Pequeno pedaço de morte

2 Será mais um sonho?


Notas iniciais
Entãããão, aqui meio que começa a ~fantasia~ da história, onde Kate descobre um pouco sobre sua origem, mas não acredita. Estaria a nossa protagonista sonhando durante esse capítulo?

Abby sorria para mim.

Um sorriso doce, meio e sedutor, do jeito que só ela conseguia fazer. Estávamos sentadas em sua cama, um prato de biscoitos nos separava e nós duas ríamos de algo. Era sempre assim, sempre falando sobre qualquer coisa e rindo sobre qualquer coisa, por isso, ela era a minha melhor amiga.

Quando ela esticou os braços em minha direção ela bateu em algo, uma espécie de bloqueio invisível, como um vidro, ela começou a gritar, mas eu não escutava o som, somente via seus lábios se moverem de forma lenta e desesperada. Estiquei minha mão para ela e acertei o bloqueio. Merda.

Eu: ABBY! — gritei , mas ela também não pareceu me ouvir, cerrei meus punhos e comecei a bater no vidro, ela tinha parado.

Um estranho tom de laranja começou a se espalhar por sua pele, seguido por vermelho. Bati mais forte no bloqueio, mas não adiantava

Abby explodiu bem diante dos meus olhos. Levantei com um salto.

Respirei aliviada quando vi que não passou de um sonho, então lembrei do que realmente havia acontecido. Será que aquilo tudo foi verdade? Minha cabeça latejava com a ressaca e embaralhava todos os meus pensamentos, olhei em volta tentando reconhecer o conforto do meu quarto.

Mas aquele não era o meu quarto. O lugar estava muito escuro, e eu ouvia barulhos de onda se quebrando ao longe. Mar? Impossível, Louisiana tinha muitos rios mas a praia mais próxima exigia horas de viagem. Quanto tempo eu dormi? Levantei da cama que não era minha e tentei enxergar melhor na escuridão, a medida que meus olhos foram se acostumando, notei que havia uma janela no cômodo, andei até ela e tentei abrir.

Roy: Está trancada.

WTF???????????????

Dei um pulo para trás tentando achar ele no escuro.

Roy: Bom dia... ou melhor , boa noite.

Eu: Mas o que porra tá acontecendo?

Então lembrei da noite anterior, depois da explosão, do carro, dele.

A luz acendeu.

puta

que

me

pariu.

Ele estava de bermuda ( só de bermuda) do lado do interruptor. A cama que eu estava era grande ( o que me fez perguntar se ele dormiu ali comigo) e o quarto era médio, mas muito organizado.

Eu: Que porra é essa?

Roy: Foi pelo seu bem.

Eu não sabia o que pensar, não estava processando as coisas direito, mas quando ele chegou mais perto de mim, acertei um soco na cara dele e corri até a porta.

Roy: Puta merda, KATHERINE! — ele gritou enquanto eu tentava abrir ela, soquei , chutei mas ela não cedia, então peguei a cadeira do meu lado e atirei na madeira, que rangeu e quebrou.

Infelizmente, o soco não surtiu o efeito que eu queria, então em menos de um segundo, senti seu braço forte envolver a minha cintura.

Roy: Temos que sair daqui agora.

Eu: Jura?- ironizei. — o que você quer de mim seu maluco?

Roy: Salvar sua vida?- ele perguntou imitando a minha ironia.

Eu: Ah, claro, depois da porra da casa da minha melhor amiga explodir COM ELA DENTRO e você me socar em um carro, e eu acordar NO MEIO DO NADA, você diz que quer SALVAR A PORRA DA MINHA VIDA?

Roy: Basicamente. — ele falou sem dar bola para os meus protestos e me arrastou para fora da casa. — mas eu preciso que você fique bem quieta, kate.

Eu: NÃO ME CHAMA DE KATE.

Ele tampou minha boca.

Roy: Não sei se entendeu o sentido de " quieta" . Ele foi me arrastando pelas árvores, acho que eram coqueiros, enquanto eu me debatia que nem uma louca. Seu braço subiu para o meu pescoço e o apertou. Senti minha visão vacilar no mesmo segundo.

Tive a impressão de ver chamas subirem onde a casa estava, mas nós estávamos um pouco longe e eu já estava começando a desmaiar, De re pente o calor do tal fogo me atingiu, ouvi Roy xingar baixinho e me arrastar mais rápido.

Roy: Desculpa, mas você não coopera. — e foi a última cosia que eu ouvi.

