Seus cabelos negros são encantadores. Aos ventos, voam com delicadeza e suavidade, como um tecido de seda jogado para o alto. Seu sorriso é o mais bonito de todos. Seu batom vermelho marca sua linda boca, ressaltando seus dentes, que, devo dizer, estão cada dia ainda mais brancos. Seus olhos são um verde escuro, que acho muito mais bonito que qualquer outro olho claro. Sua pele clara de aparência macia possui algumas pintas e uma mancha no antebraço, que está ali apenas para mostrar que até mesmo aquela maravilhosa garota também tem suas imperfeições. Mas o que seria o perfeito e o imperfeito, sendo que cada um tem seu ponto vista? Bem... Esse é assunto filosófico que eu não estou interessado em me aprofundar.

Mas não posso dizer que aquilo é uma imperfeição. É o seu charme. Algo que a diferencia das outras. Tão linda que parece estar em câmera lenta e eu aprecio cada segundo.

Sentado na cadeira alta do ônibus, observo ela sentada um pouco mais a minha frente com apenas um par de cadeiras nos distanciando. Ela conversa com sua amiga ao lado. Uma garota de cabelos cacheados não assumidos, que foram esticados em uma chapinha mal feita. Julgando pelo jeito e aparência, posso dizer que ela é uma garota fútil. Em seu rosto há bastante maquiagem. Seus cílios grudados uns nos outros formam cílios negros e grossos dando para contar um por um. Ela me lembra do Bob Esponja, ou talvez se pareça mais com a Betty Boop. Então a batizei com esse nome: Betty Boop. Pessoas assim, costumo manter distância.

Alegre e animada, a garota se diverte com Betty Boop. Mesmo que fossem sete da manhã, indo para a escola. Eu? Não estou aqui. Quem está sentada aqui – sob o sol quente com medo de seu cabelo incendiar – é a minha carcaça desgastada de tanto jogar ontem. Olho para o lado de fora e o sol reflete nos meus óculos fritando minhas retinas, como uma lupa. Estou cego.

Estudamos na mesma escola, só que ela é dois anos mais nova. Ainda não sei seu nome. Mas pretendo descobrir. Talvez consiga falar com ela depois disso. Mas, espera. Não trocamos nomes depois que dizemos oi? Então saber o nome dela não importa muito. O primeiro passo é dizer “oi”... Não. Melhor não. E se ela me achar nojento só por tentar falar com ela? Pensar que um “oi” meu fará com que seu sorriso suma é desanimador.

Dramas a parte.

Nossa escola tem um andar e não é muito grande. Tem um formato retangular com um pátio a céu aberto em seu meio. Minha sala fica no piso, a dela no andar de cima. Mas o nosso intervalo é junto. Ela desce com suas amigas e senta no refeitório. Eu sento lá com alguns brothers e às vezes consigo observá-la de soslaio. Tomo muito cuidado para não ser flagrado. O único que sabe desse meu fetiche é Pedro e seria uma merda trágica se os caras descobrissem. Quando ela não aparece no refeitório, eu fico na biblioteca. Pedro me acompanha quando sua namorada está com outras pessoas ou falta.

Pedro e eu somos amigos desde a segunda série. Somos da mesma idade, mas ele é muito mais alto que eu – e olha que sou bem alto. – e com a aparência mais velha. Raramente corta ou arruma seus cabelos por pura preguiça, por isso anda sempre com o cabelo longo e bagunçado. Ele sempre foi da turma A e eu da B. Conhecemo-nos sentados num banco do lado de fora da diretoria. Eu estava ali, porque fui chamado. A diretora queria a minha opinião sobre um colega de sala meu. Acredito que ela tenha pedido a outros também. Mas isso não importa. Pedro estava lá porque descobriram que foi ele quem colocou fogo na lixeira de sua sala de aula. Eu devia ter queimado as evidências – ele disse. Rimos, ele levou uma advertência e nos tornamos amigos.

Desço do ônibus em meio a muitos jovens. Alguns da minha escola, outros não. Devo ser o único que não está acompanhado de um amigo. Um lobo solitário em meio a muitos outros animais de espécies diferen...

Algo esbarra em meu ombro, quase me fazendo perder o equilibro, interrompendo minha dramática narração. Por sorte, meus óculos permaneceram no lugar. Caramba! Quem foi o Hulk? Olho para trás e vejo, nada mais, nada menos, que a minha maravilhosa paixão platônica se reequilibrando. Peço desculpa ao mesmo tempo em que ela, fazendo-a ri.

