Pequeno Dicionário Amoroso
1 2 Planetas Constantes-Distantes
Notas iniciais
Caro leitor,
Conheci (mais) um cara.
A última vez que eu escrevi, prometi não me interessar por mais alguém. Não que seja algo fácil para mim (claramente nós sabemos que não é), mas eu sempre evito. Quando as borboletas dão sinal no meu estômago, eu procuro voar antes delas. Eu nunca me permito. Não me permito, pois, se bem me lembro, a última vez que dei uma chance para o meu coração, eu ganhei uma música, os versos rimavam perfeitamente, virou faixa de um CD, estourou nas rádios e no fim, acabou sendo só palavras cantadas em um bar, num domingo à tarde, sem ao menos fazerem mais algum sentido. Me vi bêbada cantando sobre um amor que eu nem lembrava mais de ter existido.
Mas dessa vez eu conheci um cara. Quero dizer, eu conheci muitos caras e depois conheci esse cara. Não, eu não o conheci em alto mar, não me apaixonei por ele durante meu intercambio no verão para a California, ele não me levou no backstage para conhecer a banda dele, ele não me ensinou a surfar, ele não é de outra nacionalidade, eu não fiz uma camiseta com o nome dele, ele não foi preso e estragou minhas férias com a cara espalhada em rede nacional, ele não me prometeu amor e depois de uns dias fugiu com a ex sem avisar ninguém. Conheci um cara. Ele é ariano.
E eu? Eu sou eu. Me lembrei porque eu tinha prometido não me interessar por mais alguém. Porque eu prefiro o silêncio. O silêncio não machuca. Eu virei o modelo perfeito da mulher do século XXI. A mulher que não precisa de alguém porque se sente auto-suficiente (ou seja, orgulhosa para caralho). Se contenta com romances de uma noite e cruza os dedos para não receber mensagens pela manhã. Estremece quando pedem um segundo encontro, não sabe lidar com reciprocidade porque não quer que exista reciprocidade. A mulher que não quer andar de mãos dadas e não precisa de um cara que pague a conta para ela porque ela pode pagar a parte dela. A mulher que na sexta feira você vira para o seu amigo e diz “porque não chamar essa? ”. A mulher do século XXI. O desapego em pessoa, o casual em carne e osso. Mas eu conheci o Ariano.
Repeti pelo menos umas 20 vezes em mente “ele é um cara legal, mas está transpondo seus sentimentos anteriores em cima de mim”. ESCAPATÓRIA. Eu sou ótima em criar válvulas de escape, tudo para nunca me envolver o suficiente com alguém. Eu o rotulei, como faço com todos os outros. Eu o rotulei como “a dor de um amor é com outro amor que a gente cura”, mal eu percebi que essa pessoa na verdade sou eu. Porque eu não sou a mulher do século XXI. Eu ainda sou eu. Eu sou a mesma que há muito tempo acreditou no amor, puro e verdadeiro. Sincero. A mulher que eu acreditava ser, na verdade eu inventei. Eu reinventei dentro de mim, porque era essa a imagem que eu queria passar.
Mas eu conheci um cara. Eu conheci um cara ariano. De repente, eu tão acostumada com mensagens de sacanagem no meio da madrugada, de repente eu tão acostumada a pedir açúcar no vizinho as 4h da manhã, de repente eu tão acostumada com bocas com sabores de outras bocas e cerveja gelada, comecei a sentir borboletas (e eu prefiro acreditar que era só minha gastrite). E eu só o culpei por ter aparecido na minha vida. Todo o minuto. Cobrei tanto dele coisas pequenas e bobas que não tive tempo de me explicar. Porque essa foi a primeira faixa do nosso cd. Começou com um rap, que você não entende 90% das palavras ditas e nem o que elas significam, e de repente virou o minueto mais bonito de Bach. E eu geminiana mulher do século XXI tão acostumada a receber cantadas, me vi encantada. Troquei minha melhor roupa pelo meu moletom confortável e ainda sim eu ouvi “linda”. Troquei minhas noites agitadas por conversas sem fim com ele. Foi quando eu percebi que a mulher de romances de uma noite, queria mensagens todas as manhãs. A mulher de aventuras noturnas, queria viver uma aventura sem fim. Mas foi medo. O medo nos priva de vivermos e escrevermos capítulos lindos da nossa história. Pior ainda quando não reconhecemos o medo. Sentimos e afastamos de nós todas as aventuras incríveis que a vida nos prepara. O meio do meu capítulo parou no Ariano e eu não consegui colocar um fim.