Kate, não se preocupe, vou te proteger!

Aquela voz, vinha do escuro, tentei responder mas nada saía da minha boca.

Merda! kate, corra!

Eu não sabia do que correr e nem para onde.

Katherine, corra! merda!

O que estava acontecendo? Até tentei correr mas eu não achei as minhas pernas.

Kate, me desculpa, me desculpa

Agora a voz choramingava. Quase senti vontade de esticar a minha mão e afagar quem quer que esteja desesperado falando comigo, mas eu não via nada, e não controlava meu corpo.

Kate, eu prometo que você vai ficar bem.

Então eu abri os olhos.

Eu: Que porra...

Roy: É essa? já está começando a ficar repetitiva.

Nós estávamos no Mustang em alta velocidade, eu só enxergava o mar de um lado e uma floresta tropical no outro. O sol estava nascendo no horizonte do mar, o que significava que nós estávamos no leste de algum lugar.

Okay, eu presto atenção na aula de geografia, vá em frente: me chame de nerd.

Eu: O que está acontecendo?

Roy: Eles nos encontraram novamente e tive que tirar a gente de lá.

Eu: Eles quem? De lá onde?

Roy: Kate, eles queriam você. Sempre quiseram, mas desta vez demoraram para te encontrar.

Eu: Eles quem porra? Me querem por que?

Roy: Desculpa , não posso te contar muito mais que isso.

Eu: Mas por que caralhos não po...

Roy: Você não é humana, falou? — ele me interrompeu e eu arregalei os olhos. — Era isso que você queria ouvir? Merda, agora eu vou levar uma bronca do caralho. — resmungou baixinho depois de gritar.

Eu: Que espécie de brincadeira idiota você planej...

Roy: Você acha que é normal alguém ter cabelo cinza claro e olho azul-quase-branco??? — caralho, segunda vez que ele me interrompe pra falar babaquice.

Eu: Minha mãe diss...

Roy: Não é de nascença ou outras pessoas da sua família também seriam assim.

Eu: PARA DE ME INTERROMPER PORRA!

Roy: E seu pai nunca te levou ao médico, sabe por que Katherine?

Antes que ele continuasse eu realmente tive lembranças de questionar minha aparência, ou o fato que eu nunca ficava doente, nem tirava sangue. Pode paracer estranho mas eu sempre quis colocar um gesso em algum membro meu, para as outras crianças assinarem.

Roy: Por que eles não são seus pais.

Eu: Baboseira.

Roy: Eles te aceitaram Kate, seu verdadeiro pai morreu.

Eu: Como é?

Roy: E sua mãe... — ele terminou a frase soltando o ar.

Eu: Minha mãe o que?

Roy: Não vou revelar mais do que isso.

Eu: E por que eu acreditaria nessa história mesmo? — desafiei.

Ele pegou uma faca que estava perto dele e cravou na minha perna.

Ele cravou uma porra de facão na minha perna.

Na porra da minha perna.

Gritei desesperada mas ele não teve reação. Continuei gritando.

Roy: Quando terminar de gritar, me diz se sentiu alguma coisa.

Espera aí... Eu não to sentindo porra nenhuma.

Eu: Eu tenho CIDA?

Roy: CIDA?

Eu: Você sabe... aquela doença que deixa as pessoas insensíveis a dores físicas.

Ele soltou uma risada.

Roy: Não é CIDA, e tenho certeza que o nome da doença não é esse...

Eu continuei encarando a faca cravada na minha perna. Eu estava sangrando, mas não sentia o sangue escorrer, muito menos a dor. Dei um tapa na cara dele.

O carro tombou para um lado e ele arregalou os olhos.

Roy: Mas que porra...

Eu: É essa? Só queria ver se conseguia sentir quando batesse em alguém. — E eu consiguia.

Roy: A gente podia bater, sabia?

Eu: Eu não ia sentir nada mesmo.

Roy: Engraçadinha, e tira essa merda da tua perna.

Eu: Tá incomodado?

Eu estava estranhamente relaxada, talvez por que acreditasse que aquilo era somente um sonho ou algo do gênero. Logo , logo eu iria acordar, provavelmente na cama da Abby e com a cara cheia de pasta de dente.

Ele desviou o olhar da estrada somente para tirar a faca da minha perna. Analisei o local, estava completamente limpo, o sangue havia sumido.

Eu: Mas que porra...

Roy: É essa?

Tive que dar um sorriso.