- Por que está se desculpando? Fui eu que quase derrubei você.

- Não sei. – Ela ri mais uma vez deixando meu coração enlouquecido. Eu a fiz ri! Mas a verdade é que eu realmente não sei por que pedi desculpas.

- Eu sou um desastre. Tropecei ao descer do ônibus. Me desculpa mesmo.

- Você não é um desastre. Acontece. – Ela dá mais uma risadinha.

Ficamos alguns segundos constrangedores em silêncio. Sua expressão envergonhada é fofa. Faz-me ter vontade de abraça-la.

- Então eu vou...

- Oh. Sim. Eu também.

- Então tá.

- Sim... – Ela sorri e começa a se afastar ainda virada para mim.

- Foi um prazer esbarrar em você.

- Foi um prazer esbarrar em você? Cara. – Atualizo Pedro enquanto esperamos o professor de física aparecer. Ele sempre se atrasa.

- O que? Ela deu risada.

- Nossa! Agora é só pedir em casamento.

- Cala a boca!

Sei que foi uma resposta idiota, mas não quero admitir. Não foi intencional. Apenas aconteceu. Com certeza havia coisas melhores para se dizer, mas minha estupidez me atrapalhou. Mal podia acreditar que ela estava falando comigo... Bem, agora só me resta rezar para que ela não pense que eu sou um completo idiota. Será que ela vai contar para suas amiguinhas? Puta merda! Não tinha pensado nisso. Deus, pode me levar...

- Leo, volte para o nosso mundo! E vira para frente. – Diz a coordenadora de pé em frente à mesa vazia do professor. Ouço múltiplas risadas e enrubesço. – Já, já você volta para sei lá onde você estava. Deixa só eu dar esse recado... O professor de física de vocês não está se sentindo bem e não virá hoje. E como isso foi avisado em cima da hora eu não consegui achar um professor para substituir...

Então a sala começa um alvoroço com sons de indignação e revolta porque não poderão estudar. Hunf. Até parece! A turma começa um alvoroço em comemoração agradecendo ao vírus que infectou nosso professor, quase o convidando para sair com a galera, até a coordenadora ameaçar arremessar o sapato na cabeça de quem continuasse a bagunçar.

- Se eu ver alguém bagunçando no corredor. Aiai. Não preciso nem dizer. – Ela joga o sapato no chão fazendo um barulho alto e o calça. – Bom dia.

Ela deixa a sala e todos começam a rir. Mariana é a melhor coordenadora que já tive. Divertida e aplicada. Anda sempre com seus cabelos louros escurecidos presos em um rabo de cavalo bem feito. Alguém que consegue colocar ordem no desordenado. Ela tem meu respeito.

- Pode voltar para o mundo dos sonhos agora. – Pedro dá algumas batidinhas nas minhas costas.

Os caras que estavam em volta riram e resolvi deixar a sala para beber um pouco de água. Sinto que vou ser infernizado o resto do dia com essa besteira.

Curvo-me para beber água no bebedouro mais próximo à minha sala. A água está mais quente que o sol de hoje de manhã. Decido procurar um bebedouro com água gelada, mas isso é apenas uma desculpa para caminhar pela escola. Não é como se tivesse algo de importante na sala de aula a minha espera. Caminho até o bebedouro ao lado da quadra. Quente. Vejo que na quadra há várias crianças jogando futebol. Um deles cai do nada e culpa o outro. Tem gente que começa cedo com essas desonestidades. Espero que seja minoria.

Subo as escadas para o primeiro andar. Nele há dois bebedouros. Um perto da sala da garota. E outro, no lado oposto, ao lado da biblioteca. Só tenho mais duas tentativas. Sigo para o que está perto da biblioteca. Água gelada, finalmente. Olho em volta, só para conferir se ela está por perto, mas me decepciono.

Lembro-me de quando a vi pela primeira vez. Estava toda tímida e perdida na escola. Não sabia para onde deveria ir. Envolta dela estava a bagunça do primeiro dia de aula. Estava tão fofa que não consegui desviar o olhar. Queria saber como ela ia fazer para se achar. Então Betty Boop apareceu para guiá-la. A partir de então, estou sempre a observando em busca de suas melhores expressões. E nunca me decepciono com novas descobertas.

