ele para andar com a gente, né?

— Ótima ideia! Mas antes de mais nada tenho que dizer algo importante... – Fez uma pausa. – Leão, eu realmente acho que estou apaixonado por ela. Foi amor à primeira vista e não quero te enganar, acho que você também se interessou, porém como eu confessei isso primeiro todos os direitos são meus e....

— Sagi, não é “ELA”! É ele!

Passou algum tempo de inquieta constatação mental do fim de um amor impossível em que Sagitário apenas encarou o nada e nada falou. Acabando o choque, balbuciou as primeiras dúvidas.

— Como você pode ter tanta certeza?! Tipo, tinha florzinhas no cabelo e era tão fofo!

— Bom, é simples! Existem dois de cada na sala. Dois Sagitários, dois Touro, dois Cancêr... E nós já temos a Virgem! Então o único que faltava era o ...?

— Nãoooo. – Lágrimas exageradas e um choro da primeira ilusão de amor o afetaram como sempre afetam aqueles que amam.

— Chora cavalinho, pode chorar. – Leão deu tapinhas nas costas do amigo enquanto ele o abraçava, depois de um tempo Sagi teve uma dúvida ainda mais astuta.

— Mas, se você sabia que era um cara, por que você estava babando por ele também?

O outro apenas deu de ombro e ali Sagi percebeu que para Leão o que o atraia primeiramente era a beleza, independente de quem ela seja.