Penumbra

1 Capítulo I


Notas iniciais
Oee! Minha primeira fanfic no Nyah! Tomara que eu me acostume com o site, já que antes utilizava o SocialSpirit. Gosto de ambos, estou apenas experimentando este, se gostar, ficarei nele :D Espero que gostem da fanfic. Para ajudar na compreensão, darei uma lista de raças e características de todos os signos. Por favor, não se ofendam, peguei tanto defeitos quanto qualidades, e a fonte é da internet.

SIGNOS DE FOGO —
Leão, Áries e Sagitário.
Energia, força de vontade, paixão. Orgulho, vaidade e arrogância.
— Lobisomens.

SIGNOS DE ÁGUA —
Touro, Virgem e Capricórnio.
Sensitivo, espiritual. Vulnerabilidade, fraqueza, chantageado, inocência.
— Elfos.

SIGNOS DE AR —
Gêmeos, Libra e Aquário.
Razão e entendimento. Dispersão, falsidade e mentira, frieza.
— Vampiros.

SIGNOS DE TERRA —
Câncer, Escorpião e Peixes.
Força e determinação. Teimosia, lentidão, crítica e rebeldia.
— Feiticeiros.

Leão quase assustou-se com tamanho barulho. Áries e Sagitário agitaram-se ao seu lado, músculos tensos pelo fluxo de energia. Mesmo acostumado com a arena, Leão não se continha. A espera era tanta, e ele finalmente poderia enfrentar Libra novamente—desde a última derrota, na antiga lua cheia, seu ódio pela vampira estava frutífero, alimentado pelo desejo sangrento de vingança.
Rei Sol pôs-se no pedestal, erguendo os braços para que os signos cessassem o tamanho alarido que causavam. Os últimos a se calarem foram os de Terra, óbvio. Tanta força e energia acumulada gerava rebeldia.
— Nos reunimos aqui, hoje — iniciou rei Sol, sereno. Seus olhos verdes possuíam um brilho celestial, e seus cabelos louros, da mesma cor dos de Leão e seus companheiros, refletiam o luar intenso daquela madrugada. Mesmo estando escuro, rei Sol ainda se mantinha brilhante. — Para iniciar os duelos elementais. Os signos de Ar mantém-se na liderança, ao vencer diversos duelos, somando dezesseis. Signos de Fogo vêm logo atrás, com quinze vitórias. Signos de Água possuem dez vitórias; e os de Terra concluíram com oito vitórias. — finalizou. Leão entendia a inquietação dos signos de Terra, já que perdiam horrivelmente. Era incomum tal coisa acontecer, já que possuíam a fama de serem teimosos e impulsivos, prontos para a batalha. Mal dera tempo para Leão comentar algo com Áries, e rei Sol já indicava o único par a gladiar nesta bela lua cheia.
— Vampiros e Lobisomens, Elfos e Feiticeiros. Por meio de meu consentimento e de meu nome, rei Sol, que declaro os nomes dos primeiros guerreiros a lutarem. Estes são: Capricórnio, Elfo, representando os de signo de Água; e Sagitário, Lobisomem, representando os de signo de Fogo. — Leão virou-se para dar um aceno ao companheiro, que já recebia meros incentivos de Áries. Os de signo de Fogo eram vaidosos e orgulhosos, e não deixavam seu companheirismo transparecer com facilidade, preferindo brilho próprio.
Transferindo o olhar para o outro lado da grande campina, Leão viu os de signo de Água idolatrando seu companheiro escolhido, o que Leão desdenhou firmemente. Capricórnio, com suas orelhas pontudas de Elfo e estatura firme, mas esgueira, abriu um sorriso preguiçoso e deu um passo a frente, junto de Sagitário, para receber as graças do rei Sol.
— Prometeis vós, lutar de forma justa e limpa, em honra de Júpiter e de todo o Universo? — questionou o rei, mantendo seu olhar incandescente firme sob os dois guerreiros nobres.
— Juro. — responderam ambos ao mesmo tempo, fazendo uma fraca reverência a todos. Trocaram um cumprimento, e Leão já pôde ver a fúria instalada nos olhos de Sagitário, seu amigo mais próximo. Ele era forte e sábio, mas Leão liderava os signos de Fogo há muitos séculos, devido a sua lealdade e honra. Era grato pela oportunidade dada pelo rei, mas sua arrogância não o permitia admitir.
Após toda a tradição, os guerreiros partiram para a batalha, invocando seus elementos. Sagitário estava em desvantagem; suas labaredas de fogo eram reduzidas a vapor ao tocar os escudos dágua de Capricórnio. Percebendo isso, optou pelo combate corpo-a-corpo, lançando socos e chutes furiosos na face e membros de Capricórnio, que apenas desviava e de protegia com água.
Ao olhar em volta, Leão viu os signos de Terra bufarem e torcerem por Sagitário, o que era estranho. Sempre houve uma rivalidade entre os signos de Fogo e Terra, pois ambos desejam glória e poder acima de tudo. Quando Leão virou-se para Áries, viu seus olhos âmbar brilharem com fervor, enquanto ela torcia para Sagitário vencer a luta. Olhou de relance para Leão, então continuou a torcer, ignorando-o totalmente. Eles já tiveram algo, mas Áries nunca o perdoara por tê-la deixado. Mas ele sabia que tinha sido o certo a fazer; eles eram muito jovens e inocentes naquela época, demais da conta.
