Penumbra
1 Penumbra
Notas iniciais
Há uma pergunta sobre a morte, pergunta-se ela a alguém.
Quem?
Começaram breves os sussurros, alongaram-se junto aos meses: Nico di Angelo é o semideus ao se faz uma pergunta sobre a morte. Ele mesmo parecia carregá-la a contragosto numa trouxa sobre os ombros feitos de cicatriz e palidez, vagando em silêncio pelo Acampamento. Os ossos dançavam sob seus pés e ele não parecia gostar do ritmo.
O rosto de um mito poderia ter o rosto de Nico. Conviver entre os deuses trazia aos campistas sempre uma sensação de nervosismo, que ia aumentando de acordo com os pais e mães de cada um. Os filhos dos Três Grandes eram o maior nervosismo de todos.
Jason. Percy. Jasão. Perseus.
Outrora, Bianca.
Thalia. Hazel.
Nico.
Há uma pergunta sobre a morte, pergunta-se ela a alguém.
Quem?
Will, você fez de tudo para salvá-lo.
Meu tudo não é o suficiente, então.
Por que o barulho da cura assemelha-se ao barulho do fim?
O pulsar mínimo que se recupera; o pulsar mínimo que se perde.
Que jeito de morrer, Nico...
O jeito só importou no momento final. Ele está bem, agora.
Você sempre sente a passagem, não é? Não importa como ela acontece.
Sempre. Mas você também sente, Will.
Nico percebeu.
Will Solace era a pessoa certa para se fazer uma pergunta sobre o fim.
Eu não suporto quando pensam que eu sou sempre feliz. Eu sou médico. Conheço mais da morte que quase qualquer um aqui – você é a exceção.
Um sorriso torto. Eu costumo ser a exceção.
Eu falo sempre para você não ligar para o que os outros assumem e pensam e fantasiam sobre a sua personalidade, mas não sigo meu próprio conselho. Não deveria ser meu amigo, Di Angelo.
Eu deveria, sim.
Nico e Will estão igualmente próximos da Morte. Não são opostos, nem sequer luz e trevas, trevas e luz. Nico tem o fundo dos olhos iluminados e Will um peso no coração que suplica por sossego.
Mas amigo não é bem o que eu sou seu.
Mão se tocam.
Não, não é.
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