Pequena Emily

1 Capítulo 1 - O inicio


Notas iniciais
Então, espero que goste :)
Boa leitura!
E lembre-se que plagio é crime, obrigada :)

Bem, minha vida não é lá essas coisas, devo admitir. Desde que eu nasci moro em um orfanato sem saber nada sobre meus familiares. E outra coisa que devo admitir é que minha vida não está melhorando com a idade, como eu achei que aconteceria.

Doze anos se passaram no orfanato e eu nunca fiz amigos e muito menos tive o gostinho de ser adotada. Essa minha “antipatia” assustava futuros pais e amigos.

Mas essa antipatia não era a minha única inimiga...

Desde muito pequena acontecia coisas ruins ao meu redor... Tudo começou quando eu tinha apenas cinco anos. Foi quando eu conheci Betty.

Não chamaria Betty de amiga, na verdade muito menos de colega. Ela era mesquinha e arrogante, mas mesmo assim era a única com quem eu conversava.

Betty era bem parecida comigo, exceto pelos seus cabelos e cor de pele. Nunca pensei muito sobre isso, o que foi o meu maior erro.

Eu tinha os cabelos cacheados e loiros, meus olhos verdes eram pouco chamativos, já Betty tinha seus cabelos pretos e lisos sua pele era exageradamente pálida, e tinha os seus olhos em um tom castanho avermelhado.

O engraçado era seu rosto, bem parecido com o meu.

Mas como eu disse, eu nunca pensei sobre o assunto, afinal eu só a conheci quando tinha cinco anos de idade. E com o passar dos anos eu só me acostumei ao fato.

Eu me lembro da manhã que conheci Betty, era chuvosa. Havia crianças brincando em possas de água. Mas eu só observava da janela do quarto mais alto e isolado da casa, o meu.

Ouvi uma batida na porta e me assustei. Nunca ninguém me visitava a não ser que fosse extremamente necessário.

Abri a porta com curiosidade e vi uma menina parada do lado de fora, segurando um gato preto, os seus cabelos negros caiam sobre seus olhos e sua roupa estava encharcada.

Ela me empurrou abrindo passagem e entrou no quarto molhando meu tapete. Eu a olhava com indignação, mas mesmo assim com curiosidade.

–Posso te ajudar? – Perguntei em tom de irritação.

–Na verdade, não. — Ela respondeu no mesmo tom.

– O que está fazendo aqui?-Perguntei olhando para o gato negro que me encarava em seus braços.

–Só escolhendo algumas coisas... — Disse com indiferença. – Meu nome é Elizabeth.

–O meu é Emily.

–Eu sei. — disse ela me olhando com interesse.

Ergui uma sobrancelha. “eu sei”? -Pensei.

–Pode me dizer o que você está fazendo aqui?- Perguntei em um tom acusador.

Nesse momento a coisa mais estranha aconteceu. Eu não tinha mais sentidos, ouvia ao longe alguns miados desesperados do gato. Não me mexia, não sentia. Os miados do gato eram irritantes, mas eu fiquei mais confortável pela razão de ter me sobrado pelo menos a audição.

Os miados continuavam ficando cada vez mais altos. “por que esse gato não cala a boca?”- Pensei.

Foi ai que os miados começaram a aumentar até eu achar que ia ficar surda. O miado me acordou do pequeno transe.

Então eu vi. O gato estava dilacerado no meu tapete. Minhas mãos ensanguentadas segurava um estilete que eu não sabia de onde tinha vindo. Estava totalmente suja de sangue e quase em estado de choque pela a horrível visão que eu tive do gato. Minhas mãos agiram por conta própria jogando o estilete para longe de mim na hora em que eu ouvi um estrondo e a porta do meu quarto quebrando.

Olhei assustada e vi os funcionários do orfanato entrando correndo.

– O que você fez?! – Gritou a diretora do orfanato para mim.

–Eu, eu... – Olhei para Betty pedindo ajuda.

Ela só olhou para mim com uma expressão vazia, deu de ombros e continuou sentada na minha cama.