Um baque surdo trouxe Leão de volta a realidade, e ele pôde ver Sagitário rolar no chão, enquanto um enorme redemoinho de água o rodeava, atazanando-o como vespas. Ágil, Capricórnio gesticulava com suas mãos, controlando seus elementos.
Sagitário estava perdendo.
Áries tensionou os músculos, e Leão sabia que ela já tinha percebido que Sagitário perderia. Se sentiu inútil por apenas assistir o companheiro ser atacado pelas ondas de água, mas não tinha nada que ele pudesse fazer.
Retirando energia do ar, Sagitário socou o redemoinho, explodindo-o em uma nuvem de vapor ao usar seu poder elementar para anular os ataques de Capricórnio. O mesmo rugiu, transtornado, mas logo formou uma nova onda, que também foi destruída por um forte e experiente Sagitário, ao transformá-la no vapor quente, escuro e sufocante. A arena eclodiu em uma nuvem negra, e gritos de guerra foram soltos, Leão pôde identificar de quem era, mas permaneceu em silêncio, e preferiu aproveitar o leve suspense que logo pairou no ar, gerando tensão.
Quando a névoa se esvaiu, revelou-se um Capricórnio ao chão, surrado e fraco, e um triunfante Sagitário, já transformado em lobo, erguendo-se sob seu corpo inerte, mas vivo. Todos os signos eram imortais.
— Declaro a vitória ao nobre Sagitário, e aos guerreiros de signo de Fogo, conhecidos por sua bravura e honra. — declarou, absoluto, o rei Sol. O restante dos astrológicos não pareceram tão radiantes com o resultado, mas fizeram uma reverência ao rei, reafirmando sua glória e poder. Leão não acolheu Sagitário, que retornou a forma humana, muito menos Áries. Do outro lado, Capricórnio era idolatrado com fervor, mesmo tendo perdido a luta.
— Graças aos astros que vencestes, Sagitário — comentou Áries, ao retornarem à sua seção. Cada tipo de signo era separado por seções de acordo com os elementos. Sagitário pendeu a cabeça. — Agora, empatamos com os signos de Ar. Espero que possamos vencê-los.
Leão concordou, apressando seus passos largos e firmes. Áries vinha logo atrás, prosseguindo a conversa com um fadigado Sagitário. Sem perceber, Leão foi seguido por Aquário, uma bela vampira de signo de Água que ele tinha conhecido há pouco tempo. Ela sorriu ao chegar mais perto, esvoaçando os cabelos cor de avelã. Seus olhos rubi estavam claros e atentos, refletindo o luar com igual beleza.
— Olá, Leão — pegou sua mão, ainda sorrindo levemente, e Leão sentiu a frieza de sua pele macia. — Quanto tempo não nos víamos. Sagitário batalhou bem esta noite, devo a ele os devidos parabéns.
— Não deves nada a ele, Aquário. Mas concordo contigo; Capricórnio está forte e eu poderia apostar que ele venceria esta noite — Leão assegurou-a, olhando para os lados, caso alguém os visse com as mãos dadas. Para sua sorte, todos os signos pareciam distraídos no momento. — E também peço para tomares cuidado, podem nos ver juntos; duvido que queiras isso.
Ela se encolheu um pouco, os olhos perdendo um pouco de seu brilho. Retirando a mão da sua, Aquário manteve distância. Leão cruzou os braços, já sentindo falta da maciez de sua pele gélida; mas não fez questão de demonstrar a saudade.
— Desculpe-me, Leão. Fui cega quanto a isso, e fui precipitada. Se quiser que eu vá, não há problema. — engoliu em seco, parecendo tão minúscula e delicada, que Leão teve que se segurar para não abraçá-la. A amava, mas sabia que não era certo. Signos opostos, raças opostas, poderes opostos..
— Não aguentaria ficar sem te ver até a próxima lua cheia, — respondeu-lhe o de signo de Fogo, sorrindo sem muita emoção, por ter arrogância e orgulho correndo no sangue. Aquário não respondeu, mas deu um abraço apertado nele, envolvendo-o levemente. Leão beijou sua testa, sentindo um calafrio. A grande maioria dos astrológicos já tinha partido, e até agora, não tinham sentido sua falta. Ainda.
— Nos veremos logo, meu amor — prometeu Leão, correndo os dedos pelo cabelo dourado. — Na próxima lua cheia, estarei aqui a te esperar.
Aquário abriu um belo sorriso, envolvendo os lábios do leonino nos seus. Uma troca de sabores e de temperaturas, castigando-o em pensar que teria de abandonar esses lábios por algumas longas semanas, até a próxima lua cheia, quando outra batalha na arena ocorreria.
— Adeus. — suspirou a aquariana, dando uns passos adiante. Leão fez o mesmo, uma pontada de dor atingindo seu peito a cada passo. Seu corpo pedia para que voltasse para ela, mas Leão sabia que não podia. Acelerando, ele tomou o caminho para casa, o gosto de Aquário ainda vivo em seus lábios.

