Pensamentos de uma Garota Vazia
2 Exploda
Notas iniciais
E feche os olhos. Conte um, dois, três. Por fim, exploda.
Tudo é escuro. A único coisa que vejo são rastros esbranquiçados de luz que caminham pelo local até desaparecer. É assim por algum tempo. Eles chegam mais perto. Ou eu estou indo mais longe? Não sei exatamente onde estou... A confusão parece ser palpável e caminha ao meu lado com certa curiosidade.
Sinto-me sufocada. Eu estou respirando. Sinto-me afogada. Nada mudou. Sinto-me morta. Eu ainda estou viva. Eu não me sinto. Eu... Sinto muito. Aperto a palma das minhas mãos com força. Tento buscar algum sentido.
"Prestem atenção, pelo amor de Deus! Vocês duas parem de falar. Já é a segunda vez. Isso, só hoje, não é?"
A voz ressoa em minha mente e suspiro fundo, abrindo-os lentamente. A luz cega-me e machuca meus olhos. Ou talvez mais que isso: ela me machuca completamente. Faz-me voltar a realidade e é uma droga ter de enfrentá-la. Reviro os olhos e continuo a copiar o esquema de História da lousa.
Tudo me machuca. Poderia dizer que quando estou sozinha, sinto-me levemente melhor. Mas, muitas vezes, a solidão despreza meus sentimentos. Faz-me questionar sobre tudo e não me dá nenhuma resposta. Retira minhas certezas e não me devolve nada em troca.
Mas, tudo bem, estou acostumada com isso...
Um pouco dramático, não? Eu já nem percebo o drama dentro de mim. Um drama existencialista. Eu passei a manter grande parte das coisas em segredo. Minhas dores, revoltas, perguntas. Ninguém tem paciência para as perguntas. O que estamos fazendo aqui? Por que nós temos que estar aqui? Por que as pessoas têm de sofrer? Porque... Ninguém escuta, entende? É algo que não há resposta. Logo, vamos ignorar e fingir que nada aconteceu.
Apenas feche os olhos. Conte um, dois, três. Por fim, exploda. Morra em silêncio. Grite sem voz. Chore por dentro. Desmorone sem cair. Suicide-se. Afoga-se no vazio criado por todos, incluindo si mesma. Faça o que quiser! Só sorria, diga que está tudo bem ou afirme "Não é nada! Estou só cansada mesmo". A vida é um fingimento; o resto simplesmente não importa.
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