A verdade é que a mulher auto-suficiente do século XXI era uma farsa. É na verdade uma verdadeira covarde, uma mulherzinha, uma medrosa. Ele me mostrou isso. Eu não sei me entregar por inteiro, sempre tenho um pé atrás, porque meu último erro tinha pele macia, os cabelos sedosos e cheirosos, queria me ver numa noite fria mas também queria estar comigo no meio da tarde quente, e assim como todos os outros, foi embora. Medo, ué. Afinal é todo mundo humano e ninguém precisa de mais um coração partido para a coleção. É isso que eu evito. Me envolver e me foder. A realidade sobre nós seres humanos fracos, pobres de amor, medrosos, é que estamos sempre pensando no final. Imediatistas. Iniciamos uma conversa pensando no adeus, iniciamos um beijo pensando no fim, nos abraçamos pensando na hora de nos soltarmos, nos conhecemos e pensamos no amanhã. Nós não precisamos disso.
O Ariano. Ele não fez uma música para mim, ele não tocou ukulele na praia, ele não fez uma rima no meio da rua em uma madrugada alcóolica. Ele me valeu uma multa. Ele não ficou comigo para ver o sol nascer, mas ele ficou comigo até amanhecer. Ele me entendeu quando eu disse “não”, ele me beijou quando eu pedi. Ele apanhou várias vezes na tatuagem nova (eu teria ido embora) e mesmo assim sorriu. Sorriu com os lábios, com os olhos, com o coração. Ele me fez querer segurar a mão dele (e eu odeio isso porque transpira). Eu deixei ele ouvir meu coração. Ele fez tudo isso e estávamos sóbrios. Eu fiz tudo isso sem precisar usar malicia nas minhas palavras. Ele fez tudo isso sabendo que minha risada é estranha e eu sou preguiçosa (mato aula 2 vezes na semana pelo menos). Ele renasceu em mim a garota covarde. Ele tirou minhas mascaras antes mesmo de tirar minhas roupas. Tirou a armadura e a maquiagem que cobriam quem eu realmente sou. 4 semanas viraram 4 minutos quando ele me olhou dentro dos olhos e disse o quanto me queria naquele momento. Pela primeira vez eu senti que era capaz alguém se interessar de verdade por mim. Não só pelo meu físico, mas pelo que há de bonito dentro de mim também. Alguém que fosse capaz de me olhar e dizer: “você é louca, você é geminiana, você é impulsiva, você fala antes de pensar, você bagunça a minha vida, você é mais defeitos do que qualidades, mas eu não vou deixar que isso seja um obstáculo”. Alguém pela primeira vez (em um pouco mais de um ano), conseguiu me ver de verdade e aceitar o pacote de altos e baixos que eu sou. Ele parecia ser esse alguém.
O tempo? Tempo é relativo. O tempo pouco importa. Ele precisou de 8 semanas para desconcertar minha vida. Ele precisou de 2 meses para me lembrar o que é se entregar para alguém novamente. Caro leitor, se você acha pouco, lembre-se da garota que foi apresentada a você no começo. A menina de amores de verão, amores de escada de emergência, a menina que não é comprometida, mas é do mundo inteiro. Me vi na mão de uma única pessoa. Puta que pariu, fodeu! Sensação de morte iminente.