–O que você fez? — Perguntou ela gritando de novo.

–Não... Não fui eu que fiz isso. Eu não sei o que aconteceu. Pergunte à... Pergunte para Betty. — Disse apontando na direção dela.

Betty parecia estar se divertindo, mas parei de pensar nisso quando a diretora começou a olhar para mim de um modo confuso, que foi logo substituído por um tom histérico.

–Como assim não foi você que fez isso mocinha? – Ela olhou de modo enojado para mim e desviou o olhar para o gato. Sua cara de cavalo foi começando a adquirir um tom esverdeado.

Ela mandou um dos funcionários me tirar de lá que ela ia me “corrigir” mais tarde.

Foi ai que eu me desesperei.

CONTE A ELES!- eu gritava até minha garganta doer-CONTE A ELES O QUE ACONTECEU BETTY! NÃO FOI MINHA CULPA! FALE PARA ELES!

Mas ninguém me ouvia. O funcionário me tirou do quarto e me trancou na sala da diretora até ela chegar.

Fiquei naquela sala fria quinze minutos, que pareceu uma eternidade. Queria que eles demorassem mais para eu não ter que passar pelo o que veria a seguir.

Fiquei encolhida em um pequeno canto da sala até ela chegar.

Quando a diretora chegou, ela já me levou a uma pequena sala, onde tinha apenas uma cadeira, cordas, um móvel estranho de madeira que tinha dois buracos e uma lareira cheia de pedaços de ferro que já estavam horríveis devido ao uso.

– O que fez com aquele gato? – perguntou ela calçando as luvas.

–Nada. – respondi quase sem emoções. Aquela seria a terceira vez que passaria por esse castigo. Eu fui à única que passou mais de uma vez. As outras crianças eram facilmente corrigidas, às vezes só o medo desse castigo as evitava fazer coisas que eram fora das regras.

– Por que fez aquilo? – perguntou entre dentes

Fiquei calada, não importa o que eu falasse, não ia mudar nada.

–Senta. – Disse ela com uma falsa calma na voz.

–Não, por favor. — Disse tremendo – Não vai acontecer de novo. Eu juro!

–Senta!

Eu sentei na cadeira com as pernas bambas. Já estava me preparando para o que iria vir a seguir.

Ela andou até onde eu estava sentada. Eu já via a lareira acesa. Fixei meus olhos nas chamas em quanto ela amarrava com força os meus pequenos punhos.

Ela começou a trabalhar nos meus pés. Prendeu cada um deles em um dos buracos do móvel estranho.

Eu tentei resistir, mas minha força de cinco anos não era o suficiente.

Quando ela terminou de prender, testei para ver se conseguiria escapar. Claro que não.

Então ela pegou com suas luvas aquela barra de ferro que sempre usava em mim. A mais grossa de todas.

Colocou uma das suas extremidades no fogo. Eu assisti vendo a ponta da barra mudando de cor devido o calor. Meus olhos estavam cheios de suplica e lágrimas.

Vi a cor laranja se manifestando e logo depois a branca.

Ela foi andando até mim me olhando com desprezo.

Comecei a chorar mais ainda, travei a mandíbula, fechei os olhos e esperei a extrema dor.

Sentia o calor da barra se aproximando dos meus pés. Logo depois o pânico me atingiu.

Quando ela encostou a barra nos meus pés, gritei o mais alto que podia em esperança de alguma ajuda, mas já sabia que essa ajuda nunca ia chegar. Meus pés queimados ardiam de uma forma exagerada. Travei os dentes de novo esperando para as próximas queimaduras.

Aguentei mais três vezes até desmaiar por causa da dor.

Ouvi uma vozinha no fundo chamando alguém.

–Pode levar. Tire todo esse sangue dela antes de coloca-la no quarto. Não mexam nas queimaduras, quero que ela as sinta até o fim.

E foi assim que acabou o dia em que conheci Betty.

Notas finais
Entãããão? gostaram? Odiaram? Precisa de melhoras? Deixe um comentário! Juro que não cai o dedo!
Obrigada!