Pequena Emily
3 Capítulo 3- Meu outro lado
Notas iniciais
Boa leitura ;]
Agora depois de onze anos, lembro-me do meu primeiro castigo depois que conheci Betty.
Eu estava sentada no topo de uma arvore, em uma floresta bem longe do orfanato. Estava passando a mão distraidamente nas minhas marcas dos pés.
Olhando para o vazio eu lembrei de que dia é hoje... É meu aniversario de 16 anos. Uma sensação de segurança atravessou o meu corpo. Que logo foi destruída quando ouvi a voz de Betty.
–Parabéns – Disse ela em um falso tom de alegria.
Olho para ela em um galho do lado do meu.
“Como eu queria me livrar dela...”- pensei.
Ela abriu um sorriso – Mas você não pode, não é mesmo? – falou ela sabendo meus pensamentos.
Uma pontada de fúria passou por mim.
–Então- continuou Betty- Já faz um ano que você saiu daquele inferninho, não é? – concordei com a cabeça. – Onde você pretende se esconder agora? O seu ultimo esconderijo foi achado pela policia, e se não fosse por mim você já tava presa em algum hospício. — Disse ela zombeteira.
Dei de ombros me lembrando da minha saída do orfanato, no dia do meu aniversario de 15 anos. Eu poderia ter sido mais discreta, mas segundo a Betty, onde estava a diversão nisso?
No dia eu estava em todos os jornais e canais da TV.Todos mostravam aquelas caras familiares...O que eu fiz não será perdoado nem nas minhas próximas gerações.
E todos falavam de “Emily, a pequena assassina Esquizofrênica que tirou a vida de muitos”
É... como eu pude evitar? Eles não sabem o que eu sofri nas mãos daquelas pessoas!
Primeiro matei alguns funcionários e algumas crianças que entraram no caminho, como? Só com as mãos e com a minha arma mais preciosa, Betty.
Mas claro que deixei o melhor para o final. Minha querida e amada diretora que me torturou todos esses anos! Que alivio, devo admitir. Matei-a naquele quartinho escuro. Usei todas as barras quentes nela. Até hoje lembro em detalhes aquela expressão de pânico na cara de cavalo dela. No final, usei uma faca de cozinha para terminar o serviço.
Você deve estar pensando: Esquizofrênica? E por que você se tornou tão má?
Bem, esquizofrênica é só por que ninguém consegue ver Betty. É, exatamente, só eu sou capaz de vê-la, não por esquizofrenia, mas sim porque ela se esconde dos outros.Mas, como eu não sabia de nada disso, eu sai conversando com ela pelo orfanato todo. E quanto mais a uso, mas vou deixando de ser humana e assim, vou deixando de sentir remorso ou pena.
Não entendeu? É uma historia complicada. Mas tudo o que você precisa saber é que fui escolhida por um demônio.
Agora eu sou uma fugitiva nacional e sou procurada por todos. Até hoje tem fotos minhas espalhadas por ai. Agora roubo comida e durmo em lugares afastados e escondidos.
Mas eu ficaria feliz se meu único problema fosse a policia... Tem muito além disso...Criaturas poderosas desejando minha alma modificada por Betty. Estranho como almas de humanos normais não sou tão valorizadas quanto às almas corrompidas por demônios.
Acho que é questão de raridade, pelo menos é o que Betty diz.
Ajeitei-me no galho de uma maneira mais confortável.
–O que sugere?-Perguntei melancólica.
–Bem, temos que escapar de mortais e de criaturas horrendas, aonde os humanos vão pra fazer isso? – Perguntou irônica.
Revirei os olhos e suspirei.
–Gostaria que nada disso estivesse acontecendo. –Falei
–E eu gostaria que minha hospedeira fosse menos ingrata, você sabe que se não fosse por mim já estaria morta!Está no seu sangue!
–Eu sou grata por isso Betty. –Repeti pela milésima vez
–É, tá. — Disse ela como se não acreditasse. Ela adora esses joguinhos.
–Olha, aqui... -Comecei, mas fui interrompida pela expressão seria de Betty, a que eu só via em situações de perigo.
–Algo está chegando perto vamos ter que achar um esconderijo melhor. Não vai dar pra fugir desse, mas vamos matar e correr tudo bem?
Assenti com a cabeça. Betty me encarou com aqueles olhos vermelhos e eu comecei a sentir aquela sensação estranha de quando ela tomava o controle do meu corpo.
Lembrei-me da primeira vez de que ela me possuiu, e o que houve com o gato e tal. Agora depois de anos e muita pratica eu era capaz de ficar acordada em quanto ela agia, e até em certas horas agir por eu mesma só que com os poderes de Betty.
Desci da arvore com auxilio de Betty. Olhei pras minhas próprias mãos e vi que estavam mais pálidas. Olhei em volta e escutei em minha mente “aquela pedra grande”
Peguei a pedra e esperei por meu inimigo atrás de uma árvore. Senti o seu cheiro, ouvi os seus barulhos e quase toco sua alma. Meus sentidos sempre se aguçam quando estou com Betty.
Quando o cão do inferno passou por mim eu agi rapidamente, bati com a pedra em seu crânio até ouvir o adorável “crec”.
Joguei a pedra de lado e comecei a correr pela escuridão da floresta ouvindo seus parceiros atrás de mim.
Notas finais
Obrigada por lerem!
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