A verdade é que eu acho que ele acha pouco e por isso eu comecei a achar pouco também. Porque tanta intensidade se nós nos vimos apenas uma vez? O tempo é relativo. Eu temia que ele fosse igual aos outros, porque eu sabia que ele não era. Atrás daquele coração ariano, existe um ser humano menos durão. Alguém tão covarde como eu. Eu só não queria acreditar que todo o esforço dele foi para conseguir conhecer algumas curvas do meu corpo, porque ele não parecia aquele tipo de cara. Quero dizer, eu reconheço de longe um cara que só quer me levar para a cama, e esse tipo de cara não precisa virar noites conversando comigo, se desculpar toda vez que dorme no meio da conversa, perguntar como foi o meu dia, me pedir fotos, elogiar meu sorriso, ele não precisa falar de mim para os amigos dele, ele não me dá apelidos carinhosos, ele não precisa justificar a ausência dele, ele não precisa dizer que se importa comigo, ele não precisa segurar minha mão, ele não precisa me chamar de amor toda vez que me beija, ele não precisa continuar me mandando mensagens, ele não me cobra carinhos toda vez que eu sou fria, ele não diz que me quer muito, me deseja, ele diz quero te comer. Eu o deixei me conhecer bêbada. Eu disse coisas para ele bêbada que afastariam um cara correto logo de primeira. Eu o deixei me conhecer no momento mais sincero da minha alma: depois de tomar doses de vodka. Ele me pediu verdades e eu disse a verdade mais sincera que vinha de dentro do meu coração. Para um cara que tinha acabado de me conhecer. “Eu caí em muitos poços esse ano e eu não quero que esse seja mais um. Quero que você veja coisas de valor em mim, mas se for ser mais um, pode ir embora”.
Ah, não o Ariano. Ele veio bagunçar a minha vida e eu virei o que eu mais temia: distração. Eu já fui as fugidas de relacionamentos mal-acabados, eu fui o melhor sexo pós brigas de casais, eu já fui o melhor “dei a volta por cima, olha com quem estou agora”. Eu não queria mais ser aquilo. Acho que ele estava preocupado em conhecer outras pessoas, não em me conhecer de verdade. Porque eu sou intensa. O problema é que eu já cansei de conhecer mais caras. Aquela música de amor que me escreveram já não faz tanto sentido (na verdade eu odeio ouvi-la). E aquele cabelo cheiroso que eu amava passar os dedos, já não tem mais tanta graça. Porque eu não preciso mais de caras que estejam dispostos a me conquistar só para no final da noite bagunçar lençóis. Eu achei que ele não era esse tipo de cara. Ele não sabia como eu era, ele não conhecia a textura da minha pele, ele não sabia como era o toque das minhas mãos, ele não sabia quão embaraçado era meu cabelo e mesmo assim ele persistiu em conversas sem fim e em um beijo com fim. Eu dormia e acordava com ele. Quero dizer, vocês acham que foi tudo em vão? Já havia um tempo que eu não me entregava assim, e para ele, porra, eu fui 110%. Eu não queria somar mais um cara na lista dos que só queriam mesmo me fazer gozar.