Volto a minha sala, preparado para as brincadeiras idiotas que vou ter que aguentar.

No intervalo, Pedro corre para sua namorada e os caras vão para quadra. Hoje é dia de o segundo ano usar a quadra. Sou até atlético, mas como minha sala é extremamente competitiva, prefiro não participar. E eles também preferem assim, já que nunca os deixo discutir ou deixo o juiz roubar. Sou odiado por causa de minha honestidade. Dá para acreditar? Bem, fazer o que? A minha parte está cumprida.

Não pretendo ir sozinho ao refeitório para observar a garota, então sigo para a biblioteca. Não irei ler nada hoje. Penso em apenas jogar em meu celular. Tenho que tomar vergonha na cara e passar daquele chefão no Zelda. A biblioteca está bem mais movimentada hoje do que é de costume. Olhares pousam sobre mim quando passo pela porta, mas logo sou ignorado. Sinto o frescor do ar condicionado e já me alegro. Aproximo-me da tia da biblioteca. Ela é uma das pessoas que trabalham nessa escola que eu mais adoro. Conhece-me desde pequeno e é muito simpática. Os anos atingiram seus cabelos curtos deixando algumas mechas brancas. Suas rugas perto dos olhos a deixa com uma expressão cansada. Mas essa é a última coisa que ela está. Rosa é uma mulher enérgica.

- Bom dia, Rosa. – Digo fazendo-a sorrir.

- Bom dia, Leo. Há quanto tempo. Você não vem mais aqui me dar um oi.

- Foi mal. Ando meio ocupado. – Stalkeando.

Ela me mostra um sorriso que diz: “Sei. Você está é aprontando por ai!”. Apenas rio e vou para o meu canto escondido da biblioteca. Fico sentado atrás da prateleira de enciclopédias sobre direito e pedagogia, com o barril onde guardam os mapas à frente. Um retângulo que cabem duas pessoas sentadas lado a lado com os ombros encostando. Ninguém na biblioteca consegue me ver aqui.

Melhor lugar de todos.

Na hora de irmos para casa, quase uma da tarde, não pude vê-la. Acredito que suas últimas aulas foram de física e ela foi liberada mais cedo, já que não há mais ninguém de sua turma por perto. Uma pena. Seus cabelos ao sol do meio dia ficam com um brilho mais bonito.

Moramos apenas minha mãe e eu em uma casa na orla da cidade. Nossa casa não fica em frente ao mar, mas é bem próxima. Ela tem um andar e não é muito grande. Minha mãe é coordenadora do ensino médio de uma escola municipal no centro da cidade. Trabalha das oito da manhã até às três da tarde. Mas, às vezes, ela volta mais cedo para casa e me dá uma carona para escola. Ela fazia questão de me levar à escola também, mas eu a convenci de que poderia ir de ônibus tranquilamente e que ela não precisava acordar mais cedo, já que ela odeia acordar cedo. – É óbvio que meus motivos eram outros.

Faço todo dia o nosso almoço e maior parte dos serviços de casa. Mas não me incomodo com isso, diferente de muitos adolescentes. Não gosto, mas se é um jeito de ajudar a minha mãe, eu faço. Ela é uma pessoa muito importante para mim e quero muito ajudá-la em tudo. Mas não é sempre que tenho que arrumar a casa, já que ela não junta muita poeira. Só temos que limpar bonitinho quando vem visita para cá, certo? Diz minha mãe e apenas concordo. Ela já conversou comigo sobre termos uma empregada, mas isso acabaria aumentando os gastos e diminuindo o tanto de dinheiro que ela poderia gastar com jogos para mim, então recusei.

Agradeço sempre por tê-la ao meu lado. Ela sempre foi muito brincalhona e atrapalhada. Quando era mais novo, achava ela insuportável, porque ela estava sempre me zoando na frente dos meus amigos ou nas minhas redes sociais, postando fotos constrangedoras minhas de quando era bebê. Mas hoje em dia olho para o passado e vejo como eu tenho uma mãe invejável. Divertida, gentil. Ela é tudo para mim, assim como sou tudo para ela. Agora eu também brinco com ela, postando fotos dela, como a que ela estava babando no sofá da sala enquanto dormia. Uma bela foto.

