Notas iniciais
Minha primeira BaChan! Espero que gostem e deixem reviews. Está bem gayzinha :3
Classificação: Livre
Gêneros: Yaoi, Universo Alternativo, Romance

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Meus joelhos tremiam tanto que mal conseguiam sustentar o peso do meu corpo.


Após assistir o camisa 10 do time adversário converter a última penalidade, cedi ao cansaço e caí de joelhos na grama, unindo minhas mãos em um gesto de oração.


Todas as nossas esperanças estavam agora depositavas na chuteira dele, Gong Chansik, artilheiro e melhor jogador da equipe no Campeonato Inter-Escolar da temporada. Ou então, para os que nos enfrentavam, nas luvas do talentoso goleiro Jung Jinyoung. Não fosse a muralha que o garoto ergueu entre as traves durante todo o tempo regular mantendo o placar em 0 a 0, certamente estaríamos levantando a taça neste exato momento.


Ajeitando a bola cuidadosamente na marca do pênalti, lá estava ele, o maior dos meus ídolos e grande amor da minha vida. A torcida, que ocupava todos os assentos do estádio naquela final, gritava e o incentivava em um volume ensurdecedor. Desviei por um momento o olhar para a arquibancada, e reconheci entre as pessoas nas primeiras fileiras o olheiro de um dos maiores clubes da Espanha. O treinador já tinha nos avisado que ele assistiria à partida, e boatos diziam que estava ali por Gongchan.


Para leva-lo com ele.


Tira-lo de perto de mim.


Por um momento, desejei que Gongchan errasse aquela cobrança, que fracassasse e perdesse para sempre a oportunidade de partir para aquele país tão distante. Mas logo percebi que isso não passava de uma atitude egoísta e covarde. Se não havia revelado meus sentimentos para ele a tempo, se não o tive por momento algum em meus braços durante todos os nossos anos de colégio, era culpa exclusiva da minha covardia. Gongchan merecia aquela vaga, e eu não faria ou pensaria nada que pudesse impedi-lo de conquista-la.


E faltava pouco para isso.


“Levanta, cara.”, disse o zagueiro Sandeul, oferecendo sua mão para me ajudar a me erguer. Os jogadores de ambos os times se abraçaram e formaram uma linha alguns metros antes da metade do campo para assistir seu companheiro na cobrança que decidiria o destino da taça. Se Gongchan marcasse, venceríamos. Se não, a seção de batidas recomeçaria até que uma das equipes prevalecesse. O que era péssimo, já que o 6º a cobrar no meu time era eu. Isso me aterrorizava, mas não tanto quanto ver meu amor naquela situação.


Em outras ocasiões, não estaríamos tão apreensivos. Apesar de confiarmos no nosso melhor jogador, o garoto era do tipo que “amarelava” em partidas decisivas. Em jogos como esse, toda a sua habilidade dava lugar a um medo e insegurança incontroláveis.


Gongchan tomou distância quando finalmente posicionou a bola para a batida, e o vi pisar em falso enquanto caminhava para trás, nitidamente nervoso. Meu coração disparou. O juiz apitaria a qualquer momento, e Gongchan não estava nem um pouco tranquilo.


Sem nenhum plano, aquelas palavras simplesmente saíram da minha boca em um grito desesperado.


“Channie, eu te amo! Você consegue!”

Sequer tive tempo para me envergonhar do que disse. O apito do juiz ecoou pelo campo, e Gongchan encaixou a bola com maestria no ângulo esquerdo do goleiro Jinyoung.


A torcida explodiu de alegria, e o time inteiro correu para abraça-lo.


Aliviado e ao mesmo tempo constrangido, deixei o gramado sorrindo feito um bobo, como se tivesse cumprido a missão da minha vida.


Não fiquei para a entrega da taça e a comemoração nos vestiários. Certamente seria interrogado por conta daquela declaração e ficaria sem saber o que explicar a Gongchan, se é que havia alguma explicação. Além do mais, era certo que eu não o veria novamente. Era o último jogo do campeonato e as aulas já haviam terminado. Portanto, de nada adiantara gritar aos sete ventos que o amava.


Voltei para casa com meus pais, que estavam bastante orgulhosos pela nossa vitória. Para a minha sorte, da arquibancada eles não conseguiram escutar a besteira que eu gritei, apenas estranharam a minha ausência na cerimônia de premiação. Justifiquei dizendo que estava exausto o suficiente para querer pular toda a comemoração.


Assim que chegamos, tomei banho e me tranquei em meu quarto, como de costume. Peguei um livro qualquer e me esforcei para ler por algumas horas e me manter distraído.


Eram quase 22h quando escutei a campainha de casa tocar e minha mãe surgiu em meu quarto avisando que eu tinha visita. Estranhei, mas vesti meu casaco e desci as escadas rapidamente.


Imaginei que o visitante fosse meu amigo Shinwoo. Ele costumava aparecer às vezes para acessar conteúdo pornográfico no meu computador, já que seus pais haviam tomado o dele. Mas sempre avisava antes, e geralmente minha mãe deixava entra-lo diretamente.


Para a minha surpresa, assim que abri a porta, vi Gongchan parado em frente a ela. Estava mais lindo do que nunca, todo agasalhado por causa do frio. Esfreguei os olhos, imaginando se aquilo não se tratava de alguma visão, mas não era.


Gaguejando, pedi que entrasse e fiz um gesto atrapalhado, mas ele recusou gentilmente, balançando a cabeça.


“Channie...”

Foi tudo o que consegui dizer antes de sentir o leve contato de seus lábios aos meus. Durou menos de dois segundos, mas senti aquele toque se prolongar por horas.


“Até a faculdade, Baro hyung!”, foi o que ele disse, como se absolutamente nada tivesse acontecido.


“Mas e a Espanha?”, perguntei alguns segundos depois, piscando os olhos diversas vezes e processando com dificuldade em minha mente o que acabara de acontecer.


“Eu não vou, hyung. Não quero ser um atleta. Não é para mim.”,respondeu com tranquilidade. “Além disso...”

“A-além d-disso...?”

“Eu quero ficar com você. Para sempre.”

E com uma última frase, ele partiu. Só que dessa vez eu soube que voltaria.


“Eu te amo.”