Pequenas Coisas
2 Capítulo O2
Notas iniciais
- Bom dia nono ano, como vocês estão ? — Helena caminhava lentamente cumprimentando seus alunos. — Vejo que nós não temos rostos novos por aqui, então vamos começar a aula com alguns exercícios de física e depois eu deixo vocês conversarem.
- Tem que ser de física ? — Jaime rolou os olhos e fez uma expressão em sua face de tédio e preguiça, tudo ao mesmo tempo.
- Sim Jaime, tem que ser de física e se você reclamar mas uma vez eu te coloco pra fora da sala, mesmo não querendo fazer isso, entendeu ? — A jovem professora estava brava, ou com stress talvez.
- Calma professora, eu entendi sim, e isso não será preciso.
- Que bom Jaime, que bom..
- Marce, a aula já começou.. ei princesa, não chora. Você sabe que eu odeio ver você triste. — Kokimoto que era o mas próximo da garota dizia em seu ouvido, ele mesmo não sendo tão amigo dela se preocupava com as pessoas. — Tira esses fones e enxuga essas lagrimas, antes que a professora Helena veja.
- Obrigada Koki. — Marcelina deu um beijo em sua bochecha e enxugou suas lagrimas, sua face estava vermelha e seus olhos continuavam marejados.
Helena deu sua aula normalmente no primeiro horário. Ela liberou seus alunos para fazerem uma "rodinha" na sala e baterem um papo, enquanto resolvia algumas coisas na diretoria.
Adriano se deitou no chão ao lado de Laura e começou a fitar o teto. Valéria, Marcelina e Maria Joaquina fizeram o mesmo ao seus lados. Logo em seguida estavam todos deitados no chão, não havia coisa melhor do que sentir o chão frio.
- Sabe de uma coisa ? Eu acho que a professora Helena anda muito estressada desde o dia que ela descobriu o namorico do seu ex marido com a Suzana.. só acho. — Jaime opinou dando a mão para Maria Joaquina que estava ao seu lado.
- Você acha Jaiminho ? Eu tenho certeza. — Falas de Valéria que causou risos na sala de aula. Era estranho o tempo ter passado e ela continuar chamando o amigo pelo nome em diminutivo.
- Oque vocês acham da gente brincar de confessar as coisas um para o outro, no escuro ? Séria divertido, está chovendo e isso nos fazem refletir.. — Mário perguntou.
- Pode ser, eu apago a luz. — Cirilo se levantou e foi até o interruptor e apagou as luzes da sala. Ele se deitou ao lado de Carmem novamente e sorriu abobadamente.
- Eu que inventei a brincadeira então começo, pode ser ?
- Claro Mário, só toma cuidado para não falar "merda". — Dizeres de Paulo.
- Fica quieto seu palito. — Mário o repreendeu de uma forma ofensiva, mas já que ele era seu amigo não iria se importar com isso. — Eu dei meu primeiro beijo ano passado..
- Nossa, você está com quase 16 anos e deu seu primeiro beijo aos 15 ? Você está atrasado e Mário.. Agora quem vai confessar uma coisa é eu.. — Jaime colocou uma de suas mãos na testa e começou a pensar. — Eu gosto de uma garota, ela é dessa sala, muito linda..
- Jaime, isso é uma confissão ? Ta na cara que você gosta é da Maria Joaquina, seu ex gordo. — Kokimoto deu uma cotovelada no braço do amigo e sorriu maliciosamente, mesmo não tendo motivo. — Eu já me vesti de princesa..
- Não, é isso mesmo que eu escutei japonês ? Você já se vestiu de princesa ? Eu queria ter visto, e ainda ter batido umas fotos. — Falas de Paulo que causaram risos na sala. — Eu já pedi minha mãe para me internar, porque eu achava que eu era doido quando pequeno.
- Paulo, disso eu não estava sabendo.. — Marcelina riu surpresa. — Eu tenho uma tatuagem, eu fiz ela nas férias..
- Depois eu quero ver.. — Dizeres de Mário que assim como seus amigos estava surpreso.
- Agora é eu.. — Falas da patricinha. — Eu fui andar de skate com a Alicia e acabei esbarrando em um garoto, nós caímos no chão e acabamos nos beijando..
- Eu não escutei isso.. — Jaime resmungou baixo.
E assim a brincadeira ia, segredos e confissões apareceram naquela sala. Os jovens diabinhos ficaram deitados no chão durante dois horários até bater o sinal para o intervalo.
Marcelina comia calmamente seu salgadinho. Seus amigos estavam animados para verem a tatuagem da menina, eles só sabiam que ela era no braço mas por enquanto a blusa de frio estava tampando.
- Ai gente, calma.. eu mostro. — Falas da garota que estava irritada. Ela colocou seu pacote de salgadinho no banco e levantou a blusa de frio, em seu braço direito perto do cotovelo estava escrito "faith", oque em português significa fé..
- Nossa, ela é muito bonita.. — Margarida comentou.
- Também achei, combina com a Marce. — Kokimoto a elogiou, Bibi apenas abaixou a cabeça para não demostrar que estava com raiva e chateada.
- Margarida, vem, vamos pra lá.. — Daniel pegou na mão de sua namorada e foi caminhando em direção aos armários, lá eles namoraram um pouco e conversavam sobre bobagens.
Marcelina se sentiu novamente incomodada com isso mas apenas sorriu forçadamente e voltou a comer. Paulo não entendia esse amor da garota por um de seus amigos, desde o sexto ano que ela tinha essa paixão por ele..
Seus amigos foram se afastando dali, ficaram somente Marcelina e Paulo. Ela deitou em sua perna e começou a escutar música, enquanto ele passava suas mãos em seus cabelos.
Valéria e Davi conversavam em um canto, ela estava gostando novamente de seu amigo de infância, oque ela menos queria era isso, sofrer de novo..
Jaime e Maria Joaquina trocavam abraços, carinhos e sorrisos, aquela amizade de anos poderia se tornar em uma paixão diferente ? Claro que poderia, no amor não regras..
Carmem e Cirilo dividiam uma barrinha de chocolate. Os dois soltavam risadas e sorrisos a todo momento, alguns alunos de outras classes que passavam por ali achavam aquilo estranho, pois durante anos de amizade não havia rolado nada entre os dois.
- Eu acho que as confissões mas surpresas foi ao do Paulo, a do Koki e a da Marce.. — Falas de Carmem para o amigo.
- Verdade, o Paulo querendo se internar.. séria estranho.
Alicia estava afastada de todos. Aquela menina moleca queria um tempo só seu para pensar, ela assim como suas amigas também tinha sentimentos e também gostava de garotos, principalmente de Paulo..
Daniel enquanto conversava com Margarida tentava descobrir o motivo mentalmente de sua colega estar chorando no primeiro tempo de aula, mas tentava prestar atenção na namorada a todo momento.
E assim o intervalo foi passando, novamente os tempos foram vagos e quando terminou a aula todos foram para a sorveteria comemorar.
Engraçado que não havia nada para ser comemorado, mas isso era apenas curtição desses jovens, afinal quem não gosta de curtir a adolescência enquanto tem tempo ?
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