Áries sempre acordava cedo, e para a má sorte do leonino, o obrigava a acordar também, junto de Sagitário.
— Os treinamentos estão mais rígidos, sabeis disso. — resmungava ela, cada vez que opinavam quanto a isso. — Precisamos melhorar nossas técnicas e estratégias, os outros astrológicos estão avançando, e nós estamos em constante decaída.
Sagitário levantou-se, vestindo suas roupas de couro, com as cores típicas dos signos de Fogo—um vermelho-vinho elegante, fosco, mas ao mesmo tempo reluzente e atraente, como os próprios signos. Leão costumava ser o mais orgulhoso e arrogante, mas a vaidade era única de Áries e Sagitário.
— Mas que ódio, Áries. Deixe de ser tão impertinente! Suas palavras cravam como ervas daninhas, mas o fogo as destrói sem a menor dificuldade. — retorquiu Leão, elevando o tom, a ponto de ficar rígido e firme, quase presunçoso.
Áries contraiu o rosto em uma careta, não aprovando o jeito como fora tratada pelo companheiro. Gesticulou com a mão, como se não ligasse.
— Não me lembro de perguntar-te sua opinião, muito menos permissão.
A vociferação de Áries não incomodou Leão, que simplesmente ignorou-a e vestiu suas vestes de couro rubicundo em silêncio. Quando Sagitário se retirou, Áries o fitou com um ódio que o leonino não possuía palavras para descrever intensidade.
— A aquariana não é uma de nós. — afirmou, segura de si, como sempre. As palavras causaram um choque em Leão, que manteve o segredo da relação com Aquário há mais de um ano. — Sabes que ela é diferente, e se o rei descobrir, seu cargo como líder se queimará como as ervas daninhas, Leão. Pois saiba disso.
Então, Áries se retirou da sala, deixando Leão sozinho com os pensamentos abalados pela pura verdade de suas maldosas palavras.
Mas de uma coisa ele sabia: mesmo sendo a causa de seus problemas, ele precisava falar com Aquário.
Ao crepitar para fora, Leão, sendo líder de ambos Áries e Sagitário, pôde dar as ordens de cancelar o próprio treinamento do dia, deixando-os treinar sozinhos. Áries já devia saber o quê ele estava tramando, mas não argumentou.
Leão andou até a fronteira da seção, portando sua pistola, em caso de patrulhas o pegarem aqui. Chamou por Aquário, e rezou aos astros para que ela estivesse por perto.
— Leão? — após algum tempo, a elegante vampira surgiu entre as altas árvores, os olhos rubi imensos com curiosidade. — O que estás fazendo aqui? Estás bem longe de casa.
Ele soltou um suspiro, pegando sua mão. Aquário estremeceu ao toque, mas acabou cedendo à carícia do amante. Gemeu com os beijos contínuos, e puxou a mão de volta.
— Não me diga que viestes para me beijar. Ontem já não foi o bastante, meu amor? — sorriu, sem ironia. Algo que Leão apreciava em Aquário, era sua simpatia e carisma, algo que ele não possuía. Amava seu jeito de ser.
— Infelizmente, não vim apenas para isso, — iniciou, firme. — Vim para te dizer que Áries descobriu sobre nossa relação. Não me perguntes como, eu desconheço. Ela soube que nós estávamos juntos, ontem.