Minha mãe é mais baixa que eu. Enquanto meço quase um e oitenta, ela mede quase um e sessenta e seis. Ela é muito bonita e jovem. Seus cabelos são cacheados e longos. Sua pele é branca com algumas pintas pequenas pelo corpo, assim como a minha vó, mas as da minha mãe são pequenas e fofas. As da minha vó... Enfim. Eu descobri uma pinta preta medonha nas minhas costas recentemente. Sei que não é genético, mas ainda culpo a minha vó.

Nunca conheci meu pai. Ele abandonou minha mãe quando eu ainda era um bebê. Ela sempre desviava do assunto quando eu perguntava o que aconteceu entre eles ou me dava uma resposta vaga. Mas ano passado, aos meus quinze anos, exigi que ela me respondesse de forma clara e correta. Entrei em seu quarto e sentei em sua cama para conversarmos. Ela vestia seu pijama infantil de gatinho e seu cabelo estava preso em um coque mal feito.

- Mãe, você sabe que não pode mais fugir de mim. – Disse a ela.

- Mas eu posso continuar tentando. – Ela sorriu descaradamente.

- Amanda Soares, pare de enrolação e fala logo.

- Ai, não me chama pelo meu sobrenome também.

Depois de um tempo de luta consegui fazer com que ela aceitasse me contar e, depois de um longo suspiro, ela começou a falar.

- Bem. Tudo começou naquele dia que seu pai me amarrou na cama e colocou uma venda nos meus olhos. Ai ele veio por cima de mim passando a mão no meu corpo e me beijando na...

- Mãe! Que nojo!

- Ué. Você não queria saber?

- Não quero saber disso! – Ela apenas riu. Sempre inventando um jeito de tirar a seriedade da situação.

- Quando eu contei ao seu pai que estava grávida de você foi um choque para ele. Eu tinha dezoito anos na época e seu pai vinte. Éramos muito novos e estávamos na fase de “Nossa, ter filho é uma merda! Nunca vou ter filhos.” – Ela riu. – O destino é muito infantil com essas brincadeiras idiotas. Só dizer que não queria um filho, engravidei. Seu pai sempre foi uma pessoa complicada. Ele entrou na defensiva e colocou a culpa em mim. Disse que por culpa minha a vida dele tinha acabado. Que eu estraguei a vida dele... Ele me xingou tanto. Podia até escrever um livro de palavrões. – Ela riu da própria piada, mas eu não estava em condições de rir. Até agora meu pai era um babaca. – Mas depois ele disse que não adiantava ficar lamentando o passado, então ele resolveu assumir você. Eu contei para os meus pais no mesmo dia, mas ele só contou à mãe dele depois que eu formei o terceiro mês...

- Mas ele não tinha vinte anos?

- Seu pai aos vinte anos tinha que estar em casa às dez horas se não ficava de castigo. – Trocamos olhares incrédulos e ela continuou a falar. – Ele vivia com a mãe e a tia e elas nunca gostaram de mim. Ficavam debatendo sobre quantos caras a vadia da namoradinha do amorzinho delas já deu. Eu as odiava. – Ela se levantou e caminhou até a sua estante de livros, enquanto continuava a falar. – Nunca chegaram a me conhecer de fato, mas sempre tinham muitas histórias da minha vida que eu nem sabia que existiam para contar... Bem, quando você nasceu, o seu pai ficou muito feliz. Ele segurou você no colo e... – Ela achou algo e voltou a sentar na cama com as pernas cruzadas. – Eu tirei essa foto.

Meu pai era branco num tom mais escuro, com os cabelos castanhos curtos. Muito mais novo do que aparenta. Ele me segurava no colo olhando para mim com um sorriso radiante. – Eu parecia um alienígena. – Mas se meu pai me amava, porque ele nos abandonou? Pensava eu ao olhar para foto. Minha mãe voltou a falar, tomando a minha atenção para ela.

- Quando você tinha entre quatro e cinco meses. – Ela riu de um modo diferente, meio debochado e suspirou. – Seu pai me escreveu um bilhete e deixou em cima da minha cama quando eu não estava em casa.

Ela me entregou uma folha de caderno velha, amassada e um tanto rasgada em volta. No papel havia um texto de no máximo cinco linhas, escrito em caneta de tinta preta com a letra mais ridícula que já vi. Conseguia superar a minha.