Eu: Mas o que eu sou?

Roy: Linda.- wtf? Isso lá é hora de flertar, caralho?

Eu: Te fode.

Roy: E romântica.

Eu: Não fode.

Roy: Há segundos atrás queria que eu fodesse, agora não quer mais? Se decide!

Eu revirei os olhos mas dei uma risada leve.

Roy: Não sei o que você é.

Eu: Você sabe que eu não to acreditando nessa história né?

Roy: Sei, mas com o tempo, você vai se convencer.

Eu: E você, o que é?

Roy: Perfeitamente humano.

Eu: Aham — Ironia modo onn — e como você não sabe o que eu sou?

Roy: Acho que já bateu sua cota de perguntas por hoje.

Okay, então. Ignorei ele e fechei os olhos... Agora eu supostamente deveria acordar perfeitamente bem, provavelmente no quarto da Abby e com ela do meu lado bem viva.

Contei até três e quase pude sentir a respiração da Abby de abrir os olhos. Porém tudo o que eu ainda via era Roy do meu lado. fechei os olhos com força.

Okay, vou incluí-lo na fantasia: Abby e eu dormindo e ele batendo na porta. Abri os olhos novamente mas ainda estava tudo igual. Repeti o ritual diversas vezes, acrescentando mais detalhes: biscoitos no chão, cortinas fechadas, garrafas vazias.... continuei repetindo até que a voz dele me trouxe de volta.

Roy: O que diabos você está tentando fazer?

Eu: Acordar — falei abrindo e fechando os olhos.

Roy: Não vai acontecer.

Nem adianta se imaginar com a sua amiguinha.

Pelo visto, meu amigo mental e sinistro estava de volta.

Eu: Para de palhaçada.

Roy: Eu não fiz nada.

Eu: Sei perfeitamente que é você que fala na minha cabeça.

Roy: Quem é o louco agora?

Olhei para ele irônica, mas ele só sorriu de lado e não tirou os olhos da estrada. Eu simplesmente não conseguia acordar daquela merda de sonho escroto do caralho.

Eu: Roy, qual o seu nome?

Roy: Você está ciente que a resposta está na própria pergunta né?

Eu: É sério.

Roy: Roy.

Eu: hum, quantos anos você tem?

Roy: 19, por que essas perguntas?

Eu: Para passar o tempo enquanto não acordo. — cruzei as pernas

Roy: Muitas pessoas escolheriam outra maneira de passar o tempo.- ele olhou para as minhas coxas.

Eu: Outras pessoas não são malucas sequestradoras e nem estão dirigindo.

Roy: Quer ver como eu dou conta de você e do volante?

Nem respondi, até que senti duas mãos em mim, uma na perna outra no pescoço.

Eu: PUTA QUE PARIU SEU DOIDO. — Agarrei o volante, mas ele ria feito um maníaco, ainda com uma mão em mim ( a que estava na minha perna) ele segurou o volante com outra.

Roy: Hum... entre tirar minha mão de você e segurar o volante, você segurou o volante... Encaro isso como uma coisa boa?

Eu: Vai se foder. — mas ri junto com ele. — por que eu não acordo? — resmunguei para mim mesma. Ele tirou os olhos da estrada e falou com uma voz completamente estranha.

Roy: Kate, não é um sonho. Queria eu que fosse, você não sabe o que eu tive que passar antes disso daqui. Fui preparado a vida inteira para esse momento.

Antes que eu pudesse perguntar do que porra ele estava falando, nós dois vimos algo aparecer na estrada. Um vulto. O sol já tinha nascido por completo mesmo assim não enxerguei quem era, até que se jogou na frente do carro.

Eu: ROY! — gritei e agarrei o volante, desviando do vulto e fazendo com que nós saíssemos da estrada.

Depois só lembro de ver o mundo virar e virar, estávamos capotando. Procurei a mão de Roy e segurei ela enquanto o carro não parava, ele retribuiu o aperto. Tudo durou poucos segundos, mas pareceram séculos para mim. Paramos de cabeça para baixo e me contorci para sair do carro.

Eu: Roy? — procurei por ele mas não tive resposta.

quando olhei para baixo vi que havia dois ferros atravessando minhas pernas. Eu não sentia dor, mas sentia que algo estava estranho fisicamente. Então cai no chão e bati forte com a cabeça enquanto o tal vulto se aproximava de mim.

Okay, isso parecia bem real para mim.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Comentem e deixem suas marcas! Até breve!