Caro leitor,
Você está se perguntando o que aconteceu. Aconteceu o previsto. O medo reconhece o medo, assim como a dor reconhece a fraqueza. Meu medo reconheceu o medo dele, mas era tarde demais para eu criar uma válvula de escape. Eu já era mais garotinha covarde do que mulher do século XXI. Eu ainda não entendi ao certo o que aconteceu, mas aconteceu. Acho que ele percebeu o quanto estávamos envolvidos nisso tudo (pelo amor de Deus, isso não era só eu, eu posso provar, mas seria perda de tempo), e enfim nos rotulou com um grande nada. Medo. Quando ele percebeu que tinha acabado de sair de um relacionamento e o que vivíamos era um pseudo-relacionamento-confuso-pra-caralho, ele sentiu que era hora de abrir a defesa dele. Acho que ele queria mesmo conhecer outras pessoas. Eu teria aceitado. Talvez doesse muito menos do que dói agora. Porque já se passaram 2 semanas e eu não sei se ele está bem. Ele está online mas não está falando comigo, eu não sei se ele tem dormido no meio das conversas, eu não sei se ele continua fazendo a dieta, eu não sei se ele ainda vai na academia depois das 17h, eu não sei se ele tem continuado a tatuagem dele. Eu não lembro da voz dele. Ele foi embora e eu ainda não sei porque, mas eu odeio pensar que a pessoa que se importava comigo todos os dias, talvez hoje não se importe tanto assim. Será que o meu príncipe virou sapo? Na minha cabeça eu prefiro pensar que ele tinha medo. Assim machuca menos o que já está quebrado. Criei minha própria ilusão para poupar o sofrimento, mas é aquela famosa frase: 'That's the thing about pain. It demands to be felt'. Ele está quieto e eu finjo não me importar. Queria poder correr atrás e fazer algo, queria poder mostrar o quanto vale a pena se arriscar. Queria poder leva-lo para ouvir o mar quebrar e então ele entenderia o que faz a vida valer a pena. Queria leva-lo para viver uma grande aventura, mas eu não quero levar mais um fora dele. Na verdade, isso é uma coisa que eu sempre disse para ele: que eu não queria ser uma das garotas que ele vive dando fora. Eu queria ser eu, eu mesma com ele.
É. Acho que ele sentiu medo. Eu usei as palavras “apegada”, “gosto muito de você”, “ciúmes” e ele deve ter ativado a válvula de escape dele. Eu não abri as portas de casa para ele, mas eu abri as portas da minha alma. Ele criou um espaço, ele fez desse meu canto o canto dele também. É horrível pensar que tudo isso foi só por um beijo. Eu não queria que ele fosse igual aquele baterista, ou o vocalista drogado, o dono do bar, o futuro médico que conheci em alto mar, não queria que ele fosse igual ao dono da academia, nem ao cara que fumava comigo nas tardes de primavera. Queria que ele fosse um cara diferente. Que essa enfim fosse a minha aventura, porque desde o início eu não coloquei fé nele, mas de repente ele virou minha rotina. Porque ele era esse cara diferente e de repente ele parou de ser. É normal se afastar quando você tem medo. É a reação mais natural do mundo. Mas por favor, não seja o cara que vai jogar tudo para o alto no primeiro frio na espinha e me deixar a deriva. Nem todos os prazeres da vida são fáceis, calmos, educados. Existem coisas que nos atormentam, tiram nosso sono, queimam por dentro. Essas também valem a pena. Eu esperava alguém, não que me dissesse “a partir de hoje somos um casal”. Eu não preciso mais de rótulos, eu não vivo disso. Eu só esperava alguém que dissesse “eu não tenho certeza de nada, mas tenho certeza que isso possa valar a pena”. Queria algo real. Alguém que sentasse comigo em uma mesa de boteco no final da tarde e não me julgasse se eu acendesse meu cigarro. Alguém que entendesse que todo o meu medo vem de um passado que me assusta e que me desespera pensar que um dia pode acontecer de novo. Não espero alguém que mude o status de relacionamento no facebook, espero alguém que não tenha algo para fazer numa segunda a tarde e diga “posso te ver?”. Ah, maldito Ariano. Seguiu o script dos caras que desistiram de mim sem remorso.
Talvez o problema seja eu mesma. Como sempre chegamos a essa conclusão, né? Toda minha intensidade, minha vontade de viver, minha vontade de se jogar, minha vontade de não ter planos. Isso assusta. Isso ME assusta. Talvez eu gostasse de sentir minha mão transpirar quando estava perto dele, mas são coisas que ele nunca vai saber porque mesmo online, ele continua indisponível para mim. Uma vez um cara me disse que eu devia andar com um anuncio no pescoço — CUIDADO, LOUCA – assim os caras pensariam 2x antes de pedir meu número. Bom, com certeza o problema sou eu. Acho que nem todo mundo sabe lidar e nem todo mundo é obrigado a saber lidar, mas algumas coisas valem tanto a pena que não viram um sacrifício, viram um prazer. Eu sabia como ele era e eu me dispus a gostar dele mesmo assim, genioso, impulsivo, ariano. Eu poderia ter desistido. Eu poderia ter persistido e colocado ele na lista de bocas beijadas, mas não era isso que eu queria. Pela primeira vez eu não queria um cara que falasse “eu pago o motel”.