Aquário estava em choque, e quase apagou. Era sensível demais, algo incomum entre os frios vampiros. Leão segurou-a, aquecendo a pequena vampira, já aninhada em seus braços. Ela estava em um estado um tanto intermediário; meio acordada, e meio desacordada.
— Aguente firme, Aquário — murmurava Leão, preocupado com a amante. Beijou-a no rosto, depositando-a com leveza entre seus braços, pronto para carregá-la a algum lugar mais adequado. Aquário era incrivelmente fraca quanto às emoções, mas Leão nunca a viu chegar a certo ponto de quase desmaiar. Culpou a si mesmo por causa disso, enquanto ela dizia coisas sem nexo. Selou seus lábios com os dedos aquecidos.
— Silêncio. Fique quieta. — alarmou, entristecido com sua reação. Não que a culpasse, ele também ficaria de tal jeito se recebesse essa notícia.
Ao chegar perto de uma pequena caverna, o leonino esperou Aquário acordar, o que levou alguns minutos. Ela ainda parecia tonta e desatenta, mas já compreendia melhor.
— Então.. o que vais fazer? — Aquário perguntou-lhe, recobrando as forças. Leão ponderou por vários segundos, incapaz de expulsar alguma resposta cabível. Suspirou.
— Não sei — admitiu. — Não vou deixar Áries comprovar suas teorias, mas espero que possamos nos ver de novo o mais cedo possível, Aquário. Apenas precisamos tomar mais cuidado. — Leão, pela primeira vez, presenciou sua voz trêmula e quieta, diferente da firmeza da voz usual. Devido ao signo, Leão era bem mais indiscreto do que os outros.
Aquário sabia muito bem disso. Ela estranhou o tom utilizado por ele, mas não se deixou perguntar sobre isso. Possuía problemas demais no momento, não podia dispersar-se.
— Tudo bem. Mas tente não sentir tanta falta de mim, amor. — riu Aquário, descontraindo ambos.
Leão sorriu, finalmente se sentindo à vontade com a amante de novo. Ela costumava alegrar seus ânimos, algo também bastante incomum com as pessoas de sua espécie. Os signos de Ar e vampiros eram um tanto insensíveis e egocêntricos demais.
— Não duvido, sabes disso. — riu sozinho, beijando-a como se fosse a última vez que a veria. E talvez fosse mesmo.
— Até logo. — ela sussurrou, enquanto ele se transformava no imenso lobo avermelhado. Ele ganiu levemente, e Aquário compreendeu isso como um adeus. Ele partiu para fora da caverna, retornando para o seu território com a tristeza tentando o puxar de volta ao seu amor. Mas o bom-senso venceu, e ele voltou para a seção dos signos de Fogo.
— Onde estavas, Ó Grande e Nobre Líder? — ladrou Áries, ao vê-lo ainda transformado em lobo. — Tomara que tua amante não tenha se importado com os atrasos, Leão.
Ele a ignorou, adentrando sua cabana em silêncio. Não precisava ouvir desaforos de Áries, muito menos levá-los a sério. Mesmo com a cabeça latejando, Leão não pôde evitar de pensar o que faria com Aquário, e percebeu que pensava como um rei, pronto para esquartejar um criminoso. Mas neste caso, era diferente. O criminoso era ele.

Notas finais
Comentários? Reviews? Sempre aceitos. :)
Até a próxima, gente.

Miin.