“Amanda eu sou muito novo pra ter um filho. Eu ainda tenho muito pra viver e preciso me consentrar nos meus estudos então é melhor a gente terminar. A gente sabia que não ia dar certo e eu acho que não ia ser legal a gente ser amigo. É isso. Desculpa por tudo.

Lucas”

- Que porra é essa? – Perguntei mesmo sabendo a resposta.

- Isso mesmo que você leu. Ele terminou comigo.

- Com a porra de um bilhete? Isso não é jeito de terminar um namoro! Principalmente quando se tem um filho! Que covarde infantil! Nem escrever a porra do bilhete, ele escreveu direito! Concentrar com “s”? Porra, mãe! Você também. Como se apaixonou por um babaca desses? Namoral...

Estava transbordando de ódio. Como ele teve coragem de fazer isso com a minha mãe? Ela apenas riu e me abraçou com sua bochecha na minha. Imagino como deve ter sido difícil para ela. Ser abandonada pela pessoa que ama quando mais precisava dela. Assumo que meus olhos lacrimejaram.

- Você é muito fofo!

- Para. Eu não sou fofo. Só que... É ridículo sabe. – Ela me soltou e assentiu.

- Eu sei que é.

- Por que você não foi atrás dele? Mandar ele tomar no cu, algo assim. – Ela riu mais uma vez.

- Eu tentei falar com ele, mas não consegui. Descobri por alguns amigos dele que ele foi com o pai em outra cidade.

- Que babaca. Fugiu literalmente.

- Meus pais, seus avós, ficaram putos. Mas eu falei para eles deixarem para lá. Por mais que eu quisesse que você crescesse em uma família saudável, eu não queria que ele fosse o seu pai, entende? Eu não queria ele na minha vida. Eu sei que eu fui muito egoísta. Desculpa. Eu sempre me senti culpada por você não ter um pai... – Ela começou derramar lágrimas e eu a interrompi. Ela sempre foi muito sensível.

- Mãe, para com isso. – Enxuguei as lágrimas em seus olhos. – Eu não preciso de um pai. Eu acho que a nossa família já é saudável, mesmo sendo apenas eu e você. Uma família não precisa ter uma mãe e um pai. Olha, eu acho que você é um ótimo pai. – Ela ri.

- Sabe, mesmo tendo sofrido muito, eu não me arrependo de nada. Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Eu te amo demais.

-Eu também te amo, minha baixinha. – Beijei sua testa e acariciei seus cabelos. – Viu? Não foi tão difícil. – Ela riu – Você tem que aprender a conversar seriamente comigo, eu não sou mais criança.

- Desculpa não ter contado antes, mas é que eu não queria que você não gostasse do seu próprio pai... Você é uma criança, sim. – Afirmou ela, desviando a conversa como sempre. – Você só tem quinze anos.

- E daí que eu tenho quinze anos? Isso não tem nada a ver.

- Então se é assim vou começar a namorar o Pedro, já que ele já tem quinze anos. É um adulto. Eu sei que ele tem uma quedinha por mim. Ele vai ser o seu novo papai! Não é legal?

- Não fala isso nem brincando. – Ela riu. – Porque guardou essas coisas por tanto tempo?

- Eu queria te mostrar, quando tivéssemos essa conversa.

- A conversa já aconteceu. Vamos nos livrar disso.

Nós queimamos a foto e o bilhete, apagando Lucas de nossas vidas. Eu nunca vou perdoá-lo pelo que ele fez à minha mãe.

Ao chegar a minha casa preparo o almoço e posso dizer que eu sou muito bom na cozinha. Adoro cozinhar. Eu almoço primeiro e depois apenas faço companhia a minha mãe enquanto ela almoça. Às vezes ela tem que ir ao colégio a tarde também, então faço para ela um lanche, para que ela não fique se entupindo de besteiras como sempre faz. Por mais que a minha mãe seja a mãe, ela parece mais a filha. Sua personalidade infantil faz com que eu tenha que cuidar dela em muitos aspectos.

O resto do dia eu passo jogando ou fazendo qualquer outra coisa inútil. Não sou muito fã de estudar em casa, mas me dedico na escola. Durmo todo dia entre meia noite e duas da manhã. Mas hoje pretendo dormir mais cedo.

Notas finais
Certo. Ficou um tanto comprido, mas é assim que tem que ser.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.