Eles me disseram: “confia, ele é um cara sério, ele quer estar com você”.
Estou sozinha há 2 semanas. Parei de beber e roer unhas. Fumo um maço a cada 4 dias. Fiz um piercing. Não terminei de ler os romances que eu estava lendo e comprei mais 4 livros. Reprovei em uma matéria na faculdade. Sinto saudades. Morte iminente.
Me lembrei porque me proibi me envolver com alguém novamente, porque eu não sei assumir para mim o quanto gosto da pessoa e eu não sei assumir para ela também. Então ela vai embora e o que sobra para mim são poemas melancólicos e textos para os meus fantasmas. Ele foi embora e agora eu tenho que me readaptar. A minha ausência foi preenchida, mas a ausência dele ainda queima. Acho que no final, eu sou louca mesmo. Criei tudo isso na minha cabeça. Ele nunca sentiu algo, a intensidade e a pressa sempre partiram de mim. Nada disso significou. Isso nunca existiu. Talvez seja melhor pensar assim. Acho que aprendi algo útil no final. Vou anotar mais esse aprendizado na minha lista.
Se tem uma coisa que vocês aprenderam comigo: corações partidos se cicatrizam um dia. Você vai contar essa história no meio da Vila Madalena, bebendo catuaba e rindo. Porque uma hora passa. É a única regra da vida: tudo passa. Talvez esse seja o lado bom. Precisei me envolver, me foder e enfim aprender que eu não sou durona. Ele me mostrou isso. Eu não queria que ele virasse mais um capítulo desse diário. Eu queria que ele fosse páginas de uma historia que não precisa de capítulos para ter uma continuação. Eu prefiro imaginar que 1% dele (em algum momento) pensou em fugir comigo para Machu Picchu. Prefiro acreditar que 1% esteve 100% dedicado a mim como eu fui com ele. Honesta e verdadeira, esse é o caminho. Prefiro acreditar que 1% dele ainda pensa em voltar atrás e dizer “ok, agora vamos, eu, você, sua mente louca, sua insanidade, seus defeitos, seu maldito signo e seu coração”. Eu não queria algo sério com ele, eu só queria que ele me levasse a sério. Acontece. Um dia essa pessoa vem. Eu sei que ele tinha acabado de sair de um relacionamento, mas e eu? De quantos relacionamentos eu já sai? Quantas vezes eu quebrei a cara e mesmo assim me entreguei? Morrendo de medo eu fui com ele o que eu não fui com nenhum outro até agora. Queria que ele tivesse olhado pra mim com os mesmos olhos que eu olhei pra ele. Olhar ingênuo, mas verdadeiro, de quem está pronto. Eu sinto e estou tentando. Respeitar espaços. Respeitar meu espaço. Respeitar o espaço dele. Me falaram que ele é um cara que faz tudo no tempo dele. Puta que pariu, o tempo tá me consumindo, o tempo é uma morte súbita. É difícil respeitar o espaço de alguém quando sua vontade é se jogar nos braços da pessoa e dizer ALÔ EU TÔ AQUI, BOTANDO A MÃO NO FOGO, FAZENDO VALER DE NOVO! É, eu sou intensa (pra caralho).
Caro leitor,
Essa foi a maior carta que já te escrevi e peço desculpas por isso. Peço desculpas por você acompanhar meus desastres amorosos durante todo esse tempo. Peço desculpas pelos palavrões e por não ter os melhores conselhos. Nunca te apresentei um companheiro, mas sempre te apresentei os caras que mudaram minha vida. Esse fez uma bagunça, devo apelida-lo de Furacão Ariano a partir de agora. Nada que daqui um tempo não cure. Vou sentir falta dele? Vou. Vou fingir que está tudo bem? Vou. Quando ele me ver de novo estarei sorrindo? Estarei. Ele nunca saberá o processo que passei até me reconstruir. Acho que nasci mesmo para ser a mulher do século XXI e curar minhas feridas com álcool e sexo. É, deve ser essa minha missão (não a sua, pelo amor de Deus!).
Aprendi que sou fraca, como todo mundo. Tinha esquecido como é querer alguém de verdade. Tinha esquecido de como é a sensação de achar que está apaixonada. Tinha esquecido como é a sensação de ter alguém me mandando mensagens todos os dias, me dando apelidos carinhosos, perguntando como foi o meu dia, querendo me ver bem, querendo me fazer sorrir e rindo toda vez que ouve minha risada escrota.
Furacão Ariano, obrigada por ter colocado tudo fora de ordem. Pelo menos, nessa historia, eu me redescobri. Talvez alguém um dia consiga fazer isso de novo e não fuja no primeiro grito que eu der, porque nem todos os amores são calmos. Muitos amores são as 4 estações de uma vez, são um avião passando por uma zona de turbulência, são um mar agitado num dia de tempestade. Essa sou eu. Me desculpe se você achou demais. Eu não sei ser menos que isso. Pode ser que você não esteja preparado para esse pacote de insanidade que eu sou. Eu não posso culpa-lo, já me culpo demais por ser assim. Você não merece mais um match, você merece um match real em um aplicativo que chama VIDA. Alguém que te deixe tão fraco como eu me senti. Então você vai baixar a guarda e perceber que não precisa se proteger o tempo todo, porque existe uma pessoa disposta a fazer valer a pena. Um cafuné tão bom que te faça esquecer quem você é no zodíaco.
O capítulo 20 do meu diário termina aqui, mas eu espero que em vida ele tenha uma segunda parte. Todo propósito tem seu tempo, e eu serei paciente. Que o silêncio dele não dure mais 2 semanas e que enfim ele apareça e me xingue e diga o quanto foi foda ficar sem meus chiliques, minha chatice e meus áudios de 2 minutos. Que ele reapareça e troque nenis, meu bem, amor por viada, otária e trouxa. Enquanto isso eu vou seguir. Aquele rolo das antigas apareceu, disse que pode me fazer esquecer por pelo menos 30 minutos a bagunça que você causou desde que foi embora, mas nem em 1 hora e meia ele conseguiu. Deve ser porque eu ainda estou um caco por dentro e ninguém tenha percebido, mas cada dia melhor. Um dia eu percebo que a vida dá dessas às vezes. Coloca pessoas no nosso caminho e depois as tira, sem mais nem menos. Tenho que aprender que nem todo mundo vai sentir o que eu sinto, vai sentir minha falta. Espero que ele conheça alguém que bagunce a vida dele como ele bagunçou a minha. Espero que essa pessoa não fuja dele como ele fugiu de mim. Espero que um dia ele olhe para trás e veja a garota impulsiva, mimada, geminiana, tagarela, birrenta que ele deixou a mercê. Quem sabe um dia eu não pare de me importar com ele, porque ele já deve estar de saco cheio da minha intensidade. Um dia alguém se agarra em mim, faz morada nos meus defeitos e aprende a lidar com eles. Ah, maldita geminiana, deixa de ser trouxa. Você foi um capítulo, assim como tantos outros que eu já escrevi e que hoje não leio mais com dor, leio com olhos de quem aprendeu algo com a vida e com as pessoas. Um dia a saudade vai embora. Foda é mesmo a lembrança que insiste em existir (e creio eu que só pra mim isso acontece).
Querido Furacão Ariano,
YOLO! Você só tem essa vida. Aproveite cada minuto dela.
Te vejo em breve. Quem sabe um dia. Com outro olhar, outra mente, outra fase e você poderá contar para mim sobre sua vida.
Voltei a beber. Escrevo melhor quando meu corpo transpira álcool.
PS2. Se isso lhe parecer uma carta de amor, leia novamente, e de novo, até conseguir ler com os meus olhos e conseguir ver tudo o que eu vi em você. Em mim.
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